{"id":3247,"date":"2024-09-10T19:43:46","date_gmt":"2024-09-10T22:43:46","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3247"},"modified":"2024-09-10T19:43:46","modified_gmt":"2024-09-10T22:43:46","slug":"confluencia-de-fatores-patogenicos-na-epilepsia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/confluencia-de-fatores-patogenicos-na-epilepsia\/","title":{"rendered":"Conflu\u00eancia de fatores patog\u00eanicos na epilepsia"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>CONFLU\u00caNCIA DE FATORES PATOG\u00caNICOS NA EPILEPSIA<\/strong><sup data-fn=\"0df9612d-fd21-432f-86bd-63b7ad0aca86\" class=\"fn\"><a href=\"#0df9612d-fd21-432f-86bd-63b7ad0aca86\" id=\"0df9612d-fd21-432f-86bd-63b7ad0aca86-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A epilepsia \u00e9 considerada aqui como uma condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida end\u00f3gena, permanente, caracterizada pela variabilidade relativamente grande de express\u00e3o cl\u00ednica e pela participa\u00e7\u00e3o precisa dos dinamismos gen\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o cl\u00ednica da epilepsia n\u00e3o abrange apenas o plano neurol\u00f3gico objetivo, mas tamb\u00e9m o subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ao lado dos quadros cl\u00ednicos nucleares e colaterais da epilepsia, classicamente descritos, vamos encontrar manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas, ps\u00edquicas, como integrantes de algumas dessas manifesta\u00e7\u00f5es ou definidas como tra\u00e7os de personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista gen\u00e9tico, a epilepsia se apresenta como condi\u00e7\u00e3o constitucional atenuada, permanente e sistematizada, como um dos quadros colaterais do ciclo heredol\u00f3gico na nossa acep\u00e7\u00e3o. Seus dinamismos gen\u00e9ticos constituem um elemento determinante preciso e caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo patogen\u00e9tico da epilepsia evidencia a conflu\u00eancia de uma s\u00e9rie de fatores que agem e interagem em diferentes n\u00edveis. O dom\u00ednio desses diferentes fatores proporciona, ao estudo da epilepsia, uma maior precis\u00e3o no tocante \u00e0 sua etiologia, \u00e0 correla\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de algumas de suas manifesta\u00e7\u00f5es, como o tra\u00e7ado eletroencefalogr\u00e1fico, o diagn\u00f3stico diferencial das formas convulsivas da epilepsia com outras condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas, tamb\u00e9m convulsivas.<\/p>\n\n\n\n<p>A terap\u00eautica dos quadros epil\u00e9pticos, n\u00e3o apenas ao n\u00edvel medicamentoso, mas principalmente nos planos da preven\u00e7\u00e3o, da orienta\u00e7\u00e3o familial e da readapta\u00e7\u00e3o do paciente epil\u00e9ptico, exige uma precis\u00e3o maior na determina\u00e7\u00e3o de sua manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, devem ser investigados, segundo o crit\u00e9rio patogen\u00e9tico, os fatores confluentes da epilepsia, n\u00e3o sendo apenas suficiente a descri\u00e7\u00e3o cl\u00ednica dessa condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sistematizamos o estudo patogen\u00e9tico da epilepsia em dois n\u00edveis: um mais geral, que engloba a participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica no que se refere \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o cerebral, al\u00e9m de levar em conta a grande difus\u00e3o dessa carga gen\u00e9tica na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia; outro mais espec\u00edfico, que interessa \u00e0 din\u00e2mica da personalidade, ao n\u00edvel das esferas e dos sistemas ps\u00edquicos e sua correla\u00e7\u00e3o com a din\u00e2mica cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o cerebral compreende a sua disposi\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica e funcional, que s\u00e3o caracter\u00edsticas da esp\u00e9cie, e consequentemente geneticamente determinadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na disposi\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica do enc\u00e9falo, e mais particularmente do c\u00e9rebro, devemos lembrar que o mesmo se apresenta como uma s\u00e9rie de \u00f3rg\u00e3os corticais altamente diferenciados, formando dois grandes sistemas. O sistema p\u00e1leo-cerebral e o p\u00e1leo-cerebelar que envolvem as estruturas mais antigas e o sistema neo-cerebral e neo-cerebelar, cuja forma\u00e7\u00e3o estrutural \u00e9 mais recente. Nesses sistemas podemos distinguir estruturas mais b\u00e1sicas que estimulam aquelas mais diferenciadas, as quais por sua vez, regem as primeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema p\u00e1leo-cerebral e p\u00e1leo-cerebelar \u00e9 respons\u00e1vel pela nutri\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro como uma v\u00edscera e nesse trabalho podemos individualizar o cerebelo, ou melhor, o verme cerebelar como \u00f3rg\u00e3o central que rege a nutri\u00e7\u00e3o do organismo como um todo e do c\u00e9rebro particularmente. Segundo o nosso modo de compreender, os est\u00edmulos partem do cerebelo e v\u00e3o at\u00e9 as estruturas subcorticais hipotal\u00e2micas, lobo orbit\u00e1rio, c\u00edngulo na parte cortical interna e convexidade cortical. Altera\u00e7\u00f5es no funcionamento nutritivo do sistema p\u00e1leo-cerebral podem acarretar altera\u00e7\u00f5es na forma\u00e7\u00e3o de estruturas cerebrais, em diferentes n\u00edveis, determinando malforma\u00e7\u00f5es cerebrais ou disgenesias cerebrais<sup data-fn=\"716abf1f-56d0-4a1d-bf01-84ab6e39790f\" class=\"fn\"><a href=\"#716abf1f-56d0-4a1d-bf01-84ab6e39790f\" id=\"716abf1f-56d0-4a1d-bf01-84ab6e39790f-link\">2<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas altera\u00e7\u00f5es podem ocorrer em \u00e1reas limitadas, evidenciando as estruturas participantes do sistema, ou serem mais extensas abrangendo, inclusive, todo um hemisf\u00e9rio cortical em alguns casos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na epilepsia as disgenesias cerebrais aparecem com maior frequ\u00eancia, o que levou o Dr. Perez Velasco, no Hospital do Juqueri, a associar essa condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do lobo temporal interno, do uncus, \u00e0s altera\u00e7\u00f5es dos tub\u00e9rculos mamilares, \u00e0s altera\u00e7\u00f5es dos n\u00facleos subcorticais da base do c\u00e9rebro, e \u00e0s altera\u00e7\u00f5es limitadas a determinadas \u00e1reas corticais; dando em resultado as microgirias vis\u00edveis no estudo anatomopatol\u00f3gico e na pneumoencefalografia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas disgenesias n\u00e3o s\u00e3o correlatas \u00e0s altera\u00e7\u00f5es mentais indicando apenas uma disfun\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com a normalidade ps\u00edquica e neurol\u00f3gica, mesmo quando atingem \u00e1reas extensas, constituindo-se muitas delas em achados ocasionais de aut\u00f3psias. S\u00e3o disgenesias geneticamente determinadas e n\u00e3o relacionadas a condi\u00e7\u00f5es externas, tais como a anoxia fetal.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns autores atribuem \u00e0 anoxia fetal a causa das malforma\u00e7\u00f5es decorrentes da maior susceptibilidade de determinadas estruturas cerebrais a essas altera\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso das altera\u00e7\u00f5es do uncus pela anoxia durante o trabalho de parto atribu\u00edda por <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/walther-spielmeyer\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3224\"><strong>Spielmeyer<\/strong><\/a> como causa das crises convulsivas. Essas malforma\u00e7\u00f5es aparecem como condi\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 epilepsia, mas n\u00e3o como causa da epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto um aspecto quanto o outro, decorrem da tend\u00eancia gen\u00e9tica e, al\u00e9m disso, as malforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o se limitam apenas \u00e0s estruturas cerebrais, por\u00e9m a todo o organismo ou \u00e0 parte som\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal aspecto mostramos em estudo de 454 crian\u00e7as e no levantamento de 11.148 pessoas que procuraram o Centro de Sa\u00fade de Santana e o de Santa Cec\u00edlia. Verificamos, empiricamente, que as disgenesias som\u00e1ticas apareciam como condi\u00e7\u00e3o ligada ao ciclo heredol\u00f3gico da epilepsia. Compreendemos o chamado \u201cc\u00e9rebro epil\u00e9ptico\u201d, com base nessas disgenesias e nas despropor\u00e7\u00f5es existentes entre as estruturas e os hemisf\u00e9rios cerebrais como decorrentes de uma falsa liga\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre uma condi\u00e7\u00e3o e outra. Devem ser consideradas, na realidade, como condi\u00e7\u00f5es pertencentes a um mesmo ciclo heredol\u00f3gico que podemos encontrar associadas ou n\u00e3o em um mesmo paciente. Assim, em muitos casos n\u00e3o encontramos nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da epilepsia, n\u00e3o obstante estarem presentes disgenesias som\u00e1ticas, inclusive cerebrais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ligada \u00e0 tend\u00eancia da malforma\u00e7\u00e3o som\u00e1tica uma outra condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica conexa \u00e0 epilepsia \u00e9 o aborto espont\u00e2neo. Esse deve tamb\u00e9m ser entendido como uma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica onde a participa\u00e7\u00e3o de genes letais impedem que o feto nas\u00e7a a termo em condi\u00e7\u00f5es normais.<\/p>\n\n\n\n<p>O aborto aparece tamb\u00e9m com frequ\u00eancia quando ocorre uma concentra\u00e7\u00e3o maior para a epilepsia e em decorr\u00eancia da malforma\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o cerebral e do organismo como um todo, por altera\u00e7\u00f5es dos sistemas arqui-cerebrais que regem a forma\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro como uma v\u00edscera e de todo o organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Consideramos a anoxia fetal, em sua grande maioria, como decorrente da distocia fetal e n\u00e3o materna, e resultante de caracter\u00edsticas da matura\u00e7\u00e3o do sistema nervosa do feto. Isto \u00e9, o feto participa ativamente do trabalho de parto, desde que seu aparelho motor esteja normalmente amadurecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse retardo no desenvolvimento motor aparece como condi\u00e7\u00e3o ligada ao ciclo da epilepsia sendo, portanto, a anoxia uma consequ\u00eancia e n\u00e3o causa da mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no \u00e2mbito da organiza\u00e7\u00e3o cerebral, sob o aspecto nutritivos, temos o tra\u00e7ado eletroencefalogr\u00e1fico cujas altera\u00e7\u00f5es traduzidas pelas disritmias cerebrais s\u00e3o consideradas como causa da epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>O EEG traduz a parte vegetativa da atividade cortical sendo que toda corticalidade est\u00e1 sujeita a um est\u00edmulo vegetativo nutritivo. Esse reflete uma atividade cortical bioel\u00e9trica que pode ser captada pelo registro eletroencefalogr\u00e1fico sendo necess\u00e1ria a integridade das liga\u00e7\u00f5es t\u00e1lamo-corticais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse complexo registrado pelo EEG, essa atividade cerebral em condi\u00e7\u00f5es normais traduz o aparecimento de ondas vari\u00e1veis segundo as regi\u00f5es cerebrais consideradas, conforme a idade do paciente, em quest\u00e3o e, em fun\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e fisiol\u00f3gicas por ele apresentadas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No tra\u00e7ado eletroencefalogr\u00e1fico distinguem-se dois tipos principais de ondas: as ondas alfa cuja frequ\u00eancia \u00e9 de 10 a 14 ciclos por segundo e as ondas beta com a frequ\u00eancia de 14 a 25 ciclos por segundo. Ondas de maior frequ\u00eancia ou menor frequ\u00eancia que as das alfa e beta n\u00e3o ocorrem em tra\u00e7ados correspondentes \u00e0 atividade cerebral normal, mas traduzem, respectivamente, a excitabilidade excessiva e a presen\u00e7a de sofrimento cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>As crises epil\u00e9pticas correspondem, em geral, a descargas neurofisiol\u00f3gicas, que surgem de modo s\u00fabito e parox\u00edstico, com registro de ondas de maior ou menor frequ\u00eancia e de maior amplitude, em uma determinada \u00e1rea ou em toda a corticalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas a frequ\u00eancia e a amplitude, mas tamb\u00e9m a linha base, que \u00e9 caracter\u00edstica da atividade cerebral normal em condi\u00e7\u00f5es de vig\u00edlia, estaria tamb\u00e9m alterada na epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o advento de aparelhos mais sofisticados de registro da atividade bioel\u00e9trica cerebral, a epilepsia passou a ser estudada em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a ou n\u00e3o de disritmia cerebral, pelas particularidades exibidas por essa disritmia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas como elemento diagn\u00f3stico da epilepsia em suas v\u00e1rias formas de manifesta\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m como elemento orientador da atua\u00e7\u00e3o dos anticonvulsivantes e elemento progn\u00f3stico, o EEG. tem sido usado. Cabem a este respeito as mesmas considera\u00e7\u00f5es tecidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s disgenesias cerebrais, porquanto o EEG reflete apenas um aspecto parcial ligado \u00e0 epilepsia. Nem todas as crises epil\u00e9pticas podem ser registradas pelo EEG. E, por outro lado, a localiza\u00e7\u00e3o do chamado foco disr\u00edtmico n\u00e3o traduz a origem do dinamismo bioel\u00e9trico alterado. Ademais, esses registros do EEG est\u00e3o ligados ao paroxismo das descargas e n\u00e3o s\u00e3o de natureza permanente, aspecto este que caracteriza a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida epil\u00e9ptica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, podemos deduzir que o EEG s\u00f3 ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de registrar tra\u00e7ados momentaneamente anormais, fato que limita ainda mais seu valor como elemento para o diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico da epilepsia. Isso n\u00e3o invalida, entretanto, seu valor como elemento de registro nas condi\u00e7\u00f5es epil\u00e9pticas. Constitui de fato um recurso semiol\u00f3gico importante para o diagn\u00f3stico de tumores cerebrais e nas altera\u00e7\u00f5es focais do c\u00e9rebro, al\u00e9m de ser imprescind\u00edvel para o estudo em neurofisiologia experimental.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas na chamada epilepsia temporal \u00e9 que encontramos uma correla\u00e7\u00e3o entre o tra\u00e7ado pelo EEG e as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, mas ainda neste caso o exame cl\u00ednico e o heredol\u00f3gico imp\u00f5em-se como atua\u00e7\u00e3o correta e suficiente para o diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos mencionar ainda que o EEG registra uma s\u00e9rie de varia\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas normais como no ato de pensar, na rea\u00e7\u00e3o sensorial \u00e0 luz e nas rea\u00e7\u00f5es emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas dessas rea\u00e7\u00f5es emocionais aparecem ligadas \u00e0s crises epil\u00e9pticas que poder\u00e3o acarretar altera\u00e7\u00f5es no tra\u00e7ado eletroencefalogr\u00e1fico como uma decorr\u00eancia natural; n\u00e3o como causa, mas como consequ\u00eancia das varia\u00e7\u00f5es emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o estudo da epilepsia a an\u00e1lise heredol\u00f3gica aliada \u00e0 pesquisa sistem\u00e1tica da ocorr\u00eancia entre os familiares, o estudo dos tra\u00e7os de personalidade, bem como das condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas conexas, constituem o m\u00e9todo mais preciso. Aqui inclu\u00edmos tamb\u00e9m todo o cortejo sintom\u00e1tico da epilepsia, como as altera\u00e7\u00f5es ligadas ao sono, as caracter\u00edsticas do comportamento na fase infantil e na fase adulta; s\u00e3o aspectos integrantes da tomada dos dados quer objetivos quer subjetivos, conforme mostramos no Anexo (dados pessoais e exame heredol\u00f3gico).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse estudo possibilitou a constata\u00e7\u00e3o de que a epilepsia constitui uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas, de maior ocorr\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, quando comparadas a outros quadros constitucionais. Trata-se assim de uma condi\u00e7\u00e3o de alta penetr\u00e2ncia gen\u00e9tica considerando-se sua elevada difus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, corroborando um princ\u00edpio gen\u00e9tico, a manifesta\u00e7\u00e3o da epilepsia \u00e9 bastante vari\u00e1vel, pois os quadros de alta penetr\u00e2ncia costumam apresentar uma pregn\u00e2ncia vari\u00e1vel. Portanto, embora sendo uma condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida constitucional de maior penetr\u00e2ncia na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia tem menor grau de pregn\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pregn\u00e2ncia corresponde \u00e0 nitidez e \u00e0 invari\u00e2ncia de um fen\u00f4meno gen\u00e9tico. A coreia de Huntington, para exemplificar, corresponde ao oposto porque aparece como decorr\u00eancia de um gene autoss\u00f4mico dominante, de baixa penetr\u00e2ncia, o que confere uma ocorr\u00eancia relativamente pequena na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, mas em todos os casos os sintomas correspondentes a essa condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida, s\u00e3o bastante uniformes, como uniforme e constante \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o do quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa particularidade de transmissividade gen\u00e9tica na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia pressup\u00f5e o concurso de v\u00e1rios genes, configurando a chamada heran\u00e7a polig\u00eanica ou multifatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, as particularidades quanto \u00e0 difus\u00e3o gen\u00e9tica da epilepsia na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia tem sido ressaltadas pelos autores.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia em se considerar como independentemente distintas a transmissibilidade gen\u00e9tica na epilepsia e a da disritmia cortical bioel\u00e9trica. Isso porque essa \u00faltima condi\u00e7\u00e3o aparece com uma difus\u00e3o maior na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, presente em pessoas clinicamente normais.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo comparativo da epilepsia com outras condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas mentais tais como a Esquizofrenia e a Psicose Man\u00edaco-Depressiva, evidencia e elevada penetr\u00e2ncia da epilepsia na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os resultados obtidos por Luxemburger em sua investiga\u00e7\u00e3o, revelam que a probabilidade de um paciente esquizofr\u00eanico ter um irm\u00e3o tamb\u00e9m esquizofr\u00eanico \u00e9 da ordem de 10%; a de um irm\u00e3o de paciente com Psicose Man\u00edaco-Depressiva contrair esta mol\u00e9stia \u00e9 de 16 a 35%, e finalmente, a probabilidade de ocorr\u00eancia de epilepsia em um irm\u00e3o de epil\u00e9ptico, atinge a 20%<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, a difus\u00e3o da epilepsia \u00e9 bem maior porque esses estudos gen\u00e9ticos, levam em considera\u00e7\u00e3o apenas a presen\u00e7a das condi\u00e7\u00f5es classicamente descritas e, via de regra, confundem a convuls\u00e3o com a epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de causas externas, supostamente ligadas a epilepsia, como a anoxia fetal e os agentes intoxicantes impede a inclus\u00e3o de tais casos na chamada \u201cepilepsia essencial\u201d o que representa uma causa de erro no tratamento estat\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, se considerarmos nesse estudo n\u00e3o apenas as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas da epilepsia e atentarmos com mais cuidado ao estudo das causas externas determinantes de convuls\u00f5es e n\u00e3o de epilepsia, verificaremos que sua difus\u00e3o \u00e9 bem mais extensa na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do que se sup\u00f5e. Esse aspecto foi demonstrado empiricamente por n\u00f3s e com um tratamento estat\u00edstico realizado por <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/lucia-coelho\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3143\"><strong>Lucia Coelho<\/strong><\/a> em fam\u00edlias de epil\u00e9pticos.<\/p>\n\n\n\n<p>A difus\u00e3o da epilepsia na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, sob esse crit\u00e9rio patog\u00eanico, que orienta a inclus\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es esbatidas da epilepsia e das condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas conexas ainda n\u00e3o pode ser realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento importante a ser considerado, nessas condi\u00e7\u00f5es de heran\u00e7a multifatorial, \u00e9 a grande variabilidade de quadros, \u00e9 o cuidado para se considerar como atuante os dinamismos gen\u00e9ticos, mesmo naqueles quadros em que o fator interno se acha presente e atuante. Assim, nas chamadas convuls\u00f5es sintom\u00e1ticas e n\u00e3o \u201cepilepsia sintom\u00e1tica\u201d, o estudo heredol\u00f3gico para a epilepsia pode mostrar grande incid\u00eancia na carga gen\u00e9tica, n\u00e3o invalidando essa participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica nesses quadros ocasionais. Vai orientar, por exemplo, os casos de tumores cerebrais em \u00e1reas convuls\u00edgenas e que n\u00e3o apresentam nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o convulsiva. Nesses casos, a an\u00e1lise heredol\u00f3gica pode mostrar uma maior incid\u00eancia para a epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto a ser considerado no estudo patogen\u00e9tico da epilepsia se refere \u00e0 correla\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es para com a personalidade. (vide Quadro I, abaixo)<\/p>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel do dinamismo cerebral envolvem necessariamente o plano subjetivo e o plano neurol\u00f3gico, como correlato das manifesta\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 epilepsia. Essas manifesta\u00e7\u00f5es podem aparecer como altera\u00e7\u00f5es parox\u00edsticas recorrentes e epis\u00f3dicas ou podem se apresentar como caracter\u00edsticas permanentes ligadas aos tra\u00e7os de personalidade. N\u00e3o se trata de personalidade epil\u00e9ptica nem de altera\u00e7\u00f5es descritas por alguns autores como caracter\u00edsticas do car\u00e1ter epil\u00e9ptico. As altera\u00e7\u00f5es e as condi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 din\u00e2mica da epilepsia apenas abrangem tra\u00e7os e n\u00e3o a personalidade como um todo e muito menos ocorre altera\u00e7\u00e3o estrutural da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de personalidade epil\u00e9ptica decorre das caracter\u00edsticas evidenciadas atrav\u00e9s da ocorr\u00eancia de determinados tra\u00e7os de personalidade em epil\u00e9pticos. Entretanto, tal denomina\u00e7\u00e3o \u00e9 abusiva e n\u00e3o corresponde a uma concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica precisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tra\u00e7os de personalidade decorrem, na verdade, da participa\u00e7\u00e3o das esferas da personalidade e que foram por n\u00f3s sistematizadas juntamente com as manifesta\u00e7\u00f5es nucleares e colaterais da epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo sistematizado aqui engloba as manifesta\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e as motoras incluindo os quadros classicamente descritos da epilepsia que os autores denominam de <em>mal maior<\/em> e <em>mal menor<\/em>. Considera a estrutura de personalidade vari\u00e1vel de um indiv\u00edduo para outro e presentes entre os familiares como comportamento permanente ou eventualmente epis\u00f3dico (vide Quadro II, abaixo).<\/p>\n\n\n\n<p>A patog\u00eanese predominante nas diferentes manifesta\u00e7\u00f5es da epilepsia \u00e9 conativa sendo que a participa\u00e7\u00e3o intelectual aparece, via de regra, como condi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a minuciosidade, a prolixidade e a tend\u00eancia \u00e0 fabula\u00e7\u00e3o n\u00e3o correspondem a altera\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas do trabalho intelectual, mas a participa\u00e7\u00e3o da atividade no sentido de estimula\u00e7\u00e3o excessiva do trabalho mental.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo pode se dizer das manifesta\u00e7\u00f5es marginais, ou seja, das variantes intelectuais, como a crise de aus\u00eancia, a epilepsia temporal e a perda tempor\u00e1ria do pensamento, sem perda da consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o cl\u00ednica da epilepsia temporal \u00e9 a mais rica de elementos subjetivos, incluindo n\u00e3o apenas a libera\u00e7\u00e3o motora, mas estados on\u00edricos e produ\u00e7\u00e3o intelectual acompanhada de viv\u00eancias afetivas de teor agrad\u00e1vel ou desagrad\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto a ser comentado \u00e9 que as rea\u00e7\u00f5es afetivas, tanto as viscerais como as que implicam rea\u00e7\u00f5es mais socializadas (como o riso e o choro) podem aparecer como <em>aura<\/em>, precedendo as crises convulsivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O quadro n\u00e3o inclui uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es como irritabilidade, a hiperatividade, a perda de f\u00f4lego, a crise de birra, caracter\u00edsticas da fase infantil, e que aparecem como manifesta\u00e7\u00f5es atenuadas ligadas ao ciclo da epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m altera\u00e7\u00f5es do sono ligadas \u00e0 fase infantil como sono agitado, o terror noturno, a enurese noturna e aquelas tamb\u00e9m encontradi\u00e7as na fase adulta como o sonambulismo, a cataplexia do despertar, que traduzem igualmente a participa\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos conativos no trabalho mental e a dire\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita durante o sono. Esses fen\u00f4menos s\u00e3o mais frequentes e n\u00edtidos na fase hipnag\u00f3gica ou hipnop\u00f4mpica indicando a predomin\u00e2ncia do dinamismo conativo que caracteriza essas fases.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"788\" height=\"541\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3248\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01.png 788w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-300x206.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-768x527.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 788px) 100vw, 788px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"789\" height=\"663\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3249\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02.png 789w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-300x252.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-768x645.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-14x12.png 14w\" sizes=\"auto, (max-width: 789px) 100vw, 789px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Devemos considerar ainda as condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas conexas ligadas \u00e0 epilepsia: a enxaqueca, as malforma\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas, em diferentes n\u00edveis; o aborto espont\u00e2neo, o parto gemelar e as rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas (ver o Anexo sobre normas para a realiza\u00e7\u00e3o de anamnese heredol\u00f3gica).<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores em geral incluem a chamada psicose epil\u00e9ptica nas manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas da epilepsia. O quadro cl\u00ednico arrolado nessa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante polimorfo, sendo descritos tamb\u00e9m como epilepsia psicomotora.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, estados crepusculares, estados confusionais, agita\u00e7\u00f5es psicomotoras, certas excita\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas quando associadas \u00e0 epilepsia recebem o diagn\u00f3stico de psicose epil\u00e9ptica.<\/p>\n\n\n\n<p>Criticamos tal concep\u00e7\u00e3o e n\u00e3o aceitamos a <em>psicose epil\u00e9ptica<\/em> como um quadro isolado. Na realidade, esses quadros, quando de curta dura\u00e7\u00e3o, apresentam-se sob a forma de equivalentes epil\u00e9pticos (\u00e0s vezes precedem ou sucedem as crises convulsivas) n\u00e3o constituindo um epis\u00f3dio psic\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a dura\u00e7\u00e3o do quadro for maior, trata-se geralmente de psicose de evolu\u00e7\u00e3o benigna sistematizado por Kleist, como estando geneticamente associado \u00e0 epilepsia, embora surja de modo aut\u00f3ctone independente da epilepsia (Psicoses Epileptoides de Kleist).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas est\u00e3o inclu\u00eddas as duas formas epileptoides ligadas ao ciclo gen\u00e9tico da epilepsia; constituem o estado crepuscular e o estado confusional que aparece de modo epis\u00f3dico, sendo que este \u00faltimo uma forma f\u00e1sica com dois polos, uma estuporosa e outra agitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra condi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aut\u00f3ctone que geralmente costuma ser diagnosticada como psicose epil\u00e9ptica, quando associada \u00e0 epilepsia tipo mal maior, \u00e9 a psicose da motilidade hipercin\u00e9tico-acin\u00e9tica, tamb\u00e9m uma forma f\u00e1sica bipolar.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que a epilepsia n\u00e3o leva a uma psicose, pois ou a condi\u00e7\u00e3o de ruptura com a realidade aparece como equivalente, e nesse caso se trataria de uma manifesta\u00e7\u00e3o epil\u00e9ptica, ou ela corresponde a uma express\u00e3o das psicoses diat\u00e9ticas de Kleist.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns autores arrolam como condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da epilepsia a chamada <em>dem\u00eancia epil\u00e9ptica<\/em>. Esse erro decorre da confus\u00e3o que se faz entre convuls\u00e3o e epilepsia. Muitas condi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas desmielinizantes, progressivas, ao lado de in\u00fameras condi\u00e7\u00f5es externas como o traumatismo craniano, as altera\u00e7\u00f5es vasculares cerebrais, a auto e hetero-intoxica\u00e7\u00e3o, os processos expansivos cerebrais, apresentam como sintoma a convuls\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O estado demencial \u00e9 consequente da manifesta\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida como um todo e n\u00e3o da convuls\u00e3o em si. Acreditam os autores que o estado demencial seria uma decorr\u00eancia das constantes crises convulsivas que trariam, como sequelas, a anoxia e o sofrimento cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>Este racioc\u00ednio se apoia em bases falsas, pois nesse caso deveria ocorrer um n\u00famero bem maior de dementes.<\/p>\n\n\n\n<p>A epilepsia caracteriza-se por manifesta\u00e7\u00f5es parox\u00edsticas recorrentes e de evolu\u00e7\u00e3o benigna. \u00c9 importante o diagn\u00f3stico diferencial para com outros quadros n\u00e3o convulsivos, ligados a outras condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas, porque a conduta a ser adotada dever\u00e1 ser inteiramente distinta.<\/p>\n\n\n\n<p>Landolt estudando as chamadas <em>psicoses epil\u00e9pticas<\/em> aventa a hip\u00f3tese de que o surto psic\u00f3tico seria consequente ao fen\u00f4meno por ele denominado de normaliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do EEG. Assim, espontaneamente, o paciente apresentaria suas crises convulsivas, ou melhor, suas disritmias e a a\u00e7\u00e3o medicamentosa n\u00e3o apenas anularia as crises como \u201cfor\u00e7aria\u201d a normaliza\u00e7\u00e3o do EEG. Suas conclus\u00f5es foram baseadas na verifica\u00e7\u00e3o de epil\u00e9pticos com EEG \u201cnormalizados\u201d pelo medicamento anticonvulsivante e que, em consequ\u00eancia, apresentariam um surto psic\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui devemos ressaltar a limita\u00e7\u00e3o do exame EEG e a interpreta\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de que a presen\u00e7a e a ulterior aus\u00eancia de anomalias no ritmo cerebral poderiam ser utilizadas como diagn\u00f3stico e como progn\u00f3stico das epilepsias. A hip\u00f3tese de Landolt, como aquela da ocorr\u00eancia de psicose epil\u00e9ptica, n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<p>Se assim fosse, dever\u00edamos encontrar um n\u00famero elevado de psic\u00f3ticos em grandes centros onde o epil\u00e9ptico \u00e9 sistematicamente submetido a tratamento anticonvulsivante.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro erro comum encontrado na literatura sobre a epilepsia e aquele concernente \u00e0 ideia de que esses pacientes apresentariam um d\u00e9ficit intelectual. Investiga\u00e7\u00f5es por n\u00f3s realizadas e por Lucia Coelho e por outros autores invalidaram esta concep\u00e7\u00e3o<sup data-fn=\"37766b9e-860f-4841-b2a6-7c3a6d28b2d1\" class=\"fn\"><a href=\"#37766b9e-860f-4841-b2a6-7c3a6d28b2d1\" id=\"37766b9e-860f-4841-b2a6-7c3a6d28b2d1-link\">3<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Verificou-se que os epil\u00e9pticos, que apresentam um baixo n\u00edvel nos testes de Q.I. ou revelaram dificuldades de aprendizado, tinham, na verdade, dificuldade em concentrar sua aten\u00e7\u00e3o ou eram hiperemotivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, o respons\u00e1vel pelo aparente rebaixamento do n\u00edvel intelectual, \u00e9 o aspecto conativo ou o emotivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em anexo, apresentamos um modelo para pesquisa heredol\u00f3gica, por n\u00f3s denominado exame heredol\u00f3gico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ANEXO \u2013 EXAME HEREDOL\u00d3GICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00famula dos dados familiares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas Mentais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Psicose<\/strong>: evolu\u00e7\u00e3o por surtos, por fases; progressiva, cr\u00f4nica, benigna<\/p>\n\n\n\n<p>Defici\u00eancia mental: grau<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Neurose<\/strong>: tipo; evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Personalidade psicop\u00e1tica<\/strong>: tipo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impulsos m\u00f3rbidos peri\u00f3dicos<\/strong>: dipsomania, poriomania, cleptomania, piromania, hiperfagia, outras formas (citar)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Constela\u00e7\u00e3o epil\u00e9ptica:<\/strong> \u201caus\u00eancias\u201d: frequ\u00eancia, apenas na inf\u00e2ncia; febris; sem desencadeante evidente; epis\u00f3dicas; atuais; diurnas; noturnas; difusas; tipo; rea\u00e7\u00e3o ao tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Equivalentes comiciais v\u00e1rios<\/strong>: cataplexia, estado crepuscular: pr\u00e9-convulsivo, p\u00f3s-convulsivo, independente; estado confusional; estado segundo; sensa\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o \u201cdej\u00e0 vu\u201d; sensa\u00e7\u00e3o de estranheza \u201cjamais vu\u201d; catalepsia; enxaqueca, com ou sem escotomas (tipo cintilante, por exemplo); com ou sem hemianopsia (tipo, especificar); com ou sem n\u00e1useas e v\u00f4mitos; formas at\u00edpicas (descrever).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es ligadas ao sono<\/strong>: terror noturno; sonambulismo; enurese noturna: frequ\u00eancia, idade; sono agitado; cataplexia do despertar; pesadelos; sonil\u00f3quios; sobressaltos, outros elementos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es de parto<\/strong>: aborto: espont\u00e2neo, provocado; g\u00eameos, monozig\u00f3ticos, zigoticidade ignorada; trig\u00eameos; ecl\u00e2mpsia; parto de natimorto: operat\u00f3rio, prematuro, morte durante o parto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es de nascimento<\/strong>: normal, gemelar, operat\u00f3rio, prematuro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas conexas<\/strong>: alcoolismo grave; altera\u00e7\u00f5es quando alcoolizado; condi\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas; disgenesias do sistema nervoso; disgenesias som\u00e1ticas; desordens neurol\u00f3gicas; desordens metab\u00f3licas; longevidade, al\u00e9m dos 98 anos; asma br\u00f4nquica; frequ\u00eancia, idade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comportamento e tra\u00e7os de personalidade:<\/strong> (pesquisar a frequ\u00eancia, intensidade e condi\u00e7\u00f5es em que se manifestam &#8211; se for o caso):<\/p>\n\n\n\n<p>Crises de birra; perda de f\u00f4lego; rebeldia; hiperatividade; timidez; rendimento escolar (retardo escolar); repentes de agressividade; agressividade; impulsividade; hiperemotividade; desajustamento; imaturidade afetiva; mudan\u00e7as de humor; liga\u00e7\u00f5es ileg\u00edtimas; rea\u00e7\u00f5es de p\u00e2nico; minuciosidade; homic\u00eddio; suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"0df9612d-fd21-432f-86bd-63b7ad0aca86\">Texto organizado pelo Dr. Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira, sendo revista, em 31\/10\/23, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto. As refer\u00eancias adicionais em azul ser\u00e3o vinculadas a um texto relacionado com um determinado autor ou um determinado assunto <a href=\"#0df9612d-fd21-432f-86bd-63b7ad0aca86-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"716abf1f-56d0-4a1d-bf01-84ab6e39790f\">Trabalhos recentes sugerem aqui a participa\u00e7\u00e3o do sistema glio-astrocital, al\u00e9m do cerebelo. Vide linhas de pesquisas propostas pelo CEPAS encontradas no site. <a href=\"#716abf1f-56d0-4a1d-bf01-84ab6e39790f-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"37766b9e-860f-4841-b2a6-7c3a6d28b2d1\">Silveira, An\u00edbal: Aplica\u00e7\u00e3o da gen\u00e9tica humana \u00e0 Higiene Mental: revis\u00e3o de 300 matr\u00edculas do Centro de Sa\u00fade de Santana. Arquivos de Neuropsiquiatria, n.\u00ba 14, p\u00e1gs. 117-135. S\u00e3o Paulo: 1956.<br>Coelho, Lucia: Epilepsia e Personalidade (Psicodiagn\u00f3stico de Rorschach, entrevistas e anamnese heredol\u00f3gica em 102 examinandos). 2.\u00aa ed. rev. e aum. (1.\u00aa ed. em 1975). S\u00e3o Paulo, Editora \u00c1tica, 1980 <a href=\"#37766b9e-860f-4841-b2a6-7c3a6d28b2d1-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONFLU\u00caNCIA DE FATORES PATOG\u00caNICOS NA EPILEPSIA A epilepsia \u00e9 considerada aqui como uma condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida end\u00f3gena, permanente, caracterizada pela variabilidade relativamente grande de express\u00e3o cl\u00ednica e pela participa\u00e7\u00e3o precisa dos dinamismos gen\u00e9ticos. A express\u00e3o cl\u00ednica da epilepsia n\u00e3o abrange apenas o plano neurol\u00f3gico objetivo, mas tamb\u00e9m o subjetivo. 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