{"id":1485,"date":"2024-04-22T18:05:57","date_gmt":"2024-04-22T21:05:57","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=1485"},"modified":"2024-06-06T19:05:03","modified_gmt":"2024-06-06T22:05:03","slug":"importancia-do-diagnostico-orientado-pela-patogenese-na-pesquisa-sobre-a-genetica-das-psicoses-endogenas-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/importancia-do-diagnostico-orientado-pela-patogenese-na-pesquisa-sobre-a-genetica-das-psicoses-endogenas-2\/","title":{"rendered":"Import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico orientado pela patog\u00eanese na pesquisa sobre a gen\u00e9tica das psicoses end\u00f3genas."},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>IMPORT\u00c2NCIA DO DIAGN\u00d3STICO ORIENTADO PELA PATOGENESE NA PESQUISA GEN\u00c9TICA DAS PSICOSES END\u00d3GENAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><sup><strong>Alexandre Valverde de Moura<br>Francisco Drumond de Moura<br>Paulo Palladini<br>Roberto Fasano Neto<\/strong><\/sup><\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Vers\u00e3o 1 (04\/06\/24): vers\u00e3o preliminar que na medida que for ampliada ser\u00e1 substitu\u00edda<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p>Partimos do pressuposto que a patog\u00eanese de qualquer psicose end\u00f3gena est\u00e1 vinculada, de forma indissol\u00favel, com a sua base gen\u00e9tica.&nbsp; Dessa forma, a utiliza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio patogen\u00e9tico para o diagn\u00f3stico e a caracteriza\u00e7\u00e3o da diversidade das psicoses end\u00f3genas constitui o melhor m\u00e9todo para garantir a sele\u00e7\u00e3o de grupos mais homog\u00eaneos, do ponto de vista da sua base fisiogen\u00e9tica e, portanto, mais apropriada para a pesquisa da gen\u00e9tica dos transtornos mentais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Os dois principais grupos de psicoses end\u00f3genas &#8211; grupo da esquizofrenia e grupo da psicose man\u00edaco depressiva -, apresentam uma diversidade de formas que traduzem o comprometimento de sistemas cerebrais distintos. Assim, a utiliza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio descritivo para o diagn\u00f3stico, isto \u00e9, a delimita\u00e7\u00e3o de determinado conjunto de sintomas, como base para o diagn\u00f3stico, visando selecionar um determinado \u201cgrupo homog\u00eaneo de casos\u201d pode conduzir a erro de avalia\u00e7\u00e3o, com o agrupamento de formas cl\u00ednicas, com colorido cl\u00ednico semelhante, mas muito diversas quanto \u00e0 patog\u00eanese e, portanto, diversas na base gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito das psicoses end\u00f3genas, encontramos dois grupos bem definidos: as psicoses revers\u00edveis e as psicoses progressivas. Este aspecto quanto \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o traduz uma dilui\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica, isto \u00e9, a carga gen\u00e9tica \u00e9 mais acentuada nas psicoses progressivas. A dilui\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica nas psicoses revers\u00edveis \u00e9 t\u00e3o acentuada que os surtos psic\u00f3ticos delas decorrentes apresentam remiss\u00e3o completa em um per\u00edodo reduzido, de alguns dias, semanas ou, no limite, em meses. Nesses casos o meio ambiente, aqui inclu\u00eddo o meio social, exercem um papel significativo no seu desencadeamento. Isto levou An\u00edbal Silveira a denomin\u00e1-las de Psicoses Diat\u00e9ticas (di\u00e1tese\/tens\u00e3o como fator patog\u00eanico).<\/p>\n\n\n\n<p>No sentido mais amplo, tomando como ponto de partida, os quatro grupos cl\u00ednicos fundamentais: a epilepsia, a psicose man\u00edaco-depressiva, a esquizofrenia e a oligofrenia e levando em conta que a oligofrenia se trata de uma condi\u00e7\u00e3o permanente, bem como a epilepsia, passou-se a compreender nos grupos psic\u00f3ticos &#8211; psicose man\u00edaco depressiva e esquizofrenia &#8211; tr\u00eas n\u00edveis de manifesta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 intensidade da carga gen\u00e9tica, subentendida na heredopatologia: quadros caracter\u00edsticos psic\u00f3ticos, psicopatia correspondente e anormalidades de car\u00e1ter ou tra\u00e7os anormais de car\u00e1ter. O essencial \u00e9 diferenciar um quadro cl\u00ednico, que tem todos os elementos de perda de contato com a realidade exterior e outros que em lado oposto, apenas subentendem uma modifica\u00e7\u00e3o do comportamento, circunscrito a certas \u00e1reas das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Sabemos que em toda patologia, som\u00e1tica inclusive, existe a preponder\u00e2ncia de elementos gen\u00e9ticos e, portanto, heredol\u00f3gicos, mas na psiquiatria esse ciclo heredol\u00f3gico tem um car\u00e1ter muito mais preciso, porque se reporta a quatro grupos gerais de psicoses e de quadros m\u00f3rbidos anormais e que prev\u00ea uma atenua\u00e7\u00e3o que \u00e9 evidente no estudo cl\u00ednico do paciente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Veremos que essa manifesta\u00e7\u00e3o de psicose, que toma coloridos muito particulares, em geral correspondem a atingimentos das esferas da personalidade. Assim, verificamos que no grupo da epilepsia a esfera da atividade \u00e9 atingida de prefer\u00eancia. No grupo da psicose man\u00edaco depressiva, o dist\u00farbio est\u00e1 centrado na esfera da afetividade e na esquizofrenia, temos v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es, relacionadas com todas as esferas da personalidade, que se traduzem por falta de contato com a realidade exterior. Isto tamb\u00e9m explicaria o maior n\u00famero de quadros cl\u00ednicos na esquizofrenia do que em outros grupos cl\u00ednicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na psicose man\u00edaco depressiva temos uma grande s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es de conjunto da personalidade, no sentido da expans\u00e3o, da depress\u00e3o e estados intermedi\u00e1rios. Na epilepsia temos apenas tr\u00eas variedades, aquelas chamadas mal maior ou grande mal, segundo Jackson; pequeno mal, com perda de consci\u00eancia sem que seja necess\u00e1ria a presen\u00e7a de convuls\u00f5es e tipos intermedi\u00e1rios, que s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es de um tipo ou outro combinado. Na esquizofrenia temos, segundo Kleist, vinte e seis variantes diversas, caracterizadas clinicamente, como formas esquizofr\u00eanicas. Essa diversidade de formas de esquizofrenia est\u00e1 relacionada com a carga gen\u00e9tica, com a tend\u00eancia e forma de reagir do indiv\u00edduo, que j\u00e1 est\u00e1 plenamente desenvolvido, abrangendo as v\u00e1rias esferas da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Projeto Genoma: os limites para a sua aplica\u00e7\u00e3o na pesquisa da Gen\u00e9tica das Doen\u00e7as Mentais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras discuss\u00f5es sobre o Projeto Genoma Humano (PGH) remontam \u00e0 d\u00e9cada de 1980. Nessa \u00e9poca foi criado na Fran\u00e7a o Centre d\u2019Etude du Polymorsphisme Humaine (CEPH &#8211; Centro de Estudos do Polimorfismo Humano). O projeto foi lan\u00e7ado nos EUA quatro anos depois, patrocinado pelo NIH (National Institute of Health) e pelo DOE (Department of Energy). A proposta era mapear todo o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do homem.&nbsp; Em seguida laborat\u00f3rios da Europa, do Jap\u00e3o e da Austr\u00e1lia uniram-se ao projeto. Surgiu ent\u00e3o um organismo de coordena\u00e7\u00e3o internacional chamado HUGO (Human Genome Organization), para sintonizar o trabalho e organizar o conhecimento adquirido em um banco de dados centralizado, o Genome Database.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jordan (1993) o verdadeiro objetivo inicial do PGH n\u00e3o era o sequenciamento, muito complexo, caro e trabalhoso, mas um mapeamento detalhado do genoma humano. No decorrer do processo os progressos tecnol\u00f3gicos foram t\u00e3o grandes que propiciaram o sequenciamento mesmo antes do prazo previsto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Liderados por Luca Cavalli-Sforza um grupo de geneticistas lan\u00e7ou um projeto paralelo ao PGH, o Projeto da Diversidade do Genoma Humano (PDGH), que pretende estudar e preservar a heran\u00e7a gen\u00e9tica de popula\u00e7\u00f5es humanas. Seus objetivos relacionam-se a estudos sobre as origens humanas e movimento de popula\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas, adapta\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as e antropologia forense. Esses geneticistas preocupam-se que o Genoma Humano que est\u00e1 sendo decifrado pelo PGH n\u00e3o corresponde ao genoma humano de todos os indiv\u00edduos, mas de uma parcela que est\u00e1 representada nas amostras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, esse Genoma Humano n\u00e3o pertence a uma pessoa identific\u00e1vel, mas \u00e9 proveniente de v\u00e1rias amostras utilizadas principalmente em laborat\u00f3rios ocidentais. Os defensores do PDGH advogam a favor das diferen\u00e7as entre grupos humanos e contra o reducionismo do genoma a um tipo \u00fanico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os objetivos do PGH em sa\u00fade envolvem a simplifica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de diagn\u00f3stico de doen\u00e7as gen\u00e9ticas, otimiza\u00e7\u00e3o das terap\u00eauticas para essas doen\u00e7as e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as multifatoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Zancan (1994) o mapeamento gen\u00e9tico para detec\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as levanta ainda d\u00favidas sobre as suas consequ\u00eancias sociais, dada a dist\u00e2ncia que separa o diagn\u00f3stico das t\u00e9cnicas terap\u00eauticas. \u00c9 preciso lembrar que a an\u00e1lise gen\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel e seus dados s\u00e3o com frequ\u00eancia mal interpretados em virtude de uma tend\u00eancia ideol\u00f3gica da qual os pesquisadores, participam mais ou menos inconscientemente: uma deriva que passa muito facilmente e depressa de uma observa\u00e7\u00e3o centrada no estado de sa\u00fade atual de uma pessoa a um diagn\u00f3stico fundamentado exclusivamente na an\u00e1lise de seus genes (Jordan, 1995).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Wilkie (1994) tamanha \u00eanfase na constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da humanidade pode nos levar a esquecer que a vida humana \u00e9 mais do que a mera express\u00e3o de um programa gen\u00e9tico escrito na qu\u00edmica do DNA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todo ser humano tem uma identidade gen\u00e9tica pr\u00f3pria e, segundo a Declara\u00e7\u00e3o da Unesco, o genoma humano \u00e9 propriedade inalien\u00e1vel de toda a pessoa e por sua vez um componente fundamental de toda a humanidade. Dessa maneira ele deve ser respeitado e protegido como caracter\u00edstica individual e espec\u00edfica pois todas as pessoas s\u00e3o iguais no que se refere a seus genes, afinal unicidade e diversidade s\u00e3o propriedades de grande valor da natureza humana (Clotet, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Jordan (1995) acredita que &#8220;tomamos um caminho perigoso: ao inv\u00e9s de julgar um indiv\u00edduo pelo que ele \u00e9 hoje, vamos indagar sobre seu status de doente em potencial para trat\u00e1-lo como deficiente antes do tempo e sem ter a certeza de que se tornar\u00e1&#8221;. Para ele isso significa definir a afec\u00e7\u00e3o pelo gen\u00f3tipo, pelo que est\u00e1 inscrito no DNA e n\u00e3o mais pelo fen\u00f3tipo, pelo estado presente da pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Khoury (1999) uma r\u00e1pida transi\u00e7\u00e3o da descoberta do gene \u00e0 integra\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica cl\u00ednica pode resultar no desenvolvimento e oferecimento prematuro de testes gen\u00e9ticos. Estudos epidemiol\u00f3gicos s\u00e3o necess\u00e1rios para valida\u00e7\u00e3o de testes gen\u00e9ticos, monitoriza\u00e7\u00e3o de seu uso pela popula\u00e7\u00e3o e determina\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e efetividade dos testes em diferentes popula\u00e7\u00f5es. Ele prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma nova disciplina, a Epidemiologia do Genoma Humano (HuGE), combinando dados de epidemiologia gen\u00e9tica e epidemiologia molecular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De maneira semelhante Pena (1994) sugere a substitui\u00e7\u00e3o de um paradigma tipol\u00f3gico por um paradigma populacional. No primeiro existem os alelos normais, ideais, perfeitos e os que n\u00e3o o s\u00e3o. J\u00e1 no segundo a variabilidade \u00e9 composta por mutantes sub\u00f3timos e lida com ambientes diversos. O fen\u00f3tipo, portanto, \u00e9 din\u00e2mico e emerge da intera\u00e7\u00e3o do gen\u00f3tipo como um todo (milhares de genes) com o infinitamente complexo ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a mudan\u00e7a do paradigma monog\u00eanico de determinismo gen\u00e9tico (atraente e perigoso em sua simplicidade) pelo paradigma interativo epigen\u00e9tico n\u00e3o determinista.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios autores alertam para o de uma eugenia mais sutil, promovida pelo PGH ao fornecer instrumentos para testes (Shattuck, 1998; Annas). Alguns participantes do projeto, como James Watson acreditam que h\u00e1 um &#8220;potencial extraordin\u00e1rio para o melhoramento humano&#8221;. A quest\u00e3o do melhoramento e da eugenia refere-se basicamente ao quanto se confere \u00e0 gen\u00e9tica na responsabilidade por condi\u00e7\u00f5es multifatoriais. Assim mistura-se a identifica\u00e7\u00e3o e tratamento de doen\u00e7as gen\u00e9ticas com as outras causas de doen\u00e7a (\u00e1lcool, drogas, pobreza&#8230;), considerando-as todas de origem gen\u00e9tica e divulgando a esperan\u00e7a de que um dia encontremos uma &#8220;solu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica&#8221; para estas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Supondo que realmente existam genes da intelig\u00eancia, genes respons\u00e1veis por comportamento antissocial, genes alco\u00f3latras e drogados, genes neur\u00f3ticos, genes de infidelidade. A quest\u00e3o \u00e9, como coloca Ztaz (1994), o que se pode fazer com esse conhecimento? Clotet (1995) alerta para o fato de que n\u00e3o se deve utilizar estrat\u00e9gias gen\u00e9ticas para solu\u00e7\u00e3o de problemas sociais, reconhecendo um risco potencial para o surgimento de um movimento eug\u00eanico baseado no conhecimento do genoma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo n\u00e3o devemos atribuir ao PGH mais import\u00e2ncia do que ele realmente pode ter. Tome-se por exemplo a anemia falciforme, uma das doen\u00e7as gen\u00e9ticas mais conhecidas e a primeira a ter seu gene identificado. Chama a aten\u00e7\u00e3o o atraso das pesquisas e a pouca participa\u00e7\u00e3o da gen\u00e9tica na melhoria da condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dos pacientes e o PGH n\u00e3o vai mudar essa situa\u00e7\u00e3o a curto prazo pois o conhecimento de um gene n\u00e3o \u00e9 uma garantia de avan\u00e7o terap\u00eautica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1991 o Congresso americano iniciou o exame de um projeto de lei dedicado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es concernentes ao genoma humano (Human Genome Privacy Act).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No ano seguinte a 44\u00aa Assembleia da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Mundial reunida na Espanha lan\u00e7ou a Declara\u00e7\u00e3o de Marbella, em que se declarou contra o patenteamento do genoma humano, solicitando garantias contra discrimina\u00e7\u00e3o e diretrizes b\u00e1sicas para prevenir a estigmatiza\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es em risco para doen\u00e7as gen\u00e9ticas. Neste mesmo ano, James Watson pediu demiss\u00e3o do seu cargo de diretor do PGH por ser contra o patenteamento de genes.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do patenteamento s\u00f3 foi resolvida em 1995 quando o HUGO publicou uma declara\u00e7\u00e3o condenando o patenteamento de sequ\u00eancias sem fun\u00e7\u00e3o conhecida, mas favor\u00e1vel ao patenteamento da descoberta das fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas de novos genes ou suas aplica\u00e7\u00f5es. O argumento utilizado foi de que o custo do projeto \u00e9 muito elevado e sua realiza\u00e7\u00e3o seria imposs\u00edvel sem o concurso de empresas privadas, as quais est\u00e3o interessadas em obter exclusividade sobre suas descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa atitude faz com que pesquisadores tenham que assinar contratos com empresas comprometendo-se a n\u00e3o divulgar seus resultados. Nesse caso a pesquisa cient\u00edfica deixa de ser objeto de discuss\u00e3o entre cientistas para tornar-se uma propriedade industrial, como ocorreu recentemente com o gene da asma. Um grupo de pesquisadores anunciou na revista Science a localiza\u00e7\u00e3o de uma regi\u00e3o candidata para o gene da asma, por\u00e9m n\u00e3o deu absolutamente nenhum detalhe a respeito da sua descoberta por motivos contratuais. Esses foram inclusive o motivo que os levou a divulgar a descoberta do locus candidato pois h\u00e1 uma exig\u00eancia legal de comunicar aos acionistas da empresa que uma descoberta recente pode ter um poss\u00edvel impacto sobre a valoriza\u00e7\u00e3o das suas a\u00e7\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com o patenteamento \u00e9 tanta que motivou uma declara\u00e7\u00e3o da UNESCO em que \u00e9 reafirmado que o genoma humano \u00e9 propriedade inalien\u00e1vel da pessoa e patrim\u00f4nio comum da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo este mesmo documento o nosso DNA nos pertence, temos a propriedade e a posse, mas desconhecemos o seu significado. Provavelmente o conhecimento completo dos 3,5 bilh\u00f5es pares de bases do genoma humano n\u00e3o seja o fim, mas sim o in\u00edcio desse processo de compreens\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Que novas perspectivas sobre os seres humanos trar\u00e1 o sequenciamento dos pares de bases do genoma humano?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fun\u00e7\u00e3o mais importante do projeto talvez seja a de transcender a si mesmo e nos ensinar que os genes e a gen\u00e9tica n\u00e3o s\u00e3o a base fundamental da vida humana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O PGH pode redefinir o nosso sentido de nosso pr\u00f3prio valor moral e descobrir um meio de afirmar, em face de todos os detalhes t\u00e9cnicos da gen\u00e9tica, que a vida humana \u00e9 maior do que o DNA de que brotou e que os seres humanos conservam um valor moral que transcende a sequ\u00eancia de 3,5 bilh\u00f5es de bases contidas no genoma humano (Wilkie, 1994).<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 2000 foi anunciado que os pesquisadores do Projeto Genoma Humano haviam sequenciado a quase totalidade do genoma humano. No entanto, houve uma compreens\u00e3o inadequada do que estava sendo divulgado: muitos jornais e revistas afirmaram que o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.galileuon.com.br\/mensal\/_materias\/rep_genetica.htm\">genoma humano estava desvendado<\/a>. A popula\u00e7\u00e3o ficou com a informa\u00e7\u00e3o de que toda esta etapa estava vencida, quando sequer foi iniciada a totalidade de identifica\u00e7\u00e3o de genes humanos em todos os cromossomos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O volume de interpreta\u00e7\u00f5es corresponde ao de um texto de 800 volumes semelhantes ao de uma B\u00edblia, s\u00f3 que n\u00e3o se sabe em que idioma est\u00e1 escrito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Heredopatologia no dom\u00ednio das doen\u00e7as mentais.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li>O aspecto heredol\u00f3gico na classifica\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as mentais<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li>Genetics of Psychoses. Discussion of Dr. Silveira&#8217;s &#8220;Genetics of Psychoses&#8221;.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"4\">\n<li>Human genetics as an approach to the classification of mental diseases.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"5\">\n<li>Institutos consagrados \u00e0 gen\u00e9tica humana.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"6\">\n<li>Aplica\u00e7\u00e3o da gen\u00e9tica humana \u00e0 higiene mental. Revis\u00e3o de 300 matriculas do C.S.Santana.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"7\">\n<li>Problems common to children and their parents, as detected in a health clinic.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"8\">\n<li>Twining and epileptoid traits: a research on 2.060 counseless of a health clinic.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"9\">\n<li>Alguns registros cl\u00ednicos de inter\u00easse gen\u00e9tico nos Centros de Saude de S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"10\">\n<li>Divis\u00e3o da esquizofrenia em formas distintas. Bases patog\u00eanicas.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"11\">\n<li>Aspectos gerais da nosologia psiqui\u00e1trica.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"12\">\n<li>Pathogenic dynamisms in mental conditions from the genetic standpoint.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"13\">\n<li>Caracteriza\u00e7\u00e3o da patologia cerebral, da psicopatologia e da heredopatologia psiqui\u00e1trica na doutrina de Kleist.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"14\">\n<li>Inten\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica no estudo da patog\u00eanese em Psiquiatria.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"15\">\n<li>Conceitua\u00e7\u00e3o de esquizofrenia.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"16\">\n<li>Personality traits and related conditions, for the assessment of genetic circles.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"17\">\n<li>Ciclo heredol\u00f3gico em psiquiatria (aula).<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"18\">\n<li>Hereditariedade e catamnese heredol\u00f3gica. (aula)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"19\">\n<li>Configura\u00e7\u00e3o patog\u00eanica nas psicoses do grupo man\u00edaco-depressivo (aula).<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"20\">\n<li>Ciclo heredol\u00f3gico da Oligofrenia. (aula).<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"21\">\n<li>Classifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das doen\u00e7as mentais. (aula)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"22\">\n<li>Aspecto heredol\u00f3gico na classifica\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as mentais. (aula)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"23\">\n<li>Fun\u00e7\u00f5es da gen\u00e9tica psiqui\u00e1trica. Epidemiologia e preven\u00e7\u00e3o. (aula)<\/li>\n<\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IMPORT\u00c2NCIA DO DIAGN\u00d3STICO ORIENTADO PELA PATOGENESE NA PESQUISA GEN\u00c9TICA DAS PSICOSES END\u00d3GENAS Alexandre Valverde de MouraFrancisco Drumond de MouraPaulo PalladiniRoberto Fasano Neto Vers\u00e3o 1 (04\/06\/24): vers\u00e3o preliminar que na medida que for ampliada ser\u00e1 substitu\u00edda Partimos do pressuposto que a patog\u00eanese de qualquer psicose end\u00f3gena est\u00e1 vinculada, de forma indissol\u00favel, com a sua base gen\u00e9tica.&nbsp; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1485","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1485"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2311,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1485\/revisions\/2311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}