{"id":989,"date":"2024-03-02T11:28:20","date_gmt":"2024-03-02T14:28:20","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=989"},"modified":"2024-04-28T17:32:54","modified_gmt":"2024-04-28T20:32:54","slug":"psicologia-do-desenvolvimento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/psicologia-do-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO\u00a0<\/strong>\u00b9<\/h5>\n\n\n\n<p>Vimos que a caracter\u00edstica fundamental da matura\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica \u00e9 a subordina\u00e7\u00e3o dos instintos aos sentimentos, da individualidade \u00e0 sociabilidade. Da\u00ed decorrem as caracter\u00edsticas que encontramos em todos os graus de modifica\u00e7\u00f5es do comportamento chamados patol\u00f3gicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, vamos encontrar as neuroses, as rea\u00e7\u00f5es mais profundas que estas, as personalidades psicop\u00e1ticas ou mesmo altera\u00e7\u00f5es mais graves ainda, as psicoses, principalmente as psicoses afetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Podem ocorrer desvios devidos a encefalites. No caso das encefalites epid\u00eamicas, encontramos a perversidade p\u00f3s-encefal\u00edtica, quando esta ocorre na inf\u00e2ncia, antes da integra\u00e7\u00e3o afetivo-instintiva. Mas a perversidade tamb\u00e9m pode ser devida a um desvio estrutural da personalidade. O mecanismo patog\u00eanico \u00e9 o mesmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para tornar mais compreens\u00edvel o que estamos apresentando, devemos recordar um pouco mais, como se d\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o do instinto b\u00e1sico ou nutritivo, neste processo de matura\u00e7\u00e3o fundamental da personalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos, que o instinto mais perturbador\u00b2 \u2013 o sexual \u2013 b\u00e1sico fundamental do comportamento normal do indiv\u00edduo e o de nutri\u00e7\u00e3o participam desde o in\u00edcio da vida ps\u00edquica neste processo de adapta\u00e7\u00e3o, no est\u00edmulo do interesse e na capta\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos ambientais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O instinto nutritivo precede \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, o que parece um pouco estranho se quisermos dar sede a cada uma das fun\u00e7\u00f5es, como vemos aqui. Mas, \u00e9 quest\u00e3o apenas de compreendermos a acep\u00e7\u00e3o deste termo.&nbsp; Assim, por exemplo, von Monakow chamava a esta fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica de instinto formativo, o que corresponde, neste aspecto, ao instinto nutritivo de Comte. Baseando-se em aspectos anatomopatol\u00f3gicos e neurofisiol\u00f3gicos, von Monakow mostrou que este instinto de forma\u00e7\u00e3o precede \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio feto e embri\u00e3o. Experi\u00eancias mais recentes citadas por Sontag, com porcas prenhas e na fase embrion\u00e1ria s\u00e3o exemplos disto. Ele conseguiu decapitar o embri\u00e3o na sua fase inicial e os porquinhos nasceram todos a termo, ac\u00e9falos, de modo que, o fato de decapitar o embri\u00e3o, n\u00e3o impede a forma\u00e7\u00e3o do resto do corpo do indiv\u00edduo. Temos tamb\u00e9m fetos anenc\u00e9falos que tem uma estrutura muito rudimentar do S.N.C., incompletos e que chegam a fase de matura\u00e7\u00e3o fetal, isto em fun\u00e7\u00e3o daquela fase que precede \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um novo ser, j\u00e1 que o est\u00edmulo formativo se passa atrav\u00e9s do processo de matura\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Sabemos que o gameta amadurece por um processo de nutri\u00e7\u00e3o, afinal o amadurecimento do ovo, e, portanto, os cromossomos que constituem o genoma total, corresponde a um processo nutritivo. \u00c9 um processo que prepara o organismo que vai nascer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo A. Comte o est\u00edmulo sexual \u00e9 aquele que no homem, desde o in\u00edcio da vida, a partir de um \u00f3rg\u00e3o do S.N.C., prepara este processo de amadurecimento. Ent\u00e3o, esse amadurecimento vegetativo come\u00e7a com a forma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio gameta. Neste caso devemos compreender a grande extens\u00e3o do instinto nutritivo materno que em \u00faltima an\u00e1lise produz a matura\u00e7\u00e3o do gameta feminino que mais tarde vai formar o ovo, com o encontro com o gameta masculino e, depois, o embri\u00e3o. Logo, precede realmente a forma\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o j\u00e1 sob o est\u00edmulo do instinto. A seguir, j\u00e1 se torna independente do organismo, em que se manifestou este instinto, mas continua presidindo a manuten\u00e7\u00e3o da vida fetal, isto tamb\u00e9m j\u00e1 foi verificado experimentalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nauta, extirpou o n\u00facleo amigdaloide e com isto interrompia a prenhez dos animais de modo que estas rela\u00e7\u00f5es cerebelares-c\u00f3rtex-cerebral, o neo-cerebelo tem comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do est\u00edmulo que parte do c\u00f3rtex cerebelar ao feto propriamente relacionando-se com o amadurecimento sexual. N\u00e3o \u00e9 apenas a atividade sexual que caracteriza o instinto sexual, mas sim a prepara\u00e7\u00e3o para essa fase que precede em muito tempo a fase de reprodu\u00e7\u00e3o sexual, do comportamento sexual do indiv\u00edduo adulto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas correla\u00e7\u00f5es s\u00e3o claras, em face das experimenta\u00e7\u00f5es feitas. Quando o instinto de nutri\u00e7\u00e3o estabelece a reg\u00eancia visceral, isto ocorre j\u00e1 no indiv\u00edduo em fase de forma\u00e7\u00e3o. Quando o embri\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 formado, o instinto nutritivo toma sede no cerebelo, mas antes o instinto est\u00e1 atuando desde a fase de matura\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o. Como isso se processa, n\u00e3o sabemos, porque n\u00e3o compete \u00e0 ci\u00eancia verificar, mas procurar em que condi\u00e7\u00f5es se passam os fen\u00f4menos, para estud\u00e1-los e verificar, se for o caso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos assim que o instinto sexual e de nutri\u00e7\u00e3o est\u00e3o participando desde o in\u00edcio da vida fetal. O processo de amadurecimento, a defini\u00e7\u00e3o do sexo gen\u00e9tico e, mais tarde, o sexo real, morfol\u00f3gico, biol\u00f3gico, e depois, a morfologia do indiv\u00edduo que est\u00e1 se formando, \u00e9, portanto, uma decorr\u00eancia entre uma associa\u00e7\u00e3o do instinto nutritivo (coordenando o processo de nutri\u00e7\u00e3o) e do instinto sexual. Vemos que o amadurecimento \u00e9 um processo nutritivo e ao mesmo tempo define-se o aspecto sexual. Os dois processos est\u00e3o intimamente ligados no mesmo processo. Da\u00ed decorre que a manifesta\u00e7\u00e3o, t\u00edpica de cada esp\u00e9cie, tem uma \u00e9poca particular de aparecer como fen\u00f4menos, que s\u00e3o pr\u00f3prios dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o que caracteriza a esp\u00e9cie \u00e9 o aspecto gen\u00e9tico, o conjunto de genes ou genoma caracter\u00edstico de cada esp\u00e9cie. Em cada aspecto que tomamos do indiv\u00edduo para examinarmos, constatamos a participa\u00e7\u00e3o dos elementos da esp\u00e9cie e do indiv\u00edduo. Os primeiros s\u00e3o mais gerais, no segundo temos aspectos mais particulares que correspondem apenas ao indiv\u00edduo, que o caracteriza como distinto dos outros e ele o \u00e9, tanto mais acentuadamente quanto mais abstrato o tempo de compara\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos a parte morfol\u00f3gica, a estrutura do indiv\u00edduo \u00e9 a mesma praticamente em todos os seres da mesma esp\u00e9cie, mas quando passamos para a fun\u00e7\u00e3o das v\u00edsceras, o sistema nervoso visceral vegetativo, encontramos grandes diferen\u00e7as entre uns e outros, especialmente o temperamento toma parte nisso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos o comportamento psicol\u00f3gico temos uma varia\u00e7\u00e3o muito maior. Se tomarmos o comportamento objetivo, expl\u00edcito, esta varia\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo e de circunst\u00e2ncia a circunst\u00e2ncia. O que parece n\u00e3o ser compat\u00edvel com a ideia que a estrutura \u00e9 \u00fanica para todos os indiv\u00edduos da mesma esp\u00e9cie.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este aspecto visceral vai prevalecer por toda a vida depois de formado o embri\u00e3o ou ovo, temos j\u00e1 a localiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias v\u00edsceras, o procedimento deste processo nutritivo como base para todo o desenvolvimento do sistema nervoso e desde o ponto de vista funcional de todo o sistema ps\u00edquico correspondente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa manifesta\u00e7\u00e3o acontece e se manifesta desde a fase precoce de matura\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o e permanece pela vida toda do indiv\u00edduo. Mas em cada \u00e9poca toma um aspecto diferente, cada vez mais complexo conforme a \u00e9poca em que se manifesta. Assim, na fase inicial teremos o aspecto visceral, logo mais tarde teremos uma associa\u00e7\u00e3o do instinto nutritivo com o sexual, ou seja, em sentido de amadurecimento dos \u00f3rg\u00e3os sexuais, caracter\u00edsticas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias e ainda uma fun\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois deste amadurecimento do indiv\u00edduo, o aspecto nutritivo vai se tornar um aspecto fundamental para a assimila\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos do exterior. Este \u00e9 o sistema chamado de Reflexo condicionado: uma s\u00e9rie de reflexos que se manifestam atrav\u00e9s deste elemento nutritivo que se associa ao aspecto de recebimento de est\u00edmulos exteriores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o entre afetividade, globalmente falando, da cona\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia, nesse aspecto de est\u00edmulo, participa de modo diverso conforme a fase do desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A crian\u00e7a recebe alimenta\u00e7\u00e3o, leite, elimina as fezes etc. Tudo isto est\u00e1 ligado diretamente com o instinto nutritivo. Assim, ao mesmo tempo que a crian\u00e7a recebe os est\u00edmulos, os est\u00edmulos vegetativos viscerais de car\u00eancias alimentares que ela n\u00e3o pode definir e nunca se define; isto repercutir\u00e1 profundamente em toda a din\u00e2mica do indiv\u00edduo. Isto vai se associando com os est\u00edmulos intelectuais de recebimento de est\u00edmulos externos e esta rela\u00e7\u00e3o entre intelig\u00eancia e afetividade vai ter um papel fundamental na subordina\u00e7\u00e3o deste processo de atender os est\u00edmulos internos e aos est\u00edmulos externos mais diferenciados e \u00e0 pessoa que providencia essa aten\u00e7\u00e3o que d\u00e1 \u00e0 crian\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o emocional: a crian\u00e7a recebeu o est\u00edmulo para satisfazer-se, sentiu, portanto, uma excita\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo visceral e ao mesmo tempo vem a pessoa que est\u00e1 ao cuidado de sua nutri\u00e7\u00e3o e que a acaricia neste momento. Os dois aspectos est\u00e3o, por conseguinte ligados entre si atrav\u00e9s do nexo emocional, e mais tarde, vai se transparecer nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais do indiv\u00edduo. Assim, \u00e9 o provimento do mundo exterior, consciente, atual, desde crian\u00e7a at\u00e9 adulto, essas rela\u00e7\u00f5es entre a nutri\u00e7\u00e3o e o contato com o mundo exterior que levar\u00e1 gradualmente \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o ao mundo exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se alguma dificuldade interferir nessa \u00e9poca poderemos compreender que existam perturba\u00e7\u00f5es entre o relacionamento do indiv\u00edduo e superiores (os que o rodeiam e protegem). Esta dissocia\u00e7\u00e3o que se faz num n\u00edvel muito profundo da personalidade, \u00e9 que vai ser sempre projetada em suas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Se isto ocorrer, estes conflitos emocionais s\u00f3 deixar\u00e3o de ter este efeito, este aspecto de interesse patol\u00f3gico, quando o indiv\u00edduo refizer esta mesma situa\u00e7\u00e3o emocional atrav\u00e9s da verbaliza\u00e7\u00e3o na Psican\u00e1lise. Com isto, poder\u00e1 dissociar os dois aspectos e, s\u00f3 por via emocional, refazer o mesmo est\u00edmulo, reportando este est\u00edmulo atual ao in\u00edcio dos dist\u00farbios. Assim, poder\u00e1 se libertar desse processo como se ele fosse uma esp\u00e9cie de parasita, alterando esta rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o meio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Num momento posterior do desenvolvimento, teremos a crian\u00e7a quando come\u00e7a a desenvolver sua atividade, sentindo-se como aut\u00f4noma e, portanto, associando todos os est\u00edmulos viscerais com os que t\u00eam uma conota\u00e7\u00e3o afetiva importante, com os est\u00edmulos que procedem do mundo exterior. A integra\u00e7\u00e3o destes est\u00edmulos viscerais mais os provenientes da muscula\u00e7\u00e3o, forma o esquema de si mesmo. Neste caso, est\u00e1 englobando esse aspecto nutritivo aos outros aspectos que correspondem ao recebimento de est\u00edmulos, ao est\u00edmulo por via intelectual. Isto forma a no\u00e7\u00e3o de si mesmo, fun\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos viscerais que t\u00eam uma repercuss\u00e3o direta sobre o comportamento psicol\u00f3gico subjetivo e os est\u00edmulos senso-perceptivos que s\u00e3o os mais caracter\u00edsticos do indiv\u00edduo nessa fase inicial. Isso traz ao ser uma sensa\u00e7\u00e3o de autonomia porque at\u00e9 essa fase a crian\u00e7a sente-se como ligada a um adulto que a est\u00e1 dirigindo. Nesta fase, a crian\u00e7a toma as excretas como signo da pr\u00f3pria pessoa, como ligadas a ela diretamente, <em>afetivamente ligadas a ela<\/em>. Assim, os dois aspectos, libertar-se de uma situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e a forma\u00e7\u00e3o de autonomia desenvolver-se-\u00e3o nesta fase. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter autonomia, mas <em>ter no\u00e7\u00e3o dela<\/em> e, ao mesmo tempo, sentir que o que parte dela, n\u00e3o mais apenas o ejetado, <em>parte do pr\u00f3prio corpo<\/em>. Isso \u00e9 o desenvolvimento da autonomia da crian\u00e7a e sua liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior. Logo, nesse aspecto, o <em>instinto nutritivo<\/em> \u00e9 s\u00f3 fator b\u00e1sico, que se revela primeiro atrav\u00e9s da nutri\u00e7\u00e3o visceral, da alimenta\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida ampliando o fator conativo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa fase, quando a crian\u00e7a chora por sentir fome ou mal-estar, <em>o faz com inten\u00e7\u00e3o<\/em>, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um choro reflexo. Trata-se de chamar a aten\u00e7\u00e3o, de exprimir alguma coisa em plano muito b\u00e1sico da comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o intencional ainda, mas j\u00e1 <em>com participa\u00e7\u00e3o intelectual<\/em>. Consequentemente este choro est\u00e1 associado um aspecto de desconforto sobre outro aspecto interpessoal indireto. \u00c9 a mesma coisa quando chora para se alimentar, est\u00e1 com inten\u00e7\u00e3o, traduzindo uma necessidade visceral que n\u00e3o sabemos definir como a sente, mas reflete o reflexo de esgotamento visceral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde quando come\u00e7a a mastiga\u00e7\u00e3o, toma <em>a mucosa bucal como receptor dos est\u00edmulos exteriores<\/em>. Por\u00e9m, a parte conativa j\u00e1 est\u00e1 participando pois mastiga ativamente, sente a mastiga\u00e7\u00e3o, entrando o fator j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 nutritivo, mas o instinto de <strong>posse<\/strong>, o instinto <strong>materno<\/strong> principalmente, ela sente a necessidade de mastigar, de destruir e modificar ativamente a situa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, entra o fator de <strong>destrui\u00e7\u00e3o<\/strong> e de <strong>constru\u00e7\u00e3o<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a crian\u00e7a se encontra na fase em que se manifesta mais marcantemente o instinto de posse, ela se apega a brinquedos, jogos etc. ou adultos, que dela cuidam. Isto \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o do instinto de posse, vamos ter depois uma s\u00e9rie de conota\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas nesse sentido como colecionismo, fetichismo, e uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o mais complexas, porque s\u00e3o fatores patol\u00f3gicos que deformam o comportamento no adulto como se fosse uma rea\u00e7\u00e3o infantil, ent\u00e3o, desse aspecto destaca o comportamento do indiv\u00edduo ao grupo que pertence.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Destrui\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o<\/em> s\u00e3o aspectos ligados diretamente a esses problemas, mas tamb\u00e9m todo ato nutritivo se associa \u00e0 tend\u00eancia de destruir objetos, alimentos, mastigar, morder e sentir morder. Os analistas chamam de agress\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 agress\u00e3o, \u00e9 um elemento fisiol\u00f3gico, rea\u00e7\u00e3o normal que pode ser utilizada de v\u00e1rias maneiras (morder o seio da m\u00e3e ou a mamadeira) e produz uma rea\u00e7\u00e3o que se registra imediatamente no EEG.<\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o que isso representa para ela \u00e9 a que vai trazer uma conota\u00e7\u00e3o emocional. Ela sente imediatamente a repulsa dos adultos. Paralelamente, quando algum fator anormal interessa distorcendo essa rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o adulto e \u00e9 revivida na an\u00e1lise, mas passando pelo simbolismo emocional do adulto, na verdade, \u00e9 uma retrovers\u00e3o feita pelo adulto e n\u00e3o uma descri\u00e7\u00e3o direta dos fen\u00f4menos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a crian\u00e7a usa a destrui\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 numa fase em que est\u00e1 <em>modificando o mundo exterior<\/em>, tendo a participa\u00e7\u00e3o das <em>fun\u00e7\u00f5es conativas<\/em>, com a possibilidade de, ao receber o est\u00edmulo, traduzi-lo em comportamento. A destrui\u00e7\u00e3o tem n\u00e3o s\u00f3 conota\u00e7\u00e3o subjetiva, <em>mas tamb\u00e9m um aspecto de se voltar para o mundo exterior<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o do aparecimento das diversas fun\u00e7\u00f5es se passa de uma fase para outra, mas isto n\u00e3o quer dizer que a anterior seja inibida, pois v\u00e3o tomando novas formas e sendo incorporados aos outros comportamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da vida, a crian\u00e7a reage de modo muito instintivo, como se fosse um animal, sem nenhuma liga\u00e7\u00e3o conativa. <em>Quando entra em jogo os instintos de posse, de constru\u00e7\u00e3o e de destrui\u00e7\u00e3o<\/em>, ela j\u00e1 revela <em>alguma elabora\u00e7\u00e3o<\/em>, reagindo de acordo com os est\u00edmulos. Nessa fase, repreender a crian\u00e7a quando faz algo errado, j\u00e1 que ela tem alguma consci\u00eancia, atua como um meio corretivo, ao passo que faz\u00ea-lo mais tarde \u00e9 ineficaz, pois deixa de ter a indispens\u00e1vel liga\u00e7\u00e3o imediata entre o ato que que se reprova e o correspondente castigo (<em>inibi\u00e7\u00e3o reflexa<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas diferentes fases de desenvolvimento do indiv\u00edduo v\u00e3o tomando preponder\u00e2ncia os diferentes sistemas ps\u00edquicos com maior ou menor intensidade de um ou outro. N\u00e3o apenas os instintos se manifestam, mas tamb\u00e9m vai <em>tendo lugar a subordina\u00e7\u00e3o ao mundo exterior<\/em>. O adulto est\u00e1 ligado com essa integra\u00e7\u00e3o instintiva, entrando em jogo aqueles tr\u00eas sentimentos, <em>apego, venera\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>bondade<\/em>, os dois componentes da <em>ambi\u00e7\u00e3o<\/em>, necessidade de <em>dom\u00ednio<\/em> ou orgulho e necessidade de <em>aprova\u00e7\u00e3o<\/em> ou vaidade, que passam a influir no comportamento da crian\u00e7a. Isso exige j\u00e1 uma maior participa\u00e7\u00e3o dos sentimentos sociais que o dos ego\u00edsticos (instintos ego\u00edstas), porque se dirigem n\u00e3o para objetos inanimados, mas a pessoas com as quais est\u00e1 em contato, como manifesta\u00e7\u00e3o mais direta de rela\u00e7\u00f5es interpessoais, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se manifestar quando a crian\u00e7a tem <em>apego<\/em> aos demais.<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o desses instintos ou <em>fun\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias<\/em> entre a individualidade e a sociabilidade exige certo amadurecimento nas rela\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a com o mundo f\u00edsico e social. Na concep\u00e7\u00e3o de Freud, essas diferentes fases s\u00e3o caracterizadas por normas especiais, <em>proje\u00e7\u00e3o, introje\u00e7\u00e3o, narcisismo<\/em> e que caracterizam tamb\u00e9m certos dist\u00farbios do adulto.<\/p>\n\n\n\n<p>O apego, dirigindo-se ao mundo exterior, tem ainda muito de liga\u00e7\u00e3o com o ego\u00edsmo, antes a crian\u00e7a se apegava \u00e0s fezes, urina, depois se desliga disso e est\u00e1 em contato com aquilo que sente como emana\u00e7\u00e3o dela pr\u00f3pria, ent\u00e3o transfere este apego \u00e0s rela\u00e7\u00f5es interpessoais, liga esse apego \u00e0 posse. Com a teoria da matura\u00e7\u00e3o sexual, se define mais na crian\u00e7a levando ao chamado tipo psicossexual, se define j\u00e1 com o adulto correspondente essa matura\u00e7\u00e3o interpessoal psicossexual. Isto foi bem estudada por Meninger.<\/p>\n\n\n\n<p>A menina reage com rela\u00e7\u00e3o ao pai, o menino com a m\u00e3e, <em>porque recebe dela um tipo de carinho diferente do que lhe brinda o pai<\/em>. Ent\u00e3o o pai se liga mais \u00e0 filha mulher e ela reage mais diretamente ao pai e este \u00e0 filha mulher. O contr\u00e1rio acontece com o menino que se liga com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e. Logo <em>\u00e9 um reflexo do tipo de aten\u00e7\u00e3o, de afeto que recebe<\/em>. Foi Menninger<strong>4<\/strong> que estudou muito bem este aspecto, demonstrando que este fator da libido n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por possuir o sexo oposto. A crian\u00e7a reage a esse tipo de carinho espec\u00edfico do sexo oposto. <em>N\u00e3o \u00e9, pois, um interesse sexual<\/em>. Este aparece mais tarde na idade pr\u00e9-puberal de amadurecimento dos \u00f3rg\u00e3os sexuais e se restringe a certas partes do corpo, as zonas er\u00f3genas, que existem no indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta participa\u00e7\u00e3o, portanto, das fun\u00e7\u00f5es subjetivas, instintivas e ego\u00edsticas s\u00e3o subordinadas cada vez mais diretamente \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es altru\u00edsticas, liga\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o ao mundo interior. Isto se chama <strong><em>introje\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>, \u00e9 uma intercorr\u00eancia em fun\u00e7\u00e3o da <em>venera\u00e7\u00e3o<\/em>. Isto estimula a crian\u00e7a ao apego, depend\u00eancia e uma s\u00e9rie de fatores que a fazem <em>sentir-se protegida<\/em>. Isso leva a pessoa a assimilar j\u00e1 n\u00e3o mais a <em>figura de pessoa, mas ao modo de reagir \u00e0s normas de a\u00e7\u00e3o no mundo exterior.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em termos gerais, nessa fase do desenvolvimento da personalidade, j\u00e1 predominam o apego e a venera\u00e7\u00e3o, em seguida a bondade. Exemplo: quando a crian\u00e7a \u00e9 muito pequena, gosta de seus irm\u00e3ozinhos, mais tarde quando j\u00e1 tem essa no\u00e7\u00e3o de posse dos pais, destrui\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o est\u00e3o funcionando como elementos de liga\u00e7\u00e3o com a realidade exterior, j\u00e1 pode existir o problema dos ci\u00fames, que pode interferir com outros aspectos do comportamento da crian\u00e7a, podendo determinar tens\u00e3o. \u00c9 um fen\u00f4meno complexo, dif\u00edcil de definir <em>a priori<\/em>. Em todo caso, nessa fase da crian\u00e7a \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o do adulto, esse apego, a subordina\u00e7\u00e3o que se manifesta em plano consciente em sua atividade.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b9&nbsp;Aula proferida por An\u00edbal Silveira, em 20 de maio de 1969. N\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancia de local ou de quem compilou, sendo digitalizada por Roberto Fasano. Foi revisada pela Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto, em 10 de julho de 2023.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b2 Embora, como afirma o Prof. An\u00edbal Silveira, o instinto sexual seja b\u00e1sico fundamental do comportamento normal do indiv\u00edduo, o segundo em energia, ap\u00f3s o instinto nutritivo, possivelmente ele o considera \u201cperturbador\u201d, no mesmo sentido de Freud, que menciona o instinto sexual e o agressivo como os mais perturbadores pois s\u00e3o aqueles que mais limites e regras a Sociedade imp\u00f5e, sendo por isso aqueles que mais est\u00e3o ligados aos conflitos de ordem emocional (neur\u00f3tica).<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b3Walle Jetze Harinx Nauta (8 de junho de 1916 &#8211; 24 de mar\u00e7o de 1994) foi um importante neuroanatomista holand\u00eas-americano e um dos fundadores do campo da neuroci\u00eancia. Nauta \u00e9 mais conhecido por sua colora\u00e7\u00e3o com prata, que ajudou a revolucionar a neuroci\u00eancia. Ele foi professor do Instituto de neuroci\u00eancia no MIT e tamb\u00e9m trabalhou na Universidade de Utrecht, na Universidade de Zurique, no Walter Reed Army Institute of Research e na Universidade de Maryland. Al\u00e9m disso, ele foi fundador e presidente da Society for Neuroscience. Ele \u00e9 lembrado como um homem intolerante com os direitos pessoais dos outros e tendo uma forte paix\u00e3o por ajudar o pr\u00f3ximo. Walle Nauta iniciou sua carreira em pesquisa com sua tese de doutorado estudando os efeitos de les\u00f5es no hipot\u00e1lamo sobre o sono em ratos. Ele recebeu seu t\u00edtulo de PhD em 1945. Seu interesse nas conex\u00f5es neurais do hipot\u00e1lamo eventualmente o inspirou a criar e aperfei\u00e7oar a t\u00e9cnica de colora\u00e7\u00e3o de prata Nauta pela qual ele \u00e9 mais conhecido. Nos anos seguintes \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de colora\u00e7\u00e3o Nauta, a pesquisa de Walle Nauta concentrou-se no uso da colora\u00e7\u00e3o para explorar a conectividade neural em diferentes regi\u00f5es do c\u00e9rebro. Os artigos de sua autoria ou para os quais contribuiu inclu\u00edram trabalhos sobre a distribui\u00e7\u00e3o do f\u00f3rnix, a conectividade da am\u00edgdala e dos g\u00e2nglios da base e o trato espinotal\u00e2mico. (nota de Roberto Fasano, a partir do site: <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Walle_Nauta\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Walle_Nauta\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Walle_Nauta<\/a>).<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>4 Karl Augustus Menninger (22 de julho de 1893 &#8211; 18 de julho de 1990) foi um psiquiatra americano e membro da fam\u00edlia Menninger de psiquiatras que fundou a Menninger Foundation e a Menninger Clinic em Topeka, Kansas. Durante sua carreira, Menninger escreveu uma s\u00e9rie de livros influentes. Em seu primeiro livro, The Human Mind, Menninger argumentou que a psiquiatria era uma ci\u00eancia e que os doentes mentais eram apenas ligeiramente diferentes dos indiv\u00edduos saud\u00e1veis. Em The Crime of Punishment, Menninger argumentou que o crime era evit\u00e1vel por meio de tratamento psiqui\u00e1trico; a puni\u00e7\u00e3o era uma rel\u00edquia brutal e ineficiente do passado. Ele defendeu o tratamento de criminosos como doentes mentais. Nota acrescentada por Roberto Fasano a partir da p\u00e1gina da internet: <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Karl_Menninger\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Karl_Menninger<\/a>.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO\u00a0\u00b9 Vimos que a caracter\u00edstica fundamental da matura\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica \u00e9 a subordina\u00e7\u00e3o dos instintos aos sentimentos, da individualidade \u00e0 sociabilidade. Da\u00ed decorrem as caracter\u00edsticas que encontramos em todos os graus de modifica\u00e7\u00f5es do comportamento chamados patol\u00f3gicos.&nbsp; Por exemplo, vamos encontrar as neuroses, as rea\u00e7\u00f5es mais profundas que estas, as personalidades psicop\u00e1ticas ou mesmo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-989","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=989"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2053,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/989\/revisions\/2053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}