{"id":952,"date":"2024-02-19T11:04:28","date_gmt":"2024-02-19T14:04:28","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=952"},"modified":"2024-04-28T17:29:09","modified_gmt":"2024-04-28T20:29:09","slug":"funcoes-da-conacaoregencia-da-acao-explicita-e-relacoes-para-com-a-afetividade-e-a-inteligencia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/funcoes-da-conacaoregencia-da-acao-explicita-e-relacoes-para-com-a-afetividade-e-a-inteligencia\/","title":{"rendered":"FUN\u00c7\u00d5ES DA CONA\u00c7\u00c3O<br>Reg\u00eancia da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e rela\u00e7\u00f5es para com a afetividade e a intelig\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>FUN\u00c7\u00d5ES DA CONA\u00c7\u00c3O&nbsp;<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>Reg\u00eancia da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e rela\u00e7\u00f5es para com a afetividade e a intelig\u00eancia<\/strong>\u00b9<\/h4>\n\n\n\n<p>A atividade, na acep\u00e7\u00e3o de Comte, constitui o setor da personalidade que regula a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. \u00c9 fundamental ressaltar que essa reg\u00eancia n\u00e3o se refere aos atos do indiv\u00edduo adulto, como muitos autores ainda a entendem, por\u00e9m, a toda a atividade, desde os prim\u00f3rdios da vida intrauterina. O amadurecimento desse setor, atrav\u00e9s da muscula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 se revela mesmo durante o per\u00edodo fetal. Tamb\u00e9m n\u00e3o se confunde com os atos humanos: por isso designamos como a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>Realmente nos atos humanos, mesmo nos mais simples e desde os primeiros esbo\u00e7os na evolu\u00e7\u00e3o individual, h\u00e1 que se distinguir a execu\u00e7\u00e3o por um lado, e por outro, as disposi\u00e7\u00f5es internas: a primeira constitui apenas a objetiva\u00e7\u00e3o, a qual depende do aparato perif\u00e9rico da motilidade, preens\u00e3o e locomo\u00e7\u00e3o. As disposi\u00e7\u00f5es internas representam os fatores subjetivos vinculados \u00e0 estrutura encef\u00e1lica. Nesse aspecto subjetivo \u00e9 necess\u00e1rio distinguir: (a) elementos extr\u00ednsecos, que s\u00e3o os m\u00f3veis afetivos, ou motiva\u00e7\u00f5es que impelem \u00e0 a\u00e7\u00e3o; e (b) elementos intr\u00ednsecos, que constituem a esfera da atividade, objeto da presente aula.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa para a a\u00e7\u00e3o \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o exteriorizada que melhor corresponde ao estado subjetivo desta esfera, a atividade; mas igualmente n\u00e3o se confunde com esta, pois envolve fatores extr\u00ednsecos, como o grau de amadurecimento da personalidade. Assim, em rela\u00e7\u00e3o a um mesmo instinto que impulsiona o comportamento de um indiv\u00edduo, por exemplo, o de nutri\u00e7\u00e3o, a atividade expl\u00edcita correspondente, variar\u00e1 enormemente em fun\u00e7\u00e3o do estado do desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplificando: a fome \u2013 sensa\u00e7\u00e3o resultante de car\u00eancia metab\u00f3lica dos tecidos \u2013 mobiliza esse instinto e causa, nos primeiros momentos da vida, o pranto como express\u00e3o de ang\u00fastia, logo, por\u00e9m, a experi\u00eancia leva a crian\u00e7a, nas mesmas circunst\u00e2ncias, ao pranto intencional, n\u00e3o mais reflexo, mas como recurso para obter a alimenta\u00e7\u00e3o. Ultrapassada a fase de passividade, em vez de chorar, a crian\u00e7a procura o alimento. No est\u00e1gio adulto, n\u00e3o s\u00f3 o indiv\u00edduo procura o alimento, mas o prepara e o armazena, inclusive, utilizando no plano social, essa necessidade coletiva, como fonte de produ\u00e7\u00e3o industrial e de com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as escolas psicol\u00f3gicas reconheceram a necessidade de isolar esse setor da personalidade: apenas criaram um conceito, h\u00e1 muito j\u00e1 superado, mas ainda em voga, de voli\u00e7\u00e3o ou de atos volunt\u00e1rios, na acep\u00e7\u00e3o de atos conscientes. Bastam tr\u00eas exemplos, para demonstrar o qu\u00e3o ilus\u00f3ria \u00e9 essa concep\u00e7\u00e3o: (a) a maioria dos gestos que integram os atos conscientes, andar, pegar objetos, nadar, executar m\u00fasica ao piano ou em instrumentos de corda, faz-se sem que o indiv\u00edduo tenha consci\u00eancia dos movimentos; (b) na hipnose, a sugest\u00e3o de que o paciente deva executar uma a\u00e7\u00e3o quando j\u00e1 estiver desperto, dizer determinada palavra ou determinado som (sugest\u00e3o p\u00f3s-hipn\u00f3tica), n\u00e3o apenas a atividade se efetuar\u00e1, como ainda o sujeito dar\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, afirmando-a como ato volunt\u00e1rio; (c) a estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica durante uma interven\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro, de uma zona cortical motora correspondente \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do bra\u00e7o, em um paciente n\u00e3o anestesiado, provocou movimentos de espregui\u00e7ar. Perguntando-se ao paciente o que ocorria, este imediatamente explicou que se espregui\u00e7ara porque estava com o bra\u00e7o cansado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a orienta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria que adotamos, a atividade constitui setor intermedi\u00e1rio entre a afetividade, que motiva as a\u00e7\u00f5es e o trabalho intelectual e a intelig\u00eancia que as orienta. Sem a participa\u00e7\u00e3o dessa esfera da personalidade, a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o mental seria imposs\u00edvel, tanto quanto a a\u00e7\u00e3o. E assim, sofre a influ\u00eancia da estrutura afetiva, da singularidade afetiva de cada pessoa, isto \u00e9, das varia\u00e7\u00f5es individuais, dentro da organiza\u00e7\u00e3o geral pr\u00f3pria da esp\u00e9cie humana, da mesma forma como as fun\u00e7\u00f5es intelectuais se diferenciam em cada indiv\u00edduo ou em cada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessas duas influ\u00eancias extr\u00ednsecas \u00e0 atividade, o resultado do exerc\u00edcio desta, a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, varia em fun\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca desse setor. Na realidade essa n\u00e3o consiste numa fun\u00e7\u00e3o \u00fanica, mas em grupo tern\u00e1rio de fun\u00e7\u00f5es. H\u00e1 que se distinguir a\u00ed: (a) a firmeza, ou perseveran\u00e7a, que mant\u00e9m o ato, a disposi\u00e7\u00e3o para atuar ou o estado subjetivo; e a atividade propriamente, que oferece dois polos opostos: (b) a coragem, que estimula a a\u00e7\u00e3o, a atividade e o estado ps\u00edquico, e (c) a prud\u00eancia, que a modera, a refreia ou a inibe. Assim as varia\u00e7\u00f5es individuais no arranjo desse setor subjetivo, al\u00e9m da diversidade nas correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as afetivas, varia\u00e7\u00f5es extr\u00ednsecas \u00e0 atividade, v\u00e3o se refletir em conjunto na resultante exteriorizada como comportamento do indiv\u00edduo. Este traduz desse modo, o car\u00e1ter de cada um. E como \u00e9 a atividade o setor que confere ao indiv\u00edduo essa caracter\u00edstica pessoal, chamou Comte, igualmente, de car\u00e1ter a essa esfera ps\u00edquica.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os v\u00e1rios autores contempor\u00e2neos da psicologia, apenas McDougall acentua a distin\u00e7\u00e3o entre essa esfera e os atos por um lado e os sentimentos de outro. Para caracterizar essa esfera subjetiva criou o termo cona\u00e7\u00e3o, do latim conatus, conseguido, efetuado. No livro \u201cFor\u00e7as Construtivas da Personalidade\u201d (Aufbau Krafter Seele), 1937, o exprime claramente: \u201cA cadeia de atividades que em sua totalidade volta a um fim chamaremos cona\u00e7\u00e3o. Podemos dizer que qualquer de nossas for\u00e7as impulsoras, uma vez despertada, determina um fechamento, uma iniciativa, uma tend\u00eancia cuja atua\u00e7\u00e3o sentimos. A distin\u00e7\u00e3o entre for\u00e7a impulsora, por um lado, e uma tend\u00eancia atuante, a iniciativa e cona\u00e7\u00e3o, por outro, \u00e9 an\u00e1loga \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre energia potencial e energia livre, respectivamente, na qu\u00edmica e na f\u00edsica\u201d. Existe pois plena concord\u00e2ncia entre a concep\u00e7\u00e3o desse setor segundo Comte e a descri\u00e7\u00e3o feita por McDougall: por isso aqui utilizamos a denomina\u00e7\u00e3o cona\u00e7\u00e3o como variante da atividade na acep\u00e7\u00e3o de Comte. \u00c9 necess\u00e1rio ressaltar, por\u00e9m, que a de Comte \u00e9 mais precisa e muito mais estruturada: n\u00e3o s\u00f3 identifica as for\u00e7as ativas como grupo tr\u00edplice e perfeitamente delimitado, como estabelece as rela\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, em sistema, de cada fun\u00e7\u00e3o conativa com as diferentes for\u00e7as propulsoras e afetivas, como tem sido colocado em aulas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para que haja continuidade da a\u00e7\u00e3o e para que a atividade n\u00e3o se transforme em agita\u00e7\u00e3o incoerente, sem dire\u00e7\u00e3o definida, \u00e9 indispens\u00e1vel que as duas for\u00e7as, coragem e prud\u00eancia, estimulante e inibidora se desenvolvam sob o ascendente da perseveran\u00e7a, ou firmeza. Por sua vez, sem esse equil\u00edbrio conativo n\u00e3o ser\u00e1 vi\u00e1vel o contato com a realidade exterior (dinamismo da aten\u00e7\u00e3o), do qual deriva a percep\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem a percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o haver\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o e do pensamento e, portanto, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel estabelecer o \u201cju\u00edzo de realidade\u201d. A elabora\u00e7\u00e3o intelectual depende da coragem e da prud\u00eancia, para as fases dedutiva e indutiva respectivamente, do processo. Dessa maneira \u00e9 a atividade, ou cona\u00e7\u00e3o, o setor executivo da subordina\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo \u00e0 realidade ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As correla\u00e7\u00f5es agora mencionadas fazem ver que a media\u00e7\u00e3o da atividade no conjunto ps\u00edquico se exprime em tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es: (1) transforma\u00e7\u00e3o de impulsos afetivos em atos; (2) efetiva\u00e7\u00e3o do trabalho intelectual; (3) deriva\u00e7\u00e3o da atividade expl\u00edcita para o plano intelectual, seja em vig\u00edlia (fantasia, contempla\u00e7\u00e3o), seja durante o sono (sonho).<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica da atua\u00e7\u00e3o do setor da cona\u00e7\u00e3o se prende \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com a afetividade. Em primeiro lugar, essas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o se fazem de maneira indiscriminada, mas espec\u00edficas, embora todo o conjunto afetivo, especialmente sob o ascendente da sociabilidade, o altru\u00edsmo, estimule a atividade. Dessas correla\u00e7\u00f5es derivam a concep\u00e7\u00e3o de sistemas funcionais, cujo substrato s\u00e3o os sistemas neurofisiol\u00f3gicos cerebrais.&nbsp; A coragem est\u00e1 sob o ascendente mais direto do instinto nutritivo, da destrui\u00e7\u00e3o e do orgulho; a prud\u00eancia \u00e9 influenciada preferencialmente pela bondade (e atrav\u00e9s desta pelo instinto materno), pela venera\u00e7\u00e3o, pela constru\u00e7\u00e3o e atrav\u00e9s dela pelo instinto sexual); e finalmente, a perseveran\u00e7a, obedece principalmente \u00e0 venera\u00e7\u00e3o, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e ao apego (e atrav\u00e9s desses dois \u00faltimos, respectivamente, ao instinto materno e ao sexual). Em segundo lugar, as correla\u00e7\u00f5es entre afetividade e atividade, n\u00e3o se manifestam nos dois sentidos, como \u00e9 o caso dos outros setores o da intelig\u00eancia com refer\u00eancia \u00e0 atividade, isto \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o rec\u00edproca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda, a cona\u00e7\u00e3o ou atividade atua sobre a esfera afetiva de modo indireto, mediante a interfer\u00eancia da esfera intelectual. Vale dizer, que a atividade modifica as disposi\u00e7\u00f5es afetivas atrav\u00e9s do dinamismo emocional, pois a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 aqui definida como rea\u00e7\u00e3o afetiva ante a no\u00e7\u00e3o real ou idealizada de situa\u00e7\u00f5es objetivas. A timidez, a atitude de fuga, a agressividade, as paix\u00f5es modificam o estado afetivo no sentido da submiss\u00e3o, da defesa, da agress\u00e3o, da mesma forma que o estado de p\u00e2nico bloqueia a a\u00e7\u00e3o coordenada pela sidera\u00e7\u00e3o afetiva.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b9&nbsp;Aula de An\u00edbal Silveira sem refer\u00eancia a data, local da aula (provavelmente Campinas) e a quem a compilou. Revisto em 13\/04\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FUN\u00c7\u00d5ES DA CONA\u00c7\u00c3O&nbsp; Reg\u00eancia da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e rela\u00e7\u00f5es para com a afetividade e a intelig\u00eancia\u00b9 A atividade, na acep\u00e7\u00e3o de Comte, constitui o setor da personalidade que regula a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. \u00c9 fundamental ressaltar que essa reg\u00eancia n\u00e3o se refere aos atos do indiv\u00edduo adulto, como muitos autores ainda a entendem, por\u00e9m, a toda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-952","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=952"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2045,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/952\/revisions\/2045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}