{"id":2440,"date":"2024-06-17T18:45:27","date_gmt":"2024-06-17T21:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2440"},"modified":"2024-06-17T18:45:27","modified_gmt":"2024-06-17T21:45:27","slug":"ambicao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/ambicao\/","title":{"rendered":"Ambi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Ambi\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><sup data-fn=\"9af4dfaf-b3f1-48b0-aa84-72d39b2c0da8\" class=\"fn\"><a href=\"#9af4dfaf-b3f1-48b0-aa84-72d39b2c0da8\" id=\"9af4dfaf-b3f1-48b0-aa84-72d39b2c0da8-link\">1<\/a><\/sup><strong><br>(Lucia Maria Salvia Coelho)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre o est\u00edmulo instintivo ou \u201cinteresse direto\u201d e a verdadeira express\u00e3o da sociabilidade \u2013 que se caracteriza atrav\u00e9s dos sentimentos \u2013 podemos distinguir um grupo espec\u00edfico de fun\u00e7\u00f5es denominadas por Comte de \u201cambi\u00e7\u00e3o\u201d. Estas fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser consideradas como instintos, pois apesar de sua natureza egoc\u00eantrica elas sup\u00f5em o relacionamento interpessoal. Assim, a \u201cambi\u00e7\u00e3o\u201d corresponde \u00e0s tend\u00eancias b\u00e1sicas humanas, que s\u00e3o subjetivas e que desempenham um papel primordial nas primeiras fases de integra\u00e7\u00e3o social. Por serem mais diretamente ligadas \u00e0 individualidade elas possuem maior intensidade e energia que os sentimentos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Comte define as fun\u00e7\u00f5es da ambi\u00e7\u00e3o como: \u201cnecessidade de dom\u00ednio\u201d e \u201cnecessidade de aprova\u00e7\u00e3o\u201d. Algumas escolas psicol\u00f3gicas atuais reconhecem a import\u00e2ncia destas disposi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas como m\u00f3veis espec\u00edficos do comportamento humano. Assim, por exemplo, Adler desenvolve o estudo da \u201cnecessidade de dom\u00ednio\u201d, enquanto Sullivan considera como essencial para o amadurecimento psicol\u00f3gico a participa\u00e7\u00e3o da \u201cnecessidade de aprova\u00e7\u00e3o\u201d, por ele considerada como \u201cnecessidade de seguran\u00e7a e de apoio social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o positivista das fun\u00e7\u00f5es da afetividade utiliza o crit\u00e9rio hier\u00e1rquico de energia decrescente e de complexidade crescente. Assim, Comte situa as fun\u00e7\u00f5es da ambi\u00e7\u00e3o como menos en\u00e9rgicas que as fun\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e mais en\u00e9rgicas que os sentimentos. Entretanto, tal fato n\u00e3o implica que estas fun\u00e7\u00f5es apare\u00e7am antes das express\u00f5es da sociabilidade. As necessidades de dom\u00ednio e de aprova\u00e7\u00e3o apenas se manifestam quando os sentimentos sociais b\u00e1sicos j\u00e1 estiverem mais desenvolvidos que as rea\u00e7\u00f5es instintivas: a express\u00e3o destas necessidades b\u00e1sicas implica no relacionamento interpessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Necessidade de Dom\u00ednio ou Orgulho<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de dom\u00ednio, como express\u00e3o primeira de afirma\u00e7\u00e3o pessoal, surge no comportamento infantil como desejo de dominar os demais e o ambiente. A crian\u00e7a percebe que os est\u00edmulos externos s\u00e3o vari\u00e1veis enquanto ela pr\u00f3pria sente-se como mais est\u00e1vel. Tal rea\u00e7\u00e3o corresponde a um dinamismo emocional que decorre da repercuss\u00e3o da no\u00e7\u00e3o do ambiente na fun\u00e7\u00e3o afetiva caracterizada como \u201corgulho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, compensando o sentimento inicial de desamparo e de busca de prote\u00e7\u00e3o, a crian\u00e7a revela-se emocionalmente capaz de dominar o ambiente. Da\u00ed decorre a sua no\u00e7\u00e3o de onipot\u00eancia e de poder sobre os demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso n\u00e3o houvesse esta disposi\u00e7\u00e3o subjetiva para dominar o ambiente n\u00e3o seria poss\u00edvel o desenvolvimento da autoafirma\u00e7\u00e3o refletida e da confian\u00e7a em si mesmo para o desempenho dos projetos futuros. Sem a necessidade de dom\u00ednio a crian\u00e7a ficaria \u00e0 merc\u00ea das varia\u00e7\u00f5es do ambiente e das rea\u00e7\u00f5es alheias. Ela seria um ser impotente, excessivamente dependente e facilmente sugestion\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>No desenvolvimento normal da crian\u00e7a ela come\u00e7a a exigir a aten\u00e7\u00e3o dos demais, ela pretende ser o centro de atra\u00e7\u00e3o e, ent\u00e3o, ela manifesta comportamentos e reflex\u00f5es pr\u00f3prias, procurando submeter os demais \u00e0 sua vontade. Nessa fase inicia-se a diferencia\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade e o reconhecimento do valor pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de dom\u00ednio associada \u00e0 <span style=\"text-decoration: underline;\">destrui\u00e7\u00e3o <\/span>constitui a base elementar \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do comportamento e do pensamento cr\u00edtico. Nesse caso o indiv\u00edduo revela-se capaz de opor-se ao seu meio e aos padr\u00f5es convencionais de pensamento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na teoria desenvolvida por Angyall a no\u00e7\u00e3o de \u201corgulho\u201d corresponde ao \u201cimpulso para a superioridade\u201d. Esta tend\u00eancia raramente se expressa sob forma pura, mas antes ela tende a se combinar com os instintos e com os sentimentos sociais. Assim, por exemplo, a preval\u00eancia da associa\u00e7\u00e3o entre o instinto de posse e a necessidade de dom\u00ednio sobre os sentimentos sociais pode traduzir-se como necessidade exagerada quer em adquirir valores materiais, quer de acumular conhecimentos. Torna-se frequente, nesse caso, o indiv\u00edduo conceber seu pr\u00f3prio valor a partir dos bens materiais que ele possui ou dos produtos por ele produzidos. Tal convic\u00e7\u00e3o representa um meio imaturo do indiv\u00edduo afirmar-se diante dos demais e ela se acompanha geralmente do impulso para destruir obst\u00e1culos que se apresentem contra a realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Entretanto, o estabelecimento harm\u00f4nico da autoafirma\u00e7\u00e3o depende necessariamente da evolu\u00e7\u00e3o da necessidade de aprova\u00e7\u00e3o e fundamentalmente diferencia\u00e7\u00e3o dos sentimentos sociais. Neste n\u00edvel de maior complexidade que n\u00e3o apenas envolve as fun\u00e7\u00f5es afetivas superiores, mas tamb\u00e9m a capacidade intelectual e a disposi\u00e7\u00e3o conativa, o orgulho se associa \u00e0 vaidade estimulando o indiv\u00edduo a dar de si, isto \u00e9, a tornar-se altru\u00edsta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Necessidade de Aprova\u00e7\u00e3o ou Vaidade<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento humano n\u00e3o pode ser reduzido \u00e0 simples busca de satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades ego\u00edstas e nem do impulso para dominar o ambiente. Se assim fosse a vida social seria incompreens\u00edvel. Se observarmos o comportamento da crian\u00e7a podemos constatar que, em uma certa idade, ela come\u00e7a a manifestar a necessidade de ser reconhecida e aceita pelos demais. Esta necessidade representa uma fonte poderosa para a socializa\u00e7\u00e3o do ser humano. Esta fun\u00e7\u00e3o afetiva que sup\u00f5e, como as demais, uma disposi\u00e7\u00e3o inata, necessita ser estimulada pelo meio social que de in\u00edcio se define no ambiente familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o comportamento humano \u00e9 em grande parte influenciado pelo desejo de n\u00e3o desapontar os outros. Alguns indiv\u00edduos chegam mesmo a temer uma mudan\u00e7a em sua exist\u00eancia ou a evitar sua discord\u00e2ncia pelos valores sociais vigentes, por recearem o ju\u00edzo que os outros poder\u00e3o formular a seu respeito. O exagero desta necessidade em obter seguran\u00e7a atrav\u00e9s da aprova\u00e7\u00e3o alheia poder\u00e1 dificultar o desenvolvimento adequado do altru\u00edsmo genu\u00edno. Neste caso esta necessidade assume o feitio conservador levando o indiv\u00edduo a conformar-se com o que possui, em n\u00e3o arriscar novos empreendimentos e em n\u00e3o criticar os valores adotados pela maioria. Neste caso a fun\u00e7\u00e3o conativa que prevalece \u00e9 a da <span style=\"text-decoration: underline;\">prud\u00eancia <\/span>e a adapta\u00e7\u00e3o intelectual predominante \u00e9 a do tipo indutivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto a participa\u00e7\u00e3o equilibrada desta fun\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais, permite o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es interpessoais a partir do reconhecimento dos sentimentos alheios na concep\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria imagem psicossocial.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"9af4dfaf-b3f1-48b0-aa84-72d39b2c0da8\">\u00a0Apostila produzida na Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed, como complemento ao curso de Psicologia M\u00e9dica, para o curso de Psicologia M\u00e9dica para os m\u00e9dicos residentes em Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed e para o Curso de Teoria da Personalidade para a Sociedade Rorschach de S\u00e3o Paulo. Composta em agosto de 1978. J\u00e1 considerada em parte superada por sua autora que j\u00e1 reescreveu o tema sob novas perspectivas. No entanto, eu, Roberto Fazzani redigitalizei e formatei o grupo de apostilas ao qual esta pertence pois poder\u00e3o ser \u00fateis na compreens\u00e3o inicial da Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade por n\u00f3s adotada. <a href=\"#9af4dfaf-b3f1-48b0-aa84-72d39b2c0da8-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ambi\u00e7\u00e3o(Lucia Maria Salvia Coelho) Entre o est\u00edmulo instintivo ou \u201cinteresse direto\u201d e a verdadeira express\u00e3o da sociabilidade \u2013 que se caracteriza atrav\u00e9s dos sentimentos \u2013 podemos distinguir um grupo espec\u00edfico de fun\u00e7\u00f5es denominadas por Comte de \u201cambi\u00e7\u00e3o\u201d. 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