{"id":960,"date":"2024-02-19T11:42:46","date_gmt":"2024-02-19T14:42:46","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=960"},"modified":"2024-04-28T17:30:18","modified_gmt":"2024-04-28T20:30:18","slug":"sistemas-cerebrais-e-sistemas-psiquicos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/sistemas-cerebrais-e-sistemas-psiquicos\/","title":{"rendered":"SISTEMAS CEREBRAIS E SISTEMAS PS\u00cdQUICOS"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>SISTEMAS CEREBRAIS E SISTEMAS PS\u00cdQUICOS<\/strong>\u00b9<\/h4>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o de sistemas ps\u00edquicos como correlatos de sistemas cerebrais foi desenvolvida por Audiffrent com base na teoria das fun\u00e7\u00f5es cerebrais de Comte. Nesta acha-se evidenciada a inter-rela\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es subjetivas, segundo princ\u00edpios bem definidos, estabelecidos pela hierarquia entre as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas de modo a caracterizar a din\u00e2mica do trabalho mental. Na esfera da Afetividade descreveu dez fun\u00e7\u00f5es, na esfera da Atividade, tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es e na esfera Intelectual estabeleceu cinco fun\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es afetivas s\u00e3o as mais b\u00e1sicas e as fun\u00e7\u00f5es intelectuais s\u00e3o as mais dependentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a formula\u00e7\u00e3o da Teoria da Personalidade, que veio \u00e0 luz em janeiro de 1850, Comte se orientou pelos princ\u00edpios da sociologia, ci\u00eancia por ele fundada, em seus elementos din\u00e2micos em 1822, ao postular a Lei dos tr\u00eas estados, sistematizando o modo de apreens\u00e3o do conhecimento humano. Este passaria por tr\u00eas est\u00e1gios evolutivos: o fetichista ou est\u00e1gio primitivo, o metaf\u00edsico ou intermedi\u00e1rio e, finalmente, o positivo ou cient\u00edfico. Assim, os fen\u00f4menos mais gerais alcan\u00e7ariam primeiramente o estado positivo e os fen\u00f4menos mais particularizados, por conseguinte, mais complexos, apenas ulteriormente atingiriam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro est\u00e1gio ou fase fetichista o Homem atribu\u00eda causas externas para a explica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos, inclusive aqueles relacionados com o ambiente f\u00edsico que o cercava. Os fen\u00f4menos mais particularizados, como aqueles relacionados \u00e0 sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, estariam tamb\u00e9m ligados a essas for\u00e7as externas. Isso caracterizava a participa\u00e7\u00e3o quase que passiva e totalmente subordinada a essas supostas for\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>O est\u00e1gio intermedi\u00e1rio ou metaf\u00edsico buscava a ess\u00eancia \u00edntima dos fen\u00f4menos de modo a encontrar uma causa explicativa. A ci\u00eancia dessa \u00e9poca caracterizava-se por um jogo de palavras que apenas se satisfazia como tal. Assim um ser vivo apresentava a \u201cess\u00eancia vital\u201d que o caracterizava: explica\u00e7\u00e3o essa que n\u00e3o possibilitava a compreens\u00e3o exata dos seres e dos fen\u00f4menos, mas apenas procurava estabelecer, arbitrariamente, suas origens e suas finalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>No est\u00e1gio positivo os fen\u00f4menos s\u00e3o compreendidos em suas interrela\u00e7\u00f5es formando sistemas e, apenas, nesse n\u00edvel \u00e9 que os conhecimentos humanos atuariam para apreender suas caracter\u00edsticas principais e para modific\u00e1-las a seu interesse. O conhecimento das primeiras causas e das \u00faltimas consequ\u00eancias, caracter\u00edsticos aos dois est\u00e1gios precedentes, n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de serem apreendidos pela metodologia positiva. O campo de atua\u00e7\u00e3o seria ent\u00e3o limitado \u00e0 inter-rela\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos. Esses poderiam ser examinados segundo os diferentes n\u00edveis de complexidade e, consequentemente, seu estudo deveria ser aplicado segundo metodologia tamb\u00e9m diversa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os fen\u00f4menos mais gerais, como a matem\u00e1tica, a f\u00edsica, a qu\u00edmica, passaram com relativa rapidez dos est\u00e1gios anteriores para o positivo; outras ci\u00eancias, relacionadas ao campo de fen\u00f4menos mais particularizados, no entanto, tiveram um curso lento de um est\u00e1gio a outro e algumas n\u00e3o haviam atingido nem sequer esbo\u00e7ado o atingimento do est\u00e1gio positivo. Assim a biologia e a sociologia, essa \u00faltima fundada por Comte, seriam as \u00faltimas ci\u00eancias a atingirem o est\u00e1gio positivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A correla\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas com a estrutura cerebral foi baseada por Comte nos estudos organol\u00f3gicos iniciados por Gall, criador da frenologia, que de certo modo corresponderam aos primeiros estudos no campo da psicofisiologia. Para esse autor o c\u00e9rebro n\u00e3o era a sede apenas das fun\u00e7\u00f5es intelectuais, mas tamb\u00e9m das fun\u00e7\u00f5es relacionadas com os pendores e com os afetos. Assim, reduziu as fun\u00e7\u00f5es da alma \u00e0 atividade de \u00f3rg\u00e3os cerebrais, o que se opunha aos postulados francamente impregnados pelos princ\u00edpios teol\u00f3gicos, de que a alma humana seria algo et\u00e9reo, e n\u00e3o apenas independente do organismo como mantenedora do sopro vital e, consequentemente, da pr\u00f3pria vida. Foi de certa forma uma heresia que se opunha frontalmente \u00e0s concep\u00e7\u00f5es de sua \u00e9poca e por isso mesmo torna-se compreens\u00edvel a campanha encetada contra o insigne autor. Assim o preconceito e a intoler\u00e2ncia cient\u00edfica fizeram com que suas concep\u00e7\u00f5es fossem proscritas e relegadas ao esquecimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra heresia, se podemos dizer assim, nos postulados de Gall, foi a de que a organologia cerebral humana representava, na realidade, o marco mais avan\u00e7ado da evolu\u00e7\u00e3o. Esse aspecto vinha desde os animais mais inferiores, mais precisamente, a partir daqueles que apresentavam um aparelho como sede de fun\u00e7\u00f5es. Estas determinavam, por um lado, a reg\u00eancia do metabolismo e, por outro, a vida de rela\u00e7\u00e3o, quer ao n\u00edvel de apreens\u00e3o dos est\u00edmulos exteriores, quer ao n\u00edvel de atua\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da motilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Postulou e aplicou como m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o o estudo da anatomia e da embriologia comparadas, mas faltou a ele e aos seus seguidores um melhor dom\u00ednio das fun\u00e7\u00f5es humanas mais diferenciadas, ligadas \u00e0 vida social que s\u00f3 viria a ser compreendida ap\u00f3s a formula\u00e7\u00e3o comtiana da sociologia como ci\u00eancia do Homem.<\/p>\n\n\n\n<p>O desconhecimento da sociologia determinou, nos estudos efetuados por Gall, uma s\u00e9rie de erros acrescidos pelo fato de n\u00e3o haver dominado completamente os conhecimentos de embriologia de sua \u00e9poca, conforme as cr\u00edticas exaradas por Comte. Esses aspectos n\u00e3o deveriam minimizar a import\u00e2ncia dos estudos de Gall, pois com ele se esbo\u00e7aram os princ\u00edpios da psicofisiologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gall se aprofundou em demasia na an\u00e1lise das fun\u00e7\u00f5es, arrolando num mesmo plano, aspectos complexos do psiquismo humano. Isso determinou a sistematiza\u00e7\u00e3o de um n\u00famero relativamente amplo de fun\u00e7\u00f5es simples, quando na realidade, muitas delas correspondem ao concurso de diferentes fun\u00e7\u00f5es e, por isso, imposs\u00edveis de permitir a localiza\u00e7\u00e3o de seus respectivos \u00f3rg\u00e3os no manto cortical, como foi concebido por Gall.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo da conforma\u00e7\u00e3o craniana foi, na realidade, outro elemento na concep\u00e7\u00e3o de Gall pass\u00edvel de cr\u00edtica, dada a superficialidade empreendida por ele no estudo dos casos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depurados os exageros e as imprecis\u00f5es desses estudos, tornou-se poss\u00edvel o estabelecimento das bases biol\u00f3gicas, embora ainda rudimentares, para o desenvolvimento da teoria da personalidade humana sistematizada por Comte em 1850, como um conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas que definem o homem em fun\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa vis\u00e3o social do Homem, portanto, considerado em abstrato, independente das caracter\u00edsticas individuais, como tamb\u00e9m das caracter\u00edsticas pr\u00f3prias a uma determinada \u00e9poca e a um determinado ambiente, \u00e9 que possibilitou a formula\u00e7\u00e3o de uma teoria da personalidade mais precisa. Comte considera ilus\u00f3ria a tentativa de definir a esp\u00e9cie humana a partir da an\u00e1lise do homem isolado, especialmente, porque nesse caso seriam utilizados m\u00e9todos totalmente inadequados \u00e0 complexidade dos fen\u00f4menos examinados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Comte sistematiza assim, em conjunto com Audiffrent, uma base epistemol\u00f3gica capaz de permitir o desenvolvimento da psicologia e da psiquiatria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O conjunto das dezoito fun\u00e7\u00f5es subjetivas foi agrupado em tr\u00eas esferas da personalidade, intimamente relacionadas entre si. As fun\u00e7\u00f5es da afetividade constituem as mais b\u00e1sicas e as mais fundamentais, n\u00e3o apenas para que o trabalho mental se processe, mas tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da esp\u00e9cie. Essa atividade mais b\u00e1sica, que promove a preserva\u00e7\u00e3o individual e da esp\u00e9cie, exige o concurso de tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es da individualidade: o instinto nutritivo, o sexual e o materno ou de posse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses instintos j\u00e1 haviam sido descritos por Gall. Entretanto, al\u00e9m de dar maior precis\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o dessas fun\u00e7\u00f5es, Comte formula hip\u00f3teses sobre as suas respectivas localiza\u00e7\u00f5es: a sede do instinto nutritivo estaria no vermis cerebelar, estrutura filogeneticamente mais primitiva, enquanto o instinto sexual teria como sede os hemisf\u00e9rios cerebelares, estrutura mais recente na escala animal. Gall havia localizado, indistintamente, em todo o cerebelo a fun\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o verificando que, na realidade, o cerebelo apresenta duas estruturas filogeneticamente distintas: o vermis cerebelar ou paleocerebelo e os hemisf\u00e9rios cerebelares ou neocerebelo. Os estudos da filog\u00eanese demonstraram que o aparecimento do vermis cerebelar antecede \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos hemisf\u00e9rios cerebelares.<\/p>\n\n\n\n<p>A fun\u00e7\u00e3o do instinto nutritivo preside a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, atuando ao n\u00edvel b\u00e1sico da fase de forma\u00e7\u00e3o do \u00f3vulo e do espermatozoide, interferindo na fus\u00e3o dos gametas e, posteriormente, na forma\u00e7\u00e3o e na evolu\u00e7\u00e3o do ovo at\u00e9 a fase embrion\u00e1ria, quando se verifica a forma\u00e7\u00e3o do feto. Uma vez formado o sistema nervoso, a fun\u00e7\u00e3o do instinto nutritivo passa a ser controlado e regido pelo vermis cerebelar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/binYJW5z5ukPFA93xkDuhhcybXIIwAZWSIHczEUHZNgXiCPFnV-x8NtIebomqiRsOhCtlPu5bgx4ybw9FIksqp2dFWAyhVd2W5lVkPcBpX7zSBWzUiDIWHyw41qdAhEcsQOxPWSjVahQ0A8g6npVrw\" alt=\"TabelaDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas teriam, como correlato, as estruturas cerebrais j\u00e1 definidas como \u00f3rg\u00e3os nos seres vivos mais primitivos da escala animal. J\u00e1 nos animais vertebrados podemos verificar uma estrutura central vinculada ao instinto nutritivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, se observa a estrutura cerebral vinculada ao instinto sexual nos animais em que o sexo j\u00e1 se acha diferenciado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente, a estrutura\u00e7\u00e3o do instinto materno, ocorre a partir de esp\u00e9cies mais diferenciadas, nas quais se exige o cuidado da prole como meio de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, que vai se traduzir tamb\u00e9m nas diferentes fases de evolu\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, atrav\u00e9s de express\u00f5es mais diferenciadas de posse.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas fun\u00e7\u00f5es acham-se restritas \u00e0 pr\u00f3pria individualidade no trabalho mais b\u00e1sico de conserva\u00e7\u00e3o individual e da esp\u00e9cie. J\u00e1 em n\u00edvel mais diferenciado, distinguem-se as fun\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o, relacionadas ao aperfei\u00e7oamento do indiv\u00edduo. O termo instinto \u00e9 utilizado apenas em rela\u00e7\u00e3o a essas cincos fun\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas e que se traduzem na individualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no \u00e2mbito da individualidade, Comte denomina ambi\u00e7\u00e3o ao concurso de duas fun\u00e7\u00f5es: o orgulho ou necessidade de dom\u00ednio e a vaidade ou necessidade de aprova\u00e7\u00e3o. Essas duas fun\u00e7\u00f5es j\u00e1 exigem a participa\u00e7\u00e3o do meio exterior e do conv\u00edvio interpessoal: constituem fun\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias entre os instintos e a sociabilidade mais diferenciada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse conjunto compreende sete fun\u00e7\u00f5es da individualidade reservando para as mais b\u00e1sicas a terminologia instinto. Elas n\u00e3o possuem uma delimita\u00e7\u00e3o quanto ao \u00f3rg\u00e3o cerebral correspondente. Segundo Comte, seriam, pelas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas, fun\u00e7\u00f5es mais en\u00e9rgicas e como tal subentenderiam \u00e1reas cerebrais mais extensas e menos espec\u00edficas. Localizou na parte posterior cerebral, lobo occipital e parieto-occipital, respectivamente, o instinto materno, o de destrui\u00e7\u00e3o e o de constru\u00e7\u00e3o, o orgulho e a vaidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sociabilidade, na acep\u00e7\u00e3o de Comte, compreende tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es, que correspondem a n\u00edveis cada vez mais complexos e mais dependentes, no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es interpessoais: o apego, a venera\u00e7\u00e3o e a bondade, sendo que esta \u00faltima expressa uma aquisi\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica \u00e0 esp\u00e9cie humana, al\u00e9m daquela correspondente \u00e0 linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a bondade, necessariamente, ocuparia um \u00f3rg\u00e3o localizado no c\u00f3rtex cerebral mais recente na escala animal, mais precisamente na parte alta frontal, na proximidade e assistindo aos \u00f3rg\u00e3os da elabora\u00e7\u00e3o. As outras duas fun\u00e7\u00f5es da sociabilidade estariam localizadas na parte posterior do c\u00f3rtex cerebral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Notamos assim a ocorr\u00eancia de uma hierarquia entre as fun\u00e7\u00f5es dentro de uma mesma esfera e que se estabelece segundo o grau de especificidade crescente e de import\u00e2ncia decrescente. Assim, na esfera da afetividade as fun\u00e7\u00f5es da individualidade s\u00e3o b\u00e1sicas para preserva\u00e7\u00e3o individual e da esp\u00e9cie, b\u00e1sicas para o trabalho de destrui\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o, quer ao n\u00edvel do metabolismo vegetativo quer ao n\u00edvel de atua\u00e7\u00e3o no plano exterior. Al\u00e9m disso, as fun\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades individuais no relacionamento interpessoal e definidas como orgulho e vaidade promovem o processo de socializa\u00e7\u00e3o individual. J\u00e1 mencionamos, anteriormente, a concep\u00e7\u00e3o de Comte referente ao relacionamento hier\u00e1rquico entre as esferas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade corresponde ao conjunto de tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es subjetivas: a firmeza que mant\u00e9m a a\u00e7\u00e3o e o ato mental, a coragem respons\u00e1vel pelo desencadeamento do est\u00edmulo e a prud\u00eancia respons\u00e1vel pelo refreamento ou inibi\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo. Essas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o dependentes do est\u00edmulo direto, que parte atrav\u00e9s das fun\u00e7\u00f5es afetivas, caracterizadas pelo interesse ou pelo m\u00f3vel afetivo, e que Comte resume na m\u00e1xima: agir por afei\u00e7\u00e3o, deixando expl\u00edcito que na realidade, sem o concurso do interesse, n\u00e3o seria poss\u00edvel o desencadeamento da a\u00e7\u00e3o, nem a inibi\u00e7\u00e3o seletiva e nem a manuten\u00e7\u00e3o da atividade, quer no plano do comportamento expl\u00edcito, quer na express\u00e3o do trabalho intelectual. Essa dupla atua\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es da atividade \u00e9 outra particularidade que distingue esta teoria da personalidade das demais, mais precisamente da teoria de Freud e a de von Monakow.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo o trabalho mental acha-se na depend\u00eancia n\u00e3o apenas do interesse afetivo, mas das disposi\u00e7\u00f5es conativas que mant\u00e9m, estimulam ou inibem todo o processo de elabora\u00e7\u00e3o em seus diferentes n\u00edveis. A atividade expl\u00edcita, por sua vez, sofre o controle necess\u00e1rio da elabora\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da no\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia, definida por Comte na m\u00e1xima que caracteriza as a\u00e7\u00f5es no meio exterior: \u201cpensar para agir\u201d e que complementa aquela referida; \u201cagir por afei\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dupla participa\u00e7\u00e3o da atividade permite explicar uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es que repercutem no plano intelectual atrav\u00e9s de dinamismos anormais que tem origem nas fun\u00e7\u00f5es da atividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es da atividade estariam necessariamente localizadas em posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre as da afetividade e as da intelig\u00eancia correspondendo, por conseguinte, a estruturas cerebrais tamb\u00e9m intermedi\u00e1rias. Comte localiza assim, a atividade no lobo parietal e parieto-temporal.<\/p>\n\n\n\n<p>A intelig\u00eancia aparece na teoria de Comte como um conjunto de cinco fun\u00e7\u00f5es, necessariamente, dependentes da afetividade e da atividade, das quais recebe est\u00edmulo direto. Corresponde a dois grupos de fun\u00e7\u00f5es: para a concep\u00e7\u00e3o e para a express\u00e3o. Num plano ter\u00edamos a capta\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos do meio exterior atrav\u00e9s de dois \u00f3rg\u00e3os: a observa\u00e7\u00e3o concreta e a abstrata correspondendo, respectivamente, \u00e0 s\u00edntese e \u00e0 an\u00e1lise. J\u00e1 em n\u00edvel mais diferenciado, distingue-se o trabalho de elabora\u00e7\u00e3o propriamente dita, realizado atrav\u00e9s da indu\u00e7\u00e3o e da dedu\u00e7\u00e3o. Estas duas fun\u00e7\u00f5es da elabora\u00e7\u00e3o s\u00e3o, respectivamente, necess\u00e1rias \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 sistematiza\u00e7\u00e3o do trabalho mental baseado nos materiais captados pelos \u00f3rg\u00e3os da observa\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o corresponde ao sentido eferente da atua\u00e7\u00e3o intelectual no meio atrav\u00e9s da linguagem, em seus diferentes n\u00edveis: m\u00edmica, oral e gr\u00e1fica. A linguagem corresponderia ao n\u00edvel mais dependente do trabalho mental como um todo e aliado ao dinamismo da vontade, definindo as caracter\u00edsticas mais marcantes do ser humano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es intelectuais, pelas caracter\u00edsticas de depend\u00eancia e de especificidade maiores, teriam os \u00f3rg\u00e3os corticais correspondentes ao lobo frontal, na parte anterior do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as fun\u00e7\u00f5es da atividade tamb\u00e9m Comte estabelece uma hierarquia precisa no sentido de que a manuten\u00e7\u00e3o dos atos e do trabalho mental seria b\u00e1sica, enquanto que o est\u00edmulo, ou coragem e a inibi\u00e7\u00e3o ou prud\u00eancia se apresentariam como fun\u00e7\u00f5es dependentes. A mesma hierarquia tamb\u00e9m se observa para com as fun\u00e7\u00f5es intelectuais, dispostas em ordem crescente em especificidade e decrescente de import\u00e2ncia, a observa\u00e7\u00e3o concreta, a observa\u00e7\u00e3o abstrata, a medita\u00e7\u00e3o indutiva, a dedutiva e, por fim, a linguagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A rigor, apenas a atividade e a intelig\u00eancia estabelecem contato natural com o meio exterior, permanecendo a afetividade apenas ligada indiretamente ao meio exterior atrav\u00e9s daquelas fun\u00e7\u00f5es. A liga\u00e7\u00e3o direta da afetividade, no plano da individualidade, se processa atrav\u00e9s do instinto nutritivo com toda a rede visceral interna (meio interno objetivo).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto importante a analisar consiste no fato de que para estabelecer as liga\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias com o mundo exterior e com o mundo interno, Comte distingue outro grupo de fun\u00e7\u00f5es \u2013 as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o, que se relacionam diretamente com as fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas espec\u00edficas que presidem a liga\u00e7\u00e3o. A intelig\u00eancia, em sentido aferente, apreende os est\u00edmulos do meio exterior atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, dos nervos sensoriais e das estruturas subcorticais (n\u00facleos sensoriais).<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade atuaria em sentido eferente no mundo externo atrav\u00e9s dos n\u00facleos motores e dos nervos motores que regem a motilidade. As estruturas nervosas e os n\u00facleos subcorticais j\u00e1 haviam sido identificados, com exce\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos subcorticais e dos nervos denominados tr\u00f3ficos, atrav\u00e9s dos quais o instinto nutritivo estabeleceria a reg\u00eancia. Posteriormente foram evidenciados os sistemas simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico, com liga\u00e7\u00e3o direta com os n\u00facleos tal\u00e2micos e, atrav\u00e9s destes, com o vermis cerebelar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro apresenta-se assim como um conjunto de \u00f3rg\u00e3os cerebrais bem mais limitado do que havia descrito Gall, como o correlato de fun\u00e7\u00f5es simples. O que se localiza s\u00e3o sistemas complexos de inter-rela\u00e7\u00e3o entre eles como correlatos dos sistemas ps\u00edquicos. Isso \u00e9 a base da psicofisiologia e nela podemos considerar como um continuum que vai desde a rede visceral at\u00e9 as fun\u00e7\u00f5es mais diferenciadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 a base da interrela\u00e7\u00e3o somato-ps\u00edquica e psicossom\u00e1tica uma vez que essas diferentes estruturas se acham ligadas por interm\u00e9dio da rede nervosa, visceral, motora e sensorial. Tal aspecto explica, por exemplo, a repercuss\u00e3o que as emo\u00e7\u00f5es exercem no plano vegetativo e vice-versa; explica tamb\u00e9m no plano normal as condi\u00e7\u00f5es especiais que caracterizam a hipnose: a partir de uma ordem dada &#8211; que envolve, necessariamente, o plano subjetivo &#8211; ocorre uma repercuss\u00e3o no plano vegetativo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de sistemas ps\u00edquicos implica assim na evidencia\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es preferenciais entre as fun\u00e7\u00f5es, quer no plano normal quer no patol\u00f3gico. Implica tamb\u00e9m na intera\u00e7\u00e3o funcional que envolve estruturas diversas do manto cortical, sendo muitas delas distantes. Assim a integra\u00e7\u00e3o funcional deve prevalecer sobre a espacial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses conhecimentos foram sistematizados na Psicologia Fisiol\u00f3gica\u00b2:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>\u201cos dados mostram que o enc\u00e9falo n\u00e3o consiste na justaposi\u00e7\u00e3o de centros isolados, mas em verdadeiros sistemas de \u00f3rg\u00e3os. As analogias estruturais evidenciadas pela histologia fina documentam a realidade desses \u201csistemas celulares\u201d como postulava Audiffrent, desde 1869. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)&nbsp;<\/li><li>em rela\u00e7\u00e3o a qualquer sistema, e, portanto, a cada \u00f3rg\u00e3o componente, a atividade pode ser apreciada pelo aspecto vegetativo (anat\u00f4mico), din\u00e2mico (bioel\u00e9trico) ou funcional (neurol\u00f3gico e ps\u00edquico). (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Esses tr\u00eas n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o correspondem de certa forma ao princ\u00edpio da \u201ccorticaliza\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201ctelencefaliza\u00e7\u00e3o\u201d na anatomia comparada. Assim, quanto mais diferenciado o \u00f3rg\u00e3o em apre\u00e7o \u2013 ou o sistema \u2013 tanto mais acentuado o predom\u00ednio do n\u00edvel ps\u00edquico sobre os demais. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)<\/li><li>isso vale dizer que entre os diversos sistemas funcionais, e especialmente entre os \u00f3rg\u00e3os do mesmo sistema, a distribui\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es se processa harmonicamente e de modo espec\u00edfico. Da\u00ed o conceito de hierarquia funcional, da qual decorrem tanto a reg\u00eancia de umas \u00e1reas para com as outras do mesmo sistema, quando a difus\u00e3o orientada atrav\u00e9s do sistema. A sede dos \u00f3rg\u00e3os respectivos \u2013 determinada segundo crit\u00e9rio ontogen\u00e9tico \u2013 permite prever em cada sistema qual a \u00e1rea que rege e qual a subordinada. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)<\/li><li>ademais, em ambos os hemisf\u00e9rios cerebrais e cerebelares os \u00f3rg\u00e3os sim\u00e9tricos s\u00e3o estruturalmente hom\u00f3logos, o que denota que os referidos sistemas s\u00e3o duplos: entre eles n\u00e3o s\u00f3 h\u00e1 hierarquia- no sentido antes referido \u2013 como h\u00e1 ainda solidariedade funcional; esta explica a altern\u00e2ncia, no estado fisiol\u00f3gico e a possibilidade de supl\u00eancia, em caso de les\u00e3o. Como substrato para essas tr\u00eas modalidades de correla\u00e7\u00f5es temos, no primata, especialmente, as conex\u00f5es transpedunculares, as intra-hemisf\u00e9ricas e as transcalosas, respectivamente. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)&nbsp;<\/li><li>o crit\u00e9rio de integra\u00e7\u00e3o funcional prevalece sobre o espacial: assim \u00f3rg\u00e3os situados na mesma zona anat\u00f4mica &#8211; frontal, parietal, temporal, por exemplo, pode apresentar menos afinidade entre si do que para com as \u00e1reas distintas a cujo sistema pertencem. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d)<\/li><li>analogamente, o fator de sucess\u00e3o cronol\u00f3gica dos sintomas cl\u00ednicos e experimentais, mais vale que a sede da les\u00e3o, para esclarecer quais fen\u00f4menos prim\u00e1rios e quais os acess\u00f3rios.<\/li><li>finalmente, \u00e9 imprescind\u00edvel not\u00e1-lo, o que se localiza n\u00e3o \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, neurol\u00f3gica ou vegetativa, por\u00e9m sim o \u00f3rg\u00e3o que a desempenha. (\u201c- Psiquiatria Geral\u201d) Donde s\u00f3 ser poss\u00edvel identificar os \u00f3rg\u00e3os correspondentes \u00e0s fun\u00e7\u00f5es elementares, como j\u00e1 reconhecia Brodmann\u201d.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Os diferentes n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o cerebral, anat\u00f4mico, din\u00e2mico e funcional foram objetos de estudos por diferentes abordagens comprovando os estudos iniciais de Gall e de Comte.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano estrutural anat\u00f4mico esses estudos mostraram que o c\u00e9rebro se constitu\u00eda de \u00e1reas distintas quanto \u00e0 forma, e disposi\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas e das fibras nervosas. Isso permitiu a Brodmann a constru\u00e7\u00e3o da citoarquitetonia baseada na distribui\u00e7\u00e3o distinta das camadas celulares no manto cortical. Outros autores tamb\u00e9m constru\u00edram os mapas cerebrais pelo aspecto anat\u00f4mico, como Campbell, von Economo e Koskinas. Esses estudos mostraram dois aspectos importantes: 1.\u00b0 &#8211; que&nbsp; as presen\u00e7as de \u00e1reas corticais distintas no c\u00e9rebro fariam supor e corroboravam os estudos fisiol\u00f3gicos efetuados pela estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e pela abla\u00e7\u00e3o de \u00e1reas cerebrais e pelos achados an\u00e1tomo-cl\u00ednicos; 2.\u00b0 &#8211; a presen\u00e7a de \u00e1reas cerebrais id\u00eanticas quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o celular n\u00e3o cont\u00edguas indicavam a integra\u00e7\u00e3o das mesmas no plano funcional, dando a base anat\u00f4mica para as concep\u00e7\u00f5es de sistemas cerebrais no plano funcional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no plano estrutural, o estudo das fibras cerebrais tamb\u00e9m indicava a correla\u00e7\u00e3o dos sistemas cerebrais. Foram identificadas:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Os sistemas de proje\u00e7\u00e3o que em conjunto comporiam as fibras motoras que partiam do c\u00f3rtex cerebral para os n\u00facleos corticais e vice-versa; pelas fibras sensoriais e as vegetativas que ligam o c\u00f3rtex em duplo sentido, respectivamente, aos n\u00facleos sensoriais e aos n\u00facleos vegetativos do hipot\u00e1lamo.<\/li><li>Sistema de associa\u00e7\u00f5es, que compreendem dois tipos de fibras: as intra-hemisf\u00e9ricas que ligam o c\u00f3rtex anterior \u00e0s regi\u00f5es posteriores, as fibras de longo alcance, fibras inter-hemisf\u00e9ricas que perfazem a liga\u00e7\u00e3o entre um hemisf\u00e9rio e o outro atrav\u00e9s do corpo caloso.<\/li><li>Sistema trans-hemisf\u00e9rico que aparece em primatas e no homem interligando o cerebelo e o c\u00f3rtex cerebral passando pelas estruturas subcorticais motoras, sensoriais e vegetativas.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Ainda, o estudo das fibras cerebrais mostrou, atrav\u00e9s dos estudos citoarquitet\u00f4nicos de Flechsig, aspectos evolutivos na forma\u00e7\u00e3o das estruturas cerebrais possibilitando a correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas para com o plano funcional, mas principalmente para com o neurol\u00f3gico e ps\u00edquico. Flechsig constatou que o processo de mieliniza\u00e7\u00e3o das fibras ocorre em \u00e9pocas distintas, desde a fase intrauterina. Sistematizou assim tr\u00eas tipos de sistemas: o das fibras prematuras, j\u00e1 mielinizadas ao nascer; o das fibras intermedi\u00e1rias, mielinizadas na fase extrauterina a partir da sexta semana e o das fibras p\u00f3s-maturas, cuja mieliniza\u00e7\u00e3o inicia-se ap\u00f3s o segundo m\u00eas. Essas estruturas foram distribu\u00eddas em territ\u00f3rios mielogen\u00e9ticos construindo Flechsig o mapa mieloarquitet\u00f4nico que corresponde ao substrato no plano psicol\u00f3gico em seu aspecto evolutivo. Assim, os territ\u00f3rios mielog\u00eanicos prematuros correspondem aos campos sensoriais especializados, possibilitando \u00e0 crian\u00e7a ao nascer contacto com os est\u00edmulos do meio exterior b\u00e1sico para a amamenta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos sentidos do tacto, da gusta\u00e7\u00e3o e da olfa\u00e7\u00e3o, sentidos esses que prevalecem nos primeiros contatos com o meio exterior e que v\u00e3o definir a no\u00e7\u00e3o de realidade para a crian\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos fisiol\u00f3gicos foram iniciados atrav\u00e9s da estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e pela abla\u00e7\u00e3o de \u00e1reas cerebrais no plano experimental, resultando duas correntes: a dos centristas e a dos holistas. A primeira dividia o c\u00e9rebro em v\u00e1rios centros justapostos independentes. A segunda corrente, ao contr\u00e1rio, propagava a impossibilidade de dividir o c\u00e9rebro em \u00e1reas funcionais espec\u00edficas; qualquer ato ps\u00edquico mesmo os mais simples, exigiria, na realidade, o concurso de todo o c\u00e9rebro. Lashley, um dos iniciadores dessa corrente, postulava que as altera\u00e7\u00f5es funcionais estavam vinculadas \u00e0 quantidade de massa cerebral retirada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A constata\u00e7\u00e3o dos centros da vis\u00e3o, da audi\u00e7\u00e3o, da gusta\u00e7\u00e3o, e a disposi\u00e7\u00e3o no plano anat\u00f4mico das estruturas motoras em todo o c\u00f3rtex parietal, vieram aparentemente corroborar o estudo dos centristas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos posteriores efetuados por Ferrier, por H. Jackson, Bianchi e Wernicke vieram demonstrar a presen\u00e7a de sistemas cerebrais interligando estruturas distantes do manto cortical, permitindo o estabelecimento de uma concep\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida da interrela\u00e7\u00e3o ps\u00edquica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos de neuronografia estabelecidos mediante o est\u00edmulo bioel\u00e9trico pela escola de Dusser de Barenne demonstraram tamb\u00e9m a presen\u00e7a de sistemas cerebrais, inclusive a interrela\u00e7\u00e3o seletiva entre um hemisf\u00e9rio e o outro. Essas pesquisas foram efetuadas<strong>\u00b3<\/strong> em 1942, participando da constru\u00e7\u00e3o do mapa citoarquitet\u00f4nico do c\u00e9rebro de chipanz\u00e9, de macacos e de gatos, de modo semelhante \u00e0quele realizado por Brodmann relativamente ao c\u00e9rebro humano.<\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias com o est\u00edmulo qu\u00edmico e el\u00e9trico mostraram tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos cerebelares agindo ao n\u00edvel do c\u00f3rtex cerebral corroborando assim as concep\u00e7\u00f5es estabelecidas pela escola positivista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos de Kleist foram desenvolvidos sem o conhecimento da escola positivista, dando prosseguimento \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o de Wernicke cujo trabalho foi prematuramente interrompido. Estabeleceu a correla\u00e7\u00e3o cerebral e as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas com base tamb\u00e9m no conceito de sistemas cerebrais e ps\u00edquicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O aporte te\u00f3rico de Kleist decorre basicamente dos conceitos de Wernicke. Esse autor havia sistematizado o contacto com o meio exterior e com o pr\u00f3prio indiv\u00edduo, dividindo-os em duas esferas: a autopsique e a alopsique. Ele interpretava esse contato como de ordem puramente intelectual e que era pass\u00edvel de localiza\u00e7\u00e3o cerebral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist, reformulando e ampliando esses conceitos, postula que o contato com a realidade era basicamente afetivo e as esferas postas em jogo seriam mais complexas do que havia sido estabelecido por Wernicke e, consequentemente, imposs\u00edveis de serem limitadas a uma \u00e1rea cerebral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, Kleist desdobra a autopsique em esfera autops\u00edquica propriamente dita, esfera somatops\u00edquica e esfera timops\u00edquica, interessando, respectivamente, basicamente, a no\u00e7\u00e3o mais diferenciada no plano subjetivo, a no\u00e7\u00e3o no plano som\u00e1tico e a no\u00e7\u00e3o no plano vegetativo. A alopsique foi tamb\u00e9m desdobrada em alopsique propriamente dita, cenopsique e holopsique, ou seja, o contacto com o meio exterior atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, a inter-rela\u00e7\u00e3o mais diferenciada no plano social, e a mais diferenciada ainda, no plano religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Notem a semelhan\u00e7a para com os postulados de Comte, pela preval\u00eancia das fun\u00e7\u00f5es afetivas em diferentes n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o da personalidade humana, e pela correla\u00e7\u00e3o cerebral em n\u00edvel de sistemas cerebrais.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso voltaremos mais detalhadamente quando estudarmos, no \u00e2mbito da pr\u00e1tica psiqui\u00e1trica, as psicoses progressivas e as formas benignas, descritivamente semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b9&nbsp;Texto baseado em aula de An\u00edbal Silveira, utilizado pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed, em 1979. Revisto em 03\/05\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b2 Psicologia Fisiol\u00f3gica, Maternidade e Inf\u00e2ncia, 15 (1), 1966, pg.224<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b3&nbsp;Quanto \u00e0s pesquisas em fisiologia cerebral, MacCulloch se exprimiu de modo sumamente honroso a respeito do Autor, n\u00e3o somente em cartas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Paulo e \u00e0 do Hospital de Juqueri, mas tamb\u00e9m em cap\u00edtulo que redigiu para o livro de Bucy \u2013 The precentral motor c\u00f3rtex, 1943, 1949. Pesquisas sobre fisiologia do c\u00f3rtex cerebral, em gatos, macacos e chimpanz\u00e9s, realizadas no Illinois Neuropsychiatric Institute, isoladamente e em colabora\u00e7\u00e3o com os Profs. McCulloch (neurofisiologia), Bailey (neurocirurgia) e von Bonin (citoarquitetonia cerebral \u2013 Chicago, de 7-11-1941 a 24-12-1942.Functional organization of the cortex of primates \u2013 Journ. Neurophysiol. 7:51-56; 1944 (colab. Com P. Bailey, G. von Bonin, E. Davis, H. Garol, W. S. MacCouloch e. Roseman) (70)<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SISTEMAS CEREBRAIS E SISTEMAS PS\u00cdQUICOS\u00b9 A no\u00e7\u00e3o de sistemas ps\u00edquicos como correlatos de sistemas cerebrais foi desenvolvida por Audiffrent com base na teoria das fun\u00e7\u00f5es cerebrais de Comte. Nesta acha-se evidenciada a inter-rela\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es subjetivas, segundo princ\u00edpios bem definidos, estabelecidos pela hierarquia entre as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas de modo a caracterizar a din\u00e2mica do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-960","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=960"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2047,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/960\/revisions\/2047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}