{"id":872,"date":"2024-01-30T20:32:54","date_gmt":"2024-01-30T23:32:54","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=872"},"modified":"2024-04-28T17:24:33","modified_gmt":"2024-04-28T20:24:33","slug":"conceito-de-personalidade-segundo-monakow-freud-e-comte","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/conceito-de-personalidade-segundo-monakow-freud-e-comte\/","title":{"rendered":"Conceito de Personalidade segundo Monakow, Freud e Comte"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>CONCEITO DE PERSONALIDADE SEGUNDO VON MONAKOW, FREUD E COMTE<\/strong>\u00b9<\/h5>\n\n\n\n<p>O conceito de personalidade est\u00e1 plenamente estabelecido, ainda que as fun\u00e7\u00f5es que integram a sua estrutura, sofram varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o de personalidade, n\u00e3o deve ser confundida com a de indiv\u00edduo, a qual abarca o conjunto de fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos restringi-la ao conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas, integradas em sistemas harm\u00f4nicos. Na unidade ps\u00edquica o isolamento entre uma fun\u00e7\u00e3o e outra \u00e9 efetuado apenas por abstra\u00e7\u00e3o, ainda que a psicologia permita verificar quais s\u00e3o as diferentes fun\u00e7\u00f5es simples integrantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os psic\u00f3logos anteriores a Freud n\u00e3o possu\u00edam uma teoria da personalidade na acep\u00e7\u00e3o hoje corrente. Atualmente, a escola mais seguida \u00e9 a de Freud, que \u00e9 um m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o e de terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua fase inicial, a psican\u00e1lise trouxe para a pr\u00e1tica m\u00e9dica o conceito din\u00e2mico de personalidade: Freud, estudou os primeiros pacientes com Breuer e com Charcot, observando que, depois do relato pormenorizado dos males em hipnose, muitos pacientes se sentiam aliviados. A partir desses estudos iniciais, construiu uma teoria da personalidade, publicada ao redor do ano de 1890.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Anos depois apareceu a teoria de von Monakow, insigne psiquiatra e anatomopatologista russo, que residia na Su\u00ed\u00e7a: a psicologia da Horme. O termo Horme vem da mesma raiz que deu origem a \u201cHorm\u00f4nio\u201d e \u201csignificava lan\u00e7ar algo para o exterior\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O presente curso ser\u00e1 orientado pela teoria da personalidade de Comte, aparecida em 1850.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Freud e Monakow criaram termos novos para exprimir novas ideias. Comte, ao contr\u00e1rio, usou termos comuns aos pesquisadores e termos tradicionais da linguagem laica, para exprimir conceitos novos: redefiniu-os segundo suas pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Teoria de von Monakow<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Como se ver\u00e1, apresenta alguma analogia com a teoria de Comte. A horme \u00e9 um instinto b\u00e1sico, fundamental, formativo, do qual deriva a s\u00e9rie de hormet\u00e9rios, originados do contato da horme com o mundo exterior. Dos hormet\u00e9rios derivam os noohormeterios, respons\u00e1veis pelos atos conscientes, pelas rea\u00e7\u00f5es objetivas, pelos pensamentos, pelas disposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A uni\u00e3o das horme materna e paterna se efetua com o plasma germinativo, que est\u00e1 em liga\u00e7\u00e3o com o instinto formativo. A crian\u00e7a, tem, ao nascer, apenas o instinto formativo, por influ\u00eancia da horme e vigente desde a fase de embri\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a inf\u00e2ncia, o contato da horme com o meio exterior vai produzindo os hormet\u00e9rios, que se fazem patente em todos os atos ps\u00edquicos do adulto: estes se originam das solicita\u00e7\u00f5es do meio exterior e se exprimem pelo \u201csentimento de pujan\u00e7a\u201d, que leva o indiv\u00edduo a atuar e a tentar apreender o que est\u00e1 nele, no meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo de matura\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, ainda por influ\u00eancia dos hormet\u00e9rios, o indiv\u00edduo tende a propagar a esp\u00e9cie. Algumas fases decorrentes da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica podem faltar; exemplo \u2013 o indiv\u00edduo pode n\u00e3o ter filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o amadurecimento individual come\u00e7a a a\u00e7\u00e3o dos noohormet\u00e9rios, que levam o indiv\u00edduo a se integrar \u00e0 fam\u00edlia, ao ambiente, \u00e0 na\u00e7\u00e3o, \u00e0 Humanidade, a tender para religi\u00f5es e para o cosmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, os tr\u00eas grupos s\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Horme<\/strong> \u2013 instinto cego, sem dire\u00e7\u00e3o, formativo.<\/li><li><strong>Hormet\u00e9rios<\/strong> \u2013 instintos pessoais, tend\u00eancias, sentimentos de pujan\u00e7a, atua sobre o meio externo<\/li><li><strong>Nouhormet\u00e9rios<\/strong> \u2013 adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade, for\u00e7a propulsora consciente e orientada, integra\u00e7\u00e3o na esfera religiosa, na sociedade e no cosmos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Com o progredir dos anos, o homem desenvolve o \u201cinstinto religioso\u201d, express\u00e3o dos nouhormet\u00e9rios, que o adapta \u00e0 integra\u00e7\u00e3o final no cosmos, atrav\u00e9s da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Na doutrina de von Monakow todas as atividades procedem, assim, de uma for\u00e7a instintiva b\u00e1sica, a qual estabelece a unidade do indiv\u00edduo desde a fase embrion\u00e1ria at\u00e9 a desintegra\u00e7\u00e3o objetiva.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Teoria de Freud<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Na doutrina de Freud o fundamental \u00e9 o aspecto din\u00e2mico. Na personalidade existem, no estado maduro, tr\u00eas inst\u00e2ncias interdependentes, o id, o ego e o superego.<\/p>\n\n\n\n<p>O id, que corresponde \u00e0 horme de von Monakow, \u00e9 um conjunto de for\u00e7as instintivas cegas, propulsoras, mas apenas como impulso sexual. Essa concep\u00e7\u00e3o pansexual inicial foi retificada: na verdade, Freud remanejou constantemente a sua teoria at\u00e9 o fim da vida. O id corresponde \u00e0s fun\u00e7\u00f5es instintivas herdadas; visa prover as necessidades do indiv\u00edduo, sem que haja conhecimento da realidade exterior. O meio exterior, por\u00e9m, exerce a\u00e7\u00e3o sobre o id, em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria necessidade de sobreviv\u00eancia: surgem limita\u00e7\u00f5es que for\u00e7am o indiv\u00edduo a desenvolver o ego.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o ego constitui uma nova inst\u00e2ncia da personalidade, derivada do id em consequ\u00eancia da rea\u00e7\u00e3o ao meio. O ego \u00e9 obrigado a adaptar as necessidades b\u00e1sicas do indiv\u00edduo \u00e0 realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa necessidade econ\u00f4mica, surge ent\u00e3o o superego, que exerce fun\u00e7\u00e3o de repress\u00e3o: essa se coloca em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as primitivas do id.<\/p>\n\n\n\n<p>No ego se distinguem tr\u00eas camadas: a camada superficial, em contato com o mundo externo, a camada interior, desdobramento do id, e ligada ao mundo proprioceptivo e a camada b\u00e1sica, persist\u00eancia do id.<\/p>\n\n\n\n<p>A camada superficial e a camada interior lidam com est\u00edmulos externos. Aqui se incluem no\u00e7\u00f5es, mem\u00f3ria, rea\u00e7\u00f5es de fuga, de adapta\u00e7\u00e3o e as atividades exteriores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A camada b\u00e1sica lida com os est\u00edmulos internos, \u00e9 nela que permanece a carga instintiva do indiv\u00edduo remanescente do id primitivo e que n\u00e3o se extingue com o aparecimento das demais inst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os est\u00edmulos internos devem subordinar-se ao meio externo, o que leva o ego a dominar as necessidades instintivas incompat\u00edveis com a sociedade. Se o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue dom\u00ednio completo das solicita\u00e7\u00f5es instintivas, falha a fun\u00e7\u00e3o defensiva do ego, o que o exp\u00f5e aos conflitos que se exprimem na neurose.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o repressora do ambiente, representada pela constela\u00e7\u00e3o familiar, \u00e9 absorvida no superego, o qual dessa forma constitui o que, vulgarmente, se chama \u201cconsci\u00eancia moral\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A interrela\u00e7\u00e3o constante, id, ego e superego podem aliar-se, dois a dois, de modo diverso, em luta determinada, pelas condi\u00e7\u00f5es peculiares a cada personalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de Freud \u00e9 din\u00e2mica, como a de von Monakow, mas \u00e9 mais estruturada. Tamb\u00e9m Freud admite que um grupo de fun\u00e7\u00f5es, as do id, \u00e9 inato, e que outras, do ego, s\u00e3o derivadas do primeiro, por desenvolvimento progressivo, sob a influ\u00eancia do meio exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina de Freud veio em oposi\u00e7\u00e3o aos conceitos dos associacionistas, que na \u00e9poca dominavam o pensamento psicol\u00f3gico. Esses, por exemplo, acreditavam que certas fun\u00e7\u00f5es s\u00f3 aparecem a partir da puberdade, como \u00e9 o caso da fun\u00e7\u00e3o sexual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Freud, o instinto sexual \u00e9 inato, n\u00e3o genitalizado, al\u00e9m de reprimido pelo superego. Freud, distingue, pois, entre instinto sexual e fun\u00e7\u00e3o sexual. A crian\u00e7a, por ser impulsionada por instintos, seria um perverso polimorfo (hoje sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim).<\/p>\n\n\n\n<p>O apego da crian\u00e7a pelo pai e pela m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 incestuoso. A ideia de incesto \u00e9 social; aparece na an\u00e1lise do adulto projetada com car\u00e1ter sexual e associada \u00e0s fantasias infantis, porque a personalidade j\u00e1 sofreu a influ\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina de Freud, como a de von Monakow, apresenta uma contradi\u00e7\u00e3o: o instinto sexual \u00e9 inato, mas a intelig\u00eancia e a atividade n\u00e3o o s\u00e3o. A concep\u00e7\u00e3o de Freud, embora arrojada e din\u00e2mica sobre esse aspecto, \u00e9 inferior \u00e0 de Comte, que a precede em 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Teoria da personalidade segundo Comte<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Consideram-se, igualmente, tr\u00eas setores da personalidade, mas todos inatos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Afetividade \u00e9 a esfera b\u00e1sica da personalidade, se n\u00e3o existisse n\u00e3o haveria interesse nem liga\u00e7\u00e3o com o meio exterior. A afetividade estimula a atividade e, atrav\u00e9s desta, a intelig\u00eancia. Ela tamb\u00e9m pode estimular diretamente \u00e0 intelig\u00eancia: esta \u00faltima atua sobre a atividade e reage sobre a afetividade. Por exemplo, a fuga \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o afetiva. A afetividade \u00e9 o setor principal no aprendizado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Atividade ou Cona\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o exteriorizada, isto \u00e9, os atos ou a motilidade, mas abarca apenas os dinamismos internos. A atividade, nessa acep\u00e7\u00e3o, \u00e9 constitu\u00edda pelas fun\u00e7\u00f5es subjetivas que levam o indiv\u00edduo a atuar no meio exterior, ou a efetuar o trabalho mental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Intelig\u00eancia comp\u00f5e-se de tr\u00eas grupos de fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas: contemplativas, elaborativas e da express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os tr\u00eas setores da personalidade s\u00e3o inatos, mas entram em plena fun\u00e7\u00e3o em \u00e9pocas diferentes. Tamb\u00e9m devem ser compreendidos em termos de hierarquia, isto \u00e9, de depend\u00eancia rec\u00edproca: o grupo mais dependente na linha superior e o grupo mais b\u00e1sico na linha inferior.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa vida afetiva est\u00e1 diretamente ligada ao meio interno visceral e s\u00f3 se liga ao meio externo atrav\u00e9s da atividade e da intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>ESQUEMA INDICANDO AS&nbsp; TR\u00caS ESFERAS DA PERSONALIDADE E SUAS FUN\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"987\" height=\"259\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-05.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-889\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-05.png 987w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-05-300x79.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-05-768x202.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-05-18x5.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 987px) 100vw, 987px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>ESQUEMA DAS RELA\u00c7\u00d5ES ENTRE AS TR\u00caS ESFERAS DA PERSONALIDADE E O MUNDO INTERNO E EXTERNO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Diagrama\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/a3iQr21-Gu5YoSAlCZXtJZsFuUpvCbN8aAseXCZEyNFj6lLyPFntfVhIFoN-dTnYRuqOwGwphjzotnblU_m_K8TAbJR_0c5PuEickUPYY71E4MXl9y1TKxFZX1TsEI_tJNUbZMJ824JsmkOcfgv2fQ\" width=\"567\" height=\"464\"><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><strong>Sistema nervoso aut\u00f4nomo (simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico)<\/strong><\/li><li><strong>Sistema nervoso visceral aferente<\/strong><\/li><li><strong>Interesse<\/strong><\/li><li><strong>Processo emocional (Emo\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/li><li><strong>Motiva\u00e7\u00e3o, espontaneidade<\/strong><\/li><li><strong>Aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li><li><strong>Orienta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li><li><strong>Fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o: express\u00e3o<\/strong><\/li><li><strong>Fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o: processo perceptual<\/strong><\/li><li><strong>A\u00e7\u00e3o expl\u00edcita (preens\u00e3o e locomo\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>O instinto nutritivo \u00e9 a parte primitiva e menos diferenciada da afetividade e \u00e9 por meio dessa \u00e1rea que ela se liga ao mundo visceral.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo exterior se liga \u00e0 afetividade pela intelig\u00eancia e pela atividade, as quais s\u00e3o continuamente estimuladas, por outro lado, pelo conjunto da afetividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na doutrina de Comte, todas as fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o inatas, embora dinamicamente algumas sejam fundamentais: as afetivas, pois o que leva \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de nossa atividade e de nossa intelig\u00eancia s\u00e3o nossos interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Freud e von Monakow h\u00e1 um instinto b\u00e1sico, inato, mas a atividade e a intelig\u00eancia, bem como outros instintos s\u00e3o derivados daquele. Comte afirma que as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o orientadas por nossa afetividade, em grau maior ou menor do est\u00e1gio do desenvolvimento biol\u00f3gico do indiv\u00edduo considerado. Mas todas as fun\u00e7\u00f5es vegetativas est\u00e3o ligadas ao instinto nutritivo, e isso hoje est\u00e1 confirmado pela cl\u00ednica e pela experimenta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No grupo da afetividade, como um todo, predominam numericamente.&nbsp; Os instintos propriamente ou fun\u00e7\u00f5es da individualidade somam sete. As tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es da sociabilidade, ou sentimentos altru\u00edsticos, s\u00e3o as que necessariamente prevalecem na estrutura da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es conativas, ou da atividade, n\u00e3o s\u00f3 propiciam a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita como tamb\u00e9m efetuam o trabalho mental, que se processa em duas dire\u00e7\u00f5es: aferente e eferente. [Isto \u00e9: a regula\u00e7\u00e3o da atividade sobre as cinco fun\u00e7\u00f5es intelectuais \u2013 observa\u00e7\u00e3o concreta e abstrata, medita\u00e7\u00e3o dedutiva e indutiva e express\u00e3o]\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p>Na dire\u00e7\u00e3o aferente, se examina e se apreende a realidade exterior (observa\u00e7\u00e3o concreta e abstrata), ou se comunica a outros o estado subjetivo (linguagem). Na dire\u00e7\u00e3o eferente, isto \u00e9, retificando pelo estudo da realidade (medita\u00e7\u00e3o, indutiva e dedutiva) as concep\u00e7\u00f5es (donde ju\u00edzo de realidade).<\/p>\n\n\n\n<p>As nossas disposi\u00e7\u00f5es afetivas e conativas variam em intensidade com o grau de maturidade do indiv\u00edduo (psicologia evolutiva), com as diversidades de estrutura individual (psicofisiologia constitucional) e, em termos mais amplos, com o tipo \u00e9tnico a que pertence a personalidade em estudo (psicologia \u00e9tnica e social).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Gr\u00e1fico, Diagrama\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/TkZwri0aM6hjTPWwb6kCe8ambxv1S6XO6c1mr1cmOysCATZ0-yPZvk3PdA8C8INxlObIW9Bk5LObaWYzZ_ui3yTgG9KwP9iuJCqKzBZMb-UTxyzuYvOEDSzhZXMPV9pvUoPPCJx-VZG8XqTGqbeBHQ\" width=\"858\" height=\"518\"><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Von Monakov \u2013 Mourgue<\/p>\n\n\n\n<p><sub><sup>&nbsp;\u00b9Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, em 14 de maio de 1963, sem refer\u00eancia de local ou de quem a compilou. Revisto em 24\/01\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/p>\n\n\n\n<p><sub><sup>&nbsp;\u00b2Incorporamos esse trecho para dar maior clareza \u00e0 din\u00e2mica entre as tr\u00eas esferas da personalidade.<\/sup><\/sub><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONCEITO DE PERSONALIDADE SEGUNDO VON MONAKOW, FREUD E COMTE\u00b9 O conceito de personalidade est\u00e1 plenamente estabelecido, ainda que as fun\u00e7\u00f5es que integram a sua estrutura, sofram varia\u00e7\u00f5es. A no\u00e7\u00e3o de personalidade, n\u00e3o deve ser confundida com a de indiv\u00edduo, a qual abarca o conjunto de fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas. 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