{"id":2425,"date":"2024-06-17T18:38:32","date_gmt":"2024-06-17T21:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2425"},"modified":"2024-06-17T18:38:32","modified_gmt":"2024-06-17T21:38:32","slug":"instinto-sexual","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/instinto-sexual\/","title":{"rendered":"Instinto sexual"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Instinto sexual<\/span><\/strong><sup data-fn=\"97bf9bee-8edc-45b3-b5fe-91a0e6da2408\" class=\"fn\"><a href=\"#97bf9bee-8edc-45b3-b5fe-91a0e6da2408\" id=\"97bf9bee-8edc-45b3-b5fe-91a0e6da2408-link\">1<\/a><\/sup><strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><br><\/span>(L\u00facia Maria Salvia Coelho)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O instinto nutritivo se passa ao n\u00edvel celular, mas o instinto sexual subentende a diferencia\u00e7\u00e3o dos sexos que permite a reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Nos vegetais j\u00e1 h\u00e1 uma divis\u00e3o de sexos, mas sem coordena\u00e7\u00e3o nervosa. Nas esp\u00e9cies inferiores esta diferencia\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 permanente, mas alternante. Nesse caso, a reprodu\u00e7\u00e3o se faz por cissiparidade, sem necessidade da centraliza\u00e7\u00e3o dessa atividade em um determinado \u00f3rg\u00e3o uma vez que este processo ocorre em todo protoplasma.<br>Portanto, o instinto sexual n\u00e3o \u00e9 peculiar a toda s\u00e9rie zool\u00f3gica, mas surge apenas a partir da divis\u00e3o dos sexos.<br>Todos os instintos s\u00e3o hierarquicamente dependentes do instinto nutritivo, sendo o instinto sexual o mais diretamente ligado a ele e \u00e9 o que apresenta uma express\u00e3o mais diretamente ligada ao fen\u00f4meno vegetativo, ainda que em n\u00edvel mais diferenciado.<br>O instinto sexual entra em a\u00e7\u00e3o antes do amadurecimento de sua fun\u00e7\u00e3o reprodutora. Nesta fase ele \u00e9 apenas respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o subjetiva de um processo nutritivo mais diferenciado que consiste na forma\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os genitais correspondentes e no desenvolvimento das caracter\u00edsticas sexuais secund\u00e1rias.<br>Uma vez amadurecido ele perfaz a sua fun\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia do ato sexual.<br>Na esp\u00e9cie humana a manifesta\u00e7\u00e3o subjetiva do processo sexual \u00e9 de natureza mais evidente, pois que j\u00e1 corresponde a um n\u00edvel mais diferenciado do instinto nutritivo. Assim a correla\u00e7\u00e3o que se estabelece entre uma necessidade sexual e os fatores ambientais \u00e9 o de ordem mais complexa. A influ\u00eancia social interfere na pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o subjetiva do impulso sexual. A express\u00e3o do instinto sexual depende basicamente do n\u00edvel de subordina\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es instintivas ligadas \u00e0 individualidade biol\u00f3gica \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da sociabilidade que sup\u00f5em o amadurecimento cerebral e da adapta\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica e flex\u00edvel do indiv\u00edduo ao ambiente.<br>Portanto, o nexo que se estabelece entre um impulso sexual e os fatores ambientais varia com o n\u00edvel de amadurecimento psicol\u00f3gico e cerebral do indiv\u00edduo e ao mesmo tempo dos padr\u00f5es culturais do ambiente. As perturba\u00e7\u00f5es do comportamento sexual tanto poder\u00e3o resultar de dist\u00farbios objetivos \u2013 altera\u00e7\u00f5es cerebrais, perturba\u00e7\u00f5es vegetativas ou hormonais \u2013 e de dist\u00farbios subjetivos resultantes das diferentes modalidades e graus de conflito no ajustamento indiv\u00edduo-ambiente.<br>Freud observou a evolu\u00e7\u00e3o do instinto sexual nas diferentes fases do desenvolvimento individual. Sua teoria \u00e9 importante para o estudo das rea\u00e7\u00f5es neur\u00f3ticas e sobretudo das neuroses, deve ser criticada sob dois pontos:<br>1.\u00ba &#8211; Ele deixa de considerar ou apenas atribui um papel secund\u00e1rio \u00e0 participa\u00e7\u00e3o das demais fun\u00e7\u00f5es afetivas e a das fun\u00e7\u00f5es intelectuais e conativas no processo de desenvolvimento individual. Assim, Freud atribui ao instinto sexual uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es que mais de ordem intelectual \u2013 como por exemplo a curiosidade infantil, ou ainda ele considera como sendo de natureza exclusivamente sexual alguns fen\u00f4menos que sup\u00f5em necessariamente a participa\u00e7\u00e3o de outras fun\u00e7\u00f5es afetivas mais diferenciadas tais como as do aperfei\u00e7oamento ou as da sociabilidade. Por exemplo: o desejo da crian\u00e7a ser amada ou de chamar a aten\u00e7\u00e3o, ou mesmo seu interesse pelas pr\u00f3prias fezes e suas rea\u00e7\u00f5es ao aprendizado do controle dos esf\u00edncteres.<br>2.\u00ba &#8211; Uma segunda restri\u00e7\u00e3o que podemos fazer \u00e0 teoria freudiana do comportamento sexual corresponde ao fato dele ter generalizado para indiv\u00edduos normais e para o comportamento universal da crian\u00e7a, rea\u00e7\u00f5es que ele observou em sua an\u00e1lise de fantasias de adultos neur\u00f3ticos. De fato, a t\u00e9cnica psicanal\u00edtica permite detectar o nexo irracional estabelecido pelo paciente entre as condi\u00e7\u00f5es ambientais e o seu impulso sexual.<br>A partir desse nexo desenvolvem-se fantasias que poder\u00e3o interferir no processo ulterior do ajustamento individual \u00e0 realidade. A partir de tal t\u00e9cnica pode-se conhecer o processo m\u00f3rbido ligado \u00e0 um conflito sexual, mas nada nos autoriza generalizar sobre um modelo universal de evolu\u00e7\u00e3o do comportamento sexual do ser humano. Vari\u00e1veis de diferentes ordens interferem neste dinamismo: por um lado as disposi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e por outro lado, a natureza das experi\u00eancias vividas, particularmente pelo examinando e, de modo mais amplo, as condi\u00e7\u00f5es sociais do ambiente onde ele vive.<br>Assim, os mecanismos de defesa, os diferentes tipos de pervers\u00e3o sexual, as formas de sublima\u00e7\u00e3o do instinto sexual, tal como foram observados por Freud em seus pacientes, correspondem a verifica\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas para os casos particulares por ele estudados e nas condi\u00e7\u00f5es sociais de sua \u00e9poca, mas n\u00e3o possibilitam a extrapola\u00e7\u00e3o para o comportamento da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00edvel cerebral do instinto sexual<\/p>\n\n\n\n<p>O instinto sexual e o nutritivo s\u00e3o instintos b\u00e1sicos e peculiares \u00e0s esp\u00e9cies vivas a partir da diferencia\u00e7\u00e3o dos sexos. A sede de ambos os instintos \u00e9 o cerebelo. Entretanto, duas zonas distintas do cerebelo efetuam estas fun\u00e7\u00f5es diversas: a de reger o metabolismo e a de estimular o instinto sexual. Estas zonas s\u00e3o respectivamente o verme e os hemisf\u00e9rios cerebelares. O estudo evolutivo da s\u00e9rie animal permite a constata\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia apenas do verme cerebelar \u2013 nas esp\u00e9cies inferiores, sendo que apenas nos animais mais evolu\u00eddos surgem os hemisf\u00e9rios cerebelares.<br>O sistema cerebral respons\u00e1vel pela express\u00e3o do comportamento sexual inicia-se nos hemisf\u00e9rios cerebelares de onde partem fibras at\u00e9 o n\u00facleo amigdaloide. Este n\u00e3o \u00e9 apenas estimulado pelo cerebelo, mas tamb\u00e9m pelo bulbo olfativo (parte posterior do complexo olfativo cortical) respons\u00e1vel pela sensa\u00e7\u00e3o do olfato.<br>A estimula\u00e7\u00e3o experimental dos n\u00facleos amigdaloides evidencia a rea\u00e7\u00e3o instintiva sexual do animal examinado. Quando se mutila uma parte desta zona e se estimula a parte restante, o animal ataca qualquer outro animal e at\u00e9 mesmo um objeto, para com ele estabelecer um relacionamento sexual.<br>H\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o bem n\u00edtida entre a reg\u00eancia vegetativa dos n\u00facleos hipotal\u00e2micos e a reg\u00eancia do instinto sexual ao n\u00edvel dos n\u00facleos amigdaloides.<br>Assim, o instinto sexual n\u00e3o apenas se traduz como comportamento genital, mas tamb\u00e9m como matura\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os sexuais desde a evolu\u00e7\u00e3o fetal, em n\u00edvel nutritivo. A matura\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os sexuais depende destas zonas cerebrais.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"97bf9bee-8edc-45b3-b5fe-91a0e6da2408\">Apostila produzida na Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed, como complemento ao curso de Psicologia M\u00e9dica, para o curso de Psicologia M\u00e9dica para os m\u00e9dicos residentes em Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed e para o Curso de Teoria da Personalidade para a Sociedade Rorschach de S\u00e3o Paulo. Composta em agosto de 1978. J\u00e1 considerada em parte superada por sua autora que j\u00e1 reescreveu o tema sob novas perspectivas. No entanto, eu, Roberto Fazzani redigitalizei e formatei o grupo de apostilas ao qual esta pertence pois poder\u00e3o ser \u00fateis na compreens\u00e3o inicial da Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade por n\u00f3s adotada. <a href=\"#97bf9bee-8edc-45b3-b5fe-91a0e6da2408-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instinto sexual(L\u00facia Maria Salvia Coelho) O instinto nutritivo se passa ao n\u00edvel celular, mas o instinto sexual subentende a diferencia\u00e7\u00e3o dos sexos que permite a reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Nos vegetais j\u00e1 h\u00e1 uma divis\u00e3o de sexos, mas sem coordena\u00e7\u00e3o nervosa. Nas esp\u00e9cies inferiores esta diferencia\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 permanente, mas alternante. 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