{"id":2420,"date":"2024-06-17T18:36:35","date_gmt":"2024-06-17T21:36:35","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2420"},"modified":"2024-06-17T18:36:35","modified_gmt":"2024-06-17T21:36:35","slug":"instinto-nutritivo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/instinto-nutritivo\/","title":{"rendered":"INSTINTO NUTRITIVO"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>INSTINTO NUTRITIVO<sup data-fn=\"2f67fe9d-6899-4f63-af4c-b08f96615cc9\" class=\"fn\"><a href=\"#2f67fe9d-6899-4f63-af4c-b08f96615cc9\" id=\"2f67fe9d-6899-4f63-af4c-b08f96615cc9-link\">1<\/a><\/sup><br>(L\u00facia Maria Salvia Coelho)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Evolu\u00e7\u00e3o no ser vivo<\/span><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><\/ol>\n\n\n\n<p>A nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno caracter\u00edstico de todo ser vivo. Consiste na cont\u00ednua renova\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, ou seja, na assimila\u00e7\u00e3o e desassimila\u00e7\u00e3o em um meio que \u00e9 pr\u00f3prio ao organismo. Nas plantas esse fen\u00f4meno de nutri\u00e7\u00e3o celular se distribui por todo o organismo sem possibilidade de provar um nexo subjetivo pois que lhes faltam um sistema cerebral coordenador. Nos seres unicelulares ocorre uma troca osm\u00f3tica semelhante ao que se passa nos vegetais. J\u00e1 com a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies animais surge um certo grau de organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica sendo que a cont\u00ednua varia\u00e7\u00e3o da estrutura qu\u00edmica do organismo j\u00e1 apresenta uma diretriz precisa, gra\u00e7as \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o neuronal. Mas \u00e9 a partir dos vertebrados que se estabelece a reg\u00eancia central cujo correspondente psicol\u00f3gico se caracteriza como \u201cinstinto nutritivo\u201d. A centraliza\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o, por um \u00f3rg\u00e3o definido, destas fun\u00e7\u00f5es nutritivas no Sistema Nervoso \u00e9 correlata \u00e0 especializa\u00e7\u00e3o que atinge maior grau na esp\u00e9cie humana.<br>O fator respons\u00e1vel pelas caracter\u00edsticas definidoras da esp\u00e9cie \u00e9 o genoma. Em cada aspecto do comportamento de um ser vivo devemos considerar os fatores gen\u00e9ticos, pr\u00f3prios da esp\u00e9cie e a carga gen\u00e9tica individual. Os primeiros s\u00e3o de ordem geral e de natureza est\u00e1vel, e a segunda \u00e9 espec\u00edfica a cada ser. No plano subjetivo podemos definir as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas inatas e presentes em todos os indiv\u00edduos da esp\u00e9cie \u2013 permitindo a concep\u00e7\u00e3o de uma estrutura de personalidade e o dinamismo espec\u00edfico que se estabelece entre estas fun\u00e7\u00f5es e entre o indiv\u00edduo e o ambiente \u2013 caracterizando a din\u00e2mica de personalidade \u2013 diversa para cada ser considerado. O instinto nutritivo corresponde \u00e0s fun\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas de todo ser vivo e que assumem um feitio particular na esp\u00e9cie humana, gra\u00e7as \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do sistema nervoso. A ele acham-se relacionados dois aspectos caracter\u00edsticos dos fen\u00f4menos vitais: a evolu\u00e7\u00e3o que termina com a morte e a reprodu\u00e7\u00e3o que perpetua a esp\u00e9cie. De modo que todas as rea\u00e7\u00f5es viscerais bioqu\u00edmicas est\u00e3o subordinadas ao Sistema Nervoso. O correspondente psicol\u00f3gico desta reg\u00eancia central est\u00e1 ligado, no plano subjetivo, ao que denominamos \u201cinstinto nutritivo\u201d.<br>Em cada fase do desenvolvimento ontogen\u00e9tico o sistema nutritivo interfere de modo cada vez mais complexo. Na realidade, os processos nutritivos surgem desde a fus\u00e3o zig\u00f3tica, permitindo as rea\u00e7\u00f5es que acompanham o desenvolvimento fetal, ou seja, dirigindo a matura\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Portanto, o instinto atua antes da forma\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o correspondente, pois que o desenvolvimento fetal \u2013 a de embri\u00e3o \u2013 em sua primeira fase antecede \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso. Este fen\u00f4meno nutritivo e de desenvolvimento do ovo \u2013 decorre da estimula\u00e7\u00e3o recebida atrav\u00e9s do organismo materno, do instinto nutritivo e sexual da m\u00e3e. Caso haja uma altera\u00e7\u00e3o grave nesse processo de matura\u00e7\u00e3o inicial, ocorrer\u00e1 o aborto.<br>Assim, o instinto nutritivo \u00e9 o \u00fanico realmente indispens\u00e1vel \u00e0 sobreviv\u00eancia e representa o elemento fundamental para o desenvolvimento do sistema nervoso, isto \u00e9, do pr\u00f3prio sistema ps\u00edquico correspondente. Ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso no feto define-se uma regi\u00e3o \u2013 o verme cerebelar \u2013 que da\u00ed por diante centralizar\u00e1 este processo metab\u00f3lico, funcional e bioqu\u00edmico.<br>Von Monakow denomina o instinto nutritivo de \u201cinstinto formativo\u201d, baseado em investiga\u00e7\u00f5es anatomopatol\u00f3gicas, neurofisiol\u00f3gicas que demonstraram a manifesta\u00e7\u00e3o deste instinto antes da forma\u00e7\u00e3o do feto. Sontag verificou este aspecto decapitando os embri\u00f5es no interior do organismo de uma porca prenhe. Os porquinhos nasceram sem cabe\u00e7a, o que indica que a aus\u00eancia do c\u00e9rebro n\u00e3o impediu o processo nutritivo de forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Tal fen\u00f4meno ocorre na esp\u00e9cie humana com os fetos anencef\u00e1licos que chegam at\u00e9 a fase de matura\u00e7\u00e3o e apresentam apenas um sistema nervoso rudimentar. Em ambos os casos o centro coordenador deste processo de evolu\u00e7\u00e3o embrion\u00e1rio \u00e9 o cerebelo materno.<br>Podemos ainda estabelecer um certo paralelo entre a concep\u00e7\u00e3o positivista de instinto nutritivo e a concep\u00e7\u00e3o freudiana de libido \u2013 energia biol\u00f3gica que estimula todas as rea\u00e7\u00f5es vitais e que incita o indiv\u00edduo a agir no ambiente.<br>Entretanto, a teoria de libido \u00e9 ainda imprecisa e do ponto de vista cient\u00edfico ela \u00e9 bem inferior \u00e0 teoria comteana. Freud n\u00e3o estabelece a natureza deste fen\u00f4meno considerado no plano cerebral, ao passo que Comte relaciona-o com o verme cerebelar, e tal atribui\u00e7\u00e3o atualmente j\u00e1 foi amplamente demonstrada por investiga\u00e7\u00f5es neurofisiol\u00f3gicas, da anatomia comparada e mesmo atrav\u00e9s dos estudos sobre altera\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas.<br>Logo ap\u00f3s o nascimento temos a express\u00e3o puramente visceral do instinto nutritivo, o qual atua na assimila\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos externos atrav\u00e9s dos reflexos condicionados e atrav\u00e9s das primeiras constru\u00e7\u00f5es intelectuais. A alimenta\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria elimina\u00e7\u00e3o das fezes provocam um relaxamento org\u00e2nico e satisfa\u00e7\u00e3o que \u00e9 basicamente associada pelo indiv\u00edduo ao ambiente externo, provedor de suas necessidades. A este n\u00edvel j\u00e1 ocorre um processo emocional em que as no\u00e7\u00f5es da realidade externa se acham associadas \u00e0s satisfa\u00e7\u00f5es vegetativas. Assim, quando a crian\u00e7a recebe os alimentos ocorre uma estimula\u00e7\u00e3o visceral correspondente \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de car\u00eancia alimentar. Ao mesmo tempo ela relaciona intelectualmente este est\u00edmulo \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o instintiva sem distinguir no ambiente os fatores sociais: ela identifica a presen\u00e7a da m\u00e3e com a pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o subjetiva. Este processo emocional permite os primeiros nexos da crian\u00e7a com o ambiente. Tais nexos s\u00e3o fundamentais para a evolu\u00e7\u00e3o de seus sentimentos sociais.<br>Da\u00ed a import\u00e2ncia atribu\u00edda pelos psic\u00f3logos a esta rela\u00e7\u00e3o primordial estabelecida entre a m\u00e3e e a crian\u00e7a.<br>A incid\u00eancia de uma perturba\u00e7\u00e3o nesta fase de relacionamento afetivo-visceral da crian\u00e7a no ambiente poder\u00e1 determinar associa\u00e7\u00f5es irracionais ou fantasias que poder\u00e3o interferir no ajustamento harm\u00f4nico \u00e0 realidade e mesmo se traduzir, mais tarde, como um processo neur\u00f3tico. O aspecto da emo\u00e7\u00e3o decorre da repercuss\u00e3o da no\u00e7\u00e3o sobre o instinto nutritivo, ligado diretamente ao metabolismo. Veremos que, quando esta repercuss\u00e3o atingir o n\u00edvel mais diferenciado dos sentimentos, a express\u00e3o emocional ter\u00e1 um conte\u00fado social, como por exemplo, a express\u00e3o de alegria pelo riso, o de tristeza pelo choro, e o do pudor pelo enrubescimento.<br>Assim, logo ap\u00f3s o nascimento, a rea\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 predominantemente instintiva com reduzida participa\u00e7\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o. Ocorre de in\u00edcio a preval\u00eancia do instinto nutritivo que vai caracterizar o relacionamento do indiv\u00edduo com o ambiente. Nesta fase a unidade subjetiva baseia-se nos impulsos instintivos. Esta unidade geral do ser apenas pode ser compreendida atrav\u00e9s dos meios que ele disp\u00f5e para prover sua pr\u00f3pria conserva\u00e7\u00e3o. Esta unidade subjetiva sup\u00f5e necessariamente a continuidade do est\u00edmulo afetivo.<br>Uma vez que toda fun\u00e7\u00e3o animal \u00e9 intermitente, a continuidade decorre da a\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os cerebrais afetivos. Tais \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o apresentam uma liga\u00e7\u00e3o direta com o ambiente externo, e n\u00e3o sofrem, portanto, a excita\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica que \u00e9 captada pelos \u00f3rg\u00e3os sensoriais para a realiza\u00e7\u00e3o do processo intelectual e que provoca rea\u00e7\u00f5es de contra\u00e7\u00e3o muscular traduzindo-se como mobilidade.<br>Assim, apenas as fun\u00e7\u00f5es intelectuais e as conativas s\u00e3o processos intermitentes enquanto as fun\u00e7\u00f5es afetivas agem continuamente. Comte sintetiza este aspecto do processo ps\u00edquico em sua express\u00e3o: \u201cPodemos deixar de agir e at\u00e9 mesmo de pensar, mas nunca podemos deixar de amar\u201d. Entretanto, mesmo atuando continuamente no organismo os instintos n\u00e3o asseguram uma s\u00edntese harm\u00f4nica.<br>As rea\u00e7\u00f5es instintivas podem ser contradit\u00f3rias e cegas, e por caracterizarem o contato do rec\u00e9m-nascido com o ambiente, elas n\u00e3o asseguram a estabilidade do comportamento e a unidade subjetiva se faz de modo prec\u00e1rio e sincr\u00e9tico. \u00c0 medida que a crian\u00e7a vai subordinando seus impulsos b\u00e1sicos aos imperativos do ambiente social ela j\u00e1 \u00e9 capaz de distinguir a imagem de um ser humano que a alimenta como elemento respons\u00e1vel por sua satisfa\u00e7\u00e3o. Esta fus\u00e3o da imagem com a sensa\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 fase inicial do estabelecimento de uma s\u00edntese subjetiva superior da qual resultar\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de identidade, a consci\u00eancia da exist\u00eancia aut\u00f4noma com refer\u00eancia aos demais indiv\u00edduos e a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o da realidade objetiva. Tal s\u00edntese s\u00f3 se completa atrav\u00e9s da amplia\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<br>Por\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio assinalar que o instinto nutritivo participa nas fases do desenvolvimento individual, se bem que em n\u00edveis crescentes de complexidade e de subordina\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">2. N\u00edvel cerebral do processo nutritivo<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00e1leo-cerebelo ou verme cerebelar \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o b\u00e1sico respons\u00e1vel pela express\u00e3o biol\u00f3gica do instinto nutritivo. A nutri\u00e7\u00e3o se manifesta de duas maneiras: como fen\u00f4meno espec\u00edfico de reg\u00eancia do metabolismo e como estimula\u00e7\u00e3o geral de ativa\u00e7\u00e3o do sistema nervoso central.<br>Devemos, portanto, considerar dois n\u00edveis de atividade cerebelar: em que corresponde apenas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es objetivas vegetativas e outro que corresponde j\u00e1 \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o da estimula\u00e7\u00e3o cortical (apreci\u00e1vel pelo EEG, ou pelo exame neurol\u00f3gico direto) \u2013 com um correlato subjetivo de ordem psicol\u00f3gica. Vemos que o cerebelo \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o que funde todas as atividades: desde metab\u00f3licas que s\u00e3o fundamentais \u00e0 exist\u00eancia individual at\u00e9 \u00e0 express\u00e3o do interesse pelo ambiente que se traduz tanto como \u201cespontaneidade\u201d \u2013 resultante da correla\u00e7\u00e3o entre afetividade e cona\u00e7\u00e3o da \u201cconsci\u00eancia\u201d dos est\u00edmulos externos e internos que resulta da correla\u00e7\u00e3o intelig\u00eancia-cona\u00e7\u00e3o.<br>A reg\u00eancia do metabolismo se faz no hipot\u00e1lamo e a distribui\u00e7\u00e3o geral dos est\u00edmulos ao Sistema nervoso central se faz pela reg\u00eancia da zona reticular do enc\u00e9falo. Mas tanto o hipot\u00e1lamo como a subst\u00e2ncia reticular n\u00e3o s\u00e3o zonas aut\u00f4nomas, mas est\u00e3o subordinadas \u00e0s vias cerebelo-cerebelares.<br>Verificou-se experimentalmente que a reg\u00eancia hipotal\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 aut\u00f4noma, pois quando o cerebelo \u00e9 atingido ocorrem modifica\u00e7\u00f5es nos n\u00facleos hipotal\u00e2micos. Al\u00e9m disso o potencial bioel\u00e9trico nos n\u00facleos hipotal\u00e2micos \u00e9 influenciado pela integridade ou pela altera\u00e7\u00e3o do verme cerebelar.<br>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 aut\u00f4noma a reg\u00eancia da zona reticular do processo de ativa\u00e7\u00e3o de Sistema Nervoso. Existem fibras de liga\u00e7\u00e3o entre a subst\u00e2ncia reticular e os n\u00facleos hipotal\u00e2micos (cerebelo-ret\u00edculo-hipotal\u00e2mico).<br>A verifica\u00e7\u00e3o experimental da exist\u00eancia de zonas supressoras da atividade cortical comprova ainda a import\u00e2ncia do cerebelo na coordena\u00e7\u00e3o dos processos nutritivos. Inicialmente Baylay e McCulloch verificaram em animais que a estimula\u00e7\u00e3o das zonas corticais espec\u00edficas (2, 4, 8, e no \u00e2ngulo das \u00e1reas 23, 24 e 37 de Brodmann) produziam inibi\u00e7\u00e3o total da atividade cortical. Mais tarde estes dois autores e independentemente Magoun, observaram que a atividade supressora n\u00e3o \u00e9 apenas de ordem cortical, mas vai at\u00e9 os n\u00facleos da base do enc\u00e9falo.<br>Magoun verificou que nesta inibi\u00e7\u00e3o participa igualmente a subst\u00e2ncia reticular do bulbo. Atualmente j\u00e1 foi comprovado experimentalmente que do cerebelo at\u00e9 a zona reticular do enc\u00e9falo partem est\u00edmulos que s\u00e3o inibit\u00f3rios e que v\u00e3o at\u00e9 a corticalidade. Portanto, existe um sistema p\u00e1leo-cerebelar-paleo-cerebral respons\u00e1vel por este processo inibit\u00f3rio. Isto explica por que uma altera\u00e7\u00e3o cerebelar provoca perda da consci\u00eancia (Magoun: The walking).<br>Temos, ent\u00e3o, dois circuitos inibit\u00f3rios: um c\u00f3rtico-cortical (c\u00f3rtex-t\u00e1lamo-estriado-cortical nas zonas 4 e 45), outro cerebelo-cerebral (cerebelo-hipot\u00e1lamo-zona orbit\u00e1ria) \u2013 zona frontal, cortical.<br>Um outro aspecto do fen\u00f4meno nutritivo foi verificado por Silveira em 1941. Este autor estimulando o hipot\u00e1lamo produzia a \u201cfalsa raiva\u201d no gato, isto \u00e9, sua rea\u00e7\u00e3o de c\u00f3lera e de agressividade.<br>Ao cortar as liga\u00e7\u00f5es entre o cerebelo e o hipot\u00e1lamo, Silveira observou que repetindo a estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica no hipot\u00e1lamo do animal, apesar deste demonstrar uma rea\u00e7\u00e3o de c\u00f3lera, n\u00e3o manifestava um comportamento agressivo.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"2f67fe9d-6899-4f63-af4c-b08f96615cc9\">Apostila produzida na Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed, como complemento ao curso de Psicologia M\u00e9dica, destinado aos alunos de Medicina e residentes em Psiquiatria. Tamb\u00e9m esta apostila foi utilizada no Curso de Teoria da Personalidade na Sociedade Rorschach de S\u00e3o Paulo. O texto foi composto em 1978. Seu conte\u00fado foi considerado parcialmente superado pela pr\u00f3pria autora que j\u00e1 discorreu sobre o tema sob nova perspectivas. Eu, Roberto Fazzani, no entanto, digitalizei todas as apostilas do grupo no qual esta est\u00e1 inclu\u00edda. Acredito que ainda possam ser \u00fateis para compreender a Teoria de Personalidade por n\u00f3s adotada. <a href=\"#2f67fe9d-6899-4f63-af4c-b08f96615cc9-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INSTINTO NUTRITIVO(L\u00facia Maria Salvia Coelho) A nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno caracter\u00edstico de todo ser vivo. Consiste na cont\u00ednua renova\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, ou seja, na assimila\u00e7\u00e3o e desassimila\u00e7\u00e3o em um meio que \u00e9 pr\u00f3prio ao organismo. 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