{"id":2553,"date":"2024-06-18T20:33:33","date_gmt":"2024-06-18T23:33:33","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2553"},"modified":"2024-06-18T20:33:33","modified_gmt":"2024-06-18T23:33:33","slug":"consideracoes-a-respeito-dos-processos-de-atencao-memoria-e-consciencia-segundo-as-concepcoes-de-anibal-silveira-e-aleksandr-romanovitch-luria-correlacoes-entre-as-duas-visoes","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/consideracoes-a-respeito-dos-processos-de-atencao-memoria-e-consciencia-segundo-as-concepcoes-de-anibal-silveira-e-aleksandr-romanovitch-luria-correlacoes-entre-as-duas-visoes\/","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es a respeito dos processos de Aten\u00e7\u00e3o, Mem\u00f3ria e Consci\u00eancia, segundo as concep\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Silveira e Aleksandr Romanovitch Luria \u2013 correla\u00e7\u00f5es entre as duas vis\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es a respeito dos processos de Aten\u00e7\u00e3o, Mem\u00f3ria e Consci\u00eancia, segundo as concep\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Silveira e Aleksandr Romanovitch Luria \u2013 correla\u00e7\u00f5es entre as duas vis\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><sup>Roberto Fazzani Neto<\/sup><\/strong><sup data-fn=\"2f9bc2ba-efbb-44fb-8fbc-d16bfe866c99\" class=\"fn\"><a href=\"#2f9bc2ba-efbb-44fb-8fbc-d16bfe866c99\" id=\"2f9bc2ba-efbb-44fb-8fbc-d16bfe866c99-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Considera\u00e7\u00f5es gerais<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A nosso ver, \u00e9 fundamental verificar como as v\u00e1rias estruturas encef\u00e1licas se interrelacionam, concorrendo para com o psiquismo; correlacionar a vida ps\u00edquica com os processos neurofisiol\u00f3gicos que lhe servem de base.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse campo, dois pesquisadores, de escolas distintas apresentam concep\u00e7\u00f5es, que, segundo supomos, oferecem a possibilidade de elucidar esta correla\u00e7\u00e3o. S\u00e3o eles: <strong>AN\u00cdBAL SILVEIRA<\/strong>, psiquiatra brasileiro e <strong>ALEKSANDR ROMANOVITCH LURIA<\/strong>, psic\u00f3logo sovi\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo procuraremos tra\u00e7as alguns paralelos entre as concep\u00e7\u00f5es de ambos sobre os processos ps\u00edquicos da aten\u00e7\u00e3o, da mem\u00f3ria e da consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria de Silveira se baseia em cinco postulados, dos quais reproduzimos dois, que s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para este estudo. Eles se referem especificamente \u00e0 concep\u00e7\u00e3o sist\u00eamica das fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e ao prisma adotado nesta correla\u00e7\u00e3o entre o psiquismo e os processos neurofisiol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>1. \u00b0 &#8211; No dom\u00ednio cerebral como nos demais setores do organismo existe \u00edntima correla\u00e7\u00e3o entre o plano funcional e o plano estrutural; no caso, fun\u00e7\u00f5es neurops\u00edquicas e a organiza\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica do enc\u00e9falo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>2.\u00b0 &#8211; A estrutura e as correla\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas dos \u00f3rg\u00e3os cerebrais permitem compreender lhes as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, por\u00e9m estas obedecem a leis pr\u00f3prias que n\u00e3o s\u00e3o redut\u00edveis a fen\u00f4menos de qualquer outra categoria, nem mesmo os fisiol\u00f3gicos.\u201d <\/em>(Silveira, 10, p.41 e 42)<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos, Silveira e Lucia, consideram a atividade mental como complexa, hier\u00e1rquica e de g\u00eanese hist\u00f3rico-social. No entanto, procuram m\u00e9todos de proceder a correla\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e a sua base nos processos neurofisiol\u00f3gicos, sem incorrerem em reducionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles criticam a concep\u00e7\u00e3o de \u201ccentros cerebrais isolados\u201d e prop\u00f5em a an\u00e1lise sist\u00eamica da atividade cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEm primeiro lugar, aqueles dados mostram que o enc\u00e9falo n\u00e3o consiste na justaposi\u00e7\u00e3o de centros isolados, mas em verdadeiro sistema de \u00f3rg\u00e3os. As analogias estruturais evidenciadas pela histologia fina demonstram a realidade desses verdadeiros <span style=\"text-decoration: underline;\">sistemas celulares<\/span> como postulava Audiffrent desde 1869.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O crit\u00e9rio de integra\u00e7\u00e3o funcional prevalece sobre o espacial; assim, \u00f3rg\u00e3os situados na mesma zona anat\u00f4mica \u2013 frontal, parietal, temporal) por exemplo \u2013 podem apresentar menos afinidade entre si do que para com \u00e1reas distintas a cujo sistema pertencem.\u201d <\/em>(Silveira \u2013 6, p. 15 e 16).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEmbora esta estrutura sist\u00eamica seja caracter\u00edstica de atos comportamentais relativamente simples, ela \u00e9 muit\u00edssimo mais caracter\u00edstica de formas mais complexas de atividade mental. Naturalmente nenhum dos processos mentais como percep\u00e7\u00e3o, memoriza\u00e7\u00e3o, gnosias e praxias, fala e pensamento, escrita e leitura, aritm\u00e9tica pode ser encaradas como representando uma faculdade isolada ou mesmo indivis\u00edvel, que feria a \u201cfun\u00e7\u00e3o\u201d direta de um grupo celular isolado ou seria \u201clocalizado\u201d em uma \u00e1rea particular do c\u00e9rebro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(&#8230;) eis porque as fun\u00e7\u00f5es mentais, como sistemas funcionais complexos, n\u00e3o podem ser localizadas em zonas estreitas do c\u00f3rtex ou em agrupamentos celulares isolados, mas devem ser organizadas em sistemas de zonas funcionando em concerto, desempenhando cada uma dessas zonas o seu papel em um sistema funcional complexo, podendo cada um destes territ\u00f3rios estar localizado em \u00e1reas do c\u00e9rebro completamente diferentes e frequentemente distantes das outras.\u201d<\/em> (Luria \u2013 4, p. 14, 15 e 16).<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00e3o fugir demasiadamente ao objetivo deste trabalho, destacamos alguns princ\u00edpios comuns aos dois pesquisadores, relativos \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica. S\u00e3o os conceitos de hierarquia funcional e de coopera\u00e7\u00e3o relativa. Para exemplificar, citaremos os dois autores:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPara assegurar-se que cada uma das zonas histologicamente diferenciadas desempenhe fun\u00e7\u00e3o elementar diversa, nem basta que se achem todas normais. Cumpre que se articulem de maneira integral. Se uma delas \u00e9 exclu\u00edda do consenso, o dist\u00farbio da resultante n\u00e3o pode ser expresso pelo simples desconto da fun\u00e7\u00e3o elementar correspondente; a repercuss\u00e3o maior ou menos do transtorno estabelece nova condi\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, que exige trabalho de readapta\u00e7\u00e3o do todo e, se poss\u00edvel, supl\u00eancia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ora, a supl\u00eancia depende, em \u00faltima an\u00e1lise, de duas condi\u00e7\u00f5es distintas: a nobreza \u2013 melhormente a complexidade e a preponder\u00e2ncia da fun\u00e7\u00e3o correspondente ao \u00f3rg\u00e3o lesado e o estado de integridade em que se achem os \u00f3rg\u00e3os hom\u00f3logos ou as vias de comunica\u00e7\u00e3o.\u201d <\/em>(Silveira \u2013 9, p. 195).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cIsto vale dizer que entre os diversos sistemas funcionais e, especialmente entre \u00f3rg\u00e3os do mesmo sistema, a distribui\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es se processa harmonicamente e de modo espec\u00edfico. Da\u00ed o conceito de hierarquia funcional, do qual decorrem tanto a reg\u00eancia de umas \u00e1reas para com outras do mesmo sistema, quanto a difus\u00e3o orientada do est\u00edmulo atrav\u00e9s do sistema.\u201d <\/em>(Silveira \u2013 10, p. 15).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(&#8230;)durante a ontog\u00eanese, n\u00e3o \u00e9 apenas a estrutura dos processos mentais superiores que muda, mas tamb\u00e9m sua interrela\u00e7\u00e3o, ou, em outras palavras, sua organiza\u00e7\u00e3o interfuncional. Enquanto nos est\u00e1gios iniciais do desenvolvimento uma atividade mental complexa repousa sobre uma base mais elementar e depende de uma fun\u00e7\u00e3o \u201cbasal\u201d, em est\u00e1gios subsequentes ela n\u00e3o apenas adquire uma estrutura complexa, mas tamb\u00e9m come\u00e7a a ser desempenhada com a participa\u00e7\u00e3o estreita de formas de atividade estruturalmente superiores.\u201d <\/em>(Luria \u2013 4, p.17).<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Aten\u00e7\u00e3o, Mem\u00f3ria e Consci\u00eancia como processos<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Concentrando-nos especificamente nos processos de aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e consci\u00eancia haver\u00e1 oportunidade para melhor compreender a import\u00e2ncia dos princ\u00edpios acima expressos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fun\u00e7\u00f5es complexas do psiquismo tais como as referidas aqui analisadas s\u00e3o vistas por ambos os pesquisadores como processos para os quais concorrem os v\u00e1rios setores do aparelho cerebral. Somente podem ser compreendidas em fun\u00e7\u00e3o da atividade cerebral conjunta. Por\u00e9m, em ambos, h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o em distinguir como as v\u00e1rias \u00e1reas cerebrais participam, diversamente, dos processos ps\u00edquicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta Silveira:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(&#8230;) as tentativas para localizar fun\u00e7\u00f5es complexas tais as que constituem a consci\u00eancia, a mem\u00f3ria ou meros conceitos, como que acima citamos de Freemann em rela\u00e7\u00e3o ao que ele designa como consci\u00eancia espiritual de si pr\u00f3prio (spiritual consciousness), n\u00e3o poder\u00e3o produzir algo de aceit\u00e1vel. Por n\u00e3o haver feito distin\u00e7\u00e3o entre fun\u00e7\u00f5es simples e fen\u00f4menos complexos, autores da categoria de L. R. M\u00fcller t\u00eam incorrido nesta incoer\u00eancia.\u201d (10, p.18).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E, do mesmo modo, acentua Luria:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cJ\u00e1 afirmei anteriormente que a suposi\u00e7\u00e3o inicial em que se baseia este livro \u00e9 o ponto de vista de que os processos ps\u00edquicos n\u00e3o s\u00e3o \u201cfun\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201cfaculdades\u201d indivis\u00edveis, mas, sim, sistemas funcionais complexos baseados no trabalho coordenado de zonas cerebrais, cada uma das quais d\u00e1 sua contribui\u00e7\u00e3o particular para a constru\u00e7\u00e3o de processos psicol\u00f3gicos complexos.\u201d (4, p. 197).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os autores analisados correlacionando estes processos demonstram que uns se encontram na depend\u00eancia dos outros. Assim, aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo mais b\u00e1sico que fornece o fundamento (posto que preside o contato direto com o meio) da mem\u00f3ria e esta a da consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, com o desenvolvimento da consci\u00eancia durante a ontog\u00eanese, estre processo eminentemente humano, intimamente relacionado com a aptid\u00e3o simb\u00f3lica (e, portanto, com a linguagem) passar\u00e1 a reger e reorientar os outros dois processos mais b\u00e1sicos (mem\u00f3ria e aten\u00e7\u00e3o), levando-os a adquirirem um novo status, pois passar\u00e3o tamb\u00e9m a serem processos eminentemente humanos e como tais, reorganizados e dirigidos pela linguagem.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Silveira analisa os processos em quest\u00e3o de acordo com a participa\u00e7\u00e3o, em n\u00edveis distintos, das esferas da personalidade: afetividade, cona\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia. Utiliza, portanto, um modelo te\u00f3rico representativo da estrutura da personalidade, conceituando personalidade como \u201co conjunto de fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas ligadas ao funcionamento cerebral, peculiares \u00e0 esp\u00e9cie, que continuamente regem em harmonia as disposi\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo e as suas rela\u00e7\u00f5es com o ambiente f\u00edsico e social.\u201d (2, p. 151). Este modelo configura os processos ps\u00edquicos \u00e0 luz da concep\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. A aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 vinculada ao contato mais imediato com o meio, na capta\u00e7\u00e3o ativa dos est\u00edmulos ambientais. Participa, pois, da mesma, o <span style=\"text-decoration: underline;\">interesse<\/span> de ordem afetiva e a polariza\u00e7\u00e3o do intelecto atrav\u00e9s do est\u00edmulo conativo. O processo ps\u00edquico da mem\u00f3ria liga-se \u00e0 possibilidade de evoca\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia passada, sua identifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da elabora\u00e7\u00e3o intelectual, fixando-se a distin\u00e7\u00e3o de tempo, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia presente. Neste processo, participam de forma intensa os est\u00edmulos de ordem afetiva que fornecem o interesse, para que haja a fixa\u00e7\u00e3o. E, tamb\u00e9m o processo emocional, dado pela repercuss\u00e3o afetiva do dado percebido. Este impacto afetivo, na depend\u00eancia de sua maior ou menor intensidade, levar\u00e1 a maior ou menor fixa\u00e7\u00e3o. O n\u00edvel conativo participa organizando e controlando os dinamismos intelectuais, estimulando-os, inibindo-os ou mantendo-lhes as fun\u00e7\u00f5es (de acordo com o j\u00e1 referido interesse que continuamente vai se adaptando a partir da repercuss\u00e3o emocional). O processo de consci\u00eancia est\u00e1 intimamente relacionado com as fun\u00e7\u00f5es da express\u00e3o (aptid\u00e3o simb\u00f3lica humana), ir\u00e1 permitir o contato n\u00e3o apenas imediato com o meio, mas a inser\u00e7\u00e3o na continuidade hist\u00f3rico-social e na hist\u00f3ria pessoal (cabedal vivencial). Assim, ser\u00e1 o processo que permitir\u00e1 ao homem ser norteado por est\u00edmulos complexos provenientes do ambiente social e tamb\u00e9m sua capacidade ampla de representa\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Silveira, baseado na teoria das Imagens de Laffite, e ampliando-a, sistematiza num modelo esquem\u00e1tico os n\u00edveis deste processo. Reproduzimos no quadro I este modelo. No quadro II reproduzimos o desdobramento do esquema do quadro I, feito por Silveira, visando permitir a melhor compreens\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o afetiva nos processos ali representados.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a aten\u00e7\u00e3o envolve predominantemente as fun\u00e7\u00f5es intelectuais da observa\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria e a consci\u00eancia est\u00e3o ligadas respectivamente com a elabora\u00e7\u00e3o e a express\u00e3o. Mas estas fun\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, participam em conjunto (com maior ou menor contribui\u00e7\u00e3o de cada uma delas) em todos os processos complexos considerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disto, para que haja contato consciente com o meio ambiente, a condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em> \u00e9 a vig\u00edlia. Se este processo de n\u00edvel afetivo relacionado com o est\u00edmulo b\u00e1sico instintivo de autopreserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o estiver em n\u00edvel adequado, todos os demais processos mais diferenciados (neste caso a aten\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria e a consci\u00eancia) estar\u00e3o necessariamente prejudicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Luria correlaciona os processos ps\u00edquicos de acordo tamb\u00e9m com um modelo, que constr\u00f3i a partir de suas observa\u00e7\u00f5es em indiv\u00edduos com les\u00f5es cerebrais. Neste modelo de funcionamento ps\u00edquico normal, considera tr\u00eas unidades funcionais, quais sejam: (1) unidade para regular o tono e a vig\u00edlia, (2) unidade para obter, processar e armazenar as informa\u00e7\u00f5es e (3) unidade para programar, regular e verificar a atividade mental. (4, p. 27 a 80). Observa-se com relativa clareza a influ\u00eancia de princ\u00edpios ligados \u00e0 inform\u00e1tica, na constru\u00e7\u00e3o deste modelo, assim como princ\u00edpios mec\u00e2nicos influ\u00edram na constru\u00e7\u00e3o do modelo de personalidade de Freud. Luria discute os processos analisados divisionando os n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o destas tr\u00eas unidades funcionais e a contribui\u00e7\u00e3o dada por cada setor cerebral para o processo integral complexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Silveira, discute a necessidade fundamental e b\u00e1sica para os tr\u00eas processos, do estado de vig\u00edlia. A primeira unidade funcional, correlaciona com a manuten\u00e7\u00e3o da vig\u00edlia e do tono que seria para o autor um n\u00edvel diferenciado e superior da vig\u00edlia e estaria relacionado de forma bastante direta com o processo de aten\u00e7\u00e3o. Ao discutir a segunda unidade funcional, considera como s\u00e3o organizados em n\u00edvel cerebral os processos de capta\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos. Esta unidade tem uma participa\u00e7\u00e3o preponderante no processo de percep\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se reduz a isto. Finalmente, discute a regula\u00e7\u00e3o dos processos a partir da participa\u00e7\u00e3o desta unidade no processo de consci\u00eancia. Certamente, a participa\u00e7\u00e3o desta unidade no processo de consci\u00eancia \u00e9 preponderante embora como em todos os processos, em intera\u00e7\u00e3o com os demais blocos. Tamb\u00e9m discute o autor como a mem\u00f3ria e a consci\u00eancia s\u00e3o processos interdependentes e ressalta o quanto a aten\u00e7\u00e3o, enquanto processo mais simples e b\u00e1sico, \u00e9 necess\u00e1ria para ambos os processos mais complexos. Estas tr\u00eas unidades funcionais est\u00e3o relacionadas com diferentes setores cerebrais. A primeira unidade, integra in\u00fameros setores subcorticais, desde o cerebelo e tronco cerebral, at\u00e9 a zona orbit\u00e1ria do lobo frontal, incluindo o c\u00edngulo e o sistema l\u00edmbico. A segunda unidade est\u00e1 predominantemente relacionada com as fun\u00e7\u00f5es desempenhadas principalmente pelos lobos temporal, occipital e parietal. A terceira unidade, por fim, relaciona-se principalmente com as atividades do lobo frontal. No entanto, todas estas unidades est\u00e3o trabalhando em concerto, de modo harm\u00f4nico e, no caso de les\u00f5es nestas regi\u00f5es, a an\u00e1lise funcional dever\u00e1 ser complexa pois o funcionamento do sistema se reorganiza e nunca ser\u00e1 a mera supress\u00e3o da atividade de uma determinada \u00e1rea. Ainda que se fizermos uma an\u00e1lise sintomatol\u00f3gica complexa, levando em conta o resultado total, poderemos formular hip\u00f3tese localizat\u00f3rias em quadro lesionais e, consideramos esta possibilidade, de acordo com a teoria de Silveira, por n\u00f3s adotada, tamb\u00e9m nos quadros funcionais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A converg\u00eancia dos conceitos dos dois autores analisados, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interdepend\u00eancia que caracteriza os processos mentais e a sua organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, \u00e9 evidente. Ressaltamos, al\u00e9m disso, a considera\u00e7\u00e3o da vig\u00edlia como b\u00e1sica a estes processos e a sua organiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social, mediada pela linguagem, como intimamente relacionada ao processo da consci\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel imediato de contato com o ambiente \u00e9 fornecido pela aten\u00e7\u00e3o. J\u00e1 ao n\u00edvel subcortical temos n\u00facleos espec\u00edficos relativos \u00e0s diferentes modalidades sensoriais. Nestes n\u00facleos ocorre a primeira sele\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos. Aqui, num n\u00edvel ainda mais \u201cneurol\u00f3gico\u201d que \u201cps\u00edquico\u201d ocorre esta sele\u00e7\u00e3o.\u00a0 Os est\u00edmulos s\u00e3o \u201cpreparados\u201d para que cheguem de forma adequada ao c\u00f3rtex e, l\u00e1, possam ser \u201cpercebidos\u201d. Estes n\u00facleos se ligam \u00e0 c\u00f3rtex cerebral atrav\u00e9s de vias espec\u00edficas das modalidades sensoriais, que transmitem as sensa\u00e7\u00f5es e \u201cpreparam\u201d a c\u00f3rtex para a \u201cpercep\u00e7\u00e3o\u201d. A este n\u00edvel ainda inconsciente do processo perceptivo, Silveira denomina \u201csensa\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No quadro III reproduzimos uma representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica dos processos psicofisiol\u00f3gicos relativos \u00e0 percep\u00e7\u00e3o. Este esquema foi formulado por Silveira, baseado no \u201cPrinc\u00edpio de Audiffrent\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de Luria sobre a organiza\u00e7\u00e3o do processo perceptual tamb\u00e9m possui muitas semelhan\u00e7as com a concep\u00e7\u00e3o de Silveira. No entanto, para n\u00e3o fugirmos ao escopo deste trabalho, somente a discutiremos mais abaixo, mas de modo r\u00e1pido para a ligarmos ao processo de aten\u00e7\u00e3o, objeto desta comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 <span style=\"text-decoration: underline;\">Discuss\u00e3o espec\u00edfica dos processos ps\u00edquicos analisados<\/span><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Aten\u00e7\u00e3o<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Luria afirma que toda atividade humana organizada possui algum grau de dire\u00e7\u00e3o e seletividade pois os muitos est\u00edmulos nos atingem e somente respondemos \u00e0queles mais fortes ou particularmente importantes e que correspondam a nossos interesses.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Deste grande n\u00famero de tra\u00e7os ou suas conex\u00f5es armazenadas em nossa mem\u00f3ria, s\u00f3 escolhemos aqueles poucos que correspondam \u00e0 nossa tarefa imediata e nos capacitam a executar algumas opera\u00e7\u00f5es intelectuais necess\u00e1rias.<\/em>\u201d (4, p. 223).<\/p>\n\n\n\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o para a escolha dos est\u00edmulos \u00e9 de g\u00eanese afetiva e isto est\u00e1 impl\u00edcito na pr\u00f3pria palavra de Luria: \u201cinteresse\u201d<sup data-fn=\"3c604638-c0ef-4d8c-8537-c9407d8f0935\" class=\"fn\"><a href=\"#3c604638-c0ef-4d8c-8537-c9407d8f0935\" id=\"3c604638-c0ef-4d8c-8537-c9407d8f0935-link\">2<\/a><\/sup>. No entanto, o interesse afetivo n\u00e3o se confunde com a aten\u00e7\u00e3o embora seja sua condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. O que caracteriza a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a seletividade e o direcionamento da atividade mental. Silveira, em seu modelo representativo da personalidade considera um n\u00edvel intermedi\u00e1rio entre o est\u00edmulo afetivo e o dinamismo intelectual de observa\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o (elabora\u00e7\u00e3o). A este n\u00edvel intermedi\u00e1rio denominou Esfera Conativa. Sua a\u00e7\u00e3o sobre as fun\u00e7\u00f5es intelectuais daria como resultado a sua regula\u00e7\u00e3o (estimulando, selecionando ou mantendo).<\/p>\n\n\n\n<p>Como Luria afirma, do grande n\u00famero de tra\u00e7os despertados pelo interesse afetivo, ser\u00e3o escolhidos apenas aqueles que corresponda \u00e0 tarefa imediata. Aqui est\u00e1 claro a participa\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o intelectual da elabora\u00e7\u00e3o, associando os perceptos. Esta associa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dinamismo comum tanto \u00e0 aten\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A crian\u00e7a, em fases precoces de seu desenvolvimento, \u00e9 atra\u00edda por est\u00edmulos mais poderosos ou biologicamente significativos. Este, chamado por Pavlov de \u201creflexo de orienta\u00e7\u00e3o\u201d, pode ser observado nas primeiras semanas de vida. A este fen\u00f4meno Luria denomina \u201cuma forma bastante elementar de aten\u00e7\u00e3o\u201d. (4, p. 225).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>um aspecto essencial da rea\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o que a distingue da r<span style=\"text-decoration: underline;\">ea\u00e7\u00e3o de alerta geral <\/span>\u00e9 que a primeira pode ser de car\u00e1ter altamente direcional e seletiva (&#8230;) segue-se que j\u00e1 desde o come\u00e7o, a rea\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o pode ser de car\u00e1ter altamente seletivo, criando assim, a base para o comportamento organizado, direcional e seletivo.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPerguntar-se-\u00e1, naturalmente, se esta forma altamente complexa de aten\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, manifestada como a capacidade que tem a pessoa de verificar seu pr\u00f3prio comportamento e que os psic\u00f3logos do per\u00edodo cl\u00e1ssico interpretavam como uma forma especial de manifesta\u00e7\u00e3o da vida mental que n\u00e3o tinha ra\u00edzes nas esferas biol\u00f3gicas da atividade, como pode ela surgir destas rea\u00e7\u00f5es de orienta\u00e7\u00e3o elementares que os fisiologistas consideram um tipo de reflexo inato?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vygotsky oferece uma abordagem cient\u00edfica a esta quest\u00e3o, considerando esta forma de aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o como de ordem biol\u00f3gica, mas como um ato social e que s\u00e3o produtos das formas de atividades criadas na crian\u00e7a durante suas rela\u00e7\u00f5es com os adultos, na organiza\u00e7\u00e3o desta complexa regula\u00e7\u00e3o da atividade mental.\u201d <\/em>(4, p. 226, 227 e 228)<\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter mais direcional e seletivo do \u201creflexo de orienta\u00e7\u00e3o\u201d o distingue da \u201crea\u00e7\u00e3o de alerta geral\u201d. As fun\u00e7\u00f5es conativas s\u00e3o o que caracterizam a Aten\u00e7\u00e3o, dando-lhe o car\u00e1ter direcional e seletivo. A \u201crea\u00e7\u00e3o de alerta geral\u201d corresponderia a um est\u00edmulo mobilizando de modo geral o n\u00edvel instintivo de autopreserva\u00e7\u00e3o e, portanto, de car\u00e1ter corresponde exatamente ao processo da aten\u00e7\u00e3o. Evidentemente, n\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o do adulto pois neste j\u00e1 se estabeleceu o processo simb\u00f3lico e consequentemente a consci\u00eancia. Na crian\u00e7a (em fase pr\u00e9-simb\u00f3lica) as fun\u00e7\u00f5es intelectuais e, mesmo as afetivas e conativas, se encontram imaturas. Ainda n\u00e3o h\u00e1 o <span style=\"text-decoration: underline;\">sinal<\/span> e a denominada <span style=\"text-decoration: underline;\">Imagem Prim\u00e1ria<\/span> (quadro II) \u00e9 bastante sincr\u00e9tica, com predom\u00ednio do componente afetivo sobre o intelectual. Este componente afetivo \u00e9 o que no adulto denominamos componente acess\u00f3rio, enquanto o componente intelectual \u00e9 o componente principal). Ser\u00e1 com a socializa\u00e7\u00e3o que ocorrer\u00e3o as progressivas contra\u00e7\u00f5es das imagens, o que culminar\u00e1 com o <span style=\"text-decoration: underline;\">Sinal<\/span> (n\u00edvel j\u00e1 bastante abstrato). O importante, \u00e9 frisar que os diferentes processos encontram suas bases e se manifestam, de formas diferentes, conforme o per\u00edodo da ontog\u00eanese. As diferentes fun\u00e7\u00f5es que se integram em um determinado processo participam de modos distintos conforme a fase evolutiva. Ali\u00e1s L\u00facia tamb\u00e9m assim o considera.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A socializa\u00e7\u00e3o, como Luria a concebe, se d\u00e1 atrav\u00e9s da linguagem. As ordens verbais que o homem recebe na sua intera\u00e7\u00e3o com os outros seres humanos, passam a dirigir a sua aten\u00e7\u00e3o de forma mais seletiva e, assim, tamb\u00e9m o seu pensamento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Isso vai ocorrendo de modo gradual, tanto que inicialmente a crian\u00e7a, apesar de j\u00e1 come\u00e7ar a orientar sua aten\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das ordens verbais, frequentemente se distrai e volta-se para outros est\u00edmulos mais pr\u00f3ximos como por exemplo objetos coloridos ou novos, que pare\u00e7am interessantes. Esta capacidade de se orientar pela linguagem tendo formas de comportamento seletivo organizado, somente se d\u00e1 quando a crian\u00e7a come\u00e7a sua vida escolar, isto \u00e9, com 7 ou 8 anos. (4, p. 229).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Esta concep\u00e7\u00e3o \u00e9 an\u00e1loga \u00e0quela de Silveira. A matura\u00e7\u00e3o dos processos ps\u00edquicos se d\u00e1 com a progressiva reg\u00eancia do meio ambiente sobre a vida subjetiva. Isto ocorre atrav\u00e9s da linguagem, devido \u00e0 aptid\u00e3o simb\u00f3lica. A esquematiza\u00e7\u00e3o que \u00e9 apresentada nos quadros I e II permite-nos ter uma ideia de como considera estes processos. A divis\u00e3o entre imagem sensorial, prim\u00e1ria, subjetiva e simb\u00f3lica, tem apenas um valor de modelo. Representariam as progressivas contra\u00e7\u00f5es das imagens em n\u00edveis cada vez mais abstratos. No adulto a vida ps\u00edquica se organiza atrav\u00e9s da simboliza\u00e7\u00e3o. No entanto, observando o amadurecimento psicol\u00f3gico da crian\u00e7a, podemos abstrair os diferentes n\u00edveis representados. Neste processo, as <span style=\"text-decoration: underline;\">Imagens Prim\u00e1rias<\/span> (resultantes da percep\u00e7\u00e3o), v\u00e3o sendo associadas (atrav\u00e9s das fun\u00e7\u00f5es da elabora\u00e7\u00e3o). Estas associa\u00e7\u00f5es entre Imagens implicam j\u00e1 num maior distanciamento com rela\u00e7\u00e3o ao percepto, uma vez que s\u00e3o mais abstratas (representam o pensamento rudimentar, ainda n\u00e3o simb\u00f3lico). A representa\u00e7\u00e3o das imagens neste n\u00edvel corresponde no esquema \u00e0 <span style=\"text-decoration: underline;\">Imagem Subjetiva<\/span>. Com o in\u00edcio da simboliza\u00e7\u00e3o (com a fala), estas imagens v\u00e3o se associando com sinais (fornecidos pela linguagem, manifestada no idioma da sociedade na qual a crian\u00e7a se encontra inserida) que passar\u00e3o finalmente a substitu\u00ed-las, representando-as no pensamento. Aqui, a dist\u00e2ncia fornecida por esta dupla contra\u00e7\u00e3o (usamos o termo contra\u00e7\u00e3o pois atrav\u00e9s da abstra\u00e7\u00e3o as imagens v\u00e3o se tornando cada vez mais sint\u00e9ticas e, nisto participa a cona\u00e7\u00e3o, um aspecto quase motor) da <span style=\"text-decoration: underline;\">Imagem Prim\u00e1ria<\/span> fornecer\u00e1 o que Silveira denomina <span style=\"text-decoration: underline;\">Sinal<\/span> (quadro 1). As possibilidades representadas por este n\u00edvel abstrato da imagem s\u00e3o enormes e culminar\u00e3o com o advento da consci\u00eancia. Neste n\u00edvel o indiv\u00edduo adquire a possibilidade de trabalhar com os dados do meio ambiente de forma abstrata e, assim, possuir a capacidade de uma representa\u00e7\u00e3o muito ampla da realidade: Cadeira, agora, passa a ser um sinal que representa n\u00e3o apenas aquela cadeira que est\u00e1 sendo vista no momento, mas todas as cadeiras, em abstrato. Deste modo, o sujeito passa a carregar com ele o mundo externo representado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta etapa, as fun\u00e7\u00f5es intelectuais j\u00e1 bastante maduras, passar\u00e3o a orienta as fun\u00e7\u00f5es conativas. Isto, refletir-se-\u00e1 na possibilidade de, como Luria refere, alterar significativamente n\u00e3o apenas o curso dos movimentos e das a\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o dos processos sensoriais. A consci\u00eancia surge como processo e passar\u00e1 a orientar, inclusive, solicitar a aten\u00e7\u00e3o. Esta como referimos anteriormente, passa a ser agora um processo eminentemente humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em car\u00e1ter elucidativo reproduzimos no quadro IV, a representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica, formulada por Silveira, dos processos resultantes da intera\u00e7\u00e3o entre as tr\u00eas esferas da personalidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Mem\u00f3ria<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>O processo de memoriza\u00e7\u00e3o, segundo Luria, come\u00e7a com a impress\u00e3o de pistas sensoriais. Estas pistas s\u00e3o de car\u00e1ter m\u00faltiplo e a impress\u00e3o, naturalmente escolhe somente algumas delas, fazendo uma sele\u00e7\u00e3o apropriada que ocorre neste est\u00e1gio. Tais s\u00e3o, como tamb\u00e9m considera Silveira, os dinamismos b\u00e1sicos, iniciais do processo da mem\u00f3ria. Estes dinamismos: sele\u00e7\u00e3o, associa\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o s\u00e3o comuns aos processos da mem\u00f3ria e da aten\u00e7\u00e3o, uma vez que a aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 na base da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Muitas autoridades consideram o est\u00e1gio seguinte deste processo mn\u00eamico como sendo o da transfer\u00eancia de est\u00edmulos para o est\u00e1gio de mem\u00f3ria de imagens: os est\u00edmulos percebidos s\u00e3o convertidos em imagens visuais. Contudo, esta convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma simples convers\u00e3o de um est\u00edmulo sensorial monovalente em uma imagem visual, mas pressup\u00f5e a sele\u00e7\u00e3o de uma imagem apropriada entre muitas poss\u00edveis e pode ser interpretada como caracter\u00edstico do processamento ou codifica\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos recebidos. Entretanto, a maioria dos pesquisadores considera este est\u00e1gio como meramente intermedi\u00e1rio e rapidamente seguido pelo \u00faltimo est\u00e1gio, o da complexa codifica\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os ou sua inclus\u00e3o em um sistema de categorias\u201d. (4, p. 248).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(&#8230;) o complexo processo de recep\u00e7\u00e3o e codifica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que chegam, j\u00e1 descrito como consistindo em uma s\u00e9rie de <span style=\"text-decoration: underline;\">est\u00e1gios sucessivos<\/span>, exige a completa integridade das zonas corticais analisadoras correspondentes, que dever\u00e3o ser capazes de dividir as informa\u00e7\u00f5es que chegam em pistas elementares, modalmente espec\u00edficas, selecionar as pistas relevantes, e, por fim, reuni-las, sem empecilhos, em estruturas integrais, din\u00e2micas. Por \u00faltimo, a transi\u00e7\u00e3o do est\u00e1gio mais elementar de recep\u00e7\u00e3o e estampagem de informa\u00e7\u00f5es para os est\u00e1gios mais complexos de sua organiza\u00e7\u00e3o em imagens e por fim para est\u00e1gios mais complexos de sua codifica\u00e7\u00e3o em sistemas organizados de categorias exige a integridade das zonas corticais secund\u00e1rias e terci\u00e1rias mais elevadas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Algumas destas zonas est\u00e3o envolvidas na s\u00edntese de uma s\u00e9rie sucessiva de est\u00edmulos apresentados em estruturas sucessivas ou simult\u00e2neas, ao passo que outras participam na organiza\u00e7\u00e3o destes tra\u00e7os com o aux\u00edlio dos c\u00f3digos de linguagem.\u201d <\/em>(4, p. 251 e 252).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A semelhan\u00e7a expressa nos par\u00e1grafos acima com a j\u00e1 anteriormente exposi\u00e7\u00e3o das progressivas contra\u00e7\u00f5es das imagens, de Silveira, \u00e9 bastante grande. A passagem das pistas elementares modalmente espec\u00edficas (sensa\u00e7\u00e3o), at\u00e9 o n\u00edvel de categoriza\u00e7\u00e3o com o aux\u00edlio dos c\u00f3digos de linguagem (sinal) passando pelas imagens ligadas ao processo associativo (imagem subjetiva) envolve o que Silveira denomina dupla contra\u00e7\u00e3o da imagem prim\u00e1ria. A sele\u00e7\u00e3o de pistas relevantes implica a participa\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o abstrata, num primeiro momento, que funde numa imagem completa (observa\u00e7\u00e3o concreta). Al\u00e9m disso, a interven\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es da elabora\u00e7\u00e3o (medita\u00e7\u00e3o indutiva e dedutiva) vai tornando as imagem cada vez mais contra\u00edda e sint\u00e9tica, reunindo na imagem subjetiva os tra\u00e7os significativos que permitem a compara\u00e7\u00e3o com a generaliza\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o de leis de sucess\u00e3o que ocorrem durante o processo do pensamento. O fato de Luria considerar que os v\u00e1rios est\u00edmulos modalmente espec\u00edficos s\u00e3o combinados e acabam por convergir numa imagem visual decorre do fato de no ser humano o sentido da vis\u00e3o ser o predominante no contato com o meio ambiente e, assim, representar um tra\u00e7o mais significativo na forma\u00e7\u00e3o da imagem. Em segundo lugar a audi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocupa um aspecto central no processo de percep\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a linguagem est\u00e1 intimamente relacionada com os sons do idioma que produzem as palavras. Neste caso, no entanto, o processo de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 mais abstrato e a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 mais subjetivamente dirigida, enquanto a vis\u00e3o produz imagens mais sint\u00e9ticas (1, p.98). Como afirma Luria, o processo necessita ser organizado, relacionando-se os est\u00edmulos que s\u00e3o fornecidos em s\u00e9ries sucessivas ou simult\u00e2neas. Esta sele\u00e7\u00e3o, orientada pelo intelecto se d\u00e1 pela a\u00e7\u00e3o dos dinamismos conativos, de acordo com as motiva\u00e7\u00f5es afetivas e interesses. Embora Luria n\u00e3o mencione em nenhum momento o termo afetivo, julgamos impl\u00edcito em sua considera\u00e7\u00e3o de que as s\u00e9ries de est\u00edmulos s\u00e3o apresentadas ao n\u00edvel frontal (que est\u00e1 relacionado com as fun\u00e7\u00f5es intelectuais e afetivas mais diferenciadas, segundo Silveira) em s\u00e9ries sucessivas e simult\u00e2neas. Estas s\u00e9ries decorrem em nosso modo de ver, do que Silveira denomina associa\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e associa\u00e7\u00e3o afetiva inconsciente (componente acess\u00f3rio da Imagem Prim\u00e1ria). A participa\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o neste complexo processo \u00e9 sempre presente pois a emo\u00e7\u00e3o representa o impacto afetivo decorrente das associa\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es que principalmente envolve as fun\u00e7\u00f5es intelectuais. Na continuidade da descri\u00e7\u00e3o deste processo est\u00e1 a considera\u00e7\u00e3o de que estas s\u00e9ries contam com a participa\u00e7\u00e3o do lobo frontal em sua organiza\u00e7\u00e3o, com o aux\u00edlio dos c\u00f3digos de linguagem. Utilizando o mesmo esquema do quadro II, podemos constatar que os componentes relacionados por Silveira a chamada associa\u00e7\u00e3o afetiva (da qual decorre o \u201cju\u00edzo de valor\u201d) e a associa\u00e7\u00e3o l\u00f3gica (da qual decorre o ju\u00edzo de realidade). Este componente \u00e9 intimamente relacionado com a fun\u00e7\u00e3o da express\u00e3o, fun\u00e7\u00e3o intelectual que se utiliza dos c\u00f3digos da linguagem. Ao n\u00edvel da linguagem consideramos o <span style=\"text-decoration: underline;\">sinal<\/span> ou <span style=\"text-decoration: underline;\">imagem simb\u00f3lica<\/span> pois aqui se encontra o complexo processo de simboliza\u00e7\u00e3o, de atribui\u00e7\u00e3o de significados. Este processo conta com a participa\u00e7\u00e3o da <span style=\"text-decoration: underline;\">fun\u00e7\u00e3o construtiva<\/span> que atrav\u00e9s de dinamismo conativos contrai mais uma vez a imagem permitindo o pensamento interiorizado exclusivamente humano. Assim, a representa\u00e7\u00e3o do cosmo pode ser muito mais ampla e transmitida historicamente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo de dupla contra\u00e7\u00e3o da Imagem Prim\u00e1ria, chegando ao Sinal \u00e9 aquilo que Pavlov denomina de segundo sistema de sinais. Abaixo uma cita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Pavlov a este respeito:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Antes do surgimento do homo sapiens, os animais entravam em contato com o mundo exterior \u00fanica e diretamente por meio de est\u00edmulos dos mais diversos agentes externos que atuavam nos sistemas receptores dos animais e eram conduzidos \u00e0s c\u00e9lulas correspondentes do sistema nervoso central. Esses est\u00edmulos eram os \u00fanicos sinais de objetos externos. Ent\u00e3o, no que viria a ser o homem, surgiram sinais secund\u00e1rios, desenvolvidos e aperfei\u00e7oados ao extremo, sinais de sinais primitivos, ou seja, linguagem, palavras faladas, aud\u00edveis e vis\u00edveis. Finalmente, esses novos sinais serviram para designar todas as sensa\u00e7\u00f5es recebidas pelo homem e vindas do meio externo, e tamb\u00e9m, de dentro do organismo; os homens os usavam n\u00e3o apenas entre si, em suas rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, mas tamb\u00e9m sozinhos consigo mesmos. E foi, claro, a grande import\u00e2ncia da linguagem que condicionou a predomin\u00e2ncia dos novos sinais, embora as palavras n\u00e3o fossem e nem tenham permanecido os \u00fanicos sinais secund\u00e1rios da realidade.<\/em>\u201d (6, p\u00e1g. 331) (tradu\u00e7\u00e3o do autor)<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta discuss\u00e3o sobre o processo complexo da mem\u00f3ria, \u00e9 necess\u00e1rio referir a import\u00e2ncia do dinamismo emocional, como o considera Silveira. Para o referido autor, emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o se confunde com afetividade. A afetividade para Silveira \u00e9 o \u201cconjunto de fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que continuamente estimula o ser humano a satisfazer as necessidades da pr\u00f3pria exist\u00eancia individual e, por outro lado, permite a sua integra\u00e7\u00e3o no ambiente f\u00edsico e social.\u201d (1, p. 47). A afetividade n\u00e3o se exterioriza no comportamento sen\u00e3o indiretamente, atrav\u00e9s do dinamismo emocional. Este seria a <span style=\"text-decoration: underline;\">cont\u00ednua<\/span> repercuss\u00e3o das no\u00e7\u00f5es (conscientes) sobre a afetividade. Os nexos emocionais, no entanto, tamb\u00e9m podem se dar de modo inconsciente j\u00e1 que a aten\u00e7\u00e3o seleciona os elementos pertinentes ao trabalho mental consciente, mas sempre existir\u00e1 tamb\u00e9m como um \u201chalo\u201d emocional presente que \u00e9 mais amplo do que aquilo que se tornou consciente. Os nexos associativos que se estabelecem s\u00e3o, portanto, sempre acompanhados de alguma repercuss\u00e3o afetiva que varia de intensidade e de acordo com o n\u00edvel afetivo predominantemente envolvido. O processo emocional \u00e9 representado por esta cont\u00ednua liga\u00e7\u00e3o entre a intelig\u00eancia e a afetividade (quadro IV). Evidentemente a import\u00e2ncia desse dinamismo no processo de mem\u00f3ria \u00e9 muito grande uma vez que a fixa\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os mn\u00eamicos se relaciona com sua repercuss\u00e3o emocional. Considerando-se que estes n\u00edveis afetivos s\u00e3o aqueles que nos d\u00e3o o <span style=\"text-decoration: underline;\">interesse<\/span> pelo meio externo, fica \u00f3bvia a sua import\u00e2ncia j\u00e1 que apenas captamos aquilo que possua um sentido para n\u00f3s, sentido biol\u00f3gico ou social.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas conforme j\u00e1 dissemos, o interesse e a emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o esgotam o processo de aten\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria. Al\u00e9m dos dinamismos afetivos e intelectuais, temos que considerar a participa\u00e7\u00e3o dos dinamismos conativos. Esta diferencia\u00e7\u00e3o entre os dinamismos afetivos e conativos, considerados por Silveira, tamb\u00e9m s\u00e3o referidos por Luria, por\u00e9m organizados de outro modo. Sen\u00e3o, vejamos:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(&#8230;) <em>o processo de mem\u00f3ria, longe de ser simples e passivo, \u00e9 de natureza complexa e <span style=\"text-decoration: underline;\">ativa<\/span>\u201d <\/em>(4, p. 251).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Uma pessoa que deseja lembrar-se de certo item de informa\u00e7\u00f5es exibe uma determinada estrat\u00e9gia de lembran\u00e7a, escolhendo os meios necess\u00e1rios, distinguindo sinais importantes, selecionando na depend\u00eancia do objetivo da tarefa, os componentes sensoriais ou l\u00f3gicos do material estampado e os encaixando em sistemas apropriados (&#8230;). Na opini\u00e3o da maioria dos investigadores constitui este o elo essencial na transi\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de curta dura\u00e7\u00e3o para a de longa dura\u00e7\u00e3o.\u201d <\/em>(4, p. 249).<\/p>\n\n\n\n<p>Desta afirma\u00e7\u00e3o podemos depreender tamb\u00e9m que este processo \u00e9 muito din\u00e2mico. A mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 \u201cuma caixa onde est\u00e3o armazenadas as lembran\u00e7as\u201d, mas um processo de cont\u00ednua reelabora\u00e7\u00e3o das recorda\u00e7\u00f5es que continuamente vai integrando os dados evocados com as novas experi\u00eancias e, deste modo, reformulando seu significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz Luria, o processo de mem\u00f3ria \u00e9 de natureza ativa e complexa. N\u00e3o ficamos \u00e0 merc\u00ea dos est\u00edmulos afetivos que porventura surjam em momentos sucessivos. Um determinado interesse que surge, precisa ser mantido e a partir da\u00ed, atrav\u00e9s das fun\u00e7\u00f5es intelectuais, s\u00e3o estabelecidas estrat\u00e9gias que s\u00e3o postas em pr\u00e1tica atrav\u00e9s da orienta\u00e7\u00e3o da cona\u00e7\u00e3o, requisitando a aten\u00e7\u00e3o que relacionar\u00e1 entre as etapas aquelas necess\u00e1rias ao trabalho intelectual que est\u00e1 sendo realizado. Trata-se de um processo \u201cquase motor\u201d pois implica o desencadeamento do pensamento ou a sele\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo a ser observado, a separa\u00e7\u00e3o dos elementos evocados \u00fateis para a consecu\u00e7\u00e3o da tarefa, bem como a capacidade de manter, pelo menos pelo per\u00edodo necess\u00e1rio, aquela atividade intelectual espec\u00edfica. Cona\u00e7\u00e3o para Silveira, termo que adaptou de MacDougall, \u00e9 o componente subjetivo da atividade, intimamente participando da Vontade que j\u00e1 \u00e9 um resultado complexo envolvendo todas as fun\u00e7\u00f5es afetivas, conativas e intelectuais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Considera McDougall:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Antecipando-me um pouco ao curso da hist\u00f3ria, farei a suposi\u00e7\u00e3o que a natureza intencional da a\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 fora de discuss\u00e3o e procurarei definir e justificar aqui a forma especial de psicologia intencional\u201d<\/em> (5, p\u00e1g.53).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(&#8230;) <em>minha tarefa \u00e9 extremamente dif\u00edcil pois consiste em justificar a psicologia mais radicalmente intencionalista (&#8230;), uma psicologia que pretende sua autonomia e recusa estar sujeita e limitada aos princ\u00edpios que s\u00e3o habituais nas ci\u00eancias f\u00edsicas, que afirma que o esfor\u00e7o ativo para uma meta \u00e9 uma categoria fundamental da psicologia (&#8230;)<\/em> (5, p\u00e1g. 56)<\/p>\n\n\n\n<p>Silveira, tomando este termo \u201cCona\u00e7\u00e3o\u201d de McDougall emprega-o com um sentido espec\u00edfico qual seja o da Esfera da personalidade que Comte originalmente denominou Atividade. Afirma Coelho: \u201c(&#8230;) no conjunto de fen\u00f4menos ps\u00edquicos sensoriais e motores que permitem o contato do indiv\u00edduo com o ambiente \u2013 desenvolve-se um sistema coordenador, que permite a adapta\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o ao est\u00edmulo objetivo, atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o de dispositivos din\u00e2micos especiais para a situa\u00e7\u00e3o imediata. Este novo sistema, ao contr\u00e1rio da rigidez das rea\u00e7\u00f5es impulsivas instintivas, possui imensa flexibilidade. \u00c9 ele que caracteriza a a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, intencional (&#8230;) ele permite apreender as rela\u00e7\u00f5es entre os pensamentos e selecionar espont\u00e2nea e adequadamente as representa\u00e7\u00f5es dos motivos e objetivos. Este dinamismo corresponde \u00e0 acep\u00e7\u00e3o de atividade, como fun\u00e7\u00e3o subjetiva, dada por Silveira. (&#8230;) Em todos os atos humanos, mesmo os mais rudimentares e iniciais, podemos distinguir, como o faz Silveira, o plano objetivo ou de execu\u00e7\u00e3o e o subjetivo ou de cona\u00e7\u00e3o. O primeiro representa a exterioriza\u00e7\u00e3o do movimento e depende do aparelho perif\u00e9rico da motilidade: preens\u00e3o e locomo\u00e7\u00e3o. As disposi\u00e7\u00f5es conativas representam os fatores subjetivos e resultam de fun\u00e7\u00f5es cerebrais\u201d (1, p.70). Esta pequena digress\u00e3o sobre o significado da Cona\u00e7\u00e3o, foi necess\u00e1rio para que possamos entender o seu significado e como estas fun\u00e7\u00f5es se diferenciam e participam nestes processos complexos que s\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria e a consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Verificamos que embora Luria n\u00e3o considere este n\u00edvel ps\u00edquico em separado, pois n\u00e3o utiliza uma teoria de personalidade, este sempre aparece implicitamente em suas afirma\u00e7\u00f5es, uma vez que considera sempre distinto o n\u00edvel de interesse daquele mais diferenciado de organiza\u00e7\u00e3o da atividade, para transpor o interesse em a\u00e7\u00e3o ou pensamento. Distingue dois n\u00edveis que consideramos estar relacionado com as fun\u00e7\u00f5es da Cona\u00e7\u00e3o. O primeiro estaria impl\u00edcito na considera\u00e7\u00e3o de uma forma superior, diferenciada e relativa da manuten\u00e7\u00e3o do tono cortical (em sua Primeira Unidade Funcional) (4, p.37 e 48) e o segundo estaria na considera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel mais diferenciado de regula\u00e7\u00e3o da atividade (em sua Terceira Unidade Funcional) (4, p.61 e 78). Em nosso ver, estes dinamismos seriam an\u00e1logos respectivamente aos processos de motiva\u00e7\u00e3o e a aten\u00e7\u00e3o (os primeiros referidos) e de orienta\u00e7\u00e3o (quadro IV) com rela\u00e7\u00e3o aos segundos. \u00c9 evidente que n\u00e3o podemos tentar uma redu\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica psicol\u00f3gica \u00e0 psicofisiologia pois embora uma esteja diretamente na depend\u00eancia da outra, como fen\u00f4menos de n\u00edveis distintos, obedecem a leis pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Consci\u00eancia<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A consci\u00eancia \u00e9 o processo mais complexo e nobre do ser humano pois lhe \u00e9 pr\u00f3prio e apenas encontrado a este n\u00edvel de evolu\u00e7\u00e3o filogen\u00e9tica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores analisados consideram a consci\u00eancia o processo que permite a liga\u00e7\u00e3o do homem com a sociedade em que vive. \u00c9 organizada e constantemente orientada pelo ambiente social. Ela \u00e9 a ponte de liga\u00e7\u00e3o entre o homem e a Humanidade. Permite ao homem a assimila\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de toda a Humanidade, acumulada no processo da hist\u00f3ria social e transmiss\u00edvel no processo de aprendizagem<sup data-fn=\"fde5cd79-0035-453f-bea2-aaae6c993720\" class=\"fn\"><a href=\"#fde5cd79-0035-453f-bea2-aaae6c993720\" id=\"fde5cd79-0035-453f-bea2-aaae6c993720-link\">3<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ambos os autores, o que permite a consci\u00eancia no ser humano \u00e9 a sua aptid\u00e3o simb\u00f3lica. Atrav\u00e9s dos sinais da linguagem o ser humano pode ter uma representa\u00e7\u00e3o ampla do meio exterior. Estes sinais encontram seu apoio exterior na linguagem e com os mesmos o homem pode assimilar os conhecimentos da hist\u00f3ria e se situar socialmente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A consci\u00eancia depende tamb\u00e9m da complexidade dos processos intelectuais humanos, abstratos, que se utiliza dos sinais. Com os mesmos, o homem pode \u201ctrabalhar\u201d com os objetos do mundo exterior, mesmo quando estes est\u00e3o ausentes. O processo permite que interiorizemos os dados da realidade (que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica) e os \u201ccarreguemos\u201d conosco interiorizados. Atrav\u00e9s da consci\u00eancia, com o uso do segundo sistema de sinais (linguagem) o ser humano pode projetar no tempo os eventos e, assim, prev\u00ea-los, ao menos parcialmente. Estas aptid\u00f5es tornam o contato do homem com o meio de uma forma caracter\u00edstica e \u00fanica. Esta representa\u00e7\u00e3o humana da realidade n\u00e3o apenas imediata, mas \u00e9 ampla e inserida num momento hist\u00f3rico espec\u00edfico. O homem \u00e9 o \u00fanico animal que possui Hist\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00edvel b\u00e1sico ao processo de consci\u00eancia encontra-se a vig\u00edlia. Esta est\u00e1 relacionada com a Primeira Unidade Funcional de Luria, a Unidade para regular o tono ou a vig\u00edlia. Esta ativa\u00e7\u00e3o tem suas origens nos processos metab\u00f3licos que s\u00e3o integrados e regulados por esta unidade funcional. Ela est\u00e1 relacionada como sistema de comportamento instintivo de procura de alimentos e sexual<sup data-fn=\"87227a9e-d655-4da9-b46f-606381191553\" class=\"fn\"><a href=\"#87227a9e-d655-4da9-b46f-606381191553\" id=\"87227a9e-d655-4da9-b46f-606381191553-link\">4<\/a><\/sup>. Possui n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o de complexidade desigual. Est\u00e3o envolvidos processos mais elementares que evocam respostas autom\u00e1tica, primitivas, mas tamb\u00e9m sistemas comportamentais complexos de cuja a\u00e7\u00e3o resulta que as necessidades apropriadas s\u00e3o satisfeitas. Esta unidade envolve n\u00facleos hipotal\u00e2micos, o cerebelo, n\u00facleos bulbares e a forma\u00e7\u00e3o reticular ascendente. Envolve tamb\u00e9m nos n\u00edveis mais complexos aos n\u00facleos superiores da forma\u00e7\u00e3o reticular, o sistema l\u00edmbico, o c\u00f3rtex orbit\u00e1rio e estruturas do tronco cerebral e do aquic\u00f3rtex.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A vig\u00edlia \u00e9 o est\u00edmulo b\u00e1sico afetivo de n\u00edvel instintivo. Sem um n\u00edvel adequado de estimula\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo permanece sem contato com o mundo exterior. A regula\u00e7\u00e3o de sono e vig\u00edlia tem a ver com processos de n\u00edveis instintivos. \u00c9 uma estimula\u00e7\u00e3o geral e ampla e, embora n\u00e3o seja indiferenciada, \u00e9 muito mais b\u00e1sica e ampla do que outras formas de estimula\u00e7\u00e3o. Ela vai permitir o n\u00edvel <span style=\"text-decoration: underline;\">afetivo<\/span> mais b\u00e1sico de interesse pela realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, em n\u00edveis cada vez mais complexos est\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria. Os dinamismos relacionados com a mem\u00f3ria s\u00e3o aqueles que mais se interrelacionam com a consci\u00eancia. Mesmo quando falamos em aten\u00e7\u00e3o, existem fen\u00f4meno mais e menos diferenciados com rela\u00e7\u00e3o a este processo. A aten\u00e7\u00e3o representa a polariza\u00e7\u00e3o do interesse para determinado est\u00edmulo da realidade. Ela pode ser apenas um pouco mais diferenciada que o n\u00edvel b\u00e1sico da vig\u00edlia, mas j\u00e1 representa uma maior seletividade. Ela n\u00e3o d\u00e1 o interesse b\u00e1sico e fundamental para o meio externo, mas representa um direcionamento do trabalho mental para algum aspecto espec\u00edfico da realidade e, portanto, est\u00e1 envolvido necessariamente os dinamismos conativos (quase motores). Num n\u00edvel mais b\u00e1sico est\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o que \u00e9 mobilizada por algum aspecto significativo do meio que represente novidade ou mesmo risco (amea\u00e7a a individualidade). Este n\u00edvel \u00e9 aquele que Pavlov denominava de <span style=\"text-decoration: underline;\">Reflexo de Orienta\u00e7\u00e3o<\/span>. Esta forma de aten\u00e7\u00e3o relaciona-se preferencialmente com a fun\u00e7\u00e3o conativa do <span style=\"text-decoration: underline;\">desencadeamento<\/span> (coragem para Comte) e \u00e9 mobilizada por interesses geralmente instintivos. Em n\u00edvel mais diferenciado encontra-se a aten\u00e7\u00e3o que \u00e9 mobilizada e recrutada pela intencionalidade no desempenho de algum trabalho reflexivo intelectual. Esta forma de aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 mediada pela linguagem, pelo segundo sistema de sinais e \u00e9 muito mais complexa. Embora envolva as mesmas fun\u00e7\u00f5es conativas, envolve os sistemas intelectuais. Exemplificando, o trabalho intelectual requisitando as fun\u00e7\u00f5es conativas que n\u00e3o s\u00e3o apenas o desencadeamento, mas a seletividade (Prud\u00eancia para Comte) e a manuten\u00e7\u00e3o, orienta a a\u00e7\u00e3o (o que Silveira denomina exatamente de <span style=\"text-decoration: underline;\">Orienta\u00e7\u00e3o<\/span>, que \u00e9 um sistema intelectual-conativo).\u00a0 Ao mesmo tempo, as mesmas fun\u00e7\u00f5es, mas em sentido oposto, conativo-intelectual, propiciam a aten\u00e7\u00e3o mais complexa, sua manuten\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o. A seletividade nos processos mentais. Este \u00e9 o processo que, mais especificamente, Silveira denomina de <span style=\"text-decoration: underline;\">Aten\u00e7\u00e3o<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na din\u00e2mica do trabalho mental termos que considerar na Mem\u00f3ria tamb\u00e9m a associa\u00e7\u00e3o, a fixa\u00e7\u00e3o, a evoca\u00e7\u00e3o e a proje\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica. A capacidade de proje\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica \u00e9 um processo que est\u00e1 na interrela\u00e7\u00e3o entre a Mem\u00f3ria e a Consci\u00eancia pois a identifica\u00e7\u00e3o e a proje\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica de tra\u00e7os mn\u00eamicos dependem do processo de simboliza\u00e7\u00e3o. Do processo que atribui significado \u00e0s diversas experi\u00eancias e situa\u00e7\u00f5es. Deste modo, observando-se o quadro I, constatamos que Silveira considera estes dois dinamismos como relacionados tanto com a Mem\u00f3ria quanto com a Consci\u00eancia. A proje\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica depende da assimila\u00e7\u00e3o das normas do ambiente social. Deste modo, encontra o seu apoio exteriormente ao homem, nos valores e normas da comunidade na qual o sujeito se encontra inserido. Estes valores e normas s\u00e3o interiorizados na aprendizagem.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Luria participa das mesmas concep\u00e7\u00f5es e ao analisar as les\u00f5es cerebrais que levam a preju\u00edzos nos referidos processos, comprova o quanto estas correm bastante paralelamente. Ressalta nesse passo a fun\u00e7\u00e3o organizadora a n\u00edvel mn\u00eamico da orienta\u00e7\u00e3o intelectual, poss\u00edvel atrav\u00e9s de sinais fornecidos em s\u00e9ries organizadas, do ponto de vista sem\u00e2ntico. Com isto comprova a influ\u00eancia organizadora da linguagem. (4, p. 257 e 258).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos tr\u00eas processos complexos aqui analisados (Aten\u00e7\u00e3o, Mem\u00f3ria e Consci\u00eancia) participam todas as tr\u00eas unidades funcionais consideradas por Luria. Mas podemos verificar como cada uma delas contribui para o resultado total. No caso da mem\u00f3ria, frisamos a import\u00e2ncia da Segunda Unidade Funcional (A Unidade para receber, analisar e armazenar informa\u00e7\u00f5es). Se compararmos com as considera\u00e7\u00f5es que Silveira faz com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fun\u00e7\u00f5es dos v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os cerebrais, verificamos que nos c\u00f3rtex occipital, parietal e temporal, ele associa com fun\u00e7\u00f5es afetivas e conativas. Do ponto de vista neurol\u00f3gico estas regi\u00f5es corticais est\u00e3o relacionadas com a organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica das diversas modalidades sensoriais. N\u00e3o se pode considerar mem\u00f3ria, principalmente no dinamismo da fixa\u00e7\u00e3o sem levarmos em conta a participa\u00e7\u00e3o afetiva atrav\u00e9s do dinamismo emocional, como referimos acima).<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta a import\u00e2ncia da sua terceira unidade funcional (A Unidade para programar, regular e verificar a atividade) para o processo de consci\u00eancia, relatando que as les\u00f5es do lobo frontal (que predominantemente est\u00e3o relacionadas com esta Unidade Funcional) levam a graves preju\u00edzos de toda a estrutura da atividade consciente humana. Nestas altera\u00e7\u00f5es ocorreria a perda da caracter\u00edstica ativa e seletiva da atividade mental (4, p\u00e1g. 263).<\/p>\n\n\n\n<p>O lobo frontal, segundo Silveira, tem rela\u00e7\u00e3o estreita com as fun\u00e7\u00f5es intelectuais, logo sua desorganiza\u00e7\u00e3o prejudicar\u00e1 desde a associa\u00e7\u00e3o das imagens at\u00e9 a capacidade programadora e orientadora das mesmas sobre a esfera conativa (9). Basta verificar que quando Luria afirma que sua terceira Unidade Funcional, aquela para programar, regular e verificar a atividade est\u00e1 relacionada principalmente com o Lobo Frontal, isto endossa as considera\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Silveira de que As Fun\u00e7\u00f5es do Lobo Frontal est\u00e3o ligadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da Intelig\u00eancia e Afetivas mais diferenciadas (n\u00edvel da sociabilidade e dos sentimentos).<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o dos processos neste n\u00edvel torna-se mais complexa em virtude da consci\u00eancia representar o processo ps\u00edquico mais diferenciado e nobre, que \u00e9 a ponte de liga\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel psicol\u00f3gico e o social. Trata-se de um processo altamente din\u00e2mico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se analisamos os processos mais simples e b\u00e1sicos ligados \u00e0 Consci\u00eancia inicialmente, o fizemos com uma inten\u00e7\u00e3o did\u00e1tica para facilitar a exposi\u00e7\u00e3o. Agora, ao discutirmos este complexo processo, precisamos inverter a dire\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise e considerar os outros dois processos (mem\u00f3ria e a aten\u00e7\u00e3o), a partir da reg\u00eancia simb\u00f3lica. Estes dois outros processos passam ent\u00e3o a ser orientados pela consci\u00eancia, tornando-se assim, tamb\u00e9m especificamente humanos. Isto, leva \u00e0 estreita interdepend\u00eancia entre os tr\u00eas processo e qualquer altera\u00e7\u00e3o que ocorra em um de seus n\u00edveis, necessariamente repercutir\u00e1, de forma distinta nos outros dois.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"4\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Alguns aspectos da neurofisiologia e neuroanatomia envolvidos nos referidos processos<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Ambos os autores ressaltam a import\u00e2ncia da vig\u00edlia como fen\u00f4meno b\u00e1sico para o contato consciente com o meio ambiente. Ambos correlacionam este n\u00edvel de est\u00edmulo como dependente de forma\u00e7\u00f5es subcorticais ligadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o reticular, hipot\u00e1lamo, dienc\u00e9falo, sistema l\u00edmbico e at\u00e9 certas regi\u00f5es do arquic\u00f3rtex. Silveira inclui tamb\u00e9m o cerebelo como fundamentalmente ligado a estes sistemas cerebrais, que os autores, em geral correlacionam com a vida instintiva mais b\u00e1sica (4 e 8). No entanto, existem algumas diferen\u00e7as quanto \u00e0 sistematiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica destes sistemas cerebrais, embora haja possibilidade de correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos quadros V e VI reproduzimos dois esquemas, um de Luria e outro de Silveira, que facilitaram a compreens\u00e3o destes aspectos aqui discutidos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para a manuten\u00e7\u00e3o da vig\u00edlia \u00e9 necess\u00e1ria a exist\u00eancia de um tono cortical \u00f3timo. Este tono \u00e9 mantido atrav\u00e9s do est\u00edmulo dito inespec\u00edfico, da forma\u00e7\u00e3o reticular ativadora sobre o c\u00f3rtex cerebral. Tanto para Silveira quanto para Luria este est\u00edmulo b\u00e1sico est\u00e1 relacionado ao est\u00edmulo instintivo de autopreserva\u00e7\u00e3o e sexual que a n\u00edvel hipotal\u00e2mico promove a regula\u00e7\u00e3o do metabolismo, traduzindo est\u00edmulos el\u00e9tricos em est\u00edmulos hormonais, atrav\u00e9s da hip\u00f3fise. Al\u00e9m disto, n\u00facleos bulbares e pontinos tamb\u00e9m regulam fun\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas tais como ritmo card\u00edaco, respira\u00e7\u00e3o, press\u00e3o arterial, temperatura corporal etc. Silveira considera que estes n\u00facleos do tronco cerebral e do hipot\u00e1lamo representam esta\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias do controle metab\u00f3lico que seria regido pelo cerebelo. Ali seriam desempenhadas as fun\u00e7\u00f5es instintivas de autopreserva\u00e7\u00e3o e sexual. \u00c9 claro que estes sistemas complexos, iniciam no cerebelo, possuem n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o cada vez mais complexos, seja aqueles que regem o metabolismo, seja aqueles que transmitem e decodificam estas informa\u00e7\u00f5es sobre o meio interno, para a vida ps\u00edquica (sistema l\u00edmbico e lobo orbit\u00e1rio).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Luria ainda refere duas origens de est\u00edmulos que envolvem a Primeira Unidade Funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira proviria do mundo exterior e se relacionaria com o processo de Percep\u00e7\u00e3o. Liga-se \u00e0 parte inespec\u00edfica do t\u00e1lamo e \u00e0s regi\u00f5es l\u00edmbicas. Ele relaciona estes est\u00edmulos com o denominado \u201cReflexo de Orienta\u00e7\u00e3o\u201d de Pavlov, que se desencadearia frente aos est\u00edmulos novos. Estes est\u00edmulos \u201cpreparariam\u201d o c\u00f3rtex cerebral para a percep\u00e7\u00e3o. Estariam, portanto, relacionados \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o conativa a partir do est\u00edmulo ambiental e tem o dinamismo de \u201cfazer voltar a aten\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Relativamente a este processo que \u00e9 discutido por Luria tamb\u00e9m quando disserta sobre sua Segunda Unidade Funcional, ele chama a aten\u00e7\u00e3o para o processo de <span style=\"text-decoration: underline;\">Percep\u00e7\u00e3o<\/span>, processo tamb\u00e9m complexo e ativo. Faremos agora algumas considera\u00e7\u00f5es, ainda que sum\u00e1rias, relativamente a este processo.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de Percep\u00e7\u00e3o est\u00e1 em \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com a aten\u00e7\u00e3o, posto que esta preside o contato direto com o meio ambiente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Luria considera que j\u00e1 a n\u00edvel tal\u00e2mico (onde est\u00e3o localizados os n\u00facleos sensoriais subcorticais) o est\u00edmulo proveniente do meio solicita um n\u00edvel diferenciado da Primeira Unidade Funcional. Este est\u00edmulo \u201cprepararia\u201d o c\u00f3rtex (especialmente o frontal) para que ocorra a percep\u00e7\u00e3o, aumentando-lhe o tono. Basta observar o esquema de Audiffrent (quadro III) para verificar a semelhan\u00e7a entre esta concep\u00e7\u00e3o e aquela de Silveira. Neste quadro est\u00e1 esquematizada uma via de liga\u00e7\u00e3o entre o n\u00facleo sensorial tal\u00e2mico e o c\u00f3rtex frontal (\u00e0quela \u00e9poca estas vias ainda n\u00e3o tinham sido identificadas anatomicamente. Eram apenas deduzidas teoricamente). Estas vias seriam necessariamente inespec\u00edficas considerando-se que Silveira admitia apenas um \u00f3rg\u00e3o frontal correlato \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o concreta, enquanto no t\u00e1lamo existem v\u00e1rios n\u00facleos modalmente espec\u00edficos ligados \u00e0s diversas modalidades sensoriais: tato, calori\u00e7\u00e3o, muscula\u00e7\u00e3o, vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda origem de est\u00edmulos considerada por Luria para a primeira unidade funcional, corresponde a um n\u00edvel diferenciado do trabalho mental. \u00c9 origin\u00e1ria da influ\u00eancia reguladora do c\u00f3rtex sobre estruturas mais baixas do tronco cerebral. Esta influ\u00eancia deriva da exist\u00eancia do controle regulador consciente: inten\u00e7\u00f5es, planos que s\u00e3o sociais em sua origem, e que requisitam a aten\u00e7\u00e3o para a manuten\u00e7\u00e3o do trabalho intelectual. Luria correlaciona estes est\u00edmulos com a aten\u00e7\u00e3o e a partir disto discute o n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o da mesma segundo os diferentes tipos de est\u00edmulos que prop\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando no modelo de personalidade proposto por Silveira, podemos correlacionar os v\u00e1rios n\u00edveis e integr\u00e1-los. Num n\u00edvel mais b\u00e1sico est\u00e1 o est\u00edmulo geral para voltar-se ao ambiente externo (<span style=\"text-decoration: underline;\">interesse em geral<\/span>). A segunda origem de est\u00edmulos correlaciona-se com a participa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es conativas no processo perceptual. Representa os est\u00edmulos afetivos para a cona\u00e7\u00e3o (<span style=\"text-decoration: underline;\">motiva\u00e7\u00e3o<\/span> e consequente polariza\u00e7\u00e3o da <span style=\"text-decoration: underline;\">aten\u00e7\u00e3o<\/span>). \u00c0 terceira origem de est\u00edmulos relaciona-se com a <span style=\"text-decoration: underline;\">orienta\u00e7\u00e3o<\/span>, implicando na consci\u00eancia que requisita a <span style=\"text-decoration: underline;\">aten\u00e7\u00e3o<\/span> (aqui j\u00e1 em n\u00edvel mais diferenciado, envolvendo a seletividade e a manuten\u00e7\u00e3o \u2013 aten\u00e7\u00e3o especificamente humana).<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da segunda unidade funcional na capta\u00e7\u00e3o das formas modalmente espec\u00edficas dos est\u00edmulos, sua integra\u00e7\u00e3o e armazenamento, \u00e9 fundamental tamb\u00e9m para os tr\u00eas processos aqui analisados. Esta unidade corresponde a \u00e1reas corticais dos lobos temporais, parietais e occipitais. Aqui, nestas \u00e1reas cerebrais, Silveira considera necess\u00e1ria participa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es intrinsecamente afetivas. Isto, no entanto, encontra-se apenas implicitamente nas concep\u00e7\u00f5es de Luria, segundo nossa interpreta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Luria considera que os est\u00edmulos sensoriais se integram a este n\u00edvel e ainda, que s\u00e3o a\u00ed armazenados, embora, a este n\u00edvel, o sujeito n\u00e3o possua no\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos. Quais seriam, ent\u00e3o, os n\u00edveis respons\u00e1veis pela interrela\u00e7\u00e3o entre estes est\u00edmulos, j\u00e1 que neste n\u00edvel s\u00e3o inconscientes?<\/p>\n\n\n\n<p>Luria afirma que os est\u00edmulos ser\u00e3o fornecidos \u00e0 terceira unidade funcional em s\u00e9ries sucessivas ou estruturais simult\u00e2neas. Por que se ligaram entre si os v\u00e1rios tipos de est\u00edmulos ou ainda, porque um est\u00edmulo, no processo da mem\u00f3ria, despertaria outros que precisariam ou n\u00e3o, serem inibidos pela terceira unidade funcional, visando organizar o trabalho consciente?<\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso modo de ver, a considera\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de n\u00edveis afetivos intermedi\u00e1rios entre os n\u00edveis instintivos b\u00e1sicos (autopreserva\u00e7\u00e3o e sexual) e os n\u00edveis afetivos mais diferenciados (sociabilidade) nos forneceria uma hip\u00f3tese explicativa bastante interessante para estes dados relatados por Luria. Tamb\u00e9m seria fundamental considerar que os est\u00edmulos provenientes das v\u00e1rias modalidades sensoriais n\u00e3o s\u00e3o simplesmente integrados e enviados para o Lobo Frontal, mas sofrem tamb\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o em sentido inverso. Ou seja, o Lobo Frontal, desempenhando a Terceira Unidade Funcional, enviaria est\u00edmulos organizadores e seletivos para estas \u00e1reas cerebrais dos lobos posteriores. Trata-se do que Silveira denominava <span style=\"text-decoration: underline;\">Reg\u00eancia<\/span>. Ou seja, as regi\u00f5es menos diferenciadas do enc\u00e9falo estimulam aquelas mais nobres e diferenciadas e s\u00e3o, por sua vez, por elas regidas. Trata-se da reg\u00eancia do lobo frontal sobre o parietal, occipital e temporal.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que a percep\u00e7\u00e3o somente se d\u00e1 quando al\u00e9m do c\u00f3rtex posterior, o c\u00f3rtex frontal recebe a informa\u00e7\u00e3o, temos que considerar que embora j\u00e1 haja uma organiza\u00e7\u00e3o perceptual desde o subc\u00f3rtex, \u00e9 somente quanto todas estas estruturas estejam funcionando em concerto que teremos a no\u00e7\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Silveira considera a participa\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica das v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es afetivas na din\u00e2mica ps\u00edquica, desde as mais b\u00e1sicas at\u00e9 aquelas mais diferenciadas. No processo de consci\u00eancia leva em considera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da linguagem a capacidade afetiva mais diferenciada do ser humano, aquilo que denomina sentimentos (a sociabilidade), ou seja, h\u00e1 no ser humano uma disposi\u00e7\u00e3o afetiva para o processo de socializa\u00e7\u00e3o. Silveira considera que estas fun\u00e7\u00f5es afetivas diferenciadas tamb\u00e9m dependem do c\u00f3rtex frontal.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Luria descreve a participa\u00e7\u00e3o da segunda unidade funcional nos processos de mem\u00f3ria, explica que embora a este n\u00edvel ainda n\u00e3o haja no\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos captados, a\u00ed se processa uma organiza\u00e7\u00e3o crescente dos mesmos. As \u00e1reas 39 e 40 n\u00e3o s\u00e3o modalmente espec\u00edficas, mas integram de um modo \u201cquase espacial\u201d todos estes est\u00edmulos e esta integra\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos \u00e9 enviada para a terceira unidade funcional, de cujo trabalho em concerto com esta, culminar\u00e1 com a no\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para que haja a no\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a participa\u00e7\u00e3o do lobo frontal. Segundo Silveira, \u00e9 no frontal que se processam os dinamismos intelectuais, inclusive aquilo que denomina fun\u00e7\u00f5es da observa\u00e7\u00e3o. Quando os est\u00edmulos chegam aos \u00f3rg\u00e3os da observa\u00e7\u00e3o concreta e abstrata, haver\u00e1 as no\u00e7\u00f5es. \u00c9 claro que durante o processo da ontog\u00eanese, a cont\u00ednua reg\u00eancia que o lobo frontal (atrav\u00e9s das fun\u00e7\u00f5es intelectuais) ir\u00e1 reorganizando as imagens mn\u00eamicas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para Silveira este trabalho que Luria refere como armazenamento das informa\u00e7\u00f5es est\u00e1 relacionado com a participa\u00e7\u00e3o afetiva no processo de mem\u00f3ria. \u00c9 somente atrav\u00e9s do impacto que os est\u00edmulos causam na afetividade (sistemas intelectuais-afetivos e vice-versa que ele denomina Emo\u00e7\u00e3o) que pode ocorrer a fixa\u00e7\u00e3o. Apenas com o intuito ilustrativo citamos as zonas terci\u00e1rias da segunda unidade funcional (\u00e1reas 39 e 40 de Brodmann). Luria considera que neste n\u00edvel ocorrem as s\u00ednteses simult\u00e2neas (\u201cquase espaciais\u201d) das v\u00e1rias modalidades sensoriais (embora ainda inconscientes) e que a participa\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea cerebral \u00e9 fundamental como est\u00edmulo para as fun\u00e7\u00f5es de programa\u00e7\u00e3o da atividade. Os indiv\u00edduos com les\u00f5es nesta regi\u00e3o apresentam dist\u00farbios complexos de apraxia construtiva e das opera\u00e7\u00f5es intelectuais relacionadas \u00e0 matem\u00e1tica (4. P. 127 a 131). Ora, estes aspectos nos sugerem a participa\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o afetiva da <span style=\"text-decoration: underline;\">constru\u00e7\u00e3o<\/span> como correlata a estes processos neurofisiol\u00f3gicos. No quadro I, verificamos que Silveira considera esta fun\u00e7\u00e3o como subjacente (em n\u00edvel de est\u00edmulo) \u00e0 contra\u00e7\u00e3o da imagem subjetiva a sinal. Evidentemente que a participa\u00e7\u00e3o desta fun\u00e7\u00e3o neste processo \u00e9 apenas subjacente \u00e0s fun\u00e7\u00f5es mais diretamente relacionadas com ele quais sejam: as fun\u00e7\u00f5es conativas e intelectuais. N\u00e3o nos deteremos mais neste ponto uma vez que estas hip\u00f3teses embora encontrem dados objetivos que as apoiem, necessitam ainda de maior comprova\u00e7\u00e3o objetiva. \u00c9 nossa inten\u00e7\u00e3o escrever outro artigo para discutir porque efetivamente \u00e9 necess\u00e1rio considerar a participa\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es afetivas no c\u00f3rtex posterior. Para tal \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma revis\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do sistema nervoso atrav\u00e9s da evolu\u00e7\u00e3o filogen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira unidade funcional que Luria correlaciona com o lobo frontal, devido a suas fun\u00e7\u00f5es: Programa\u00e7\u00e3o, Regula\u00e7\u00e3o e Verifica\u00e7\u00e3o da atividade, nos levam a associ\u00e1-la com as fun\u00e7\u00f5es da Esfera Intelectual conforme considera Silveira, seja intrinsecamente, seja atuando atrav\u00e9s dos dinamismos de orienta\u00e7\u00e3o (Quadro III).<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o desta Unidade no processo de Aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 vinculada ao dinamismo que Silveira denomina Orienta\u00e7\u00e3o. Determinadas les\u00f5es no lobo frontal levam exatamente a perturba\u00e7\u00e3o nas formas superiores de aten\u00e7\u00e3o (comportamento dirigido a metas) mas n\u00e3o a perturba\u00e7\u00f5es das formas mais primitivas (relacionadas com o \u201creflexo de orienta\u00e7\u00e3o\u201d) que poder\u00e3o, inclusive se encontrar aumentadas. Afinal, o discernimento entre o que \u00e9 significativo ou n\u00e3o estar\u00e1 comprometido. Com rela\u00e7\u00e3o ao processo da mem\u00f3ria, quando h\u00e1 comprometimento da Terceira Unidade Funcional, a mem\u00f3ria perder\u00e1 sua caracter\u00edstica ativa devido \u00e0 falta de orienta\u00e7\u00e3o. Por fim, as les\u00f5es desta unidade levam \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o do comportamento dirigido a metal e consequentemente \u00e0 consci\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria, principalmente a fixa\u00e7\u00e3o e a evoca\u00e7\u00e3o encontram suas bases em v\u00e1rias zonas cerebrais participando conjuntamente, por\u00e9m a regi\u00e3o do hipocampo tem uma participa\u00e7\u00e3o bastante importante. J\u00e1 as regi\u00f5es mediais do hipocampo e corpos mamilares desempenham papel no dinamismo da evoca\u00e7\u00e3o. Conforme discutimos, estas regi\u00f5es do arquic\u00f3rtex (inclu\u00eddos na Primeira Unidade Funcional) tem rela\u00e7\u00e3o bastante estreita com os dinamismos conativos que encontram n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o espec\u00edficos e relativos, em sua liga\u00e7\u00e3o com os sistemas intelectuais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"5\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Conclus\u00f5es:<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Cremos que as duas vis\u00f5es da din\u00e2mica ps\u00edquica apresentadas mant\u00eam in\u00fameros pontos em comum e permitem, ambas uma correla\u00e7\u00e3o entre os processos ps\u00edquicos e seus dinamismos neurofisiol\u00f3gicos subjacentes. Isso torna, em nosso ver, mais rica e abrangente a an\u00e1lise psicol\u00f3gica deste fen\u00f4meno.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Como pontos em comum aos dois autores analisados gostar\u00edamos de frisar que consideram:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>A atividade mental como complexa, hier\u00e1rquica e organizada em n\u00edvel sist\u00eamico, com coopera\u00e7\u00e3o seletiva entre as v\u00e1rias estruturas encef\u00e1licas participantes nos diferentes processos.<\/li>\n\n\n\n<li>O crit\u00e9rio de integra\u00e7\u00e3o funcional como prevalecendo sobre o espacial, nos diversos sistemas cerebrais.<\/li>\n\n\n\n<li>De modo semelhante os diferentes sistemas cerebrais subjacentes aos v\u00e1rios processos mentais.<\/li>\n\n\n\n<li>A vig\u00edlia como fundamento para os tr\u00eas processos analisados.<\/li>\n\n\n\n<li>O car\u00e1ter altamente direcional e seletivo da aten\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>A mem\u00f3ria como processo eminentemente ativo e, portanto, sendo continuamente reelaborada com as diferentes experi\u00eancias.<\/li>\n\n\n\n<li>A consci\u00eancia como intimamente ligada \u00e0 aptid\u00e3o simb\u00f3lica e o fato de encontrar seu apoio exteriormente ao homem, nos valores da comunidade na qual o sujeito se encontra inserido.<\/li>\n\n\n\n<li>O fato de que, embora possamos distinguir n\u00edveis menos complexos dos processos de aten\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria, que ocorrem em fases ontogeneticamente mais precoces, com o advento da consci\u00eancia, estes dois outros processos passar\u00e3o tamb\u00e9m a ser organizados atrav\u00e9s dos sinais fornecidos pela linguagem.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Pode-se verificar que estes autores, que basearam suas observa\u00e7\u00f5es sob prisma epistemol\u00f3gico distinto: o positivismo em Silveira e o materialismo dial\u00e9tico marxista aplicado na psicologia por Vygostsky, em Luria, chegaram a concep\u00e7\u00f5es bastante pr\u00f3ximas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Luria n\u00e3o se utiliza de um modelo representativo da estrutura de personalidade, como o faz Silveira. Por este fato, n\u00e3o chega a se deter na an\u00e1lise das motiva\u00e7\u00f5es afetivas interferentes nestes processos, mesmo que considere as fun\u00e7\u00f5es instintivas interferindo como base nos mesmos. No entanto, ele n\u00e3o chega a sistematizar uma hierarquia dos sentimentos, deixando o n\u00edvel afetivo mais diferenciado apenas impl\u00edcito em suas concep\u00e7\u00f5es. Sua concep\u00e7\u00e3o de afetividade limita-se \u00e0s fun\u00e7\u00f5es instintivas biol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, frisamos que a import\u00e2ncia de uma correla\u00e7\u00e3o entre o psiquismo e suas bases neurofisiol\u00f3gicas em estruturas complexas, \u00e9 enorme. Sua import\u00e2ncia se relaciona ao fato de apontar o caminho para a compreens\u00e3o patogen\u00e9tica dos dist\u00farbios ps\u00edquicos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"6\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Esquemas referidos no texto<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Quadro I<\/span><\/strong>: Modelo esquem\u00e1tico da Teoria das Imagens de Laffite (Silveira \u2013 8):<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"531\" height=\"744\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1.2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2554\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1.2.png 531w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1.2-214x300.png 214w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1.2-9x12.png 9w\" sizes=\"auto, (max-width: 531px) 100vw, 531px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Quadro II<\/span><\/strong>: Desdobramento do esquema anterior visando tornar mais clara a participa\u00e7\u00e3o dos nexos afetivos nos processos (Silveira \u2013 8):<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"710\" height=\"662\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2024-06-18-12.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2555\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2024-06-18-12.png 710w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2024-06-18-12-300x280.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2024-06-18-12-13x12.png 13w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Quadro III<\/span><\/strong>: Esquema baseado no princ\u00edpio de Audiffrent (Silveira \u2013 8):<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcIhbjU9I8AU82ms1QvFtWtMRKYQdVQGDKaUrwrCJMiG1I3fu2RVv49qHsiGbBR-n9kq4V3PIAHztna4vIxd5duelsr_7gcDhzN0T-EKNPvm6_vZ5YGXmOsgAFtbpO-UF4_ZSOW10N9C0D2JJE8N6Q_HAL9gPJiHhdf8jO1UPwvmMyN67k6Jw?key=Vfjsyvw7sUhywzH1rO-K0A\" alt=\"http:\/\/www.psiquiatriageral.com.br\/cerebro\/f8.jpg\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Processos psicofisiol\u00f3gicos da percep\u00e7\u00e3o, no caso visual. E \u2013 Est\u00edmulo; I \u2013 impress\u00e3o sensorial; S \u2013 sensa\u00e7\u00e3o; A \u2013 rea\u00e7\u00e3o afetiva: inconsciente ante o est\u00edmulo; P \u2013 percep\u00e7\u00e3o. Em linhas de pontos e tra\u00e7os, vias de condu\u00e7\u00e3o do n\u00facleo sensorial ao c\u00f3rtex afetivo, no caso tapete e fibras que v\u00e3o \u00e0 \u00e1rea 19; em pontilhado, liga\u00e7\u00e3o do n\u00facleo com o c\u00f3rtex frontal; ainda n\u00e3o demonstrada anatomicamente, em linhas interrompida, vias occipito-frontais<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Quadro IV<\/span><\/strong>: Esquema representativo dos processos resultantes da intera\u00e7\u00e3o das esferas da personalidade (Silveira \u2013 <em>in <\/em>1):<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXc7YiSjYDMKuXuc8jGLg5lFm4peEHJn9oWmCipMRVIAtarlESQw6vAojNi6xYg3uGXXUdnKSLHpefaQw1Isl1acMUIFI3oIearDmlYhHnVPcpfbIdnsXpdTLZQoLVFafZPwarXof8A5_i44ot8oPMxKPEF8hKxLyUMscm5WBOi2gu7SaMZJQnU?key=Vfjsyvw7sUhywzH1rO-K0A\" alt=\"Diagrama&lt;br&gt;&lt;br&gt;Descri&ccedil;&atilde;o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Quadro V<\/strong><\/span>: Esquema representativo dos v\u00e1rios n\u00edveis da forma\u00e7\u00e3o reticular ativadora (Luria \u2013 3):<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXefZn3poAHVeJDivLwV_Zwrm4bShF-G706yeuHa5PBjSrqMu2P9zYuIWWZbzgtqLCBCH8KgAov2lXbxToRIiZd18kVaAHklL3lWYrbsvmhyyCkWTA2BOIyURRp3C49QJ5wsq5nnRhe9FH67BO8KLzvQN6XEP65iKDpNeAd7ZsGSVJeRCfEIWq4?key=Vfjsyvw7sUhywzH1rO-K0A\" alt=\"Diagrama&lt;br&gt;&lt;br&gt;Descri&ccedil;&atilde;o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quadro VI: Esquema representativo do Est\u00edmulo e Reg\u00eancia na din\u00e2mica do enc\u00e9falo (Silveira \u2013 8):<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfhbfJfphduB2r5e9n9Bso93_QnzYNg2tqH6x_pemxocXUvvpOde_Eef7UT2vYbhcORJvddEi4-g3Hqq5EPp3yZgKA9q9yxuapi4I1ycvXayMMEu0JOwWJzSSTnQBcTDEND-ODG2jnbThaEETtoRJBhjIuHhG6P0BQWPk2U-YmErPLj1OpiVyk?key=Vfjsyvw7sUhywzH1rO-K0A\" alt=\"Diagrama, Linha do tempo&lt;br&gt;&lt;br&gt;Descri&ccedil;&atilde;o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>VII \u2013 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/p>\n\n\n\n<p>1. COELHO, L\u00facia Maria Salvia: Epilepsia e Personalidade: psicodiagn\u00f3stico de Rorschach, entrevista e anamnese heredol\u00f3gica em 102 examinandos. 2.\u00aa ed. rev. e aum. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>2. COELHO, L\u00facia Maria Salvia: Fundamentos epistemol\u00f3gicos de uma psicologia positiva, tradu\u00e7\u00e3o de Zakie Yazigi Rizkallah. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1982.<\/p>\n\n\n\n<p>3. LURIA, Alexandr Romanovitch: Fundamentos de Neuropsicologia, tradu\u00e7\u00e3o de Juarez Aranha Ricardo \u2013 Rio de Janeiro: Livros T\u00e9cnicos e Cient\u00edficos; S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>4. LURIA, Aleksandr Romanovitch: Curso de Psicologia Geral. Rio de Janeiro: Editora Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1979.<\/p>\n\n\n\n<p>5. CARR, Harvey; McDOUGALL, W. &amp; BRETT, G. S.: Psicolog\u00eda del \u201cacto\u201d. Psicolog\u00eda Funcionalista. Psicolog\u00eda H\u00f3rmica. Editorial Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1965.<\/p>\n\n\n\n<p>6. PAVLOV, Ivan Petrovi\u0107: Psicopatologia e psichiatria. A cura di E. Popov e L. Rochlin. Editori Riuniti. Roma, 1969.<\/p>\n\n\n\n<p>7. SILVEIRA, An\u00edbal: Cerebral Systems in the Pathogenesis of Endogenous Psychosis. Arquivos de Neuropsiquiatria. S\u00e3o Paulo 20(4), 1962.<\/p>\n\n\n\n<p>8. SILVEIRA, An\u00edbal; ROBORTELLA, M\u00e1rio; PEREIRA DA SILVA, Celso. Contribui\u00e7\u00e3o para a semiologia psiqui\u00e1trica: a Pneumoencefalografia. Arquivos da Assist\u00eancia a Psicopatas do Estado de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo: 12 (1-100), 1947.<\/p>\n\n\n\n<p>9. SILVEIRA, An\u00edbal: Les\u00f5es casuais e les\u00f5es sistem\u00e1ticas do c\u00e9rebro nas doen\u00e7as mentais. Arquivos da Assist\u00eancia a Psicopatas do Estado de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo: 2 (101-217), 1937.<\/p>\n\n\n\n<p>10. SILVEIRA, An\u00edbal: Psicolog\u00eda Fisiol\u00f3gica. Maternidade e Inf\u00e2ncia. S\u00e3o Paulo: 15(1), 1966. (Reprodu\u00e7\u00e3o sob autoriza\u00e7\u00e3o do autor, feita pela Sociedade Rorschach de S\u00e3o Paulo sob a forma de apostila).<\/p>\n\n\n\n<p>11. SILVEIRA, An\u00edbal: As fun\u00e7\u00f5es do lobo frontal. Revista de Neurologia e Psiquiatria de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo: 1 (196-228), 1935.<\/p>\n\n\n\n<p>VIII \u2013 Agradecimentos:<\/p>\n\n\n\n<p>Gostar\u00edamos de manifestar nossa gratid\u00e3o ao Dr. Ruy Benedicto Mendes Filho, pela orienta\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o que nos deu durante a prepara\u00e7\u00e3o deste trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>IX \u2013 Resumo:<\/p>\n\n\n\n<p>O autor faz uma correla\u00e7\u00e3o entre as concep\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Silveira e Alexandr Romanovitch Luria, em rela\u00e7\u00e3o aos processos de Aten\u00e7\u00e3o, Mem\u00f3ria e Consci\u00eancia. Busca frisar a concep\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da din\u00e2mica ps\u00edquica e de suas bases neurofisiol\u00f3gicas, relacionando-as com os referidos processos.<\/p>\n\n\n\n<p>X. Summary:<\/p>\n\n\n\n<p>The author does a correlation between Silveira and Luria\u2019s conceptions about the process of Attention, Memory, and Consciousness. He tries to note of the systhemical conception of psychological dynamics and of their neurophysiological bases, correlating them with the so-named process.\u00a0<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"2f9bc2ba-efbb-44fb-8fbc-d16bfe866c99\">M\u00e9dico Psiquiatra do Hospital de Juquery da Coordenadoria de Sa\u00fade Mental da Secretaria da Sa\u00fade do Estado de S\u00e3o Paulo. <a href=\"#2f9bc2ba-efbb-44fb-8fbc-d16bfe866c99-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"3c604638-c0ef-4d8c-8537-c9407d8f0935\">Luria n\u00e3o se det\u00e9m a analisar o n\u00edvel afetivo mais diferenciado e sua import\u00e2ncia na din\u00e2mica ps\u00edquica. Ele n\u00e3o se preocupa em fornecer uma hierarquia dos sentimentos. <a href=\"#3c604638-c0ef-4d8c-8537-c9407d8f0935-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fde5cd79-0035-453f-bea2-aaae6c993720\">O dinamismo que Silveira denomina Motiva\u00e7\u00e3o, \u00e9 o dinamismo afetivo-conativo (como podemos observar no Quadro IV). No entanto, a diferencia\u00e7\u00e3o da motiva\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o desencadeada, propriamente, tem um valor esquem\u00e1tico explicativo uma vez que sempre estar\u00e1 implicada a motiva\u00e7\u00e3o para a aten\u00e7\u00e3o ou para a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. Somente em casos patol\u00f3gicos, onde ocorrem altera\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas de dinamismos espec\u00edficos \u00e9 que podemos verificar a validade das considera\u00e7\u00f5es destes n\u00edveis como distintos. Como exemplos citamos as formas da Hebefrenia Ap\u00e1tica (onde h\u00e1 um comprometimento global da motiva\u00e7\u00e3o devido ao embotamento afetivo que se reflete no sistema conativo, ou seja, na motiva\u00e7\u00e3o para agir) e na Catatonia Acin\u00e9tica onde o comprometimento \u00e9 intrinsecamente conativo tendo como resultado a intensa car\u00eancia de iniciativa que pode chegar at\u00e9 \u00e0 \u201cflexibilidade c\u00e9rea\u201d. (As formas de esquizofrenia citadas aqui nesta nota s\u00e3o relativas \u00e0 nosologia de Karl Kleist.). <a href=\"#fde5cd79-0035-453f-bea2-aaae6c993720-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"87227a9e-d655-4da9-b46f-606381191553\">Esta unidade funcional (Unidade para regular o tono ou a vig\u00edlia) quando comparada com as concep\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Silveira, est\u00e1 relacionada com fun\u00e7\u00f5es de regula\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica e com fun\u00e7\u00f5es e est\u00edmulos instintivos b\u00e1sicos (instinto nutritivo e sexual), em sua dupla fun\u00e7\u00e3o: a de reger o metabolismo e a de informar e estimular as fun\u00e7\u00f5es mais diferenciadas do c\u00f3rtex cerebral quanto a estas necessidades biol\u00f3gicas mais b\u00e1sicas. <a href=\"#87227a9e-d655-4da9-b46f-606381191553-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considera\u00e7\u00f5es a respeito dos processos de Aten\u00e7\u00e3o, Mem\u00f3ria e Consci\u00eancia, segundo as concep\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Silveira e Aleksandr Romanovitch Luria \u2013 correla\u00e7\u00f5es entre as duas vis\u00f5es Roberto Fazzani Neto A nosso ver, \u00e9 fundamental verificar como as v\u00e1rias estruturas encef\u00e1licas se interrelacionam, concorrendo para com o psiquismo; correlacionar a vida ps\u00edquica com os processos neurofisiol\u00f3gicos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"M\u00e9dico Psiquiatra do Hospital de Juquery da Coordenadoria de Sa\u00fade Mental da Secretaria da Sa\u00fade do Estado de S\u00e3o Paulo.\",\"id\":\"2f9bc2ba-efbb-44fb-8fbc-d16bfe866c99\"},{\"content\":\"Luria n\u00e3o se det\u00e9m a analisar o n\u00edvel afetivo mais diferenciado e sua import\u00e2ncia na din\u00e2mica ps\u00edquica. 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(As formas de esquizofrenia citadas aqui nesta nota s\u00e3o relativas \u00e0 nosologia de Karl Kleist.).\",\"id\":\"fde5cd79-0035-453f-bea2-aaae6c993720\"},{\"content\":\"Esta unidade funcional (Unidade para regular o tono ou a vig\u00edlia) quando comparada com as concep\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Silveira, est\u00e1 relacionada com fun\u00e7\u00f5es de regula\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica e com fun\u00e7\u00f5es e est\u00edmulos instintivos b\u00e1sicos (instinto nutritivo e sexual), em sua dupla fun\u00e7\u00e3o: a de reger o metabolismo e a de informar e estimular as fun\u00e7\u00f5es mais diferenciadas do c\u00f3rtex cerebral quanto a estas necessidades biol\u00f3gicas mais b\u00e1sicas.\",\"id\":\"87227a9e-d655-4da9-b46f-606381191553\"}]"},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2553","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2553"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2553\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2558,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2553\/revisions\/2558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}