{"id":900,"date":"2024-02-10T20:23:58","date_gmt":"2024-02-10T23:23:58","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=900"},"modified":"2024-04-28T17:25:27","modified_gmt":"2024-04-28T20:25:27","slug":"comparacao-das-teorias-da-personalidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/comparacao-das-teorias-da-personalidade\/","title":{"rendered":"Compara\u00e7\u00e3o das Teorias da Personalidade"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>COMPARA\u00c7\u00c3O DAS TEORIAS DA PERSONALIDADE<\/strong>\u00b9<\/h4>\n\n\n\n<p>Entre as teorias de Comte, von Monakow e Freud h\u00e1 muitas analogias, pois todos visaram o estudo objetivo da personalidade. Por outro lado, as diferen\u00e7as s\u00e3o essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundamentalmente, todas elas apresentam a mesma divis\u00e3o da personalidade: tr\u00eas setores (afetividade, atividade e intelig\u00eancia, segundo Comte), tr\u00eas inst\u00e2ncias (Id, Ego e Superego, segundo Freud), tr\u00eas fases (Horme, hormet\u00e9rios e nou-hormet\u00e9rios, segundo von Monakow).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas duas \u00faltimas existe uma energia inicial indiferenciada, a partir da qual as outras inst\u00e2ncias da personalidade se desenvolveriam.<\/p>\n\n\n\n<p>Na teoria de Comte os tr\u00eas setores n\u00e3o se sucedem dessa forma, mas coexistem inatos. A afetividade \u00e9 a principal inst\u00e2ncia: dela decorrem todos os mecanismos psicol\u00f3gicos, at\u00e9 mesmo o estabelecimento das condi\u00e7\u00f5es vegetativas do organismo. Essa distin\u00e7\u00e3o fundamental nos permite compreender o aprendizado, o amadurecimento mental, o comportamento, o que n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com as ideias de Freud e de von Monakow. Pois se n\u00e3o houver, desde o in\u00edcio, rela\u00e7\u00e3o intelectual entre a rea\u00e7\u00e3o afetiva interna e o est\u00edmulo conativo, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de aprendizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como admitir essa energia cega instintiva, sem uma dire\u00e7\u00e3o fixa, que atue de todas as maneiras recebendo o impacto do mundo exterior e a ele se adaptando? Ao mesmo tempo que o indiv\u00edduo tem rea\u00e7\u00f5es instintivas, portanto, n\u00e3o conscientes, n\u00e3o l\u00f3gicas, que o levam a agir de v\u00e1rias maneiras, h\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o intelectual a essas fun\u00e7\u00f5es, uma tentativa de modifica\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Freud d\u00e1 um passo extraordin\u00e1rio quando estabelece a exist\u00eancia do instinto sexual inato e, portanto, n\u00e3o introduz isto no organismo pela matura\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo como pensavam os associacionistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao setor da atividade, na Teoria de Comte, esta n\u00e3o corresponde \u00e0 atividade expl\u00edcita, mas \u00e0 parte subjetiva que a determina. \u00c9 o que corresponde ao conceito de cona\u00e7\u00e3o na Fenomenologia de MacDougall.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Comte demonstrou como a afetividade estimula a atividade e intelig\u00eancia. Por sua vez a intelig\u00eancia age sobre a afetividade modificando-a continuamente. Todo esse processo \u00e9 cont\u00ednuo desde o nascimento at\u00e9 a matura\u00e7\u00e3o completa do indiv\u00edduo. A rea\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia sobre a afetividade chama-se emo\u00e7\u00e3o. Essa estimula o contato com o ambiente, de tal forma, que permite o aprendizado. Sem a emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o podemos ter nenhum interesse pelo mundo exterior. A investiga\u00e7\u00e3o, a coleta dos dados do mundo exterior, que se faz no plano intelectual, reagem sobre a afetividade determinando a emo\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, portanto, uma gama muito grande de emo\u00e7\u00f5es. Desde a emo\u00e7\u00e3o b\u00e1sica fundamental, que \u00e9 indispens\u00e1vel ao aprendizado, at\u00e9 a emo\u00e7\u00e3o que se torna patol\u00f3gica (o p\u00e2nico, por exemplo, como um estado m\u00e1ximo de rea\u00e7\u00e3o emocional).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas em todas elas temos um aspecto vegetativo, que varia conforme o ponto de impacto, o sentimento, o instinto que reage dando a rea\u00e7\u00e3o emocional. Temos, ent\u00e3o, dois grupos, o da individualidade e o da sociabilidade. Tanto num como no outro temos rea\u00e7\u00f5es emocionais que podem ser reais ou fantasiadas. Na fantasia n\u00f3s temos uma emo\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria constru\u00edda pelo indiv\u00edduo, por outro lado, pelo contato afetivo com a realidade exterior temos uma percep\u00e7\u00e3o consciente. De um modo ou de outro, temos uma rea\u00e7\u00e3o afetiva correspondente a isso, \u00e9 este elemento ent\u00e3o que vai dar todo o nosso conhecimento do mundo exterior. A rea\u00e7\u00e3o emocional n\u00e3o \u00e9 consciente.&nbsp; A emo\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo din\u00e2mico. N\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o, assim como n\u00e3o o \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o. Na teoria de Comte cada um dos setores subentende uma correla\u00e7\u00e3o cerebral. Fun\u00e7\u00e3o \u00e9 o trabalho intr\u00ednseco de um processo cerebral. Dinamismo \u00e9 o resultado desse processo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na afetividade temos um grupo b\u00e1sico, o da individualidade, que corresponde aos interesses do indiv\u00edduo, e outro grupo, a sociabilidade que pressup\u00f5e um conjunto social. O que \u00e9 b\u00e1sico na afetividade \u00e9 que h\u00e1 tra\u00e7os comuns a muitos indiv\u00edduos da mesma esp\u00e9cie, ao passo que h\u00e1 outros diferenciados que s\u00e3o menos frequentes na popula\u00e7\u00e3o, o que pode ser apreendido nos testes psicol\u00f3gicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos os instintos de conserva\u00e7\u00e3o (nutritivo e sexual), fundamentais para a perpetua\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da esp\u00e9cie, ligados com todos os dinamismos vegetativos. O instinto de conserva\u00e7\u00e3o de Comte pode ser assimilado \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de libido (Freud) ou \u00e0 Horme (von Monakow). A libido \u00e9 energia biol\u00f3gica que leva o indiv\u00edduo a contactar com todos os tipos de rea\u00e7\u00e3o e que ningu\u00e9m situa em nenhuma parte do organismo, assim como a Horme.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O instinto de conserva\u00e7\u00e3o pode ser localizado no c\u00e9rebro, como demonstrou pela anatomia comparada, a neurofisiologia e a patologia. Nessa teoria h\u00e1 um aspecto fundamental: a emo\u00e7\u00e3o age sobre a individualidade e a sociabilidade. Como n\u00facleo b\u00e1sico do instinto de conserva\u00e7\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o tem toda ela uma conota\u00e7\u00e3o com o funcionamento visceral, a que esse instinto est\u00e1 ligado. Toda resposta visceral que acompanha a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 um correlato decorrente da influ\u00eancia dessa fun\u00e7\u00e3o afetiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A emo\u00e7\u00e3o, agindo sobre a sociabilidade, provoca rea\u00e7\u00f5es que traduzem o lado vegetativo ligado com express\u00f5es socializadas primitivas (l\u00e1grimas, suspiros, riso). O amadurecimento psicol\u00f3gico se faz pela subordina\u00e7\u00e3o da individualidade \u00e0 sociabilidade. No in\u00edcio, Comte deu mais import\u00e2ncia \u00e0 rea\u00e7\u00e3o intelectual. Mais tarde reformulou a sua teoria e inverteu o valor, tornando a esfera afetiva como fundamental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na individualidade temos o aperfei\u00e7oamento, a ambi\u00e7\u00e3o, e a conserva\u00e7\u00e3o que visa a preserva\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da esp\u00e9cie. O aperfei\u00e7oamento corresponde a dois instintos: destrui\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sociabilidade temos tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicos: apego, venera\u00e7\u00e3o e bondade, que \u00e9 o mais geral de todos e que estimula o contato com o mundo exterior. Ao nascer a crian\u00e7a tem a sociabilidade sem fun\u00e7\u00e3o, mas essa j\u00e1 existe desde o in\u00edcio, no grupo da sociabilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os aspectos da ambi\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois: necessidade de dom\u00ednio e necessidade de aprova\u00e7\u00e3o, ligados \u00e0 sociabilidade. Na cona\u00e7\u00e3o temos dois n\u00edveis: o da firmeza que permite manter a a\u00e7\u00e3o, e o da atividade que estimular\u00e1 ou refrear\u00e1 a a\u00e7\u00e3o. Sem a firmeza e a atividade n\u00e3o pode haver trabalho mental. \u00c9 necess\u00e1rio que, desde o in\u00edcio da vida, a intelig\u00eancia esteja presente e mantida pela cona\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na intelig\u00eancia, temos tr\u00eas n\u00edveis: um b\u00e1sico, a observa\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o ou medita\u00e7\u00e3o e a express\u00e3o. Comte demonstrou, pela primeira vez, que essas tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o os meios de contato com a realidade, isto \u00e9, partimos da observa\u00e7\u00e3o dos dados, os elaboramos, e na express\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o ainda mais diferenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o exige um \u00f3rg\u00e3o \u00e0 parte, pois Comte mostrou que s\u00f3 a medita\u00e7\u00e3o e a observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem proceder a dois tipos de liga\u00e7\u00e3o diversos \u2013 de apanhar os dados, elabor\u00e1-los e abstrair de tal forma que possa comunicar com o mundo exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00f3s compararmos, na s\u00e9rie zool\u00f3gica, o comportamento dos indiv\u00edduos, vamos ver que esses elementos se manifestam claramente. A quest\u00e3o \u00e9 termos meios para verificar e relacionar o comportamento observado com a parte subjetiva correspondente. Foi isso que trouxe discord\u00e2ncia entre os autores. Wundt reduzia as fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas a elementos estanques, agindo cada um deles por sua conta. O comportamentalismo foi uma tend\u00eancia para mostrar que isso era um erro de aprecia\u00e7\u00e3o, que era necess\u00e1rio observar o comportamento do animal para concluir como se integra a sua vida ps\u00edquica. Isto foi um exagero no sentido de transformar a ci\u00eancia psicol\u00f3gica em ci\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois a escola de MacDougall procurou combater Watson e o comportamentalismo, mostrando o aspecto din\u00e2mico do indiv\u00edduo, a subjetividade que leva a esse comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, s\u00f3 podemos interpretar o comportamento, segundo Watson, atrav\u00e9s dos dados subjetivos do animal em observa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, devemos compreender esse comportamento levando em conta a espontaneidade do indiv\u00edduo, o elemento subjetivo que lhe permite reagir desta ou daquela maneira ao est\u00edmulo do meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra diferen\u00e7a essencial \u00e9 que os dinamismos subjetivos, que correspondem \u00e0 estrutura da personalidade, s\u00f3 podem ser interpretados em correla\u00e7\u00e3o com o funcionamento cerebral na teoria de Comte.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><sub><sup>\u00b9Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, em 13 de mar\u00e7o de 1969 sem refer\u00eancia a local ou de quem a compilou. Revisto em 24\/01\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano<\/sup><\/sub>.<\/h6>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMPARA\u00c7\u00c3O DAS TEORIAS DA PERSONALIDADE\u00b9 Entre as teorias de Comte, von Monakow e Freud h\u00e1 muitas analogias, pois todos visaram o estudo objetivo da personalidade. Por outro lado, as diferen\u00e7as s\u00e3o essenciais. 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