{"id":3345,"date":"2024-09-14T09:36:38","date_gmt":"2024-09-14T12:36:38","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3345"},"modified":"2024-09-14T09:36:38","modified_gmt":"2024-09-14T12:36:38","slug":"quadros-clinicos-na-demencia-senil","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/quadros-clinicos-na-demencia-senil\/","title":{"rendered":"Quadros cl\u00ednicos na dem\u00eancia senil"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>QUADROS CL\u00cdNICOS NA DEM\u00caNCIA SENIL<\/strong><sup data-fn=\"b8eea5da-467d-4dff-9c01-cc6016281bad\" class=\"fn\"><a href=\"#b8eea5da-467d-4dff-9c01-cc6016281bad\" id=\"b8eea5da-467d-4dff-9c01-cc6016281bad-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O tema que vamos ver hoje s\u00e3o os quadros cl\u00ednicos da Dem\u00eancia Senil. Quadros cl\u00ednicos porque geralmente \u00e9 uma configura\u00e7\u00e3o bem estabelecida. Hoje em dia n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida quanto \u00e0s formas mais caracter\u00edsticas da Dem\u00eancia Senil, mas h\u00e1 outras formas at\u00edpicas que merecem ser discutidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira refer\u00eancia mais direta \u00e0 dem\u00eancia senil apareceu no s\u00e9culo passado, em 1883, por Voisin, logo depois, quase simultaneamente, em 1891, Klipel descreveu quadros demenciais que atribuiu \u00e0 arterioesclerose. Descreveu a chamada Dem\u00eancia Arterioescler\u00f3tica, que tinha um colorido particular, porque, como eles descreveram, havia fabula\u00e7\u00f5es, havia perda de contato com a realidade, uma amn\u00e9sia muito acentuada e uma s\u00e9rie de outros fen\u00f4menos, havendo tamb\u00e9m depress\u00e3o, mas com reduzida irritabilidade. De modo que o quadro descrito por Voisin e por Klipel corresponde ao que hoje temos como Dem\u00eancia Senil. J\u00e1 bem mais tarde, Wernicke retomou a descri\u00e7\u00e3o feita por Kahlbaum, aceitando inclusive o termo de Presbiofrenia, que Kahlbaum havia estabelecido, como equivalente a um Estado Demencial, com desinteresse pelo mundo exterior, com aqueles coloridos particulares que havia na Hebefrenia descrita por ele, com a diferen\u00e7a de se apresentar no final da vida, da\u00ed o nome de Presbiofrenia, que Kahlbaum procurou opor \u00e0 Hebefrenia. Wernicke retomou no fim desse s\u00e9culo esta descri\u00e7\u00e3o de Presbiofrenia de Kahlbaum, mas mostrou que havia duas formas: uma delas que era revers\u00edvel em que havia o que ele chamou de processo agudo e uma outra forma, delirante, que evoluia rapidamente para o Estado Demencial. Esta forma delirante tomou o nome de Paranoide, por analogia \u00e0 Paranoia.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia, portanto, no quadro cl\u00ednico essa d\u00favida: se um paciente que apresenta dist\u00farbios mentais, seria um demente no sentido arterioescler\u00f3tico, um doente que iria logo ficar totalmente \u00e0 margem da vida ou se seria um paciente que iria retomar a atividade anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem mais tarde fez essa distin\u00e7\u00e3o foi Kleist, quando mostrou que no grupo examinado por todos os autores, inclusive Wernicke, havia pacientes de condi\u00e7\u00f5es heterog\u00eaneas. Havia pacientes que evoluiam para um estado demencial e pacientes que apresentavam quadros clinicos do tipo revers\u00edvel, com recupera\u00e7\u00e3o integral.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, esse quadro de Presbiofrenia descrito por Wernicke \u00e9 um caso particular dos quadros psiqui\u00e1tricos em geral. E que s\u00f3 foram, suficientemente, desmembrados quando Kleist estudou todos os componentes do quadro cl\u00ednico pelo prisma da patog\u00eanese. Dessa forma, um grupo de doen\u00e7as heterog\u00eaneas foi desdobrado em sub-grupos mais homog\u00eaneos quanto \u00e0 patog\u00eanese, isto \u00e9, quanto \u00e0 sua base fisiogen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma revers\u00edvel, com manifesta\u00e7\u00f5es agudas, corresponde ao que Kleist, mais tarde,\u00a0 chamou de Paranoia de Involu\u00e7\u00e3o, em que h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es delirantes que correspondem \u00e0 \u00e9poca de involu\u00e7\u00e3o sexual em geral, mas que \u00e9 pass\u00edvel de regress\u00e3o, \u00e9 muito mais pr\u00f3xima, portanto, da PMD. Assim, j\u00e1 houve no in\u00edcio deste s\u00e9culo uma s\u00e9rie de quadros cl\u00ednicos bem descritos, tanto por autores franceses como alem\u00e3es, mostrando que h\u00e1 um quadro cl\u00ednico particular que aparece tardiamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da \u00e9poca de incid\u00eancia foi abordada pelos estudos, especialmente, de Alzheimer e de Pick. Ambos demonstraram um quadro demencial, que de in\u00edcio Alzheimer tamb\u00e9m chamou de Presbiofrenia, mas que aparecia muito mais cedo do que a dem\u00eancia arterioescler\u00f3tica, na acep\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo passado, de Voisin e de Klipel, ou das outras formas de arteriosclerose cerebral, que foram distinguidas com os desmembramentos dos quadros chamados de Dem\u00eancia Senil, dos quadros benignos ou dos quadros de evolu\u00e7\u00e3o mais lenta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Alzheimer, primeiramente em 1905 e depois em 1911, estudou os casos que chamou de Presbiofrenia que apresentavam a particularidade de ser mais frequente na mulher do que no homem e de aparecer mais precocemente do que as formas demenciais tardias, para os quais reservou o termo de Dem\u00eancia Senil. Pick, na mesma \u00e9poca, um pouco depois, em 1914, descreveu os quadros demenciais que passavam logo para o embrutecimento e eram acompanhandos de dist\u00farbios neurol\u00f3gicos mais no sentido de hipertonia muscular.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De modo que a doen\u00e7a de Alzheimer, que a princ\u00edpio descreveu como Presbiofrenia, passou depois a ser a Doen\u00e7a de Alzheimer, no consenso dos autores. Alzheimer descreveu com muita precis\u00e3o as v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es an\u00e1tomo-patol\u00f3gicas que correspondem a essa forma demencial. J\u00e1 mesmo antes dessa descri\u00e7\u00e3o de Alzheimer, Binswanger, descreveu um quadro que aparecia na idade senil avan\u00e7ada, caracterizada por altera\u00e7\u00f5es celulares generalizadas e que tinha, portanto, uma entidade cl\u00ednica que correspondia ao que hoje chamamos Dem\u00eancia Senil. Esta forma segundo mostraram os autores, especialmente Binswanger demonstrou isso, apareciam mais tardiamente, geralmente entre 65 e 80 anos de idade, na maioria dos casos. Tinha a caracter\u00edstica descrita por autores anteriores de ser um Estado Demencial que n\u00e3o se pronuncia imediatamente, mas tem uma evolu\u00e7\u00e3o mais ou menos arrastada, em geral com a dura\u00e7\u00e3o de 5 a 10 anos, portanto, muito mais arrastada do que outros quadros cl\u00ednicos que come\u00e7am em geral mais cedo. E assim foi possivel distinguir uma s\u00e9rie de quadros, que a princ\u00edpio estavam confundidos num quadro comum, que era a arterioesclerose.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, de acordo com a \u00e9poca do aparecimento, temos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>A doen\u00e7a de Pick, que tem altera\u00e7\u00f5es, principalmente, na articula\u00e7\u00e3o verbal, na linguagem;<\/li>\n\n\n\n<li>A doen\u00e7a de Alzheimer, que aparece um pouco mais tardiamente, mas que tem uma evolu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida;<\/li>\n\n\n\n<li>A arterioesclerose encef\u00e1lica que leva habitualmente ao Estado Demencial;<\/li>\n\n\n\n<li>A Dem\u00eancia Senil\/Presbiofrenia, que aparece mais tardiamente;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Geralmente, a doen\u00e7a de Pick e de Alzheimer tem in\u00edcio entre 45 e 50 anos. A arterioesclerose, geralmente, em torno de 61 anos e a Dem\u00eancia Senil, como ficou estabelecido, dos 65 aos 80 anos. Assim, consideramos como sin\u00f4nimo de Presbiofrenia esses quadros cl\u00ednicos descritos por autores, a partir de Binswanger, com altera\u00e7\u00f5es gerais no comportamento, uma dificuldade em adquirir novos conhecimentos, um preju\u00edzo progressivo no contato com a realidade e que se caracteriza como um quadro cl\u00ednico t\u00edpico.<\/p>\n\n\n\n<p>No Quadro abaixo, que ser\u00e1 discutido mais adiante, se apresentam as caracter\u00edstucas das formas tip\u00edcas e at\u00edpicas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"595\" height=\"386\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-14-12.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3346\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-14-12.png 595w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-14-12-300x195.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-14-12-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na forma t\u00edpica temos as seguintes caracter\u00edsticas: in\u00edcio tardio, confus\u00e3o completa em rela\u00e7\u00e3o ao meio exterior; poss\u00edveis alucina\u00e7\u00f5es que podem determinar confus\u00e3o mental, mas independentemente da confus\u00e3o, por\u00e9m s\u00f3 o fato de haver pouca aten\u00e7\u00e3o para com o mundo externo, uma tend\u00eancia para voltar-se para si pr\u00f3prio, acarretando a confus\u00e3o entre a realidade com as pr\u00f3prias inten\u00e7\u00f5es levando a fabula\u00e7\u00f5es;\u00a0 excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, o que diferencia das outras formas como o Pick, por exemplo, em que h\u00e1 um apagamento cont\u00ednuo e n\u00e3o excita\u00e7\u00e3o; fabula\u00e7\u00f5es, de certa maneira decorr\u00eancia da dismn\u00e9sia (falta de fixa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0O comportamento se distingue pelo aspecto de ser fundamentalmente infantil, o indiv\u00edduo se mostra alegre, comunicativo e, ao mesmo tempo, apresenta choro intencional devido \u00e0 emotividade excessiva e, ainda, ao mesmo tempo, n\u00e3o d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o ao que se passa ao redor dele, confunde as coisas, faz certas pirra\u00e7as, como faria um indiv\u00edduo na excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, na M\u00f3ria (s\u00f3 que n\u00e3o tem a intensidade da M\u00f3ria), correspondendo mais a uma dispers\u00e3o da atividade<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Ao mesmo tempo apresenta falsos reconhecimentos, que est\u00e3o ligados tamb\u00e9m com esse conjunto de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e falta de aten\u00e7\u00e3o. Em alguns casos se observa uma acessibilidade, s\u00e3o indiv\u00edduos facilmente acess\u00edveis, s\u00e3o sugestion\u00e1veis, podem fazer grandes doa\u00e7\u00f5es de dinheiro a t\u00edtulo de amizade, traduzindo um comportamento completamente insensato.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma t\u00edpica \u00e9 essa com evolu\u00e7\u00e3o lenta. No come\u00e7o, o que caracteriza o quadro cl\u00ednico, devido a uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es da personalidade \u00e9 o comportamento anormal, um dist\u00farbio de car\u00e1ter. Assim, um pren\u00fancio desse quadro cl\u00ednico s\u00e3o os dist\u00farbios de car\u00e1ter. S\u00e3o indiv\u00edduos que cometem injusti\u00e7as, cometem perversidades, \u00e0s vezes, cal\u00fania mesmo, mas que est\u00e3o baseados mais nos fen\u00f4menos alucinat\u00f3rios que aparecem no in\u00edcio desse quadro cl\u00ednico que, ainda, n\u00e3o se manifesta como decad\u00eancia; o comportamento sexual tamb\u00e9m \u00e9 anormal, um dist\u00farbio do comportamento sexual, mais no sentido libidinoso (\u00e0s vezes isso \u00e9 interpretado como sendo uma compensa\u00e7\u00e3o da decad\u00eancia sexual). Na realidade isto aparece como consequ\u00eancia da falta de no\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o indiv\u00edduos que podem nessa fase ter um comportamento incestuoso, um comportamento de sedu\u00e7\u00e3o decorrente da falta de cr\u00edtica, da falta de no\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o, de modo que n\u00e3o seria imputados como criminosos nesse sentido sexual, mas seria como uma decorr\u00eancia da falta de no\u00e7\u00e3o. Como isso aparece alguns anos antes de se instalar o quadro cl\u00ednico, esses pacientes s\u00e3o tomados como indiv\u00edduos com dist\u00farbio de car\u00e1ter, indiv\u00edduos de mal comportamento, sendo visados por isso. A n\u00e3o ser que o problema seja muito anormal, por exemplo, o indiv\u00edduo urina na via p\u00fablica, ent\u00e3o isso chama aten\u00e7\u00e3o, pois o indiv\u00edduo habitualmente n\u00e3o tem esse comportamento anormal. No final, o indiv\u00edduo entra em caquexia por fal\u00eancia da zona orbit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas formas at\u00edpicas (que s\u00e3o as que decorrem de les\u00f5es cerebrais localizadas) encontramos as seguintes caracter\u00edsticas: 1. Forma melanc\u00f3lica ou depressiva \u2013 emotividade excessiva, choro f\u00e1cil, sentir-se rejeitado e esse quadro confunde-se com a fase melanc\u00f3lica da PMD; mas al\u00e9m da melancolia h\u00e1 o aspecto delirante. Na fase inicial \u00e9 realmente dif\u00edcil distinguir da PMD. e da Melancolia de involu\u00e7\u00e3o; 2. Forma delirante: h\u00e1 irritabilidade que geralmente \u00e9 decorrente dos dist\u00farbios senso-perceptivos, geralmente alucina\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um quadro cl\u00ednico onde predomina o falso reconhecimento, toma parentes por pessoas estranhas, trata o irm\u00e3o, o sobrinho ou o neto como pessoa estranha, como se nunca tivesse visto ou ent\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, ele identifica pessoa que encontra como se fosse pessoa da fam\u00edlia, e a fabula\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intensa que se confunde com o quadro de Korsakoff, que ali\u00e1s foi descrito no in\u00edcio como integrante da Dem\u00eancia Senil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esse quadro at\u00edpico corresponde \u00e0 fase inicial, depois se torna t\u00edpico; 3. Dist\u00farbios neurol\u00f3gicos \u2013 perda da capacidade de audi\u00e7\u00e3o; altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o verbal com ecolalia; perda da mem\u00f3ria e fabula\u00e7\u00e3o decorrente; hipertonia muscular, marcha em pequenos passos, altera\u00e7\u00e3o da praxia como na doen\u00e7a de Pick; altera\u00e7\u00e3o da linguagem verbal: ecolalia, afasia, palilalia que a aproximam mais ao Pick. Como diagn\u00f3stico diferencial para com a arterioesclerose encef\u00e1lica, encontramos a irritabilidade e compuls\u00f5es caracter\u00edsticas da arterioesclerose. Quanto ao tipo de altera\u00e7\u00e3o cerebral, seriam altera\u00e7\u00f5es difusas e n\u00e3o em focos \u2013 orbit\u00e1rio, frontal, parietal \u2013 como no Pick e no Alzheimer; s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es que aparecem em todas as regi\u00f5es cerebrais \u2013 altera\u00e7\u00f5es difusas que abrangem toda a corticalidade, especialmente as camadas III e V, dando consequentemente altera\u00e7\u00f5es na emiss\u00e3o e na recep\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo. O dist\u00farbio celular \u00e9 o mesmo nas tr\u00eas formas; dist\u00farbio abiotr\u00f3fico, placas senis que se difundem por toda a corticalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre salientar que esses quadros at\u00edpicos correspondem \u00e0 fase inicial, depois surgem sintomas que podem ser de ordem psicol\u00f3gica, mas que algumas vezes tamb\u00e9m representam fen\u00f4menos motores, portanto, dist\u00farbios neurol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais dist\u00farbios neurol\u00f3gicos no sentido da senso-percep\u00e7\u00e3o, a audi\u00e7\u00e3o, por exemplo, a otoesclerose come\u00e7a muito mais cedo, mas nesse caso o indiv\u00edduo tem uma perda consecutiva da capacidade de audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fen\u00f4menos do tipo da logofonia, a ecolalia e outros que aparecem na doen\u00e7a de Pick, tamb\u00e9m podem aparecer, no in\u00edcio, com esse car\u00e1ter neurol\u00f3gico, embora tenha tamb\u00e9m um comportamento de perda de mem\u00f3ria, a fabula\u00e7\u00e3o consequente a isso, e outras manifesta\u00e7\u00f5es decorrentes da perda de contato com a realidade exterior. Outros aspectos que tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o, a hipertonia (que n\u00e3o \u00e9 comum na arterioesclerose), a marcha em pequenos passos, as apraxias, como acontece na doen\u00e7a de Pick. Assim, temos um comprometimento mais marcado de certas zonas cerebrais, como as altera\u00e7\u00f5es da linguagem verbal, bem como a palilalia ou ecolalia e, \u00e0s vezes, h\u00e1 afasia. Essas s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es at\u00edpicas mais frequentes nesse processo e nesse caso o quadro cl\u00ednico se aproxima mais de Pick e do Alzheimer do que da Dem\u00eancia Senil. E a distin\u00e7\u00e3o com a arterioesclerose encef\u00e1lica \u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstica a irritabilidade, tampouco aqueles momentos de agressividade, n\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m convuls\u00e3o: portanto, s\u00e3o elementos que est\u00e3o mais ligados \u00e0 arterioesclerose encef\u00e1lica em territ\u00f3rios particulares e que podem levar ao estado demencial, mas que n\u00e3o s\u00e3o frequentes, n\u00e3o s\u00e3o constantes na Dem\u00eancia Senil.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es cerebrais, na Dem\u00eancia Senil h\u00e1 um altera\u00e7\u00e3o difusa. Na doen\u00e7a de Pick temos, no in\u00edcio, focos orbit\u00e1rios, posteriormente, foco temporal ou parietal maci\u00e7o, ou frontal maci\u00e7o, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o focos esparsos na zona posterior do c\u00e9rebro, na zona m\u00e9dia e secundariamente na zona anterior. Na doen\u00e7a de Alzheimer, s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es que aparecem em todas as regi\u00f5es, quase indiferentemente, mas quando abrange mais a zona extra-piramidal do c\u00f3rtex ou zona motora (ou zona anterior), vai ocasionar dist\u00farbios neurol\u00f3gicos que se tornam evidentes, devido a sede particular das les\u00f5es que abrange toda a corticalidade, especialmente, as camadas III e V do c\u00f3rtex.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De maneira que abrange tanto os sistemas cerebrais emissores dos est\u00edmulos quanto os que recebem os est\u00edmulos tamb\u00e9m. Fica, portanto, um apagamento completo. O processo \u00e9 lento. H\u00e1, portanto, distin\u00e7\u00e3o a fazer com as formas de Pick e Alzheimer e a Dem\u00eancia Senil porque o dist\u00farbio celular \u00e9 o mesmo, h\u00e1 uma abiotrofia, que se manifesta no mesmo quadro cl\u00ednico, em \u00e1reas pequenas, chamadas placas senis que aparecem em todos os quadros cl\u00ednicos e que se difunde por toda a corticalidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na senilidade, aparece uma tend\u00eancia para fabula\u00e7\u00f5es, certa irritabilidade, auto-refer\u00eancia, mas aqui esse modo de reagir assume um feitio patol\u00f3gico, \u00e9 uma psicose realmente. As altera\u00e7\u00f5es no Pick est\u00e3o mais ligadas com as fibras de proje\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o com os sistemas de associa\u00e7\u00e3o intercorticais do Alzheimer e da dem\u00eancia senil, por isso a dem\u00eancia senil est\u00e1 mais pr\u00f3xima pelo aspecto histol\u00f3gico, com a doen\u00e7a de Alzheimer. No entanto, cumpre lembrar, que na doen\u00e7a de Alzheimer os n\u00facleos da base tamb\u00e9m s\u00e3o envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns sintomas podem e devem ser valorizados. Um aspecto \u00e9 uma debilidade da apreens\u00e3o, que pode ser um sintoma precoce. Um outro aspecto est\u00e1 relacionado com a not\u00e1vel conserva\u00e7\u00e3o de determinadas fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, pois a afetividade est\u00e1 pouco alterada, o que d\u00e1 como resultado o empenho dos pacientes para atender-nos, apesar da grande intranquilidade e luta contra seus defeitos ps\u00edquicos, mesmo quando j\u00e1 em estado de dem\u00eancia progressiva: atendem a nossos pedidos, permanecem acess\u00edveis, o que revela uma conserva\u00e7\u00e3o da personalidade.\u00a0<br><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"b8eea5da-467d-4dff-9c01-cc6016281bad\">Texto organizado por Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira proferida em 04\/11\/1971, sem refer\u00eancia de lugar, sendo revista, em 14\/02\/23, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto. <a href=\"#b8eea5da-467d-4dff-9c01-cc6016281bad-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QUADROS CL\u00cdNICOS NA DEM\u00caNCIA SENIL O tema que vamos ver hoje s\u00e3o os quadros cl\u00ednicos da Dem\u00eancia Senil. Quadros cl\u00ednicos porque geralmente \u00e9 uma configura\u00e7\u00e3o bem estabelecida. Hoje em dia n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida quanto \u00e0s formas mais caracter\u00edsticas da Dem\u00eancia Senil, mas h\u00e1 outras formas at\u00edpicas que merecem ser discutidas. 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