{"id":930,"date":"2024-02-19T09:26:37","date_gmt":"2024-02-19T12:26:37","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=930"},"modified":"2024-04-28T17:26:59","modified_gmt":"2024-04-28T20:26:59","slug":"apreciacao-conjunta-dos-setores-da-personalidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/apreciacao-conjunta-dos-setores-da-personalidade\/","title":{"rendered":"APRECIA\u00c7\u00c3O CONJUNTA DOS SETORES DA PERSONALIDADE"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>APRECIA\u00c7\u00c3O CONJUNTA DOS SETORES DA PERSONALIDADE<\/strong>\u00b9<\/h4>\n\n\n\n<p>Para Comte, personalidade corresponde a um conjunto de fatores subjetivos precisos do indiv\u00edduo. A cada fun\u00e7\u00e3o corresponde um \u00f3rg\u00e3o independente, trabalhando todos em harmonia, formando o conjunto do Sistema Nervoso Central e o conjunto do Sistema Ps\u00edquico. Cada fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser separada, assim, dos \u00f3rg\u00e3os. N\u00e3o h\u00e1 um limite entre um \u00f3rg\u00e3o e outro, n\u00edtido, diferente do que o que ocorre no resto do organismo. Leva-se em conta que n\u00e3o somente as fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o localiz\u00e1veis em \u00f3rg\u00e3os, mas tamb\u00e9m que eles constituem um sistema neurofisiologicamente verificado. Estes dois fatores s\u00e3o fundamentais.<br>Nos dist\u00farbios atribu\u00edveis a um \u00f3rg\u00e3o, \u00fanico, podemos isolar o \u00f3rg\u00e3o a partir da fun\u00e7\u00e3o alterada, mas para isto precisamos conhecer essas fun\u00e7\u00f5es. As cr\u00edticas \u00e0 teoria de Comte s\u00e3o de que ela seria est\u00e1tica, porque mencionamos as v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o sistema ps\u00edquico de uma maneira est\u00e1tica, mas se temos que fazer uma representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, o crit\u00e9rio tem que ser est\u00e1tico. O m\u00ednimo que se pode dar \u00e9 o crit\u00e9rio tridimensional.<br>O segundo aspecto \u00e9 que Comte definiu as fun\u00e7\u00f5es de modo preciso e exato, mas utilizou a mesma terminologia usada na psicologia da \u00e9poca, bem como na linguagem comum. Comte preservou os termos usados e redefiniu-os. Exemplo: a bondade, seria uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de um \u00f3rg\u00e3o e n\u00e3o a resultante de um comportamento do indiv\u00edduo.<br>Para Comte, intelig\u00eancia \u00e9 o conjunto das fun\u00e7\u00f5es subjetivas que permitem o contato com o mundo exterior de maneira aferente e eferente. Para outros autores, a intelig\u00eancia \u00e9 a capacidade de se adaptar \u00e0s situa\u00e7\u00f5es novas, sendo, pois, apenas uma rea\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo.<br>A afetividade seria o conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas do qual decorre a manuten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e o contato afetivo com o mundo exterior.<br>As tr\u00eas esferas em conjunto existem ao nascer. S\u00e3o compostas de fun\u00e7\u00f5es. Estas decorrem do trabalho de \u00f3rg\u00e3os individualiz\u00e1veis localizados no c\u00e9rebro que surgem durante o desenvolvimento embrion\u00e1rio fetal. A esfera fundamental \u00e9 a afetividade. Dela decorre a atividade ps\u00edquica. A afetividade estimula diretamente a intelig\u00eancia ou indiretamente atrav\u00e9s da atividade. A via direta seria o interesse, o contato com o mundo exterior do ponto de vista afetivo que \u00e9 o imperativo de qualquer contato com o mundo exterior. A atividade \u00e9 o que permite a aplica\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia e, portanto, \u00e9 necess\u00e1rio que o indiv\u00edduo ao nascer j\u00e1 tenha as tr\u00eas esferas. A afetividade corresponde a um conjunto de fun\u00e7\u00f5es, e s\u00f3 se torna consciente quando atinge um certo grau de intensidade determinando uma a\u00e7\u00e3o.<br>A atividade \u00e9 um aspecto subjetivo e n\u00e3o a a\u00e7\u00e3o no mundo exterior, n\u00e3o s\u00e3o os atos nem os gestos que constituem a atividade. Ela \u00e9 a parte subjetiva que torna poss\u00edvel a transposi\u00e7\u00e3o das nossas disposi\u00e7\u00f5es para o mundo exterior ou colhermos o material que vem de fora. Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental pois frequentemente os autores se referem aos comportamentos instintivos como se fossem instintos ou a atividade como se fosse exerc\u00edcio muscular.<br>A afetividade compreende um grupo fundamentalmente ligado aos instintos pessoais (individualidade) e \u00e0 sociabilidade. Nem todos s\u00e3o instintos. H\u00e1 atividades reconhecidas por todos os autores como instintos, mas h\u00e1 outros como necessidade de dom\u00ednio ou de aprova\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o instintos, mas apenas manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas, intermedi\u00e1rias entre o grupo dos instintos e a sociabilidade.<br>No plano da cona\u00e7\u00e3o temos o aspecto geral, firmeza ou manuten\u00e7\u00e3o do estado anterior da situa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica objetiva, e os dois aspectos que correspondem \u00e0 atividade, ou num sentido estrito, um processo de est\u00edmulo e um processo de inibi\u00e7\u00e3o.<br>No grupo dos instintos temos uma parte b\u00e1sica que \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o. Outro aspecto complexo que \u00e9 o aperfei\u00e7oamento e um aspecto de liga\u00e7\u00e3o com a sociabilidade que \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o.<br>Na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie temos o instinto sexual. Num ser rudimentar a propaga\u00e7\u00e3o se faz por cissiparidade, portanto n\u00e3o h\u00e1 necessidade de centraliza\u00e7\u00e3o de atividade em certo \u00f3rg\u00e3o, em todo o protoplasma se faz a cissiparidade. S\u00f3 aos seres diferenciados aplica-se o instinto sexual. Nos vegetais j\u00e1 h\u00e1 divis\u00e3o sexuada. Nas esp\u00e9cies mais diferenciadas o instinto sexual n\u00e3o basta: h\u00e1 necessidade de se proteger a prole que corresponde ao instinto de posse, que Comte chamou materno. O aperfei\u00e7oamento abrange duas maneiras de ser e a cada uma corresponde uma fun\u00e7\u00e3o, com o seu \u00f3rg\u00e3o correspondente. Temos o aperfei\u00e7oamento pela destrui\u00e7\u00e3o e pela constru\u00e7\u00e3o.<br>A pr\u00f3pria estrutura celular \u00e9 compreendida como um processo de constru\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o (para Blainville a vida \u00e9 um processo cont\u00ednuo de assimila\u00e7\u00e3o e desassimila\u00e7\u00e3o), mas a desassimila\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um aspecto instintivo da destrui\u00e7\u00e3o, e a assimila\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um aspecto de constru\u00e7\u00e3o.<br>A ambi\u00e7\u00e3o abrange dois tipos diversos: a necessidade de dom\u00ednio, orgulho para Comte, e a necessidade de aprova\u00e7\u00e3o que Comte chama de vaidade. Para essa atividade de dom\u00ednio e de aprova\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio o ambiente. Em grande parte, Comte tomou a denomina\u00e7\u00e3o que Gall usou, mas definiu de modo diverso e com acep\u00e7\u00f5es diferentes.<br>No grupo das manifesta\u00e7\u00f5es instintivas, h\u00e1 cinco atividades instintivas e duas outras condi\u00e7\u00f5es que correspondem a necessidade de liga\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o exterior. A sociabilidade se resume em tr\u00eas sentimentos, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o subjetiva num plano mais diferenciado, socialmente falando. S\u00e3o mais diferenciadas que os instintos. Estes sentimentos s\u00e3o: apego, venera\u00e7\u00e3o e bondade.<br>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade, temos dois n\u00edveis diversos de inibi\u00e7\u00e3o e de est\u00edmulo e ao lado o de firmeza como elemento constante que mant\u00e9m o trabalho mental. Sem essa coopera\u00e7\u00e3o n\u00e3o haveria atividade coordenada. Na fase inicial, o indiv\u00edduo tem uma atividade incongruente, pois prevalecem as v\u00e1rias necessidades instintivas e, ao mesmo tempo, apresentam-se umas e outras. \u00c0 medida que o indiv\u00edduo amadurece ele passa do plano da individualidade para o da sociabilidade. A crian\u00e7a atrav\u00e9s da amamenta\u00e7\u00e3o percebe um est\u00edmulo exterior. Ela associa a imagem da pessoa que a est\u00e1 alimentando com a sua saciedade.<br>Essa fun\u00e7\u00e3o de imagens e de sensa\u00e7\u00f5es constitui a base do condicionamento que permite o aprendizado do indiv\u00edduo. Ele vai se tornando cada vez mais soci\u00e1vel e vai associando as imagens intelectuais com as que lhe d\u00e3o um certo prazer. A intelig\u00eancia s\u00f3 funciona quando os dois aspectos b\u00e1sicos s\u00e3o coordenados e suficientemente livres, para que possam permitir uma atividade de contato com o mundo exterior.<br>Os aspectos b\u00e1sicos da esfera intelectual s\u00e3o: observa\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o e express\u00e3o. A observa\u00e7\u00e3o pode ser concreta ou abstrata; a elabora\u00e7\u00e3o pode ser indutiva ou dedutiva e a express\u00e3o m\u00edmica, verbal e gr\u00e1fica.<br>Para que se processe um trabalho intelectual \u00e9 indispens\u00e1vel que o est\u00edmulo afetivo e a cona\u00e7\u00e3o estejam dispon\u00edveis para este trabalho, al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio a calma, a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar e de equil\u00edbrio para poder dirigir a cona\u00e7\u00e3o. Assim, o indiv\u00edduo n\u00e3o produz de acordo com a sua capacidade mental quando est\u00e1 sob a\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es fortes. Isso \u00e9 bem-visto no teste de Rorschach. No indiv\u00edduo temos como coisas diferentes o n\u00edvel intr\u00ednseco e a execu\u00e7\u00e3o, que \u00e9 aplica\u00e7\u00e3o daquele n\u00edvel no contato com o mundo exterior.<br>A emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o, mas uma resultante, o resultado de uma no\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o modo de exprimir um trabalho mental, quer seja real ou imagin\u00e1rio, sobre a afetividade. Essa \u00e9 a base do aprendizado. Sem emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 conhecimento, pois esse est\u00e1 ligado ao est\u00edmulo afetivo, \u00e0 espontaneidade do indiv\u00edduo, \u00e0 liga\u00e7\u00e3o desse estado subjetivo com o mundo exterior e a apreens\u00e3o dos dados do mundo exterior para uso subjetivo, da\u00ed resulta o conhecimento.<br>O nosso mundo vegetativo visceral apresenta uma liga\u00e7\u00e3o funcional com a atividade instintiva b\u00e1sica, o instinto de nutri\u00e7\u00e3o, enquanto a sociabilidade est\u00e1 ligada a um plano mais diferenciado com o mundo exterior.<br>O elemento de liga\u00e7\u00e3o do mundo interno com o mundo exterior se faz atrav\u00e9s das fun\u00e7\u00f5es intelectuais. Isso quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta da afetividade com o mundo externo. Essa rela\u00e7\u00e3o s\u00f3 se faz atrav\u00e9s da sociabilidade que se manifesta pela atividade e pela intelig\u00eancia.<br>O mundo interno se comunica diretamente com o visceral atrav\u00e9s da rede nervosa visceral. A intelig\u00eancia contactua com o mundo exterior atrav\u00e9s dos sentidos, mas a sele\u00e7\u00e3o que se faz dos est\u00edmulos e as impress\u00f5es sobre nossos \u00f3rg\u00e3os, j\u00e1 s\u00e3o dinamismos ps\u00edquicos.<br>Na atividade o elemento que promove a rela\u00e7\u00e3o com o mundo exterior \u00e9 a coragem, ela transforma o estado subjetivo em a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita atrav\u00e9s da reg\u00eancia motora. Comte fez um quadro ao qual chamou de alma humana, isto \u00e9, as fun\u00e7\u00f5es interiores do c\u00e9rebro, que correspondem a fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas em rela\u00e7\u00e3o entre si.<br>O amor por princ\u00edpio, a ordem por base e o progresso por fim: amar, pensar e agir. Como fundamental nas disposi\u00e7\u00f5es afetivas temos sete fun\u00e7\u00f5es pessoais e tr\u00eas sociais. Comte colocou a seguir o aspecto pelo qual o indiv\u00edduo entra em contato com o mundo exterior que \u00e9, por um lado, a concep\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a observa\u00e7\u00e3o concreta, (sincr\u00e9tica) e abstrata (anal\u00edtica), a elabora\u00e7\u00e3o indutiva e dedutiva (sistematiza\u00e7\u00e3o) e, a seguir, a comunica\u00e7\u00e3o como express\u00e3o desse conjunto.<br>Em seguida, o resultado disto &#8211; que \u00e9 a a\u00e7\u00e3o no mundo exterior -, depende da coragem que estimula, da prud\u00eancia que inibe e da perseveran\u00e7a que \u00e9 fundamental.<br>O instinto de nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de nenhum outro.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>&nbsp;\u00b9Aula de An\u00edbal Silveira realizada em 20\/03\/1970, sem refer\u00eancia a data e local da aula nem de quem a compilou. Revisto em 25\/01\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>APRECIA\u00c7\u00c3O CONJUNTA DOS SETORES DA PERSONALIDADE\u00b9 Para Comte, personalidade corresponde a um conjunto de fatores subjetivos precisos do indiv\u00edduo. A cada fun\u00e7\u00e3o corresponde um \u00f3rg\u00e3o independente, trabalhando todos em harmonia, formando o conjunto do Sistema Nervoso Central e o conjunto do Sistema Ps\u00edquico. Cada fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser separada, assim, dos \u00f3rg\u00e3os. 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