{"id":3314,"date":"2024-09-11T20:14:34","date_gmt":"2024-09-11T23:14:34","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3314"},"modified":"2024-09-11T20:14:34","modified_gmt":"2024-09-11T23:14:34","slug":"psicoses-afetivas-com-predominio-de-excitacao-por-leonhard","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/psicoses-afetivas-com-predominio-de-excitacao-por-leonhard\/","title":{"rendered":"Psicoses afetivas com predom\u00ednio de excita\u00e7\u00e3o por Leonhard"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>PSICOSES AFETIVAS COM QUADRO PREDOMINANTE DE EXCITA\u00c7\u00c3O NO GRUPO DESCRITO POR LEONHARD<\/strong><sup data-fn=\"a4fc9dd4-6ab4-4390-acc6-9768a1108b1f\" class=\"fn\"><a href=\"#a4fc9dd4-6ab4-4390-acc6-9768a1108b1f\" id=\"a4fc9dd4-6ab4-4390-acc6-9768a1108b1f-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Na sua fase inicial, Leonhard, se apegou em grande parte, \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de Wernicke e de Kleist, isto \u00e9, de tomar a patog\u00eanese como elemento para a classifica\u00e7\u00e3o dos quadros cl\u00ednicos. Especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esquizofrenia, ele chegou a uma classifica\u00e7\u00e3o dos quadros residuais, compar\u00e1vel ponto por ponto \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o de Kleist, considerada a fase inicial das formas progressivas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Leonhard trabalhou muito com o grupo de Kleist, com ideias pr\u00f3prias, porque tinha uma grande capacidade criadora. De fato, estudou profundamente a quest\u00e3o da Psiquiatria, e como ele acentuou muito bem, seguiu uma linha que \u00e9 muito dif\u00edcil de ser aceita em geral pelos psiquiatras, porque exige um trabalho muito grande de forma\u00e7\u00e3o, uma tarimba muito grande, quase incompat\u00edvel com o trabalho da rotina cl\u00ednica. Exige um aprendizado \u00e0 parte, que n\u00e3o d\u00e1 dinheiro, mas beneficia o paciente, e o importante \u00e9 isso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito f\u00e1cil o psiquiatra fazer um diagn\u00f3stico pela impress\u00e3o cl\u00ednica, mas quando aprofunda a abordagem, toma a anamnese, v\u00ea os dados de evolu\u00e7\u00e3o, a carga gen\u00e9tica, no fim conclui que n\u00e3o \u00e9, por exemplo, uma esquizofrenia. Isso \u00e9 muito mais importante para o paciente, e para o conhecimento do psiquiatra, mas toma um tempo que poderia ser aproveitado para outro paciente.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil aceitar Kleist \u2013 por isto Kleist n\u00e3o teve seguidores -, mas, se n\u00f3s considerarmos ent\u00e3o as constru\u00e7\u00f5es iniciais de Leonhard &#8211; e as que tomou em seguida -, vemos que apesar de ter esse crit\u00e9rio rigoroso, ele cedeu \u00e0 tend\u00eancia para classificar pela descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, procede a uma descri\u00e7\u00e3o dos quadros cl\u00ednicos, e observamos que, nesse contexto, h\u00e1 uma certa subjetividade em reconhecer o que \u00e9 predominante no quadro cl\u00ednico. Notem o problema das fases mistas de Kraepelin, como a depress\u00e3o agitada, mania improdutiva, siderada ou acin\u00e9tica: \u00e9 um pouco subjetivo dizer que \u00e9 esse ou aquele quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o tomamos como ponto de refer\u00eancia a patog\u00eanese, isto \u00e9, como se formam os sintomas cl\u00ednicos, n\u00e3o temos uma linha divis\u00f3ria precisa e ficamos \u00e0 merc\u00ea da descri\u00e7\u00e3o. No meu modo de ver, Leonhard cedeu a essa tend\u00eancia, apesar da grande capacidade que tinha, dando mais \u00eanfase para a descri\u00e7\u00e3o do que para a patog\u00eanese.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, encontrou formas cl\u00ednicas em muito maior n\u00famero do que Kleist: denominou de euforia v\u00e1rios quadros de mania ou exalta\u00e7\u00e3o, que estavam em discord\u00e2ncia com o que \u00e9 comum na terminologia psiqui\u00e1trica. Afinal de contas, euforia \u00e9 um sintoma, mas assim denominou as formas que eram o contr\u00e1rio das outras que eram depress\u00f5es.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Deu nomes que parecem um pouco fantasiosos, mas atrav\u00e9s deles podemos reconhecer uma certa distin\u00e7\u00e3o patog\u00eanica. Assim, por exemplo, chamou as formas com expansividade e a forma chamada de melancolia, depress\u00e3o, apenas. Deu a cada uma delas um nome um pouco diverso. No grupo da euforia temos a Euforia entusi\u00e1stica: o indiv\u00edduo apresenta uma tend\u00eancia de achar tudo excelente, um otimismo exagerado (que no caso \u00e9 m\u00f3rbido), com uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es afetivas que correspondem a um otimismo exagerado, fan\u00e1tico ou entusiasta. Temos por outro lado, outro aspecto em que n\u00e3o h\u00e1 essa rea\u00e7\u00e3o entusi\u00e1stica, mas uma incapacidade de a\u00e7\u00e3o: o indiv\u00edduo tem um est\u00edmulo muito grande, uma possibilidade de discorrer sobre tudo, uma grande excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, um humor euf\u00f3rico e, no entanto, n\u00e3o produz nada, se tratando do quadro de Euforia improdutiva. De modo que da Euforia improdutiva de Leonhard para a Mania improdutiva de Kraepelin n\u00e3o existe diferen\u00e7a alguma, \u00e9 s\u00f3 uma diferen\u00e7a de express\u00e3o, de nomenclatura. A Euforia hipocondr\u00edaca corresponde \u00e0 agita\u00e7\u00e3o depressiva: o indiv\u00edduo tem depress\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo. Outras formas s\u00e3o a Euforia Fabulat\u00f3ria e a Euforia Agitada.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 importante &#8211; e conv\u00e9m assinalar aqui &#8211; \u00e9 que as cinco formas correspondem \u00e0quelas seis formas mistas de Kraepelin, incorporando, em certa medida, uma an\u00e1lise pela patog\u00eanese. Assim, na improdutiva, temos um est\u00edmulo &#8211; a euforia -, que d\u00e1 o \u00e2nimo alegre e aquela tend\u00eancia \u00e0 expansividade do indiv\u00edduo, que caracteriza o quadro cl\u00ednico, mas ao mesmo tempo, h\u00e1 uma dispers\u00e3o da atividade, sem chegar a construir nada: \u00e9 a defici\u00eancia da zona construtiva da personalidade que leva a esse quadro. Alguns autores chamam isso de \u201catividade mosca\u201d, o indiv\u00edduo reage, volteia no mesmo lugar, sem produzir nada. Nesse caso, e no hipocondr\u00edaco, n\u00e3o apenas h\u00e1 a incapacidade de produzir, como tamb\u00e9m h\u00e1 uma volta ao pr\u00f3prio sistema vegetativo: o indiv\u00edduo est\u00e1 voltado para si pr\u00f3prio, n\u00e3o produz nada em rela\u00e7\u00e3o ao mundo exterior, mas concentra a aten\u00e7\u00e3o em si pr\u00f3prio, e come\u00e7a a examinar os seus \u00f3rg\u00e3os, se est\u00e3o funcionando bem, como configura o caso do hipocondr\u00edaco que se confunde de certa maneira com a neurose hipocondr\u00edaca. Mas n\u00e3o \u00e9 uma neurose porque h\u00e1 o elemento euf\u00f3rico, que \u00e9 fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma entusi\u00e1stica temos dois aspectos, um que est\u00e1 ligado com a euforia e outro concordante com essa tend\u00eancia: para aceitar os outros, para resolver as coisas, tomar para si os problemas dos demais, participar de reuni\u00f5es, de campanhas e uma s\u00e9rie de atividades dispersas nesse aspecto todo. Ele produz nesse sentido e ao mesmo tempo se entusiasma, se inflama e se torna \u00e0s vezes, o chamado fan\u00e1tico. H\u00e1 aqui dois aspectos: o empreendimento que o indiv\u00edduo tem, uma expansividade concomitante vinculada a esse aspecto e, ao mesmo tempo, a orienta\u00e7\u00e3o de subordinar-se aos demais tornando-se, portanto, um servi\u00e7al dos demais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma que \u00e9 menos acentuada, nesse aspecto de subordina\u00e7\u00e3o aos demais, que \u00e9 a fabulat\u00f3ria, onde o indiv\u00edduo ao inv\u00e9s de subordinar-se aos demais, ele se torna o centro da aten\u00e7\u00e3o dos demais e ent\u00e3o, fabula e cria situa\u00e7\u00f5es, se v\u00ea envolvido em uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es criadas por ele pr\u00f3prio, quase como o que acontece na mitomania. Temos aqui dois aspectos ligados com a rea\u00e7\u00e3o afetiva &#8211; euforia improdutiva e hipocondr\u00edaca -, e dois aspectos ligados com a rea\u00e7\u00e3o intelectual: entusi\u00e1stica e fabulat\u00f3ria, no sentido de aceita\u00e7\u00e3o e de endossar o que se passa ao redor dele, integra-se na preocupa\u00e7\u00e3o dos demais, ou ent\u00e3o parte dele pr\u00f3prio a cria\u00e7\u00e3o e situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o internas dele mesmo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma agitada temos na motilidade o aspecto fundamental: o indiv\u00edduo se dispersa, fica euf\u00f3rico, produz uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es que entram em atrito com o mundo exterior, mas n\u00e3o pelas concep\u00e7\u00f5es e nem pelo fato de estar desligado do mundo exterior. Assim, ele est\u00e1 integrado e h\u00e1 uma agita\u00e7\u00e3o dispersiva, uma motilidade excessiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Se quisermos estudar a patog\u00eanese, nesses quadros de Leonhard, podemos aplic\u00e1-la dado que n\u00e3o s\u00e3o inteiramente fora da realidade cl\u00ednica. Temos elementos em que h\u00e1 euforia como caracter\u00edstica, isto \u00e9, excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, a expansividade, que \u00e9 um estado de humor alegre expansivo e n\u00e3o somente excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, em que h\u00e1 um desvio dessa tend\u00eancia para o lado motor, mais dispersa ou voltada para si pr\u00f3prio, voltada no aspecto afetivo, ou no plano intelectual com constru\u00e7\u00e3o fabulat\u00f3ria ou aceitando as concep\u00e7\u00f5es dos demais, englobando-as em si pr\u00f3prio ou ent\u00e3o na atividade motora excessiva, exagerada que se dispersa tamb\u00e9m, porque n\u00e3o se torna agita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o coerente ou aceit\u00e1vel pelos demais, \u00e9 agita\u00e7\u00e3o nesse caso: traduz um aspecto mais motor do que uma constru\u00e7\u00e3o intelectual (atividade improdutiva, nos dois).<\/p>\n\n\n\n<p>Leonhard estudou esses v\u00e1rios quadros cl\u00ednicos, levando em conta a \u00e9poca em que aparecem os dist\u00farbios cl\u00ednicos e mostrou que h\u00e1 uma forma de manifesta\u00e7\u00e3o ligada com a expansividade e outro grupo de cinco ligadas com a depress\u00e3o. S\u00e3o dois aspectos que n\u00e3o s\u00e3o opostos desses quadros, mas que est\u00e3o em polos distintos, ou seja, na outra dire\u00e7\u00e3o \u00e9 que se manifesta o quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessas formas de euforia ele admitiu a Psicose Man\u00edaco-Depressiva (P.M.D.): a psicose que ele chamou ansiosa e beat\u00edfica, manifesta\u00e7\u00e3o de expansividade, de alegria, de bem-estar, de euforia e de ansiedade em outra fase. Chamou a forma cicl\u00f3ide, para ele, confusional, em que h\u00e1 inibi\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo excita\u00e7\u00e3o; s\u00e3o duas fases equivalentes \u00e0 P.M.D..\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a forma ansiosa-beat\u00edfica (chamada beatitude, que os espanh\u00f3is traduzem como felicidade, mas n\u00e3o \u00e9 felicidade, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de bem-estar, de bem-aventuran\u00e7a, mais de beatitude) em que h\u00e1 dois polos opostos: de ansiedade e de euforia (de sentir-se bem): essas s\u00e3o as formas da afetividade.<\/p>\n\n\n\n<p>A confusional divide-se em dois polos que s\u00e3o a inibit\u00f3ria e excitada; e a forma da motilidade, forma acin\u00e9tica e hipercin\u00e9tica. Por tanto h\u00e1 duas formas em cada uma dessas psicoses:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Nas psicoses afetivas que s\u00e3o compar\u00e1veis de certa maneira \u00e0s formas da P.M.D., porque \u00e9 a esfera afetiva que d\u00e1 o colorido fundamental ao quadro cl\u00ednico, temos o aspecto da ansiedade e da beatitude (bem-aventuran\u00e7a).<\/li>\n\n\n\n<li>No quadro confusional \u00e9 a zona intelectual que est\u00e1 atingida, e temos a inibi\u00e7\u00e3o do trabalho mental e a excita\u00e7\u00e3o do trabalho mental, que aparece por fases tamb\u00e9m.<\/li>\n\n\n\n<li>Na motilidade \u00e9 a esfera conativa, inibi\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o conativa donde as forma acin\u00e9tica e hipercin\u00e9tica respectivamente.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Essas formas confusional e da motilidade j\u00e1 foram descritas por Kleist. Leonhard retomou os quadros de Kleist dando uma divis\u00e3o um pouco diferente, considerando essas como formas cicl\u00f3ides (est\u00e1 se referindo \u00e0s formas confusionais) e que est\u00e3o ligadas \u00e0 P.M.D.. Mas vemos que nesse aspecto ele divergia de Kleist apenas porque se limitou a esses tr\u00eas grupos, e sem notar que, patogenicamente, poderemos compreender e aceitar essas tr\u00eas divis\u00f5es. Temos aqui a participa\u00e7\u00e3o das tr\u00eas esferas, afetiva, conativa e intelectual, isto \u00e9, as tr\u00eas esferas est\u00e3o participando nos quadros cl\u00ednicos. Mas Kleist fez uma divis\u00e3o muito mais sistem\u00e1tica porque se baseou essencialmente na patog\u00eanese do quadro, enquanto Leonhard se limitou em grande parte \u00e0 descri\u00e7\u00e3o, embora com um colorido patog\u00eanico. Em seu livro mencionou apenas esses tr\u00eas tipos de psicoses cicl\u00f3ides.<\/p>\n\n\n\n<p>Estivemos, em 1949, juntamente com <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/spartaco-vizzoto\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3205\"><strong>Spartaco Vizzotto<\/strong><\/a>, na Cl\u00ednica de Kleist. Leonhard estava dirigindo a Cl\u00ednica porque Kleist estava fora, e mostramos a ele que o material que t\u00ednhamos em Franco da Rocha permitia ver todas as formas de Kleist e n\u00e3o apenas essas 3 formas. E l\u00e1 na pr\u00f3pria cl\u00ednica, inclusive, tinha uma paciente que cairia bem em outra forma de Kleist. Ele disse que se baseou nesses aspectos; considerava tr\u00eas formas at\u00edpicas ou benignas de Kleist: as da motilidade, as confusionais e esse outro da afetividade, que \u00e9 a ansioso-beat\u00edfica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que o problema das psicoses man\u00edaco-depressivas \u00e9 muito mais complexo do que se sup\u00f5e \u00e0 primeira vista; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma forma cl\u00ednica, man\u00edaco-depressiva, e sim uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es que t\u00eam fases alternantes, que t\u00eam as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas no mesmo sentido que a da P.M.D. e que n\u00e3o s\u00e3o P.M.D..<\/p>\n\n\n\n<p>A distin\u00e7\u00e3o se faz atrav\u00e9s da <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/anamnese-heredologica\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3084\"><strong>anamnese heredol\u00f3gica<\/strong><\/a>, e nesses casos, h\u00e1 uma \u00e9poca de in\u00edcio diverso, cada quadro desses, como tamb\u00e9m nos de Kleist, h\u00e1 um in\u00edcio das psicoses em \u00e9pocas diversas da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma configura\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica distinta e como sempre vemos quanto mais precisa \u00e9 a carga gen\u00e9tica (mais concentrada) tanto mais t\u00edpico \u00e9 o quadro cl\u00ednico e, ao mesmo tempo, menos favor\u00e1vel quanto ao decurso, quanto ao progn\u00f3stico. Quanto mais dispersa \u00e9 a carga gen\u00e9tica na fam\u00edlia, tanto menos caracter\u00edstico \u00e9 o quadro cl\u00ednico, portanto at\u00edpico, muito mais benigno quanto ao progn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos como crit\u00e9rio a patog\u00eanese, quanto \u00e0 esfera da personalidade que \u00e9 atingida, a patog\u00eanese quanto \u00e0 origem dos sintomas, ou seja, os sistemas cerebrais que d\u00e3o origem aos sintomas, poderemos fazer o progn\u00f3stico, na pr\u00f3pria ocasi\u00e3o em que examinamos o paciente. <strong><em>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio esperar a evolu\u00e7\u00e3o do paciente<\/em><\/strong><sup data-fn=\"ca1792f2-7bba-4cf0-a42b-2e9d6e29cd0b\" class=\"fn\"><a href=\"#ca1792f2-7bba-4cf0-a42b-2e9d6e29cd0b\" id=\"ca1792f2-7bba-4cf0-a42b-2e9d6e29cd0b-link\">2<\/a><\/sup>, para dizermos a posteriori, se \u00e9 benigno ou n\u00e3o: temos a possibilidade de caracterizar o quadro cl\u00ednico quanto ao progn\u00f3stico na pr\u00f3pria ocasi\u00e3o em que examinamos o paciente. Esses exames subentendem n\u00e3o uma entrevista \u00fanica, mas uma s\u00e9rie de entrevistas, com todos os dados que permitem fazermos um julgamento mais apreci\u00e1vel. Se usarmos esse crit\u00e9rio patog\u00eanico vemos que \u00e9 poss\u00edvel darmos j\u00e1 de in\u00edcio o progn\u00f3stico do paciente. Mas eu queria acentuar que esse crit\u00e9rio patog\u00eanico, ainda que seja um pouco dilu\u00eddo pela tend\u00eancia \u00e0 descri\u00e7\u00e3o, \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel e cab\u00edvel na psiquiatria.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos usar na psiquiatria o mesmo racioc\u00ednio cl\u00ednico que se usa na cl\u00ednica em geral, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio usarmos um tipo diferente de tomada de contato com o paciente porque se trata de psiquiatria. Realmente, temos a possibilidade de distinguir na manifesta\u00e7\u00e3o subjetiva aquelas condi\u00e7\u00f5es ligadas com uma esfera ou com outra e qual \u00e9 a predomin\u00e2ncia. Podemos distinguir melhor, tomando por base os quadros de Kleist, qual \u00e9 o colorido que deve ser, que deve definir o quadro cl\u00ednico. Pela descri\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. Tomando um paciente com uma forma, digamos, de euforia improdutiva, devemos consider\u00e1-lo assim, ou se trata de uma depress\u00e3o com agita\u00e7\u00e3o, que \u00e9 outra forma de Leonhard em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 depress\u00e3o. Fica dif\u00edcil dizermos. \u00c9 necess\u00e1rio tomarmos em conta qual \u00e9 o fator fundamental no quadro cl\u00ednico, e verificarmos se esse fator pode ser, de certa maneira, independente daquele pelo qual se manifesta o quadro cl\u00ednico. Dessa forma, a psicose se exterioriza no campo da intelig\u00eancia, mas a origem \u00e9 afetiva ou conativa, que s\u00e3o coisas distintas. O indiv\u00edduo pode parecer siderado e, no entanto, ter rea\u00e7\u00f5es internas muito intensas &#8211; a sidera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma exterioriza\u00e7\u00e3o do estado conativo do paciente &#8211; mas o fator que determina o quadro cl\u00ednico \u00e9 afetivo ou intelectual, no caso: temos que distinguir para estabelecer o quadro. Mas uma outra coisa que \u00e9 necess\u00e1rio distinguirmos \u00e9 que nessas formas &#8211; isso \u00e9 outra vantagem da concep\u00e7\u00e3o de Kleist &#8211; de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, da mania, n\u00e3o temos altera\u00e7\u00f5es senso-perceptivas: h\u00e1 conceitos delirantes, mas n\u00e3o alucina\u00e7\u00f5es ou automatismos mentais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perguntas feitas durante a aula pelos presentes:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. H\u00e1 elabora\u00e7\u00e3o delirante na Mania?<\/p>\n\n\n\n<p>O indiv\u00edduo se julga dono da situa\u00e7\u00e3o, da situa\u00e7\u00e3o toda, e age como se fosse dono da situa\u00e7\u00e3o, distribui tarefas, d\u00e1 ordem a todos como se estivesse realmente naquela situa\u00e7\u00e3o de mando, e como n\u00e3o tem nenhuma liga\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 se figurando, \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o delirante.<\/p>\n\n\n\n<p>2. (A Pergunta n\u00e3o foi transcrita na compila\u00e7\u00e3o da aula, somente a resposta)<\/p>\n\n\n\n<p>Na Melancolia h\u00e1 possibilidade de alucina\u00e7\u00e3o e quando o paciente tem um quadro cl\u00ednico de mania e revela alucina\u00e7\u00f5es ou automatismo mental, podemos excluir o diagn\u00f3stico de Mania: ou \u00e9 uma forma delirante cr\u00f4nica em que h\u00e1 excita\u00e7\u00e3o ou outras formas de Kleist que se caracterizam pelo aspecto delirante. Descritivamente, vemos que Esquirol tinha raz\u00e3o, quer dizer, h\u00e1 formas de Mania e\/ou de Melancolia com ideias delirantes e h\u00e1 formas de mania que apresentam apenas como exterioriza\u00e7\u00e3o a motilidade, sem nada de delirante. Mas as formas que ele denomina delirantes s\u00e3o essas que correspondem \u00e0s formas que Kleist estabeleceu e identificou. Assim pode ocorrer o del\u00edrio e a altera\u00e7\u00e3o senso-perceptiva, pois o quadro cl\u00ednico n\u00e3o \u00e9 o da Mania: \u00e9 mais um elemento para o diagn\u00f3stico diferencial.<\/p>\n\n\n\n<p>3. (A Pergunta n\u00e3o foi transcrita na compila\u00e7\u00e3o da aula, somente a resposta)<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es sensoperceptivas, alucina\u00e7\u00f5es inclusive, que n\u00e3o s\u00e3o da paranoia, na forma depressiva ou nos grupos conexos que Kleist descreveu. S\u00e3o elementos que devemos levar em conta, para ver qual \u00e9 o diagn\u00f3stico que devemos fazer.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma de esquizofrenia paranoide leva o indiv\u00edduo ao estado demencial, \u00e9 uma forma progressiva, ao passo que os quadros paranoides diat\u00e9ticos aparecem, momentaneamente, como fases e depois cessam por completo, sem deixar nenhum resqu\u00edcio. Assim, chamar de paranoia porque tem alucina\u00e7\u00e3o \u00e9 um racioc\u00ednio falseado porque temos um s\u00f3 dado que \u00e9 a alucina\u00e7\u00e3o. Temos que ver qual \u00e9 a origem da alucina\u00e7\u00e3o e em que contexto aparece no quadro cl\u00ednico, para poder julgar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se todos os mecanismos s\u00e3o psicanal\u00edticos, n\u00e3o interessa saber se \u00e9 esquizofrenia, se \u00e9 P.M.D., se \u00e9 isso ou aquilo, e o dinamismo \u00e9 sempre parte do conflito entre o Ego e o Id. Nesse caso esbate a necessidade de diagn\u00f3stico cl\u00ednico, mas vemos que isso na pr\u00e1tica n\u00e3o funciona, porque se procedermos a uma psicoterapia em um paciente psic\u00f3tico, que tem um dist\u00farbio mental qualquer, isto n\u00e3o se resolve nada. At\u00e9 pelo contr\u00e1rio. Com isso podemos fazer um diagn\u00f3stico diferencial. Isto \u00e9, com o resultado terap\u00eautico. Se um paciente tem um dist\u00farbio chamado paranoico e est\u00e1 se beneficiando com a terapia, ent\u00e3o n\u00e3o se trata de esquizofrenia. Porque a esquizofrenia n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de melhora com a psicoterapia ou mesmo com a psican\u00e1lise. Se usarmos um crit\u00e9rio mais rigoroso, fica mais diligente para fazer o diagn\u00f3stico, mas o que importa para o paciente \u00e9 isto, n\u00e3o o conceito que fazemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, para uma orinta\u00e7\u00e3o mais precisa do tratamento quanto \u00e0 indica\u00e7\u00e3o da Eletroconvulsoterapia vimos que a mesma produz para alguns, resultado positivo, enquanto para outros, n\u00e3o. Ali\u00e1s, ela pode mesmo n\u00e3o dar resultado algum. Ou, ent\u00e3o, o uso do cardiazol que \u00e9 um est\u00edmulo mais forte ainda, pode tamb\u00e9m n\u00e3o dar resultado nenhum. Se aplicarmos indiscriminadamente vamos prejudicar o paciente sem nenhuma vantagem para ele. E nem para a Psiquiatria. Desse modo, o problema de conceituar esse dist\u00farbio senso-perceptivo n\u00e3o implica no diagn\u00f3stico cl\u00ednico. H\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o de quadros cl\u00ednicos que t\u00eam alucina\u00e7\u00f5es e n\u00e3o s\u00e3o paranoia nem formas de esquizofrenia. Esse \u00e9 um problema um tanto complexo. <em>A priori, <\/em>como disse agora h\u00e1 pouco, fica um pouco dif\u00edcil dizer, porque todas as hip\u00f3teses s\u00e3o poss\u00edveis. Mas no paciente, concretamente, \u00e9 muito mais f\u00e1cil de compreender. Se tomarmos um paciente que tenha uma rea\u00e7\u00e3o qualquer e examinarmos o como ele reage contra esse dist\u00farbio perceptivo, saber se ele se acomoda, ou ent\u00e3o reage com ansiedade, isso j\u00e1 \u00e9 elemento para o diagn\u00f3stico. Posteriormente, estudarmos o quadro cl\u00ednico com outros elementos de que ainda n\u00e3o disp\u00fanhamos, vamos ver que realmente corresponde a uma forma aguda transit\u00f3ria, que se resolve sem nenhum resqu\u00edcio, ou, ent\u00e3o, que corresponde a uma forma progressiva, que tem um surto agudo, mas que \u00e9 progressiva, com progn\u00f3stico diferente no caso. Assim, o problema est\u00e1 em conceituar para fazer o diagn\u00f3stico, no caso. Isto responde \u00e0 sua pergunta? Depois voc\u00eas v\u00e3o ver isso no paciente e \u00e9 muito f\u00e1cil de verificar isso, n\u00e3o \u00e9? Assim, em tese, discutindo teoricamente, \u00e9 um pouco dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"a4fc9dd4-6ab4-4390-acc6-9768a1108b1f\">Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, em 27\/05\/71, sem refer\u00eancia de local ou de quem a compilou. Revisto em 24\/10\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano. As refer\u00eancias adicionais em azul ser\u00e3o vinculadas a um texto relacionado com um determinado autor ou um determinado assunto. <a href=\"#a4fc9dd4-6ab4-4390-acc6-9768a1108b1f-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ca1792f2-7bba-4cf0-a42b-2e9d6e29cd0b\">\u00a0Grifo nosso, durante a revis\u00e3o (Roberto Fasano) <a href=\"#ca1792f2-7bba-4cf0-a42b-2e9d6e29cd0b-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PSICOSES AFETIVAS COM QUADRO PREDOMINANTE DE EXCITA\u00c7\u00c3O NO GRUPO DESCRITO POR LEONHARD Na sua fase inicial, Leonhard, se apegou em grande parte, \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de Wernicke e de Kleist, isto \u00e9, de tomar a patog\u00eanese como elemento para a classifica\u00e7\u00e3o dos quadros cl\u00ednicos. 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