{"id":1023,"date":"2024-03-17T12:55:51","date_gmt":"2024-03-17T15:55:51","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=1023"},"modified":"2024-04-28T17:34:46","modified_gmt":"2024-04-28T20:34:46","slug":"as-funcoes-do-lobo-frontalanibal-silveira","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/as-funcoes-do-lobo-frontalanibal-silveira\/","title":{"rendered":"AS FUN\u00c7\u00d5ES DO LOBO FRONTAL"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>AS FUN\u00c7\u00d5ES DO LOBO FRONTAL<\/strong>\u00b9<\/h5>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o multissecular da depend\u00eancia do intelecto humano para com o c\u00e9rebro tem recebido em diferentes \u00e9pocas solu\u00e7\u00f5es d\u00edspares e mesmo contradit\u00f3rias, o que de per si revela que nenhuma concorda inteiramente com os dados objetivos correspondentes. Bem analisados os fatos, na mor parte ver\u00eddicos, ressalta que para a diversidade das concep\u00e7\u00f5es sobre eles arquitetadas n\u00e3o contribuiu apenas o aperfei\u00e7oamento da t\u00e9cnica na pesquisa objetiva. Ele se acentuou de modo r\u00e1pido e crescente, \u00e9 certo, de prefer\u00eancia no dom\u00ednio anat\u00f4mico; por\u00e9m mesmo entre os contempor\u00e2neos as indaga\u00e7\u00f5es t\u00eam conduzido a resultados muito vari\u00e1veis, sem embargo da compet\u00eancia t\u00e9cnica e do rigor de verifica\u00e7\u00e3o com que se armam os respectivos autores. Por outro lado, a compara\u00e7\u00e3o dos fatos objetivos coligidos nos v\u00e1rios per\u00edodos cronol\u00f3gicos, considerados em si e n\u00e3o segundo a significa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica a eles emprestada, autoriza-nos a salientar como fator primacial dessa discord\u00e2ncia a falta de s\u00f3lida doutrina pr\u00e9via.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sub><sup>\u00b9&nbsp;Comunica\u00e7\u00e3o em resumo com apresenta\u00e7\u00e3o de doentes, em reuni\u00e3o neuropsiqui\u00e1trica do Hospital de Juquery, S\u00e3o Paulo, em novembro de 1933. Publicado posteriormente na Revista de Neurologia e Psiquiatria de S\u00e3o Paulo (<em>I, p\u00e1gs. 196-228, 1935<\/em>).<\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a despeito da grande c\u00f3pia de publica\u00e7\u00f5es que t\u00eam focalizado o assunto, ainda h\u00e1 margem e oportunidade para algumas considera\u00e7\u00f5es a respeito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem remontarmos ao conceito hipocr\u00e1tico, em que o genial antecessor de Arist\u00f3teles interpreta filosoficamente as diferentes fun\u00e7\u00f5es intelectuais (70) (107) e as coloca no c\u00e9rebro, sem nos determos na concep\u00e7\u00e3o segundo a qual, j\u00e1 no s\u00e9culo II, Galeno exp\u00f5e as atribui\u00e7\u00f5es da alma (33) e lhes d\u00e1 como sede \u201ctodo o corpo do c\u00e9rebro\u201d (106), diremos que \u00e9 na era moderna, ou seja, a partir do s\u00e9culo XV, que a preocupa\u00e7\u00e3o de comparar o c\u00e9rebro humano e dos animais se precisou, com os trabalhos de Haller (1708-1777), de Vicq d\u2019Azyr (1748-1794). Aquele grande anatomista atribu\u00eda \u00e0 necessidade de aumento da superf\u00edcie cortical a abund\u00e2ncia de circunvolu\u00e7\u00f5es que notava dos animais inferiores para o homem: e, neste particular precedido por La Peyronie (1678-1747), preconizava ainda com toda clareza o m\u00e9todo an\u00e1tomo-cl\u00ednico segundo a transcri\u00e7\u00e3o de Jules Soury (106): \u201cO \u00fanico meio de atingir ao conhecimento cient\u00edfico das partes do enc\u00e9falo, Haller o indica em termos muito precisos: dissecar grande n\u00famero de c\u00e9rebros de alienados cujas observa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas se possuam, e comparar com o c\u00e9rebro do homem e de animais cujas faculdade mentais conhecemos bem\u201d (pag. 460).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma e outra dessas modalidades assumidas pelo m\u00e9todo chamado an\u00e1tomo-cl\u00ednico, que rapidamente entraram em voga no s\u00e9culo passado, enveredaram, entretanto, por falsos trilhos, como logo diremos. Assim, a correla\u00e7\u00e3o entre a intelig\u00eancia e o peso do c\u00e9rebro, ou seu valor em superf\u00edcie ou ainda o n\u00famero, a forma e o desenvolvimento relativo das circunvolu\u00e7\u00f5es, ou ainda mesmo o volume total, n\u00e3o poderiam conduzir sen\u00e3o a conclus\u00f5es ilus\u00f3rias. Referindo-se a uma longa mem\u00f3ria lida por Broca; perante a Sociedade de Antropologia de Paris (21-3-1861), Souques afirma: \u201cNa primeira parte ele admite uma rela\u00e7\u00e3o aproximativa entre a massa do c\u00e9rebro e a capacidade intelectual: em apoio cita os c\u00e9rebros de Byron, de Cromwell e de Cuvier, os mais pesados que at\u00e9 ent\u00e3o se conheciam\u201d (105) Anthony (6) estabelece paralelismo entre o desenvolvimento em superf\u00edcie cortical e o peso do c\u00e9rebro na escala dos mam\u00edferos, mostrando que os valores crescem gradativamente. J\u00e1, entretanto o peso relativo desse aparelho fornece dados menos expressivos: \u201cSegundo Leuret, com efeito, o peso do c\u00e9rebro est\u00e1 para o corpo, no peixe na rela\u00e7\u00e3o 1:5668; nos r\u00e9pteis esta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1:1321; nas aves, de 1:212; nos mam\u00edferos, de 1:186. Desta classe, o animal mais favorecido, depois do homem, pode atingir com rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e9rebro o peso absoluto de 1800g, o que d\u00e1 o peso proporcional de 1:66. No homem, sendo o peso m\u00e9dio do c\u00e9rebro 1300g aproximadamente, e o peso m\u00e9dio do corpo 62Kg, o primeiro est\u00e1 para o segundo como 1 para 47. Esta superioridade, relativamente fraca, sobre o cet\u00e1ceo, seria talvez deprimente para o nosso amor-pr\u00f3prio se estivesse estabelecido que o peso do c\u00e9rebro d\u00e1 por si s\u00f3 a medida da intelig\u00eancia\u201d. S\u00e3o palavras de Adam (2). N\u00e3o \u00e9 mais f\u00e9rtil o estudo da complexidade morfol\u00f3gica apresentada pelo conjunto do c\u00f3rtex ou uma qualquer das suas regi\u00f5es. \u00c9 verdade que S. Sergi, no trabalho sobre \u201cSuperf\u00edcie metopica de c\u00e9rebros de indianos e de japoneses\u201d (apud. Bianchi [18]) conclui, baseado em observa\u00e7\u00f5es desta ordem, que \u201co lobo frontal dos japoneses \u00e9 mais evolu\u00eddo que o dos indianos\u201d. Mas outros autores, que t\u00eam analisado a morfologia cortical de homens eminentes, chegaram a conclus\u00f5es perfeitamente est\u00e9reis: Rudinger, segundo testemunho de Mingazzini (71), \u201cfala de um desenvolvimento certamente exagerado do <em>gyro frontal \u00ednfimo <\/em>esquerdo, por\u00e9m n\u00e3o lembra maior riqueza em flexuosidade de todos os outros giros frontais. Sobre Bertillon, Assaline, Gambeta, Siebold, h\u00e1 antes refer\u00eancia categ\u00f3rica de que ao passo que s\u00f3 o giro frontal inferior era muito desenvolvido em ambos os lados e especialmente \u00e0 esquerda, os giros frontais superior e m\u00e9dio nenhuma particularidade apresentavam. S\u00f3 em refer\u00eancia a Gauss, Morgan e Hermann o desenvolvimento de todos os giros frontais era indubitavelmente maior que nos c\u00e9rebros ordin\u00e1rios\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais aproveit\u00e1vel para se inferir da correla\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es intelectuais e o c\u00e9rebro \u00e9 o estudo do desenvolvimento quer absoluto quer proporcional, que esse aparelho apresenta em toda a escala zool\u00f3gica. Tal investiga\u00e7\u00e3o comparada revela que, \u00e0 medida que a ordem, a classe ou a esp\u00e9cie, ganha em aperfei\u00e7oamento subjetivo e particularmente em plenitude intelectual, tamb\u00e9m aumenta a import\u00e2ncia anat\u00f4mica do conjunto cerebral considerado isoladamente ou em confronto com o vulto som\u00e1tico; e semelhante ascens\u00e3o se traduz tamb\u00e9m \u2013 de uma forma e outra \u2013 de prefer\u00eancia nos lobos frontais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA evolu\u00e7\u00e3o da parte anterior do c\u00e9rebro situada adiante da regi\u00e3o da motricidade volunt\u00e1ria \u00e9 muito reduzida nos n\u00e3o primatas; o estudo delas \u00e9 interessante principalmente nos primatas por causa da especializa\u00e7\u00e3o que eles denotam no sentido da intelectualidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos l\u00e9mures, inferiores entre todos os primatas no dom\u00ednio intelectual, o lobo frontal \u00e9 baixo; ademais, em se\u00e7\u00e3o horizontal, apresenta nitidamente a forma de cunha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos s\u00edmios cinomorfos a altura dele j\u00e1 \u00e9 maior. Torna-se esta consider\u00e1vel nos antropoides e mais ainda no homem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe mais a mais, do macaco para o homem, o lobo frontal aumenta no sentido transversal\u201d. (Anthony [6]).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse desenvolvimento do lobo frontal preponderante sobre os demais lobos foi verificado por Mingazzini, o qual chegou a estabelecer que durante a evolu\u00e7\u00e3o do esp\u00e9cimen se processa o mesmo fen\u00f4meno que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esp\u00e9cie. Hamy assinala a esse prop\u00f3sito, que em esp\u00e9cimes jovens de macaco, de Cynocephalo papyo e de chimpanz\u00e9 encontrou os seguintes valores do lobo frontal, em proje\u00e7\u00e3o horizontal comparada ao comprimento horizontal do hemisf\u00e9rio: 45%, 47% e 50% respectivamente; nos esp\u00e9cimes adultos obteve, ainda na mesma ordem de discrimina\u00e7\u00e3o: 47%, 54% e 60%. Naqueles mesmos exemplares a proje\u00e7\u00e3o dos lobos parietais correspondia no indiv\u00edduo jovem a 24%, 29% e 28% ao passo que no adulto equivalia a 23%, 25% e 24%, sempre segundo a mesma ordem de enumera\u00e7\u00e3o. (Cfr. (72)). E Mingazzini, para refutar as conclus\u00f5es de Cunningham contr\u00e1rias \u00e0s suas supracitadas, refez os c\u00e1lculos desse investigador com os dados em que se baseavam. Obteve assim com os dois \u00edndices apresentados por aquele autor, um terceiro, que representa o desenvolvimento <em>relativo<\/em> do lobo frontal. \u00c9 essa m\u00e9dia, extra\u00edda da tabela Cunningham-Mingazzini (op. Cit., pag. 759), que apresentamos a seguir:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table aligncenter\"><table><tbody><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong><em>Indiv\u00edduo<\/em><\/strong><\/td><td><strong><em>Desenvolvimento relativo do lobo frontal<\/em><\/strong><\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Feto humano de 5 \u00bd &#8211; 6 \u00bd meses<\/td><td>47,2<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Feto humano de 6 \u00bd &#8211; 7 \u00bd meses<\/td><td>49,9<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Homem adulto<\/td><td>48,3<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>Troglodytas<\/em><\/td><td>47,6<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>S. Satyrus<\/em><\/td><td>47,3<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>Cynocephalus hamadyas<\/em><\/td><td>46,0<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>Macacus<\/em><\/td><td>45,1<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>Cebus<\/em><\/td><td>45,0<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>Baboon<\/em><\/td><td>44,0<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>Mangaby<\/em><\/td><td>43,2<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><em>Cercopithecus<\/em><\/td><td>43,0<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda o valor relativo do lobo frontal em superf\u00edcie, filogeneticamente comparado foi avaliado por Boule e Anthony (23) em 32,2% do c\u00f3rtex no antropoide, em 36,75% no homem de La Chapelle aux Saints, em 41% no australiano e em 45% no alem\u00e3o do centro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com elementos muito mais precisos de verifica\u00e7\u00e3o, por isso que \u00e0 luz da citoarquitetonia, Brodmann representou na seguinte seria\u00e7\u00e3o a extens\u00e3o do c\u00f3rtex propriamente frontal (<em>r\u00e9gio frontalis<\/em>), comparada \u00e0 superf\u00edcie dos hemisf\u00e9rios, em mam\u00edferos: \u201cno ouri\u00e7o cacheiro: 0%, no coelho 2,2%, no morcego 2,3%, no gato 3,4%, no c\u00e3o 6,9%, no maki 8,3%, no macaco 9,2%, no hylobata 11,3%, no chimpanz\u00e9 16,9%, no homem 29%\u201d (41). Segundo o mesmo anatomista ainda, essa regi\u00e3o, avaliada agora em n\u00fameros absolutos revela o mesmo aumento progressivo. Em mm2 importa ela \u201cem 152 no gato, em 337 no l\u00eamure maki, em 1839 no hylobata, em 6719 no chimpanz\u00e9 e em 39287 no homem\u201d (92).<\/p>\n\n\n\n<p>Important\u00edssimos estudos devidos a Maximilian Rose levam muito al\u00e9m a import\u00e2ncia da diferencia\u00e7\u00e3o que atrav\u00e9s da escala zool\u00f3gica exibe o lobo frontal, considerado n\u00e3o s\u00f3 em superf\u00edcie relativa e absoluta, por\u00e9m mesmo pelo aspecto da complexidade citoarquitet\u00f4nica assim qualitativa como quantitativa. \u201cA regi\u00e3o pr\u00e9-central \u2013 afirma este investigador \u2013 n\u00e3o difere, quanto \u00e0 situa\u00e7\u00e3o e \u00e0 estrutura, da do homem, por\u00e9m denota maior extens\u00e3o relativa, por isso que <em>compreende quase a metade do lobo frontal, ao passo que no homem perfaz aproximadamente 1,10 do c\u00f3rtex respectivo\u201d<\/em>. (92) (S\u00e3o nossos os grifos). Nos arctopithecos, \u201ctoma seguramente 3\/5 do c\u00f3rtex frontal\u201d, nos pr\u00f3-s\u00edmios (Halbaffen), 2\/3 mais ou menos dessa zona, e nos lumurianos 1\/3 (M. Rose). Verifica-se assim que n\u00e3o basta comparar a regi\u00e3o frontal grosso-modo, nas diferentes esp\u00e9cies. Dentro da pr\u00f3pria regi\u00e3o a zona chamada motora cresce do homem para os termos biotaxicamente inferiores; e cresce \u00e0 custa da zona frontal n\u00e3o motora. Esta \u00faltima, considerada na escala zool\u00f3gica em ordem descendente, vai ao mesmo tempo assumindo estrutura mais simples e menor n\u00famero dos chamados campos arquitet\u00f4nicos. Ainda granular no macaco, abrange, por\u00e9m, nele \u201capenas da \u00bd c\u00f3rtex respectivo, e seguramente 1\/10 \u2013 1\/6 do conjunto cortical\u201d, quando no homem atinge \u201csem d\u00favida 4\/5 do lobo frontal e 1\/3 do c\u00f3rtex total\u201d. (Rose). Diferencia-se no homem em 8 \u00e1reas, no macaco em 5, no cercopitheco em 4, no lemuriano em 3 (Rose).<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no urso a regi\u00e3o frontal, pequena, \u201crecobre o polo frontal como uma c\u00e1psula. Deve ser seguramente a metade da regi\u00e3o pr\u00e9-central e n\u00e3o se divide em subcampos\u201d (Rose). \u201cComparando-se os inset\u00edvoros e os mam\u00edferos superiores, v\u00ea-se que falta neles como nos roedores, inteiramente a regi\u00e3o frontal granular. Al\u00e9m disso, observa-se neles a aus\u00eancia de biparti\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o pr\u00e9-central, e o que &#8211; desde o homem at\u00e9 os roedores \u2013 \u00e9 comum a todos os mam\u00edferos\u201d. Posto em confronto \u201co polo frontal dos repteis com o dos p\u00e1ssaros, vemos que nos primeiros compreende ele principalmente o semi-c\u00f3rtex olfativo, e nos \u00faltimos ao contr\u00e1rio quase exclusivamente o <em>corpo estriado\u201d <\/em>(92).<\/p>\n\n\n\n<p>Avaliando-se o \u00e2ngulo de fuga do lobo frontal no homem branco, negro de Tumbuctu, Papua, chega Anthony (loc.cit.) \u00e0 m\u00e9dia de 48\u00b0. O mesmo valor m\u00e9dio nos antropoides \u00e9 de 40\u00b0. Entre uma s\u00e9rie \u00e0 outra aparece o \u00e2ngulo no neanderthaliano com os valores de 40\u00b0 e 41\u00b0, respectivamente no homem de La Chapelle aux Saints e de La Quina. A rela\u00e7\u00e3o entre a altura da bregma e o di\u00e2metro anteroposterior m\u00e1ximo exprime essa mesma seria\u00e7\u00e3o: o valor m\u00e9dio \u00e9 de 30,3 nos antropoides, 32,5 no homem de Neanderthal (29,7 a 28,8 respectivamente no de La Chapelle aux Saints e no de La Quina), 36,15 no homem contempor\u00e2neo (Anthony).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, \u00e0 medida que nos aproximamos do tipo humano, verificamos que o problema se torna mais complexo, pois que n\u00e3o \u00e9 exclusivamente o lobo frontal que adquire pleno desenvolvimento. E \u00e9 justamente este fato o que tem induzido em erro alguns pesquisadores eminentes, fazendo ora com que atribuam fun\u00e7\u00f5es intelectuais a outras regi\u00f5es encef\u00e1licas, ora que neguem ao lobo frontal o papel de sede daquilo a que chamamos intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis como se exprime Economo: \u201cO estudo dos modelos da cavidade craniana de nossos ancestrais humanos pr\u00e9-diluvianos e diluvianos (pitecantropo de Java ao Euantropo, e do homem de Rhodes ao de Neanderthal e de Aurignac) tanto quanto possamos seguir a s\u00e9rie at\u00e9 a \u00e9poca p\u00f3s-diluviana, nos ensina que, na esp\u00e9cie humana, o desenvolvimento mais elevado do c\u00e9rebro se acompanha ao mesmo tempo, de aumento progressivo, sobretudo do <em>lobo frontal anterior <\/em>e da zona <em>parieto-temporal.<\/em> Aqui tamb\u00e9m \u00e9, pois, principalmente em proveito das duas mesmas s\u00e9ries de territ\u00f3rios que se faz o desenvolvimento e em particular, em proveito daqueles que os nossos conhecimentos indicam como sendo a express\u00e3o do funcionamento intelectual mais elevado\u201d (37).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma confer\u00eancia, ap\u00f3s enunciar trabalhos de L. E. Smith, de Filney, de Kaatsch, que comprovam os caracter\u00edsticos desse desenvolvimento, afirma o not\u00e1vel anatomista: \u201cObservamos assim da mesma forma no homem, nesta s\u00e9rie ancestral que vai do pithecantropus ao Euanthropo, ao homem de Rhodes, ou do de Neanderthal ao de Aurignac, n\u00e3o um aumento simples da massa total do c\u00e9rebro, mas aqui tamb\u00e9m um aumento progressivo de certos territ\u00f3rios e de sua diferencia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, o que implica pois em aquisi\u00e7\u00e3o de novos centros cerebrais, e, por essa forma, de novas qualidades e fun\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 semelhante conclus\u00e3o perfeitamente leg\u00edtima, conforme o atesta a grande c\u00f3pia de dados concretos fornecidos pelo exame comparado, n\u00e3o s\u00f3 das mensura\u00e7\u00f5es com tamb\u00e9m da morfologia, da anatomia macrosc\u00f3pica e histol\u00f3gica e principalmente da citoarquitetonia cerebral, a que fizemos r\u00e1pida alus\u00e3o. D\u00e1-lhe valor, antes de tudo a indaga\u00e7\u00e3o em massa. Entretanto \u00e9 s\u00f3 o que \u00e9 l\u00edcito concluir da investiga\u00e7\u00e3o objetiva. Para distinguir quais s\u00e3o realmente essas \u201cnovas fun\u00e7\u00f5es\u201d e que por\u00e7\u00f5es do enc\u00e9falo as desempenham esse m\u00e9todo \u00e9 insuficiente. E \u00e9 ilus\u00f3rio quando, ao inv\u00e9s de se aplicar a conjunto de seres, se exerce sobre organiza\u00e7\u00f5es individuais. Exemplificamo-lo com as observa\u00e7\u00f5es de Mingazzini:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos cr\u00e2nios de Kant e de Dirichlet revelou-se de fato enorme desenvolvimento das regi\u00f5es parietais. O cr\u00e2nio de S. Bach e o de Beethoven (estudados por Hiss e Flechsig) apresentavam ao lado de not\u00e1vel desenvolvimento das regi\u00f5es cerebrais posteriores (parieto-occipito-temporais) e das regi\u00f5es rol\u00e2ndicas, dimens\u00f5es relativamente med\u00edocres dos lobos pr\u00e9-frontais. O cr\u00e2nio de Raphael, cujo fidel\u00edssimo molde em gesso tive ocasi\u00e3o de examinar em Urbino, mostra tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de contraste entre a modesta altura da fronte e a expans\u00e3o verdadeiramente extraordin\u00e1ria do occip\u00edcio e dos parietais\u201d (72).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados objetivos, portanto, irrefut\u00e1veis comprovam da maneira mais categ\u00f3rica o que de in\u00edcio diz\u00edamos: malgrado a inconteste autoridade do em\u00e9rito professor italiano, os fatos nesse trecho apresentados n\u00e3o invalidam a doutrina que situa no lobo frontal os \u00f3rg\u00e3os da intelig\u00eancia. Mesmo sem levar em conta que o grau de aperfei\u00e7oamento da fun\u00e7\u00e3o cerebral em apre\u00e7o est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o antes com o arranjo estrutural e o valor fisiol\u00f3gico da subst\u00e2ncia cinzenta do que com disposi\u00e7\u00f5es grosseiras como peso, extens\u00e3o, configura\u00e7\u00e3o. Antes de tudo for\u00e7a \u00e9 n\u00e3o confundir com o g\u00eanio propriamente intelectual o g\u00eanio est\u00e9tico; se bem que nas composi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas eminentes o trabalho de elabora\u00e7\u00e3o mental seja consider\u00e1vel, os v\u00e1rios g\u00eaneros de produ\u00e7\u00e3o apelam em grau diverso para a intelig\u00eancia, e mesmo, de modo geral, aptid\u00f5es est\u00e9ticas excepcionais n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis com a organiza\u00e7\u00e3o med\u00edocre no dom\u00ednio estritamente mental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que tal distin\u00e7\u00e3o pode ser plenamente evidenciada pelo conhecimento preciso, cient\u00edfico dos sentimentos, das qualidades pr\u00e1ticas e das fun\u00e7\u00f5es intelectuais, cujo conjunto constitui a natureza moral humana. Ora, semelhante conhecimento n\u00e3o poderia resultar, organizado em corpo doutrin\u00e1rio, diretamente da investiga\u00e7\u00e3o objetiva a que vimos aludindo, por mais ampla e minuciosa que ela fosse. Realmente, ele s\u00f3 atingiu a maturidade ap\u00f3s v\u00e1rios s\u00e9culos de penosa evolu\u00e7\u00e3o empe\u00e7ada e distra\u00edda por \u00f3bices numerosos e atrav\u00e9s de consecutivos esbo\u00e7os, n\u00e3o poucas vezes substitu\u00eddos ou renovados em toda a estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos resumir aqui essa evolu\u00e7\u00e3o nem o termo definitivo a que impeliu; ser\u00e1 isso objeto de outro escrito<strong>\u00b2<\/strong>. Mas \u00e9 indispens\u00e1vel indicar as diferentes fases do problema, principalmente no que entende com as fun\u00e7\u00f5es intelectuais, antes de discutirmos a sede que a elas \u00e9 permitido assinalar sem infringir os preceitos definitivamente incorporados \u00e0 ci\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sub><sup>\u00b2<em>Das fun\u00e7\u00f5es cerebrais.<\/em><\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em plena era teol\u00f3gica, durante a fase grega, j\u00e1 os grandes pensadores conduziam o problema da alma para a solu\u00e7\u00e3o perfeitamente cient\u00edfica. Assim, ao mesmo tempo em que se preparava a transi\u00e7\u00e3o das concep\u00e7\u00f5es polit\u00e9icas para a interpreta\u00e7\u00e3o monote\u00edsta, vemos que Hip\u00f3crates preceituava a depend\u00eancia do intelecto \u2013 explicitamente situado no c\u00e9rebro \u2013 para com o mundo exterior (52), (70), depend\u00eancia essa que quase um s\u00e9culo mais tarde era estabelecida em f\u00f3rmula precisa pelo assombroso g\u00eanio de Arist\u00f3teles. A no\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica de <em>alma<\/em>, entidade divina para permitir ao homem a exist\u00eancia terrestre, persistiu, entretanto, inalterado durante o polite\u00edsmo romano e o monote\u00edsmo medieval, influindo nas doutrinas dos investigadores, mesmo eminentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a extens\u00e3o crescente da ci\u00eancia positiva, pela descoberta de leis naturais a reger fen\u00f4menos cada vez mais complexos, a interfer\u00eancia da ordem sobrenatural passou a ser admitida como poss\u00edvel apenas no dom\u00ednio moral. Por outro lado, a extrema complexidade desse dom\u00ednio para cujo estudo final era necess\u00e1ria a solu\u00e7\u00e3o de intrincados problemas de prefer\u00eancia biol\u00f3gicos e sociais, explica por que pode nele imperar tanto tempo a orienta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, e por que grandes vultos da ci\u00eancia moderna aceitavam a esta sem constrangimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, mesmo antes do s\u00e9culo IV, em que o catolicismo adquiriu o governo do mundo, a tend\u00eancia para a positividade orientava \u2013 como na Gr\u00e9cia \u2013 o estudo da alma para o terreno das localiza\u00e7\u00f5es: Galeno (131-200) e os da sua escola, Nemesio (sec. IV), d\u00e3o aos ventr\u00edculos como sede das opera\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia. Depois, entre outros, Avicena (980-1037) adota as mesmas sedes; Guilherme de Conches (1080-1150) tamb\u00e9m as aceita e estabelece mais, para o <em>sensus comunis<\/em> e o <em>spiritus cerebris,<\/em> respectivamente os nervos sensitivos e os nervos motores (Jules Soury (106)). Conv\u00e9m salientarmos, entretanto, que eram tentativas sobremodo prematuras, pois se tratava de entidades fict\u00edcias, como ali\u00e1s continuou a suceder at\u00e9 o s\u00e9culo XIV, e ainda posteriormente, a Varoli (1543-1575), ao grande Descartes (1596-1650), a Willis (1622-1675), a Malpighi (1628-1694), a Vieussens (1641-1716), a Boerhaave (1668-1738), a La Peyronie (1678-1747), ainda a Haller (1708-1777) e a Proschaska (1749-1820).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se assim nessa s\u00e9rie de esfor\u00e7os sucessivos uma afinidade geral: a tend\u00eancia metaf\u00edsica para emprestar exist\u00eancia concreta a conceitos abstratos. Faltava a todos esses autores o conhecimento real da natureza humana, principalmente porque careciam de m\u00e9todo adequado para estud\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos dizer, de maneira esquem\u00e1tica, que no s\u00e9culo XVIII, durante o movimento enciclop\u00e9dico, a corrente de rea\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica se resolveu, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fun\u00e7\u00f5es cerebrais, em duas escolas diversas, prolongadas at\u00e9 os nossos dias. Evidenciar esse fato seria aqui digress\u00e3o, e por isso o reservamos para outra oportunidade; recordamos apenas que ambas devido a essa origem comum conservam na ess\u00eancia os mesmos princ\u00edpios, embora se considerem mutuamente antag\u00f4nicas. S\u00e3o elas, a escola chamada psicol\u00f3gica e a anat\u00f4mica, ou melhormente, objetivista. A primeira, representada entre os contempor\u00e2neos por Janet, por Grasset, pelos psic\u00f3logos e pelos psiquiatras em geral e ainda por Freud e seus disc\u00edpulos, apresenta assim lacunas t\u00e3o importantes quanto as da segunda, a que se filiam todos os experimentadores cl\u00e1ssicos do sistema nervoso e grande n\u00famero de fisiologistas, de neurologistas e psiquiatras contempor\u00e2neos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, distinguindo-se nitidamente de ambas, deriva em linha reta do movimento enciclopedista na sua fase construtora a escola positiva. Dessa forma para s\u00f3 lembrarmos os marcos principais, Hume (1711-1776) (53) evidencia nos animais n\u00e3o s\u00f3 a intelig\u00eancia, mas ainda o altru\u00edsmo e a educabilidade quanto aso pr\u00f3prios instintos deles, o que alguns anos depois seria focalizado de maneira particular por G. Leroy (1723-1789) (66). Tornada assim improcedente a distin\u00e7\u00e3o absolutista entre o homem e a animalidade, outros dois grandes progressos foram realizados: Cabanis (1757-1808) (28), demonstra que o conjunto denominado <em>alma<\/em> est\u00e1 em estrita depend\u00eancia para com o pr\u00f3prio corpo, pelo qual \u00e9 constantemente influenciado tanto nas varia\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas quanto no desvio patol\u00f3gico; e Bichat (1771-1802) (19) imprime aos conhecimentos respectivos o car\u00e1ter necess\u00e1rio para estabelecer como ci\u00eancia a biologia. Entretanto ainda estes dois grandes pensadores aceitam a opini\u00e3o corrente at\u00e9 a \u00e9poca, de que os sentimentos t\u00eam por sede diversas v\u00edsceras. Portanto, mesmo levando em conta a obra desses grandes luminares do pensamento, podem-se resumir a conhecimentos at\u00e9 ent\u00e3o adquiridos sobre as fun\u00e7\u00f5es cerebrais, como o faz o Prof. Agliberto Xavier (114), nos seguintes grupos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c1.\u00ba &#8211; Que as fun\u00e7\u00f5es intelectuais residem no c\u00e9rebro, mas os motores afetivos est\u00e3o situados nas v\u00edsceras, no cora\u00e7\u00e3o e no diafragma.<\/p>\n\n\n\n<p>2.\u00ba &#8211; Que as fun\u00e7\u00f5es intelectuais residem no c\u00e9rebro, mas as qualidades morais s\u00e3o atributos dos plexos nervosos, dos g\u00e2nglios do peito e do ventre, em resumo, do sistema nervoso do gr\u00e3o simp\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>3.\u00ba &#8211; Que as faculdades intelectuais, bem como os atributos morais s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es dos sentidos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi, portanto, um passo gigantesco o que a ci\u00eancia do homem realizou com as geniais concep\u00e7\u00f5es de Gall (1758-1828) principalmente condensadas no tratado \u201csobre as fun\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro\u201d (43). Aliando as qualidades de pensador \u00e0s de anatomista em\u00e9rito, pode ele confrontar as varia\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas individuais e as do c\u00e9rebro e inferir da\u00ed conclus\u00f5es capitais, que enunciaremos rapidamente: a) o que se designa pelo termo de <em>alma<\/em>, inclusive os sentimentos afetivos, resulta do funcionamento do c\u00e9rebro (e do cerebelo); b) o enc\u00e9falo endocraniano representa assim um complexo de \u00f3rg\u00e3os; c) cada um desses \u00f3rg\u00e3os realiza uma fun\u00e7\u00e3o distinta; d) tais fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o, portanto, inatas. Baseado na compara\u00e7\u00e3o dos tipos individuais, estabelece primeiramente as fun\u00e7\u00f5es da alma e depois a sede de cada \u00f3rg\u00e3o respectivo. Mais do isso n\u00e3o seria realiz\u00e1vel com os recursos cient\u00edficos e filos\u00f3ficos de que a \u00e9poca dispunha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quase meio s\u00e9culo depois, Augusto Comte (1798-1857) retomava esse problema b\u00e1sico da moral, que levaria \u00e0 solu\u00e7\u00e3o definitiva. S\u00f3 o conseguiu ap\u00f3s haver fundado a sociologia, descobrindo as leis que regem a evolu\u00e7\u00e3o da coletividade humana. Com efeito, somente o m\u00e9todo da filia\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica lhe permitiria emprestar toda a plenitude ao m\u00e9todo subjetivo, utilizado por Gall, que foi precedido em parte, sob este aspecto, por Proschaska. Analisando com vis\u00e3o genial as produ\u00e7\u00f5es humanas atrav\u00e9s dos tempos, chegou \u2013 ao final de cinco anos de medita\u00e7\u00f5es \u2013 a decompor a alma humana em suas fun\u00e7\u00f5es realmente irredut\u00edveis. Retificou assim o quadro geral das categorias funcionais estabelecido pelo pensador germ\u00e2nico. Mostrou o grande fil\u00f3sofo que, destrin\u00e7adas muitas das fun\u00e7\u00f5es compostas e das opera\u00e7\u00f5es complexas, as quais Gall considerara como simples, o total passou a ser de 18 ao inv\u00e9s de 30. Mesmo dentre os atributos irredut\u00edveis, alguns s\u00e3o desempenhados pelos \u00f3rg\u00e3os propriamente corticais e outros competem aos n\u00facleos cinzentos da base do enc\u00e9falo. Adotou ainda para designar o conjunto dessas fun\u00e7\u00f5es o termo de <em>alma<\/em>, consagrado j\u00e1 pelo uso multissecular e agora despido de qualquer significa\u00e7\u00e3o m\u00edstica. Apoiado na perscruta\u00e7\u00e3o genial da evolu\u00e7\u00e3o humana atrav\u00e9s dos tempos, das produ\u00e7\u00f5es sucessivas da esp\u00e9cie, e por outro lado no aperfei\u00e7oamento subjetivo no decorrer da escala zool\u00f3gica, demonstrou que a alma humana compreende atributos morais (sentimentos), qualidades pr\u00e1ticas (car\u00e1ter) e fun\u00e7\u00f5es intelectuais (intelig\u00eancia).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como o apanhado geral dessas fun\u00e7\u00f5es, o qual exige mais espa\u00e7o, ser\u00e1 objeto de outra publica\u00e7\u00e3o j\u00e1 referida, apenas nos deteremos nas de ordem intelectual, tanto ao enumerar a categoria como a sede respectiva. O grupo dos sentimentos divide-se fundamentalmente em ego\u00edstas e altru\u00edstas; entre os primeiros, instintos propriamente, e seguindo a ordem de atenua\u00e7\u00e3o de intensidade na esp\u00e9cie, h\u00e1 o de <em>nutri\u00e7\u00e3o <\/em>e o <em>sexual<\/em>, ambos destinados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o; o <em>materno<\/em> (ou em geral de posse do produto), o da <em>destrui\u00e7\u00e3o<\/em> e o da <em>constru\u00e7\u00e3o<\/em> concorrem para o aperfei\u00e7oamento individual ou coletivo; finalmente o <em>orgulho <\/em>e a <em>vaidade,<\/em> os quais impelem respectivamente ao mando e \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o de outrem; os m\u00f3veis mais elevados, que propelem \u00e0 solidariedade social, e constituem o altru\u00edsmo, distinguem-se em <em>apego <\/em>(amor aos iguais), <em>venera\u00e7\u00e3o <\/em>(amor aos superiores) e <em>bondade <\/em>(aos inferiores). Como manifesta\u00e7\u00f5es simples da atividade compreendem-se a <em>coragem <\/em>(que impulsiona \u00e0 a\u00e7\u00e3o), a <em>prud\u00eancia<\/em> (que ret\u00e9m os impulsos) e a <em>perseveran\u00e7a <\/em>(que os mant\u00e9m). Finalmente, no dom\u00ednio intelectual s\u00e3o cinco as fun\u00e7\u00f5es corticais: quatro destinadas \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o, e a da express\u00e3o; a primeira dessas opera\u00e7\u00f5es adquire duas modalidades \u2013 a contempla\u00e7\u00e3o e a medita\u00e7\u00e3o propriamente dita. Aquela representa a forma passiva, destinada apenas a receber as impress\u00f5es do ambiente, do que se origina a ideias; esta pelo contr\u00e1rio assume a forma essencialmente ativa, e se destina a elaborar o pensamento. Ambas ainda se bipartem, necessariamente: a contempla\u00e7\u00e3o se exerce de maneira sint\u00e9tica, como aprecia\u00e7\u00e3o dos seres, e, portanto, como <em>observa\u00e7\u00e3o concreta,<\/em> ou, ent\u00e3o analiticamente de modo a inquerir os fen\u00f4menos, e dessa forma consiste em <em>observa\u00e7\u00e3o abstrata<\/em>, adequada a generalizar. A seu turno a medita\u00e7\u00e3o se exerce por dois processos: o comparativo, com o qual se estabelecem princ\u00edpios, de onde consistir em <em>indu\u00e7\u00e3o, <\/em>e o de coordena\u00e7\u00e3o, mediante a qual se concluem consequ\u00eancias, e que representa assim a <em>dedu\u00e7\u00e3o. <\/em>Finalmente a <em>comunica\u00e7\u00e3o<\/em>, que \u00e9 influenciada pelas fun\u00e7\u00f5es h\u00e1 pouco referidas e que tamb\u00e9m sobre elas reage, pode externar-se por meio de sinais executados (<em>m\u00edmica<\/em>), ou articulados (<em>verbal<\/em>), ou tra\u00e7ados (<em>gr\u00e1fica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas diferentes fun\u00e7\u00f5es, reciprocamente dependentes, quer pelo aspecto din\u00e2mico, quer pelas conex\u00f5es anat\u00f4micas dos \u00f3rg\u00e3os correspondentes, sofrem an\u00e1loga influ\u00eancia por parte das qualidades ativas e dos sentimentos, o que ali\u00e1s representa condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 harmonia da natureza humana. Al\u00e9m disso, mant\u00eam elas \u00edntimas liga\u00e7\u00f5es com os n\u00facleos da base, mormente aqueles que se destinam a receber as impress\u00f5es transmitidas pelos \u00f3rg\u00e3os sensoriais perif\u00e9ricos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta distin\u00e7\u00e3o entre atribui\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os corticais e sub-corticais, estabelecida pelo g\u00eanio de Montpellier e depois sistematizada pelo seu eminente disc\u00edpulo G. Audiffrent (1823-1908) encontra a mais cabal comprova\u00e7\u00e3o nos estudos contempor\u00e2neos, conforme oportunamente faremos ver<strong>\u00b3<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sub><sup>\u00b3<em>Os n\u00facleos cinzentos da base. Sua contribui\u00e7\u00e3o para as fun\u00e7\u00f5es corticais.<\/em><\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tais fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o pass\u00edveis de localiza\u00e7\u00e3o por isso que representam cada uma, atividade elementar. Augusto Comte as distribui por \u00f3rg\u00e3os \u00edmpares e medianos e pares e laterais, hom\u00f3loga e simetricamente situados em ambos os hemisf\u00e9rios. Consoante a complexidade e a depend\u00eancia da respectiva fun\u00e7\u00e3o, tais \u00f3rg\u00e3os se disp\u00f5em a partir do polo frontal para o bordo pr\u00e9-rol\u00e2ndico da regi\u00e3o, na ordem seguinte: da observa\u00e7\u00e3o concreta (lateral), da abstrata (mediano), da indu\u00e7\u00e3o (mediano) e da dedu\u00e7\u00e3o (lateral). O da linguagem se assesta na \u00e1rea lateral restante do lobo pr\u00e9-frontal, e tem como ponto central o p\u00e9 da 3.\u00aa circunvolu\u00e7\u00e3o frontal. Tal situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde ao \u201c\u00f3rg\u00e3o da linguagem\u201d de Gall (90), por\u00e9m \u00e0 zona que se tornou cl\u00e1ssica como \u201ccentro mnem\u00f4nico da palavra articulada\u201d. Ainda a este prop\u00f3sito, diremos que o conhecimento da doutrina das fun\u00e7\u00f5es cerebrais nos permite refazer a cr\u00edtica sobre a afasia, do Prof. Pierre Marie, o que ficar\u00e1 para outra vez*. Outros atributos complexos, exigem o concurso de dois \u00f3rg\u00e3os ou mais, ou mesmo consistem em opera\u00e7\u00f5es intelectuais, portanto n\u00e3o localiz\u00e1veis. Est\u00e1 no primeiro caso, por exemplo, a mem\u00f3ria, para a qual concorrem \u00f3rg\u00e3os subcorticais diversos (conforme a variedade de sensa\u00e7\u00e3o), alguns da intelig\u00eancia e particularmente os destinados \u00e0 observa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de outros afetos \u00e0 afetividade \u2013 e de que promana o interesse. O mesmo se passa com a imagina\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o exprime o exerc\u00edcio combinado de v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, determinado pelo interesse e regulado por atributos da atividade. A consci\u00eancia, na acep\u00e7\u00e3o dos psic\u00f3logos, ou orienta\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, resulta da integridade funcional, em harmonia, desses \u00f3rg\u00e3os intelectuais e sensoriais a que nos referimos. S\u00e3o, portanto, meras modalidades de express\u00e3o e n\u00e3o fun\u00e7\u00f5es no sentido verdadeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sub><sup>&nbsp;*<em>A quest\u00e3o das afasias.<\/em><\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para finalizar essa r\u00e1pida descrimina\u00e7\u00e3o salientamos que a solidariedade entre ambos os hemisf\u00e9rios e entre os diversos segmentos dentro de cada um se assegura atrav\u00e9s das fibras do corpo caloso e das conex\u00f5es transcorticais e extracorticais; \u00e9 o que explica a supl\u00eancia de fun\u00e7\u00f5es quando um \u00f3rg\u00e3o foi afetado patologicamente, e a repercuss\u00e3o da les\u00e3o de uma sobre a fun\u00e7\u00e3o exercida por outras \u00e1reas. Todos esses fatos o grande fil\u00f3sofo estabeleceu guiado pelo m\u00e9todo subjetivo; e as pesquisas an\u00e1tomo-cl\u00ednicas bem conduzidas, conforme dentro em pouco mostraremos, n\u00e3o t\u00eam feito mais do que confirm\u00e1-los. Entretanto, n\u00e3o somente ficou no olvido essa grande constru\u00e7\u00e3o do pensamento humano, sen\u00e3o antes foi ocultada rigorosamente e falseada de todos os modos pela cr\u00edtica adversa. Foi tamb\u00e9m o que sucedera a Gall, que teve contra si, irmanados em uma campanha sem tr\u00e9guas, os elementos do clero, o ent\u00e3o Imperador da Fran\u00e7a \u2013 Napole\u00e3o Bonaparte, e as corpora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas representadas pela Academia de Ci\u00eancias. Em v\u00e3o revidou ele, de maneira vigorosa e superior. O apodo de cranioscopista persistiu. N\u00e3o lhe quiseram ver nessa elabora\u00e7\u00e3o imensa, sen\u00e3o os erros, inevit\u00e1veis na \u00e9poca. E at\u00e9 hoje encontramos em autores, sem embargo probos e de not\u00f3ria compet\u00eancia, o eco dessa luta. \u00c9, por exemplo, o caso de Economo (36), o de Henry Marcus (69), professor de neurologia em Estocolmo. Brugia, professor na Universidade de Bologna, refere-se a Gall para dizer que este \u201cinventou\u201d, imaginou faculdades e tend\u00eancias distintas (26), e para imputar-lhe \u201cuma uni\u00e3o h\u00edbrida de anatomia e metaf\u00edsica\u201d. Referimo-nos ao livro em que faz a cr\u00edtica das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais e onde ali\u00e1s n\u00e3o figura nenhuma obra de Gall na bibliografia. O pr\u00f3prio Pierre Marie, ao prefaci\u00e1-lo, atribui a Charcot, por volta de 1870, a funda\u00e7\u00e3o da doutrina das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais. Jules Soury (106) classifica como arbitr\u00e1ria, insensata e fict\u00edcia a doutrina do pensador de Baden.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Salta aos olhos que todos esses autores pertencem \u00e0 escola objetivista, isto \u00e9, que pretende conhecer as fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas pelo exame dos \u00f3rg\u00e3os respectivos. Essa tentativa \u00e9 ilus\u00f3ria, pois sem uma teoria pr\u00e9via, mormente em biologia, a indaga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o pode produzir resultados \u00fateis. De mais, supondo-se em terreno estritamente cient\u00edfico, os autores em apre\u00e7o \u00e9 que seguem a decr\u00e9pita orienta\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica. Ao contr\u00e1rio, o m\u00e9todo seguido por Gall e mais tarde sistematizado e aperfei\u00e7oado por Augusto Comte consiste em distinguir as partes pela an\u00e1lise do todo, e em determinar o \u00f3rg\u00e3o pelo estudo da fun\u00e7\u00e3o respectiva. Representa o meio investigat\u00f3rio pr\u00f3prio da moral, como o m\u00e9todo objetivo em suas distintas modalidades o \u00e9 para com as ci\u00eancias inferiores. Proschaska o aplicara ao concluir que os \u00f3rg\u00e3os intelectuais devem ser m\u00faltiplos porque a intelig\u00eancia consta de m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, e que o \u00f3rg\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o deve estar afastado do das percep\u00e7\u00f5es (106). Aplicaram-no igualmente todos os fisiologistas e o aplicam ainda, constantemente, os que seguem a escola an\u00e1tomo-cl\u00ednica; \u00e9 simples a demonstra\u00e7\u00e3o deste asserto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito err\u00f4neo que fazem os cientistas da escola anat\u00f4mica sobre metaf\u00edsica, rotulando como tal toda a cogita\u00e7\u00e3o que emane diretamente da investiga\u00e7\u00e3o material, levou-os a confundir o m\u00e9todo subjetivo com os processos ontol\u00f3gicos adotados em geral pelos psicologistas. E n\u00e3o lhes permite verificar que dos seus pr\u00f3prios processos investigat\u00f3rios os mais eficazes s\u00e3o justamente aqueles em que o m\u00e9todo subjetivo toma lugar mais saliente. Realmente, constituem eles dois grupos: o experimental e o an\u00e1tomo-cl\u00ednico. O primeiro recorre \u00e0 pesquisa da excitabilidade el\u00e9trica do c\u00f3rtex ou \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o do aparelho encef\u00e1lico em propor\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis (da parte do hemisf\u00e9rio, do c\u00f3rtex total, do cerebelo, etc.). O emprego da excita\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, estabelecido por Hitzig e Fritsch em 1870, obteve larga aplica\u00e7\u00e3o da\u00ed por diante, nos animais e ocasionalmente no homem; e foi recentemente utilizado em maior escala no c\u00f3rtex humano, por Krause, e ainda por Foerster e Penfield (42), que utilizaram para isso a topografia areal assignada por Vogt. \u00c9 de notar-se que tanto os primeiros pesquisadores quanto Foerster e Penfield, apenas puderam observar fen\u00f4menos <em>motores, sensitivos e sensoriais.<\/em> O recurso \u00e0s mutila\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas s\u00f3 era pratic\u00e1vel nas condi\u00e7\u00f5es em que o utilizaram os primeiros contendores de Gall, isto \u00e9, nos graus inferiores da escala zool\u00f3gica; esclareceu certamente a quest\u00e3o das correla\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas dos v\u00e1rios territ\u00f3rios encef\u00e1licos, por\u00e9m n\u00e3o mais do que isso. De como a indaga\u00e7\u00e3o objetiva nesses casos \u00e9 limitada diz eloquentemente a s\u00e9rie de controv\u00e9rsias que ela suscitou sobre o valor intelectual dos lobos frontais ou do c\u00f3rtex em gral. E ainda mais, o exame dos dados objetivos assim conseguidos \u2013 que adiante falaremos \u2013 evidencia o quanto necessita ele de teoria pr\u00e9via. Incontestavelmente superior aos dois processos de pesquisas, o an\u00e1tomo-cl\u00ednico \u00e9 tamb\u00e9m o que mais apela para o m\u00e9todo subjetivo. Efetivamente, quando a verifica\u00e7\u00e3o necrosc\u00f3pica ou operat\u00f3ria se produz, j\u00e1 as manifesta\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas do indiv\u00edduo humano ou animal haviam sido analisadas. O mesmo acontece com as verdadeiras experi\u00eancias de mutila\u00e7\u00e3o cerebral humana que a cat\u00e1strofe mundial de 1914 operou em larga escala. Logo o veremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, podemos asseverar sem fugir ao dom\u00ednio dos fatos, que o processo experimental apenas produziu duas ordens de frutos: no terreno te\u00f3rico a concep\u00e7\u00e3o de que o c\u00f3rtex cerebral cont\u00e9m \u201ccentros\u201d intelectuais, sensitivos e motores, localiz\u00e1veis; pelo aspecto pr\u00e1tico, o conhecimento das s\u00edndromes neurol\u00f3gicas ligadas \u00e0 altera\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica ou funcional desses centros. Entretanto, a pr\u00f3pria experimenta\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ada depois pelos dados an\u00e1tomo-cl\u00ednicos, veio por abaixo a no\u00e7\u00e3o de \u201ccentros\u201d, a qual n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade, e mostrar mesmo a inanidade desses esfor\u00e7os para deduzir diretamente as localiza\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo quanto \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o dos chamados \u201ccentros da motricidade volunt\u00e1ria\u201d nem sempre a teoria era confirmada pelos fatos. Assim quando a reputa\u00e7\u00e3o da doutrina fez com que neurologistas e cirurgi\u00f5es a adotassem na cl\u00ednica n\u00e3o poucos casos vieram mostrar a insufici\u00eancia dela. Em Paris G. Dieulafoy (34) apresentava \u00e0 Academia de Medicina, em sess\u00e3o de 22 de outubro de 1901, a observa\u00e7\u00e3o de um doente com ataques de epilepsia jacksoniana, que n\u00e3o fora trepanado porque a causa etiol\u00f3gica se conclu\u00eda ser goma ou les\u00e3o gomatosa. \u201cSegundo as no\u00e7\u00f5es correntes, diz o grande cl\u00ednico, a les\u00e3o devia atingir as circunvolu\u00e7\u00f5es frontal e parietal ascendentes, e como a perna era apanhada apenas depois do bra\u00e7o era prov\u00e1vel que tal les\u00e3o estivesse localizada no territ\u00f3rio m\u00e9dio dessas, ficando indenes o inferior e o l\u00f3bulo paracentral.\u201d Entretanto, alguns dias mais tarde a necropsia revelou exist\u00eancia de uma goma sifil\u00edtica no lobo frontal esquerdo; a regi\u00e3o rol\u00e2ndica como todas as demais zonas corticais estavam completamente indenes.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para mostrar que n\u00e3o se tratava de caso isolado, analisa a seguir uma s\u00e9rie de fatos an\u00e1logos. Em dois casos de L\u00e9pine (1895), havia convuls\u00f5es jacksonianas \u2013 respectivamente braquio-crurais, \u00e0 esquerda, e de ambos os bra\u00e7os simultaneamente \u2013 de forma a permitir localizar precisamente a sede encef\u00e1lica. As necropsias, por\u00e9m, revelaram integridade da zona rol\u00e2ndica: no 1.\u00ba, pequeno abcesso encistado na primeira frontal direita, face anterior; no 2.\u00ba, duas gomas simetricamente situadas na 1.\u00aa circunvolu\u00e7\u00e3o de ambos os lobos frontais. Outra jacksoniana, observada por Faguet e Lowitz, n\u00e3o apresentava \u2013 \u00e0 trepana\u00e7\u00e3o \u2013 altera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o pr\u00e9-central; \u00e0 necropsia, completamente s\u00e3 esta zona; pequena goma na 2.\u00aa circunvolu\u00e7\u00e3o frontal direita, adiante da dobra de passagem, respeitada. Novos enganos de localiza\u00e7\u00e3o verificados \u00e0 interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica: um doente de Chipault (1893), com pequeno glioma da 2.\u00aa frontal direita; outro de Crouzon, com placa de meningite cr\u00f4nica na ponta do lobo temporal direito; outro ainda de Lucas-Championni\u00e8re, com glioma pequeno localizado no lobo frontal direito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de que a sintomatologia mental nessas observa\u00e7\u00f5es foi investigada acidentalmente, a s\u00famula de algumas delas assinala a exist\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es: o doente de Dieulafoy n\u00e3o podia dar informes precisos; as palavras vinham-lhe com dificuldade; fazia esfor\u00e7o para compreender; mostrava-se abatido; o do caso II de L\u00e9pine, segundo as palavras textuais de Dieulafoy, era \u201cantigo sifil\u00edtico, com sintomas cerebrais, ideias ambiciosas, amnesia, e esquisitices de car\u00e1ter\u201d; do de Chipault apenas sabemos que \u201cj\u00e1 tinha alguns sintomas cerebrais\u201d o de Crouzon achava-se em estado de coma. Somente Faguet e Lowitz assinalavam integridade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos n\u00e3o houvera, como \u00e9 de ver-se, observa\u00e7\u00e3o ps\u00edquica minuciosa, com o estudo da evolu\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida quanto aos diferentes sintomas intelectuais em apre\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais causas determinantes deste fato, isto \u00e9, o de ser procedido o exame psico-neurol\u00f3gico em indiv\u00edduos cujo estado mental precedente se desconhecia, tentou-se afastar o emprego do m\u00e9todo experimental. De fato, ele substitui a incid\u00eancia fortuita da les\u00e3o pelo seu emprego sistem\u00e1tico em focos predeterminados, e permite comparar a desordem assim conseguida \u00e0 plenitude funcional anteriormente verificada. De como deve ser interpretado o valor de semelhante processo investigat\u00f3rio, adiante diremos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas m\u00e3os de Bianchi a experimenta\u00e7\u00e3o produziu resultados sem d\u00favida muito interessantes, dos quais depreendeu as concep\u00e7\u00f5es que a\u00ed por diante fundamentou e desenvolveu em n\u00e3o poucas publica\u00e7\u00f5es. Baseado nesses estudos e nos de patologia humana, analisou \u201ca psicotopografia\u201d e a teoria de Flechsig\u201d (15). \u201cEm alguns casos de minha observa\u00e7\u00e3o \u2013 escreve \u2013 em pessoas que haviam recebido grave trauma do lobo frontal (entre eles o de um jovem em que uma bala de rev\u00f3lver havia atravessado da regi\u00e3o pr\u00e9-temporal direita para a frontal esquerda pelo lobo anterior) consistia o fen\u00f4meno principal em amn\u00e9sia e incapacidade de raciocinar quando para isso eram necess\u00e1rios muitos componentes sensoriais. O doente era capaz de reconhecer os objetos e de enumer\u00e1-los, por\u00e9m n\u00e3o podia pensar voluntariamente, nem evocar pelo que se fazia imposs\u00edvel o processo mental para racioc\u00ednios e conclus\u00f5es mais complexos\u201d. Em trabalho posterior, ainda sobre a teoria flechsigiana afirma: \u201cNa microcefalia pode encontrar-se a zona occipito-parieto-temporal muito desenvolvida com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras partes do c\u00e9rebro, em indiv\u00edduos que durante a vida tinham revelado aus\u00eancia completa de associa\u00e7\u00e3o de imagens, com a idiotia mais grave e mais profunda\u201d. Existe uma \u00fanica zona cujas les\u00f5es nunca produzem perturba\u00e7\u00f5es sensitivas ou motoras, e provocam pelo contr\u00e1rio a perda das faculdades mentais superiores; \u00e9 a dos lobos frontais. Esta zona est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com todas as outras: re\u00fane os produtos de todas elas e excita-lhes a atividade. N\u00e3o tem fibras de proje\u00e7\u00e3o. As experi\u00eancias, a doen\u00e7as desta zona e a anatomia embriol\u00f3gica concorrem para demonstrar que a zona frontal \u00e9 a sede da s\u00edntese intelectual e emotiva da personalidade. \u00c9 a \u00fanica conclus\u00e3o leg\u00edtima\u201d (16). Quase 20 anos ap\u00f3s, em um livro not\u00e1vel (17), retoma os mesmos fatos de anatomia comparada, an\u00e1tomo-cl\u00ednicos e experimentais, assomando a conclus\u00f5es id\u00eanticas. E no seu tratado de psiquiatria (18), depois de resumir o pr\u00f3prio conceito sobre o lobo frontal, acrescenta: \u201c\u00c9 al\u00e9m disso \u00f3rg\u00e3o evocativo, e exerce poder fixador no ponto focal da consci\u00eancia do tema em torno do qual se desenvolvem logicamente s\u00e9ries de pensamento, e poder seletivo sobre as representa\u00e7\u00f5es mentais\u201d. \u201cOs lobos frontais s\u00e3o o campo de produ\u00e7\u00e3o dos conceitos abstratos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em duas interessantes mem\u00f3rias publicadas em 1902 (83) e 1906 (84), Phelps analisa sucessivamente as desordens mentais devidas a les\u00f5es do lobo pr\u00e9-frontal esquerdo, e as fun\u00e7\u00f5es do referido lobo. Ainda estas \u00faltimas s\u00e3o estudadas por Bolton (22) em 1903. Em 1913 Agostini (4) estuda dois casos de destrui\u00e7\u00e3o lenta, bilateral, dos lobos frontais por neoplasia. Apresentava o primeiro doente \u201cenfraquecimento de aten\u00e7\u00e3o, de idea\u00e7\u00e3o, de mem\u00f3ria\u201d al\u00e9m de grande excitabilidade, de indiferen\u00e7a afetiva e de abulia progressiva. O segundo, particular irritabilidade, incapacidade de inibi\u00e7\u00e3o, pervers\u00e3o moral e tend\u00eancia \u00e0 criminalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns anos depois aparecia um acurado trabalho de Richter (90), em que se estuda o caso de uma doente recolhida a um asilo, e cujas manifesta\u00e7\u00f5es psicop\u00e1ticas, iniciadas 5 anos ap\u00f3s a admiss\u00e3o, e 7 antes da morte, puderam ser bem examinadas. Anteriormente, palradora, passou a apresentar empobrecimento progressivo de palavras. \u201cInterrogada dava, ap\u00f3s longa reflex\u00e3o, respostas mal articuladas e ligadas abreviadamente. Mais tarde, n\u00e3o podia reunir as palavras em uma frase correta. Por fim limitavam-se lhe as respostas a sim e n\u00e3o, ainda assim empregadas \u00e0s vezes erroneamente, como que embara\u00e7adas. N\u00e3o podia repetir palavras que lhe ditassem isoladamente. Nos tr\u00eas \u00faltimos anos tornou-se completamente muda\u201d. Morte em estado demencial. O exame neurol\u00f3gico e som\u00e1tico, repetidos durante toda a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, nada revelaram de particular.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 necropsia verificou-se grave atrofia ao n\u00edvel dos lobos frontais, mais acentuada no hemisf\u00e9rio esquerdo. \u201c\u00c0 esquerda, diz Richter, a atrofia se estende muito mais: todos os giros da convexidade e da base s\u00e3o atingidos particularmente a zona de Broca; a parte de F2 que nesta se entronca \u00e9 mais bem conservada e apresenta a forma triangular. \u00c9 not\u00e1vel a n\u00edtida limita\u00e7\u00e3o do processo atr\u00f3fico com as circunvolu\u00e7\u00f5es centrais, que pela sua completa indenidade contrastam vivamente com o lobo frontal atr\u00f3fico\u201d. \u201cVerifica-se ainda uma atrofia local do c\u00f3rtex, nitidamente circunscrita e extens\u00e3o pequena, no l\u00f3bulo parietal inferior esquerdo, no ponto de transi\u00e7\u00e3o entre o giro supramarginal e o giro angular\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresenta ainda o autor o resumo da observa\u00e7\u00e3o de outra paciente do mesmo asilo. Esta, bem observada durante os dez anos de interna\u00e7\u00e3o, sofria convuls\u00f5es epileptiformes e n\u00e3o apresentava perturba\u00e7\u00f5es mentais propriamente. \u00c0 necropsia patenteou-se no lobo frontal direito, \u201cum cisto do tamanho de ovo de galinha, que destru\u00eda o 3.\u00ba giro frontal e em parte o 2.\u00ba, na sua por\u00e7\u00e3o pr\u00e9-frontal\u201d, e que em profundidade se prolongava at\u00e9 o ventr\u00edculo lateral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o ser\u00e1 erro pois, conclui, admitir como consequ\u00eancia da les\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es do car\u00e1ter retrocitadas, que de acordo com o nosso protocolo se manifestavam particularmente por ocasi\u00e3o dos ataques, e que consistiam em irritabilidade e excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica anormais. Ao contr\u00e1rio, permaneceram inalteradas as fun\u00e7\u00f5es mentais no que entendem com a aten\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria, o julgamento, tanto quanto as atribui\u00e7\u00f5es superiores (aplica\u00e7\u00e3o), durante a perman\u00eancia, por mais de dez anos, de uma les\u00e3o no lobo frontal direito\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima observa\u00e7\u00e3o faz lembrar a longa discuss\u00e3o que se tem travado a respeito da hierarquia dos hemisf\u00e9rios cerebrais, e o papel preponderante que nas fun\u00e7\u00f5es intelectuais se atribui geralmente ao c\u00f3rtex do esquerdo. A precedente pela distribui\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica \u2013 \u00e0 primeira vista caprichosa \u2013 do processo atr\u00f3fico, pela acentua\u00e7\u00e3o crescente quando comparado no lobo frontal direito, no esquerdo, e no p\u00e9 da 1.\u00aa circunvolu\u00e7\u00e3o temporal esquerda, faz-nos pensar que a desordem anat\u00f4mica tenha come\u00e7ado ao n\u00edvel deste \u00faltimo. Do mesmo passo a evolu\u00e7\u00e3o da mol\u00e9stia, que se iniciou com perturba\u00e7\u00f5es da express\u00e3o verbal, que decorreu com acentuada car\u00eancia de espontaneidade e que terminou em dem\u00eancia, permite-nos filiar o apagamento das fun\u00e7\u00f5es intelectuais ao progredir das les\u00f5es do c\u00f3rtex. E o que \u00e9 capital, confirma n\u00e3o s\u00f3 as localiza\u00e7\u00f5es cerebrais estabelecidas por Augusto Comte, como ainda a depend\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os da intelig\u00eancia para com os do car\u00e1ter, sob o aspecto din\u00e2mico, seja pelo das conex\u00f5es anat\u00f4micas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o se trata de coincid\u00eancia, verificada em um caso isolado, como vamos mostrar. \u00c9 certo que unicamente a pesquisa sistem\u00e1tica efetuada no campo psiqui\u00e1trico e a seguir no an\u00e1tomo-patol\u00f3gico, poderia filiar com legitimidade o quadro cl\u00ednico ao org\u00e2nico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A essas condi\u00e7\u00f5es preencheu admiravelmente Anglade, o qual j\u00e1 em 1890 havia iniciado pesquisas an\u00e1tomo-cl\u00ednicas muito s\u00e9rias, que foi prolongando pelo atual s\u00e9culo adentro. Pode assim publicar em 1921 o resultado do labor de <em>30 anos consecutivos<\/em> durante os quais teve sob os olhos todos os graus de dem\u00eancia e fez mais de 3000 (tr\u00eas mil) aut\u00f3psias, quase todas completadas pela an\u00e1lise histol\u00f3gica; reunia ele, como diz, religiosamente, a observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica ao lado da ficha de necropsia. Vale comentar o trabalho a que aludimos, digno do autor. Ele estuda a\u00ed somente os casos de fenomenologia puramente subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO sintoma capital, e por vezes inicial, da redu\u00e7\u00e3o intelectual parece-me ser a incapacidade de fixar, e de evocar a reminisc\u00eancia. Os fatos que o paciente encontra com maior facilidade n\u00e3o s\u00e3o tanto os mais antigos, como os que lhe assinalaram mais profundamente sua impress\u00e3o no esp\u00edrito (1.\u00aa comunh\u00e3o, casamento, morte mesmo recente do pai, da m\u00e3e, do c\u00f4njuge, de um filho etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cParalelamente \u2013 sem d\u00favida como consequ\u00eancia \u2013 notam-se pobreza do racioc\u00ednio, puerilismo, inaptid\u00e3o para o desempenho de atos habituais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A afetividade \u00e9 nula ou muito diminu\u00edda, a iniciativa perdeu-se. A linguagem \u00e9 uma esp\u00e9cie de <em>papotage<\/em> em que reaparecem as mesmas frases, as mesmas palavras. No pequeno circuito de ideias e de express\u00f5es em que est\u00e1 encerrado, o paciente move-se a princ\u00edpio com relativa facilidade. Pouco a pouco o c\u00edrculo se restringe. A idea\u00e7\u00e3o e a linguagem se extinguem quase totalmente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalvemos aqui que afetividade e iniciativa n\u00e3o s\u00e3o atributos intelectuais, conforme lembramos atr\u00e1s. Compreende-se, por\u00e9m, que les\u00e3o frontal extensa deve repercutir seguramente sobre outras regi\u00f5es cerebrais em raz\u00e3o das conex\u00f5es anat\u00f4micas e fisiol\u00f3gicas. Continuamos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuer se tratasse de dem\u00eancia org\u00e2nica, quer de dem\u00eancia paral\u00edtica, quer de dem\u00eancia senil, tem-se ent\u00e3o a certeza de encontrar na aut\u00f3psia uma les\u00e3o muito importante no lobo pr\u00e9-frontal esquerdo \u2013 neoplasma, foco de amolecimento ou de hemorragia, compress\u00e3o \u00f3ssea, esclerose cortical e subcortical. Muito raramente o lobo pr\u00e9-frontal direito est\u00e1 indene, com suas dimens\u00f5es normais\u201d. \u201cNo caso de decad\u00eancia intelectual profunda, com perda da linguagem, os dois lobos pr\u00e9-frontais est\u00e3o sempre, e mais ou menos igualmente, reduzidos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 casos, como Anglade salienta, em que parece n\u00e3o haver les\u00e3o anat\u00f4mica; entretanto elas existem, \u201cn\u00edtidas, mas dessas que s\u00f3 o microsc\u00f3pio pode p\u00f4r em plena luz\u201d. \u201c\u00c9 devido a n\u00e3o se incomodarem com tais les\u00f5es microsc\u00f3picas equivalentes a les\u00f5es grosseiramente destrutivas \u2013 de amolecimento ou de hemorragia \u2013 que os observadores t\u00eam desconhecido localiza\u00e7\u00f5es cerebrais certas. Por les\u00f5es microsc\u00f3picas n\u00e3o entendo s\u00f3 degeneresc\u00eancias fasciculares que se revelam pelas colora\u00e7\u00f5es da mielina (meio de investiga\u00e7\u00e3o ainda muito grosseiro), mas tamb\u00e9m as de c\u00e9lulas nervosas ou nevr\u00f3glicas. Verdadeiramente, a deforma\u00e7\u00e3o ou a destrui\u00e7\u00e3o dos elementos nervosos propriamente ditos n\u00e3o t\u00eam significa\u00e7\u00e3o sen\u00e3o quando \u00e9, por assim dizer, confirmada, comprovada por concomitante rea\u00e7\u00e3o proliferativa da neuroglia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa orienta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica segura a not\u00e1vel organiza\u00e7\u00e3o mental do A. chegaria por certo a conclus\u00f5es muito mais vastas e mais precisas se conhecesse a doutrina \u2013 a que nos referimos antes \u2013 das fun\u00e7\u00f5es cerebrais. Realmente, faltou-lhe analisar mais a fundo as atribui\u00e7\u00f5es intelectuais a fim de isol\u00e1-las melhor. Referindo-se \u00e0 teoria de Pierre Marie sobre afasia motora, diz:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBastar-me-\u00e1 lembrar que ela contribuiu para refazer o bloco intelectual, que se fracionava sem nenhum proveito para o seu estudo ou para a sua localiza\u00e7\u00e3o cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 uma intelig\u00eancia como h\u00e1 uma motricidade. Para estudar esta n\u00e3o foi preciso dissoci\u00e1-la. Procedamos da mesma forma para com aquela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSer inteligente quer dizer \u2013 ser capaz de formar ideias, de armazen\u00e1-las no c\u00e9rebro, de as evocar quando e como queira, de as comparar, de associ\u00e1-las para formar julgamento, de as exprimir pela palavra, pela escrita, pela m\u00edmica etc.; <em>isso significa ser capaz de amar e de odiar\u201d <\/em>(grifo nosso).<\/p>\n\n\n\n<p>Amar ou odiar entende com a afetividade, n\u00e3o com a intelig\u00eancia. \u00c9 de observa\u00e7\u00e3o quotidiana e dispensa, pois, quaisquer coment\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 de notar-se que Anglade confirma da maneira mais completa, sem o saber, a localiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es cerebrais estabelecida por Augusto Comte, n\u00e3o somente quanto \u00e0 intelig\u00eancia, mas tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade. Veja-se o que diz dos paraf\u00e1sicos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFriso que os paraf\u00e1sicos menos atingidos intelectualmente, os de consulta hospitalar, s\u00e3o sujeitos a alternativas de <em>indiferen\u00e7a <\/em>e de <em>expansividade.<\/em> A certos momentos parecem estranhos ao que se passa em torno de si, a outros mostram \u201cloquacidade exagerada, <em>volubilidade<\/em> espantosa\u201d. Comprazem-se com uma linguagem absurda e sem significa\u00e7\u00e3o alguma, a tal ponto que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desviar nem mesmo retardar a onda de suas palavras, entre as quais \u00e9 frequentemente dif\u00edcil reconhecer ideias. Quando t\u00eam consci\u00eancia da incorre\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria linguagem, <em>n\u00e3o s\u00e3o capazes de a deter<\/em> e n\u00e3o sentem por essa incapacidade nenhum pesar profundo\u201d (grifo nosso).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa an\u00e1lise, perfeita, evidencia, entretanto, que na parafasia n\u00e3o h\u00e1 somente perturba\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia: h\u00e1 tamb\u00e9m quanto \u00e0 atividade, a qual normalmente regula, de maneira cont\u00ednua, as fun\u00e7\u00f5es intelectuais. E, o que confirma ainda mais, no campo objetivo, a doutrina do imortal Pensador, nesses casos foi sempre encontrada les\u00e3o no ponto exatamente em que Augusto Comte localizara um dos \u00f3rg\u00e3os da atividade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDas observa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e das verifica\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas resulta que o saldo (appoint) paraf\u00e1sico e jargonaf\u00e1sico caracteriza uma forma de dem\u00eancia e assinala seu ponto de origem em um territ\u00f3rio cortical que se irradia<em> em torno do p\u00e9 da 1.\u00aa circunvolu\u00e7\u00e3o temporal <\/em>esquerda. Essa dem\u00eancia paraf\u00e1sica pode ser realizada por uma esquirola \u00f3ssea, por um co\u00e1gulo intracerebral ou mesmo extra-cerebral (fiz retirar por trepana\u00e7\u00e3o um co\u00e1gulo subdural que comprimia a zona de que falo), por tumor, por abcesso (o Prof. Moure abriu um sob minhas indica\u00e7\u00f5es) por amolecimento, por gliose medular (grifo nosso).<\/p>\n\n\n\n<p>Insistimos nesta cita\u00e7\u00e3o, porque os fatos a\u00ed relatados constituem base para uma conclus\u00e3o importante do autor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCreio ter demonstrado, afirma ele, que existem no c\u00e9rebro dois territ\u00f3rios intelectuais. Um corresponde ao lobo pr\u00e9-frontal, outro \u00e0 regi\u00e3o retrotemporal esquerda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi certamente por n\u00e3o considerar a manifesta\u00e7\u00e3o intelectual da atividade ou, em outras palavras, por julgar intelectual uma fun\u00e7\u00e3o de iniciativa, que o A. cometeu semelhante erro. A observa\u00e7\u00e3o an\u00e1tomo-cl\u00ednica de paral\u00edticos gerais corrobora esta nossa asser\u00e7\u00e3o e justifica \u2013 em fato apenas \u2013 a dedu\u00e7\u00e3o do an\u00e1tomo-patologista:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde j\u00e1 estamos em condi\u00e7\u00f5es de formular um diagn\u00f3stico das principais formas de dem\u00eancia, trate-se de dem\u00eancia org\u00e2nica, de dem\u00eancia senil, de dem\u00eancia paral\u00edtica. <em>Quanto \u00e0 paralisia geral <\/em>verifiquei que as formas <em>demenciais simples, <\/em>globais, t\u00f3rpidas, <em>correspondem a atrofias frontais predominantes: <\/em>que as formas paraf\u00e1sicas e excitoman\u00edacas d\u00e3o, na necropsia, \u00e1reas de meningo-encefalite profunda superpon\u00edvel ao <em>territ\u00f3rio<\/em> intelectual <em>posterior\u201d<\/em>. (grifo nosso).<\/p>\n\n\n\n<p>Outros neurologistas, psiquiatras e an\u00e1tomo-patologistas embora sem essa respeit\u00e1vel bagagem pessoal, t\u00eam focalizado de v\u00e1rios modos a exist\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es na esfera intelectual em consequ\u00eancia de les\u00f5es nos lobos chamados pr\u00e9-frontais.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre eles, Feuchtwanger teve ocasi\u00e3o de efetuar observa\u00e7\u00f5es em grande c\u00f3pia. Relata em livro fartamente documentado (41) as pesquisas a que procedeu sobre 400 ex-combatentes com ferimentos cerebrais, sendo que em 200 as les\u00f5es se localizavam no lobo frontal. Organiza ent\u00e3o uma estat\u00edstica em que confronta com a sede gen\u00e9rica (frontal ou extra-frontal) o n\u00famero relativo e absoluto dos casos que apresentavam perturba\u00e7\u00f5es intelectuais. Baseado nesses estudos conclui de certo modo n\u00e3o estar ligada a intelig\u00eancia ao lobo frontal. \u00c9 f\u00e1cil, por\u00e9m mostrar, com os pr\u00f3prios dados e a pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o do autor, que labora ele em erro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maior parte dos doentes descritos na estat\u00edstica (sempre com exclus\u00e3o da afasia) n\u00e3o denota, malgrado not\u00e1veis perturba\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, nenhuma lacuna (Ausfaele) para o lado do intelecto. Ao mesmo ju\u00edzo conduzem, em regra os casos correspondentes apresentados na literatura sobre ferimentos, tumores e abcessos, no dom\u00ednio dos lobos frontais\u201d (pag. 65).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, em primeiro lugar, conv\u00e9m salientar que o autor faz exclus\u00e3o da afasia, isto \u00e9, da desordem de important\u00edssima fun\u00e7\u00e3o intelectual que \u00e9 a linguagem; depois seria preciso conhecer em que \u00e1rea frontal se processou a les\u00e3o em todos os casos nos quais n\u00e3o se deu perturba\u00e7\u00e3o intelectual; al\u00e9m disso o conceito de Feuchtwanger sobre intelig\u00eancia \u00e9 um tanto especial, como veremos mais tarde. Finalmente a estat\u00edstica a que esse trecho se reporta a dos feridos do lobo frontal, apresenta grande porcentagem de transtornos no dom\u00ednio da intelig\u00eancia. Para evidenci\u00e1-lo aqui transladamos, ordenando-as pela ordem decrescente de frequ\u00eancia, as v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es encontradas nos casos de les\u00e3o frontal (<em>com exclus\u00e3o do campo de Broca<\/em>):<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table aligncenter\"><table><tbody><tr><td><\/td><td>(Sobre 200 doentes)<\/td><\/tr><tr><td>Irrita\u00e7\u00e3o e euforia<\/td><td>59,5%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es da aten\u00e7\u00e3o<\/td><td>58,5%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es do equil\u00edbrio<\/td><td>44,0%<\/td><\/tr><tr><td>Morosidade e apatia<\/td><td>38,0%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es do aprendizado<\/td><td>36,0%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es da observa\u00e7\u00e3o<\/td><td>30,0%<\/td><\/tr><tr><td>Depress\u00e3o<\/td><td>27,0%<\/td><\/tr><tr><td>Acessos epil\u00e9pticos<\/td><td>21,5%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es psicog\u00eanicas<\/td><td>21,0%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es motoras e sensitivas cerebrais<\/td><td>19,0%<\/td><\/tr><tr><td>Fatigabilidade<\/td><td>17,5%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es da linguagem cerebrais<\/td><td>11,0%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es do pensamento<\/td><td>10,5%<\/td><\/tr><tr><td>Bisbilhotice (Witzelsuch)<\/td><td>4,5%<\/td><\/tr><tr><td>Precipita\u00e7\u00e3o<\/td><td>4,0%<\/td><\/tr><tr><td>Perturba\u00e7\u00f5es sensoriais cerebrais<\/td><td>1,0%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Havia, pois, altera\u00e7\u00f5es graves e n\u00e3o pouco frequentes, no dom\u00ednio intelectual. O pr\u00f3prio Feuchtwanger o reconhece, embora apresente as restri\u00e7\u00f5es que adiante comentaremos. De tipo especial era a desordem descrita por Pierre Marie e B\u00e9hague, nos ferimentos profundos do lobo frontal, e que designam como \u201cs\u00edndrome de desorienta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de neoplasia mesmo quando localizada com precis\u00e3o no lobo frontal, nem sempre se prestam para demonstrar as fun\u00e7\u00f5es dessa regi\u00e3o por isso que os fen\u00f4menos de repercuss\u00e3o podem preceder os prim\u00e1rios e mesmo ser mais pronunciados que estes. Ruskisch (98) o evidencia em tr\u00eas casos de tumor, em um de abcesso, e em outro cuja necropsia revelou les\u00e3o em ambos os lobos frontais. Como perturba\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias havia enfraquecimento da aten\u00e7\u00e3o ativa, da mem\u00f3ria e da compreens\u00e3o; distra\u00e7\u00e3o, apraxia ideo-motora, afasia transcortical; eram secund\u00e1rios os sintomas do giro central anterior, das vias cerebelares e desordens da emotividade. Tamb\u00e9m fen\u00f4menos de ambas as categorias se haviam apresentado em um doente no qual um neoplasma do lobo frontal simulava paralisia geral, e que foi estudado por Girot e Baruk (44).<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00faltimo, em sua tese sobre tumores cerebrais (14), afirma que quando estes se apresentam no lobo frontal \u201cas perturba\u00e7\u00f5es mentais tomam import\u00e2ncia muito diversa, e dominam muito frequentemente todo o quadro cl\u00ednico. N\u00e3o somente s\u00e3o precoces, n\u00e3o somente s\u00e3o primeiras ami\u00fade a chamar a aten\u00e7\u00e3o, mas ainda se traduzem por desordens mais acusadas de pronto em todo o funcionamento mental. \u00c9 ainda antes de tudo nos tumores frontais que se apresentam verdadeiros estados de \u201caliena\u00e7\u00e3o mental\u201d, simulando paralisia geral, estado demencial grave, ou determinando \u201cperturba\u00e7\u00f5es do car\u00e1ter que necessitam de interna\u00e7\u00e3o em manic\u00f4mio\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Perturba\u00e7\u00f5es mnem\u00f4nicas foram observadas por Henry Marcus (69) em 6 casos de les\u00e3o do lobo frontal. J\u00e1 no doente cuja observa\u00e7\u00e3o Rosenfeld relata (94-95) os sintomas mentais eram mais complexos: \u201cPerda particular da espontaneidade, car\u00eancia de iniciativa, indiferen\u00e7a, dificuldade de aten\u00e7\u00e3o refletida, atitude tendente para o autismo, rea\u00e7\u00f5es \u201cao lado\u201d, \u201cembotamento afetivo\u201d. O exame necrosc\u00f3pico revelou acentuada atrofia em ambos os lobos frontais, at\u00e9 o giro central anterior; havia tamb\u00e9m an\u00e1loga les\u00e3o na cabe\u00e7a dos n\u00facleos caudados e na ponta do lobo temporal esquerdo.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s de Donath em 1925 (35) quanto aos lobos frontais com respeito \u00e0s fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas superiores, infere Sachs. Na comunica\u00e7\u00e3o sobre les\u00f5es no lobo frontal estuda estes 25 casos de tumor nessa regi\u00e3o encef\u00e1lica, todos verificados por opera\u00e7\u00e3o ou necropsia. Dentre todos os sintomas, o mais constante e caracter\u00edstico que achou foi a altera\u00e7\u00e3o mental: 21 dos pacientes a apresentavam. Em resumo, tal altera\u00e7\u00e3o consistia em: indiferen\u00e7a, despreocupa\u00e7\u00e3o para com o pr\u00f3prio estado e a gravidade da opera\u00e7\u00e3o; perda de mem\u00f3ria, principalmente para fatos recentes; morosidade muito acentuada; risos ou gritos impulsivos; n\u00e3o se notou, sen\u00e3o em um doente manifesta\u00e7\u00e3o alguma euf\u00f3rica. Alguns dos enfermos ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o recobravam a normalidade mn\u00e9sica ou a capacidade profissional, e o interesse pelo ambiente. \u201cEssa perturba\u00e7\u00e3o mental, afirma, quando presente e imut\u00e1vel por algum tempo, e associada a ligeira hipotonia facial ou a cefaleia, na aus\u00eancia de RW positiva, indica les\u00e3o do lobo frontal e imp\u00f5e a observa\u00e7\u00e3o do paciente. A opera\u00e7\u00e3o tem revelado ent\u00e3o repetidamente, les\u00e3o em foco \u2013 habitualmente tumor \u2013 do lobo frontal\u201d. N\u00e3o especifica o lado da les\u00e3o nos 4 pacientes que n\u00e3o exibiam altera\u00e7\u00e3o mental. Sidney Schwab (102) focaliza particularmente a exist\u00eancia de modifica\u00e7\u00e3o da personalidade em tumores do lobo frontal; aceita e defende, com acerto, a fun\u00e7\u00e3o intelectual dos lobos em apre\u00e7o. Gordon Holmes (46) salienta, ao discutir essas comunica\u00e7\u00f5es o valor dos sintomas intelectuais para efeito de localiza\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, pondera que o lobo frontal \u201cconsiste em <em>v\u00e1rias partes<\/em>, provavelmente com <em>fun\u00e7\u00f5es diversas. <\/em>Seria necess\u00e1rio, para completar semelhante estudo, definir as muta\u00e7\u00f5es encontradas, quer mentais, quer som\u00e1ticas, <em>em rela\u00e7\u00e3o com a posi\u00e7\u00e3o do tumor no lobo frontal\u201d <\/em>(grifo nosso).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Baseado em um (1) caso cl\u00ednico, Satta publica um trabalho em que parece n\u00e3o aceitar a sede frontal para as fun\u00e7\u00f5es intelectuais. Trata-se de um ferido de guerra, com perda de subst\u00e2ncia no lobo pr\u00e9-frontal, e que, diz o autor, apresentava ataques epileptiformes: n\u00e3o sofria perturba\u00e7\u00f5es mentais. Realmente, as provas psicol\u00f3gicas revelavam integridade mental. \u00c9 notar-se que o paciente, logo ap\u00f3s o ferimento ficara irasc\u00edvel, irritadi\u00e7o; em segundo tempo, tornou-se antissocial com graves perturba\u00e7\u00f5es do car\u00e1ter; e mais tarde ainda passou a ser v\u00edtima de crises man\u00edaco-depressivas. Cumpre dizer, por\u00e9m que n\u00e3o se conhecia a sede exata das les\u00f5es, que atingiam a parte mais alta do lobo frontal: a prova documental da radiografia simples \u00e9 insuficiente para delimitar o ferimento (100).<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa mesma \u00e9poca era observado no Hospital de Juquery um caso de tumor do lobo frontal esquerdo em que o estado mental do paciente apenas permitia verificar impulsos motores peri\u00f3dicos e convuls\u00f5es epileptiformes (11); e um outro, em que se notavam desorienta\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o, estado demencial, espurc\u00edcia a par com s\u00edndrome hipotal\u00e2mica; \u00e0 necropsia extenso foco de amolecimento tomando os tr\u00eas giros frontais do lobo direito, em consequ\u00eancia de arterite obliterante (81).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas tr\u00eas \u00faltimas observa\u00e7\u00f5es acentuam ainda uma vez a dificuldade em se apreciarem com acerto as fun\u00e7\u00f5es dos lobos frontais \u2013 como as do enc\u00e9falo em geral -, atrav\u00e9s das desordens causadas por les\u00f5es org\u00e2nicas. Realmente, n\u00e3o basta mesmo levar em conta a idade do paciente, fator important\u00edssimo como o testemunha o belo estudo de Egas Moniz (77); \u00e9 preciso considerar ainda a constitui\u00e7\u00e3o moral do doente. E, mais do que isso, faz-se indispens\u00e1vel conhecer as fun\u00e7\u00f5es das demais \u00e1reas lesadas \u00e0 dist\u00e2ncia \u2013 pela interrup\u00e7\u00e3o das conex\u00f5es \u2013 em consequ\u00eancia do comprometimento focal. Assim, ao descrever o sinal da preens\u00e3o for\u00e7ada, Adie e Critehley (3) apresentam 3 casos de tumores frontais. Nos dois em que a les\u00e3o se assestava \u00e0 direita havia sonol\u00eancia, morosidade intelectual, dismn\u00e9sia (I) e obtus\u00e3o, apatia, puerilidade, euforia (III); o doente de tumor no lobo frontal esquerdo (II) n\u00e3o apresentava altera\u00e7\u00f5es intelectuais, mas justamente nesse o neoplasma estava apegado \u00e0 foice, no giro pr\u00e9-central, e apenas deslocava sem invadir, a regi\u00e3o frontal. Na doente de Lhermitte, Massary e Mugner (68) esse mesmo sinal da preens\u00e3o for\u00e7ada se associava a amn\u00e9sia, desorienta\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o, confabula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a dos quadros cl\u00ednicos conforme a modalidade segundo a qual a neoplasia lesa a regi\u00e3o em apre\u00e7o \u00e9 nitidamente estabelecida \u2013 talvez com algum excesso de esquematiza\u00e7\u00e3o, &#8211; por Gordon (45) a prop\u00f3sito de suas 8 observa\u00e7\u00f5es an\u00e1tomo-cl\u00ednicas: \u201cQuando s\u00f3 o lobo frontal era francamente lesado, observ\u00e1mos per\u00edodo man\u00edaco com tend\u00eancias euf\u00f3ricas. A confus\u00e3o, com desorienta\u00e7\u00e3o, estava presente quando o lobo frontal era comprimido. A puerilidade e a diminui\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria correspondiam \u00e0 invas\u00e3o do lobo frontal. O estado paranoide correspondia \u00e0 invas\u00e3o consider\u00e1vel deste lobo. Em todas as observa\u00e7\u00f5es o lobo frontal estava mais ou menos lesado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais significativa do que essas perturba\u00e7\u00f5es de ordem psiqui\u00e1trica entre elas principalmente \u201cas alucina\u00e7\u00f5es, os del\u00edrios, o onirismo, o torpor, a narcolepsia, os estados de excita\u00e7\u00e3o ou de depress\u00e3o, as perturba\u00e7\u00f5es do humor\u201d, considera Vermeylen (110) a \u201cfatigabilidade\u201d e a \u201clentid\u00e3o ps\u00edquica\u201d. Esta \u00faltima desordem \u00e9 evidenciada por J. B. Abalos (1) em dois doentes, associada num deles a car\u00eancia de contato com o meio e de iniciativa para falar e para gesticular. E o cansa\u00e7o r\u00e1pido se mostra frisante, ao lado de s\u00e9rio rebaixamento mental, no doente de Grage (47).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A esse respeito, a observa\u00e7\u00e3o em grande escala \u00e9 que pode nortear o trabalho de s\u00edntese an\u00e1tomo-cl\u00ednica. \u00c9 o que empresta particular valor ao interessant\u00edssimo relat\u00f3rio de Clovis Vincent relativo aos tumores que comprimem o lobo frontal (111). Encontramos a\u00ed esta significativa cita\u00e7\u00e3o de Puusepp no tocante \u00e0 sintomatologia de tumores de tal regi\u00e3o: \u201cAs fun\u00e7\u00f5es mais atingidas s\u00e3o as da aten\u00e7\u00e3o ativa e da capacidade de trabalho intelectual: os doentes perdem o gosto pelo trabalho, mas principalmente pelo labor intelectual; n\u00e3o podem executar as ordens mais simples, ou n\u00e3o as executam sen\u00e3o penosamente. A esfera afetiva \u00e9 tamb\u00e9m atingida e frequentemente h\u00e1 pervers\u00e3o dos instintos. Os doentes s\u00e3o mais ami\u00fade ap\u00e1ticos e abatidos; mas esse estado n\u00e3o \u00e9 constante e pode-se observar, em alguns casos, predomin\u00e2ncia dos fen\u00f4menos de excita\u00e7\u00e3o&#8230; De modo geral, o estado de tais enfermos \u00e9 inconstante, e pode facilmente passar do ap\u00e1tico para o euf\u00f3rico.\u201d Assinala em alguns casos sintomas demenciais e afirma a import\u00e2ncia do lobo frontal para as fun\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia. Semelhantes perturba\u00e7\u00f5es mentais podem ser evidentes e de in\u00edcio caracter\u00edsticas \u2013 c\u00f3leras, indiferen\u00e7a, perda da no\u00e7\u00e3o do lugar onde se acha o paciente. Outras vezes, por\u00e9m \u00e9 mister pesquis\u00e1-las com cuidado, indagando minuciosamente o examinando e a fam\u00edlia. Quando o diagn\u00f3stico de tumor frontal n\u00e3o \u00e9 particularmente n\u00edtido, procura o autor evidenciar os seguintes fen\u00f4menos: paralisia facial de tipo central; afasia mais ou menos pronunciada (conforme o lado da les\u00e3o); perturba\u00e7\u00f5es mentais, precoces e nitidamente caracterizadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Numa excelente condensa\u00e7\u00e3o de fatos patol\u00f3gicos e de laborat\u00f3rio Lhermitte focaliza em 1929 (67) a fun\u00e7\u00e3o eminentemente intelectual que compete \u00e0 por\u00e7\u00e3o frontal do manto encef\u00e1lico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J. de Morsier (78) realiza um estudo r\u00e1pido, mas interessante sobre a fisiopatologia dessa mesma regi\u00e3o e no qual apenas pormenoriza o sintoma <em>amn\u00e9sia de fixa\u00e7\u00e3o<\/em>. Da compara\u00e7\u00e3o entre os fen\u00f4menos experimentalmente determinados em c\u00e3es e macacos por v\u00e1rios autores \u2013 mormente Bianchi e, entre os mais recentes, Kaliscker e Choroschkco -, e os observados em 2 doentes com les\u00f5es vasculares sim\u00e9tricas nos lobos frontais, faz ressaltar a exist\u00eancia de uma tr\u00edade caracter\u00edstica: \u201c<em>Amn\u00e9sia de fixa\u00e7\u00e3o, <\/em>apatia, irritabilidade, tal nos aparece desde j\u00e1 o trip\u00e9 da s\u00edndrome pr\u00e9-frontal.\u201d Em ambos os casos cl\u00ednicos (um devido a Zacher, 1901, outro a Mabille e Pitres (1923) a les\u00e3o, bem circunscrita, sem perturba\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas secund\u00e1rias, localizava-se simetricamente na subst\u00e2ncia branca. E o A. por a\u00ed se guiou para estabelecer o que ele chama \u201cvias mn\u00e9sicas\u201d, representadas pelas fibras que ligam o lobo pr\u00e9-frontal ao c\u00f3rtex posterior heterolateral; tais fibras atravessam o corpo caloso, a cujo n\u00edvel constituem a l\u00e2mina m\u00e9dia. Essa mesma concep\u00e7\u00e3o fisiopatol\u00f3gica o autor utiliza em outra publica\u00e7\u00e3o sobre amn\u00e9sias transit\u00f3rias (79).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Perturba\u00e7\u00f5es dessa ordem, entre as quais a amn\u00e9sia toma o primeiro plano, s\u00e3o reunidas como s\u00edndrome frontal por Barr\u00e9 e Fontaine (12), e por Barr\u00e9, Guillaume e Schoch (13). Outras de car\u00e1ter predominantemente neurol\u00f3gico \u2013 ataxia, astasia e abasia, apraxias, preens\u00e3o e tateamento (Tappen), hipocin\u00e9sia, Kroll as estuda, em seu excelente livro (63), ao lado de perturba\u00e7\u00f5es como agrafia, a acalculia e a amusia, cuja ocorr\u00eancia filia respectivamente a les\u00f5es no 2.\u00ba giro frontal, no 3.\u00ba, e no 2.\u00ba giro frontal direito. Endossa a classifica\u00e7\u00e3o de Choroschko dos sintomas determinados por tumores do lobo frontal: 1) Desordens psicomotoras da musculatura do tronco, da cabe\u00e7a, dos olhos; catalepsia; 2) Desordens assimb\u00f3licas da fala, da escrita, dos gestos. 3) Desordens das exterioriza\u00e7\u00f5es afetivas (fisionomia, m\u00edmica, riso for\u00e7ado etc.). 4) Desordens do comportamento (urinar no pr\u00f3prio quarto). 5) Sintomas ps\u00edquicos (processos volitivos, aten\u00e7\u00e3o, capacidade de observa\u00e7\u00e3o). 6) Desordens de reflexos (pupilas, \u00f3rg\u00e3os p\u00e9lvicos). 7) Fen\u00f4menos de hipertens\u00e3o para o lado da fossa craniana posterior. 8) Sintomas locais (cefaleia, sinais obtidos pela percuss\u00e3o, edema cut\u00e2neo, exoftalmia, perturba\u00e7\u00f5es do olfato. \u00c9 de notar-se que os grupos 2, 3, 4 e 5 se referem a sintomas intelectuais, embora a denomina\u00e7\u00e3o pouco apropriada, o que n\u00e3o vem agora ao caso analisar. O mesmo se d\u00e1 com o fen\u00f4meno designado por Auerbach (9) como \u201ccar\u00eancia de iniciativa\u201d, e que numerosos autores, como Pfeiffer (82) por exemplo, t\u00eam observado em associa\u00e7\u00e3o com desordens motoras de origem frontal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que apresenta interesse maior para o conhecimento das fun\u00e7\u00f5es do lobo frontal n\u00e3o \u00e9 tanto a ocorr\u00eancia global dos sintomas intelectuais, cuja frequ\u00eancia \u00e9 alta como lembram Jameison e Henry (55). \u00c9 antes o paralelismo entre perturba\u00e7\u00f5es determinadas e les\u00e3o de \u00e1reas tamb\u00e9m determinadas. Gordon (45) frisa essa correla\u00e7\u00e3o, que Puusepp (87, 88) assevera em termos precisos, mostrando a varia\u00e7\u00e3o dos sintomas consoante o tumor frontal esteja nas por\u00e7\u00f5es anteriores, nas posteriores, na profundidade, e al\u00e9m disso quando atinja o lobo esquerdo, ou a ambos, ou comprima o oposto. An\u00e1lise semelhante \u00e9 feita, \u00e0 luz da citoarquitetonia no interessante trabalho de Rose (92).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme por a\u00ed se v\u00ea, pois, or\u00e7am j\u00e1 por milhares os fatos bem apurados em que as les\u00f5es do lobo frontal determinam dist\u00farbios intelectuais mais graves ou menos acentuados, conforme a sede e a extens\u00e3o daquelas. E esses fatos confirmam a doutrina das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais iniciada com Gall e finalmente estabelecida com Augusto Comte. Entretanto ela tem sido combatida de v\u00e1rias maneiras, inclusive por autores cujos pr\u00f3prios argumentos objetivos servem unicamente para refor\u00e7\u00e1-la. Pesando-se bem a refuta\u00e7\u00e3o feita por esses escritores, analisada friamente e sem preconceitos verifica-se \u2013 como procuramos salientar no presente trabalho \u2013 que ela emana de tr\u00eas fontes diversas: 1.\u00ba o preconceito teol\u00f3gico daqueles que ainda hoje pretendem emprestar \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da alma humana o car\u00e1ter sobrenatural; 2.\u00ba a viciosa concep\u00e7\u00e3o de <em>centros<\/em> destinados \u00e0s diferentes atividades encef\u00e1licas; 3.\u00ba a confus\u00e3o de m\u00e9todo subjetivo \u2013 do qual ela resultou \u2013 com processos metaf\u00edsicos, infelizmente encontradi\u00e7os mesmo hoje em dia nesse dom\u00ednio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os motivos do primeiro grupo n\u00e3o seriam alvo de refer\u00eancia no caso em apre\u00e7o, n\u00e3o influ\u00edssem eles nas pesquisas de homens como por exemplo Pitres. E para dizer at\u00e9 que ponto vai essa sujei\u00e7\u00e3o lembremos o caso de Surbled, que em seu livro sobre \u201cA alma e o c\u00e9rebro\u201d (108) afirma estudar este aparelho havia 30 anos. Entretanto a\u00ed vem coisas desta ordem: fazendo distin\u00e7\u00e3o entre sensibilidade, pensamento e vontade, afirma que aquela \u00e9 fun\u00e7\u00e3o material e estas duas s\u00e3o espirituais. Para prov\u00e1-lo diz que a primeira \u00e9 desempenhada pelo c\u00e9rebro, e estas pela alma (!). Ainda referindo-se ao c\u00e9rebro afirma ser este um \u00f3rg\u00e3o \u00fanico, e acrescenta textualmente: \u2018Um \u00f3rg\u00e3o desempenha <em>uma <\/em>fun\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o duas: sobretudo quando estas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o diferentes em natureza como a sensibilidade e a intelig\u00eancia\u201d. Em outro cap\u00edtulo assevera: \u201cConclus\u00e3o necess\u00e1ria: a intelig\u00eancia, n\u00e3o tendo \u00f3rg\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o \u00e9 corporal, e sua espiritualidade fica assim conquistada\u201d. A no\u00e7\u00e3o de <em>centros,<\/em> compat\u00edvel com o acervo cl\u00ednico e as demonstra\u00e7\u00f5es experimentais de h\u00e1 60 e 70 anos, verificou-se logo n\u00e3o corresponder \u00e0 realidade por excessivamente simplista e por n\u00e3o levar em conta a coopera\u00e7\u00e3o e a supl\u00eancia nas regi\u00f5es encef\u00e1licas, hoje de conhecimento comum. Finalmente, o m\u00e9todo subjetivo representa meio perfeitamente positivo de investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, ao que procuramos salientar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral a cr\u00edtica at\u00e9 hoje desenvolvida para negar ao lobo frontal fun\u00e7\u00f5es intelectuais, qualquer que seja o seu ponto de origem, tem obedecido a dois tipos: 1.\u00ba) a dos que pretendem ser imposs\u00edvel localizar em por\u00e7\u00f5es determinadas do enc\u00e9falo os atributos da intelig\u00eancia; 2.\u00ba) a dos que atribuem essas fun\u00e7\u00f5es a por\u00e7\u00f5es extracorticais do enc\u00e9falo ou ent\u00e3o \u00e1 corticalidade em conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os que verberam, baseados na cl\u00ednica e na experimenta\u00e7\u00e3o, a doutrina localizatriz, cumpre salientar Brodmann e, de modo mais gen\u00e9rico, Brugia. Referindo-se aos investigadores da escola objetivista, diz este autor em seu livro j\u00e1 citado: \u2018Ora, tal concep\u00e7\u00e3o (localiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas) \u00e9 absurda; aqui ainda o julgamento precedeu a prova, e conclui indebitamente pela certeza; isso foi&#8230;uma dessas suposi\u00e7\u00f5es doutrinais em que houve preocupa\u00e7\u00e3o mais em presumir que de deduzir, mais de apanhar uma apar\u00eancia que uma subst\u00e2ncia de realidade\u201d. Mostra que \u00e9 imposs\u00edvel conhecer as fun\u00e7\u00f5es das fibras e das c\u00e9lulas nervosas \u201cquer se interroguem quando nascem, quer quando morrem, quer enquanto cumprem o ciclo da maturidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os que defendem a sede subcortical das fun\u00e7\u00f5es intelectuais s\u00e3o j\u00e1 muito numerosos; seguem todos, por\u00e9m, a escola objetivista e fazem aplica\u00e7\u00e3o viciosa do m\u00e9todo subjetivo, conforme em outra ocasi\u00e3o mostraremos. Haskovec, apoiado em grande n\u00famero de pesquisadores (49) e na sua pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o (48), indica a vizinhan\u00e7a do III.\u00ba ventr\u00edculo como sede do que ele chama \u201cconsci\u00eancia central\u201d; Economo (37) empresta aos n\u00facleos cinzentos da base a predomin\u00e2ncia na reg\u00eancia de processos intelectuais; Roussy e Lhermitte (97), Bogaert (21), Reichardt (89) tamb\u00e9m d\u00e3o a primazia ao tronco cerebral. Melhor inspirados a esse respeito, Monakow (74), Monakow e Mourgue (75), Sciamanna (103), pretendem que a intelig\u00eancia resulta do funcionamento de todo o c\u00f3rtex cerebral, admitindo uns que aos lobos frontais cabe uma parte da tarefa, outros que \u00e9 imposs\u00edvel estabelecer sedes para as fun\u00e7\u00f5es intelectuais. Ser\u00e1 isso tamb\u00e9m objeto de exame por nossa parte em outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisemos, pois, em conjunto os resultados da cr\u00edtica articulada pela escola anat\u00f4mica. Ela prova que a dedu\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es unicamente pelo exame dos \u00f3rg\u00e3os \u00e9 invi\u00e1vel; p\u00f5e de manifesto, mesmo nas constru\u00e7\u00f5es que se pretendem objetivas, o apelo para o m\u00e9todo subjetivo geralmente mal aplicado; mostra finalmente que os fatos infirmam as concep\u00e7\u00f5es arquitetadas segundo o m\u00e9todo objetivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o conceito que entre os psic\u00f3logos e fisiologistas impera quanto \u00e0s fun\u00e7\u00f5es intelectuais \u00e9 vago, confuso, por isso mesmo mal delimitado e contradit\u00f3rio. Fala-se em orienta\u00e7\u00e3o, em aten\u00e7\u00e3o, em consci\u00eancia, em voli\u00e7\u00e3o, como se fossem fun\u00e7\u00f5es; da mesma forma em inibi\u00e7\u00e3o, em irritabilidade, em mem\u00f3ria. Larguier des Bancels (65) classifica em 8 grupos os instintos humanos: alimentares, de defesa, curiosidade, sexual, parentarios, sociais, ego\u00edstas e de folguedo. Quase da mesma forma os entendem Garnier, W. James, Ribot, Thorndike, os quais com MacDougall, Watson, Koffka, e em parte von Monakow, pretendem que a atividade do homem promana dos instintos. Kretschmer (62) chama \u201cfun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas centrais\u201d ao conjunto \u2013 \u201cconsci\u00eancia, impulsividade instintiva, afetividade\u201d. Para Jaspers (56) a intelig\u00eancia consiste em \u201cjulgamento, reflex\u00e3o\u201d. \u201cJulgamento, cr\u00edtica, compara\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria\u201d constituem as fun\u00e7\u00f5es intelectuais no conceito de Roussy e Lhermitte (97). Reagindo a essas abstra\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, Pavlov e seus disc\u00edpulos, entre os quais Kalischer (57), Choroschko (30), Ivanoff-Smolensky (54), Brailowky (24), procuram estabelecer a compreens\u00e3o fisiol\u00f3gica. A reforma, entretanto, considerada a fundo, foi apenas terminol\u00f3gica: s\u00e3o os reflexos condicionados e incondicionais \u2013 efetivos ou inibidores \u2013 compostos ou em cadeia; as dominantes condicionais e incondicionais; a atividade criadora, a conservadora ou a transformadora; os analisadores das v\u00e1rias categorias sensoriais; e assim por diante. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mais n\u00edtida a concep\u00e7\u00e3o estabelecida pela escola que focaliza principalmente a atividade chamada subconsciente: Freud, Morton Prince, Busscher (27), Bagotzky (10), Birnbaun (20), Vermeylen (110), Hesnard (51), entre tantos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Compreende-se que tais conceitos nunca poderiam ser localizados, como acertadamente reconhecem os an\u00e1tomo-patologistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os dados objetivos que t\u00eam servido para demolir a teoria dos \u2018centros\u201d confirmam de maneira completa a doutrina, pela qual nos guiamos, da localiza\u00e7\u00e3o cerebral segundo o m\u00e9todo subjetivo. Assim, no dom\u00ednio intelectual, as experi\u00eancias de Bianchi, de Kalischer, de Choroschko apresentavam desordens da intelig\u00eancia, vari\u00e1veis conforme a situa\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia das \u00e1reas frontais descorticadas. Em todo caso, tanto os c\u00e3es e os macacos do primeiro, como os do segundo, como os c\u00e3es de Choroschko, revelavam ap\u00f3s a mutila\u00e7\u00e3o defici\u00eancias de observa\u00e7\u00e3o concreta e abstrata \u2013 n\u00e3o sabendo distinguir entre alimentos e subst\u00e2ncias n\u00e3o alimentares, n\u00e3o denotando interesse pelo ambiente, mostrando-se incapazes de fazer escolha na alimenta\u00e7\u00e3o -, ou decad\u00eancia maior ou menor de racioc\u00ednio, pelo que j\u00e1 n\u00e3o eram capazes de resolver situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e se tornavam ineduc\u00e1veis. Da mesma forma que a vari\u00e1vel integridade das fun\u00e7\u00f5es, a interfer\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es do car\u00e1ter ou da afetividade \u00e9 de atribuir-se \u00e0s conex\u00f5es da zona lesada, \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o do processo ou a complica\u00e7\u00f5es p\u00f3s-operat\u00f3rias, por vezes verificadas na necropsia. O mesmo argumento explica a diversidade de transtornos encontrados no homem por altera\u00e7\u00e3o \u2013 traum\u00e1tica, inflamat\u00f3ria, neopl\u00e1sica etc. \u2013 de determinadas \u00e1reas do lobo frontal. Sob o aspecto histol\u00f3gico propriamente dito, as pesquisas mais recentes vieram consolidar essa mesma doutrina. Referimo-nos \u00e0 citoarquitetonia de Brodmann, de Economo e Koskinas (38) e ainda ao estudo mieloarquitet\u00f4nico de Vogt (112, 113).<\/p>\n\n\n\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o histotopogr\u00e1fica dos casos cl\u00ednicos, devida por exemplo a Kleist (55, 59), a Rose (92), veio mostrar que realmente h\u00e1 perturba\u00e7\u00f5es intelectuais mediante les\u00f5es de campos estruturais isolados. Kleist descreve desordens \u201cal\u00f3gicas\u201d do pensamento (59), isto \u00e9, devidas a defici\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o, por les\u00e3o do <strong>campo 46 de Brodmann<\/strong>, o qual corresponde \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do <strong>\u00f3rg\u00e3o da <em>observa\u00e7\u00e3o concreta<\/em><\/strong>*, segundo Comte. Esse mesmo autor, quanto \u00e0 car\u00eancia de iniciativa, observou matizes correspondentes \u00e0 diversidade dos campos atingidos. Ora, a iniciativa, conforme anteriormente salientamos \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da atividade; por\u00e9m rege continuamente o exerc\u00edcio da intelig\u00eancia, e assume dessa forma aspectos diversos consoante a fun\u00e7\u00e3o dos diferentes \u00f3rg\u00e3os intelectuais. Tal influ\u00eancia, no estado normal impercept\u00edvel devido \u00e0 harmonia geral dos complexos de fun\u00e7\u00f5es, \u00e9 evidenciada pela altera\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica. No campo intelectual, o rebaixamento dela pode traduzir-se como indiferen\u00e7a pelo mundo objetivo, como apatia (observa\u00e7\u00e3o concreta e abstrata), como lentid\u00e3o do pensamento (indu\u00e7\u00e3o ou dedu\u00e7\u00e3o), ou ainda como falta de espontaneidade em exprimir-se (\u00f3rg\u00e3o da linguagem) mediante sinais (reten\u00e7\u00e3o da m\u00edmica, da gesticula\u00e7\u00e3o, da escrita, do c\u00e1lculo, do desenho), ou mediante sons (mutismo, bradifasia). Dos \u00f3rg\u00e3os corticais afetos a essas fun\u00e7\u00f5es intelectuais, segundo Augusto Comte, podemos <strong>afirmar com precis\u00e3o<\/strong> que o da <strong><em>linguagem<\/em><\/strong> abrange <strong>o campo 44 (por\u00e7\u00e3o anterior e por\u00e7\u00e3o posterior) e a parte p\u00f3stero-inferior do campo 9 de Brodmann<\/strong>; os \u00f3rg\u00e3os da <strong><em>observa\u00e7\u00e3o abstrata<\/em><\/strong><em> <\/em>e <strong><em>concreta <\/em><\/strong>corresponderiam respectivamente, de modo aproximado, aos <strong>campos 10 e 46<\/strong> daquele anatomista. Pois bem. Kleist pode observar car\u00eancia de iniciativa para os movimentos m\u00edmicos, e para falar (mutismo), em les\u00e3o limitada respectivamente \u00e0 por\u00e7\u00e3o p\u00f3stero-inferior do campo 9 e \u00e0 por\u00e7\u00e3o anterior do campo 44 (ambos de Brodmann); ao passo que les\u00f5es circunscritas ao campo 10 se haviam traduzido clinicamente pela \u201capraxia de gesticula\u00e7\u00e3o complexa\u201d, em que a execu\u00e7\u00e3o \u00e9 detida nos primeiros movimentos, ou apenas esbo\u00e7ada de modo mais curto e simplificado (92).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sub><sup>*Grifos nossos (de Roberto Fasano).<\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre salientar que Augusto Comte renunciou a estabelecer o volume, a forma e, em geral, a sede absoluta dos diferentes \u00f3rg\u00e3os corticais; cogitou apenas da posi\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica e relativa de cada um, deixando para o futuro a verifica\u00e7\u00e3o histol\u00f3gica. Esta surgiu mais depressa do que fora de supor-se, com a descrimina\u00e7\u00e3o areal do c\u00f3rtex, m\u00e9todo ali\u00e1s perfect\u00edvel, e que, portanto, espera ainda a \u00faltima dem\u00e3o, como demonstra a mieloarquetetonia de Vogt.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, portanto, perfeitamente l\u00edcito adiantar que os estudos fisiol\u00f3gicos e anat\u00f4micos, dentre estes os mais recentes, n\u00e3o somente afirmam que \u00e9 poss\u00edvel localizar as diferentes fun\u00e7\u00f5es superiores do enc\u00e9falo, sen\u00e3o antes mostram o acerto do quadro cerebral de Augusto Comte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo aspecto cl\u00ednico \u00e9 tamb\u00e9m plenamente demonstr\u00e1vel que o papel principal dos lobos frontais consiste na elabora\u00e7\u00e3o e na comunica\u00e7\u00e3o do pensamento. Certamente a essas fun\u00e7\u00f5es se associam outras, secund\u00e1rias, que regem no estado normal certos movimentos musculares volunt\u00e1rios ou involunt\u00e1rios. Assim se a observa\u00e7\u00e3o do mundo concreto exige que o indiv\u00edduo esteja em condi\u00e7\u00f5es de selecionar as impress\u00f5es sensoriais necess\u00e1rias, isso explica por um lado, a adapta\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os perif\u00e9ricos respectivos, (atitude do tronco, da cabe\u00e7a, dos globos oculares, por exemplo), e por outro a desordem neste dom\u00ednio por les\u00e3o funcional (<em>inibi\u00e7\u00e3o,<\/em> v.g.) ou anat\u00f4mica do \u00f3rg\u00e3o intelectual em apre\u00e7o. O investigador n\u00e3o prevenido supor\u00e1 nessas condi\u00e7\u00f5es \u2013 e \u00e9 ocorr\u00eancia quotidiana \u2013 que a referida zona cortical seja um <em>centro <\/em>motor para com este ou aquele territ\u00f3rio som\u00e1tico. Nesse terreno, como se v\u00ea, h\u00e1 muito que desbastar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A desordem isolada ou complexa das diferentes fun\u00e7\u00f5es intelectuais pode assim ser posta em evid\u00eancia mesmo nas observa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas cujo autor n\u00e3o as considerara, conforme procuramos mostrar no trabalho presente. Ela se traduz em s\u00edndrome mental, cuja fisionomia cl\u00ednica depende da topografia e da extens\u00e3o das les\u00f5es corticais, ou, em outras palavras, da atribui\u00e7\u00e3o e do n\u00famero de \u00f3rg\u00e3os frontais atingidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Encontradi\u00e7o, como lembramos em outra publica\u00e7\u00e3o (104) e como a atual exposi\u00e7\u00e3o faz ver melhor, \u00e9 tal s\u00edndrome realizado de prefer\u00eancia nas psicopatias por les\u00e3o em foco. Frequentemente aos sintomas puramente intelectuais acrescem desordens da afetividade ou do car\u00e1ter por efeito das conex\u00f5es anat\u00f4micas a que aludimos; ou ent\u00e3o, as de ordem neurol\u00f3gica, sobre algumas das quais tamb\u00e9m j\u00e1 falamos, e que atingem a tonicidade muscular (hipertonia, rigidez) a motricidade (perda do equil\u00edbrio, ataxia, paralisias, paresias, apraxias, convuls\u00f5es epileptiformes), a sensibilidade (parestesias).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo limitado \u00e0s fun\u00e7\u00f5es intelectuais, a s\u00edndrome pode ser completa ou parcial. Se estiver comprometida apenas a contempla\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 desorienta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o e no meio (defici\u00eancia da observa\u00e7\u00e3o concreta) ou quanto ao tempo (da abstrata), ou ainda apatia, rebaixamento da \u201corienta\u00e7\u00e3o alops\u00edquica\u201d, restri\u00e7\u00e3o do campo das ideias, amnesia, se ambas se acham deficientes. Por les\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os meditativos sobrev\u00e9m contradi\u00e7\u00f5es, incoer\u00eancias, fabula\u00e7\u00e3o (racioc\u00ednio indutivo) como tamb\u00e9m <em>d\u00e9ficit assem\u00e2ntico<\/em>, o falso reconhecimento (dedu\u00e7\u00e3o), e a perda ou a altera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade (ambas as fun\u00e7\u00f5es). Atingidas todas essas fun\u00e7\u00f5es de elabora\u00e7\u00e3o, o quadro psiqui\u00e1trico \u00e9 o demencial, cujo aspecto ainda varia consoante o grau do comprometimento dos distintos territ\u00f3rios frontais. Nestas condi\u00e7\u00f5es haver\u00e1 evidentemente repercuss\u00e3o desses dist\u00farbios sobre a capacidade de express\u00e3o. Esta \u00faltima pode ademais apresentar-se alterada de per si, de uma forma ou de outra, sua manifesta\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida consistir\u00e1, por exemplo, nas v\u00e1rias modalidades de afasia, em mutismo, em acalculia, em perda da exterioriza\u00e7\u00e3o m\u00edmica ou gr\u00e1fica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida a coligenda de fatos cl\u00ednicos e anat\u00f4micos n\u00e3o poder\u00e1 ser inteiramente satisfat\u00f3ria pelo n\u00famero e pela qualidade, enquanto os pesquisadores n\u00e3o houverem assimilado em toda sua plenitude o m\u00e9todo subjetivo. Mas a simples digress\u00e3o pelo campo das sucessivas indaga\u00e7\u00f5es da escola anat\u00f4mica evidencia que a orienta\u00e7\u00e3o geral se acentua rapidamente nessa diretriz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O A. recapitula os trabalhos que t\u00eam focalizado a correla\u00e7\u00e3o entre a intelig\u00eancia e o lobo frontal, desde os primitivos, de ordem filos\u00f3fica, at\u00e9 os que recorrem \u00e0 morfologia e \u00e0 anatomia comparadas; det\u00e9m-se especialmente nas recentes pesquisas arquitet\u00f4nicas (Economo, O. Vogt, Rose). Depois de fazer a cr\u00edtica dos que aceitam o paralelismo e dos que o negam, conclui pela depend\u00eancia das fun\u00e7\u00f5es intelectuais para com a regi\u00e3o pr\u00e9-frontal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, os dados anat\u00f4micos n\u00e3o bastam para conduzir \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o dessas fun\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso conhec\u00ea-las previamente, isto \u00e9, decomp\u00f4-las nas categorias irredut\u00edveis. Mostra o A. que esta opera\u00e7\u00e3o custou grandes esfor\u00e7os \u00e0 coletividade humana, a qual s\u00f3 chegou \u00e0 conclus\u00e3o definitiva ap\u00f3s s\u00e9culos de tentativas e de solu\u00e7\u00f5es prematuras. Deixa para outro artigo o desenvolvimento desta quest\u00e3o, e focaliza somente as linhas gerais, quanto \u00e1 intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Da Enciclop\u00e9dia do s\u00e9culo XVIII faz derivar as tr\u00eas escolas atuais, a psicol\u00f3gica, a an\u00e1tomo-cl\u00ednica e a que recorre ao m\u00e9todo subjetivo. Comenta os numerosos trabalhos at\u00e9 as mais recentes observa\u00e7\u00f5es neuropsiqui\u00e1tricas do ap\u00f3s-guerra. Analisa tamb\u00e9m, rapidamente, as produ\u00e7\u00f5es da escola psicol\u00f3gica (as cl\u00e1ssicas, a dos psicanalistas, as pavlovianas). Alude a seguir ao rumo que tomaram os estudos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos, cujo resultado foi demolir a teoria dos \u201ccentros\u201d cerebrais (v. Monakow, Sciamanna, Brugia, entre outros).<\/p>\n\n\n\n<p>Faz ver o A. como os dados objetivos, experimentais e cl\u00ednicos, ao mesmo tempo que infirmam o \u201ccentrismo\u201d, v\u00eam em apoio da terceira escola antes aludida. Esta divide as manifesta\u00e7\u00f5es da alma humana em sentimentos (afetividade), atividade e intelig\u00eancia. Neste \u00faltimo dom\u00ednio as fun\u00e7\u00f5es simples s\u00e3o a observa\u00e7\u00e3o, concreta e abstrata, a medita\u00e7\u00e3o, &#8211; indutiva e dedutiva, e a express\u00e3o (linguagem) verbal, gr\u00e1fica ou m\u00edmica. Os \u00f3rg\u00e3os que desempenham estas fun\u00e7\u00f5es mant\u00eam conex\u00f5es com os de outras regi\u00f5es corticais e com os n\u00facleos cinzentos da base, fato que \u00e9 essencial para se compreender a fisiologia do c\u00e9rebro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais \u00f3rg\u00e3os, pass\u00edveis de localiza\u00e7\u00e3o, foram situados segundo o m\u00e9todo subjetivo, m\u00e9todo este que encontra aplica\u00e7\u00e3o crescente nas pr\u00f3prias investiga\u00e7\u00f5es an\u00e1tomo-cl\u00ednicas e experimentais. Ele s\u00f3 foi, por\u00e9m, empregado de maneira perfeitamente cient\u00edfica, sistematizado, por Augusto Comte. O A. mostra como as pesquisas citoarquitet\u00f4nicas e mieloarquitet\u00f4nicas v\u00eam confirmar as sedes relativas indicadas por aquele fil\u00f3sofo; s\u00e3o analisados principalmente os estudos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos de Kleist e de Rose.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Les\u00f5es do c\u00f3rtex frontal realizam, conforme a extens\u00e3o e a topografia, mais ou menos completamente a s\u00edndrome do lobo frontal, cuja express\u00e3o cl\u00ednica depende, assim dos \u00f3rg\u00e3os atingidos. Devido \u00e0s conex\u00f5es anat\u00f4micas raramente a sintomatologia \u00e9 de ordem intelectual exclusivamente. Quase sempre a ela se associam desordens da afetividade, ou da iniciativa, ou perturba\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>LE FUNZIONI DEL LOBO FRONTALE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>RIASSUNTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L\u2019autore ricapitola i lavori che focalizzano le relazioni tra l\u2019intelligenza ed il lobo frontale, sin dai primitivi di ordine filosofica, fino a coloro che ricorsero alla morfologia ed all\u2019anatomia comparate. Si trattiene specialmente alle recenti ricerche architettoniche (Economo, O. Vogt, Rose). Dopo aver criticato coloro che accettano il parallelismo e coloro che lo negano conclude con la dipendenza delle funzioni intellettuali dalla regione frontale. Frattanto i dati anatomici non bastano a condurre alla localizzazione di queste funzioni. \u00c8 necessario conoscerle prima, cio\u00e8, scomporle in categorie irreducibile.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Riferisce l\u2019autore come quest\u2019opera cost\u00f2 grandi sforzi alla collettivit\u00e0 umana, la quale giunse a conclusioni definitive soltanto dopo secoli di tentativi e soluzioni premature. Lascia lo svolgimento di questa questione ad un altro articolo e focalizza soltanto le linee generali quanto all\u2019intelligenza.<\/p>\n\n\n\n<p>Dall\u2019Enciclopedia del secolo XVIII fa derivare le tre scuole attuali: la psicologica, l\u2019anatomo-clinica e quella che ricorre al metodo soggettivo. Commenta i numerosi lavori della scuola obbiettivista, a partire dall\u2019esperienza con l\u2019eccitabilit\u00e0 elettrica e le mutilazioni fino alle pi\u00f9 recenti osservazioni neuro-psichiatriche del dopo guerra. Analizza rapidamente anche le produzioni della scuola psicologica (le classiche, quelle dei psicanalisti, le pavolviane). Allude in seguito al cammino preso dagli studi anatomo-clinici, da cui risulta la demolizione della teoria dai centri cerebrali (v. Monakow, Sciamanna, Brugia ed altri).<\/p>\n\n\n\n<p>Dimostra l\u2019autore come i dati obbiettivi, sperimentali e clinici, mentre incriminano il \u201ccentrismo\u201d, vengono in appoggio alla terza scuola a cui gi\u00e0 fece allusione. Questa divide le manifestazioni dell\u2019anima in sentimenti (affettivit\u00e0), attivit\u00e0 ed intelligenza. In quest\u2019ultimo dominio le funzioni semplici sono l\u2019osservazione concreta ed astratta, la meditazione induttiva e deduttiva e l\u2019espressione (linguaggio) verbale, grafica e mimica. Gli organi adibiti a queste funzioni mantengono connessioni con quelle delle altre regioni corticali e con i nuclei griggi della base, fatto essenziale per la comprensione della fisiologia del cervello.<\/p>\n\n\n\n<p>Tali organi, passibili di essere localizzati furono situati secondo il metodo soggettivo, metodo questo che trova applicazione sempre crescente nelle proprie ricerche anatomo-cliniche e sperimentali. \u00c8 stato impiegato in modo perfettamente scientifico, sistematizzato da Augusto Comte.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u2019autore dimostra come le ricerche citoarchtettoniche e mieloarchitettoniche vengano a confermare le relative sedi indicati da quel Filosofo; sono analizzati principalmente gli studi anatomo-clinici del Kleist e del Rose.<\/p>\n\n\n\n<p>Lesioni della corteccia frontale producono pi\u00f9 o meno completamente, a seconda dell\u2019estensione e della topografia, la sindrome del lobo frontale, la cui manifestazione clinica dipende dagli organi colpiti. Dovuto alle connessioni anatomiche, raramente la sintomatologia \u00e8 esclusivamente di ordine intellettuale; quasi sempre ad essa si associano disturbi dell\u2019affettivit\u00e0, oppure dell\u2019iniziativa oppure neurologici.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>LES FONCTIONS DU LOBE FRONTAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>R\u00c9SUM\u00c9<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L\u2019A. passe en revue les \u00e9tudes qui ont recherch\u00e9 les rapports entre le lobe frontal et l\u2019intelligence, d\u00e8s les primitives, toutes d\u2019ordre philosophiques jusqu\u2019\u00e0 celles qui tiennent \u00e0 la morphologie et \u00e0 l\u2019anatomie compar\u00e9e&nbsp;; il s\u2019arr\u00eate surtout sur les recherches cytoarchit\u00e9ctoniques (Economo, O. Vogt, Rose). Apr\u00e8s avoir critiqu\u00e9 celles qui admettent ce parall\u00e9lisme et celles que le d\u00e9nient, l\u2019A. conclue par la d\u00e9pendance des fonctions intellectuelles envers la r\u00e9gion pr\u00e9frontale.<\/p>\n\n\n\n<p>Cependant, les donn\u00e9es anatomiques ne suffisent pas pour localiser les dites fonctions. Il faut les bien conna\u00eetre d\u2019avance, c\u2019est-\u00e0-dire, les d\u00e9composer auparavant en des cat\u00e9gories irr\u00e9ductibles. Cette op\u00e9ration a cout\u00e9 de grands efforts au genre humain, qui y est parvenu seulement apr\u00e8s de successifs essais et de solutions pr\u00e9matur\u00e9es. L\u2019A. se r\u00e9serve de d\u00e9velopper cela dans un autre article, et le met au point seulement en grandes lignes, \u00e0 l\u2019\u00e9gard de l\u2019intelligence.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u2019Encyclop\u00e9die du XVIIe. Si\u00e8cle proviennent, selon l\u2019A., les trois \u00e9coles d\u2019aujourd\u2019hui&nbsp;: la psychologique, l\u2019anatomo-clinique et celle qui se vaut de la m\u00e9thode subjective. L\u2019A. analyse les nombreux travaux parus dans l\u2019\u00e9cole anatomique, depuis les premi\u00e8res exp\u00e9riences sur l\u2019excitabilit\u00e9 \u00e9lectrique et les mutilations, jusqu\u2019aux plus r\u00e9centes observations neuropsychiatriques de apr\u00e8s-guerre, il appr\u00e9cie en outre, rapidement, l\u2019\u0153uvre de l\u2019\u00e9cole psychologique (classique, psychanalytique, pawlowienne)&nbsp;; il fait voir ensuite que les recherches anatomo-cliniques ont abouti \u00e0 l\u2019\u00e9croulement de la doctrine des \u00ab&nbsp;centres&nbsp;\u00bb c\u00e9r\u00e9braux (v. Monakow, Sciamanna, Brugia).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>L\u2019A. montre comment les donn\u00e9es objectives, aussi bien exp\u00e9rimentales que cliniques, tout en infirment le \u00ab&nbsp;centrisme&nbsp;\u00bb, viennent \u00e0 l\u2019appui de la troisi\u00e8me \u00e9cole ci-dessus. D\u2019apr\u00e8s celle-l\u00e0, l\u2019\u00e2me humaine se compose de sentiments (affectivit\u00e9), d\u2019activit\u00e9 et d\u2019intelligence. Dans ce dernier domaine les fonctions simples sont&nbsp;: l\u2019observation (langage) verbale, graphique ou mimique. Les organes qui les accomplissent ont des connexions avec les autres r\u00e9gions corticales et avec les ganglions de la base, ce qui est fondamental pour bien comprendre la physiologie du cerveau.<\/p>\n\n\n\n<p>De tels organes, passibles d\u2019\u00eatre localis\u00e9s, l\u2019ont \u00e9t\u00e9 d\u2019apr\u00e8s la m\u00e9thode subjective, laquelle trouve un emploi toujours croissant dans les recherches anatomo-cliniques et exp\u00e9rimentales elles-m\u00eames. Seul Auguste Comte l\u2019a, pourtant, employ\u00e9e de fa\u00e7on tout-\u00e0 fait scientifique, syst\u00e9matis\u00e9e. L\u2019A. dit jusqu\u2019\u00e0 quel point les recherches cytoarchitectoniques et my\u00e9loarchitectoniques confirment les si\u00e8ges relatifs que ce Philosophe a \u00e9tabli&nbsp;; parmi celles-l\u00e0 les \u00e9tudes anatomo-clinique de Kleist et de Rose sont analys\u00e9es davantage.<\/p>\n\n\n\n<p>Des l\u00e9sions de l\u2019\u00e9corce frontale r\u00e9alisent, par leur extension et topographie, plus ou moins au complet le syndrome du lobe frontal, dont l\u2019expression clinique se rallie ainsi aux organes qui y sont frapp\u00e9s. Du fait des connexions anatomiques la symptomatologie d\u2019ordre intellectuel exclusif appara\u00eet tr\u00e8s rarement. Elle s\u2019assemble presque toujours \u00e0 des troubles de l\u2019affectivit\u00e9 ou bien du caract\u00e8re, ou encore \u00e0 des troubles neurologiques.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>THE FUNCTIONS OF THE FRONTAL LOBE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>SUMMARY<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>The Author resumes the works that have focused the mutual reactions between intelligence and the frontal lobe, beginning from the earliest theories, of a philosophical nature, until those standing for comparative morphology and anatomy. He specially dwells upon the recent architectonic researches, after Economus, Vogt, Rose, etc. After he has considered the authors who accept parallelism and those who deny it, he concludes that intellectual functions depend upon the frontal region.<\/p>\n\n\n\n<p>In the meanwhile, anatomical features are not sufficient to lead to the localization of these functions. These, it is necessary to know previously, so as to be able to class them into irreducible categories. This operation, as the A. shows, coasted great efforts to humankind who only arrived to a definite conclusion after centuries of trials and rash solutions.<\/p>\n\n\n\n<p>The matter will be developed more at large in another article. In this paper the Author only wishes to focus the general lines as far as intelligence is concerned.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Today\u2019s three schools, says the Author, namely the psychological, the clinical-anatomic and the school that stands for the subjective method proceed from the Encyclopedia of the 18<sup>th<\/sup> century. He illustrates numerous works of the objective school, beginning from the experience with excitability and mutilations, until the most recent, post-war, neuropsychiatric observations. Also, he rapidly goes over the produces of the psychological schools (classic, psychoanalyst and Paulow\u2019s). He points next at the course taken by clinical-anatomic studies, the result of which was the demolition of the theory on cerebral \u201ccenters\u201d. (v. Monakow, Sciamanna, Brugia amongst others).<\/p>\n\n\n\n<p>The Author shows how the objective, experimental and clinical data, while they weaken the theory of \u201ccerebral centers\u201d, stay in support of the third of the afore mentioned schools. This divides the manifestations of the human mind into: affects, activity and intelligence. In this last domain the simple functions are: concrete and abstract observation, inductive and deductive meditation, and expression (speech); the latter being either verbal, graphic or mimical. The organs that perform these functions are connected with those of other cortical regions, and with the gray centers (nucleus) of the basis. This fact is essential for the comprehension of the brain\u2019s physiology.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>These organs, susceptible of being localized, were placed according to the subjective method, which meets with an increasing application in clinical-anatomic and experimental investigations.<\/p>\n\n\n\n<p>This method, though, was employed in a thoroughly scientific and systematic way by Auguste Comte only. The Author shows that the cytoarchitectonic and myeloarchtectonic researches come to ratify their pertinent sees pointed out by that Philosopher. Kleist\u2019s and Rose\u2019s anatomical and clinical studies are chiefly a matter for special analysis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>The injuries of the frontal cortex realize the syndrome more or less completely, according to extension and topography. The clinical expression of the syndrome is so subject to the injured organs. Owing to the anatomical connections, the symptomatology is seldom of an intellectual character exclusively. It is almost always associated with disorderly affects, troubles of the initiative or neurological disturbances.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>DIE STIRNLAPPENFUNKTIONEN<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>ZUSAMMENFASSUNG<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Der Vefasser gibt eine kurze uebersicht ueber die Arbeiten, die sich mit den Welchselbeziehungen zwischen Intelligenz und Stirnhirn beschaeftigen, so die primitiven Anschauungen philosophiscer Art bis zu den neueren, die sich auf die vergleichende Morphologie und Anatomie stuetzen; er beruecksichtigt besonders die neueren archtectonischen Forschungen (Economo, Vogt, Rose). Nach einer Kritik der Anschauungen, die einen Parallelismus anehmen, und der gegnteilgen, die ihn verwerfen, schliesst er zu Gunsten der Abhaengigkeit der Intellektuellen Faehigkeiten von der paefrontalen Gegend.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Die anatomischen Ergebnisse sind jedoch nicht ausreichend, um diese Funktionen zu lokalisieren. Es ist noetig, sie im voraus erkannt zu haven, das heisst, sie in ihre elemetaren Bestandteile zu zerlegen. Verf, legt dar, dass dieses unternehmen der menschlichen Froschung grosse Mueben bereitet hat. Erst nach Jahrhunderten langwieriger Versuche und nach voreiligen Annahmen gelangteman zu definitiven Schuessen. Verf, wier in einer spaeteren Arbeit auf die Entwicklung dieser Frage zurueckkomen und eroertert zunaechst die aligemeinen Richtilinien hinsichlich der Intelligenz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Von der enzyklopaedischen Schule des 18. Jahrhunderts leiten sich die drei herrschenden Schulen ab, die psychologische, die anatomisch-klinische und die der subjektiven Methode. Verf, erwaehnt die zahlreichen Arbeiten der objektivistischen Schule, beinnend mit der Erregbarkeit und den Mutilationen bis zu den modernen neuropsychiatrischen Erfahrungen der Nachtkriegszeit. Verf, analysiert ebenfalls kurz die Ergebnisse der psychologischen Schule (klassische, psychoanalytische, Pawlowsche Schule) und bezieht sich ferner auf die Richtung, die die anatomisch-klinischen Forschungen nahmen, deren Ergebnisse die Theorie der zerebralen \u201eZentren\u201c umstiessen (v. Monakow, Sciamanna, Brugia u. Andere).<\/p>\n\n\n\n<p>Verf, erkaert wie die objektiven, experimentellen und klinischen Beobachtungen zur Stuetze der dritten oben erwachnten Schule dienen, indem sie zu gleicher Zeit den \u201eZentrismus\u201c entkraeften. Diese dritte Schule teilt die Aeusserungen der menschlichen Seele in Empfindungen (Affektivitaet), Aktivitaet und Intelligenz. Auf diesem letzten Gebiet sind als einfact Funktionen zu belrachten: die kondrete und abstrakte Beobachtund, die induktive und deduktive Urteilfassung (Meditation) und der sprachliche, graphische und mimische Ausdruck. Die Organe, welche Traeger dieser Funktionen sind, unterhalten Verbindungen mit den Organen anderer kortikaler Gegenden und mit den grauen Kernen der Basis, eine Tatsche, die fuer das Verstaendnis der Physiologie des Grosshirns wesentlich ist.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diese der Lokalisationsforschung zugaenglichen Organe wunden mittels der subjektiven Methode ermittelt, welche wachsende Anwendung selbst bei den anatomisch-klinischen und experimentellen Forschungen findet. Diese Methode wurde jedoch in vollkommen wissenschaftlicher Weise und systematisch schon von Auguste Comte angewandt. Verf, weist nach, dass die cytoarehitektonischen und myeoloarchitektonischen Nachforschungen die betreffenden, von jenem Philosophen angegebenen Lokalisationen bestaetigen; besonders die anatomischen und klinischen Untersuchungen Kleists und Roses werden analysiert.<\/p>\n\n\n\n<p>Verletzungen des Stirnhirns bestimmen je nach ihrer Ausdehnung und Topographie die Art, in welcher das Stirnhirnsyndrom klinisch sich aeussert; sein klinischer Ausdruck haeng von den betroffenen Organen ab. Infolge der anatomischen Zusammenhaenge ist die Symptomatologie in seltenen Faellen rein intelledktueller Art. Fast immer gesellen sich ihr Stoerungen der Affektivitaet, der Initiative oder neurologischer Art bei.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>ABALOS (J. 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