{"id":1848,"date":"2024-04-22T18:52:30","date_gmt":"2024-04-22T21:52:30","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=1848"},"modified":"2024-05-13T20:52:35","modified_gmt":"2024-05-13T23:52:35","slug":"comportamento-subjetivo-e-comportamento-explicito","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/comportamento-subjetivo-e-comportamento-explicito\/","title":{"rendered":"Comportamento subjetivo e comportamento expl\u00edcito"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>COMPORTAMENTO SUBJETIVO E COMPORTAMENTO EXPL\u00cdCITO<\/strong>\u00b9<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas est\u00e3o necessariamente ligadas a setores de personalidade, ao passo que outras, que n\u00e3o constituem fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas intr\u00ednsecas podem ser modificadas pelo ambiente. Mas quando se fala em ambiente temos que ter uma acep\u00e7\u00e3o adequada desse termo, e isso \u00e9 importante quando procedemos ao estudo patogen\u00e9tico: porque h\u00e1 um contingente do ambiente que est\u00e1 ligado com o meio exterior e outro que constitui o ambiente celular que, no plano psicol\u00f3gico, se incorpora diretamente na personalidade do indiv\u00edduo atrav\u00e9s das c\u00e9lulas do Sistema Nervoso Central, do sistema neuronal. H\u00e1, portanto, dois aspectos a considerar quanto ao ambiente: o citol\u00f3gico e o externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que a participa\u00e7\u00e3o do componente gen\u00e9tico das doen\u00e7as mentais depende em grande parte dessa distin\u00e7\u00e3o entre ambiente citol\u00f3gico e meio externo. Vemos tamb\u00e9m que o outro termo (ambiente citol\u00f3gico) \u00e9 o que deve definir quando se refere a personalidade. Os autores em geral n\u00e3o distinguem adequadamente esses dois aspectos, quando da aprecia\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios dinamismos ligados com a personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, lembramos que consideramos personalidade, como personalidade subjetiva, mas os outros definem personalidade como sendo um conjunto de disposi\u00e7\u00f5es inatas, por\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 inatas, mas herdadas tamb\u00e9m, e outras que se adquirem ao contato com o ambiente, compreendido, como sendo invari\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao indiv\u00edduo e vari\u00e1vel com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s esp\u00e9cies, possivelmente. Mas vemos que quando os autores estudam personalidade, nesse aspecto de ser um conjunto de disposi\u00e7\u00f5es herdadas e adquiridas pela educa\u00e7\u00e3o e pelo ambiente, eles incluem aqui tra\u00e7os de personalidade, que \u00e9 outro aspecto distinto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00b9<\/strong><sub><strong><sup>Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, no Curso de Psicologia M\u00e9dica da Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed, no ano de 1978, em Jundia\u00ed, sem refer\u00eancia de quem a compilou. Revisto em 10\/02\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/strong><\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, temos que distinguir: aquilo que \u00e9 estrutura intr\u00ednseca e aquilo que corresponde aos tra\u00e7os de personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tra\u00e7os no sentido gen\u00e9tico e tra\u00e7os no sentido psicol\u00f3gico ou ps\u00edquico. A maioria dos autores confundem o comportamento com a estrutura da personalidade. Assim quando se fala em instinto nutritivo, nutri\u00e7\u00e3o, confundem isso com sede, com fome, com car\u00eancia alimentar e com tend\u00eancia de buscar a pr\u00f3pria alimenta\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o elementos que n\u00e3o tem nada a ver com a parte subjetiva a n\u00e3o ser que seja uma exterioriza\u00e7\u00e3o da necessidade subjetiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa correla\u00e7\u00e3o entre o meio externo e o ambiente citogen\u00e9tico, temos o esquema de Luxemburger, em que ele situa as doen\u00e7as como todas elas ligadas diretamente ao ambiente ou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o end\u00f3gena, de maneira que nenhuma doen\u00e7a end\u00f3gena ou ex\u00f3gena \u00e9 exclusivamente end\u00f3gena ou ex\u00f3gena, havendo sempre um componente dos dois aspectos ligados ao quadro cl\u00ednico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos como procurou mostrar Luxemburger, no seu esquema, que uma grande parte da doen\u00e7a decorre essencialmente da carga gen\u00e9tica e, portanto, da disposi\u00e7\u00e3o para a doen\u00e7a. Nesse caso uma pequena a\u00e7\u00e3o do ambiente bastaria para desencadear uma psicose. Se o indiv\u00edduo que tem pouca tend\u00eancia para a psicose \u2013 portanto, uma carga gen\u00e9tica discreta limitada \u2013 \u00e9 submetido a uma a\u00e7\u00e3o do ambiente \u2013 como por exemplo anoxia exterior, ele poder\u00e1 desenvolver um quadro mental tamb\u00e9m que ser\u00e1 consequ\u00eancia mais do meio ambiente, do que da disposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Luxemburger procurou mostrar que h\u00e1 uma parte das doen\u00e7as que s\u00e3o heredit\u00e1rias, as psicoses gen\u00e9ticas ou end\u00f3genas e h\u00e1 as psicoses ex\u00f3genas ou n\u00e3o end\u00f3genas, como consequ\u00eancia do meio ambiente; mas em todas elas h\u00e1 uma determinada tend\u00eancia gen\u00e9tica ou aspecto dado pelo ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas psicoses em que o desequil\u00edbrio dessa disposi\u00e7\u00e3o decorre do ambiente. Isso mostrou que, na realidade, quando se fala em ambiente, este decorre do meio que o indiv\u00edduo est\u00e1 imerso desde que nasce, isto \u00e9, o ambiente f\u00edsico e o social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 1<\/strong> \u2013 Esquema de interdependencia entre fatores ambienciais e genot\u00edpicos da personalidade segundo Luxemburger em estado h\u00edgido e em quadros m\u00f3rbidos<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"986\" height=\"297\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2197\" style=\"width:610px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-3.png 986w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-3-300x90.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-3-768x231.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-3-18x5.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 986px) 100vw, 986px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"536\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2198\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-5.png 984w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-5-300x163.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-5-768x418.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-5-18x10.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Isso que se aplica a doen\u00e7a mental se aplica tamb\u00e9m, naturalmente, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es normais do indiv\u00edduo. Aqui temos a disposi\u00e7\u00e3o e ambiente como fontes que n\u00e3o se op\u00f5em, e que podem somar-se. Verificamos que em rela\u00e7\u00e3o a essa quest\u00e3o do ambiente h\u00e1 uma parte que corresponde ao ambiente externo, no sentido comum, e uma outra parte que corresponde ao citoplasma.<\/p>\n\n\n\n<p>O citoplasma, por conseguinte, participa do mundo externo porque est\u00e1 relacionado ao genoma, aos genes, mas ao mesmo tempo, implicado na sua manifesta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, sem a participa\u00e7\u00e3o do citoplasma n\u00e3o h\u00e1 manifesta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica; \u00e9 necess\u00e1rio, ent\u00e3o, que haja o ambiente citogen\u00e9tico para que os genes se manifestem. Os autores, em geral, consideram o gene, como sendo uma entidade, uma subst\u00e2ncia; na realidade ele \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o simplesmente. Mas de qualquer maneira, essa fun\u00e7\u00e3o s\u00f3 se manifesta quando existe condi\u00e7\u00e3o ambiental, e citol\u00f3gica para que ele se produza.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, uma parte do citoplasma e uma parte de ambiente do mundo externo, que corresponde ao mundo parat\u00edpico, na acep\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo interno, por sua vez, \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de fatores genot\u00edpicos ou gen\u00e9tico total e do citoplasma tamb\u00e9m. Logo entre o mundo interno e o mundo externo, n\u00e3o h\u00e1 um antagonismo, h\u00e1 apenas diversidade de participa\u00e7\u00e3o de fatores gen\u00e9ticos e do fator ambiencial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O citoplasma corresponde, ent\u00e3o, ao substrato que liga o ambiente exterior ao ambiente interno \u2013 gen\u00e9tico, genot\u00edpico. O aspecto exterior, portanto, quando tomamos um paciente, ou uma condi\u00e7\u00e3o qualquer ou um ser, temos que distinguir o mundo interno e o mundo externo, mas isto \u00e9 apenas uma apar\u00eancia, \u00e9 apenas o aspecto fenot\u00edpico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando tomamos o crit\u00e9rio heredol\u00f3gico \u2013 gen\u00e9tico total \u2013 vemos que h\u00e1 o mundo genot\u00edpico e o mundo parat\u00edpico. Portanto, gen\u00e9tico total, citoplasma e ambiente no sentido comum, correspondem ao substrato de v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, das v\u00e1rias atividades, que ligam com o mundo gen\u00e9tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, por exemplo, se uma pessoa contrai rub\u00e9ola durante a gesta\u00e7\u00e3o, pode atingir o citoplasma \u2013 n\u00e3o o gen\u00f3tipo \u2013 mas ao atingir o citoplasma vai criar condi\u00e7\u00f5es anormais que n\u00e3o permitir\u00e3o que o gene, o car\u00e1ter gen\u00e9tico, se traduza como seria de se esperar. Nesse caso, houve uma interfer\u00eancia do mundo exterior, atrav\u00e9s do citoplasma; externo em rela\u00e7\u00e3o ao tipo intr\u00ednseco do indiv\u00edduo; portanto, mais tarde, o comprometimento de determinadas fun\u00e7\u00f5es vai reproduzir tend\u00eancias gen\u00e9ticas e tend\u00eancias adquiridas pelo efeito da a\u00e7\u00e3o na fase embrion\u00e1ria do citoplasma.<\/p>\n\n\n\n<p>O ambiente vai atuar tamb\u00e9m de duas maneiras: o ambiente f\u00edsico, sob condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ou n\u00e3o, que decorrem do meio em que o indiv\u00edduo est\u00e1 e aquele correspondente ao ambiente social, isto \u00e9, a vida do indiv\u00edduo, desde a parte inicial de sua exist\u00eancia at\u00e9 que se torne independente, aut\u00f4nomo e desempenhe maior atividade social e assimile a cultura social. Este \u00e9 o ambiente externo, mas que age indiretamente como est\u00edmulo social.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, quando se procura estudar um paciente que apresente um quadro cl\u00ednico, ou analisando as condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que se pressup\u00f5em normais, temos que considerar esses v\u00e1rios elementos. N\u00e3o podemos dizer apenas que ela apresenta esta ou aquela predisposi\u00e7\u00e3o que corresponde \u00e0 tend\u00eancia heredol\u00f3gica, e sim levar em considera\u00e7\u00e3o o ambiente; e isso interfere tamb\u00e9m, na constitui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a constitui\u00e7\u00e3o representa as disposi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o em parte herdadas e fixas e em parte adquiridas atrav\u00e9s desses aspectos ambienciais (fig. 2).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles tra\u00e7os que s\u00e3o estabelecidos como gen\u00e9ticos, mas que s\u00e3o modificados pelo ambiente, podem ser modificados porque o ambiente citoplasm\u00e1tico poder\u00e1 sofrer a\u00e7\u00e3o do ambiente f\u00edsico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vemos tamb\u00e9m que al\u00e9m desse aspecto que corresponde \u00e0 a\u00e7\u00e3o do ambiente, temos que atender outros aspectos, mais de origem psicol\u00f3gica realmente. Assim, vemos que a personalidade, como a consideramos, como fun\u00e7\u00e3o subjetiva \u00e9 o conjunto de fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que est\u00e3o articuladas entre si de tal forma que constituem um todo indivis\u00edvel, que correspondem \u00e0 estrutura intr\u00ednseca do indiv\u00edduo e peculiar \u00e0 esp\u00e9cie. A aprecia\u00e7\u00e3o dessa articula\u00e7\u00e3o funcional de forma desintegrada, somente pode se dar pela abstra\u00e7\u00e3o ou pela patologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os autores em geral, consideram o elemento ligado com a parte biol\u00f3gica; ent\u00e3o a personalidade seria o conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas e biol\u00f3gicas ao mesmo tempo, e sublinham tamb\u00e9m, apesar dessa associa\u00e7\u00e3o de elementos biol\u00f3gicos e subjetivos, o problema de corpo e mente ou se quisermos soma e psique. Os autores se preocupam em saber de que maneira se pode fundir corpo e mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembramos, que isso \u00e9 um levantamento um pouco inadequado do problema, quer dizer, se considerarmos fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica como correspondendo a personalidade subjetiva, ent\u00e3o n\u00e3o poderemos pensar em corpo e mente: seria fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e c\u00e9rebro, ou, ent\u00e3o o substrato cerebral das fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que \u00e9 um aspecto diverso. N\u00e3o podemos compreender, como se liga o corpo com a mente, quer dizer, o corpo \u00e9 o conjunto do organismo e mente, o conjunto ps\u00edquico e n\u00e3o h\u00e1 meio de ligarmos uma coisa com a outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Figura 2 \u2013 Comportamento e tra\u00e7os<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"993\" height=\"742\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2200\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-6.png 993w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-6-300x224.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-6-768x574.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-6-16x12.png 16w\" sizes=\"auto, (max-width: 993px) 100vw, 993px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>** &#8211; adquiridos durante a fase embrion\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Figura 3 \u2013 Tipos constitucionais<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"987\" height=\"185\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2201\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-7.png 987w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-7-300x56.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-7-768x144.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-7-18x3.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 987px) 100vw, 987px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Esse problema, \u00e9 o que Pavlov tinha em mente ao dizer que o fundamental na ci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao homem \u00e9 fundir o subjetivo com o objetivo, isto \u00e9, a parte ps\u00edquica com o substrato cerebral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 poss\u00edvel se considerarmos o c\u00e9rebro como um conjunto de \u00f3rg\u00e3os, como Gall demonstrou, e que as fun\u00e7\u00f5es, que examinamos pelo aspecto mental, psicol\u00f3gico, decorrem do funcionamento desses \u00f3rg\u00e3os. Neste caso, fica f\u00e1cil compreendermos, inclusive, com a possibilidade de se utilizar isso como crit\u00e9rio para a terap\u00eautica adequada, quer seja pela psicoterapia, quer pela medica\u00e7\u00e3o, agindo aqui em partes do c\u00e9rebro pela chamada psicoterapia fisiol\u00f3gica, quer pelos neurol\u00e9pticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale assinalar o trabalho de Wallon, que busca interpretar a participa\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro no funcionamento ps\u00edquico, como a evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de um conjunto de passos: primeiro, a organiza\u00e7\u00e3o vegetativa, a organiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria viva, do animal superior e do homem, aqui passando para o estado ps\u00edquico, \u00faltimo passo da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece, \u00e9 que a fun\u00e7\u00e3o, nesse caso \u2013 fun\u00e7\u00e3o subjetiva \u2013 \u00e9 peculiar a esse tipo de \u00f3rg\u00e3o cerebral, mas n\u00e3o porque se trata do indiv\u00edduo humano. Assim, temos a mesma possibilidade de examinar esse \u00f3rg\u00e3o por v\u00e1rios crit\u00e9rios, v\u00e1rios n\u00edveis de funcionamento, como se faz com o f\u00edgado ou uma v\u00edscera qualquer, inclusive o c\u00e9rebro como v\u00edscera e estud\u00e1-lo sob v\u00e1rios aspectos: morfol\u00f3gico, bioqu\u00edmico, evolutivo, ou seja, por crit\u00e9rios aplicado a qualquer \u00f3rg\u00e3o do organismo humano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas temos que considerar aqui a parte subjetiva, porque a fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 fun\u00e7\u00e3o exteriorizada, por meio neurol\u00f3gico evidenci\u00e1vel pela objetividade, mas pelo aspecto subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se pode associar essa modifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos interessa saber, interessa saber em que condi\u00e7\u00f5es se processa a modifica\u00e7\u00e3o, porque se quisermos saber qual \u00e9 a causa, a raz\u00e3o disto, n\u00e3o teremos possibilidade de compreendermos. Se o indiv\u00edduo aceita a concep\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, achando que h\u00e1 uma alma agindo atrav\u00e9s do c\u00e9rebro, ent\u00e3o, o que interessa n\u00e3o \u00e9 saber que a alma est\u00e1 agindo sobre o c\u00e9rebro e sim aquelas partes do c\u00e9rebro que acionadas pela alma dariam os resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>O que interessa saber s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o as causas. Essa hip\u00f3tese n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria porque consideramos como uma associa\u00e7\u00e3o do substrato cerebral, anat\u00f4mico, por um aspecto diverso, que realmente reduz \u00e0s condi\u00e7\u00f5es neurofisiol\u00f3gicas ou morfol\u00f3gicas. De maneira que essa concep\u00e7\u00e3o que temos de ligar o trabalho mental, \u00e0s fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas ao substrato cerebral s\u00e3o compat\u00edveis com qualquer teoria que procura interpretar os fen\u00f4menos ps\u00edquicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 necessariamente ateia, agn\u00f3stica nem teol\u00f3gica:&nbsp; mas todas as fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis se tomarmos em considera\u00e7\u00e3o o fator cl\u00ednico em si ou o fator naturalista, observando como se comporta o indiv\u00edduo nessa evolu\u00e7\u00e3o. Na nossa maneira de apreciar, o psiquismo resulta do trabalho cerebral, da fun\u00e7\u00e3o cerebral e essa \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o de Comte. S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es, portanto, que representam um trabalho subjetivo de \u00f3rg\u00e3os cerebrais, que s\u00e3o identific\u00e1veis e localiz\u00e1veis, e podem ser pesquisados como \u00f3rg\u00e3os no aspecto vegetativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio distinguir personalidade nesse aspecto: como fun\u00e7\u00f5es subjetivas e ao mesmo tempo como estrutura do comportamento. Comportamento, seria, ent\u00e3o, o conjunto de disposi\u00e7\u00f5es que se traduzem atrav\u00e9s das inter-rela\u00e7\u00f5es, no caso ps\u00edquico como tamb\u00e9m subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que levar em conta tamb\u00e9m que o comportamento pode ser analisado sob dois aspectos: o comportamento subjetivo, que s\u00f3 pode ser apreciado atrav\u00e9s das t\u00e9cnicas de exame ps\u00edquico, e o comportamento expl\u00edcito que corresponde \u00e0 a\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo desenvolve no meio exterior. Verificamos que realmente o que permite o comportamento expl\u00edcito s\u00e3o as mesmas \u00e1reas cerebrais, as mesmas zonas do c\u00e9rebro que permitem o funcionamento subjetivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como lembramos anteriormente, se n\u00e3o houver est\u00edmulo afetivo n\u00e3o haver\u00e1 atividade, n\u00e3o haver\u00e1 trabalho mental nenhum, qualquer que seja, nem intelectual e nem motor, a n\u00e3o ser que haja a media\u00e7\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es conativas ou ativas, segundo Comte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, a cona\u00e7\u00e3o, a parte subjetiva que corresponde \u00e0 atividade para Comte, \u00e9 o que permite ao mesmo tempo o comportamento expl\u00edcito e o comportamento subjetivo. Logo h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o entre a repercuss\u00e3o mental, intelectual e um certo ato que o indiv\u00edduo executa e isso permite compreendermos que o indiv\u00edduo vai formando a no\u00e7\u00e3o do mundo exterior, porque ao mesmo tempo est\u00e1 agindo sobre o mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>O sentido da muscula\u00e7\u00e3o, como \u00e1rea sensorial de capta\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo se liga diretamente com o aparelho muscular. Ali\u00e1s os autores reconhecem, quando se fala em sensibilidade muscular, que h\u00e1 realmente uma atividade sensorial na representa\u00e7\u00e3o muscular, mas isso n\u00e3o decorre da impress\u00e3o e sim da sensa\u00e7\u00e3o, da sensibilidade transmitida atrav\u00e9s da medula at\u00e9 os chamados centros cerebrais proprioceptivos. Vemos, ent\u00e3o, que o sentido da muscula\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligado com a motilidade, quer dizer com exerc\u00edcio muscular, quer se trate da vis\u00e3o (os m\u00fasculos intr\u00ednsecos do globo ocular); quer se trate da sensibilidade proprioceptiva em que agem os m\u00fasculos lisos, que enviam informa\u00e7\u00f5es, mensagens do tipo n\u00e3o conscientes, vegetativos; quer se trate da audi\u00e7\u00e3o em que agem os m\u00fasculos que d\u00e3o mobilidade para o ouvido interno tamb\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No tato, na vis\u00e3o e na audi\u00e7\u00e3o existe sempre a participa\u00e7\u00e3o da muscula\u00e7\u00e3o como sentido fisiol\u00f3gico e, por isso, est\u00e3o ligados intimamente. Portanto, a no\u00e7\u00e3o que se tem do mundo exterior atrav\u00e9s do trabalho de capta\u00e7\u00e3o da realidade, traz consigo tamb\u00e9m um componente sensorial da musculatura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que h\u00e1 outro sentido mais geral do que a muscula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a chamada eletri\u00e7\u00e3o e que na cl\u00ednica se verifica atrav\u00e9s do diapas\u00e3o, no sentido das vibra\u00e7\u00f5es produzidas sobre indiv\u00edduo. A eletri\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada n\u00e3o somente com os \u00f3rg\u00e3os da vis\u00e3o, da audi\u00e7\u00e3o e do tato, mas tamb\u00e9m com todos os sentidos como por exemplo, a dor. Sabemos que qualquer vibra\u00e7\u00e3o que ultrapasse uma faixa normal da capacidade sensorial provoca dor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dor \u00e9 uma vibra\u00e7\u00e3o excessiva e est\u00e1 ligada com o sentido da eletri\u00e7\u00e3o e a eletri\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada com todos os outros sentidos inclusive estes com os quais se liga a muscula\u00e7\u00e3o, porque tamb\u00e9m o campo da muscula\u00e7\u00e3o tem a correspondente vibra\u00e7\u00e3o, e todos os autores reconhecem como tal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode ser visto at\u00e9 pelo potencial bioel\u00e9trico e pode ser medido, como Jorge Curion tem verificado experimentalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas notem, ent\u00e3o, que o que d\u00e1 o contato com a realidade exterior \u00e9 o exerc\u00edcio dessas fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e as liga\u00e7\u00f5es se estabelecem atrav\u00e9s desses sentidos na capta\u00e7\u00e3o da realidade. Essas fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o, que atuam atrav\u00e9s dos sentidos na capta\u00e7\u00e3o sensorial da realidade, correspondem indiretamente aos elementos subjetivos intr\u00ednsecos, mas constituem apenas tra\u00e7os; ent\u00e3o h\u00e1 o exerc\u00edcio muscular, exerc\u00edcio da capta\u00e7\u00e3o da sensibilidade muscular que correspondem a tra\u00e7os de personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o tra\u00e7os em dois sentidos: (1) tra\u00e7os que correspondem a aplica\u00e7\u00e3o ao mundo subjetivo em rela\u00e7\u00e3o ao mundo exterior e ao mundo vegetativo interno, (2) tra\u00e7os que correspondem a fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas consideradas por si mesmas, como elemento subjetivo. Ent\u00e3o, tra\u00e7os de car\u00e1ter, que correspondem exatamente \u00e0s fun\u00e7\u00f5es conativas e afetivas, inclusive os tra\u00e7os de personalidade outros que n\u00e3o s\u00e3o esses de car\u00e1ter: capacidade de trabalho mental que \u00e9 vari\u00e1vel e uma s\u00e9rie de outras caracter\u00edsticas do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores que estudam tra\u00e7os no sentido subjetivo, consideram-nos ligados com o trabalho mental ou ps\u00edquico outros que correspondem \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas. Isto porque o sentido da muscula\u00e7\u00e3o e o da eletri\u00e7\u00e3o, s\u00e3o aspectos som\u00e1ticos \u2013 liga\u00e7\u00e3o entre o mundo subjetivo e o mundo exterior. Esses dois tipos de tra\u00e7os, por conseguinte correspondem como dissemos, a manifesta\u00e7\u00f5es diretas e indiretas de nosso mundo subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 autores, que quando consideram a personalidade, como o fez Spermann e Cattel, procuram estudar os tra\u00e7os. Ent\u00e3o, o que seria objetivo, o que poderia exteriorizar, o que poderia se medir, verificar a varia\u00e7\u00e3o que se apresentam, s\u00e3o os tra\u00e7os. Mas os tra\u00e7os n\u00e3o representam a personalidade e os autores em geral confundem personalidade com tra\u00e7os de personalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos comportamento subjetivo e comportamento expl\u00edcito ou objetivo que t\u00eam como correspondente, como correlato, os tra\u00e7os de personalidade e assim compreendemos que os autores tenham dado uma acep\u00e7\u00e3o diversa de personalidade, porque n\u00e3o t\u00eam determinado todas as condi\u00e7\u00f5es a que correspondem um determinado fen\u00f4meno ps\u00edquico estudado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 4 \u2013 Esquema sint\u00e9tico da Estrutura de Personalidade, fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas internas e de liga\u00e7\u00e3o, tra\u00e7os, comportamento, temperamento e constitui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"983\" height=\"590\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-8.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2202\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-8.png 983w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-8-300x180.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-8-768x461.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024-05-13-8-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 983px) 100vw, 983px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><em>Legenda referente \u00e0s setas que indicam mecanismo complexos entre os setores da personalidade:<\/em><\/strong> entre afetividade e intelig\u00eancia \u2013 interesse; entre afetividade e cona\u00e7\u00e3o \u2013 motiva\u00e7\u00e3o; entre cona\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia \u2013 aten\u00e7\u00e3o; entre intelig\u00eancia e cona\u00e7\u00e3o: orienta\u00e7\u00e3o e; entre intelig\u00eancia e afetividade (seta bidirecional): emo\u00e7\u00e3o ou processo emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Situamos \u00e0 esquerda desse esquema as fun\u00e7\u00f5es subjetivas: a afetividade, a atividade e a intelig\u00eancia. S\u00e3o setores que mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es espec\u00edficas entre si, de tal forma que algumas s\u00e3o fundamentais, outras dependentes, que todos conhecem. O que corresponde a setores s\u00e3o um grupo de fun\u00e7\u00f5es: na afetividade, os instintos correspondem a sete fun\u00e7\u00f5es e os sentimentos, tr\u00eas, na cona\u00e7\u00e3o, a firmeza e duas fun\u00e7\u00f5es para a atividade propriamente dita e cinco fun\u00e7\u00f5es na esfera intelectual.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es subjetivas internas que correspondem ent\u00e3o \u00e0 estrutura da personalidade. Vemos, por conseguinte, que a personalidade abrange apenas esses tr\u00eas setores, que s\u00e3o constitu\u00eddos pelas dezoito fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, quando consideramos o indiv\u00edduo como conjunto, n\u00e3o levamos em considera\u00e7\u00e3o apenas esse aspecto subjetivo, mas tamb\u00e9m o aspecto de liga\u00e7\u00e3o entre esse mundo subjetivo e o mundo exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, ent\u00e3o, uma outra s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o que s\u00e3o objetiv\u00e1veis, pass\u00edveis de serem consideradas quanto ao n\u00edvel funcional subjetivo envolvido. Assim, temos, principalmente, na intelig\u00eancia, o contato intelectual com a realidade e de comunica\u00e7\u00e3o de sinaliza\u00e7\u00e3o ou de elabora\u00e7\u00e3o da realidade. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade ou cona\u00e7\u00e3o, temos a motilidade, que exprime esse trabalho de liga\u00e7\u00e3o ente o mundo subjetivo nessa \u00e1rea e o mundo exterior. Em rela\u00e7\u00e3o aos sentimentos e aos instintos, temos dois aspectos: o contato afetivo com a realidade, interpessoal e outro com a reg\u00eancia metab\u00f3lica \u2013 liga\u00e7\u00e3o direta com o mundo visceral, que se faz atrav\u00e9s do instinto de nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, ent\u00e3o, um aspecto que \u00e9 a reg\u00eancia do metabolismo e outro aspecto mais diferenciado que \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior. Essas fun\u00e7\u00f5es, por conseguinte, se manifestam de modo vari\u00e1vel, dando ent\u00e3o, o que chamamos de constitui\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas e de liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, aqueles tra\u00e7os que mostramos no esquema de Hans Luxemburger, correspondem, em uma parte, do aspecto din\u00e2mico, e outra parte, do aspecto est\u00e1tico ou do arranjo da personalidade em si mesmo. Isso \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o; vemos tamb\u00e9m que correspondem \u00e0s fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, mas n\u00e3o s\u00f3 as fun\u00e7\u00f5es internas, mas tamb\u00e9m com as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o e com essas v\u00e1rias \u00e1reas de contato com a realidade exterior envolvidas e que se exprimem de modo diverso.<\/p>\n\n\n\n<p>Exprime, como tradu\u00e7\u00e3o da capacidade mental, um conjunto de manifesta\u00e7\u00e3o exteriorizada, que nos d\u00e1 a capacidade de assimilar e elaborar o mundo exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o tra\u00e7os intelectuais que correspondem, ent\u00e3o, ao contato com a realidade. Outro tra\u00e7o, corresponde \u00e0 capacidade de a\u00e7\u00e3o; o indiv\u00edduo pode agir no mundo exterior de modo vari\u00e1vel e isto permite estabelecer a varia\u00e7\u00e3o comportamental de um indiv\u00edduo para outro. A capacidade de a\u00e7\u00e3o exprime as disposi\u00e7\u00f5es subjetivas da atividade e ao mesmo tempo as fun\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da motilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel da afetividade, temos dois aspectos: o mais diferenciado, que envolve os sentimentos: temos o contato com o mundo exterior \u2013 que vai dar o car\u00e1ter e a parte que corresponde mais \u00e0s fun\u00e7\u00f5es vegetativas mais ligadas com o mundo subjetivo, corresponde ao bi\u00f3tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>O temperamento \u00e9 um conceito abstrato como a constitui\u00e7\u00e3o e que procura exprimir as rela\u00e7\u00f5es entre os tra\u00e7os de personalidade e o modo de liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior. O temperamento como vemos nesta coluna mais externa corresponde tamb\u00e9m ao bi\u00f3tipo. Ent\u00e3o, o bi\u00f3tipo e o temperamento est\u00e3o ligados com a constitui\u00e7\u00e3o, mas nessa acep\u00e7\u00e3o, constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o equivale nem ao temperamento, nem ao bi\u00f3tipo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, por fim, o resultado desse trabalho mental, que seria ent\u00e3o, a adapta\u00e7\u00e3o da realidade no plano intelectual; com a a\u00e7\u00e3o extr\u00ednseca que decorre da liberdade do indiv\u00edduo exteriorizar a capacidade de a\u00e7\u00e3o; as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, e as rea\u00e7\u00f5es individuais aos v\u00e1rios est\u00edmulos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso constitui o comportamento quer seja subjetivo, quer seja objetivo, e todo esse conjunto corresponde ao indiv\u00edduo; ent\u00e3o, temos que considerar no indiv\u00edduo: uma parte intr\u00ednseca, a fun\u00e7\u00e3o subjetiva, a fun\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00e3o, o temperamento e a constitui\u00e7\u00e3o da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma parte do temperamento tamb\u00e9m corresponde ao indiv\u00edduo, mas temos a parte externa que \u00e9 o comportamento apenas e que pode ser desdobrado em comportamento subjetivo, \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o como o mundo exterior e o comportamento expl\u00edcito que \u00e9 o resultado da fus\u00e3o das v\u00e1rias tend\u00eancias subjetivas do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se considerarmos dessa maneira, fica f\u00e1cil compreendermos as v\u00e1rias decorr\u00eancias que surgem na cl\u00ednica normal ou patol\u00f3gica, no \u00e2mbito da cl\u00ednica psiqui\u00e1trica. Assim, o estudo da Psicologia como um estudo sistem\u00e1tico do comportamento (comportamentalismo) n\u00e3o constitui a verdadeira psicologia. Com a t\u00e9cnica de avers\u00e3o do comportamento operante estamos apenas modificando a exterioriza\u00e7\u00e3o do comportamento objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ADENDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrutura e Din\u00e2mica da Personalidade, Car\u00e1ter e Temperamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Defini\u00e7\u00e3o de personalidade (estrutura)<\/em><\/strong> \u2013 conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas ligadas ao funcionamento cerebral peculiar \u00e0 esp\u00e9cie que continuamente regem em harmonia, a disposi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e as suas rela\u00e7\u00f5es com o ambiente f\u00edsico e social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas<\/em><\/strong> \u2013 fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas \u2013 articuladas entre si de maneira tal que constituem um todo individual e que s\u00f3 podem ser isolados por abstra\u00e7\u00e3o ou pela patologia. A partir do exame ps\u00edquico, isto \u00e9, pela desmontagem dos casos cl\u00ednicos podemos ver os elementos alterados distinguindo as fun\u00e7\u00f5es desestruturadoras daquelas compensadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o constitu\u00eddas por tr\u00eas grupos de fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas: Afetividade, Cona\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia que apenas diferem quanto aos seus resultados e n\u00e3o propriamente quanto \u00e0 natureza. Elas realizam um trabalho harm\u00f4nico resultando no trabalho ps\u00edquico. S\u00e3o inatas, coexistentes e obedecem a uma hierarquia. Permitem que o indiv\u00edduo entre em contato com ao meio externo ou com o pr\u00f3prio mundo subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hierarquia no sentido de que uns s\u00e3o b\u00e1sicos, fundamentais, outros s\u00e3o menos gerais, mais dependentes, menos essenciais ao funcionamento mental. O que caracteriza a primazia desses setores, \u00e9 a \u00e9poca em que entra em fun\u00e7\u00e3o de modo a definir o modo prevalente do indiv\u00edduo contactar com o ambiente. Nesse sentido, a afetividade representa o setor fundamental para o funcionamento das outras esferas.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, existe uma hierarquia no sentido de express\u00e3o dos tr\u00eas setores. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel distinguir, em um determinado ato, o grau de participa\u00e7\u00e3o das duas esferas ou identificar a participa\u00e7\u00e3o, maior ou menor, de cada fun\u00e7\u00e3o subjetiva envolvida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ligadas ao funcionamento cerebral \u2013<\/em><\/strong> Reduzir as fun\u00e7\u00f5es aos \u00f3rg\u00e3os cerebrais correspondentes de modo que se permite estabelecer uma liga\u00e7\u00e3o entre objetivo e subjetivo, o que para Pavlov constitu\u00eda o problema fundamental da ci\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cada fun\u00e7\u00e3o cerebral corresponde a um sistema mais amplo e uma les\u00e3o pode ser compensada n\u00e3o porque haja outras que assumem essa fun\u00e7\u00e3o como pretende a teoria da plasticidade cerebral de K. Goldstein mas porque outros elementos do sistema preenchem tal fun\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante, portanto, ao relacionar o substrato cerebral ao comportamento ps\u00edquico, levar em considera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>evidentemente, o indiv\u00edduo est\u00e1 em contato com o ambiente porque o c\u00e9rebro est\u00e1 funcionando, mas os processos ps\u00edquicos est\u00e3o sujeitos a leis que regem o processo mental e que n\u00e3o correspondem exatamente as din\u00e2micas neurofisiol\u00f3gicas;\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>essa liga\u00e7\u00e3o se faz atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os cerebrais que s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que operam como um conjunto harm\u00f4nico constituindo-se em sistemas que d\u00e3o como resultado o psiquismo.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Portanto, o enc\u00e9falo, pode ser estudado em v\u00e1rios n\u00edveis:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Como v\u00edscera<\/em> \u2013 metabolismo, tra\u00e7os bioqu\u00edmicos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00edvel fisiol\u00f3gico <\/em>\u2013 n\u00facleos hipotal\u00e2micos, amadurecimento org\u00e2nico, equil\u00edbrio eletrol\u00edtico, temperatura som\u00e1tica, circula\u00e7\u00e3o, P.A., sudorese etc.<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00edvel neurol\u00f3gico <\/em>\u2013 manifesta\u00e7\u00f5es exteriorizadas (t\u00f4nus est\u00e1tico e din\u00e2mico), (dienc\u00e9falo, subst\u00e2ncia reticular), reflexos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00edvel subjetivo (psicol\u00f3gico \u2013 <\/em>resultado da convexidade cortical \u2013 Afetividade, Cona\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia, espontaneidade, consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Psicologia gen\u00e9tica \u2013 correlacionamento do amadurecimento psicol\u00f3gico com o amadurecimento cerebral (mieliniza\u00e7\u00e3o). O conjunto harm\u00f4nico das fun\u00e7\u00f5es subjetivas do c\u00e9rebro \u2013 Personalidade subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Peculiares \u00e0 esp\u00e9cie \u2013 estrutural<\/em><\/strong>, portanto, comum a todos os seres humanos, no caso. As tend\u00eancias gen\u00e9ticas e o ambiente determinam o arranjo entre as fun\u00e7\u00f5es subjetivas, mas n\u00e3o determinam as pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es. Estas s\u00e3o comuns \u00e0 esp\u00e9cie humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Din\u00e2mico \u2013 As fun\u00e7\u00f5es se disp\u00f5em de modo diverso conforme o indiv\u00edduo, conforme o grau de amadurecimento, conforme as condi\u00e7\u00f5es de liberdade afetiva ou conten\u00e7\u00e3o, enfim, de uma s\u00e9rie de fatores que decorrem do mundo exterior e que influem sobre o mundo subjetivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O indiv\u00edduo age em rela\u00e7\u00e3o ao meio externo em correla\u00e7\u00e3o com o seu pr\u00f3prio modo de agir. Os ambientes f\u00edsico e social tamb\u00e9m interferem sobre o indiv\u00edduo atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio que eles mantem continuamente. O resultado do <strong><em>arranjo <\/em><\/strong>das demais fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas (sendo essas fun\u00e7\u00f5es em si comuns a todo indiv\u00edduo) permite a no\u00e7\u00e3o da \u201cnorma, contr\u00e1rio, \u00e0 estat\u00edstica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Continuamente \u2013 aspecto temporal<\/em><\/strong> \u2013 \u00c9 um processo que se faz ininterruptamente desde a fase neonatal preparado por processos anteriores e que se prolonga num certo sentido ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Prolongamento do passado gen\u00e9tico<\/em><\/strong> \u2013 hereditariedade. Influ\u00eancias culturais e familiares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Prolongamento para o futuro<\/em><\/strong> \u2013 hereditariedade; a\u00e7\u00f5es, pensamentos, cria\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo que influem sobre os demais e sobre o dinamismo social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Disposi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo<\/em><\/strong> \u2013 equil\u00edbrio entre o ps\u00edquico e suas rela\u00e7\u00f5es com o ambiente f\u00edsico e social.<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que permitem a passagem das rela\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo com o meio externo, isto \u00e9, permite transpor para a realidade os est\u00edmulos subjetivos internos. O contato com o meio externo decorre do est\u00edmulo afetivo mediado pelo trabalho da atividade. As fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o variam conforme o indiv\u00edduo, conforme as circunst\u00e2ncias, conforme o amadurecimento, conforme o estado normal ou patol\u00f3gico. Em suma, depende do substrato cerebral, do elemento cultural e das experi\u00eancias passadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre algumas fun\u00e7\u00f5es (de liga\u00e7\u00e3o interna) est\u00e3o necessariamente ligadas a setores de personalidade enquanto outras s\u00e3o modific\u00e1veis pelo ambiente. O que permite o adestramento, a assimila\u00e7\u00e3o de normas do meio externo s\u00e3o as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o e o arranjo das fun\u00e7\u00f5es subjetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, ent\u00e3o: aspecto ps\u00edquico intr\u00ednseco: personalidade. As fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas de liga\u00e7\u00e3o, quer com o mundo interno quer com o mundo externo. Temos duas vias de contato com o meio externo: intelectual e a atividade. A intelectual influi na atividade quando h\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o intelectual m\u00ednima ocorre a a\u00e7\u00e3o direta \u2013 por exemplo \u2013 para um arranjo ou no comportamento autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A afetividade tem uma liga\u00e7\u00e3o indireta com o ambiente externo atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os sensoriais (percep\u00e7\u00e3o ao aparelho motor (motilidade) e o sistema de reg\u00eancia vegetativa \u00e9 um elemento constante de liga\u00e7\u00e3o \u2013 entre o mundo interno e cerebral \u2013 din\u00e2mica vegetativa, n\u00e3o psicol\u00f3gica que pode ser aferida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Instintiva<\/em><\/strong> \u2013 em rela\u00e7\u00e3o ao mundo visceral atrav\u00e9s da reg\u00eancia do metabolismo (desenvolvimento da c\u00e9lula viva) ou sofrem o est\u00edmulo metab\u00f3lico (dist\u00farbios metab\u00f3licos na afetividade \u2013 emo\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sentimentos <\/em><\/strong>\u2013 contato afetivo com o mundo social e com o mundo f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Atividade <\/em><\/strong>\u2013 sejam diretamente a motilidade. O contato com o mundo externo atrav\u00e9s da motilidade (preens\u00e3o e locomo\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Intelig\u00eancia <\/em><\/strong>\u2013 continuamente o indiv\u00edduo recebe o est\u00edmulo do meio externo e elabora continuamente esses est\u00edmulos (valor simb\u00f3lico da realidade externa). Portanto, embora o contato aferente e eferente no caso, seja intelectual, reflete tamb\u00e9m a perturba\u00e7\u00e3o do sentimento atrav\u00e9s de ju\u00edzos de valor. Portanto, entre as rea\u00e7\u00f5es internas, subjetivas, afetivas (impulsos e motiva\u00e7\u00f5es) e a execu\u00e7\u00e3o desses interesses necessariamente interfere a atividade e a intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Tra\u00e7os de personalidade<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Traduz o arranjo de fun\u00e7\u00f5es subjetivas que se desenvolvem com a idade e com as condi\u00e7\u00f5es ambientais e psicol\u00f3gicas do indiv\u00edduo. O indiv\u00edduo desde que nasce tem uma maneira pr\u00f3pria de agir, vemos que h\u00e1 uma const\u00e2ncia nos tra\u00e7os que lhe s\u00e3o atribu\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o, cada indiv\u00edduo age de acordo com seu modo particular de ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tra\u00e7os se referem a:<\/p>\n\n\n\n<p>Capacidade mental do indiv\u00edduo \u2013 tipo e grande intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Capacidade de a\u00e7\u00e3o \u2013 efici\u00eancia, lento ou rapidez de rea\u00e7\u00f5es (Behaviorismo).<\/p>\n\n\n\n<p>Modalidade de car\u00e1ter \u2013 exterioriza\u00e7\u00e3o do estado subjetivo atrav\u00e9s do comportamento externo. Conjunto de fun\u00e7\u00f5es afetivas e conativas, modo como o indiv\u00edduo age no meio externo e que se traduz atrav\u00e9s das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Portanto, conjunto das fun\u00e7\u00f5es afetivas e pr\u00e1ticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter expressa de modo geral a disposi\u00e7\u00e3o subjetiva do indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m a reg\u00eancia do metabolismo. Portanto dois aspectos: vegetativo e subjetivo ligados com a estrutura \u00edntima do indiv\u00edduo resultando nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e nas rea\u00e7\u00f5es interpessoais e nas rea\u00e7\u00f5es individuais aos est\u00edmulos. Os elementos do car\u00e1ter ligados ao funcionamento vegetativo \u00e9 o bi\u00f3tipo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Bi\u00f3tipo<\/em><\/strong> \u2013 complexo de rela\u00e7\u00f5es, principalmente som\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m envolvendo elementos subjetivos ligados aos instintos. Disposi\u00e7\u00e3o som\u00e1tica e vegetativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Temperamento:&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Varia em correla\u00e7\u00e3o com o bi\u00f3tipo, mas tamb\u00e9m envolve modalidade de car\u00e1ter. Portanto: (1) parte b\u00e1sica: bi\u00f3tipo, (2) parte que corresponde \u00e0s fun\u00e7\u00f5es caracterol\u00f3gicas (modalidade de car\u00e1ter), (3) capacidade de a\u00e7\u00e3o e, (4) maneira de encarar e de reagir \u00e0 realidade (capacidade mental).<\/p>\n\n\n\n<p>O temperamento resume as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e os tra\u00e7os que traduzem essa liga\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 impl\u00edcito o interc\u00e2mbio das v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es subjetivas do indiv\u00edduo, mas n\u00e3o s\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o direta dessas fun\u00e7\u00f5es, mas o modo como se arranjam em cada indiv\u00edduo e d\u00e3o o contato com o meio externo. Sendo uma rela\u00e7\u00e3o entre os tra\u00e7os de personalidade e o meio de liga\u00e7\u00e3o com o mundo externo corresponde a uma decorr\u00eancia indireta do meio subjetivo e uma decorr\u00eancia direta do meio externo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Resultado<\/em><\/strong> \u2013 consciente, objetivo.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Capacidade mental \u2013 adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade.<\/li>\n\n\n\n<li>Capacidade de a\u00e7\u00e3o \u2013 a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita embora n\u00e3o decorra do car\u00e1ter, est\u00e1 ligada a ele, implica em trabalho intelectual e interesse afetivo. Exprime as fun\u00e7\u00f5es subjetivas e as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o \u2013 motilidade. Resultado do trabalho de fus\u00e3o de v\u00e1rias tend\u00eancias do indiv\u00edduo.<\/li>\n\n\n\n<li>Rela\u00e7\u00f5es interpessoais \u2013 que resultam do car\u00e1ter. S\u00e3o disposi\u00e7\u00f5es de personalidade que estabelece a liga\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o meio. Ou seja, as liga\u00e7\u00f5es intelectuais e suas repercuss\u00f5es com o mundo afetivo.<\/li>\n\n\n\n<li>Rea\u00e7\u00f5es individuais aos est\u00edmulos.<\/li>\n<\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMPORTAMENTO SUBJETIVO E COMPORTAMENTO EXPL\u00cdCITO\u00b9 Algumas das fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas est\u00e3o necessariamente ligadas a setores de personalidade, ao passo que outras, que n\u00e3o constituem fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas intr\u00ednsecas podem ser modificadas pelo ambiente. Mas quando se fala em ambiente temos que ter uma acep\u00e7\u00e3o adequada desse termo, e isso \u00e9 importante quando procedemos ao estudo patogen\u00e9tico: porque [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-1848","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1848"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2203,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1848\/revisions\/2203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}