{"id":1516,"date":"2024-04-22T18:14:55","date_gmt":"2024-04-22T21:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=1516"},"modified":"2024-05-13T21:03:03","modified_gmt":"2024-05-14T00:03:03","slug":"ciclo-heredologico-em-psiquiatria","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/ciclo-heredologico-em-psiquiatria\/","title":{"rendered":"Ciclo heredol\u00f3gico em psiquiatria\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>CICLO HEREDOL\u00d3GICO EM PSIQUIATRIA<\/strong>\u00b9<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, v\u00e1rios autores notaram a presen\u00e7a de muitas formas mentais numa fam\u00edlia, dando, portanto, a ideia de degenera\u00e7\u00e3o a este fato, quer dizer, da apari\u00e7\u00e3o de psicoses concentradas em certas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de degenera\u00e7\u00e3o foi a primeira tentativa para explicar esta facilidade ou acessibilidade do indiv\u00edduo aos est\u00edmulos patol\u00f3gicos que levavam a uma psicose. Posteriormente, com estudos de Riedl, Kraepelin (na primeira metade do s\u00e9culo passado) surgiu o que chamaram \u201cheredoprogn\u00f3stico emp\u00edrico\u201d, com base nesta correla\u00e7\u00e3o de quadros cl\u00ednicos na fam\u00edlia. O termo emp\u00edrico, era porque se baseava s\u00f3 na observa\u00e7\u00e3o dos pacientes sem uma correla\u00e7\u00e3o muito precisa do ponto de vista estat\u00edstico, mas permitindo uma vis\u00e3o quanto \u00e0 descend\u00eancia ou pares colaterais do paciente examinado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para esse progn\u00f3stico emp\u00edrico, n\u00f3s o desdobramos em dois aspectos: a chamada heredobiologia e a heredopatologia. A primeira, para anotar as correla\u00e7\u00f5es com os quadros n\u00e3o anormais ou com certas particularidades que n\u00e3o envolvem a personalidade geral; a heredopatologia com rela\u00e7\u00e3o aos quadros que eram definidos na psiquiatria cl\u00e1ssica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo se estabeleceu a divis\u00e3o entre doen\u00e7as end\u00f3genas para assinalar os quadros que t\u00eam uma origem espont\u00e2nea sem a necessidade de um fator desencadeante e as outras, ex\u00f3genas, que eram mais rea\u00e7\u00f5es a fatores externos. No in\u00edcio, esta concep\u00e7\u00e3o de quadro end\u00f3geno ou ex\u00f3geno, consistia numa oposi\u00e7\u00e3o, tendo em vista a caracteriza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico. Uma psicose ex\u00f3gena teria um car\u00e1ter benigno e se restituindo \u201cad integrum\u201d e as psicoses end\u00f3genas, seriam aquelas de car\u00e1ter progressivo, que teriam um decurso previs\u00edvel, evoluindo para um estado demencial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00b9<sub><sup>Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, sem refer\u00eancia de data, local e de quem a compilou. Revisto em 12\/02\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o pr\u00f3prio Kraepelin logo estabeleceu que havia psicoses end\u00f3genas, que se caracterizavam por ser revers\u00edveis, que apareciam sem uma causa desencadeante e que revertiam totalmente sem deixar marca, ao passo que outras, como a Dem\u00eancia Precoce, levavam a um estado demencial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, podemos considerar, no \u00e2mbito das psicoses end\u00f3genas, dois grupos bem definidos: as psicoses revers\u00edveis, como n\u00f3s as chamamos, ou funcionais, como as chamam outros autores e as psicoses progressivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, inicialmente, as psicoses ex\u00f3genas subentendiam quadros relacionados com altera\u00e7\u00f5es cerebrais, decorrentes de fatores t\u00f3xicos, traum\u00e1ticos, infecciosos que, pelo dano cerebral, levariam a quadros mentais irrevers\u00edveis. Esse modo ver, entretanto, logo se mostrou inaceit\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, realmente, um grupo de doen\u00e7as que atingem o c\u00e9rebro diretamente, dando como consequ\u00eancia les\u00f5es cerebrais focais, por exemplo, traumatismos, mas h\u00e1 outras que atingem apenas funcionalmente o c\u00e9rebro: por exemplo, as psicoses que se apresentam durante o per\u00edodo infeccioso ou na fase de remiss\u00e3o de sintomas gerais som\u00e1ticos e que, por conseguinte, t\u00eam apenas um aspecto din\u00e2mico e n\u00e3o lesional.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, este crit\u00e9rio de ex\u00f3geno e end\u00f3geno mostrou-se insuficiente para o progn\u00f3stico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, foram reunidos na psiquiatria os quadros cl\u00ednicos que s\u00e3o os quatro que at\u00e9 hoje prevalecem, quer dizer, os cl\u00e1ssicos: a epilepsia, a psicose man\u00edaco-depressiva, que at\u00e9 hoje permanece como entidade m\u00f3rbida (n\u00f3s j\u00e1 vimos que era um grupo de psicoses e n\u00e3o uma psicose \u00fanica), a dem\u00eancia precoce (a esquizofrenia) e a oligofrenia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima n\u00e3o constitui uma psicose porque \u00e9 um desvio no desenvolvimento, uma incapacidade de amadurecimento, de maneira que se trata de uma falha cong\u00eanita, que n\u00e3o se pode dizer progressiva, porque apenas h\u00e1 discord\u00e2ncia entre o indiv\u00edduo e o meio ambiente, mas, estabelecida desde a inf\u00e2ncia como um estado deficit\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, nesses grupos, n\u00f3s estudamos a correla\u00e7\u00e3o dos quadros com a heredopatologia familiar, a concord\u00e2ncia maior em certos grupos psic\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, na epilepsia encontramos um grupo maior em compara\u00e7\u00e3o com a psicose man\u00edaco depressiva e, nesta, menor do que na esquizofrenia. Na oligofrenia h\u00e1 uma atenua\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 heredopatologia familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos outros casos, havia uma gama muito grande de manifesta\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas, de tal forma que dentro de pouco tempo foi poss\u00edvel isolar quadros t\u00edpicos, caracter\u00edsticos e quadros que seriam marginais, porque apresentam uns aspectos e n\u00e3o todos que constituem o quadro cl\u00ednico t\u00edpico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, pois, na revis\u00e3o primeira dos pacientes, \u00e0 anamnese heredol\u00f3gica do diagn\u00f3stico emp\u00edrico e da heredobiologia, dois tipos claros de altera\u00e7\u00e3o: a psicopatia e a psicose.<\/p>\n\n\n\n<p>Um com quadro t\u00edpico caracter\u00edstico, que chamaram depois psicopatia, por ser um dist\u00farbio na organiza\u00e7\u00e3o da personalidade filiada, em geral, aos quadros cl\u00e1ssicos, mas que n\u00e3o t\u00eam os elementos implicados, de diagn\u00f3stico, numa psicose, tais como, dist\u00farbios de comportamento, manifesta\u00e7\u00f5es de ordem pessoal, fen\u00f4menos de ordem patol\u00f3gica, que n\u00e3o correspondem ao caracter\u00edstico com as psicoses, pois n\u00e3o havia uma perda do contato com a realidade, n\u00e3o havia um preju\u00edzo na subordina\u00e7\u00e3o dos dados da elabora\u00e7\u00e3o mental ao mundo exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outros autores apresentaram depois outro grupo, mais determinadamente, e que eram anomalias de car\u00e1ter, desvios que em alguns tra\u00e7os denunciavam uma organiza\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida da personalidade, mas n\u00e3o chegavam a constituir aquele conjunto patol\u00f3gico da psicopatia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, passou-se a compreender nos grupos psic\u00f3ticos tr\u00eas n\u00edveis de manifesta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 intensidade da carga gen\u00e9tica, subentendida na heredopatologia: quadros caracter\u00edsticos psic\u00f3ticos, psicopatia correspondente e anormalidades de car\u00e1ter ou tra\u00e7os anormais de car\u00e1ter.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O essencial \u00e9 diferenciar um quadro cl\u00ednico, que tem todos os elementos de perda de contato com a realidade exterior e outros que em lado oposto, apenas subentendem uma modifica\u00e7\u00e3o do comportamento, circunscrito a certas \u00e1reas das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Esse foi o chamado \u201cciclo heredol\u00f3gico\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s sabemos que em toda patologia, som\u00e1tica inclusive, existe a preponder\u00e2ncia de elementos gen\u00e9ticos e, portanto, heredol\u00f3gicos, mas na psiquiatria esse ciclo heredol\u00f3gico tem um car\u00e1ter muito mais preciso, porque se reporta a quatro grupos gerais de psicoses e de quadros m\u00f3rbidos anormais e que prev\u00ea uma atenua\u00e7\u00e3o que \u00e9 evidente no estudo cl\u00ednico do paciente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Veremos que esta manifesta\u00e7\u00e3o de psicose, que toma coloridos muito particulares, em geral correspondem a atingimentos das esferas da personalidade. Verificamos ent\u00e3o, que na epilepsia a esfera da atividade ou cona\u00e7\u00e3o \u00e9 atingida de prefer\u00eancia. Na psicose man\u00edaco depressiva, caracterizada como grupo, o dist\u00farbio na esfera da afetividade e na dem\u00eancia precoce, temos v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es, relacionadas com todas as esferas da personalidade, que se traduzem por falta de contato com a realidade exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, seria explic\u00e1vel, por essas rela\u00e7\u00f5es das diversas esferas da personalidade, a manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Isto tamb\u00e9m explicaria o maior n\u00famero de quadros cl\u00ednicos na esquizofrenia do que em outros grupos cl\u00ednicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na psicose man\u00edaco depressiva temos uma grande s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es de conjunto da personalidade, no sentido da expans\u00e3o, da depress\u00e3o e estados intermedi\u00e1rios. Na epilepsia temos apenas tr\u00eas variedades, aquelas chamadas mal maior ou grande mal, segundo Jackson; pequeno mal, com perda de consci\u00eancia sem que seja necess\u00e1ria a presen\u00e7a de convuls\u00f5es e tipos intermedi\u00e1rios, que s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es de um tipo ou outro combinado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na esquizofrenia temos, segundo Kleist, vinte e seis variantes diversas, caracterizadas clinicamente, como formas esquizofr\u00eanicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa diversidade de formas de esquizofrenia est\u00e1 relacionada com a carga gen\u00e9tica, com a tend\u00eancia e forma de reagir do indiv\u00edduo, que j\u00e1 est\u00e1 plenamente desenvolvido, abrangendo as v\u00e1rias esferas da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o que explicaria essa diversidade de formas de esquizofrenia, nos seus diversos grupos (hebefrenias, catatonias, formas paran\u00f3ides e confusionais) \u00e9 o atingimento de determinadas esferas da personalidade. Nunca a esfera \u00e9 atingida isoladamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o comprometimento da esfera afetiva, que estimula as demais esferas, vai repercutir na rela\u00e7\u00e3o ativa e intelectual com o mundo exterior. A esfera conativa \u00e9 estimulada pela esfera afetiva, mas a que reage diretamente \u00e9 a esfera intelectual, ent\u00e3o observamos que uma altera\u00e7\u00e3o da afetividade e da cona\u00e7\u00e3o, pode traduzir-se em sintomas intelectuais de prefer\u00eancia.&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CICLO HEREDOL\u00d3GICO EM PSIQUIATRIA\u00b9 Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, v\u00e1rios autores notaram a presen\u00e7a de muitas formas mentais numa fam\u00edlia, dando, portanto, a ideia de degenera\u00e7\u00e3o a este fato, quer dizer, da apari\u00e7\u00e3o de psicoses concentradas em certas fam\u00edlias. 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