{"id":2529,"date":"2024-06-18T19:46:51","date_gmt":"2024-06-18T22:46:51","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2529"},"modified":"2024-06-18T19:46:51","modified_gmt":"2024-06-18T22:46:51","slug":"a-patologia-cerebral-segundo-karl-kleist","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/a-patologia-cerebral-segundo-karl-kleist\/","title":{"rendered":"A PATOLOGIA CEREBRAL SEGUNDO KARL KLEIST"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A PATOLOGIA CEREBRAL SEGUNDO KARL KLEIST<\/strong><sup data-fn=\"3c2885ec-2d92-432f-8c53-5a4a3d3b250b\" class=\"fn\"><a href=\"#3c2885ec-2d92-432f-8c53-5a4a3d3b250b\" id=\"3c2885ec-2d92-432f-8c53-5a4a3d3b250b-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>(E. E. Krapf)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A literatura m\u00e9dica conta j\u00e1 com tr\u00eas grandes sistemas de patologia cerebral. De 1881 a 1883, <em>C. Wernicke<\/em> publicou seu \u201cTratado das enfermidades cerebrais\u201d; em 1897 apareceu a \u201cPatologia Cerebral\u201d de <em>C. von Monakow<\/em>, em 1924 editou-se o \u00faltimo dos oito volumes das \u201cContribui\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas e Anat\u00f4micas na Patologia do C\u00e9rebro\u201d de <em>S. E. Henschen.<\/em> Trata-se de tr\u00eas obras realmente monumentais, cuja influ\u00eancia sobre o pensamento neuropsiqui\u00e1trico de suas \u00e9pocas respectivas seria dif\u00edcil sobrestimar. Enquanto tanto a investiga\u00e7\u00e3o neuropsiqui\u00e1trica adquiriu um incremento tal, que de ano a ano parecia mais dif\u00edcil que pudesse um s\u00f3 homem, uma vez mais, abarcar o tema em sua totalidade. Apesar disto, <em>Karl Kleist<\/em> se animou a empreender a gigantesca tarefa. Em doze anos de trabalho ass\u00edduo escreveu um tomo de 1065 p\u00e1ginas; e em 1934 apareceu (publicado por J. A. Barth de Leipzig) sua <em>Gehirnpathologie<\/em>\u201d, uma obra que n\u00e3o se pode elogiar mais pela simples constata\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 completamente a par de seus predecessores.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe d\u00favida que esse tratado marcar\u00e1 rumo para toda uma gera\u00e7\u00e3o de neuropsiquiatras. Todo investigador interessado nos problemas deveria, por tanto, estudar a obra original. Por outro lado, \u00e9 indiscut\u00edvel que uma obra escrita em alem\u00e3o, e ainda mais, no idioma cient\u00edfico muito pessoa de <em>Kleist<\/em>, n\u00e3o \u00e9 de f\u00e1cil alcance para o especialista latino-americano. Eis aqui o motivo desta \u201cmise a point\u201d brev\u00edssima, que n\u00e3o pode fazer mais do que tocar os pontos mais importantes, e que, em meu modo de ver, n\u00e3o deveria ser tomado por um substituto do original, mas servir como uma esp\u00e9cie de introdu\u00e7\u00e3o ao modo de pensar do mestre de Frankfurt.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro duas palavras sobre a <em>origem <\/em>da obra e o <em>fundamento cl\u00ednico<\/em> em que se baseia. O que <em>Kleist<\/em> tentou fazer num princ\u00edpio era uma descri\u00e7\u00e3o dos ensinamentos neuropsiqui\u00e1tricos da guerra de 1914-1918. Da\u00ed que a maioria das observa\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias comunicadas (277) se referiam a traumatismos cerebrais. Mais adiante, no entanto, deu-se conta que n\u00e3o poderia ser completo se se limitasse a esse material. De modo que, de imediato, considerou tamb\u00e9m as enfermidades focais de outra origem (106 casos pr\u00f3prios) e uma bibliografia de mais de 1000 n\u00fameros. H\u00e1 que se considerar pois que a casu\u00edstica \u00e9 um pouco unilateral e que o fato de que tantas observa\u00e7\u00f5es estejam sem aut\u00f3psias correspondentes diminui um pouco o valor das conclus\u00f5es. Por outro lado, parece-me que estas circunst\u00e2ncias estejam sobre compensadas pelo n\u00famero de casos utilizados, e pelo fato de que, em geral, os traumatismos constituem melhor material de estudo do que os tumores (sintomas distantes) e as les\u00f5es vasculares e senis (generaliza\u00e7\u00e3o do processo)<sup data-fn=\"1563437d-87fb-4461-9be0-c79f82346c2a\" class=\"fn\"><a href=\"#1563437d-87fb-4461-9be0-c79f82346c2a\" id=\"1563437d-87fb-4461-9be0-c79f82346c2a-link\">2<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos <em>fundamentos conceituais <\/em>da obra, <em>Kleist<\/em> mesmo nos d\u00e1 a chave. No ep\u00edlogo do tratado refere-se a seus predecessores, e faz notar, muito acertadamente, que cada um deles se baseava num grande avan\u00e7o da investiga\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica do c\u00e9rebro: <em>Wernicke<\/em> nos estudos faseranat\u00f4micos de <em>Meynert<\/em> e dele mesmo; <em>von Monakow <\/em>nos resultados do m\u00e9todo da degenera\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria (<em>Gudden, Marchi, von Monakow<\/em>); e <em>Herschen <\/em>nos achados mielogen\u00e9ticos de <em>Flechsig.<\/em> Diz, portanto: \u201cA tarefa de uma nova descri\u00e7\u00e3o da patologia cerebral consistia, do ponto de vista anat\u00f4mico localizat\u00f3rio, em que era necess\u00e1rio relacionar os transtornos clinicamente encontrados com o novo conceito arquitet\u00f4nico do c\u00e9rebro e, especialmente, o c\u00f3rtex\u201d (pag. 1364). De fato, pode-se dizer que a citoarquitetonia do c\u00f3rtex (<em>Campbell, E. Smith, Brodmann, C. e O. Vogt, von Economo, <\/em>etc.) e a histologia fina das camadas corticais (<em>Cajal, Kappers, Mott, van Valkenburg, Nissl, <\/em>etc.) s\u00e3o as verdadeiras bases da an\u00e1lise fisiopatol\u00f3gica e cl\u00ednica do autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a ambi\u00e7\u00e3o de <em>Kleist<\/em> vai mais al\u00e9m do que isto. O que, na realidade, busca \u00e9 chegar a um plano funcional (<em>Funktionsplan<\/em>) do c\u00e9rebro, que em seus elementos principais, corresponde n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 estrutura anat\u00f4mica do \u00f3rg\u00e3o central (<em>Bauplan<\/em>), mas tamb\u00e9m \u00e0 psicologia da personalidade. Seu caminho o leva do transtorno \u201cao conhecimento de certos tipos de transtorno e \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de conceitos de transtorno. Os conceitos de transtorno s\u00e3o, por assim dizer, os negativos. Supondo que positivos normais correspondam aos negativos patol\u00f3gicos, chegamos a fun\u00e7\u00f5es normais&#8230; Assim comparamos as fun\u00e7\u00f5es normais com aquelas que delimita o psic\u00f3logo. Deste modo, por compara\u00e7\u00e3o, e complementa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca dos resultados patol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos, esperamos chegar \u00e0 concep\u00e7\u00e3o ver\u00eddica dos sucessos e conex\u00f5es\u201d (pag. 1146).<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, onde n\u00e3o temos suficiente espa\u00e7o para ir do fato isolado \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 oportuno dar primeiro uma ideia do que \u00e9 para <em>Kleist<\/em> o \u201c<em>plano estrutural e funcional do c\u00e9rebro\u201d.<\/em> Este procedimento nos facilitar\u00e1 consideravelmente a descri\u00e7\u00e3o ulterior dos pormenores cl\u00ednicos e fisiopatol\u00f3gicos. Mas conv\u00e9m fazer constar que esta distribui\u00e7\u00e3o dos pesos n\u00e3o \u00e9 de nenhum modo a do mesmo <em>Kleist<\/em>, e que tamb\u00e9m para n\u00f3s a maior atra\u00e7\u00e3o da \u201c<em>Gehirnpathologie<\/em>\u201d reside justamente no minucioso detalhe cl\u00ednico, t\u00e3o carinhosamente observado e descrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o sistema de <em>Kleist<\/em> \u00e9 recomend\u00e1vel ter sempre presente que se trata de um sistema de coordenadas, cuja primeira \u00e9 a <em>oposi\u00e7\u00e3o entre o c\u00f3rtex e o tronco cerebral, <\/em>a segunda a <em>ubiquidade da distribui\u00e7\u00e3o funcional em atividades motoras, sensoriais e ps\u00edquicas<\/em> e a terceira a <em>estrutura\u00e7\u00e3o \u201cpsicobiol\u00f3gica\u201d do eu.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00f3rtex formado por \u201c<em>Sinnessphaeren<\/em>\u201d (esferas de sentidos) \u00e9 o \u201clocal\u201d do \u201c<em>psiquismo cortical<\/em>\u201d que forma, de car\u00e1ter e talentos, a \u201cpersonalidade\u201d (pag. 1368). Por baixo dela h\u00e1 o tronco cerebral que no indiv\u00edduo normal e maduro est\u00e1 sob o dom\u00ednio do c\u00f3rtex, mas cujas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o de uma import\u00e2ncia vital extraordin\u00e1ria: No tronco cerebral localizam-se para <em>Kleist<\/em> verdadeiros \u201c<em>psiquismos infracorticais\u201d<\/em> (<em>infrakortikale Seele<\/em>) que batiza o autor de (a) \u201c<em>Achtsmkeit und Bewusstsein\u201d; <\/em>(b) \u201c<em>Wachsein um Schlafen\u201d; <\/em>(c) \u201c<em>Wesen\u201d. <\/em>Tamb\u00e9m essas fun\u00e7\u00f5es t\u00eam suas rela\u00e7\u00f5es localizat\u00f3rias firmes: \u201c<em>Achtsamkeit und Bewusstsein\u201d <\/em>(aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia) residem nos segmentos mais posteriores do tronco cerebral, metenc\u00e9falo e telenc\u00e9falo; a \u201c<em>Wachsein und Schlafen\u201d <\/em>(vig\u00edlia e sono) j\u00e1 correspondem a um segmento mais anterior, o dienc\u00e9falo cinzento central e tal\u00e2mico; mais adiante ainda, no dienc\u00e9falo e nos g\u00e2nglios profundos do prosenc\u00e9falo, localiza-se o <em>\u201cWessen\u201d<\/em>, termo muito dif\u00edcil de traduzir, que significa mais ou menos \u201cmodo de ser\u201d e que, no seguinte, usando um conceito aparentado da filosofia escol\u00e1stica, denominar-se-\u00e1 <em>\u201cess\u00eancia\u201d<\/em>. Kleist define a ess\u00eancia como \u201ca totalidade das atividades ps\u00edquicas do dienc\u00e9falo e dos g\u00e2nglios prosencef\u00e1licos\u201d, e especifica como tais atividades \u201cas baixas fun\u00e7\u00f5es do eu, inclusive os temperamentos, a psicomotilidade baixa e as atividades baixas de apercep\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o, fixa\u00e7\u00e3o, vigilidade e idea\u00e7\u00e3o\u201d (pag. 1368). V\u00ea-se, de imediato, que a \u201cess\u00eancia\u201d infracortical complementa \u00e0 \u201cpersonalidade\u201d cortical em forma parecida como na obra de <em>F. Kraus, <\/em>a \u201ctiefenperson\u201d \u00e0 \u201cPerson\u201d, uma analogia que, por outro lado, o pr\u00f3prio <em>Kleist<\/em> assinala (pag. 1168).<\/p>\n\n\n\n<p>A <em>triparti\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cerebrais <\/em>em motoras, sensoriais e ps\u00edquicas existe no c\u00f3rtex como nos centros subcorticais, na \u201cpersonalidade\u201d como na \u201cess\u00eancia\u201d do ser humano. Mais adiante, ver-se-\u00e1 de que forma se expressa esta circunst\u00e2ncia nos distintos n\u00edveis fisiol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas conv\u00e9m destacar, desde j\u00e1, que as mencionadas fun\u00e7\u00f5es se cristalizam sempre ao redor das atividades ps\u00edquicas (atividades do eu) e que, por tanto, o eixo do indiv\u00edduo normal \u00e9 o que acima cham\u00e1vamos <em>estrutura\u00e7\u00e3o psicobiol\u00f3gica do eu.<\/em> Kleist assinala que tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o a isto teve precursores, e cita, especialmente, seu mestre, <em>Wernicke<\/em>, que falava j\u00e1 no s\u00e9culo passado de \u201c<em>Auto-Psyche, Somato-psyche und Allo-Psyche<\/em>\u201d. Acrescentarei que, em meu ver, \u00e9 quase mais not\u00e1vel ainda que os mesmos psic\u00f3logos falem hoje de uma \u201cestrutura do eu\u201d e que <em>Freud<\/em> defenda um conceito an\u00e1logo dentro da escola psicanal\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>I<\/strong>. <strong>A estrutura do eu.<\/strong> Constituindo a estrutura do eu o eixo da concep\u00e7\u00e3o kleistiana, prefiro falar dela em primeiro lugar e deixar a descri\u00e7\u00e3o das demais fun\u00e7\u00f5es, tanto corticais como infracorticais, para mais tarde.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O eu \u00e9, para <em>Kleist<\/em>, \u201cuma entidade formada por grupos funcionais (c\u00edrculos, capas) que est\u00e3o ordenados em parte em superposi\u00e7\u00e3o, em parte em justaposi\u00e7\u00e3o, e esta entidade deve corresponder a seu portador anat\u00f4mico que possui uma estrutura parecida\u201d (pag. 1167). \u201cAs escalas baixas formam o \u201c<em>Gefuehls-und Trieb-ich<\/em>\u201d, uma regi\u00e3o m\u00e9dia a constitui, o \u201c<em>Koerper-ich<\/em>\u201d cenest\u00e9sico, o eu mais alto, o car\u00e1ter, compreende as qualidades pessoais do eu que repousa em si mesmo (<em>\u201cSelbst-ich\u201d<\/em>), al\u00e9m das disposi\u00e7\u00f5es morais b\u00e1sicas da vida social (<em>\u201cWelt-ich, religioses Ich<\/em>) (pag. 1250). <em>Kleist<\/em> d\u00e1 a todas estas escalas tamb\u00e9m nomes gregos, de maneira que se pode sintetizar seu conceito no seguinte quadro:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"718\" height=\"197\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2533\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1.png 718w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1-300x82.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1-18x5.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>J\u00e1 vimos que <em>Kleist<\/em> atribui a todos estes c\u00edrculos do eu uma localiza\u00e7\u00e3o cerebral. Na mesma ordem de cima coloca o eu afetivo e instintivo (Afetividade e Instintividade pela tradu\u00e7\u00e3o de An\u00edbal Silveira) no tronco cerebral, mas especialmente no dienc\u00e9falo. As escalas mais altas t\u00eam tamb\u00e9m uma representa\u00e7\u00e3o diencef\u00e1lica, mas simultaneamente possuem localiza\u00e7\u00e3o cortical de hierarquia superior \u00e0 diencef\u00e1lica, e que h\u00e1 que buscar para o eu som\u00e1tico (Personalidade Som\u00e1tica) na regi\u00e3o cingular (sobretudo esquerda), e para o eu pr\u00f3prio (Personalidade Subjetiva), o eu social (Sociabilidade) e o eu c\u00f3smico (Religiosidade) no lobo orbit\u00e1rio (detalhes cl\u00ednicos nas p\u00e1ginas 1171 at\u00e9 1235).<\/p>\n\n\n\n<p>Recordando agora que para <em>Kleist<\/em> n\u00e3o h\u00e1 fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica sem fun\u00e7\u00f5es motoras e sensoriais correspondentes, n\u00e3o acharemos estranho que \u201ctodas as regi\u00f5es do eu tenham um lado sensorial e um motor\u201d (pag. 1250). O que isto quer dizer ele o expressa de modo concreto e sint\u00e9tico no seguinte quadro:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"212\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2534\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2.png 712w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2-300x89.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2-18x5.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Segundo o grau da excitabilidade desses \u201cc\u00edrculos do eu\u201d <em>Kleist<\/em> classifica os temperamentos. \u201cTemperamento \u00e9 a temperatura ps\u00edquica\u201d (pag. 1170). Dos temperamentos ou \u201chumores\u201d da psicologia antiga correspondem ao eu afetivo (afetividade) os sangu\u00edneos e melanc\u00f3licos, ao eu instintivo (instintividade) os col\u00e9ricos e fleum\u00e1ticos. \u201cAs temperaturas do eu som\u00e1tico (personalidade som\u00e1tica), eu pr\u00f3prio (personalidade subjetiva), eu social (sociabilidade), eu religioso (religiosidade) s\u00e3o&#8230;. o bem-estar ou mal-estar (\u201c<em>Befinden\u201d)., <\/em>a viv\u00eancia do eu (<em>Selbstgefuehl<\/em>) e o calor das disposi\u00e7\u00f5es morais (<em>Gesinnungen<\/em>) sociais e religiosas (pag. 1170\/1).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quero fazer constar que todas estas concep\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o de forma alguma no ar, mas que o edif\u00edcio te\u00f3rico descrito tem s\u00f3lidos fundamentos cl\u00ednicos. Ser\u00edamos levados demasiadamente longe se f\u00f4ssemos relatar de forma detalhada quais s\u00e3o os transtornos muito variados que permitem a <em>Kleist<\/em> chegar \u00e0 an\u00e1lise funcional citada anteriormente. Por outro lado, teremos ocasi\u00e3o de falar ainda de certos aspectos patol\u00f3gicos do eu, quando, nos cap\u00edtulos seguintes, encararmos o estudo das fun\u00e7\u00f5es corticais e infracorticais agrupadas ao redor do eixo ps\u00edquico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>II. Transtornos e fun\u00e7\u00f5es corticais. <\/strong>Em desacordo com as concep\u00e7\u00f5es antigas que distinguem campos motores, sensoriais e associativos (<em>Flechsig<\/em>), <em>Kleist <\/em>acredita que o c\u00f3rtex se comp\u00f5e de esferas de sentidos, dentro de cada uma das quais h\u00e1 uma zona sensorial propriamente dita (granular), outra motora (agranular) e outra ps\u00edquica. Estas \u00faltimas zonas servem para as rea\u00e7\u00f5es motoras e atividades ps\u00edquicas correspondentes e s\u00e3o distintas segundo o sentido a que se referem. Para n\u00e3o me estender demasiadamente, reunirei o essencial outra vez num quadro sin\u00f3ptico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"719\" height=\"381\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2535\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/3.png 719w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/3-300x159.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/3-18x10.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio falar novamente da esfera autogn\u00f3stica que, na realidade n\u00e3o \u00e9 outra coisa que a representa\u00e7\u00e3o cortical do eu considerado no cap\u00edtulo precedente. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera mioest\u00e9tica e t\u00e1ctil (frontal e centroparietal) pode se acrescentar que \u201cjuntas podem tamb\u00e9m ser consideradas como um \u00f3rg\u00e3o duplo\u201d (pag. 1368), dentro do qual o lobo parietal ocupa-se mais do mundo exterior enquanto o lobo frontal recebe sobretudo as impress\u00f5es proprioceptivas como seu tono afetivo consider\u00e1vel. Com respeito aos detalhes da localiza\u00e7\u00e3o cerebral, tanto nas esferas mioest\u00e9tica e t\u00e1ctil como na visual, auditiva, gustativa e olfativa, encontram-se todos os detalhes nos mapas cerebrais que adiciono. Direi que o estudo destes mapas tornar-se-\u00e1 ainda mais proveitoso comparando-os com um mapa citoarquitet\u00f4nico do c\u00f3rtex. Pois as localiza\u00e7\u00f5es funcionais de <em>Kleist<\/em> t\u00eam sempre tamb\u00e9m um sentido anat\u00f4mico, que se poder\u00e1 apreciar deste modo muito mais diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1, no entanto, necess\u00e1rio falar algo mais detalhadamente de alguns temas mais especiais, a saber: da patologia do lobo frontal e das apraxias e afasias pois estes s\u00e3o os t\u00f3picos que <em>Kleist<\/em> estudou preferencialmente desde o in\u00edcio de sua carreira, e \u00e9, portanto, bem l\u00f3gico que os cap\u00edtulos correspondentes continuem, por sua vez, as partes mais brilhantes de seu livro e as que melhor nos permitem formar uma impress\u00e3o da oficina intelectual do mestre.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><em>O estudo e a patologia do lobo frontal <\/em>se baseiam na ideia condutora de ver nesta parte do c\u00e9rebro a esfera mioest\u00e9tica (labir\u00edntica). Da\u00ed que a an\u00e1lise das fun\u00e7\u00f5es musculares, quer dizer, a motilidade, esteja em primeiro plano da aten\u00e7\u00e3o. O campo de vis\u00e3o, se alarga, no entanto, consideravelmente, ao ver por tr\u00e1s da motilidade a atividade em geral, e ao incluir na s\u00e9rie das atividades humanas n\u00e3o s\u00f3 os momentos, mas tamb\u00e9m a linguagem e o pensamento. \u00c0 primeira vista poderia parecer que esta inclus\u00e3o fosse, talvez, arbitr\u00e1ria; mas \u00e9 f\u00e1cil se convencer de que est\u00e1 completamente justificada, j\u00e1 que o paralelismo entre praxia e afasia j\u00e1 foi assinalado por muitos, e sendo, por outro lado, o car\u00e1ter da atividade que tem o pensamento a base imperturb\u00e1vel da psicologia moderna (\u201c<em>Arkpsychologie\u201d<\/em>)<sup data-fn=\"46363d00-5bbf-4fd7-b0cd-902322a31a29\" class=\"fn\"><a href=\"#46363d00-5bbf-4fd7-b0cd-902322a31a29\" id=\"46363d00-5bbf-4fd7-b0cd-902322a31a29-link\">3<\/a><\/sup>.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><em>Kleist<\/em> v\u00ea por cima dos movimentos isolados (\u201c<em>Einzelbewegungen\u201d<\/em>) e das habilidades (\u201c<em>Festigkeiten\u201d<\/em>) duas fun\u00e7\u00f5es frontais muito mais alta: o impulso (\u201c<em>Antrieb\u201d<\/em>) e a faculdade de reunir e encurtar o aprendido em f\u00f3rmulas (\u201c<em>Formeln\u201d<\/em>). Aplicando esse conceito al\u00e9m da motilidade e propriamente dito \u00e0 atividade em geral, chega-se a um esquema interessant\u00edssimo dos transtornos frontais para o qual o mesmo <em>Kleist <\/em>adota a forma de um quadro sin\u00f3ptico (pag. 1035) que (em forma um pouco modificada) reproduzo no seguinte:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"715\" height=\"242\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2536\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/4.png 715w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/4-300x102.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/4-18x6.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 715px) 100vw, 715px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Parece-me que o quadro precedente se explica por si, sendo, por outro lado, imposs\u00edvel definir no espa\u00e7o que est\u00e1 a minha disposi\u00e7\u00e3o o que entende <em>Kleist<\/em> com alguns termos nada usuais como \u201ctranstorno al\u00f3gico\u201d, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Quisera, no entanto, fazer constar que, em meu modo de ver, a representa\u00e7\u00e3o frontal da linguagem e do pensamento sublinha a import\u00e2ncia especial que este lobo tem para a personalidade humana, e que a intimidade das rela\u00e7\u00f5es entre atividade e eu parece se expressar tamb\u00e9m na vizinhan\u00e7a anat\u00f4mica dos lobos frontal e orbit\u00e1rio. Veremos mais adiante que a an\u00e1lise mais detalhada da motilidade ensina a exist\u00eancia de uma colabora\u00e7\u00e3o \u00edntima entre o lobo frontal e o tronco cerebral; de maneira que tamb\u00e9m sob este ponto de vista evidencia-se o paralelismo assinalado entre a atividade frontal e o eu orbit\u00e1rio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><em>O estudo das apraxias e afasias <\/em>agrega ao precedente a patologia dos lobos parietal e temporal. <em>Kleist<\/em> diferencia formas motoras e sensoriais. As formas motoras s\u00e3o as mencionadas no \u00faltimo quadro sin\u00f3ptico com o agregado de uma forma mais primitiva apr\u00e1xica e af\u00e1sica, respectivamente, de localiza\u00e7\u00e3o centrofrontal. Com respeito \u00e0s formas sensoriais <em>Kleist <\/em>tamb\u00e9m distingue tr\u00eas formas apr\u00e1xicas e tr\u00eas af\u00e1sicas, de modo que resulta o quadro sin\u00f3ptico da p\u00e1gina seguinte, o que empresto do pr\u00f3prio <em>Kleist<\/em> (pag. 1912) mas acrescentando-lhes as respectivas localiza\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Acrescentarei que para <em>Kleist, <\/em>tamb\u00e9m os transtornos do pensamento t\u00eam \u201cformas sensoriais\u201d. Ao transtorno \u201cal\u00f3gico\u201d frontal corresponde um \u201cparal\u00f3gico\u201d de localiza\u00e7\u00e3o mais posterior. Sobretudo a regi\u00e3o fronteiri\u00e7a entre os lobos occipital, parietal e temporal (com outras palavras: a regi\u00e3o da dobra curva) seria \u201cimportante para o pensamento\u201d (pag. 1012 e seguintes).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>III. Fun\u00e7\u00f5es e Transtornos motores do Tronco cerebral e a Estrutura da Motilidade. <\/strong>Ao entrar agora no terreno de fun\u00e7\u00f5es infracorticais, conv\u00eam recordar em primeiro lugar que a triparti\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es em motoras, sensoriais e ps\u00edquicas atravessa o \u00f3rg\u00e3o central em todos seus segmentos. Uma parte importante das atividades ps\u00edquicas do tronco cerebral j\u00e1 vimos no cap\u00edtulo sobre a estrutura do eu. Sobre fun\u00e7\u00f5es e transtornos sensoriais tratar-se-\u00e1 no cap\u00edtulo seguinte. O presente cap\u00edtulo se ocupar\u00e1, pois, exclusivamente da motilidade, e creio conveniente dedicar um cap\u00edtulo especial a este t\u00f3pico pelas mesmas raz\u00f5es que me motivaram relatar de forma mais detida as concep\u00e7\u00f5es de <em>Kleist<\/em> sobre o lobo frontal e os transtornos da praxia e fasia. Efetivamente, a motilidade tem sido um dos temas preferidos do autor desse o come\u00e7o de sua carreira, e o cap\u00edtulo dedicado a ela na \u201c<em>Gehirnpathologie<\/em>\u201d \u00e9, em meu entender, uma verdadeira joia.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo sobre a patologia do lobo frontal j\u00e1 mencionei que, segundo <em>Kleist<\/em> existe uma colabora\u00e7\u00e3o muito \u00edntima entre esse segmento cortical e os centros do tronco cerebral. Vimos que do lobo frontal partem os \u201cimpulsos\u201d acompanhados das correspondentes viv\u00eancias de esfor\u00e7o (pag. 1150), e acrescentamos agora que eles n\u00e3o s\u00e3o nada mais que a mais alta escala cortical do que <em>Kleist<\/em> chama a psicomotilidade (\u201c<em>Psychomotorick\u201d).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Kleist<\/em> diferencia dentro da motilidade elementos pr\u00f3prios do eu (<em>ich-eigen<\/em>) e alheios ao eu (ich-fremd). Os primeiros constituem a psicomotilidade, os segundos a mioest\u00e1tica (pag. 1066). Mas dentro da psicomotilidade distingue ainda tr\u00eas escalas mais, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p>1.\u00aa \u2013 A escala do impulso e da perseveran\u00e7a, de localiza\u00e7\u00e3o frontal, e com os transtornos abaixo mencionados.<\/p>\n\n\n\n<p>2.\u00aa \u2013 A escala das \u201cRegungen\u201d, de localiza\u00e7\u00e3o palidal, tal\u00e2mica e subtal\u00e2mica, com os transtornos chamados \u201cpsicoquin\u00e9ticos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>3.\u00aa \u2013 A escala das \u201cStrebungen\u201d de localiza\u00e7\u00e3o no caudado e o cinzento central do terceiro ventr\u00edculo, com os transtornos catat\u00f4nicos<sup data-fn=\"2298c0af-9af1-4877-ba29-e2589fad16a8\" class=\"fn\"><a href=\"#2298c0af-9af1-4877-ba29-e2589fad16a8\" id=\"2298c0af-9af1-4877-ba29-e2589fad16a8-link\">4<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"719\" height=\"557\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2537\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/5.png 719w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/5-300x232.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/5-15x12.png 15w\" sizes=\"auto, (max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><sup data-fn=\"4b6d6ed1-1594-49c9-a4ad-833f1b943248\" class=\"fn\"><a href=\"#4b6d6ed1-1594-49c9-a4ad-833f1b943248\" id=\"4b6d6ed1-1594-49c9-a4ad-833f1b943248-link\">5<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 necess\u00e1rio explicar em duas palavras o que entende <em>Kleist<\/em> por \u201cRegungen\u201d e transtornos psicocin\u00e9ticos de um lado, \u201cStrebungen\u201d e transtornos catat\u00f4nicos por outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os transtornos psicocin\u00e9ticos \u201cse movem sob formas variadas nos contrastes de hipercinesia e acinesia\u201d (pag. 1150). \u201cA regi\u00e3o ps\u00edquica especial a que pertencem os fen\u00f4menos hiper e acin\u00e9ticos&#8230;parece ser&#8230; o jogo (pag. 1065). Estes fen\u00f4menos se explicariam por \u201cuma colabora\u00e7\u00e3o e sintoniza\u00e7\u00e3o deficiente entre a motilidade da finalidade objetiva e a motilidade do jogo (Zweckmotorik und Spielmotorik) (pag. 1066). Parece-me, portanto, que \u201cRegung\u201d poder-se-ia traduzir por \u201cmo\u00e7\u00e3o\u201d, denomina\u00e7\u00e3o que usarei a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Os transtornos catat\u00f4nicos (maneirismo, estereotipia, ecopraxia, itera\u00e7\u00e3o e catalepsia, negativismo) correspondem a uma escala mais baixa. \u201cAs Strebungen est\u00e3o mais pr\u00f3ximas dos instintos\u201d (pag. 1150). De maneira que ser\u00e1, talvez, poss\u00edvel cham\u00e1-las em portugu\u00eas de \u201cimpuls\u00f5es\u201d, a palavra original de <em>Kleist<\/em> \u00e9 um neologismo em alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o precedente \u00e9 poss\u00edvel reunir outra vez os dados mais importantes num quadro sin\u00f3ptico.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"717\" height=\"215\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2538\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6.png 717w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6-300x90.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6-18x5.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 717px) 100vw, 717px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para esclarecer ainda mais as rela\u00e7\u00f5es entre os transtornos psicomotores e mioest\u00e1ticos do tronco cerebral, acrescento outro quadro sin\u00f3ptico que se explica por si s\u00f3.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"355\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2539\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/7.png 720w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/7-300x148.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/7-18x9.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A an\u00e1lise da motilidade serve a <em>Kleist, <\/em>por um lado, para basear nela uma an\u00e1lise interessant\u00edssima da vida volitiva, \u00e0 qual d\u00e1 uma estrutura em forma de arco reflexo, intervindo o c\u00f3rtex e o tronco cerebral de modo parecido \u00e0 rec\u00e9m exposta. Levar-nos-ia demasiadamente longe considerar este aspecto interessante de forma mais detalhada. Um esquema da vontade encontra-se na p\u00e1gina 1149 da \u201cGehirnpathologie\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IV. A \u201cEss\u00eancia\u201d e seus transtornos. <\/strong>Em vista do acima exposto, pode ser muito curto este cap\u00edtulo. Vimos a ess\u00eancia sob o ponto de vista ps\u00edquico no cap\u00edtulo sobre a estrutura do eu, e sob o ponto de vista motor no cap\u00edtulo sobre a motilidade. Falta o aspecto sensorial e direi, a este respeito, que para <em>Kleist<\/em>, os transtornos sensoriais da ess\u00eancia s\u00e3o as alucina\u00e7\u00f5es (pag. 1357).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 margem dos mencionados enumera <em>Kleist<\/em> ainda quatro ou cinco classes mais de transtornos da ess\u00eancia, dos quais n\u00e3o diz expressamente se os considera motores, sensoriais ou ps\u00edquicos. S\u00e3o os transtornos da fixa\u00e7\u00e3o, da vig\u00edlia (<em>Besinnung)<\/em>, da aten\u00e7\u00e3o ideativa, de certas qualidades de impress\u00e3o (<em>Eindrucksqualitaeten<\/em>), e os transtornos histeriformes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os transtornos da mem\u00f3ria de fixa\u00e7\u00e3o s\u00e3o postos por <em>Kleist<\/em> ao lado dos transtornos da ordem temporal. Fala, da s\u00edndrome cronoamn\u00e9sico (<em>zeitamnestisches Syndrome<\/em>), e considera como <em>Gamper<\/em> que a localiza\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel desse dist\u00farbio deveria estar na regi\u00e3o dos corpos mamilares.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos transtornos da vig\u00edlidade distingue o autor: hipervigilidade (<em>Leichtbesinnlichkeit<\/em>): logorreia e pratoreia; e hipovigilidade (<em>Schwerbesinnlichkeit<\/em>): persevera\u00e7\u00e3o. Localiza estes transtornos no dienc\u00e9falo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os transtornos da aten\u00e7\u00e3o ideativa s\u00e3o: de um lado a fuga de ideias e a idea\u00e7\u00e3o confusa; de outro a bradipsiquia (<em>Denkhemmung<\/em>) e a paralisia da idea\u00e7\u00e3o (<em>Denklaehmung<\/em>). Do ponto de vista localizat\u00f3rio o t\u00e1lamo e o caudado seriam, provavelmente, os lugares respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a rubrica dos transtornos das qualidades de impress\u00e3o re\u00fane <em>Kleist<\/em> a despersonaliza\u00e7\u00e3o, a viv\u00eancia do \u201cd\u00e9j\u00e0 vu\u201d e os erros de interpreta\u00e7\u00e3o (del\u00edrios).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA altera\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica da ess\u00eancia se baseia numa debilidade da intoxica\u00e7\u00e3o (Schaltschwaeche)<sup data-fn=\"c0304674-fe71-4736-ab29-199e2275cb20\" class=\"fn\"><a href=\"#c0304674-fe71-4736-ab29-199e2275cb20\" id=\"c0304674-fe71-4736-ab29-199e2275cb20-link\">6<\/a><\/sup> \u2013 adquirida ou cong\u00eanita \u2013 entre o eu som\u00e1tico diencef\u00e1lico e outras atividades da ess\u00eancia\u201d (pag. 1360).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>V. Vig\u00edlia e sono, aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia.<\/strong> Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vig\u00edlia e ao sono <em>Kleist<\/em> adere \u00e0 opini\u00e3o moderna de que existem dois centros: um respons\u00e1vel pela vig\u00edlia e outro pelo sono. Aceita a opini\u00e3o de <em>Hess<\/em>, de que a vig\u00edlia corresponde a um aumento das fun\u00e7\u00f5es simp\u00e1ticas e o sono um incremento de atividades parassimp\u00e1ticas. V\u00ea o centro simp\u00e1tico da vig\u00edlia no n\u00facleo reuniens<sup data-fn=\"f58871a6-4dd4-4f3f-9991-40407a79377c\" class=\"fn\"><a href=\"#f58871a6-4dd4-4f3f-9991-40407a79377c\" id=\"f58871a6-4dd4-4f3f-9991-40407a79377c-link\">7<\/a><\/sup>, e o centro parassimp\u00e1tico do sono no n\u00facleo paramediano (pag. 1310).<\/p>\n\n\n\n<p>A vig\u00edlia constitui para Kleist uma exist\u00eancia ps\u00edquica num n\u00edvel mais alto do que representa a aten\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia. Entende-se, por tanto, que as localiza\u00e7\u00f5es destas \u00faltimas fun\u00e7\u00f5es sejam posteriores \u00e0quela. Para a aten\u00e7\u00e3o admite o autor uma localiza\u00e7\u00e3o metencef\u00e1lica, sendo o transtorno correspondente uma esp\u00e9cie de sopor inquieto (pag. 1299).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 consci\u00eancia, <em>Kleist<\/em> adere \u00e0 doutrina de <em>Breslauer <\/em>e <em>Reichardt,<\/em> \u201csegundo a qual a falta de consci\u00eancia n\u00e3o constitui um transtorno generalizado do c\u00f3rtex, mas um sintoma focal do bulbo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea na exposi\u00e7\u00e3o precedente, <em>Kleist<\/em> leva seus esfor\u00e7os localizat\u00f3rios muito al\u00e9m do que atualmente \u00e9 cl\u00e1ssico aceitar. \u00c9 certo que nos \u00faltimos anos muitos autores chegaram a concep\u00e7\u00f5es parecidas, e apenas tenho que fazer lembra a alucinosis peduncular de <em>Lhermitte<\/em> para comprovar essa afirma\u00e7\u00e3o<sup data-fn=\"2ed66b2e-025e-4792-bc66-2082e953ebaf\" class=\"fn\"><a href=\"#2ed66b2e-025e-4792-bc66-2082e953ebaf\" id=\"2ed66b2e-025e-4792-bc66-2082e953ebaf-link\">8<\/a><\/sup>. Mas <em>Kleist <\/em>\u00e9 o primeiro em empregar o princ\u00edpio de localiza\u00e7\u00e3o em forma absoluta e sistematizada, e aplicando m\u00e9todos neurol\u00f3gicos \u00e0 psiquiatria e psiqui\u00e1tricos \u00e0 neurologia \u00e9, talvez, tamb\u00e9m o primeiro em fazer uma verdadeira neuropsiquiatria<sup data-fn=\"78667ac0-5545-49ed-af19-5534c909c185\" class=\"fn\"><a href=\"#78667ac0-5545-49ed-af19-5534c909c185\" id=\"78667ac0-5545-49ed-af19-5534c909c185-link\">9<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Creio se quase sup\u00e9rfluo mencionar que a localiza\u00e7\u00e3o de um transtorno, significa para <em>Kleist<\/em> nem sempre que no lugar indicado deva haver uma altera\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica para que se produza o dist\u00farbio ali localizado. A fisiologia moderna localiza o sono no tronco cerebral, mas n\u00e3o se imagina que jamais se possa encontrar a anatomia do sono.<\/p>\n\n\n\n<p>Queria fazer constar, no entanto, que justamente por isso a obra de <em>Kleist<\/em> sub-repassa t\u00e3o consideravelmente ao que antes dele se compreendia por \u201c<em>Gehirnpathologie<\/em>\u201d. \u00c9, na realidade, ao lado da patologia cerebral intencionada, uma psicopatologia topogr\u00e1fica completa.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"3c2885ec-2d92-432f-8c53-5a4a3d3b250b\">Trata-se de trabalho publicado na Revista Latinoamericana de An\u00e1lisis Bibliogr\u00e1ficas de Neurologia y Psiquiatr\u00eda, Julio de 1938, vol. I n.\u00b01; pag. 1-44. Tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas por Roberto Fasano Neto. Original em espanhol. <a href=\"#3c2885ec-2d92-432f-8c53-5a4a3d3b250b-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1563437d-87fb-4461-9be0-c79f82346c2a\">Com rela\u00e7\u00e3o aos inconvenientes inerentes ao material de <em>Kleist<\/em>, veja-se as observa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas de W. Scholtz (Zetschr. f. d. ges. Neur. 1927: 158, 234). <a href=\"#1563437d-87fb-4461-9be0-c79f82346c2a-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"46363d00-5bbf-4fd7-b0cd-902322a31a29\">\u00a0Veja a<br>\u00a0este respeito tamb\u00e9m S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino: \u201cAnima cum sit principium vitae in his quae apud nos vivunt, impossible est ipsan esse corpous, sed corporis actum\u201d (Summa Theologiae I, 75, 1). \u201cSendo a alma o princ\u00edpio da vida, segundo o qual n\u00f3s vivemos, \u00e9 imposs\u00edvel que ela mesma seja o corpo, mas sim ela \u00e9 o acto do corpo\u201d (tradu\u00e7\u00e3o de Q.F.Vaz, acrescentada por mim). <a href=\"#46363d00-5bbf-4fd7-b0cd-902322a31a29-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2298c0af-9af1-4877-ba29-e2589fad16a8\">\u00a0Veja a\u00a0este respeito tamb\u00e9m S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino: \u201cAnima cum sit principium vitae in his quae apud nos vivunt, impossible est ipsan esse corpous, sed corporis actum\u201d (Summa Theologiae I, 75, 1). \u201cSendo a alma o princ\u00edpio da vida, segundo o qual n\u00f3s vivemos, \u00e9 imposs\u00edvel que ela mesma seja o corpo, mas sim ela \u00e9 o acto do corpo\u201d (tradu\u00e7\u00e3o de Q.F.Vaz, acrescentada por mim). <a href=\"#2298c0af-9af1-4877-ba29-e2589fad16a8-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4b6d6ed1-1594-49c9-a4ad-833f1b943248\">Conste que o emprego das palavras \u201cafemia\u201d e \u201cassimbolia\u201d para as formas af\u00e1sicas motoras e sensoriais respectivamente, \u00e9 uma liberdade que eu tomo eu vista da impossibilidade de traduzir literalmente os termos alem\u00e3es. Quem conhece a hist\u00f3ria da investiga\u00e7\u00e3o neste terreno sabe, por outro lado, que as denomina\u00e7\u00f5es gregas que uso, t\u00eam um certo valor tradicional, de modo que \u00e9 talvez, n\u00e3o demasiadamente injustificado empreg\u00e1-las aqui. <a href=\"#4b6d6ed1-1594-49c9-a4ad-833f1b943248-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c0304674-fe71-4736-ab29-199e2275cb20\">A palavra usada em espanhol foi <em>embriague, <\/em>que geralmente significa intoxica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em alem\u00e3o a palavra <em>Schaltschwaerrhe <\/em>significa<em> comuta\u00e7\u00e3o<\/em>. Estariam as altera\u00e7\u00f5es hist\u00e9ricas ligadas a uma moment\u00e2nea desconex\u00e3o entre o eu som\u00e1tico diencef\u00e1lico e outras atividades da ess\u00eancia, devido a uma debilidade deste mecanismo? (segundo Kleist) <a href=\"#c0304674-fe71-4736-ab29-199e2275cb20-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f58871a6-4dd4-4f3f-9991-40407a79377c\">N\u00facleo localizado na linha m\u00e9dia do t\u00e1lamo. (observa\u00e7\u00e3o minha) <a href=\"#f58871a6-4dd4-4f3f-9991-40407a79377c-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 7\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2ed66b2e-025e-4792-bc66-2082e953ebaf\">Compare-se a este respeito Lhermitte, J.: Enc\u00e9phale 1932; 27, 422. <a href=\"#2ed66b2e-025e-4792-bc66-2082e953ebaf-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 8\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"78667ac0-5545-49ed-af19-5534c909c185\">\u00c9 justo anotar aqui que seu precursor mais eminente neste sentido foi seu mestre <em>Wernicke.<\/em> Comparem, por outro lado, tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o interessant\u00edssima de <em>A. dic<\/em>.: Die neurologische Forschungsrichtung in der Psychopathologie. Berlin, 1921. <a href=\"#78667ac0-5545-49ed-af19-5534c909c185-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A PATOLOGIA CEREBRAL SEGUNDO KARL KLEIST (E. E. Krapf) A literatura m\u00e9dica conta j\u00e1 com tr\u00eas grandes sistemas de patologia cerebral. De 1881 a 1883, C. Wernicke publicou seu \u201cTratado das enfermidades cerebrais\u201d; em 1897 apareceu a \u201cPatologia Cerebral\u201d de C. von Monakow, em 1924 editou-se o \u00faltimo dos oito volumes das \u201cContribui\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Trata-se de trabalho publicado na Revista Latinoamericana de An\u00e1lisis Bibliogr\u00e1ficas de Neurologia y Psiquiatr\u00eda, Julio de 1938, vol. I n.\u00b01; pag. 1-44. 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