{"id":976,"date":"2024-03-02T11:08:20","date_gmt":"2024-03-02T14:08:20","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=976"},"modified":"2024-04-28T17:31:28","modified_gmt":"2024-04-28T20:31:28","slug":"elaboracao-e-linguagem","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/elaboracao-e-linguagem\/","title":{"rendered":"ELABORA\u00c7\u00c3O E LINGUAGEM"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>ELABORA\u00c7\u00c3O E LINGUAGEM<\/strong>\u00b9<\/h5>\n\n\n\n<p>A <em>imagem sensorial <\/em>resulta da incid\u00eancia de v\u00e1rios est\u00edmulos sensoriais, produzidos simultaneamente pelo mesmo fen\u00f4meno ou pelo mesmo ser, por\u00e9m atrav\u00e9s de sentidos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A dissocia\u00e7\u00e3o subjetiva desses v\u00e1rios elementos \u2013 <em>abstra\u00e7\u00e3o ou observa\u00e7\u00e3o abstrata<\/em> \u2013 representa uma modalidade fundamental da elabora\u00e7\u00e3o intelectual; da\u00ed resulta uma <em>imagem prim\u00e1ria<\/em>, n\u00e3o elaborada. O reagrupamento ulterior dos diferentes fatores dissociados \u2013 do qual adv\u00e9m a reconstitui\u00e7\u00e3o subjetiva do exterior \u2013 constitui opera\u00e7\u00e3o intelectual mais complexa, a <em>observa\u00e7\u00e3o concreta<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, como o mostra Audiffrent (*P\u00e1gs. 580 e segs.), a imagem do mundo externo n\u00e3o resulta diretamente do est\u00edmulo sensorial. Trata-se, todavia, de imagem primariamente ligada ao exterior; tanto num caso como em outro ocorreu a <em>percep\u00e7\u00e3o<\/em>. O trabalho de elabora\u00e7\u00e3o ainda mais diferenciado \u2013 racioc\u00ednio <em>indutivo <\/em>e <em>dedutivo \u2013<\/em> levar\u00e1 essas no\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias a nova modalidade de imagem, constru\u00edda mediante os processos de assimila\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o: <em>imagem subjetiva<\/em> por experi\u00eancia. Essas diferentes fases de elabora\u00e7\u00e3o, de que resultam os v\u00e1rios tipos de imagem, dependem de \u00f3rg\u00e3os cerebrais distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o do pensamento, a seu turno, exige novo aperfei\u00e7oamento da imagem, resultante da <em>contra\u00e7\u00e3o<\/em> desta, sob o <em>est\u00edmulo afetivo<\/em>. A rela\u00e7\u00e3o constante entre a sensa\u00e7\u00e3o e contra\u00e7\u00e3o correspondente constitui o <em>sinal <\/em>na acep\u00e7\u00e3o de <em>Comte: um <\/em>aperfei\u00e7oamento l\u00f3gico ou simbolismo abstrato. Todavia, o sinal pode resultar tamb\u00e9m da imagem em fase ainda n\u00e3o destitu\u00edda de carga afetiva \u2013 a imagem prim\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre ainda lembrar que cada est\u00edmulo sensorial desencadeia uma s\u00e9rie de imagens prim\u00e1rias, uma central, que prevalece, e outras acess\u00f3rias, suscitadas pela resson\u00e2ncia afetiva. Essas \u00faltimas n\u00e3o chegam \u00e0 percep\u00e7\u00e3o normal, pois n\u00e3o se transmitem com a principal \u00e0 zona intelectual do c\u00f3rtex, mas se det\u00e9m na zona afetiva correspondente. Para n\u00e3o nos estendermos a respeito desses dinamismos intelectuais, procuramos reuni-los no Quadro I, que alteramos ligeiramente ap\u00f3s a 1.\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o ou linguagem constitui fun\u00e7\u00e3o intelectual espec\u00edfica e exige, pois, um \u00f3rg\u00e3o independente. N\u00e3o somente rege a exterioriza\u00e7\u00e3o do estado subjetivo, como assiste o trabalho intelectual de elabora\u00e7\u00e3o mediante a institui\u00e7\u00e3o dos sinais, como mencionado. \u00c9 isto que permite \u00e0 mente humana formular os pensamentos abstratos por excel\u00eancia e chegar \u00e0s mais arrojadas generaliza\u00e7\u00f5es, que culminam com a formula\u00e7\u00e3o das leis cient\u00edficas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mesma especificidade funcional da linguagem na constru\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica \u00e9 admitida recentemente por Hess, que de resto n\u00e3o conhece a doutrina de Comte: \u201cFinalmente, \u00e9 de import\u00e2ncia decisiva para o desenvolvimento de capacidades intelectuais o emprego de <em>s\u00edmbolos <\/em>para a objetiva\u00e7\u00e3o de determinado conte\u00fados de consci\u00eancia. A transi\u00e7\u00e3o que leva do \u00e1baco (Z\u00e4hlrahmen) para o c\u00e1lculo mental com n\u00fameros abstratos e ainda para o c\u00e1lculo escrito, demonstra a liga\u00e7\u00e3o entre trabalho mental e a manipula\u00e7\u00e3o, mediante representantes concretos. Ao mesmo tempo, faz-se conhecer como poss\u00edvel, pelo emprego de s\u00edmbolos, dominar rela\u00e7\u00f5es complexas e ampliar a fun\u00e7\u00e3o do intelecto at\u00e9 as regi\u00f5es que ultrapassam a limitada capacidade humana de representa\u00e7\u00e3o mental (Vorstellungsvermogen). Exemplos disto s\u00e3o o tratamento e a solu\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica de problemas da F\u00edsica, bem como o espantoso sucesso na objetiva\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de conte\u00fados da consci\u00eancia sob o aspecto de f\u00f3rmulas qu\u00edmicas (p\u00e1gs. 13-14. Grifo no original).&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/a_OTKZ9QFcFZV_AI3kVenRgJmi6MzwSHIycZSqdTTRheVV9sibbk8-D0fnZ8D2hqiOxVTP2qRjA0p3xzFW_6m8x88L7aj0_hCrW_rFmnNK4UpvtV6W18Nxhx4SnqGJt11-a8cvuR82jVEROMCXTpcw\" alt=\"Diagrama\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para o estabelecimento do trabalho intelectual a este n\u00edvel concorrem, portanto, como foi lembrado, todos os atributos subjetivos: desde os afetivos b\u00e1sicos \u2013 os da individualidade \u2013 at\u00e9 as fun\u00e7\u00f5es conativas e as mentais da elabora\u00e7\u00e3o. Entretanto &#8211; e justamente por isto &#8211; na express\u00e3o se refletem graus diversos de elabora\u00e7\u00e3o, decorrentes de v\u00e1rios dinamismos cerebrais. Da\u00ed a complexidade que caracteriza os dist\u00farbios da linguagem, que se traduz pelas numerosas classifica\u00e7\u00f5es das afasias e das apraxias, cuja revis\u00e3o ainda n\u00e3o chegou ao termo, bem como pela patologia da leitura, da escrita e do c\u00e1lculo. Na verdade, parece-nos que para todas essas ocorr\u00eancias cl\u00ednicas o que est\u00e1 em causa \u00e9 o pensamento abstrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, na pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica <em>linguagem<\/em> h\u00e1 que se distinguir tr\u00eas n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o. Basta recordar as correla\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas da ontog\u00eanese e da filog\u00eanese para verificar que a express\u00e3o m\u00edmica se prende a fatores t\u00e3o elementares que ela j\u00e1 se manifesta em rudimento nos insetos, aperfei\u00e7oando-se ao m\u00e1ximo nos primatas. A forma verbal depende da intera\u00e7\u00e3o humana, mas ocorre logo no in\u00edcio da vida extrauterina, ao passo que a forma gr\u00e1fica \u2013 por ser mais abstrata \u2013 requer a matura\u00e7\u00e3o de zonas mais diferenciadas da personalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim se compreende por que as altera\u00e7\u00f5es cerebrais org\u00e2nicas possam, com maior facilidade, acarretar afasias de compreens\u00e3o do tipo da que Wernicke isolou, que das do tipo motor, embora tal peculiaridade seja mascarada pelo d\u00e9ficit concomitante de outras fun\u00e7\u00f5es intelectuais. Para que a utiliza\u00e7\u00e3o da express\u00e3o m\u00edmica se impossibilite \u00e9 mister que as les\u00f5es se assestem em \u00e1reas ligadas ao dinamismo afetivo mais profundo. Essas distin\u00e7\u00f5es ressaltam, com maior nitidez, quando a pesquisa se estende a grande n\u00famero de pacientes, estudados sob crit\u00e9rio rigoroso, como o fez Weisenburg que organizou extensa lista, com a qual estudou 84 af\u00e1sicos: comparou-lhes o desempenho com a de 150 pacientes n\u00e3o af\u00e1sicos, por\u00e9m com les\u00f5es cerebrais e a de 85 adultos \u2013 provenientes de ambiente hospitalar compar\u00e1vel \u2013 indenes sob o aspecto neurops\u00edquico. E, para s\u00f3 nos referirmos ao t\u00f3pico em causa, tal investiga\u00e7\u00e3o revelou aquela propor\u00e7\u00e3o decrescente entre os dist\u00farbios da compreens\u00e3o e os da articula\u00e7\u00e3o, e ao mesmo tempo confirmou que as perturba\u00e7\u00f5es dos af\u00e1sicos excedem de muito \u00e0 simples defici\u00eancia de resposta verbal.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos assim que mesmo em refer\u00eancia \u00e0 linguagem, fun\u00e7\u00e3o intelectual \u00fanica, \u00e9 ilus\u00f3rio pretender \u201clocalizar\u201d o dist\u00farbio ps\u00edquico em um determinado foco de les\u00e3o cerebral. Muito menos admiss\u00edvel, \u00e0 luz da fisiologia cerebral, \u00e9 pesquisar tais \u201clocaliza\u00e7\u00f5es\u201d no \u00e2mbito de opera\u00e7\u00f5es mentais complexas como aquelas que assinalamos na coluna direita do Quadro I.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme procuramos resumir ali, <em>aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e consci\u00eancia<\/em> resultam do entrosamento, em diversos graus, de outros processos \u2013 n\u00e3o fun\u00e7\u00f5es simples \u2013 mentais, que registramos na 3.\u00aa coluna. Cada uma daquelas atividades complexas subentende, pois, a coopera\u00e7\u00e3o das tr\u00eas esferas da personalidade, como frisamos linhas atr\u00e1s. Al\u00e9m disso, correspondem n\u00e3o a dinamismos cerebrais independentes, mas, ao contr\u00e1rio, a processos intimamente entrela\u00e7ados. Da mesma forma que n\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia sem o complexo fen\u00f4meno da aten\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o ocorre este \u00faltimo sen\u00e3o na vig\u00eancia daquela.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa condi\u00e7\u00e3o de entrela\u00e7amento harm\u00f4nico de fun\u00e7\u00f5es para que se processe qualquer trabalho mental constitui o principal argumento da chamada psicologia hol\u00edstica (Ganzheitspsychologie). Estudando a participa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria na integra\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno percep\u00e7\u00e3o, diz Ehrenstein: \u201c&#8230;<em>embora possam ser muito diversos os graus de consci\u00eancia em que a experi\u00eancia pr\u00e9via incide sobre a experi\u00eancia atual, nunca est\u00e1 em causa a simples adi\u00e7\u00e3o de recorda\u00e7\u00f5es a uma percep\u00e7\u00e3o; muito mais que isso, ambas as partes se fundem completamente em uma qualidade complexa, \u00edntima e unit\u00e1ria, e na maioria das vezes n\u00e3o se pode separar do que deve ser atribu\u00eddo \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es perceptuais inatas aquilo que cabe \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o \u2013 e que frequentemente permanece inconsciente. A mem\u00f3ria participa de cada percep\u00e7\u00e3o, sem que se trate de recorda\u00e7\u00e3o consciente. A mem\u00f3ria consciente constitui apenas fra\u00e7\u00e3o do conjunto de fun\u00e7\u00f5es mn\u00eamicas (Ganzheitspsychologie).\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Semelhante distin\u00e7\u00e3o entre disposi\u00e7\u00f5es subjetivas inatas \u2013 isto \u00e9, inerentes \u00e0 estrutura subjetiva, dizemos n\u00f3s \u2013 e condi\u00e7\u00f5es resultantes do exerc\u00edcio delas, parece estar claramente definida nas concep\u00e7\u00f5es de <em>Hughlings-Jackson,<\/em> citadas por <em>Denis Wiliams. <\/em>Williams reporta a <em>Herbert Spencer<\/em> e, portanto, fazemos notar aqui, \u00e0 escola de <em>Comte<\/em>, as concep\u00e7\u00f5es jacksonianas que situam o homem em categoria peculiar. \u201c<em>Isto aparece claramente quando distingue consci\u00eancia subjetiva e consci\u00eancia objetiva. A primeira, no\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio no sentido mais amplo e mais elevado; a segunda, a do ambiente interpretada pelo pr\u00f3prio individuo\u201d <\/em>(p\u00e1g. 76. grifos no original).\u00b2&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualizando tal distin\u00e7\u00e3o e colocando-a em outras bases, Williams interpreta a consci\u00eancia como estado subjetivo e n\u00e3o como fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e a desdobra em dois componentes: capacidade de reconhecer (<em>awareness<\/em>) e capacidade de reagir (<em>reactivity<\/em>). Ademais, introduziu nesse conceito o aspecto din\u00e2mico e localizat\u00f3rio, principalmente, posto em evid\u00eancia pelas pesquisas de Magoun\u00b3. A primeira estaria ligada ao dinamismo cortical, esta outra ao tronco cerebral: \u201c<em>O paciente perdeu a capacidade de reagir (reactivity) a modifica\u00e7\u00f5es do ambiente, mas reagir\u00e1 parcialmente se a iniciativa for propiciada pelo comando, e mant\u00e9m o reconhecimento (awareness) e a atividade reflexa. Em termos deste artigo, o estado de consci\u00eancia do paciente \u00e9 perturbado pela redu\u00e7\u00e3o global da capacidade de reagir (reactivity) como conserva\u00e7\u00e3o da capacidade de reconhecer (awareness), o que sugere uma les\u00e3o limitada ao tegmento central do c\u00e9rebro m\u00e9dio\u201d. <\/em>(p\u00e1g. 81-82. par\u00eanteses dessa transcri\u00e7\u00e3o).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na nossa opini\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 adequado \u201clocalizar\u201d dinamismos assim vagos e gerais, um no tronco cerebral, outro em todo c\u00f3rtex e realmente nada tem isso a ver com a \u201clocaliza\u00e7\u00e3o\u201d da consci\u00eancia. Todavia, \u00e9 aceit\u00e1vel e real o aspecto din\u00e2mico, isto \u00e9, a verifica\u00e7\u00e3o de que estruturas diencef\u00e1licas transmitem o est\u00edmulo para toda a atividade cortical. Compreende-se isto, neurofisiol\u00f3gicamente, uma vez que tais estruturas subcorticais se integram no dinamismo geral de ativa\u00e7\u00e3o a um tempo metab\u00f3lica e ps\u00edquica.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos como duplamente falseada \u2013 pelo conceito vago e pela interpreta\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de fatos an\u00e1tomo-cl\u00ednicos \u2013 a conclus\u00e3o de <em>Alford: \u201cSumariando, pois o que foi evidenciado neste cap\u00edtulo, aparece que o toldamento de consci\u00eancia ou a dem\u00eancia, ou ambas, s\u00f3 s\u00e3o deduzidas por les\u00f5es prevalentemente destrutivas quando estas se localizam na regi\u00e3o do t\u00e1lamo esquerdo. E considerando toda a evid\u00eancia sobre a localiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es mentais, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que todas elas ou quase todas, a\u00ed est\u00e3o da mesma forma reunidas e localizadas.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tal maneira de localizar fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas \u2013 mesmo que estas se considerassem em sentido estrito \u2013 fora do c\u00f3rtex encef\u00e1lico representa grave desvio \u00e0 luz da neurofisiologia, pois j\u00e1 se tornou anacr\u00f4nica desde o s\u00e9culo XIX, ao surgir a doutrina de Gall. Tal doutrina atribu\u00eda as fun\u00e7\u00f5es mentais ao manto cortical, conforme acentua judiciosamente Berger<em>: \u201cFranz Joseph Gall, o fundador da Frenologia, tantas vezes injuriado, era excelente anatomista do c\u00e9rebro e instituiu conhecimentos precisos em fisiologia e tamb\u00e9m na cl\u00ednica das doen\u00e7as cerebrais. Demonstrou ele, baseado nos fatos cl\u00ednicos, que n\u00e3o \u00e9 simplesmente o c\u00e9rebro todo, por\u00e9m predominantemente a crosta cinzenta do c\u00e9rebro denominada c\u00f3rtex cerebral, o que constitui o local que se relaciona com os processos mentais. J\u00e1 com essa verifica\u00e7\u00e3o, que todas as pesquisas ulteriores t\u00eam unanimemente confirmado, prestou imorredouro servi\u00e7o para nossa ci\u00eancia\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Retomando o tema das correla\u00e7\u00f5es funcionais apresentadas no Quadro I, \u00e9 preciso notar que a percep\u00e7\u00e3o s\u00f3 desperta interesse do indiv\u00edduo \u2013 e, portanto, s\u00f3 determina a Aten\u00e7\u00e3o quando associada ao processo de simboliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muito expressivas a esse respeito duas experi\u00eancias citadas por Frances:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Riesen criou dois chimpanz\u00e9s at\u00e9 a idade de dezesseis meses em completa escurid\u00e3o, e os mergulhou de repente em ambiente luminoso. Pode anotar neles a aus\u00eancia de sinais de atividade visual, exceto o reflexo pupilar e o nistagmo. Todos os componentes ligados \u00e0 percep\u00e7\u00e3o visual \u2013 reconhecimento de objetos, da alimenta\u00e7\u00e3o, piscamento desencadeado pelo deslocamento de objetos diante dos olhos \u2013 estavam ausentes. Hayes realizou a contraprova dessas observa\u00e7\u00f5es, com um chimpanz\u00e9 que educou no pr\u00f3prio lar. N\u00e3o s\u00f3 o jovem animal se orientava quanto aos objetos e a lugares, mas se mostrava capaz, aos tr\u00eas anos de idade, de reconhecer a significa\u00e7\u00e3o de imagens: vendo numa revista a figura de um rel\u00f3gio, aplicou a\u00ed o ouvido; no caso de um frasco de bebida levou o dono \u00e0 cozinha e designou o m\u00f3vel em que se encontravam os vinhos\u201d.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b9Texto baseado em aula sem refer\u00eancia de data ou de local. Deve compor um conjunto com a aula Sensa\u00e7\u00e3o e Percep\u00e7\u00e3o. Revista em 09\/05\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b2John Hughlings Jackson, (4 de abril de 1835 &#8211; 7 de outubro de 1911) foi um neurologista ingl\u00eas. Ele \u00e9 mais conhecido por suas pesquisas sobre epilepsia. Uma parte importante do seu trabalho dizia respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o evolutiva do sistema nervoso, para a qual prop\u00f4s tr\u00eas n\u00edveis: um inferior, um m\u00e9dio e um superior. No n\u00edvel mais baixo, os movimentos deveriam ser representados na sua forma menos complexa; esses centros ficam na medula e na medula espinhal. O n\u00edvel m\u00e9dio consiste na chamada \u00e1rea motora do c\u00f3rtex, e os n\u00edveis motores mais elevados s\u00e3o encontrados na \u00e1rea pr\u00e9-frontal. Ele influenciou mais os pesquisadores continentais do que os seus conterr\u00e2neos.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b3Horace Winchell Magoun (23 de junho de 1907 &#8211; 6 de mar\u00e7o de 1991) foi um pesquisador m\u00e9dico. Graduou-se em Medicina em 1931. Em 1948, em colabora\u00e7\u00e3o com o neurofisiologista italiano Giuseppe Moruzzi, Magoun identificou o centro cerebral respons\u00e1vel pelo estado de sono: a estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica do tronco cerebral, por Moruzzi e Magoun encontrou uma liga\u00e7\u00e3o entre a esta\u00e7\u00e3o cerebelo e o c\u00f3rtex motor, produzindo ondas EEG t\u00edpicas de um estado de intensa supervis\u00e3o. Com investiga\u00e7\u00f5es mais aprofundadas mostraram que tanto a estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda desta estrutura, que chamaram de &#8220;forma\u00e7\u00e3o reticular&#8221;, causou o despertar do animal, enquanto sua destrui\u00e7\u00e3o o fez cair em coma permanente.[1] Com este guia &#8220;cl\u00e1ssico&#8221;. S\u00e3o considerados \u201ccl\u00e1ssicos\u201d aqueles trabalhos que foram citados em mais de 400 artigos cient\u00edficos e Moruzzi Magoun lan\u00e7ou as bases para o estudo da fisiologia do sono. Magoun se interessou pela neuroendocrinologia, mostrando, entre outras coisas, o importante papel do &#8216;hipot\u00e1lamo&#8217;. Em 1963 publicou um ensaio (O c\u00e9rebro desperto) que resumia seu trabalho sobre a neuroendocrinologia. (<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Horace_Winchell_Magoun\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Horace_Winchell_Magoun<\/a>).<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELABORA\u00c7\u00c3O E LINGUAGEM\u00b9 A imagem sensorial resulta da incid\u00eancia de v\u00e1rios est\u00edmulos sensoriais, produzidos simultaneamente pelo mesmo fen\u00f4meno ou pelo mesmo ser, por\u00e9m atrav\u00e9s de sentidos diferentes. A dissocia\u00e7\u00e3o subjetiva desses v\u00e1rios elementos \u2013 abstra\u00e7\u00e3o ou observa\u00e7\u00e3o abstrata \u2013 representa uma modalidade fundamental da elabora\u00e7\u00e3o intelectual; da\u00ed resulta uma imagem prim\u00e1ria, n\u00e3o elaborada. O reagrupamento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-976","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=976"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2050,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/976\/revisions\/2050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}