{"id":1051,"date":"2024-03-17T14:12:16","date_gmt":"2024-03-17T17:12:16","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=1051"},"modified":"2024-04-28T17:37:01","modified_gmt":"2024-04-28T20:37:01","slug":"psicologia-fisiologicaanibal-silveira","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/psicologia-fisiologicaanibal-silveira\/","title":{"rendered":"PSICOLOGIA FISIOL\u00d3GICA"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>PSICOLOGIA FISIOL\u00d3GICA<\/strong>\u00b9<\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>(An\u00edbal Silveira)<\/strong>\u00b2<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">BREVE NOTA HIST\u00d3RICA<\/p>\n\n\n\n<p>Desde meados do s\u00e9culo XIX a Psicologia vem firmando mais decisivamente a tend\u00eancia para filiar os processos ps\u00edquicos ao dinamismo cerebral. Passaremos em revista somente as fases principais dessa orienta\u00e7\u00e3o, e em tra\u00e7os r\u00e1pidos para n\u00e3o fugir aos limites da presente obra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Wundt<\/strong> \u2013 coube ao grande psic\u00f3logo de Leipzig romper com a orienta\u00e7\u00e3o meramente especulativa da introspec\u00e7\u00e3o, ao erigir a fisiologia cerebral em m\u00e9todo de psicologia fisiol\u00f3gica. O pr\u00f3prio termo \u201cpsicologia fisiol\u00f3gica\u201d como express\u00e3o de conceito doutrin\u00e1rio deve ser a ele atribu\u00eddo, com as ressalvas que adiante mencionaremos. Nas \u201cVorlesungen\u00fcber die Menschenund Tierseele\u201d, em 1863, e principalmente nos \u201cGrundzuge der physiologieschen Psychologie\u201d, em 1874, 1880, n\u00e3o somente Wundt estabelece clara distin\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rias categorias de fen\u00f4menos ps\u00edquicos, mas se det\u00e9m largamente nas correla\u00e7\u00f5es entre fun\u00e7\u00e3o e estrutura \u2013 esta baseada na anatomia cerebral de Meynert.<\/p>\n\n\n\n<p>E mais, chega a estabelecer as sedes cerebrais correspondentes \u00e0s distintas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Distingue Wundt as seguintes fases no trabalho mental: (1.\u00b0) as sensa\u00e7\u00f5es, que v\u00e3o integrar as representa\u00e7\u00f5es mentais; (2.\u00b0) estas, quando referentes ao est\u00edmulo real constituir\u00e3o percep\u00e7\u00f5es e quando atinentes \u00e0 imagem subjetiva denominar-se-\u00e3o por isso concep\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias; (3.\u00b0) a seu turno a percep\u00e7\u00e3o, passiva ou ativa, dar\u00e1 origem a no\u00e7\u00f5es subjetiva, cuja grada\u00e7\u00e3o vai da no\u00e7\u00e3o complexa \u00e0 no\u00e7\u00e3o geral e \u00e0s formas de intui\u00e7\u00e3o; h\u00e1 ainda a considerar, (4.\u00b0) o conceito, como express\u00e3o de correla\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, isto \u00e9, conhecimentos deduzidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Caracteriza como apercep\u00e7\u00e3o a entrada da percep\u00e7\u00e3o para o foco central da consci\u00eancia. Pelo aspecto localizat\u00f3rio, atribui aos \u201ccentros sensoriais\u201d do c\u00f3rtex cerebral a fun\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o, ao passo que a apercep\u00e7\u00e3o constituir\u00e1 atributo de outro \u00f3rg\u00e3o mais especializado, situado na regi\u00e3o frontal do c\u00e9rebro; a sensa\u00e7\u00e3o propriamente dita estaria afeta aos n\u00facleos cinzentos intracerebrais subordinados ao manto cortical.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande passo efetuado pela psicologia sob o influxo de Wundt foi libertar-se do jugo metaf\u00edsico. Todavia, o eminente psic\u00f3logo n\u00e3o pode escoim\u00e1-la de alguns v\u00edcios, enquadr\u00e1veis em dois grupos: (1. \u00b0) o de endossar a doutrina dos \u201ccentros cerebrais\u201d, j\u00e1 ent\u00e3o desacreditada perante a verdadeira fisiologia do c\u00e9rebro \u2013 e utiliz\u00e1-la para estabelecer o paralelismo psicofisiol\u00f3gico; (2. \u00b0) a redu\u00e7\u00e3o de todos os atributos subjetivos, inclusive sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, voli\u00e7\u00e3o, a fen\u00f4menos de consci\u00eancia, isto \u00e9, de apercep\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>&nbsp;\u00b9Trabalho do Prof. An\u00edbal Silveira, publicado na Revista Maternidade e Inf\u00e2ncia.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b2Fellow em neurofisiologia \u2013 atividade el\u00e9trica do c\u00f3rtex cerebral \u2013 John Simon Guggenheim Memorial Foundation (1941-1942).<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Contra este desvio fundamental logo se ergueram os fatos do pr\u00f3prio rumo psicol\u00f3gico aqui mencionado, urdidos sob orienta\u00e7\u00e3o mais ampla.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ziehen<\/strong> \u2013 \u201cAs doutrinas aqui professadas divergem acentuadamente da de Wundt, que domina os centros alem\u00e3es, e se aproximam de modo \u00edntimo da chamada psicologia associativa dos ingleses\u201d. \u00c9 como se exprimem desde 1880, no pref\u00e1cio da \u201cPhysiologische Psychologie\u201d, o psic\u00f3logo e psiquiatra de Jena. E pouco adiante: \u201cAo introduzir na interpreta\u00e7\u00e3o dos processos ps\u00edquicos o recurso (Hilfsgrosse) particular da chamada apercep\u00e7\u00e3o, Wundt ladeia numerosas dificuldades na explica\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno: onde aparece um fato psicol\u00f3gico dificilmente explic\u00e1vel para ali empurra ele a apercep\u00e7\u00e3o\u201d. Na orienta\u00e7\u00e3o de Ziehen \u201ca psicologia se at\u00e9m exclusivamente aos fen\u00f4menos ps\u00edquicos a que correspondem processos paralelos na fisiologia cerebral\u201d. Ademais, como psiquiatra, recorre ele aos conhecimentos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos, aos dados da experimenta\u00e7\u00e3o em animais e \u00e0 dissocia\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es estabelecida nas doen\u00e7as mentais ao encarar os problemas psicol\u00f3gicos. \u00c9, a nosso ver, o que lhes empresta colorido humano, colocando-os em plano construtivo. Da mesma forma que Wundt, distingue Ziehen da sensa\u00e7\u00e3o, a representa\u00e7\u00e3o e a percep\u00e7\u00e3o. Em vez de utilizar, por\u00e9m, o termo \u201capercep\u00e7\u00e3o\u201d de Leibniz e Wundt, designa como percep\u00e7\u00e3o (Wahrnehmung) o fen\u00f4meno de tornar-se consciente a sensa\u00e7\u00e3o. Situa tais fen\u00f4menos, bem como os conceitos \u2013 concretos e abstratos \u2013 em regi\u00f5es distintas no c\u00f3rtex cerebral. Recorre, ali\u00e1s, para isto, a no\u00e7\u00f5es neuranat\u00f4micas muito mais diferenciadas do que as utilizadas ent\u00e3o por Wundt. Tamb\u00e9m merece relevo a maneira pela qual define os afetos e o tono afetivo n\u00e3o apenas como independentes dos processos intelectuais sen\u00e3o tamb\u00e9m como reguladores destes e das a\u00e7\u00f5es. Apesar de adquirir mais s\u00f3lida base an\u00e1tomo-cl\u00ednica e experimental, a psicologia fisiol\u00f3gica n\u00e3o conseguiu desvencilhar-se, com Ziehen, de relevantes sen\u00f5es. Por outro lado, acham-se a\u00ed confundidas fun\u00e7\u00f5es subjetivas de cona\u00e7\u00e3o e atos objetivos; por outro lado, consideram-se express\u00f5es necessariamente id\u00eanticas \u201cps\u00edquico\u201d e \u201cconsciente\u201d. E Ziehen acentua: \u201cPara n\u00f3s, processos ps\u00edquicos inconscientes constituem de in\u00edcio conceito totalmente vazio, que ainda enfrentaremos mais tarde como hip\u00f3tese, por\u00e9m desde j\u00e1 com grande desconfian\u00e7a (\u201caber von vornhereineingrosses Misstrauenent-gegenbringen\u201d) (Pag. 3 e 4).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mesma posi\u00e7\u00e3o doutrinal se mant\u00e9m na 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o, largamente refundida, publicada quase 30 anos mais tarde. N\u00e3o obstante, Ziehen discute a\u00ed farta documenta\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica relativa a fen\u00f4menos conscientes, inconscientes e subconscientes; e em numerosos passos cita McDougall, o qual t\u00e3o claramente distingue das a\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas o componente conativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois novos rumos trouxera a Psicologia Fisiol\u00f3gica at\u00e9 o conceito atual. Na escola personificada em <strong>Ribot<\/strong> passou ela a se apoiar de prefer\u00eancia nos dinamismos funcionais, deixando de lado os aspectos meramente est\u00e1ticos das correla\u00e7\u00f5es psico-estruturais. E as concep\u00e7\u00f5es eminentemente inovadoras de <strong>Pavlov<\/strong> lhe trouxeram nova compreens\u00e3o; baseada agora em experimenta\u00e7\u00e3o animal de tipo altamente diferenciado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribot<\/strong> \u2013 o caracter\u00edstico fundamental do m\u00e9todo de Ribot adv\u00e9m da doutrina fundada por Augusto Comte, no sentido de que o exame dos fen\u00f4menos patol\u00f3gicos permite aperfei\u00e7oar os conhecimentos relativos ao estado normal correspondente. Reconhecem-no \u2013 como tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a Claude Bernard, igualmente inspirado em Comte \u2013 com raz\u00e3o Achilles Delmas e Bol ao apreciarem o m\u00e9todo psicopatol\u00f3gico: \u201cTh\u00e9odule Ribot, que, por interm\u00e9dio de Taine, se liga a Augusto Comte, o mestre da filosofia contempor\u00e2nea, exprime-se por forma an\u00e1loga: \u201cO m\u00e9todo patol\u00f3gico utiliza ao mesmo tempo, a observa\u00e7\u00e3o pura e a experimenta\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 um poderoso meio de investiga\u00e7\u00e3o, que tem sido f\u00e9rtil em resultados. Com efeito, a doen\u00e7a \u00e9 uma experimenta\u00e7\u00e3o da ordem mais sutil&#8230; institu\u00edda com processos de que a arte humana n\u00e3o disp\u00f5e&#8230; A fisiologia e a patologia \u2013 tanto as do esp\u00edrito como as do corpo \u2013 n\u00e3o se op\u00f5em uma \u00e0 outra como coisas antag\u00f4nicas, mas antes como duas partes do mesmo todo\u201d (De la m\u00e9thode dans les sciences, pag. 300)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tamb\u00e9m Ziehen, e mesmo de certa forma Wundt, houvessem recorrido aos dist\u00farbios mentais ao analisar os fen\u00f4menos da psicologia, cabe a Ribot prioridade em recorrer \u00e0queles como parte integrante do m\u00e9todo de pesquisa psicol\u00f3gica. Ademais, dois tra\u00e7os distanciam da obra psicol\u00f3gica dos autores precedentes a constru\u00e7\u00e3o do grande psic\u00f3logo franc\u00eas: a supremacia concedida aos sentimentos na estrutura da personalidade e a concep\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do inconsciente e dos fen\u00f4menos da consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cLa psychologie des sentiments\u201d, n\u00e3o apenas caracteriza as emo\u00e7\u00f5es, que classifica em simples e complexas, mas analisa sob o aspecto din\u00e2mico os sentimentos propriamente ditos; e distingue no instinto de conserva\u00e7\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, outras defensivas \u2013 medo, e ofensivas \u2013 c\u00f3lera; da mesma forma que redige cap\u00edtulos especiais aos sentimentos \u201csociais\u201d morais e religiosos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLembraremos que para n\u00f3s \u2026a consci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma entidade, mas uma soma de estados, condi\u00e7\u00e3o da atividade cerebral, o qual existe quando estas existem, falta se estas faltam, desaparece quando elas desaparecem. E frisa adiante a relatividade dos estados de consci\u00eancia na unidade subjetiva: \u201cA unidade subjetiva, no sentido psicol\u00f3gico, consiste, pois, na coes\u00e3o, durante um tempo dado, entre certo n\u00famero de estados claros de consci\u00eancia \u2013 acompanhados de outros menos claros \u2013 e uma multid\u00e3o de estados fisiol\u00f3gicos que, sem se acompanharem de consci\u00eancia como aqueles cong\u00eaneres, agem tanto quanto eles e mais que eles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao retomar, ulteriormente, o problema do trabalho intelectual de abstra\u00e7\u00e3o, acentua \u2013 em contraste com o intelectualismo ent\u00e3o dominante nas teorias psicol\u00f3gicas \u2013 o papel psicodin\u00e2mico dos processos inconscientes no pr\u00f3prio racioc\u00ednio: \u201cO pensamento simb\u00f3lico; tem-se repetido frequentemente, constitui pensamento por substitui\u00e7\u00e3o. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Esta f\u00f3rmula n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel sen\u00e3o sob a condi\u00e7\u00e3o de reconhecer-se que o substituto pressup\u00f5e, exige, a exist\u00eancia contempor\u00e2nea (actuelle) do substitu\u00eddo. H\u00e1 substitui\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 consci\u00eancia, n\u00e3o quanto \u00e0 opera\u00e7\u00e3o total. Para resumir tudo em uma palavra: a psicologia da abstra\u00e7\u00e3o e da generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 em grande parte psicologia do inconsciente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi dado a Ribot tirar todas as consequ\u00eancias de que o m\u00e9todo psicopatol\u00f3gico \u00e9 capaz para o conhecimento da psicologia normal. Atribu\u00edmos isto, em parte \u00e0 insuficiente an\u00e1lise cl\u00ednico-psiqui\u00e1trica de que dispunham os psiquiatras da \u00e9poca. A esse respeito s\u00e3o pertinentes as considera\u00e7\u00f5es de Foll e Baud, que logo comentaremos. Na maior parte, por\u00e9m foi isso devido a n\u00e3o dominar inteiramente o pensamento m\u00e9dico-filos\u00f3fico de Comte no qual se inspirou conforme foi dito. Apreciando a nova senda aberta pelo psic\u00f3logo franc\u00eas, dizem Boll e Baud:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGrande parte da obra de Ribot reflete tais preocupa\u00e7\u00f5es, mas o esfor\u00e7o do ilustre psic\u00f3logo n\u00e3o podia levar a resultados definitivos sen\u00e3o na medida em que os fatos psicol\u00f3gicos por ele interpretados estavam solidamente estabelecidos. Ora, nesses fatos podemos distinguir tr\u00eas grupos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Certo n\u00famero se prende a s\u00ednteses que n\u00e3o resistiram \u00e0 prova do tempo. Os acasos da vida haviam aproximado Ribot a Charcot; o psic\u00f3logo aceitou as ideias do m\u00e9dico, em particular a teoria da histeria e do hipnotismo: dessa teoria quase nada subsistiu; e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil conceber que uma interpreta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica err\u00f4nea possa unicamente extraviar o psic\u00f3logo que nela se baseia.<\/li><li>Certos outros fatos, clinicamente exatos, se reportavam a transtornos que desorganizavam a subst\u00e2ncia nervosa, \u00e9 o caso principalmente de Doen\u00e7as da mem\u00f3ria.<\/li><li>Outros fatos patol\u00f3gicos, finalmente, com os que Ribot passa em revista nas Doen\u00e7as da vontade, fazem supor a exist\u00eancia de uma patologia dessa \u201centidade\u201d; ora, parece que tal entidade se esvai quando procuramos defini-la como fun\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, o que as pretensas doen\u00e7as da vontade n\u00e3o sejam sen\u00e3o casos particulares de mecanismos deficientes.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>\u201cRibot parece, ali\u00e1s, ter reconhecido que o terreno da experimenta\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica era muito pouco s\u00f3lido, pois o abandonou nos ensaios de s\u00edntese, tais a Psicologia dos sentimentos, o Ensaio sobre a imagina\u00e7\u00e3o criadora, a Evolu\u00e7\u00e3o das ideias gerais; a despeito da tend\u00eancia nitidamente acentuada para a pesquisa objetiva dos fatos, Ribot \u00e9 por vezes levado a\u00ed a interpreta\u00e7\u00f5es subjetivas, a constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, das quais o m\u00ednimo que podemos dizer \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o infirmadas nem verificadas pelos fatos. Logo, os resultados devidos a Ribot foram limitados pela insufici\u00eancia dos materiais que as ci\u00eancias m\u00e9dicas lhe forneciam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabem a este respeito tr\u00eas observa\u00e7\u00f5es. Acreditamos que mesmo com a insufici\u00eancia de materiais dispon\u00edveis, seriam poss\u00edveis conclus\u00f5es mais aprofundadas, pois Audiffrent, disc\u00edpulo de Comte e m\u00e9dico, construiu na mesma \u00e9poca (1869, 1874) monumentais estudos sobre as fun\u00e7\u00f5es cerebrais. Igualmente n\u00e3o concordamos com os autores em que Ribot considerasse \u201centidades\u201d disposi\u00e7\u00f5es subjetivas complexas como a vontade: o trecho que h\u00e1 pouco citamos sobre \u201cestados de consci\u00eancia\u201d revela claramente o esp\u00edrito positivo e atual ainda hoje do grande psic\u00f3logo. E, finalmente, aquelas considera\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que aludem Boll e Baud s\u00e3o verific\u00e1veis pelos fatos cl\u00ednicos uma vez que se analisem estes mais a fundo e n\u00e3o apenas pelo significado superficial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ribot apontava, de resto, para os inconvenientes de se tratarem fen\u00f4menos subjetivos, biol\u00f3gicos em \u00faltima an\u00e1lise, por m\u00e9todos peculiares ent\u00e3o \u00e0s ci\u00eancias b\u00e1sicas. Assim, embora reconhecendo as tend\u00eancias gerais da psicologia da \u00e9poca para recorrer \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0s aferi\u00e7\u00f5es precisas \u2013 diretrizes que apreciou com justeza ao analisar as escolas alem\u00e3s, advertia: \u201cSeria precipitado introduzir no estudo dos fen\u00f4menos ps\u00edquicos a medida, o c\u00e1lculo, o m\u00e9todo quantitativo, caracter\u00edstico das ci\u00eancias que atingiram a maturidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pavlov<\/strong> \u2013 Ainda mais nitidamente que Ribot, estabeleceu o insigne fisiologista de Koltushy \u2013 hoje Pavlov \u2013 correla\u00e7\u00f5es entre fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e dinamismos fisiol\u00f3gicos do c\u00e9rebro. Ao precisar as condi\u00e7\u00f5es para o aprendizado e a assimila\u00e7\u00e3o intelectual, assim define ele os estados de consci\u00eancia: \u201cSob esta luz a consci\u00eancia aparece como a atividade nervosa de certa parte dos hemisf\u00e9rios cerebrais que possua em dado instante, nas condi\u00e7\u00f5es do momento (present), certa atividade em grau \u00f3timo \u2013 provavelmente moderado. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Ao mesmo tempo as restantes partes dos hemisf\u00e9rios permanecem em estado de excitabilidade mais ou menos atenuada (diminished). Na regi\u00e3o cerebral em que h\u00e1 o \u00f3timo de excitabilidade novos reflexos condicionados se formam facilmente e a diferencia\u00e7\u00e3o se desenvolve com \u00eaxito.<\/p>\n\n\n\n<p>Coerentemente, depois de haver demonstrado \u00e0 exuber\u00e2ncia os fatores psicol\u00f3gicos da digest\u00e3o, utilizou Pavlov os reflexos a que chamou condicionados, ou condicionais, como m\u00e9todo fundamental na experimenta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica: \u201cO estudo dos reflexos condicionados constitui a real, verdadeira fisiologia dos hemisf\u00e9rios cerebrais, como o estudo da circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea constituem a fisiologia do cora\u00e7\u00e3o e dos vasos sangu\u00edneos.\u201d \u00c9 justamente nesta particularidade metodol\u00f3gica, em que a atividade cerebral \u00e9 investigada no animal intacto e colocado em condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas precisas que reside, em nosso ver, a originalidade essencial da escola pavloviana. Os fen\u00f4menos em si mesmos concordam com os que se consideram \u2013 sob terminologia diversa \u2013 em outras escolas psicol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos atos atinentes \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da esp\u00e9cie, os quais por um lado exigem \u201ccompleta s\u00edntese da atividade interna do organismo&#8230;e por outro lado s\u00e3o excitados de modo estereotipado por est\u00edmulos externos e internos precisos e n\u00e3o numerosos\u201d diz Pavlov: \u201cDenominamo-los reflexos incondicionais especiais e complexos. Outros lhes atribuem nomes v\u00e1rios: instintos, tend\u00eancias, inclina\u00e7\u00f5es etc. Aos est\u00edmulos para tais atos chamamos, por conseguinte, est\u00edmulos incondicionados\u201d. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Mas qualquer fen\u00f4meno natural inteiramente alheio a essa atividade instintiva pode associar-se, ao acaso ou deliberadamente, ao ato \u2013 por exemplo, o de comer. \u201cDessa forma, quando o centro subcortical para o reflexo alimentar se excita, todos os outros est\u00edmulos que atingem simultaneamente os mais finos receptores dos hemisf\u00e9rios parecem visar este centro, direta ou indiretamente, e com ele podem tornar-se firmemente ligados todos os est\u00edmulos que nesse momento caiam sobre os mais delicados receptores dos hemisf\u00e9rios cerebrais. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Ocorre, ent\u00e3o, o que chamamos reflexos condicionais, isto \u00e9, o organismo responde com atividade complexa bem definida a uma excita\u00e7\u00e3o \u2026\u00e0 qual n\u00e3o responderia previamente\u201d. Tanto os reflexos condicionais quanto os incondicionados podem estabelecer-se como seriados ou como complexos e ser, quanto \u00e0 din\u00e2mica, ora eficientes, ora inibidores. Da mesma forma que esses conceitos, os de dominantes condicionais, de analisadores sensoriais, de atividade cortical criadora, conservadora ou transformadora, de fase paradoxal, de inibi\u00e7\u00e3o transmarginal, podem reconhecer-se, como dissemos, em graus diversos, em outras correntes doutrin\u00e1rias. Por\u00e9m Pavlov os articula em sistema essencialmente din\u00e2mico; e os entrosa de modo a ligar estreitamente a psicologia e a fisiologia \u2013 de forma que \u201cse realiza o m\u00e9todo natural e inevit\u00e1vel de pesquisa e se fundem finalmente a psicologia e a fisiologia, o subjetivo e o objetivo \u2013 a verdadeira quest\u00e3o que h\u00e1 tanto tempo inquietava o pensamento humano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esses v\u00e1rios dinamismos funcionais se estabelecem hierarquicamente tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esp\u00e9cie como no decorrer da evolu\u00e7\u00e3o individual. Nesse sentido evolutivo, diz Frolov, \u201ca primeira dessas forma\u00e7\u00f5es \u00e9 o sistema dos centros ou g\u00e2nglios subcorticais, os mais pr\u00f3ximos adjacentes ao c\u00f3rtex cerebral. Esta \u00e9 a regi\u00e3o dos reflexos ou instintos incondicionais \u2013 que em terminologia psicol\u00f3gica se denomina tamb\u00e9m regi\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o e dos desejos\u201d. \u201cSobre este sistema e baseado nele se acha o segundo, constitu\u00eddo pelos centros de reflexos tempor\u00e1rios ou condicionados. Como ressalta de tudo quanto dissemos antes, este sistema representado pelos sistemas neuronais da subst\u00e2ncia cinzenta dos hemisf\u00e9rios cerebrais \u2013 tem a vantagem de assegurar uma orienta\u00e7\u00e3o consideravelmente mais ampla do organismo e de ligar-lhe a atividade \u2013 atrav\u00e9s dos sentidos ou \u00f3rg\u00e3os receptores \u2013 com todos os fen\u00f4menos do mundo exterior.\u201d \u201cNos animais, esta regi\u00e3o superior do c\u00f3rtex representa uma proje\u00e7\u00e3o imediata do mundo exterior e \u00e9 um conjunto de analisadores. No caso do c\u00e9rebro humano, n\u00e3o obstante, durante o processo de desenvolvimento e durante a aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem e a conquista do trabalho instrumental, aparece outra estrutura fisiol\u00f3gica, quer dizer \u2013 um \u00f3rg\u00e3o que se forma com base no supramencionado sistema, que sintetiza e generaliza a atividade das proje\u00e7\u00f5es imediatas e que se substrato material para nova capacidade, de origem mais recente: a capacidade de abstra\u00e7\u00e3o\u201d. Para Pavlov, desejamos acrescentar aqui, a sede deste terceiro sistema se encontra na regi\u00e3o frontal do c\u00f3rtex.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o imortal pesquisador foi al\u00e9m, nessa concep\u00e7\u00e3o dos sistemas de contato com a realidade exterior. Focaliza de modo extraordinariamente preciso problemas psicol\u00f3gicos que s\u00f3 encontramos tratados com essa profundidade na escola positivista. Referimo-nos \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da linguagem como fator de abstra\u00e7\u00e3o e a institui\u00e7\u00e3o da palavra articulada e do sinal como recurso e como consequ\u00eancia deste dinamismo psicol\u00f3gico. \u201cO mundo animal em evolu\u00e7\u00e3o \u2013 dizia em 1935 \u2013 adquiriu ao atingir a fase do homem um suplemento excepcional ao mecanismo da atividade nervosa. Para o animal, a realidade \u00e9 assinalada quase exclusivamente pelos meros est\u00edmulos \u2013 e os tra\u00e7os que estes deixam nos hemisf\u00e9rios cerebrais \u2013 carreando diretamente para as c\u00e9lulas especiais dos receptores do organismo, visual, auditivo e outros. \u00c9 isso o que igualmente possu\u00edmos, sob forma de impress\u00f5es, sensa\u00e7\u00f5es e concep\u00e7\u00f5es a respeito do ambiente, seja natural e gen\u00e9rico, seja o social, com exce\u00e7\u00e3o das palavras \u2013 aud\u00edveis e vis\u00edveis. Esse primeiro sistema de assinalagem da realidade \u00e9 o mesmo no nosso caso e no caso dos animais. Mas a palavra constitui um segundo sistema de assinalagem da realidade, o qual \u00e9 peculiar a n\u00f3s somente, erigindo-se em sinal dos sinais prim\u00e1rios\u201d. E acrescenta: \u201cContudo, \u00e9 fora de d\u00favida que as leis essenciais que regem o desempenho do primeiro sistema de sinais necessariamente regulam tamb\u00e9m o segundo, porque se trata de trabalho efetuado pelo mesmo tecido nervoso.\u201d E em outra confer\u00eancia, ainda com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem: \u201cFinalmente aconteceu que mediante estes novos sinais eram designados tudo quanto o ser humano percebia no ambiente e no seu mundo inteiro e semelhantes sinais come\u00e7aram a servir-lhe n\u00e3o apenas para comunicar-se com outrem, mas tamb\u00e9m quando estava a s\u00f3s\u201d. E acentua a preponder\u00e2ncia da primeira ordem de sinais, ou seja \u2013 de imagens, nos artistas; ao passo que nos pensadores \u00e9 a segunda categoria de sinais, os derivados das imagens atrav\u00e9s da linguagem, que prevalece. Igualmente analisa a diversa participa\u00e7\u00e3o de cada um desses sistemas na estrutura psicol\u00f3gica de grupos \u00e9tnicos distintos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a correla\u00e7\u00e3o temporal entre aparecimento da linguagem e matura\u00e7\u00e3o funcional do c\u00f3rtex frontal, seja em sentido filogen\u00e9tico, seja na evolu\u00e7\u00e3o do ser humano, permite adequadamente a Pavlov reconhecer a participa\u00e7\u00e3o da palavra no processo mental de abstra\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>O MOMENTO CONTEMPOR\u00c2NEO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos assim \u00e0 fase contempor\u00e2nea da psicologia fisiol\u00f3gica, fundamentada em conhecimentos precisos e exaustivos da estrutura cerebral e ao mesmo tempo norteada por no\u00e7\u00f5es positivas, din\u00e2micas, despidas de cogita\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas e de limita\u00e7\u00f5es preconcebidas. Psicologia eminentemente viva, que recorre \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o animal \u2013 finalmente diferenciada \u2013 \u00e0 embriologia, \u00e0 arquitet\u00f4nica cerebral comparada, aos fatos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos rigorosamente investigados e, com esses ensinamentos institui o termo de compara\u00e7\u00e3o para a vida subjetiva. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) E que a esta \u00faltima encara sob os multiformes aspectos, quer conscientes, quer alheios \u00e0 al\u00e7ada da consci\u00eancia, n\u00e3o fragment\u00e1rios, mas integrados em sistemas cujo desempenho normal deve ser harm\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como veremos dentre em pouco, tal concep\u00e7\u00e3o constitui a zona de conflu\u00eancia entre a orienta\u00e7\u00e3o introspectiva da psicologia \u2013 gradativamente libertada da tutela metaf\u00edsica \u2013 a escola objetivista da investiga\u00e7\u00e3o cerebral e a doutrina filos\u00f3fica, enciclop\u00e9dica, das fun\u00e7\u00f5es cerebrais, elaborada sucessivamente por Gall, Broussais, Blainville e Comte. &#8220;Realmente, julgamos l\u00edcito filiar \u00e0quelas tr\u00eas orienta\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias os campos que hoje integram a psicologia fisiol\u00f3gica.&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Da escola da introspec\u00e7\u00e3o emergiu o cabedal mais precioso da psicologia contempor\u00e2nea, os fatos extraconscientes: o principal sistema atual para os investigar, o psicoanal\u00edtico, assenta em fatos objetivos, \u00e9 certo, por\u00e9m reconstitu\u00eddos atrav\u00e9s do mundo subjetivo do analisando. Cabem no \u00e2mbito das pesquisas objetivistas as aquisi\u00e7\u00f5es da experimenta\u00e7\u00e3o animal, inclusive a dos reflexos condicionais, a anatomia comparada do sistema nervoso, a neurofisiologia contempor\u00e2nea, em parte os estudos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos. Finalmente, os principais conhecimentos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos, as dedu\u00e7\u00f5es mais fecundas da anatomia fina do c\u00e9rebro \u2013 como as de Brodmann particularmente, os sistemas melhor estruturados da chamada \u201cpatologia cerebral\u201d \u2013 tais como os de Meynert, de Wernicke, de Kleist, utilizam em v\u00e1rios graus os princ\u00edpios sistematizados Poe aquela terceira corrente filos\u00f3fica, h\u00e1 pouco mencionada. Eles representam assim o aspecto convergente, comum a todos esses tipos de pesquisar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Procuramos sintetizar, a seguir, tais postulados de natureza filos\u00f3fica, pois que presidem eles \u00e0 feitura do presente cap\u00edtulo:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>No dom\u00ednio cerebral, como nos demais setores do organismo, existe \u00edntima correla\u00e7\u00e3o ente o plano funcional e o plano estrutural: no caso, fun\u00e7\u00f5es neurops\u00edquicas e organiza\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica do enc\u00e9falo;<\/li><li>A cada fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica simples corresponde necessariamente um \u00f3rg\u00e3o cerebral distinto;<\/li><li>A identifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 pesquisa do \u00f3rg\u00e3o correspondente, da mesma forma que a est\u00e1tica se depreende da din\u00e2mica;&nbsp;<\/li><li>Tanto no plano din\u00e2mico quanto no plano estrutural a pesquisa s\u00f3 se torna eficaz quando procede do complexo para o simples ou do todo para as partes;&nbsp;<\/li><li>A estrutura e as correla\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas dos \u00f3rg\u00e3os cerebrais permitem compreender-lhes as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, por\u00e9m estas obedecem a leis pr\u00f3prias e n\u00e3o s\u00e3o redut\u00edveis a fen\u00f4menos de outra qualquer categoria, nem mesmo aos fisiol\u00f3gicos.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Seria longo e ultrapassaria o \u00e2mbito deste apanhado discutir esses v\u00e1rios itens ou mostrar de que modo se urdiram no decorrer das investiga\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas. Somente os evocamos para tornar compreens\u00edvel o encadeamento das considera\u00e7\u00f5es seguintes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>PARALELO DIN\u00c2MICO-ESTRUTURAL COMPARADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Duas ordens de estudos evidenciam claramente a correspond\u00eancia entre o n\u00edvel psicol\u00f3gico da personalidade e o n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica do sistema nervoso. Por outro lado, a anatomia comparada dos elementos nervosos na s\u00e9rie zool\u00f3gica e a evolu\u00e7\u00e3o embriol\u00f3gica desses mesmos elementos em cada tipo da s\u00e9rie, particularmente no homem, demonstra que a integra\u00e7\u00e3o estrutural do sistema nervoso processa segundo princ\u00edpios gerais bem definidos. Por outro, a chamada psicologia animal comparada e a psicologia evolutiva humana permitem estabelecer os princ\u00edpios gerais que presidem a matura\u00e7\u00e3o ps\u00edquica tanto em sentido filogen\u00e9tico quanto no decorrer da pr\u00f3pria ontog\u00eanese. Confrontadas entre si essas duas s\u00e9ries de princ\u00edpios b\u00e1sicos, as de ordem anat\u00f4mica e as de sentido din\u00e2mico, da\u00ed resulta como aquisi\u00e7\u00e3o positiva o paralelo psicofisiol\u00f3gico. Vejamos em tra\u00e7os muito gen\u00e9ricos os elementos de compara\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estrutura comparada do sistema nervoso \u2013 Nos termos inferiores da s\u00e9rie zool\u00f3gica nada existe de compar\u00e1vel ao sistema nervoso propriamente dito. Entretanto, a partir dos celenterados \u2013 dos tipos mais evolu\u00eddos dos espongi\u00e1rios \u2013 ocorre a reuni\u00e3o de c\u00e9lulas especiais em g\u00e2nglios, dos quais partem filetes que v\u00e3o a periferia: aparece a\u00ed, portanto, o esbo\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o neuronal. Nos radi\u00e1rios se inicia a subdivis\u00e3o de g\u00e2nglios nervosos ao n\u00edvel do es\u00f4fago e surgem conex\u00f5es interganglionares, o que constitui um anel periesofagiano; ademais, o g\u00e2nglio supraesofagiano se torna mais volumoso que o ventral. Em sucessivos graus da escala, desde os anel\u00eddeos, os g\u00e2nglios ventrais, uma para cada met\u00e2mero, se ligam em s\u00e9rie por meio de filetes, estruturando-se assim uma dupla cadeia ventral. Ao atingir-se o n\u00edvel dos artr\u00f3podes esse complexo neuronal representa j\u00e1 um esbo\u00e7o seguro de sistema nervoso: n\u00e3o s\u00f3 a cadeia ganglionar ventral \u00e9 duplamente ligada ao g\u00e2nglio encef\u00e1lico, como esse se avoluma e denota predom\u00ednio de fun\u00e7\u00f5es. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Delineia-se a\u00ed, como frisa Gegenbaur, a correla\u00e7\u00e3o funcional entre g\u00e2nglio nervoso e \u00f3rg\u00e3o sensorial perif\u00e9rico, por isso que \u00e0quele g\u00e2nglio v\u00e3o ter as conex\u00f5es com as antenas \u2013 \u00f3rg\u00e3o t\u00e1ctil \u2013 e com os \u00f3rg\u00e3os visuais. Entretanto, \u00e9 s\u00f3 no dom\u00ednio dos vertebrados que as estruturas nervosas se disp\u00f5em em sistema na acep\u00e7\u00e3o verdadeira. Aqui, os elementos nervosos se agrupam de maneira t\u00e3o espec\u00edfica e progridem t\u00e3o amplamente de classe que o sistema nervoso constitui certamente o car\u00e1ter distintivo fundamental nessa divis\u00e3o zool\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos tamb\u00e9m rapidamente os diversos tipos evolutivos. &#8220;Como tra\u00e7o peculiar a todas as classes vertebradas, o sistema nervoso central abrange duas por\u00e7\u00f5es principais, abrigadas respectivamente na coluna dorsal e no cr\u00e2nio: a medula espinhal e o enc\u00e9falo.&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Este se comp\u00f5e, no tipo adulto, o c\u00e9rebro posterior, o c\u00e9rebro m\u00e9dio e o c\u00e9rebro anterior. Mostram-no na figura 1, esquemas de Huxley que tomamos, simplificando-os, de Beaunis.<\/p>\n\n\n\n<p>De como se originam e como envolvem no mesmo indiv\u00edduo os v\u00e1rios segmentos encef\u00e1licos, diremos adiante: por ora s\u00f3 mencionaremos os tra\u00e7os evolutivos comparados. Assim, nos peixes o c\u00e9rebro posterior (cerebelo) e o c\u00e9rebro m\u00e9dio (lobo \u00f3ptico) predominam largamente e o c\u00e9rebro anterior aparece min\u00fasculo. Este \u00faltimo se desenvolve proporcionalmente muito mais, nos anf\u00edbios, do que os demais segmentos; al\u00e9m disso, das duas partes que o comp\u00f5e \u2013 manto cortical e n\u00facleo estriado \u2013 a primeira j\u00e1 sobrepuja \u00e0 outra em volume, o que n\u00e3o acontece no termo zool\u00f3gico antecedente. Ao n\u00edvel dos r\u00e9pteis ocorrem importantes modifica\u00e7\u00f5es: no c\u00e9rebro anterior, o manto cortical se avantaja ao passo que o septo se limita em extens\u00e3o, e ao mesmo tempo novas zonas se acrescem ao estriado, o qual fica assim subdividido em paleoestriado e neo estriado; no c\u00e9rebro posterior o cerebelo aparece, segundo Ingvar e Kappers, dividido em tr\u00eas segmentos, posterior, m\u00e9dio e anterior, neste j\u00e1 identific\u00e1vel o fl\u00f3culo em estado rudimentar. \u00c9 ainda o cerebelo que vai assumir maior complexidade na classe das aves: aqueles tr\u00eas segmentos se subdividem, e se enriquecem ao mesmo tempo as vias de liga\u00e7\u00e3o para com as demais por\u00e7\u00f5es encef\u00e1licas. Finalmente, nos mam\u00edferos duas caracter\u00edsticas comuns a toda as ordens assinalam o progresso fundamental na organiza\u00e7\u00e3o do sistema nervoso: no c\u00e9rebro posterior aparecem novas estruturas cerebelares \u2013 o neocerebelo, isto \u00e9, os lobos cerebelares; no c\u00e9rebro anterior, as estruturas se avolumam de tal forma que constituem dois hemisf\u00e9rios cerebrais propriamente ditos, de cuja liga\u00e7\u00e3o m\u00fatua resulta o aparecimento de nova via comissural, o corpo caloso. O c\u00e9rebro e o cerebelo constituem, portanto, nos mam\u00edferos, as estruturas encef\u00e1licas dominantes, quer pelo volume, quer pela primazia funcional.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/wRGaL8bAJnM37REP_WnKSSZCnMY4N4u8KPEGohxjJvKr390tA5iSuQGNs-9UUzN3kBuLDJkYvFhCdHXALTTgSY9Voi_UNMJVoz95abpzbnEfVvt7c-CIcG-EEo7AQ1F1FZalNoI8CLpVZVZobOrvuw\" alt=\"esquema 1 psicologia fisiol\u00f3gica.jpg\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Nem em todas as ordens de mam\u00edferos o manto cerebral se comporta da mesma forma; todavia, desde os primeiros tipos ele representa aquisi\u00e7\u00e3o real-neop\u00e1lio, em adi\u00e7\u00e3o ao olfativo ou arquip\u00e1lio, existente at\u00e9 a classe das aves. Desprovido de circunvolu\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, lisencef\u00e1lico, nos tipos de mam\u00edferos inferiores e em alguns mais altamente situados, torna-se pregueado \u2013 girencef\u00e1lico desde os carn\u00edvoros, assumindo o m\u00e1ximo de complexidade morfol\u00f3gica nos primatas, especialmente antrop\u00f3ides. O pregueamento, correlato \u00e0 divis\u00e3o funcional do manto cortical, tem in\u00edcio nos marsupiais superiores, com o aparecimento do sulco cruzado; ao n\u00edvel dos carn\u00edvoros j\u00e1 se acha diferenciada a zona silviana, ao mesmo tempo que por\u00e7\u00f5es situadas posteriormente ao sulco cruzado mostram diversos giros, e que aparece o sulco Silviano, ao mesmo passo que o sulco central e o arqueado assumem posi\u00e7\u00e3o definida e que neop\u00e1lio oculta por completo o arquip\u00e1lio; no homem, finalmente, as circunvolu\u00e7\u00f5es atingem o m\u00e1ximo de plenitude. No c\u00f3rtex humano surgem zonas funcionais espec\u00edficas, isto \u00e9, peculiares ao tipo evolutivo; ao mesmo tempo, a disposi\u00e7\u00e3o dos diferentes giros revela muito maior varia\u00e7\u00e3o individual, que se faz sentir tamb\u00e9m na extens\u00e3o dos campos arquitet\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dinamismo comparado do sistema nervoso<\/strong> \u2013 A essa diferen\u00e7a progressiva das estruturas nervosas na s\u00e9rie animal corresponde a varia\u00e7\u00e3o no modo de reagir perante os est\u00edmulos ambienciais, peculiar aos v\u00e1rios tipos zool\u00f3gicos. N\u00e3o \u00e9 oportuno entrar agora neste dom\u00ednio, o da chamada psicologia animal, que ser\u00e1 discutida em outro cap\u00edtulo. V\u00eam a ponto somente algumas notas gen\u00e9ricas, a fim de salientar a correla\u00e7\u00e3o din\u00e2mico-estrutural para, como dissemos, constitui o substrato da hodierna psicologia fisiol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos \u00ednfimos da s\u00e9rie n\u00e3o existe, evidentemente, rea\u00e7\u00e3o neural: os processos a\u00ed s\u00e3o meramente vegetativos, subordinados \u00e0 irritabilidade, e servem quase exclusivamente \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o. O advento de g\u00e2nglios nervosos torna poss\u00edvel a reatividade reflexa: rudimentar e global a princ\u00edpio, come\u00e7a esta a se diferenciar e distribuir-se por met\u00e2meros desde que surge a cadeia ganglionar segmentar. Com o aperfei\u00e7oamento do aparelho nervoso, nos artr\u00f3podes, qual a individualiza\u00e7\u00e3o do g\u00e2nglio cef\u00e1lico, ocorrem novos tipos de integra\u00e7\u00e3o: (a) no contato sensorial com o ambiente j\u00e1 se esbo\u00e7am pelo menos o tacto em sentido estrito, a muscula\u00e7\u00e3o e a vis\u00e3o; (b) a motilidade, quer espont\u00e2nea, quer reflexa traduz certa elabora\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo; (c) \u00e9 poss\u00edvel obter-se a libera\u00e7\u00e3o motora sob forma de convuls\u00e3o provocada \u2013 como demonstrou Noriega experimentalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao aparecimento do cerebelo, com os vertebrados, corresponde a subordina\u00e7\u00e3o da necessidade nutritiva \u00e0s fun\u00e7\u00f5es instintivas na vida de rela\u00e7\u00e3o, as quais se exprimem, no in\u00edcio da s\u00e9rie, pela atividade sexual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, na motilidade, o equil\u00edbrio est\u00e1tico se subordina \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o e \u00e0 locomo\u00e7\u00e3o \u2013 sob diversas modalidades -, como tamb\u00e9m se diferenciam no c\u00f3rtex zonas prepostas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es sensoriais: nos vertebrados lisencef\u00e1licos podem reconhecer-se zonas destinadas ao tacto em geral, \u00e0 muscula\u00e7\u00e3o, \u00e0 olfa\u00e7\u00e3o e \u00e0 vis\u00e3o. Mesmo nas classes iniciais dos vertebrados a procria\u00e7\u00e3o, a seu turno, pode submeter-se a impulsos mais diferenciados \u2013 os do instinto materno, ao que nos mostram verifica\u00e7\u00f5es de Savaya. Observa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias desse autor evidenciam a prote\u00e7\u00e3o para com a prole em peixes de toca e em aves. Em n\u00edveis subsequentes, os dos carn\u00edvoros, os impulsos sexuais aparecem mais adaptados e gradativamente sujeitos \u00e0 vida greg\u00e1ria; por outro lado, toma vulto no dinamismo cortical a zona preposta \u00e0 audi\u00e7\u00e3o, que corresponde aos giros silvianos nesse termo da escala. Subsequentes aperfei\u00e7oamentos, nos primatas, levar\u00e3o o indiv\u00edduo \u00e0 construtividade, ao contato subjetivo para com o meio, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o, ao aprendizado no sentido de experi\u00eancia espont\u00e2nea e de domestica\u00e7\u00e3o. Simultaneamente \u00e0 mais completa discrimina\u00e7\u00e3o, no c\u00f3rtex cerebral, da sensibilidade t\u00e1ctil e proprioceptiva, interv\u00e9m a tend\u00eancia para agir sobre o ambiente, para a utiliza\u00e7\u00e3o de aparelhos, para a marcha ereta e para a construtividade. Enfim, no homem, as caracter\u00edsticas fundamentais \u2013 correlatas ao exuberante desenvolvimento das circunvolu\u00e7\u00f5es cerebrais \u2013 giram em torno da marcha ereta e da utiliza\u00e7\u00e3o de engenhos por um lado; por outro, da sociabilidade como fun\u00e7\u00e3o subjetiva diretriz na autodetermina\u00e7\u00e3o, da previs\u00e3o, da simboliza\u00e7\u00e3o e do recurso \u00e0 linguagem articulada. No pr\u00f3prio indiv\u00edduo humano a diferencia\u00e7\u00e3o da estrutura cerebral, na acep\u00e7\u00e3o de matura\u00e7\u00e3o, se traduz, no plano subjetivo, em condi\u00e7\u00f5es normais, pela subordina\u00e7\u00e3o progressiva ao ambiente social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>CORRELA\u00c7\u00c3O PSICOFISIOL\u00d3GICA NO HOMEM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desenvolvimento do sistema nervoso<\/strong> \u2013 Essa varia\u00e7\u00e3o progressiva e paralela, din\u00e2mico-estrutural pode apreciar-se tamb\u00e9m na organiza\u00e7\u00e3o nervosa do indiv\u00edduo. Vejamos rapidamente o que se passa no tipo humano \u2013 que \u00e9 o que interessa no momento \u2013 e iniciemos a revis\u00e3o pela estrutura. Naturalmente n\u00e3o cabem aqui pormenores, que ser\u00e3o encontrados nos manuais de embriologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Transformada em tubo a goteira neural, fica o sistema nervoso do embri\u00e3o humano dividido logo em duas por\u00e7\u00f5es: uma visiculiforme, anterior, \u00e0 qual se segue um prolongamento tubular \u2013 a futura medula espinhal. O inflamento anterior compreende a princ\u00edpio tr\u00eas ves\u00edculas cerebrais: anterior (prosenc\u00e9falo), m\u00e9dia (mesenc\u00e9falo) e posterior (rombenc\u00e9falo), como se verifica na figura 2, tomada de Hochstetter. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p>Logo a seguir, a primeira e a terceira se bipartem respectivamente em telenc\u00e9falo-dienc\u00e9falo (segmentos 1-3 na figura 2) e metenc\u00e9falo-mielenc\u00e9falo (6-7, figura 2); o mesenc\u00e9falo (4, figura2) conserva-se unit\u00e1rio. Em cada uma destas cinco ves\u00edculas secund\u00e1rias a parede se diferenciar\u00e1 rapidamente, surgindo assim as estruturas reconhec\u00edveis dede o fim do per\u00edodo fetal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Semelhante diferencia\u00e7\u00e3o n\u00e3o se processa, por\u00e9m, de maneira uniforme nem simult\u00e2nea. Por isso, as estruturas que da\u00ed resultam representam n\u00edveis distintos de integra\u00e7\u00e3o, embora pare\u00e7am equivalentes pelo fato de se encontrarem situadas na mesma sede anat\u00f4mica geral quando examinadas no exemplo a termo. At\u00e9 o quarto m\u00eas do per\u00edodo fetal o prosenc\u00e9falo ainda se acha em estado rudimentar, ao passo que as estruturas das \u00faltimas ves\u00edculas se reconhecem claramente. No 5. \u00b0 m\u00eas o principal elemento do dienc\u00e9falo \u2013 o t\u00e1lamo \u00f3ptico \u2013 j\u00e1 exibe a forma definitiva, ao passo que o manto cortical \u00e9 ainda rudimentar e o estriado se mostra mal diferenciado e em situa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. Dentro desse per\u00edodo s\u00e3o, portanto, acentuadas as analogias para o sistema nervoso adulto nos tipos vertebrados inframam\u00edferos.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/N783JpCUflZuAwQsLjTv5FJtY60lrJCNF4UZXoMpQlYvcyOs8GFedCP4ZvHOlh4bho5Q07cgBMBfzErRVWueQoPFYWdY3mI4m6GAUlu4VhGqjSsX5NnGeYK6IvdcW-08NN0agE_MX3OYAgBHd_0d5A\" alt=\"Esquema 2 - Psicologia Fisiol\u00f3gica.jpg\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para tornar mais claras essas particularidades gen\u00e9tico-evolutivas apresentamos no Quadro I as diferentes segmenta\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/dkp7UeOX0RHIxTRwtwQsoMGz1Pj8JCUuWvS_9sndA9n3Qn8sC49LqcHP-ZuyFf7N93yB9KYfxOy1DTYkcqJs-NxzuGojLcpRAs3Vmw-1HwHv9_LvBwOS3wEhua8bVyRCdHOTh_wGWZwZS1rv6Cupkw\" alt=\"DiagramaDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No homem, caso particular dos primatas, o desenvolvimento telencef\u00e1lico se faz rapidamente e em v\u00e1rios sentidos, desde o in\u00edcio da fase fetal. A ves\u00edcula \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o dotada de ampla cavidade \u2013 tem as paredes formadas pelo arquip\u00e1lio, pelo neop\u00e1lio, praticamente equivalentes em extens\u00e3o, e pelo estriado, o qual j\u00e1 se encontra subdividido em paleoestriado e neoestriado. A superf\u00edcie externa dessa ves\u00edcula telencef\u00e1lica mostra-se ainda lisa, tal como ocorre nos termos inferiores da classe. Logo, por\u00e9m, se processam profundas modifica\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas e estruturais: o neoc\u00f3rtex se amplia de tal forma que passa a recobrir as demais estruturas, enquanto na norma dorsal se escava o sulco longitudinal, cujo aprofundamento determina a divis\u00e3o do telenc\u00e9falo em dois hemisf\u00e9rios; os elementos celulares do neoc\u00f3rtex multiplicam-se profusamente e as fibras que deles emanam \u2013 constituindo o centro oval \u2013 v\u00e3o em parte dar origem ao corpo caloso, liga\u00e7\u00e3o entre os pontos hom\u00f3logos de ambos hemisf\u00e9rios, em parte estabelecer as vias associativas aferentes e eferentes e as vias de proje\u00e7\u00e3o. A primitiva cavidade ampla e \u00fanica, fica ent\u00e3o reduzida ao sistema ventricular, escavado na grande massa fibrosa (subst\u00e2ncia branca) que representa a maior parte dos hemisf\u00e9rios cerebrais e \u00e9 circundada pelo manto cortical (subst\u00e2ncia cinzenta); nesta mesma subst\u00e2ncia branca ficam encravados os diversos n\u00facleos cinzentos. A figura 3, original de Krieg, representa, de modo esquem\u00e1tico, a disposi\u00e7\u00e3o relativa dessas diferentes estruturas.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/QkLxi37gfVur5mE3z40DRmRM7zS_5ECzeJUgPZDlSYBohBap4dns6vp3xOrL0iyIDAm1fZ0_SlT6LsM-fxtm805K0wRM_QNMPNQgjar_In0U85Wn8lOGhr61LtZBThLBZlWnizUIPqKcvgTA6PtxlQ\" alt=\"Esquema 3 - Psicologia Fisiol\u00f3gica.jpg\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O extraordin\u00e1rio desenvolvimento do manto cortical, em contraste com a capacidade reduzida do continente craniano, \u00e9 o que faz no consenso un\u00e2nime \u2013 com que o primeiro se apresente cheio de dobras \u2013 circunvolu\u00e7\u00f5es \u2013 separadas por sulcos de diferentes profundidades e de significa\u00e7\u00e3o evolutiva diversa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem de aparecimento destes acidentes corticais obedece ao princ\u00edpio da matura\u00e7\u00e3o diferencial das distintas regi\u00f5es corticais, conforme se apreende claramente da bel\u00edssima cole\u00e7\u00e3o de 39 c\u00e9rebros de fetos e neonatos em que Fontes estuda a morfologia do c\u00f3rtex cerebral, escolhendo-os entre 250 exemplares da cole\u00e7\u00e3o pessoal. Na terminologia portuguesa, os sulcos, consoante a profundidade se distingue em regos, sulcos e cesuras. O mais importante e caracteristicamente humano \u00e9 o rego de Silvio, o qual se esbo\u00e7a no final do 1.\u00b0 m\u00eas embrion\u00e1rio com ampla fossa, cujos bordos se v\u00e3o gradativamente aproximando e ap\u00f3s o 4.\u00b0 m\u00eas j\u00e1 se tocam: a import\u00e2ncia dessa regi\u00e3o, como adiante lembraremos, adv\u00e9m de que a\u00ed se estabelecem as \u00e1reas corticais de cujo conjunto resulta a efetiva\u00e7\u00e3o dos dinamismos da linguagem articulada, da compreens\u00e3o atrav\u00e9s da esfera auditiva e das imagens motoras; ao s\u00edlvico seguem-se o rego calcarino (3.\u00b0 m\u00eas) e o sulco-parieto-occipital (4.\u00b0 m\u00eas), sitos na face interna do lobo occipital e ambos ligados morfogeneticamente, aos mecanismos mais profundos da apreens\u00e3o visual; em seguida, novamente na superf\u00edcie cerebral externa, se constitui o rego de Rolando: ao 5.\u00b0 m\u00eas, segundo Fontes, que o considera \u201csulco cortical e por isso mesmo de aparecimento mais tardio\u201d, embora j\u00e1 possa ser evidenciado ao 4.\u00b0 m\u00eas como se verifica nos exemplares de Aranovich; no 8.\u00b0 m\u00eas est\u00e1 definido o sulco occipital superior e no 9.\u00b0m\u00eas aparecem todos os demais sulcos e as cesuras, peculiares \u00e0 esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>No feto a termo se reconhecem, pois, todas as caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas definitivas do c\u00e9rebro adulto. A matura\u00e7\u00e3o funcional, entretanto, n\u00e3o se acha terminada. As pesquisas de Flechsig demonstraram que algumas zonas do c\u00f3rtex cerebral est\u00e3o mielinizadas no rec\u00e9m-nascido, ao passo que outras se mielinizam no decorrer do 1. \u00b0 m\u00eas de vida extrauterina e outras ainda completam tal processo entre o 2. \u00b0 e o 5. \u00b0 m\u00eas. Semelhante diferencia\u00e7\u00e3o n\u00e3o se distribui ao acaso pelo manto cortical: as \u00e1reas correspondentes denotam tipo estrutural espec\u00edfico, segundo adiante lembraremos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o funcional do indiv\u00edduo humano<\/strong> \u2013 N\u00e3o entraremos aqui em quest\u00f5es de psicologia evolutiva humana propriamente, que ser\u00e3o focalizadas em outros cap\u00edtulos. Veremos t\u00e3o s\u00f3 alguns aspectos de matura\u00e7\u00e3o funcional do sistema nervoso humano, os quais exprimem as diferentes fases de organiza\u00e7\u00e3o da estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel observar-se motilidade fetal desde o 2. \u00b0 m\u00eas: s\u00e3o, todavia, movimentos deflexos, ou reflexos rudimentares, sobremodo lentos em que prevalece o car\u00e1ter t\u00f4nico. A partir do quarto m\u00eas, tornam-se mais acentuados, ainda sob predom\u00ednio da fase t\u00f4nica, por\u00e9m j\u00e1 gradativamente dotados de componente r\u00e1pido, como \u00e9 sabido. Por ocasi\u00e3o do nascimento a movimenta\u00e7\u00e3o do feto deve reconhecer-se como ativa e n\u00e3o meramente passiva, embora tamb\u00e9m de origem reflexa. Semelhante exterioriza\u00e7\u00e3o motora n\u00e3o depende dos dinamismos corticais, pois que fetos anencef\u00e1licos tamb\u00e9m a exibem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s o nascimento come\u00e7am a delinear-se as fun\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o para com o ambiente e em primeiro lugar as que mais diretamente servem \u00e0 necessidade de nutri\u00e7\u00e3o. Assim \u00e9 que o olfato e o paladar se manifestam desde o primeiro dia (Lhermitte); da mesma forma, as sensa\u00e7\u00f5es viscerais determinam rea\u00e7\u00f5es m\u00edmicas intensas, ao passo que a sensibilidade t\u00e1ctil e muscular s\u00f3 no decorrer dos primeiros meses \u00e9 que v\u00e3o influindo sobre o indiv\u00edduo. Igualmente no setor da audi\u00e7\u00e3o e da vis\u00e3o, os est\u00edmulos atingem \u00e0 fase de reconhecimento apenas por volta do quarto m\u00eas. Por essa \u00e9poca, j\u00e1 maduras as esferas sensoriais, inclusive as componentes do tacto, a crian\u00e7a come\u00e7a a interessar-se pelo ambiente e a distingui-lo de si pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicia-se, ent\u00e3o, a no\u00e7\u00e3o tridimensional do espa\u00e7o, expressa pelo empenho de apanhar objetos ou seres que lhe caem no campo visual. A reg\u00eancia da motilidade pelo cerebelo vai-se afirmando na coordena\u00e7\u00e3o dos gestos e da est\u00e1tica, bem como na estabiliza\u00e7\u00e3o dos segmentos (manter a cabe\u00e7a, o tronco).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es para com o ambiente passam a ser mais ativas, o que \u00e9 traduzido nos deslocamentos de lugar, primeiramente pelo rastejamento, depois pela marcha cerebelar, isto \u00e9, a quatro membros. Simultaneamente, a m\u00edmica passa de expressiva a imitativa, denotando assim a identifica\u00e7\u00e3o entre imagens visuais, cenest\u00e9sicas e motoras. A compreens\u00e3o de sons e de frases, j\u00e1 completa em geral, se acresce por essa \u00e9poca a articula\u00e7\u00e3o intencional de fonemas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dois novos fen\u00f4menos assinalam da\u00ed por diante, progresso decisivo na din\u00e2mica cerebral. Por um lado, a sele\u00e7\u00e3o da atitude ereta n\u00e3o s\u00f3 na est\u00e1tica, mas tamb\u00e9m para a marcha revela que o lobo frontal do c\u00e9rebro assumiu a reg\u00eancia para com o n\u00edvel cerebelar. Por outro lado, a prefer\u00eancia pela palavra articulada como recurso expressivo e a especializa\u00e7\u00e3o motora de um dos membros superiores atestam a preval\u00eancia de um dos hemisf\u00e9rios cerebrais na atividade ps\u00edquica. Da\u00ed por diante, como se conclui da experi\u00eancia cl\u00ednica, o cerebelo reger\u00e1 os fen\u00f4menos neurol\u00f3gicos b\u00e1sicos ao passo que o hemisf\u00e9rio cerebral subordinado assumira os processos neurol\u00f3gicos diferenciados e o hemisf\u00e9rio dominante desempenhar\u00e1 as atribui\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas por excel\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos assim que no indiv\u00edduo humano, como na s\u00e9rie vertebrada, a evolu\u00e7\u00e3o do sistema nervoso se traduz pela \u201cmigra\u00e7\u00e3o\u201d gradativa da reg\u00eancia funcional atrav\u00e9s de estruturas cada vez mais complexas e mais dependentes: do aparelho segmentar para o sistema paleocerebelar, deste para o sistema neocerebelar, da\u00ed para a zona cortical peri-silviana, para o c\u00f3rtex do lobo frontal e, finalmento do c\u00f3rtex frontal subordinado para o c\u00f3rtex frontal do hemisf\u00e9rio dominante. \u00c9 o mesmo processo que se exprime, em diferentes concep\u00e7\u00f5es de morfog\u00eanese diferencial, sob os termos de \u201ccerebra\u00e7\u00e3o progressiva\u201d (von Economo), de \u201ctelencefaliza\u00e7\u00e3o\u201d (Tilney e Riley), de \u201ccorticaliza\u00e7\u00e3o funcional\u201d (Dusser de Barenne).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No homem o correlato subjetivo desse fen\u00f4meno consiste na divis\u00e3o harm\u00f4nica de fun\u00e7\u00f5es. \u00c9 esta que possibilita a a\u00e7\u00e3o construtiva sobre o ambiente f\u00edsico e social, mesmo remoto no tempo, calcada na continuidade, na simboliza\u00e7\u00e3o e na previs\u00e3o e inspirada na sociabilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>ESTADO ATUAL DAS LOCALIZA\u00c7\u00d5ES CEREBRAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As considera\u00e7\u00f5es acima conduzem a um dos aspectos mais controvertidos e, de modo geral, mais deficientemente compreendidos da fisiologia cerebral: a localiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es. Entretanto, semelhante problema constitui o tema central e fundamental da chamada psicologia fisiol\u00f3gica. Embora n\u00e3o entremos em pormenores, que ultrapassariam os limites pr\u00e9-impostos pela natureza deste volume, cumpre focalizar os tr\u00e2mites evolutivos da quest\u00e3o, os caracter\u00edsticos atuais dela e algumas das principais aplica\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal exposi\u00e7\u00e3o, por sua vez, requer algumas refer\u00eancias a estruturas do enc\u00e9falo, o que tamb\u00e9m faremos de modo sum\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O enc\u00e9falo humano adulto<\/strong> \u2013 No homem as estruturas provenientes dos segmentos encef\u00e1licos anterior, m\u00e9dio e posterior \u2013 sumariadas no Quadro I \u2013 diferem largamente quanto \u00e0 import\u00e2ncia funcional e ao espa\u00e7o que ocupam na caixa craniana. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro, resultante do telenc\u00e9falo e do dienc\u00e9falo, toma quase todo o espa\u00e7o endocraniano; o cerebelo e os elementos correlatos preenchem a maior parte da fossa posterior e as estruturas mesencef\u00e1licas assumem propor\u00e7\u00f5es \u00ednfimas. Recordaremos em tra\u00e7os muito breves as principais divis\u00f5es topogr\u00e1fico-funcionais do cerebelo e do c\u00e9rebro, apenas como base para as considera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas adiante expendidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cerebelo \u00e9 revestido externamente, como o c\u00e9rebro, pela subst\u00e2ncia cinzenta em que as c\u00e9lulas nervosas se disp\u00f5em em v\u00e1rias camadas; a subst\u00e2ncia branca \u2013 fibras aferentes e eferentes \u2013 constitui a l\u00e2mina medular; n\u00facleos cinzentos acham-se imersos na subst\u00e2ncia branca principal, corresponde aos hemisf\u00e9rios cerebelares.<\/p>\n\n\n\n<p>A embriologia e a anatomia comparada permite dividi-lo topograficamente em dois \u00f3rg\u00e3os; o paleocerebelo, representado pelo lobo posterior (fl\u00f3culo e n\u00f3dulo), pelo lobo anterior e pela parte espinhal do lobo m\u00e9dio; e o neocerebelo, constitu\u00eddo pela quase totalidade do lobo m\u00e9dio (ansoparamediano), isto \u00e9, hemisf\u00e9rios cerebelares propriamente ditos. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) A experimenta\u00e7\u00e3o e a cl\u00ednica ratificam tal divis\u00e3o. Dos tr\u00eas pares de ped\u00fanculos cerebelares, o inferior e o m\u00e9dio representam vias centr\u00edpetas, sendo que o primeiro conduz ao paleocerebelo e o segundo \u00e0s zonas neocerebelares; os ped\u00fanculos superior (bra\u00e7o conjuntivo) englobam as vias centr\u00edfugas que emergem do neocerebelo e do paleocerebelo. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro oferece estrutura muito complexa. Os dois hemisf\u00e9rios, sim\u00e9tricos quanto \u00e0 morfologia e \u00e0 estrutura fina, comportam-se como duas unidades fartamente ligadas entre si pelas fibras do corpo caloso, principalmente. Cada um abriga tr\u00eas grupos de estruturas ontogeneticamente distintos: (1) o conjunto neoc\u00f3rtex-neoestriado, paleocortex-paleoestriado, (2) o conjunto dos n\u00facleos cinzentos sensoriais e (3) o conjunto de elementos neurovegetativos: hipot\u00e1lamo e estruturas anexas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos sobre o arranjo celular do c\u00f3rtex cerebral \u2013 Brodmann, Campbell, vonEconomo e Koskinas, mostraram que este se comp\u00f5e de seis camadas bem diferenciadas em quase toda a superf\u00edcie do c\u00e9rebro humano (neoc\u00f3rtex); as varia\u00e7\u00f5es regionais dessas camadas, projetadas sobre a superf\u00edcie externa, permitiram levantar \u201cmapas topogr\u00e1ficos\u201d caracter\u00edsticos de cada esp\u00e9cie. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) A diversidade estrutural desses campos ou \u00e1reas citoarquitet\u00f4nicas corresponde \u00e0 diversidade funcional das diversas zonas do manto cerebral. Examinado o c\u00f3rtex quanto \u00e0s fibras miel\u00ednicas que emanam das c\u00e9lulas nervosas ou que a elas conduzem, verifica-se a exist\u00eancia de varia\u00e7\u00f5es quantitativas e qualitativas concordantes com aquelas varia\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas: \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 mieloarquitetonia (Mauss, Vogt). Tanto pelo arranjo celular quanto pela disposi\u00e7\u00e3o das fibras miel\u00ednicas se evidencia que certos campos individuais oferecem alguns caracteres em comum, o que permite agrup\u00e1-los em tipos regionais. Assim, Brodmann distribui em 11 regi\u00f5es os 52 campos estruturais que individualizou: 6 na face externa e em parte na face interna do hemisf\u00e9rio, 4 na face interna exclusivamente e 1 na regi\u00e3o frontal da \u00ednsula. Von Economo, que identificou 109 campos corticais em vez de 52, os re\u00fane em 7 regi\u00f5es, quase as mesmas de Brodmann: frontal, parietal, insular, occipital, temporal, l\u00edmbica e hipoc\u00e2mpica; estas duas \u00faltimas representam o paleoc\u00f3rtex humano, o qual se reduz a apenas um dozeavos da superf\u00edcie total, segundo c\u00e1lculo de von Economo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais regi\u00f5es estruturais n\u00e3o correspondem de modo exato aos lobos cerebrais da anatomia macrosc\u00f3pica, da mesma forma que os campos estruturais n\u00e3o coincidem com os limites das circunvolu\u00e7\u00f5es. \u00c9 que num caso se trata de unidades funcionais do c\u00f3rtex, noutro apenas de apar\u00eancia exterior. Cumpre notar que desta falta de correspond\u00eancia discordam as pesquisas recentes de Sanides. Empregando novas t\u00e9cnicas para colora\u00e7\u00e3o combinada, de c\u00e9lulas e fibras, Sanides mostrou que os campos se separam ao n\u00edvel do fundo dos giros. H\u00e1, pois, correspond\u00eancia entre limites girais e limites areais, na nova carta arquitet\u00f4nica. Abstemo-nos de comentar esses dados, pois n\u00e3o o comporta a extens\u00e3o de um cap\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com as varia\u00e7\u00f5es de estrutura do manto cortical concorda, em fundamento, a diversidade na \u00e9poca de mieliniza\u00e7\u00e3o. Tomando para termo de compara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o crit\u00e9rio de centros associativos e centros de proje\u00e7\u00e3o como fazem os autores em geral, mas a distribui\u00e7\u00e3o dos tipos estruturais dos campos, como fizemos, verifica-se que a carta mielogen\u00e9tica de Flechsig corresponde \u00e0 realidade cl\u00ednica. &#8220;Flechsig evidenciou o seguinte processo de matura\u00e7\u00e3o no c\u00f3rtex humano:&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>algumas \u00e1reas apresentam fibras mielinizadas por ocasi\u00e3o do nascimento e, por isso, as denominou prematuras;<\/li><li>outras iniciam a mieliniza\u00e7\u00e3o na 6.\u00aa semana \u2013 intermedi\u00e1rias; e<\/li><li>outras n\u00e3o a iniciam antes do 2. \u00b0 m\u00eas \u2013 p\u00f3s maturas.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>O conjunto desses campos mielogen\u00e9ticos individuais comp\u00f5em territ\u00f3rios mielogen\u00e9ticos primordiais (ou prematuros), intermedi\u00e1rios e terminais (ou, p\u00f3s-maturas). Os primeiros correspondem a campos sensoriais especializados \u2013 visual, auditivo, olfativo, gustativo \u2013 e os do tacto; os demais se distribuem pelo c\u00f3rtex occipital, parietal, temporal e frontal, o que a nosso ver, exprime a sistematiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es, como logo lembraremos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A subst\u00e2ncia branca dos hemisf\u00e9rios cerebrais, como h\u00e1 pouco dissemos, encerra fibras nervosas de v\u00e1rios grupos e em diversas dire\u00e7\u00f5es:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Feixes e vias longas de associa\u00e7\u00e3o, que ligam \u00e1reas distintas do mesmo hemisf\u00e9rio;<\/li><li>Vias aferentes e eferentes que decorrem entre por\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do manto cerebral e n\u00facleos cinzentos determinados, sensoriais;<\/li><li>Vias de proje\u00e7\u00e3o da zona motora piramidal para a ponte cerebral e da zona extrapiramidal para n\u00facleos motores;<\/li><li>Vias c\u00e9rebro-cerebelares aferentes e eferentes;<\/li><li>Vias comissurais, especialmente o corpo caloso; em pequena propor\u00e7\u00e3o,<\/li><li>Fibras que ligam n\u00facleos hipotal\u00e2micos a outras estruturas e entre si.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Foi certamente o conhecimento da din\u00e2mica cerebral efetuada atrav\u00e9s desses grupos de fibras o que permitiu chegar-se \u00e0 fase atual, j\u00e1 bem positiva, dos estudos localizat\u00f3rios do c\u00e9rebro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o do conceito de localiza\u00e7\u00f5es cerebrais <\/strong>\u2013 Deve-se a Gall (1758-1828) a demonstra\u00e7\u00e3o com dados fisiol\u00f3gicos e anat\u00f4micos precisos de que o c\u00f3rtex cerebral representa um conjunto de \u00f3rg\u00e3os individuais e de que tais \u00f3rg\u00e3os podem ser identificados pela sede e pela fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Combateu energicamente a doutrina m\u00e9dica mais adiantada do tempo \u2013 a de que os atributos intelectuais fossem apan\u00e1gio do c\u00e9rebro e que as afei\u00e7\u00f5es tivessem por sede as v\u00edsceras \u2013 opini\u00e3o essa endossada por Bichat, Cabanis, Richerand. Todas as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, afetivas, conativas e intelectuais, sustentou o grande fisiologista de Viena, resultam do funcionamento do c\u00e9rebro. Ao mesmo tempo, utilizando a anatomia comparada estabeleceu que a organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica n\u00e3o \u00e9 privativa do homem. Investigando o dom\u00ednio das fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas como express\u00e3o da fisiologia cerebral, foi ele, nesse sentido, o criador da psicologia fisiol\u00f3gica, embora tenha infundido \u00e0 genial constru\u00e7\u00e3o car\u00e1ter filos\u00f3fico, portanto muito mais amplo do que esse que o termo subentende. Essa profundidade mesma fez com a doutrina de Gall n\u00e3o fosse prontamente assimilada pelo pensamento da \u00e9poca e permitiu assim que produzisse resultado a campanha violenta e sem tr\u00e9guas logo desencadeada contra a \u201cfrenologia\u201d. Com a publica\u00e7\u00e3o das memor\u00e1veis \u201cfun\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro\u201d ficou solidamente fundamentada a doutrina das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais, que demonstrava a pluralidade de \u00f3rg\u00e3os do c\u00f3rtex e que baseava as manifesta\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas na fisiologia do enc\u00e9falo. Paradoxalmente, por\u00e9m, foi acoimada de fantasista e como tal desprezada pela escola objetivista. Em geral, os autores que a combatem revelam n\u00e3o haver lido Gall ou pelo menos n\u00e3o lhe haver apreendido a grandiosidade da constru\u00e7\u00e3o. Contrataram com esses detratores as aprecia\u00e7\u00f5es de Ackerknecht, de Berger, de Riese, de Temkin.<\/p>\n\n\n\n<p>Com as experi\u00eancias de Flourens, de Fritsch, de Hitzig, de Munk, de Nothnagel, de Schaeffer, o conceito de \u201clocaliza\u00e7\u00f5es cerebrais\u201d passou a ser o de centro cerebrais independentes, prepostos \u00e0 sensibilidade em geral, \u00e0 motilidade e \u00e0s fun\u00e7\u00f5es sensoriais especializadas. O lobo frontal se apresentava, diante desses investigadores, como \u201czona muda\u201d. Mesmo os estudos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos pareciam refor\u00e7ar semelhantes concep\u00e7\u00e3o do \u201ccentrismo\u201d, que se op\u00f4s \u00e0 teoria fisiol\u00f3gica-filos\u00f3fica do funcionamento cerebral. Por um lado, as investiga\u00e7\u00f5es de Ferrier, de Hughlings-Jackson, de Munk, de Bianchi, de Sherrington, os estudos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos, especialmente de Meynert e de Wernicke evidenciavam a especializa\u00e7\u00e3o funcional das diversas zonas do c\u00e9rebro e a coopera\u00e7\u00e3o entre elas para o trabalho ps\u00edquico em condi\u00e7\u00f5es normais. Por outro lado, a topografia cerebral apreciada pelo aspecto da estrutura celular \u2013 Brodmann, Campbell, von Economo e Koskinas, quanto \u00e0s fibras miel\u00ednicas \u2013 Mauss, Vogt, Flechsig, ou \u00e0s conex\u00f5es neuronais din\u00e2micas \u2013 Dusser de Barenne, constitui base anat\u00f4mica segura para a moderna compreens\u00e3o do dinamismo encef\u00e1lico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As localiza\u00e7\u00f5es sob a luz atual<\/strong> \u2013 O que ruiu perante as aquisi\u00e7\u00f5es objetivistas no dom\u00ednio cerebral foi a concep\u00e7\u00e3o dos \u201ccentros aut\u00f4nomos\u201d e n\u00e3o a das \u201clocaliza\u00e7\u00f5es cerebrais\u201d. Esta, ao contr\u00e1rio, se refor\u00e7ou com as novas pesquisas e adquiriu mais amplas perspectivas no setor cl\u00ednico. Assiste, pois, raz\u00e3o integral a Lhermitte: \u201cMas se n\u00e3o \u00e9 defens\u00e1vel a ideias de centros dep\u00f3sitos de imagens, de palavras, de recorda\u00e7\u00f5es, ou criadores de ideias, voli\u00e7\u00f5es e sentimentos, isso n\u00e3o significa que a doutrina das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais esteja anacr\u00f4nica, como parece que alguns sup\u00f5em, e que o psic\u00f3logo necessite de libertar-se dela para dominar melhor a realidade moral dos fen\u00f4menos psicol\u00f3gicos. Ao contr\u00e1rio, tudo nos demonstra n\u00e3o apenas que todo fato de consci\u00eancia \u00e9 subentendido pela atividade nervosa, mas ainda que se n\u00e3o h\u00e1 no c\u00e9rebro centros \u2013 no sentido estrito do termo \u2013 h\u00e1 regi\u00f5es determinadas cujas modifica\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas ou m\u00f3rbidas se acompanham de repercuss\u00e3o precisa na esfera psicol\u00f3gica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Semelhante repercuss\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 precisa, mas tamb\u00e9m espec\u00edfica para cada regi\u00e3o cerebral, conforme o demonstram a cl\u00ednica e a experimenta\u00e7\u00e3o. Neste \u00faltimo dom\u00ednio o recurso t\u00e9cnico mais importante de todos os tempos foi sem d\u00favida o m\u00e9todo da \u201cneuronografia fisiol\u00f3gica\u201d descoberta por Dusser de Barenne em 1910 e aperfei\u00e7oado em colabora\u00e7\u00e3o com McCouloch, principalmente: consiste em aplicar estricnina a min\u00fasculas por\u00e7\u00f5es de \u00e1reas corticais e registrar os efeitos fisiol\u00f3gicos obtidos \u00e0 dist\u00e2ncia; desde 1934 o registro inclui tamb\u00e9m as varia\u00e7\u00f5es de potencial bioel\u00e9trico (eletrocorticograma). Ficou demonstrado que a distribui\u00e7\u00e3o desses efeitos se faz segundo as conex\u00f5es neuronais, e o \u201cmapa neuronogr\u00e1fico\u201d \u2013 j\u00e1 obtido em rela\u00e7\u00e3o ao gato, ao macaco, ao chipanz\u00e9 \u2013 veio confirmar a distribui\u00e7\u00e3o areal segundo a citoarquitetonia, a mieloarquitetonia e a mielog\u00eanese. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Ademais, a \u201cneuronografia fisiol\u00f3gica\u201d demonstrou que algumas \u00e1reas espec\u00edficas, como veremos depois, acarretam em outras inibi\u00e7\u00e3o funcional e n\u00e3o a hiperatividade. Acrescido esse remate din\u00e2mico \u00e0s \u201ccartas cerebrais\u201d e aos princ\u00edpios da embriog\u00eanese e da evolu\u00e7\u00e3o filogen\u00e9tica do sistema nervoso, de que fizemos men\u00e7\u00e3o, o conceito localizat\u00f3rio atual pode resumir-se com os seguintes tra\u00e7os principais:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Em primeiro lugar, aqueles dados mostram que o enc\u00e9falo n\u00e3o consiste na justaposi\u00e7\u00e3o de centros isolados, mas em verdadeiro sistema de \u00f3rg\u00e3os. As analogias estruturais evidenciadas pela histologia fina documentam a realidade desses \u201csistemas celulares\u201d como os postulava Audiffrent desde 1869.&nbsp;<\/li><li>Em rela\u00e7\u00e3o a qualquer sistema, e, portanto, a cada \u00f3rg\u00e3o componente, a atividade pode ser apreciada pelo aspecto vegetativo (anat\u00f4mico), din\u00e2mico (bioel\u00e9trico) ou funcional (neurol\u00f3gico e ps\u00edquico). Estes tr\u00eas n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o correspondem de certa forma ao princ\u00edpio da \u201ccorticaliza\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201ctelencefaliza\u00e7\u00e3o\u201d na anatomia comparada. Assim quanto mais diferenciado o \u00f3rg\u00e3o em apre\u00e7o \u2013 ou sistema \u2013 tanto mais acentuado o predom\u00ednio do n\u00edvel ps\u00edquico sobre os demais.&nbsp;<\/li><li>Isso vale dizer que entre os diversos sistemas funcionais, e especialmente entre os \u00f3rg\u00e3os do mesmo sistema, a distribui\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es se processa harmonicamente e de modo espec\u00edfico. Da\u00ed o conceito de hierarquia funcional, da qual decorrem tanto a reg\u00eancia de umas \u00e1reas para com outras do mesmo sistema, quanto a difus\u00e3o orientada do est\u00edmulo atrav\u00e9s do sistema. A sede dos \u00f3rg\u00e3os respectivos \u2013 determinada segundo crit\u00e9rio ontogen\u00e9tico \u2013 permite prever em cada sistema qual a \u00e1rea que rege e qual a subordinada.&nbsp;<\/li><li>Ademais, em ambos os hemisf\u00e9rios cerebrais e cerebelares os \u00f3rg\u00e3os sim\u00e9tricos s\u00e3o estruturalmente hom\u00f3logos, o que denota que os referidos sistemas s\u00e3o duplos: entre eles n\u00e3o s\u00f3 h\u00e1 hierarquia \u2013 no sentido antes referido \u2013 como solidariedade funcional; esta explica a altern\u00e2ncia, no estado fisiol\u00f3gico, e a possibilidade de supl\u00eancia em caso de les\u00e3o. Como substrato para essas tr\u00eas modalidades de correla\u00e7\u00f5es temos, no primata especialmente, as conex\u00f5es transpedunculares, as intrahemisf\u00e9ricas e as transcalosas, respectivamente.&nbsp;<\/li><li>O crit\u00e9rio de integra\u00e7\u00e3o funcional prevalece sobre o espacial: assim, \u00f3rg\u00e3os situados na mesma zona anat\u00f4mica \u2013 frontal, parietal, temporal, por exemplo \u2013 podem apresentar menos afinidade entre si do que para com as \u00e1reas distantes a cujo sistema pertencem.&nbsp;<\/li><li>Analogicamente, o fator sucess\u00e3o cronol\u00f3gica dos sintomas \u2013 cl\u00ednicos ou experimentais \u2013 vale mais que a sede da les\u00e3o, para esclarecer quais os fen\u00f4menos prim\u00e1rios e quais os acess\u00f3rios.&nbsp;<\/li><li>Finalmente, \u00e9 imprescind\u00edvel not\u00e1-lo, o que se localiza n\u00e3o \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o \u2013 ps\u00edquica, neurol\u00f3gica ou vegetativa \u2013 por\u00e9m sim o \u00f3rg\u00e3o que a desempenha. Donde s\u00f3 se poderem identificar os \u00f3rg\u00e3os correspondentes \u00e0s fun\u00e7\u00f5es elementares, como j\u00e1 reconhecia Brodmann.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Aplica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas<\/strong> \u2013 Para mostrar como essa orienta\u00e7\u00e3o das doutrinas localizat\u00f3rias \u00e9 f\u00e9rtil em resultados para a neurologia e para a psicopatologia, aludiremos rapidamente \u00e0 grande obra de Kleist no dom\u00ednio da patologia cerebral. Reunindo s\u00f3lida orienta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria a experi\u00eancia pessoal coligida no decorrer de mais de 30 anos, o insigne patologista de Frankfurt am Main estabeleceu uma carta funcional que ao mesmo tempo corresponde aos dados na ontog\u00eanese cerebral, aos mapas arquitet\u00f4nicos (Brodmann, Vogt, von Economo) e aos resultados an\u00e1tomo-cl\u00ednicos aprofundados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist divide o c\u00e9rebro em 9 regi\u00f5es prim\u00e1rias, fundamentais, de modo geral corresponde cada uma a uma esfera da personalidade: I, lobo occipital: esfera visual; II, lobo temporal: esfera auditiva; III, lobo centro-parietal: esfera t\u00e1ctil; IV, \u00e1rea subcentral: esfera gustativa; V, lobo frontal: esfera labir\u00edntico-mioest\u00e9tica; VI, lobo orbit\u00e1rio e VII, c\u00edngulo, retroespl\u00eanio: esfera cenest\u00e9sica; VIII, lobo piriforme e IX, lobo am\u00f4nico: esfera olfativa. Em cada esfera distingue, a seguir, zonas funcionais de tr\u00eas tipos \u2013 sensorial, motora, ps\u00edquica \u2013 as quais podem combinar-se formando zonas mistas psico-sensorial, psicomotora ou sensorial-motora. Essa distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 esquematizada nas figuras 4 e 5, reproduzidas de outro trabalho, nas quais simplificamos as pranchas V e VI de Kleist. Tais zonas n\u00e3o se disseminam de modo indiferente pelas diversas esferas: pelo contr\u00e1rio, em nosso modo de ver, o arranjo peculiar delas revela, por assim dizer, a hierarquia funcional da esfera subjetiva correspondente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de notar-se que apenas as esferas visual, cenest\u00e9sica e olfativa \u2013 nos lobos occipital, c\u00edngulo-orbit\u00e1rio e am\u00f4nico-piriforme respectivamente \u2013 possuem exclusivamente zonas simples, dos tr\u00eas tipos; a gustativa cont\u00e9m t\u00e3o somente uma zona mista, psico-sensorial; j\u00e1 nas esferas auditivas e t\u00e1ctil encontramos al\u00e9m dos tr\u00eas elementos b\u00e1sicos uma zona mista, respectivamente psico-sensorial e psico-motora; e, finalmente, no lobo frontal, esfera labir\u00edntico-mioest\u00e9tica, aparecem todos os tipos mistos fundamentais. Revela notar que a distribui\u00e7\u00e3o das zonas de tipos simples, na superf\u00edcie inter-hemisf\u00e9rica \u2013 figura 5 \u2013 estabelece continuidade, por esse aspecto, entre o c\u00f3rtex occipital, o c\u00edngulo e a zona orbit\u00e1ria; e que essa faixa corresponde \u00e0 grande via de \u00e1reas inibidoras que na documenta\u00e7\u00e3o neuronogr\u00e1fica de Bailey, liga o lobo occipital e a convexidade cerebral ao polo fronto-orbit\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A cada uma dessas zonas dentro das diferentes esferas, correspondem fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e neurol\u00f3gicas cujos dist\u00farbios se externam clinicamente atrav\u00e9s dos sintomas \u201clocalizat\u00f3rios\u201d. E foi observando a estes sintomas, com t\u00e9cnicas cl\u00ednicas minuciosas, secundadas por exames anat\u00f4micos exaustivos, que Kleist chegou a identificar os transtornos fundamentais em cada caso e a fili\u00e1-los assim ao campo arquitet\u00f4nico cerebral correspondente. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) A an\u00e1lise magistral das dissocia\u00e7\u00f5es funcionais induzidas pela patologia permitiu ao grande construtor da psiquiatria estabelecer as fun\u00e7\u00f5es neurops\u00edquicas peculiares \u00e0s diversas \u00e1reas corticais. Trabalhou nisso metodicamente e de modo infatig\u00e1vel durante quase sessenta anos: o \u00faltimo estudo, sobre \u201cafasia sensorial e amusia\u201d, apareceu a poucos meses da morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1934 compendiava o material cl\u00ednico \u2013 estudado pessoalmente como psiquiatra e tamb\u00e9m, durante a primeira guerra mundial, como neurocirurgi\u00e3o. Resultou da\u00ed a \u201cGehirnpathologie\u201d, na qual \u201cal\u00e9m de aproximadamente 300 pacientes com ferimentos do c\u00e9rebro, dos quais 276 estudados por extenso, foram utilizados 106 com les\u00f5es cerebrais em foco\u201d. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) S\u00e3o desse tratado os mapas funcionais do c\u00f3rtex humano, cuja tradu\u00e7\u00e3o apresentamos nas figuras 6 e 7.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Seria imposs\u00edvel sumariar, mesmo em um cap\u00edtulo inteiro, as concep\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas de Kleist; mas \u00e9 mister aduzir alguns coment\u00e1rios sobre as localiza\u00e7\u00f5es a\u00ed figuradas.&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Tais cartas n\u00e3o constituem, ao contr\u00e1rio do que pretende Freeman, um mosaico, por\u00e9m um plano din\u00e2mico das fun\u00e7\u00f5es cerebrais, segundo procuraremos mostrar. V\u00e1rias caracter\u00edsticas desse plano funcional devem ser salientadas. Assim \u00e9, por exemplo, que na superf\u00edcie medial do c\u00f3rtex e na zona orbit\u00e1ria aparecem fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas ligadas ao pr\u00f3prio corpo, \u00e0 reg\u00eancia da individualidade e \u00e0 submiss\u00e3o desta \u00e0 sociabilidade: inova\u00e7\u00e3o estranha na \u00e9poca, mas hoje plenamente confirmada pela neurocirurgia. Al\u00e9m disso, as fun\u00e7\u00f5es representadas em ambas as cartas crescem em complexidade e em depend\u00eancia a partir do polo caudal para o rostral, da base para as por\u00e7\u00f5es mais altas do manto, da face medial para a convexidade. Por fim, o fato de Kleist admitir fun\u00e7\u00f5es intelectuais fora do c\u00f3rtex frontal revela, a nosso ver, que reconhece a\u00ed zonas de reg\u00eancia para com este \u00faltimo e n\u00e3o que aquelas sejam sede de \u00f3rg\u00e3os intelectuais: traduzem, em suma, a exist\u00eancia de sistemas c\u00f3rtico-corticais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando encarada sob aspecto din\u00e2mico e positivo a doutrina das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais corresponde \u00e0 realidade cl\u00ednica. Ela se tem revelado muito eficaz na interpreta\u00e7\u00e3o de quadros cl\u00ednicos da psiquiatria e na utiliza\u00e7\u00e3o de recursos semiol\u00f3gicos. Assim, tem sido poss\u00edvel n\u00e3o somente identificar as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas atribu\u00edveis a diferentes regi\u00f5es anat\u00f4micas mesmo no \u00e2mbito do lobo frontal, mas al\u00e9m disso reconhecer \u2013 mediante os sintomas psiqui\u00e1tricos \u2013 a progress\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas atrav\u00e9s de sistemas neuronais do c\u00e9rebro. E semelhante correla\u00e7\u00e3o anat\u00f4mico-funcional, utiliz\u00e1vel para a compreens\u00e3o dos diferentes dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos, veio a encontrar novas confirma\u00e7\u00f5es nos recentes estudos com a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica no c\u00e9rebro criada por Egas Moniz e a que este eminente neuropsiquiatra denominou leucotomia. Esta consiste, como o nome indica, em pequena incis\u00e3o na subst\u00e2ncia branca subjacente ao c\u00f3rtex e se executa na regi\u00e3o pr\u00e9-frontal. Pela extraordin\u00e1ria difus\u00e3o que encontrou em todos os meios psiqui\u00e1tricos e pelas modifica\u00e7\u00f5es que acarreta ao quadro cl\u00ednico, a leucotomia \u2013 como acentua Barahona Fernandes \u2013 \u201cconstitui n\u00e3o somente m\u00e9todo terap\u00eautico cuja utilidade para indica\u00e7\u00f5es determinadas se n\u00e3o poderia negar, mas, igualmente, importante instrumento de pesquisa\u201d. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/qA-uZkd5D5Ap9Yj5D9aqmCFRsWufBqVnya1WnuiX_XOxDs3XIeyH5x_CKSxiKf8X1UbbzvOzh7-GiwQhN_03Lz03y3rYGOl-kijdZPH0yJhRAMczP8dWJ1AiWn8uzaIAITknQY7IogObi5Uz6VxgOA\" alt=\"Esquema 4 - Psicologia Fisiol\u00f3gica.jpg\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Lembraremos apenas algumas das opini\u00f5es mais autorizadas que frisam essa correspond\u00eancia psicofisiol\u00f3gica. S\u00e3o express\u00f5es de Barahona Fernandes: \u201cO estudo psiqui\u00e1trico da leucotomia nos conduz assim novamente ao estudo do c\u00e9rebro e de suas fun\u00e7\u00f5es, consideradas bem entendido no conjunto, mas com estrutura muito precisa e que se n\u00e3o poderia desprezar\u201d. E a seguir: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desconhecer os fatos an\u00e1tomo fisiol\u00f3gicos na explica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos ps\u00edquicos, da mesma forma que se n\u00e3o pode deixar de integrar os fatos psicol\u00f3gicos no conjunto da personalidade\u201d. Freeman, na revis\u00e3o de mil pacientes leucotomizados, afirma: \u201cDe modo semelhante, as \u00e1reas da base do c\u00e9rebro situadas anteriormente \u00e0s que entendem com a sensa\u00e7\u00e3o visceral e o movimento s\u00e3o prepostas, ao que parece, ao estabelecimento da consci\u00eancia em n\u00edvel mais elevado, tais a consci\u00eancia de si pr\u00f3prio em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente, a consci\u00eancia da personalidade social e a consci\u00eancia espiritual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Verifica\u00e7\u00f5es an\u00e1logas efetuou Fulton, o qual estuda de modo claro a similitude entre os resultados cl\u00ednicos e os da neurocirurgia em primatas, especialmente quanto \u00e0s altera\u00e7\u00f5es assim induzidas no dom\u00ednio instintivo-emocional. &#8220;Deixando de parte o fato de que processos ps\u00edquicos complexos como esses h\u00e1 pouco referidos n\u00e3o se prestam para estudar localiza\u00e7\u00f5es cerebrais, cumpre levar em conta que eles exigem o funcionamento harm\u00f4nico de sistemas cerebrais e n\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os isolados.&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Al\u00e9m disso, \u00e9 indispens\u00e1vel, em nosso entender, distinguir no quadro cl\u00ednico em apre\u00e7o as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas correspondentes aos \u00f3rg\u00e3os cerebrais regidos e as que dependem das \u00e1reas reguladoras, dentro de determinado sistema cerebral. Tal orienta\u00e7\u00e3o que temos seguido tanto na investiga\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica como principalmente em refer\u00eancias \u00e0s indica\u00e7\u00f5es para a leucotomia. Essa distin\u00e7\u00e3o se faz necess\u00e1ria, no caso particular desta interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica no lobo frontal: \u201cAs \u00e1reas encef\u00e1licas que regem o lobo frontal s\u00e3o, segundo a experi\u00eancia an\u00e1tomo-cl\u00ednica atual, a zona parieto-temporal e a zona parieto-occipital\u201d &#8230; E estas \u201cduas diretoras se ligam com a por\u00e7\u00f5es inferiores e com as superiores do manto do lobo frontal, respectivamente. No campo dos sintomas cl\u00ednicos, os dist\u00farbios que mais frequentemente ocorrem como sequ\u00eancia de repercuss\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia prov\u00e9m dessas \u00e1reas cerebrais. Ademais, para avaliar corretamente os resultados da leucotomia pr\u00e9-frontal \u00e9 indispens\u00e1vel estabelecer qual dos dinamismos cortico-corticais estava em causa: se o da libera\u00e7\u00e3o ou o da subordina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o assiste raz\u00e3o, a nosso ver, aos que pretendem negar especificidade funcional a zonas distintas do c\u00f3rtex cerebral. Parece-nos il\u00f3gico e contr\u00e1rio \u00e0 evid\u00eancia cl\u00ednica atribuir sintomas deficit\u00e1rios \u00e0 redu\u00e7\u00e3o quantitativa de subst\u00e2ncia cerebral \u2013 \u00e0 maneira de Leshley, por exemplo. E n\u00e3o menos indefens\u00e1vel a hip\u00f3tese de plasticidade cerebral, isto \u00e9, de que \u00e1reas espec\u00edficas possam assumir fun\u00e7\u00e3o inteiramente nova, para explicar a recupera\u00e7\u00e3o funcional \u2013 a qual exprime o dinamismo de supl\u00eancia, atr\u00e1s referido. Os fatos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos acumulados no setor da leucotomia seletiva ratificam, nessa ordem de ideias, as conclus\u00f5es de Le Beau: \u201cDuas conclus\u00f5es decorrem do estudo psicol\u00f3gico dos doentes submetidos \u00e0s opera\u00e7\u00f5es frontais seletivas.1. \u00b0 &#8211; as modifica\u00e7\u00f5es observadas n\u00e3o dependem somente de fator cir\u00fargico quantitativo&#8230; 2. \u00b0 &#8211; as modifica\u00e7\u00f5es observadas s\u00e3o em prol da localiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es diferentes nas diferentes partes do lobo frontal\u201d. Fatos experimentais, n\u00e3o obstante, bem estabelecidos, t\u00eam que ser devidamente avaliados quanto ao significado te\u00f3rico. Assim as demonstra\u00e7\u00f5es de Lashley, de que a destrui\u00e7\u00e3o do c\u00f3rtex motor em primatas n\u00e3o acarreta aboli\u00e7\u00e3o de retentiva motora: \u00e9 mister, a\u00ed, levar em conta fundamentalmente a dinamismos intelectuais e n\u00e3o a motores.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/bE8WcS1to3N94ZdjvMl5qc01KmHW8Yv3Oq66T06CpBTlW8e77K1UUvTIILH_vwgLedYLtN7-BurrQAwe_4OkDGrD3lJffSLz14ZXqf1-OcxJrCf8dSFM6DaHKisUv4kHhR4MmwOd69esXRFUjJ7kWg\" alt=\"Esquema 5 - psicologia fisiol\u00f3gica.jpg\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em sentido um pouco diverso, as tentativas para localizar fun\u00e7\u00f5es complexas, tais as que constituem a consci\u00eancia, a mem\u00f3ria \u2013 ou meros conceitos, como o que acima citamos de Freeman em rela\u00e7\u00e3o ao que designa ele como consci\u00eancia espiritual de si pr\u00f3prio (spiritual consciousness), n\u00e3o poder\u00e3o produzir algo de aceit\u00e1vel. \u00c9 a conceitos desta ordem que recorre Alford ao pretender resolver a quest\u00e3o das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais. Por n\u00e3o haver feito distin\u00e7\u00e3o entre fun\u00e7\u00f5es simples e fen\u00f4menos complexos, autores da categoria de L. R. Muller t\u00eam incorrido nessa incongru\u00eancia. Na hoje cl\u00e1ssica monografia de 1933 sobre \u201cdivis\u00e3o funcional do sistema nervoso\u201d e na 2.\u00aa edi\u00e7\u00e3o em 1950, o esquema funcional situa no c\u00f3rtex cerebral \u201cmem\u00f3ria\u201d, \u201creconhecimento\u201d, \u201cconsci\u00eancia de si pr\u00f3prio\u201d, \u201cvoli\u00e7\u00e3o\u201d, \u201craz\u00e3o\u201d, \u201cpensamento\u201d, que Muller atribui a toda a corticalidade. Mas acentuada \u00e9 a incoer\u00eancia de Laubenthal, nesse dom\u00ednio, ao versar o problema das rela\u00e7\u00f5es entre \u201cc\u00e9rebro e alma\u201d, no qual denota que n\u00e3o se despregou de concep\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas. Deixa este autor de reconhecer que \u201cconceitos psicol\u00f3gicos\u201d n\u00e3o se prestam para finalidades localizat\u00f3rias e de identificar os dinamismos psicol\u00f3gicos em que se decomp\u00f5em as resultantes ps\u00edquicas \u201cmem\u00f3ria\u201d e \u201caten\u00e7\u00e3o\u201d. Citamo-lo: \u201cnossas obje\u00e7\u00f5es contra o emprego de conceitos psicol\u00f3gicos hoje correntes para dedu\u00e7\u00f5es quanto a localiza\u00e7\u00f5es cerebrais valem tamb\u00e9m para os conceitos mem\u00f3ria e aten\u00e7\u00e3o \u2013 Quanto mais operamos com estes conceitos na vida di\u00e1ria e tamb\u00e9m na cl\u00ednica e nos deparamos com dist\u00farbios dessas fun\u00e7\u00f5es em pacientes com les\u00f5es cerebrais, tanto menos clareza existe sobre a ess\u00eancia mesma da mem\u00f3ria\u201d. E em outro passo: \u201cTais achados, como qualquer outro da patologia cerebral, simplesmente n\u00e3o podem significar (Erstrechtkonnennichtbesangen) que \u00e1reas cerebrais e \u201cpsiquismo\u201d sejam id\u00eanticos. Poder-se-ia admitir, com possibilidades essencialmente melhores de fundamento que sejam aquelas apenas ve\u00edculos para fun\u00e7\u00f5es (Funktionstrager) do psiquismo e dessa forma instrumentos deste\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ao que nos parece, duas fontes de erro t\u00eam contribu\u00eddo para aprecia\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias no dom\u00ednio atual das localiza\u00e7\u00f5es cerebrais. A uma delas se reporta Fulton no ensaio que consagrou \u00e0s localiza\u00e7\u00f5es funcionais em rela\u00e7\u00e3o com a lobotomia frontal: em regra, tem faltado as tais investiga\u00e7\u00f5es a r\u00edgida correla\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica entre sintomas e base anat\u00f4mica. Outra, segundo nosso modo de ver, ainda mais relevante \u00e9 que tem havido car\u00eancia de orienta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. Somente a essa conjun\u00e7\u00e3o de fatores negativos podemos atribuir o af\u00e3 \u201cantilocalizacionista\u201d, o qual se contrap\u00f5e \u00e0 evid\u00eancia dos dados cl\u00ednicos e an\u00e1tomo-patol\u00f3gicos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>VIDA AFETIVO-EMOTIVA. NUTRI\u00c7\u00c3O.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Evitando quanto poss\u00edvel entrar em problemas de psicopatologia ou de psicologia pura, vejamos em breve tra\u00e7os algumas correla\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas, focalizando em primeiro lugar o setor afetivo da personalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como afetividade entendemos o conjunto de tend\u00eancias inconscientes instintivas, que impelem o indiv\u00edduo humano continuamente a satisfazer \u00e0s necessidades da pr\u00f3pria exist\u00eancia e a adaptar-se harmonicamente aos interesses greg\u00e1rios, ou sociais. \u00c9 a acep\u00e7\u00e3o da escola positiva. Constitui a afetividade o setor principal da personalidade, que a unifica e ao mesmo tempo lhe regula o interesse pelo meio exterior e a atua\u00e7\u00e3o sobre este. Da\u00ed resulta que tal esfera mantenha contato apenas indireto com o mundo externo e, por outro lado, que os dist\u00farbios dela se reflitam acentuadamente nos demais n\u00edveis da personalidade. Mesmo em condi\u00e7\u00f5es normais estas inter-rela\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo para com o ambiente fazem com que se apresentem grada\u00e7\u00f5es qualitativas nas diversas manifesta\u00e7\u00f5es afetivas; e h\u00e1 que considerar a\u00ed condi\u00e7\u00f5es subjetivas intr\u00ednsecas \u2013 comuns ao homem e a toda a s\u00e9rie animal, dentro de certos limites \u2013 e manifesta\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias, que se tornam peculiares \u00e0 nossa esp\u00e9cie.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme temos feito notar em outras oportunidades, a fun\u00e7\u00f5es do primeiro grupo agora referido s\u00e3o necessariamente inconscientes e a elas se aplicam indistintamente as designa\u00e7\u00f5es de m\u00f3veis, impulsos, tend\u00eancias ou instintos. A este prop\u00f3sito deixamos claro que n\u00e3o vemos raz\u00e3o para reservar o termo instinto para o caso da animalidade sub-humana. \u00c9 verdade que mesmo em autores contempor\u00e2neos encontramos semelhante distin\u00e7\u00e3o, de sabor escol\u00e1stico: \u201cComo \u00e9 sabido \u2013 escreve Rohracher- falamos em instinto quando o animal executa a\u00e7\u00f5es que nunca lhe haviam ensinado e que somente em futuro remoto, frequentemente s\u00f3 para a descend\u00eancia do animal, se revelam altamente adequadas\u201d. Mas o que caracteriza o instinto, e que ali\u00e1s ressalta das express\u00f5es agora transcritas, s\u00e3o a inateidade e a autonomia para com a intelig\u00eancia. N\u00e3o cabe aqui fundamentar essas considera\u00e7\u00f5es, que apenas se destinam a justificar a terminologia adotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse conjunto de atributos instintivos intr\u00ednsecos, ao qual logo voltaremos, cumpre distinguir os sentimentos complexos de Laffite \u2013 para exemplo, o amor \u00e0 p\u00e1tria, o pundonor -, as afei\u00e7\u00f5es, os afetos, que representam manifesta\u00e7\u00f5es conscientes desses impulsos na vida subjetiva e polarizada para o ambiente. O conceito de afetos \u00e9, pois, insepar\u00e1vel da no\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia do indiv\u00edduo em face ao ambiente f\u00edsico e social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores em geral ilustram esta distin\u00e7\u00e3o, embora nem sempre o fa\u00e7am de modo expl\u00edcito. Por exemplo, na monografia neurofisiol\u00f3gica o sentimento gen\u00e9rico (Allgemeingefuhl) quanto ao estado som\u00e1tico, que acompanha as sensa\u00e7\u00f5es corporais, desencadeiam \u201cestados de \u00e2nimo\u201d (Stimmungen) que se mostram positivos \u2013 isto \u00e9, de tonalidade alegre \u2013 em estado h\u00edgido, e negativos \u2013 ou seja, penosos \u2013 quando \u00e9 mau o estado geral som\u00e1tico, o que a seu turno se exprime no tono da musculatura corporal, principalmente ao n\u00edvel do rosto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA vida afetiva (Gefuhlsleben) n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, influenciada apenas pelas sensa\u00e7\u00f5es gerais advindas do corpo, como a fome ou o cansa\u00e7o: sofre tamb\u00e9m oscila\u00e7\u00f5es provenientes das impress\u00f5es do ambiente sobre o sistema nervoso. Designamos com os termos \u201cemo\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201cafetos\u201d tais oscila\u00e7\u00f5es da vida emotiva e ps\u00edquica (Gemuts und Seelenleben)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 compar\u00e1vel a essa a acep\u00e7\u00e3o, mais precisa e descrita com outros termos, que se encontra na monografia de De Crinis: \u201cA como\u00e7\u00e3o (Ergriffenheit) exercida sobre o organismo pelos processos ambienciais constitui assim o fundamento do afeto. Ao tornar-se percep\u00e7\u00e3o subjetiva a como\u00e7\u00e3o do organismo, realizam-se as condi\u00e7\u00f5es preliminares (Voraussetzungen) para o afeto. Este pode assim definir-se abreviadamente, sob o aspecto psicofisiol\u00f3gico, como a como\u00e7\u00e3o percebida\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a emotividade, ou seja, o conjunto de emo\u00e7\u00f5es, na nossa acep\u00e7\u00e3o, deve ser separado da afetividade propriamente dita. Trata-se igualmente a\u00ed de rea\u00e7\u00e3o derivada destes \u00faltimos atributos em face do est\u00edmulo \u2013 seja ambiental, seja subjetivo \u2013 em sentido algo diverso, aferente. A gama de modifica\u00e7\u00f5es, vegetativas, motoras, intelectuais, e afetivas, que se entrela\u00e7am na emo\u00e7\u00e3o, j\u00e1 a caracterizava claramente Ribot: \u201cPara n\u00f3s, a emo\u00e7\u00e3o \u00e9, na ordem afetiva, o equivalente da percep\u00e7\u00e3o na ordem intelectual: estado complexo, que se comp\u00f5e essencialmente de movimentos produzidos ou detidos, de modifica\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas (na circula\u00e7\u00e3o, na respira\u00e7\u00e3o, etc.), dum estado de consci\u00eancia agrad\u00e1vel ou penoso, ou misto, peculiar a cada emo\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O mister de reger permanentemente a unidade interna, subjetiva e objetiva, sem que se perturbe a adapta\u00e7\u00e3o social, faz com que a afetividade compreenda dois grupos de instintos: os da individualidade e os da sociabilidade. Dentre aqueles, o da nutri\u00e7\u00e3o ou conserva\u00e7\u00e3o individual constitui o impulso orientador de semelhante reg\u00eancia naquilo que entende com o sistema vegetativo, a qual se exprime atrav\u00e9s do consenso visceral. Os demais atributos afetivos participam desta unifica\u00e7\u00e3o apenas a t\u00edtulo indireto, atrav\u00e9s daquele. Cabe a denomina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de instintos ao grupo b\u00e1sico de atributos afetivos \u2013 ao qual designamos como da individualidade. Aos que promovem a integra\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo na constela\u00e7\u00e3o social \u2013 os da sociabilidade, corresponde melhor a designa\u00e7\u00e3o de sentimentos. Tal distin\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 foi estabelecida em definitivo e cientificamente por Augusto Comte, em 1850, encontramos tamb\u00e9m nas \u00e1reas da psicologia hodierna em que se analisa de modo mais profundo o mundo subjetivo. \u00c9 o caso dos autores de l\u00edngua alem\u00e3, em contraste com os norte-americanos, em geral, que rejeitam a designa\u00e7\u00e3o de instintos em refer\u00eancia ao homem. Leonhard, por exemplo, que n\u00e3o conhece a doutrina de Comte, distribui os instintos humanos em primitivos (Urinstinkte), e adaptados \u2013 ego\u00edsticos altru\u00edsticos, greg\u00e1rios e sociais (egotistische, altruistische, Gruppierungs, Gemeinschafsinstinkte) respectivamente. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) A esse complexo grupo de instintos, Leonhard separa do grupo dos impulsos (Triebe) e do de sentimentos (Gefuhle), como integrantes da vida afetiva. \u201cE focaliza ainda esse problema din\u00e2mico-estrutural em sentido evolutivo, ao estudar \u2013 baseado em 200 casos cl\u00ednicos \u2013 a participa\u00e7\u00e3o dos \u201cinstintos\u201d, adaptados e primitivos, na sexualidade humana\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na doutrina de Comte s\u00e3o 7 as fun\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e os instintos ego\u00edsticos, ou individualidade, e 3 as que constituem o altru\u00edsmo, ou sociabilidade. E o amadurecimento psicol\u00f3gico, paralelo \u00e0 matura\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, consiste na submiss\u00e3o gradativa e cont\u00ednua do primeiro grupo ao segundo, ambos embora inatos e n\u00e3o redut\u00edveis um ao outro. Este processo de subordina\u00e7\u00e3o como sequ\u00eancia do amadurecimento ps\u00edquico \u00e9 reconhecido por psic\u00f3logos atuais, tais como Allport: \u201cA aprendizagem, agindo sobre os instintos e a hereditariedade, leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estruturas mais ou menos est\u00e1veis, entre as quais nomeamos a consci\u00eancia moral, o autoconceito, e uma organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da personalidade. Mas tal n\u00e3o sucederia de estes est\u00e1gios n\u00e3o estivessem inclu\u00eddos em nossa natureza como possibilidades inatas\u201d. E, linhas abaixo, \u201cDesenvolver-se \u00e9 um processo que consiste em incorporar os est\u00e1gios anteriores nos posteriores; ou, quando isto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, em moderar tanto quanto se pode o conflito entre est\u00e1gios anteriores e posteriores\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Correla\u00e7\u00e3o entre fun\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os<\/strong> \u2013 Segundo lembramos ao iniciar o t\u00f3pico presente, o conjunto da afetividade n\u00e3o se liga de modo imediato ao mundo exterior. Analogamente, o instinto nutritivo, que rege toda a integra\u00e7\u00e3o vegetativa, n\u00e3o poderia estar ligado diretamente ao mundo visceral: torna-se necess\u00e1ria a exist\u00eancia de aparelhagem intermedi\u00e1ria, aut\u00f4noma de certa forma, entre aquele instinto e as v\u00edsceras. Juntamente com o da nutri\u00e7\u00e3o, o instinto de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie (sexual) representa o conjunto inferior, hierarquicamente, do grupo da individualidade: dirige a matura\u00e7\u00e3o, depois o dinamismo, das gl\u00e2ndulas sexuais em sentido lato. Essa posi\u00e7\u00e3o peculiar de ambos na esfera da personalidade fez com que a escola positivista localizasse os \u00f3rg\u00e3os correspondentes no c\u00f3rtex encef\u00e1lico menos diferenciado: as regi\u00f5es paleocerebelar e neocerebelar, respectivamente. Tal localiza\u00e7\u00e3o funcional se acha corroborada por experi\u00eancias tanto contempor\u00e2neas quanto do per\u00edodo cl\u00e1ssico das \u201cmutila\u00e7\u00f5es cerebrais\u201d, cuja discuss\u00e3o, entretanto n\u00e3o \u00e9 oportuno neste passo. Parece-nos, por\u00e9m, relevante acentuar a importante contraprova que est\u00e1 surgindo das pesquisas recentes de Weniger, em S\u00e3o Paulo. Admitindo que o c\u00e2ncer represente anomalia do processo nutritivo \u2013 como \u00e9 geralmente aceito \u2013 procura verificar geneticamente a participa\u00e7\u00e3o do cerebelo no processo cancer\u00edgeno: isto \u00e9, antes que a les\u00e3o se instale. Usa para isso camundongos de linhagem cancerosa, ainda indenes. E tem demonstrado que nesses exemplares ocorre anomalia grave das c\u00e9lulas de Purkinje, de modo significativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros instintos gradativamente menos grosseiros completam o setor ego\u00edstico da personalidade; os \u00f3rg\u00e3os cerebrais respectivos podem identificar-se nas diversas \u00e1reas do c\u00f3rtex parieto-occipital, no indiv\u00edduo humano. Finalmente, dentre os atributos ou pendores altru\u00edsticos \u2013 apego, venera\u00e7\u00e3o e bondade, este \u00faltimo corresponde a \u00f3rg\u00e3o situado na por\u00e7\u00e3o alta da convexidade frontal. Tais localiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m confirmadas por verifica\u00e7\u00f5es an\u00e1tomo-cl\u00ednicas e mesmo, no que \u00e9 cab\u00edvel, pela experimenta\u00e7\u00e3o em primatas sub-humanos e pela cirurgia cerebral humana. Deixando \u00e0 margem essa quest\u00e3o das localiza\u00e7\u00f5es funcionais no c\u00f3rtex cerebral, vejamos apenas, e em breves tra\u00e7os, outra modalidade de correla\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas. Referimo-nos \u00e0s estruturas subcorticais que medeiam entre os instintos da conserva\u00e7\u00e3o \u2013 individual e da esp\u00e9cie \u2013 e o conjunto visceral, mencionadas linhas atr\u00e1s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Substrato anat\u00f4mico da reg\u00eancia vegetativa<\/strong> \u2013 Embora s\u00f3 em \u00e9poca relativamente recente haja sido objeto de pesquisas sistem\u00e1ticas, tal aparelhagem \u00e9 j\u00e1 tamb\u00e9m conhecida, pelo menos em parte, na experimenta\u00e7\u00e3o e na cl\u00ednica. Consiste ela na chamada reg\u00eancia do sistema aut\u00f4nomo \u2013 simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico \u2013 e se processa atrav\u00e9s dos \u201cn\u00facleos vegetativos\u201d da regi\u00e3o hipotal\u00e2mica. Situados em regi\u00e3o cerebral filogeneticamente antiga, como foi dito, semelhantes n\u00facleos centroencef\u00e1licos de subst\u00e2ncia cinzenta mant\u00e9m liga\u00e7\u00f5es complexas com as estruturas vizinhas. S\u00e3o estas, conforme se acha bem estabelecido, as regi\u00f5es paleocorticais, do c\u00e9rebro: zona orbit\u00e1ria, c\u00edngulo, retro-espl\u00eanio. Mant\u00e9m-nas, tamb\u00e9m, infer\u00edamos n\u00f3s, possivelmente com os sistemas cerebelares dada a solidariedade que se manifesta na patologia. Experi\u00eancias recentes, ulteriores \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o deste cap\u00edtulo, t\u00eam confirmado de modo indubit\u00e1vel esta suposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vem ao caso coment\u00e1-las.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conquanto a experimenta\u00e7\u00e3o haja precisado correla\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas indiscut\u00edveis, as dedu\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas a respeito do dinamismo desses n\u00facleos na vida ps\u00edquica t\u00eam sido n\u00e3o raro confusas e mesmo, em nosso entender, il\u00f3gicas. A princ\u00edpio as investiga\u00e7\u00f5es an\u00e1tomo-patol\u00f3gicas, depois a neurofisiologia, e, por fim, as t\u00e9cnicas da neurocirurgia fina, revelaram que os referidos n\u00facleos celulares regulam \u2013 al\u00e9m das fun\u00e7\u00f5es sexuais em sentido lato \u2013 as trocas metab\u00f3licas viscerais, a sudorese, o calor animal, a circula\u00e7\u00e3o. Essas diferentes reg\u00eancias vegetativas competem especificamente a n\u00facleos distintos, os quais se re\u00fanem em tr\u00eas grupos no hipot\u00e1lamo: anterior, m\u00e9dio e posterior. Mais recentemente os estudos bioqu\u00edmicos puderam revelar afinidades espec\u00edficas dos diferentes n\u00facleos para com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas; e essas descobertas de laborat\u00f3rio logo se mostraram poderosos recursos terap\u00eauticos, no dom\u00ednio da psiquiatria e mesmo em dist\u00farbios emocionais n\u00e3o psic\u00f3ticos. Por outro lado, as pesquisas atinentes aos dinamismos hormonais e aos processos bioqu\u00edmicos de ativa\u00e7\u00e3o e de impedimento da transmiss\u00e3o neuronal t\u00eam dado \u00eanfase \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo no funcionamento ps\u00edquico. Sob esse \u00e2ngulo t\u00eam cabimento as considera\u00e7\u00f5es de Krapf: \u201cFinalmente \u2013 e isto nos interessa aqui especialmente \u2013 interv\u00e9m nas alternativas do estado de consci\u00eancia (vig\u00edlia, sono etc.) e codetermina a motilidade de tipo emocional (expressiva) e instintiva (impulsiva, provavelmente como esta\u00e7\u00e3o \u201ctransformadora\u201d de atividades hormonais em inerva\u00e7\u00f5es e vice-versa. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Este campo de atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u2013 que focaliza em outro cap\u00edtulo \u2013 p\u00f5e em evid\u00eancia sintomas vegetativos que decorrem de processos emocionais inconscientes e que s\u00f3 mediante a desmontagem psicoanal\u00edtica s\u00e3o pass\u00edveis de solu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As precedentes considera\u00e7\u00f5es de ordem neurovegetativa e psicofisiol\u00f3gica n\u00e3o autorizam, por\u00e9m, segundo entendemos, a concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do hipot\u00e1lamo como inst\u00e2ncia diretora da personalidade ou como sede dos fen\u00f4menos instintivo-emocionais. Semelhante ila\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, agora em voga, se exemplifica nas conclus\u00f5es de Rof Carballo: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar considerando o c\u00f3rtex como o n\u00edvel superior de integra\u00e7\u00e3o. Nele se espraiam em grande superf\u00edcie as proje\u00e7\u00f5es somatot\u00f3picas provenientes da pele, dos m\u00fasculos, dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos e, ao mesmo tempo, proje\u00e7\u00f5es somatot\u00f3picas viscerais muito menos diferenciadas, que com as anteriores estabelecem rela\u00e7\u00f5es de contiguidade. Por\u00e9m a integra\u00e7\u00e3o fundamental que cria a unidade do ser vivo se realiza fora do c\u00f3rtex e mesmo fora do c\u00e9rebro, no sistema centroencef\u00e1lico, ao articular-se a totalidade da inerva\u00e7\u00e3o visceral ou vegetativa com o sistema som\u00e1tico da vida de rela\u00e7\u00e3o\u201d. For\u00e7a \u00e9 ter presente que os n\u00facleos vegetativos do hipot\u00e1lamo s\u00e3o aut\u00f4nomos apenas em apar\u00eancia: constituem aparelhagem subordinada fundamentalmente aos instintos de nutri\u00e7\u00e3o e sexual, como dissemos no in\u00edcio. Representam esta\u00e7\u00e3o intercalada nas vias cortico-corticais entre cerebelo e c\u00e9rebro, por um lado; e, por outro, no sistema atrav\u00e9s do qual o cerebelo rege o mundo vegetativo, em que se inclui o pr\u00f3prio enc\u00e9falo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">SONO E SONHO<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estado de vig\u00edlia<\/strong> \u2013 Para que o indiv\u00edduo possa manter-se em pleno contato com o meio ambiente e agir sobre ele, indispens\u00e1vel se faz que todas as fun\u00e7\u00f5es, desde as vegetativas e as de tono muscular, at\u00e9 as subjetivas adstritas aos motores afetivos e \u00e0 cona\u00e7\u00e3o, se coloquem a servi\u00e7o das disposi\u00e7\u00f5es intelectuais. (\u201cO que \u00e9 o estado de vig\u00edlia?\u201d) &#8220;Essa integra\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica do mundo interno caracteriza o que se denomina vig\u00edlia ou estado de alerta.&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Como \u00e9 sobejamente conhecido, semelhante estado flutua continuamente em intensidade, na depend\u00eancia de numerosos fatores subjetivos e ambientais, cuja inter-rela\u00e7\u00e3o oferece extensa varia\u00e7\u00e3o individual. Entre este vem em primeiro plano o desgaste de energia f\u00edsica e de tens\u00e3o psicol\u00f3gica. Da\u00ed o dinamismo do sono, necessidade fundamental para a conserva\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Esta considera\u00e7\u00e3o basta para evidenciar que o sono constitui fen\u00f4meno positivo e permite desde logo classific\u00e1-lo como atributo filiado ao instinto de nutri\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Din\u00e2mica do sono<\/strong> \u2013 J\u00e1 n\u00e3o t\u00eam sentido as indaga\u00e7\u00f5es sobre as causas do sono \u2013 em condi\u00e7\u00f5es normais \u2013 como se consistiriam em fen\u00f4meno t\u00f3xico, ou em simples situa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica condicionada, por exemplo. Da mesma forma, n\u00e3o se justifica as discuss\u00f5es mais metaf\u00edsicas que fisiol\u00f3gicas, que prevaleceram por algum tempo, acerca da periodicidade do fen\u00f4meno: a manifesta\u00e7\u00e3o r\u00edtmica representa o apan\u00e1gio dos processos vegetativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na incid\u00eancia normal da fun\u00e7\u00e3o h\u00edpnica cessa por completo o contato, em sentido eferente, com o meio exterior; \u00e9 isto n\u00e3o s\u00f3 no dom\u00ednio subjetivo, pois tamb\u00e9m se abate o tono da musculatura preposta \u00e0 vida de rela\u00e7\u00e3o e diminui os reflexos osteo-tendinosos. A essa apar\u00eancia exterior de inexcitabilidade corresponde, realmente, diminui\u00e7\u00e3o profunda \u2013 embora vari\u00e1vel com a fase do sono, da atividade cortical; o que \u00e9 hoje facilmente evidenci\u00e1vel mediante a eletroencefalografia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00edntima solidariedade entre tonicidade muscular, motilidade intencional, vig\u00edlia e afetividade, \u00e9 demonstrada de modo extraordinariamente claro nas experi\u00eancias em que W. R. Hess excita o hipot\u00e1lamo, no gato, mediante o est\u00edmulo el\u00e9trico. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Comentando este aspecto de experimenta\u00e7\u00e3o, conclui Hess: \u201cTal reciprocidade na din\u00e2mica de grupo (teamwork) entre v\u00e1rios n\u00edveis funcionais, nada tem de extraordin\u00e1rio, entretanto: antes, constitui lei b\u00e1sica de fun\u00e7\u00f5es sin\u00e9rgicas ou, pelo menos, da coordena\u00e7\u00e3o delas\u201d. Igualmente ilustrativas a esse respeito, quanto \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o e quanto ao est\u00edmulo gradativos, da atividade bioel\u00e9trica cortical, da vig\u00edlia e da tonicidade muscular, como fen\u00f4menos correlatos, encontramos as demonstra\u00e7\u00f5es de Magoun relativas \u00e0 chamada estrutura reticular.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sonho<\/strong> \u2013 Na fase de despertar, a atividade do c\u00f3rtex reaparece gradativamente, antes que o indiv\u00edduo retome contacto com o ambiente. Os motores afetivos constituem ent\u00e3o o \u00fanico est\u00edmulo de semelhante atividade; o trabalho mental assim despertado \u2013 o sonho \u2013 constitui por isso excelente via de acesso ao mundo instintivo. Se o desgaste de energia muscular foi insuficiente ou se problemas afetivos \u2013 conscientes ou inconscientes \u2013 preocupam o indiv\u00edduo, o c\u00e9rebro n\u00e3o atinge a fase de repouso completo e a atividade on\u00edrica o exprimir\u00e1. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Seria deslocado entrarmos no dinamismo psicol\u00f3gico dos sonhos ou no significado da pr\u00f3pria dramatiza\u00e7\u00e3o on\u00edrica. Cumpre, todavia, salientar que s\u00e3o os problemas instintivos, principalmente ligados \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o e \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es sexuais, que a\u00ed se exteriorizam, embora sob disfarces que a psican\u00e1lise codificou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Correla\u00e7\u00e3o estrutural <\/strong>\u2013 A pesquisa anatomopatol\u00f3gica em casos de encefalite epid\u00eamica com manifesta\u00e7\u00f5es de letargia predominante revelou existir no hipot\u00e1lamo um n\u00facleo regulador da fun\u00e7\u00e3o h\u00edpnica. Tal n\u00facleo se situa sob o assoalho do terceiro ventr\u00edculo, prolongando-se para tr\u00e1s at\u00e9 o n\u00edvel do aqueduto de Silvio. Esta localiza\u00e7\u00e3o, entre o grupo posterior dos n\u00facleos vegetativos do hipot\u00e1lamo, demonstra a natureza da fun\u00e7\u00e3o em apre\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>SENSA\u00c7\u00c3O. PERCEP\u00c7\u00c3O.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deixando de parte o setor conativo da personalidade, em que as correla\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas exigiriam coment\u00e1rios mais extensos para se tornarem compreens\u00edveis, faremos algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a outra zona de contato com o ambiente: as fun\u00e7\u00f5es intelectuais e, especificamente, o trabalho sensorial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 atrav\u00e9s dos sentidos que o intelecto se liga, em dire\u00e7\u00e3o centr\u00edpeta, com a realidade exterior, no duplo mister de corrigir as concep\u00e7\u00f5es e prever os fen\u00f4menos. Cada sentido contribui a seu modo para a no\u00e7\u00e3o do mundo externo e, dessa maneira, para a pr\u00f3pria sistematiza\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias, em \u00faltima an\u00e1lise. Da\u00ed o n\u00famero de categorias sensoriais, que os autores em geral ainda fixam em cinco, muito embora a cl\u00ednica e a pesquisa anatomopatol\u00f3gica j\u00e1 houvessem demonstrado, de h\u00e1 muito, que o tacto em sentido lato compreende quatro sentidos. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Blainville, citado por Souza, subdividia o tacto em tr\u00eas categorias, desde 1829. Comte, secundado pelo eminente disc\u00edpulo Audiffrent, desmembrou do tacto n\u00e3o s\u00f3 as categorias calori\u00e7\u00e3o e muscula\u00e7\u00e3o \u2013 como Blainville \u2013, por\u00e9m tamb\u00e9m a eletri\u00e7\u00e3o. Existem, portanto, oito categorias sensoriais, e n\u00e3o cinco. O professor Agliberto Xavier as classificou segundo a especificidade, conforme a sinopse publicada por Souza e que data v\u00eania reproduzimos:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/K3zSHaNmWPDVd-yLFqBzw8MdIq0biWCjQJj6dfCfru6iCEQ497e6yGdtM8ITXVgbg4IoCjTnd38q6FR_2fFy0iarWqZ97fc8Iju-_1J11FmqBPK0zrzcGjXJGYgO9KrdS1vy-9q2x1_z9Kau7x0dWA\" alt=\"DiagramaDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em qualquer dessas categorias sensoriais o trabalho fundamental se desdobrar\u00e1 em tr\u00eas fases e pressup\u00f5e a exist\u00eancia de tr\u00eas tipos distintos de estrutura: (1) \u00f3rg\u00e3o perif\u00e9rico, sobre o qual incide o est\u00edmulo: donde resulta a impress\u00e3o sensorial; (2) elementos de condu\u00e7\u00e3o \u2013 nervo sensorial, ou sensitivo \u2013 que efetuam a transmiss\u00e3o do est\u00edmulo; (3) n\u00facleo cinzento sensorial, subcortical, que recebe o est\u00edmulo atrav\u00e9s dessas vias nervosas, donde sensa\u00e7\u00e3o propriamente dita. &#8220;Entretanto, para que o aparelho sensorial preencha a finalidade que lhe \u00e9 caracter\u00edstica essas fases preliminares n\u00e3o bastam.&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) A sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se torna consciente sem que sobre ela incida o trabalho especificamente intelectual, isto \u00e9, sem que haja percep\u00e7\u00e3o. Isto implica em mais dois tempos, pelo menos, e, em consequ\u00eancia, na extens\u00e3o do trabalho a dois novos tipos de estrutura; (4) a condu\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das vias sensitivas intracerebrais, isto \u00e9, cortico-subcorticais, e (5) exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica de observa\u00e7\u00e3o, adstrita a determinadas \u00e1reas do c\u00f3rtex frontal. &#8220;Assim, entre o est\u00edmulo perif\u00e9rico e a rea\u00e7\u00e3o intelectual a ele ter\u00edamos os seguintes passos principais: impress\u00e3o sensorial, imagem sensorial (sensa\u00e7\u00e3o), imagem prim\u00e1ria (percep\u00e7\u00e3o).&#8221; (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, o problema psicofisiol\u00f3gico se mostra muito mais complexo, tanto pelo dinamismo quanto pelas estruturas envolvidas no processo. Primeiramente, como fen\u00f4meno intelectual essencialmente ativo, a percep\u00e7\u00e3o depende do interesse, ou seja, da motiva\u00e7\u00e3o afetiva que a determinou; e decorre da polariza\u00e7\u00e3o do interesse para o est\u00edmulo em causa. Subentende, assim, a participa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via das esferas afetiva e conativa da personalidade. No plano anat\u00f4mico, devemos lembrar a concep\u00e7\u00e3o de Audiffrent, hoje plenamente sancionada pela anatomia cerebral e pela neurofisiologia: estabelece que de cada n\u00facleo sensorial partem dois feixes de conex\u00e3o, respectivamente para a regi\u00e3o intelectual do c\u00e9rebro (c\u00f3rtex frontal) e para a regi\u00e3o afetiva (c\u00f3rtex parietal, t\u00eamporo-parietal ou occipital, ou mesmo cerebelar). Discutir a identifica\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos cinzentos em apre\u00e7o, ou pormenorizar outros aspectos pertinentes ao assunto, importariam em transpor os limites desta exposi\u00e7\u00e3o. Procuramos, por\u00e9m, resumir essa interpreta\u00e7\u00e3o din\u00e2mica com o esquema da figura 8.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/CL8W8f1HsmS_gw4gVP87srjAVJwavlO53x8mAKWfckVa66nmUIQlT0AUZLcCbaOqJyf4qvwdon9uyzUXlha3TMsvc84sqMVOMfZ4KRv95FrEnd6h1bpwijTb5VuHy_bhHb6LsBRyEIQb4YjBwnNiPQ\" alt=\"Esquema 6 - psicologia fisiol\u00f3gica.jpg\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Focalizamos a\u00ed o sentido da vis\u00e3o por ser o mais caracter\u00edstico da organiza\u00e7\u00e3o humana, em consequ\u00eancia, aquele cujos dinamismo se acham melhor conhecidos. Segundo essa concep\u00e7\u00e3o o fen\u00f4meno da percep\u00e7\u00e3o propriamente dito consiste na fus\u00e3o, ao n\u00edvel do c\u00f3rtex frontal, entre o influxo carreado diretamente pela vibra\u00e7\u00e3o do n\u00facleo subcortical e o influxo que este \u00faltimo ali faz chegar atrav\u00e9s do c\u00f3rtex posterior. Desta s\u00e9rie de processos decorrem outros aspectos que pode assumir a imagem prim\u00e1ria: o da evoca\u00e7\u00e3o, ou imagem mn\u00eamica, ou recordada, dinamismo no qual o est\u00edmulo inicial parte da regi\u00e3o afetiva para a intelectual e da\u00ed para o n\u00facleo subcortical correspondente; o da ilus\u00e3o sensorial, em que a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 falseada afetivamente porque a resson\u00e2ncia afetiva ou emocional sobrepuja o est\u00edmulo direto concomitante; o da alucina\u00e7\u00e3o \u2013 imagem alucinat\u00f3ria \u2013 quando anormalmente o est\u00edmulo afetivo faz vibrar o n\u00facleo subcortical ao mesmo tempo que ativa a regi\u00e3o intelectual \u2013 donde o n\u00e3o reconhecimento quanto \u00e0 subjetividade da imagem. Nesta s\u00e9rie de fen\u00f4menos psicofisiol\u00f3gicos, os dois extremos, percep\u00e7\u00e3o normal e alucina\u00e7\u00e3o, t\u00eam em comum, portanto a fus\u00e3o dos dois influxos sensoriais, direto e indireto; e apenas diferem \u2013 no tocante \u00e0 din\u00e2mica \u2013 quanto \u00e0 origem do est\u00edmulo que deu margem ao reconhecimento. Ao que nos parece \u00e9 a este aspecto distintivo que se refere Hughlings-Jackson, segundo a men\u00e7\u00e3o de Russell Brain, o qual lhe endossa a interpreta\u00e7\u00e3o: \u201cAs percep\u00e7\u00f5es normais, para Jackson, \u201csimbolizam\u201d um mundo de objetos f\u00edsicos. Percep\u00e7\u00f5es ilus\u00f3rias ou alucinat\u00f3rias diferem das normais, n\u00e3o na qualidade perceptual, mas no malogro (failure) do valor simb\u00f3lico. Elas j\u00e1 n\u00e3o simbolizam de modo acurado, ou talvez de modo algum, os objetos f\u00edsicos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Buscaine descreve claramente a participa\u00e7\u00e3o de vias intracerebrais e principalmente a fus\u00e3o entre imagens subjetivas e est\u00edmulos perif\u00e9ricos no fen\u00f4meno da percep\u00e7\u00e3o. Considera, entretanto, a retina com sede desta converg\u00eancia, o que n\u00e3o nos parece defens\u00e1vel: \u201cDurante o fen\u00f4meno da vis\u00e3o consciente os est\u00edmulos que sobem da periferia suscitam mais ou menos nitidamente as recorda\u00e7\u00f5es, pondo em atividade os agrupamentos celulares e as vias nos quais se concretiza a lat\u00eancia das imagens; e determinam, atrav\u00e9s dos mecanismos centroperif\u00e9ricos, varia\u00e7\u00f5es at\u00e9 na periferia retiniana. Portanto, no decorrer do fen\u00f4meno da percep\u00e7\u00e3o a periferia retiniana recebe os est\u00edmulos do mundo externo, e ao mesmo tempo os prov\u00eam do mundo cerebral do indiv\u00edduo. A retina funciona, assim, quase como uma tela para aparelhos de proje\u00e7\u00e3o, numa de cujas faces se projetasse uma imagem enquanto outra se projeta na face oposta. O \u201ccoincidir\u201d de ambas as \u201cimagens\u201d \u2013 a considerar-se n\u00e3o no sentido grosseiramente \u00f3ptico do termo, mas como complexo de processos nervosos particulares \u2013 leva ao reconhecimento\u201d.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>ELABORA\u00c7\u00c3O. LINGUAGEM.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A imagem sensorial, como a referimos no item anterior, resulta da incid\u00eancia de v\u00e1rios est\u00edmulos sensoriais, produzidos simultaneamente pelo mesmo fen\u00f4meno ou pelo mesmo ser, por\u00e9m atrav\u00e9s de sentidos diferentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dissocia\u00e7\u00e3o subjetiva desses v\u00e1rios elementos \u2013 abstra\u00e7\u00e3o ou contempla\u00e7\u00e3o abstrata \u2013 representa modalidade fundamental da elabora\u00e7\u00e3o intelectual; da\u00ed resulta uma imagem prim\u00e1ria, n\u00e3o elaborada. O reagrupamento ulterior dos diferentes fatores dissociados \u2013 do qual adv\u00e9m a reconstitui\u00e7\u00e3o subjetiva do ser exterior \u2013 constitui opera\u00e7\u00e3o intelectual mais complexa, a contempla\u00e7\u00e3o concreta. Desta maneira, como o mostra Audiffrent, a imagem do mundo externo n\u00e3o resulta diretamente do est\u00edmulo sensorial. Trata-se, todavia, de imagem primariamente ligada ao exterior: tanto num caso como em outro ocorreu a percep\u00e7\u00e3o. O trabalho de elabora\u00e7\u00e3o ainda mais diferenciado \u2013 racioc\u00ednio indutivo e dedutivo \u2013 levar\u00e1 essas no\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias a nova modalidade de imagem, constru\u00edda mediante os processos de assimila\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o: imagem subjetiva por excel\u00eancia. Essas diferentes fases de elabora\u00e7\u00e3o, de que resultam os v\u00e1rios tipos de imagem, dependem de \u00f3rg\u00e3os cerebrais distintos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o do pensamento, a seu turno, exige novo aperfei\u00e7oamento da imagem, resultante da contra\u00e7\u00e3o desta, sob o est\u00edmulo afetivo. A rela\u00e7\u00e3o constante entre a sensa\u00e7\u00e3o e a contra\u00e7\u00e3o correspondente constitui o sinal na acep\u00e7\u00e3o de Comte. Semelhante aperfei\u00e7oamento l\u00f3gico constitui apan\u00e1gio do grau mais elevado do racioc\u00ednio: o pensamento l\u00f3gico ou do simbolismo abstrato. Todavia, o sinal pode resultar tamb\u00e9m da imagem em fase ainda n\u00e3o destitu\u00edda da carga afetiva \u2013 a imagem prim\u00e1ria. Cumpre ainda lembrar que cada est\u00edmulo sensorial desencadeia na realidade uma s\u00e9rie de imagens prim\u00e1rias, uma central, que prevalece, e outras acess\u00f3rias, suscitadas pela resson\u00e2ncia afetiva. Estas \u00faltimas n\u00e3o chegam \u00e0 percep\u00e7\u00e3o normal, pois n\u00e3o se transmitem com a principal \u00e0 zona intelectual do c\u00f3rtex, mas se det\u00e9m na zona afetiva correspondente. Para n\u00e3o nos estendermos a respeito desses dinamismos intelectuais, procuramos reuni-los no quadro anexo III, que alteramos ligeiramente ap\u00f3s a primeira edi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/BrZnu8URfraz0jcZzEaUIJ4cW8JdRELff5P0j_22Yeu7VNZHXQ-hlkehvpJM3TV3Uw4P90A6PbDHdwVjzV41d8y0HkZtf1beB_Ojjqsk0ZFJLK14NxFKDepV6sRasXsIPi-DFaWyA55HdVzZFATbYw\" alt=\"Diagrama, Esquem\u00e1ticoDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A express\u00e3o ou linguagem constitui fun\u00e7\u00e3o intelectual espec\u00edfica e exige, pois, um \u00f3rg\u00e3o independente. N\u00e3o somente rege a exterioriza\u00e7\u00e3o do estado subjetivo, como assiste o trabalho intelectual de elabora\u00e7\u00e3o mediante a institui\u00e7\u00e3o dos sinais, como foi dito h\u00e1 pouco. \u00c9 isto que permite \u00e0 mente humana formular os pensamentos abstratos por excel\u00eancia e chegar \u00e0s mais arrojadas generaliza\u00e7\u00f5es, que culminam com a formula\u00e7\u00e3o das leis cient\u00edficas. Esta mesma espec\u00edfica fun\u00e7\u00e3o da linguagem na constru\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica \u00e9 admitida recentemente por Hess, que de resto n\u00e3o conhece a doutrina de Comte: \u201cFinalmente, \u00e9 de import\u00e2ncia decisiva para o desenvolvimento de capacidades intelectuais o emprego de s\u00edmbolos para determinados conte\u00fados da consci\u00eancia. Por esse meio podem objetivar-se interdepend\u00eancias quantitativas e qualitativas. A transi\u00e7\u00e3o que leva do \u00e1baco (Zahlrahmen) para o c\u00e1lculo mental com n\u00fameros abstratos e ainda para o c\u00e1lculo escrito, demonstra a liga\u00e7\u00e3o entre trabalho mental e manipula\u00e7\u00e3o, mediante representantes concretos. Ao mesmo tempo faz-se conhecer como \u00e9 poss\u00edvel, pelo emprego de s\u00edmbolos, dominar rela\u00e7\u00f5es complexas e ampliar a fun\u00e7\u00e3o do intelecto at\u00e9 a regi\u00f5es que ultrapassam a limitada capacidade humana de representa\u00e7\u00e3o mental (Vorstellungsvermogen). Exemplos disto s\u00e3o o tratamento e a solu\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica de problemas de F\u00edsica, bem como o espantoso sucesso na objetiva\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de conte\u00fados de consci\u00eancia sob o aspecto de f\u00f3rmulas qu\u00edmicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o estabelecimento do trabalho intelectual a este n\u00edvel concorrem, portanto, como foi lembrado, todos os atributos subjetivos: desde os afetivos b\u00e1sicos \u2013 os da animalidade \u2013 at\u00e9 as qualidades conativas e as fun\u00e7\u00f5es mentais de elabora\u00e7\u00e3o. Entretanto, e justamente por isto, na express\u00e3o se refletem graus diversos de elabora\u00e7\u00e3o, que utilizam de v\u00e1rio modo o dinamismo cerebral. Da\u00ed a complexidade que caracteriza os dist\u00farbios da linguagem, o que se traduz pelas numerosas classifica\u00e7\u00f5es das afasias e das apraxias, cuja revis\u00e3o ainda n\u00e3o chegou ao termo, bem como pela patologia da leitura, da escrita e do c\u00e1lculo. Na verdade, parece-nos que em todas essas ocorr\u00eancias cl\u00ednicas o que est\u00e1 em causa \u00e9 o pensamento abstrato.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, na pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica linguagem h\u00e1 que distinguir tr\u00eas n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o. Basta recordar as correla\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas da ontog\u00eanese e da filog\u00eanese para verificar que a express\u00e3o m\u00edmica se prende a fatores t\u00e3o elementares da personalidade que ela j\u00e1 se manifesta em rudimento nos insetos, aperfei\u00e7oando-se ao m\u00e1ximo nos primatas; a for\u00e7a verbal depende da organiza\u00e7\u00e3o humana, mas ocorre logo no in\u00edcio da vida extrauterina, ao passo que a forma gr\u00e1fica \u2013 por mais abstrata \u2013 requer a matura\u00e7\u00e3o de zonas diferenciadas da personalidade. Assim se compreende que as altera\u00e7\u00f5es cerebrais org\u00e2nicas possam com maior facilidade acarretar afasias de compreens\u00e3o do tipo da que Wernicke isolou, que das de tipo motor, embora tal peculiaridade seja em geral mascarada pelo d\u00e9ficit concomitante de outras fun\u00e7\u00f5es intelectuais. Para que a utiliza\u00e7\u00e3o da express\u00e3o m\u00edmica se impossibilite \u00e9 mister que as les\u00f5es se assestem em \u00e1reas ligadas ao dinamismo afetivo mais profundo. Essas distin\u00e7\u00f5es ressaltam com maior nitidez quanto a pesquisa se estende a grande n\u00famero de pacientes, estudados sob crit\u00e9rio rigoroso, como o fizeram Weisenburg e MacBride. Tendo verificado que as provas de Head para afasia revelavam falhas mesmo em adultos n\u00e3o af\u00e1sicos e de n\u00edvel superior, Weisenburg organizou extensa lista de outras em bateria, com a qual estudou 84 af\u00e1sicos, por\u00e9m com les\u00f5es cerebrais e a de 85 adultos \u2013 provenientes de ambiente hospitalar compar\u00e1vel \u2013 indenes sob o aspecto neurops\u00edquico. E, para s\u00f3 nos referirmos ao t\u00f3pico em causa, tal investiga\u00e7\u00e3o revelou aquela propor\u00e7\u00e3o decrescente entre os dist\u00farbios da compreens\u00e3o e os da articula\u00e7\u00e3o; e ao mesmo tempo confirmou que as perturba\u00e7\u00f5es dos af\u00e1sicos excedem de muito defici\u00eancia de rea\u00e7\u00e3o verbal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos assim que mesmo em refer\u00eancia \u00e0 linguagem, fun\u00e7\u00e3o intelectual \u00fanica, \u00e9 ilus\u00f3rio pretender \u201clocalizar\u201d o dist\u00farbio ps\u00edquico em determinado foco de les\u00e3o cerebral. Muito menos admiss\u00edvel, \u00e0 luz da fisiologia cerebral, \u00e9 pesquisar tais \u201clocaliza\u00e7\u00f5es\u201d no \u00e2mbito de opera\u00e7\u00f5es mentais complexas como aquelas que assinalarmos no quadro III na coluna direita. Conforme procuramos resumir ali, aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, consci\u00eancia, resultam do entrosamento, em grau diverso, de outros processos \u2013 n\u00e3o fun\u00e7\u00f5es simples \u2013 mentais, que registramos na 3.\u00aa coluna. Cada uma daquelas atividades complexas subentende, pois, a coopera\u00e7\u00e3o das tr\u00eas esferas da personalidade, como quisemos frisar linhas atr\u00e1s. Al\u00e9m disso, correspondem n\u00e3o a dinamismos cerebrais independentes, mas, ao contr\u00e1rio, a processos intimamemnte entrela\u00e7ados. Da mesma forma que n\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia sem o complexo fen\u00f4meno da aten\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o ocorre este \u00faltimo sen\u00e3o na vig\u00eancia daquela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta condi\u00e7\u00e3o de entrela\u00e7amento harm\u00f4nico de fun\u00e7\u00f5es para que se processe qualquer trabalho mental constitui o principal argumento da chamada psicologia hol\u00edstica (Ganzheitspsychologie). Estudando a participa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria na integra\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno percep\u00e7\u00e3o diz Ehrenstein: \u201c&#8230;embora possam ser muito diversos os graus de consci\u00eancia em que a experi\u00eancia pr\u00e9via incide sobre a experi\u00eancia atual, nunca est\u00e1 em causa a simples adi\u00e7\u00e3o de recorda\u00e7\u00f5es a uma percep\u00e7\u00e3o; muito mais que isso, ambas as partes se fundem completamente em uma qualidade complexa, \u00edntima e unit\u00e1ria, e na maioria das vezes n\u00e3o se pode separar do que deve ser atribu\u00eddo \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es perceptuais inatas aquilo que cabe \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o \u2013 e que frequentemente permanece inconsciente. A mem\u00f3ria participa de cada percep\u00e7\u00e3o, sem que se trate de recorda\u00e7\u00e3o consciente. A mem\u00f3ria consciente constitui apenas fra\u00e7\u00e3o do conjunto de fun\u00e7\u00f5es mn\u00eamicas (Gedachtnisleistungen)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Semelhante distin\u00e7\u00e3o entre disposi\u00e7\u00f5es subjetivas inatas \u2013 isto \u00e9, inerentes \u00e0 estrutura subjetiva, dizemos n\u00f3s \u2013 e condi\u00e7\u00f5es resultantes do exerc\u00edcio delas, parece estar claramente definida nas concep\u00e7\u00f5es de Hughings-Jackson citadas por Denis Williams; Williams reporta a Herbert Spencer (Hubert, sic.), e, portanto \u2013 fazemos notar aqui \u2013 \u00e0 escola de Comte, as concep\u00e7\u00f5es jacksonianas que situam o homem em categoria particular. \u201cIsto aparece claramente quando distinguem consci\u00eancia subjetiva e consci\u00eancia objetiva. A primeira \u00e9 no\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio no sentido amplo e mais elevado; a segunda, a do ambiente interpretada pelo pr\u00f3prio indiv\u00edduo\u201d. Atualizando tal distin\u00e7\u00e3o e colocando-a em outras bases, Williams interpreta a consci\u00eancia como estado subjetivo e n\u00e3o como fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e a desdobra em dois componentes: capacidade de reconhecer (awareness) e a capacidade de reagir (reactivity). Ademais, introduziu nesse conceito o aspecto din\u00e2mico localizat\u00f3rio posto em evid\u00eancia pelas pesquisas de Magoun principalmente (ver refer\u00eancia neste cap\u00edtulo). A primeira estaria ligada ao dinamismo cortical, esta outra ao tronco cerebral: \u201cO paciente perdeu a capacidade de reagir (reactivity) a modifica\u00e7\u00f5es do ambiente, mas reagir\u00e1 parcialmente se a iniciativa for propiciada pelo comando, e mant\u00e9m o reconhecimento (awareness) e a atividade reflexa. Em termos deste artigo, estado de consci\u00eancia do paciente \u00e9 perturbado pela redu\u00e7\u00e3o global da capacidade de reagir (reactivity) com uma les\u00e3o limitada ao tegmento central do c\u00e9rebro m\u00e9dio\u201d Na nossa opini\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 adequado \u201clocalizar\u201d dinamismos assim vagos e gerais, um no tronco cerebral, outro em todo o c\u00f3rtex, e realmente nada tem isso a ver com \u201clocaliza\u00e7\u00e3o\u201d de consci\u00eancia. Todavia \u00e9 aceit\u00e1vel e real o aspecto din\u00e2mico, isto \u00e9, a verifica\u00e7\u00e3o de que estruturas diencef\u00e1licas transmitem o est\u00edmulo para toda a atividade cortical. Compreende-se isto, neurofisiologicamente, uma vez que tais estruturas subcorticais se integram no dinamismo geral de ativa\u00e7\u00e3o a um tempo metab\u00f3lica e ps\u00edquica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos como duplamente falseada \u2013 pelo conceito vago e pela interpreta\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de fatos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos \u2013 a conclus\u00e3o de Alford: \u201cSumariando, pois, o que foi evidenciado neste cap\u00edtulo, aparece que o toldamento de consci\u00eancia ou a dem\u00eancia, ou ambos, s\u00f3 s\u00e3o produzidos por les\u00f5es prevalentemente destrutivas quando estas se localizam na regi\u00e3o do t\u00e1lamo esquerdo. E considerando toda a evid\u00eancia sobre a localiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es mentais, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que todas elas, ou quase todas, a\u00ed est\u00e3o da mesma forma reunidas e localizadas\u201d. Tal maneira de \u201clocalizar\u201d fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas \u2013 mesmo que estas se considerassem em sentido estrito \u2013 fora do c\u00f3rtex encef\u00e1lico representa grave desvio \u00e0 luz da neurofisiologia, pois j\u00e1 se tornou anacr\u00f4nica no s\u00e9culo XIX, ao surgir a doutrina de Gall. Tal doutrina atribu\u00eda as fun\u00e7\u00f5es mentais ao manto cortical, conforme acentua judiciosamente Berger: \u201cFranz Joseph Gall, o fundador de Frenologia, tantas vezes injuriado, era excelente anatomista do c\u00e9rebro e instituiu conhecimentos precisos em fisiologia e tamb\u00e9m na cl\u00ednica das doen\u00e7as cerebrais. Demonstrou ele, baseado nos fatos cl\u00ednicos, que n\u00e3o \u00e9 simplesmente o c\u00e9rebro todo, por\u00e9m predominantemente a crosta cinzenta do c\u00e9rebro, denominada c\u00f3rtex cerebral, o que constitui o local que se relaciona com os processos mentais. J\u00e1 com essa verifica\u00e7\u00e3o, que todas as pesquisas ulteriores t\u00eam unanimemente confirmado, prestou imorredouro servi\u00e7o para nossa ci\u00eancia\u201d. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Retomando o tema das correla\u00e7\u00f5es funcionais apresentadas no quadro III, \u00e9 preciso notar que a percep\u00e7\u00e3o s\u00f3 desperta o interesse do indiv\u00edduo \u2013 e, portanto, s\u00f3 determina aten\u00e7\u00e3o quando associada ao processo da simboliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muito expressivas a esse respeito duas experi\u00eancias citadas por Frances.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRiesen criou dois chipanz\u00e9s at\u00e9 a idade de dezesseis meses em completa escurid\u00e3o, e os mergulhou, de repente, em ambiente luminoso. Pode notar neles a aus\u00eancia de sinais de atividade visual, exceto o reflexo pupilar e o nistagmo. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Todos os componentes ligados \u00e0 percep\u00e7\u00e3o visual -reconhecimento de objetos, da alimenta\u00e7\u00e3o, piscamento desencadeado pelo deslocamento de objetos diante dos olhos \u2013 estavam ausentes. Hayes realizou a contraprova destas observa\u00e7\u00f5es, com um chipanz\u00e9 que educou no pr\u00f3prio lar. N\u00e3o s\u00f3 o jovem animal se orientava quanto aos objetos e a lugares, mas se mostrava capaz, aos tr\u00eas anos de idade, de reconhecer a significa\u00e7\u00e3o de imagens: vendo numa revista a figura de um rel\u00f3gio, aplicou a\u00ed o ouvido; no caso de um fracasso de bebida levou o dono \u00e0 cozinha e designou o m\u00f3vel em que se encontravam os vinhos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>FEN\u00d4MENOS PS\u00cdQUICOS E ATIVIDADE BIOEL\u00c9TRICA DO C\u00c9REBRO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A correspond\u00eancia entre atividade psicol\u00f3gica e dinamismo fisiol\u00f3gico \u00e9 ainda evidenciada por novos m\u00e9todos de investiga\u00e7\u00e3o neurofisiol\u00f3gica e cl\u00ednica. Referimo-nos ao registro das ondas bioel\u00e9tricas cerebrais \u2013 o denominado eletroencefalograma. Sob o aspecto propriamente top\u00edstico, a fisiologia normal, a patologia neuropsiqui\u00e1trica e a neurofisiologia experimental demonstram que as oscila\u00e7\u00f5es de potencial est\u00e3o ligadas \u00e0 atividade funcional do c\u00f3rtex cerebral. Em sentido din\u00e2mico, tem sido poss\u00edvel revelar a depend\u00eancia da atividade bioel\u00e9trica cortical para com os n\u00facleos hipotal\u00e2micos. Compreende-se isto facilmente, pois as manifesta\u00e7\u00f5es de atividades bioel\u00e9tricas nada mais representam que resultante de processo vegetativo: sen\u00e3o correlato \u2013 necess\u00e1ria embora \u2013 do dinamismo ps\u00edquico, por\u00e9m n\u00e3o decorr\u00eancia direta dele. \u00c9 de esperar-se que principalmente o aglomerado celular hipotal\u00e2mico que rege a vig\u00edlia centralize o est\u00edmulo de atividade bioel\u00e9trica cortical; e, pelas mesmas considera\u00e7\u00f5es invocadas nos t\u00f3picos precedentes, que em \u00faltima an\u00e1lise se origine do c\u00f3rtex cerebelar o influxo em causa. E efetivamente, Magoun, que a princ\u00edpio demonstrara os efeitos de est\u00edmulos e de inibi\u00e7\u00e3o sobre a atividade cortical, exercidos pela subst\u00e2ncia reticular, estendeu a origem de ambos os fen\u00f4menos ao c\u00f3rtex do cerebelo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao ponto de partida dos impulsos bioel\u00e9tricos, admite Kornmuller apoiado na experimenta\u00e7\u00e3o, que tal atividade \u2013 como a excitabilidade em geral \u2013 advenha dos elementos neurogliais: o extrato lipo\u00eddico do c\u00e9rebro de coelhos submetidos ao choque cerebral el\u00e9trico, provocou quando injetado no animal de contraprova, acentuada ativa\u00e7\u00e3o no eletroencefalograma do \u00faltimo. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente limitado \u00e0s pesquisas de neurofisiologia, o tra\u00e7ado da atividade bioel\u00e9trica cerebral logo se transferiu para a cl\u00ednica \u2013 onde constitui recurso de extraordin\u00e1rio alcance \u2013 sem, contudo, perder o lugar privilegiado no laborat\u00f3rio. Para efeitos cl\u00ednicos, dois tipos de frequ\u00eancia normal de tais ondas representam elemento de refer\u00eancia: o ritmo mais lento ou \u03b1 \u2013 8,5 ciclos a 12 por segundo, e o ritmo \u03b2 \u2013 12 ciclos a 25 por segundo. Semelhantes ritmos n\u00e3o se distribuem indiferentemente no conjunto tra\u00e7ado: um deles predomina, conforme a regi\u00e3o cerebral considerada, obedecendo, portanto, \u00e0 varia\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Tal distribui\u00e7\u00e3o regional, de conhecimento corrente na cl\u00ednica, pode demonstrar-se experimentalmente, gra\u00e7as aos estudos minuciosos de Kornmuller, como fun\u00e7\u00e3o da diversidade na estrutura das diferentes \u00e1reas cerebrais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Examinando-se o tra\u00e7ado em s\u00e9rie no mesmo indiv\u00edduo e desde os per\u00edodos iniciais da vida extrauterina verifica-se que o ritmo r\u00e1pido tende a predominar \u00e0 medida que aumente a idade. No caso do homem, entre o nascimento e a puberdade no sentido do padr\u00e3o lento para o r\u00e1pido. Est\u00e1 demonstrado que esta acelera\u00e7\u00e3o no ritmo acompanha o processo de mieliniza\u00e7\u00e3o do manto cortical; mas outros fatores interferem por certo para acelerar a frequ\u00eancia da atividade cortical, pois mesmo at\u00e9 os 10 anos de idade n\u00e3o \u00e9 excepcional que o ritmo fique abaixo de 7 ciclos por segundo. Possivelmente, acreditamos n\u00f3s, a subordina\u00e7\u00e3o do c\u00f3rtex aos dinamismos reguladores subcorticais representar\u00e1 uma dessas condi\u00e7\u00f5es. A partir da adolesc\u00eancia, em condi\u00e7\u00f5es normais, o tra\u00e7ado assume o feitio pr\u00f3prio a cada indiv\u00edduo. Pode ent\u00e3o definir-se \u2013 quanto \u00e0 atividade b\u00e1sica \u2013 como de tipo \u03b1 ou \u03b2, isto \u00e9, como dominado pelos ritmos que Berger descrevera, ou ent\u00e3o como r\u00e1pido ou como lento. A esse \u00faltimo tipo, em que a frequ\u00eancia \u00e9 inferior a 8 ciclos por segundo, os autores, em geral, denominam \u03b4 (delta); cumpre, por\u00e9m, lembrar que G. Walter emprega distin\u00e7\u00e3o muito mais precisa e reserva a designa\u00e7\u00e3o \u03b4 para a frequ\u00eancia inferior a 4 ciclos, denominando \u03b8 (teta) \u00e0 faixa de 4 ciclos a 7 por segundo. Semelhante classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ociosa, como parecia ante as primeiras investiga\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, pois encerra problemas de ordem psicofisiol\u00f3gica, segundo logo diremos rapidamente. Recentemente Gastaud identificou outro ritmo, pr\u00f3ximo de nove por segundo, a que chamou \u03b2.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da varia\u00e7\u00e3o regional \u2013 ou seja, segundo a topografia do c\u00f3rtex cerebral \u2013 o individual a que agora aludimos, o eletroencefalograma pode alterar em fun\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas especiais. Assim \u00e9 que durante o sono as ondas bioel\u00e9tricas se v\u00e3o tornando mais lentas \u00e0 medida que progride a fase de repouso cortical, como dissemos atr\u00e1s, e aumentando em voltagem; ao retomar-se a atividade ps\u00edquica, pr\u00f3ximo ao despertar-se muitas vezes em coincid\u00eancia com a produ\u00e7\u00e3o de sonhos, voltam a predominar as caracter\u00edsticas individuais da vig\u00edlia. Este reaparecimento se faz por surtos cada vez mais pr\u00f3ximos, em que se modificam ora a frequ\u00eancia, ora a voltagem, e que constitui ind\u00edcio do tipo e da fase de sono. Tamb\u00e9m a influ\u00eancia sobre a atividade bioel\u00e9trica do c\u00f3rtex permite distinguir v\u00e1rios tipos de drogas que se utilizam como anest\u00e9sico ou como hipn\u00f3ticos; as que atuam eletivamente sobre o c\u00f3rtex \u2013 tais os brometos, por exemplo, as que diminuem a atividade cortical mediante a a\u00e7\u00e3o sobre os n\u00facleos diencef\u00e1licos, enfim as que bloqueiam ou impedem o trabalho sensorial mediante a atua\u00e7\u00e3o sobre os n\u00facleos correspondentes sem entretanto agir sobre os n\u00facleos da vig\u00edlia e, portanto, sem interferir com as ondas corticais. Outras subst\u00e2ncias, ainda estimulam o trabalho cortical, quer diretamente, quer atrav\u00e9s dos n\u00facleos vegetativos do hipot\u00e1lamo \u2013 o que igualmente se reflete na altera\u00e7\u00e3o do tra\u00e7ado cortical.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Infer\u00eancias cl\u00ednicas e psicofisiol\u00f3gicas<\/strong> \u2013 Essas tr\u00eas modalidades de modifica\u00e7\u00e3o do tra\u00e7ado, a flutua\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, a varia\u00e7\u00e3o individual e a distribui\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica das ondas, t\u00eam permitido conclus\u00f5es de suma import\u00e2ncia para a cl\u00ednica e para o conhecimento do dinamismo ps\u00edquico. Mais recentemente encontrou novo campo de aplica\u00e7\u00e3o: o estudo dos fen\u00f4menos chamados reflexos condicionais. Nesta exposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 diremos, e em breve apanhado, daquelas consequ\u00eancias diretamente ligadas ao tema em considera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro campo cl\u00ednico da aplica\u00e7\u00e3o do eletroencefalograma tem sido, desde o in\u00edcio, a epilepsia, em sentido amplo. J\u00e1 as primeiras pesquisas, entre elas principalmente as dos Daves, dos Gibbs e de Lennox, estabeleceram correla\u00e7\u00f5es entre anormalidades do ritmo bioel\u00e9trico cerebral e manifesta\u00e7\u00f5es \u2013 expl\u00edcitas ou latentes \u2013 fili\u00e1veis ao tipo epil\u00e9ptico. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) com o avolumar-se dos dados cl\u00ednicos, os autores referidos puderam mostrar que essas altera\u00e7\u00f5es, por eles denominadas disritmia, traduzem tend\u00eancia heredol\u00f3gica para convuls\u00f5es, presente mesmo em pessoas clinicamente livres destas. A tal respeito, o m\u00e9todo de estudo dos g\u00eameos permite conclus\u00f5es precisas. Citamos apenas o estudo monogr\u00e1fico mais recente da escola de Lennox, desta s\u00e9rie.&nbsp; A pesquisa reunia ent\u00e3o 200 pares de examinados, gemelares iniciada h\u00e1 cerca de 30 anos. Deixando de parte 27 pares cujo estudo longitudinal n\u00e3o est\u00e1 completo, investigam Lennox e Jelly n\u00e3o s\u00f3 a incid\u00eancia dos tipos de disritmia. Nos 340 indiv\u00edduos relatados, havia \u201csurtos parox\u00edsticos de ondas com alta voltagem e de lentid\u00e3o ou rapidez anormais (descargas convulsivas) em um termo ou em ambos dentre 105 pares de g\u00eameos\u201d. Desses pares 30 eram monozig\u00f3ticos e livres de altera\u00e7\u00f5es cerebrais: nesse grupo, a concord\u00e2ncia quanto a disritmias parox\u00edsticas \u2013 todos os tipos em conjunto \u2013 foi de 77%, contra apenas 4% nos restantes 75 pares. Quando consideradas apenas as disritmias mais caracter\u00edsticas, de ondas em esp\u00edcula a 3 ciclos por segundo, estavam elas presentes em 32 pares, dos quais 16 monozig\u00f3ticos sem les\u00f5es cerebrais: a concord\u00e2ncia no primeiro grupo se elevou a 94% e permaneceu em 6% no outro. Ao contr\u00e1rio quando n\u00e3o havia descargas bioel\u00e9tricas ou a anomalia constava s\u00f3 de lentid\u00e3o ou rapidez \u2013 o que se verificou em 23 pares, dos quais 20 da primeira categoria \u2013 a concord\u00e2ncia intragemelar se apresenta como de 80% e 30% respectivamente. E acrescentam os autores: \u201cH\u00e1 ainda um ponto especialmente convincente. Em g\u00eameos monozig\u00f3ticos sem evid\u00eancia de les\u00f5es cerebrais a configura\u00e7\u00e3o das ondas em esp\u00edculas a tr\u00eas por segundo \u00e9 id\u00eantica at\u00e9 em v\u00e1rias min\u00facias, como distribui\u00e7\u00e3o pelos diversos eletrodos, amplitude relativa de esp\u00edculas e ondas e contornos de ondas\u201d. A concord\u00e2ncia elevada de determinado tra\u00e7o em g\u00eameos monozig\u00f3ticos exprime, como \u00e9 de reconhecimento un\u00e2nime, que ele corresponde a fen\u00f4menos gen\u00e9ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que essas varri\u00e7\u00f5es individuais que de alguma forma refletem o componente gen\u00e9tico da personalidade, e \u00e0s quais ainda aludiremos de passagem, as varri\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas da atividade bioel\u00e9trica se prestam a correla\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas. E a pr\u00f3pria aus\u00eancia das modifica\u00e7\u00f5es previs\u00edveis em determinadas situa\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas leva a conclus\u00f5es diagn\u00f3sticas. Vejamos apenas duas ordens de considera\u00e7\u00f5es:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>O estado normal de vig\u00edlia se caracteriza, no tra\u00e7ado cortical bioel\u00e9trico, pela incid\u00eancia dos v\u00e1rios ritmos, sem distribui\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica, segundo lembramos. A flutua\u00e7\u00e3o que se verifica nas diferentes frequ\u00eancias exprime ent\u00e3o as varia\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas da tens\u00e3o emocional, da aten\u00e7\u00e3o, dos chamados estados de consci\u00eancia. No probando que cochila ou que \u00e9 sujeito a moment\u00e2neos lapsos de consci\u00eancia, estes instantes se traem pelo aparecimento de breves surtos de ondas lentas \u2013 menos de 4 por segundo \u2013 especialmente ao n\u00edvel da regi\u00e3o frontal. A generaliza\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno como foi dito, retrata o sono normal. Mais precisamente: retrata a inatividade das fun\u00e7\u00f5es intelectuais, pois igualmente aparece sob a a\u00e7\u00e3o dos medicamentos depressores das fun\u00e7\u00f5es corticais ou nos estados de coma quer espont\u00e2neos, quer induzidos deliberadamente como no tratamento pela insulina, pelo cardiazol, pelo choque cerebral el\u00e9trico. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Entretanto, durante o chamado \u201csono\u201d hipn\u00f3tico semelhantes altera\u00e7\u00f5es bioel\u00e9tricas n\u00e3o se produzem. Isto demonstra que esse estado \u2013 como temos acentuado em outras ocasi\u00f5es \u2013 n\u00e3o corresponde ao sono na acep\u00e7\u00e3o correta do termo. Se em seguida o paciente n\u00e3o for \u201cdespertado\u201d, isto \u00e9, se n\u00e3o se desfizer a condi\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o afetiva, passar\u00e1 ele a dormir realmente, como \u00e9 sabido: e ent\u00e3o o tra\u00e7ado revelar\u00e1 as modifica\u00e7\u00f5es peculiares de ritmo e amplitude. Em recentes pesquisas em hipnose m\u00e9dica surgiram efeitos eletroencefalogr\u00e1ficos que parecem contradizer a asser\u00e7\u00e3o de que a sugest\u00e3o hipn\u00f3tica n\u00e3o induz o ritmo lento. Segundo os autores de tais estudos, quando a hipnose atinge est\u00e1gios profundos surge o tipo de pulsa\u00e7\u00e3o bioel\u00e9trica peculiar ao sono. Tais achados merecem ser discutidos mais de espa\u00e7o, o que n\u00e3o seria aparente, acreditamos. Basta lembrar que \u00e9 poss\u00edvel induzir-se a hipnose, mesmo quando o paciente est\u00e1 dormindo e que, por outro lado, como foi dito, o hipnotizado pode entrar em sono fisiol\u00f3gico: o ritmo lento, nesse caso, ser\u00e1 express\u00e3o deste \u00faltimo estado e n\u00e3o da hipnose.<\/li><li>As ondas alfa aparecem de modo mais constantes e mais definido ao n\u00edvel do c\u00f3rtex occipital, onde adquirem impressionante regularidade. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Na opini\u00e3o da maioria dos neurofisiologistas, constituem ritmo de repouso intelectual e, no consenso un\u00e2nime, s\u00e3o momentaneamente bloqueados pelo trabalho sensorial da vis\u00e3o. Efetivamente, o est\u00edmulo visual as interrompe de modo t\u00e3o n\u00edtido que a incid\u00eancia dele pode ser acompanhada no tra\u00e7ado correspondente. Parece fora de d\u00favida que n\u00e3o \u00e9 simples incid\u00eancia de feixe luminoso que bloqueia a atividade alfa: experi\u00eancias concludentes, bem discutidas por Bertrand e colaboradores, mostram que o fator principal a\u00ed \u00e9 o esfor\u00e7o intelectual para divisar formas. De resto, outras esferas sensoriais \u2013 audi\u00e7\u00e3o, tacto, muscula\u00e7\u00e3o \u2013 tamb\u00e9m d\u00e3o margem \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o do ritmo quando estimuladas. Sobressai, ent\u00e3o o ritmo \u03b2, por isso interpretado como equivalente bioel\u00e9trico da atividade intelectual.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Nessa mesma ordem de ideias temos o coment\u00e1rio de Adrian: \u201cO ritmo pode ser considerado, portanto, como ligado \u00e0 falta de aten\u00e7\u00e3o; surge em outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro (al\u00e9m da occipital e da parietal) que s\u00e3o interessadas pela atividade mental pois que a aten\u00e7\u00e3o solicita a atividade alhures (no texto se volta para alhures).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a vis\u00e3o se acha normal h\u00e1 sempre qualquer coisa que atrai a vis\u00e3o, mesmo que a aten\u00e7\u00e3o predominante mobilize outras zonas (no texto: se volte para alhures), e por essa raz\u00e3o est\u00e1, como norma, ausente quando estamos despertos. Mas \u00e0 medida que somos tomados pelo sono fica mais dif\u00edcil concentrar a aten\u00e7\u00e3o \u2013 e o ritmo se estabelece mesmo que os olhos estejam abertos; quando depois come\u00e7amos a adormecer, o ritmo domina o c\u00e9rebro por certo tempo e enfim \u00e9 substitu\u00eddo por ondas lentas irregulares quando o sono se torna profundo\u201d. (Explica\u00e7\u00e3o nossa entre par\u00eanteses)<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de resposta inibit\u00f3ria quando o examinando recebe est\u00edmulos assume, portanto, grande import\u00e2ncia diagn\u00f3stica e mesmo doutrin\u00e1ria. Assim, quando o est\u00edmulo luminoso deixa de bloquear a atividade ao n\u00edvel do lobo occipital em um hemisf\u00e9rio apenas, pode afirmar-se que ocorre hemianopsia. Por outro lado, j\u00e1 se pode demonstrar que os est\u00edmulos t\u00e9rmicos, t\u00e1cteis e musculares em pacientes hist\u00e9ricos com hemianestesia e com hemiplegia funcionais, deixam de acarretar no tra\u00e7ado eletroencefalogr\u00e1fico a resposta inibit\u00f3ria quando aplicados aos segmentos corporais que constituem sede dos sintomas. Como aduzem os autores citados, \u201csemelhantes observa\u00e7\u00f5es parecem oferecer um crit\u00e9rio objetivo quanto \u00e0 realidade biol\u00f3gica das anestesias simuladas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sensibilidade das ondas \u03b1 aos est\u00edmulos sensoriais e ao esfor\u00e7o mental constitui, de certa forma, dificuldade t\u00e9cnica no estudo de est\u00edmulos condicionais na acep\u00e7\u00e3o de Pavlov. Tal \u00f3bice pode ser contornado pelas pesquisas de Gastaut e colaboradores: \u201cNessas pesquisas o progresso consistiu em utilizar o ritmo \u03b1, mas outro da regi\u00e3o rol\u00e2ndica melhor localizado e pass\u00edvel igualmente de ser condicionado\u201d. Tal ritmo \u2013 de 9 ciclos por segundo, aproximadamente \u2013 \u201cindividualizado por Gastaut (1952) e, em raz\u00e3o da forma, denominado por ele \u201critmo em arcos\u201d, est\u00e1 presente em alguns pacientes, nessa regi\u00e3o (rol\u00e2ndica). \u201d Apresenta \u201ca preciosa peculiaridade de se bloquear com predomin\u00e2ncia contralateral e independentemente de qualquer bloqueio de, quando se aplicam ao paciente est\u00edmulos cut\u00e2neos ou cenest\u00e9sicos; e esta rea\u00e7\u00e3o \u00e9 facilmente condicion\u00e1vel\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muito embora os trabalhos de eletroencefalografia cl\u00ednica tenham desde o in\u00edcio revela indiscut\u00edvel valor diagn\u00f3stico \u2013 e o livro agora citado, de Bertrand, Delay e Guillain constitui magn\u00edfico exemplo -, n\u00e3o nos parece justific\u00e1vel basear nessa t\u00e9cnica diagn\u00f3sticos psiqui\u00e1tricos gerais. \u201cTemos procurado mostrar que quadros eletroencefalogr\u00e1ficos t\u00e3o frequentemente referidos em esquizofr\u00eanicos, em psicopatas e pacientes de outros grupos significam simplesmente que o referido indiv\u00edduo, doente ou \u201cnormal\u201d pertence de modo direto ou remoto ao ciclo epileptoide. Investiga\u00e7\u00f5es heredol\u00f3gicas efetuadas mais a fundo \u2013 de acordo com a acurada concep\u00e7\u00e3o de Kleist \u2013 poderiam confirmar esta interpreta\u00e7\u00e3o, o que tem de fato ocorrido\u201d. Nesse mesmo sentido se exprime Hill, ao apreciar \u201ca eletroencefalografia como instrumento de pesquisa psiqui\u00e1trica\u201d: \u201cParece mais prov\u00e1vel que nunca, que os fen\u00f4menos eletroencefalogr\u00e1ficos reflitam atividade do sistema nervoso em n\u00edvel funcional relativamente alto e que se comprovem definitivamente como \u00fateis para a compreens\u00e3o do comportamento. At\u00e9 certo ponto o progresso tem sido retardado pela preocupa\u00e7\u00e3o com r\u00f3tulos diagn\u00f3sticos e com grupos cl\u00ednicos, o que tem impedido aprecia\u00e7\u00e3o psicofisiol\u00f3gica mais profunda\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fugindo a essa diretriz ilus\u00f3ria de relacionar atividade bioel\u00e9trica com quadros psiqui\u00e1tricos pode Hill demonstrar nos pacientes em estudo o paralelo entre (dinamismos psicol\u00f3gicos e altera\u00e7\u00f5es do eletroencefalograma. Para isso foi necess\u00e1rio substituir o conceito gen\u00e9rico de \u201cdisritmia\u201d por outro mais rigoroso: As anormalidades nos EEG consistem em (i) aus\u00eancia, excesso ou anomalia na produ\u00e7\u00e3o de um dos ritmos, (ii) presen\u00e7a de ritmo inesperado em determinada \u00e1rea, n\u00e3o comum; (iii) atividade de frequ\u00eancias mistas, combinadas de modo a formar \u201ccomplexos\u201d quer em uma \u00e1rea isolada, quer difusamente em todas as \u00e1reas\u201d. (pag. 165. Aspas do original).<\/p>\n\n\n\n<p>Dos estudos em larga escala chegou a correla\u00e7\u00f5es que procuraremos resumir, quanto aos ritmos \u03b1, \u03b2, e \u03b4 (menos de 4 ciclos por segundo) e \u03b8 (de 4 a 7 por segundo), respectivamente: \u201cmecanismo de aten\u00e7\u00e3o visual e pensamento mediante imagens visuais\u201d, mecanismo de in\u00edcio de movimento volunt\u00e1rio e aptid\u00e3o (preparedness) para agir\u201d, \u201ctranstorno da consci\u00eancia e, quando generalizado, estado de inconsci\u00eancia\u201d; e finalmente \u201cexcitabilidade da subst\u00e2ncia cinzenta do t\u00e1lamo e do hipot\u00e1lamo e, pelo aspecto psicol\u00f3gico associa\u00e7\u00e3o com o lado emocional da atividade ps\u00edquica\u201d. Em outro local da exposi\u00e7\u00e3o acrescenta Hill: \u201cA resposta eletroencefalogr\u00e1fica a um est\u00edmulo afetivo no adulto \u00e9 semelhante \u00e0 que \u00e9 determinada pela percep\u00e7\u00e3o ou pela imagina\u00e7\u00e3o: surto de bloqueio de \u03b1. \u00c0 tens\u00e3o emocional cr\u00f4nica se associam o bloqueio persistente de \u03b1 e a difus\u00e3o do ritmo r\u00e1pido. Pode haver tamb\u00e9m aumento da atividade \u03b2 na regi\u00e3o central. Isto significa aten\u00e7\u00e3o constante e com prontid\u00e3o (readiness) para a atividade motora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em concord\u00e2ncia com esta interpreta\u00e7\u00e3o da atividade \u03b8, Faure pode demonstrar, de maneira not\u00e1vel, que o chamado \u201cchoque crom\u00e1tico\u201d \u2013 \u201cchoque afetivo\u201d, em nosso entender \u2013 ante pranchas de Rorschach desencadeia surtos com esse ritmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As considera\u00e7\u00f5es precedentes, que n\u00e3o seria poss\u00edvel fundamentar neste apanhado, mostram que existe realmente correla\u00e7\u00e3o \u2013 ainda n\u00e3o explorada suficientemente \u2013 entre processos psicol\u00f3gicos e manifesta\u00e7\u00f5es bioel\u00e9tricas do c\u00e9rebro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Achille-Delmas, F. &amp; Boll, M \u2013 a) La personnalit\u00e9 humaine: sonanalyse \u2013 Flammarion: Paris; 1922 (2.\u00aa ed. 1935). b) La personalidad humana: sua an\u00e1lisis (trad. 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Wundt \u2013 coube ao grande psic\u00f3logo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1051","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1051"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1051\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2060,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1051\/revisions\/2060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}