{"id":2494,"date":"2024-06-17T21:42:25","date_gmt":"2024-06-18T00:42:25","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2494"},"modified":"2024-09-14T09:39:03","modified_gmt":"2024-09-14T12:39:03","slug":"quadros-clinicos-ligados-ao-alcoolismo-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/quadros-clinicos-ligados-ao-alcoolismo-2\/","title":{"rendered":"QUADROS CL\u00cdNICOS LIGADOS AO ALCOOLISMO"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>QUADROS CL\u00cdNICOS LIGADOS AO ALCOOLISMO<\/strong><sup data-fn=\"5f327a11-df1f-445c-9e5b-141f9667c85b\" class=\"fn\"><a href=\"#5f327a11-df1f-445c-9e5b-141f9667c85b\" id=\"5f327a11-df1f-445c-9e5b-141f9667c85b-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O alcoolismo cr\u00f4nico implica, por um lado, em problemas de personalidade da qual decorre a depend\u00eancia psicol\u00f3gica com o \u00e1lcool e problemas de ordem fisiol\u00f3gica. Quando a depend\u00eancia n\u00e3o decorre, primariamente, de fatores psicol\u00f3gicos n\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico chamarmos esses casos de alcoolismo cr\u00f4nico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O alcoolismo cr\u00f4nico subentende, por um lado, a continuidade do uso do \u00e1lcool e, por outro, a configura\u00e7\u00e3o da personalidade do indiv\u00edduo que est\u00e1 na raiz da depend\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Citamos casos de trabalhadores rurais, indiv\u00edduos desnutridos e mesmo moradores de cidades que ficam \u00e0 margem da possibilidade de alimenta\u00e7\u00e3o correta e pela car\u00eancia energ\u00e9tica principalmente, s\u00e3o levados a tomar \u00e1lcool, como compensa\u00e7\u00e3o para a falta de calorias. Dessa forma, extraem do \u00e1lcool a caloria suficiente e, portanto, s\u00e3o vinculados a ele, por necessidade decorrente de fatores fisiol\u00f3gicos, o que os torna habituais no uso do \u00e1lcool. Assim, n\u00e3o s\u00e3o alcoolistas cr\u00f4nicos no sentido psiqui\u00e1trico ou psicol\u00f3gico do termo. Fazemos, portanto, uma distin\u00e7\u00e3o entre a depend\u00eancia fisiol\u00f3gica e a depend\u00eancia psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>A depend\u00eancia fisiol\u00f3gica decorre fundamentalmente, em geral, desse aspecto de desnutri\u00e7\u00e3o e muitos quadros que foram descritos no in\u00edcio do s\u00e9culo passado como devidos ao uso habitual de \u00e1lcool foram verificados mais tarde que decorriam da avitaminose. H\u00e1, ent\u00e3o, certos quadros cl\u00ednicos que encontram no alcoolismo cr\u00f4nico que podem ser produzidos pela avitaminose tamb\u00e9m, mas n\u00e3o corresponde \u00e0 parte psicol\u00f3gica aquilo que se encontra nos pacientes levados ao \u00e1lcool por motivos fisiol\u00f3gicos. Portanto, esse aspecto da depend\u00eancia fisiol\u00f3gica tem, por um lado essa caracter\u00edstica. Mas podemos verificar al\u00e9m desse aspecto primariamente fisiol\u00f3gico no sentido de nutri\u00e7\u00e3o, no sentido visceral, outro aspecto tamb\u00e9m ligado com a fisiologia que j\u00e1 \u00e9 de ordem psicol\u00f3gica. Assim temos a desnutri\u00e7\u00e3o como caracter\u00edstica fundamental e aquilo que chamamos dipsomania, em geral, na psiquiatria. A dipsomania corresponde a uma necessidade fisiol\u00f3gica, mas das fun\u00e7\u00f5es instintivas do indiv\u00edduo. Portanto, seria mais razo\u00e1vel colocarmos na fisiologia do que na psicologia, embora o fator seja psicol\u00f3gico tamb\u00e9m. Chamamos isto de Impulso M\u00f3rbido Peri\u00f3dico, de um modo mais geral. Kleist descreveu nos quadros cl\u00ednicos aqueles que decorrem de per\u00edodo em que o indiv\u00edduo \u00e9 sujeito a impulsos que n\u00e3o consegue dominar. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de impulsos \u2013 por exemplo o impulso de deambula\u00e7\u00e3o que surge periodicamente e o indiv\u00edduo tem necessidade de deambular e n\u00e3o sabe por qu\u00ea. N\u00e3o \u00e9 que ele queira sair da casa ou que ele fuja, ou que saia em estado de inconsci\u00eancia, em estado crepuscular, mas ele sai por um impulso deambulat\u00f3rio. Portanto, \u00e9 um tipo de altera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem nada a ver com o alcoolismo. Outros t\u00eam impulsos de alimenta\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o t\u00eam per\u00edodos de nutri\u00e7\u00e3o excessiva, quer dizer, n\u00e3o \u00e9 nutri\u00e7\u00e3o, \u00e9 voracidade, \u00e9 alimenta\u00e7\u00e3o excessiva que produz tamb\u00e9m altera\u00e7\u00f5es graves fisiol\u00f3gicas. Mas tamb\u00e9m se trata de um impulso. H\u00e1 ainda impulsos sexuais, por outro lado e, ainda impulso para beber. Ent\u00e3o, nesse caso o Impulso Peri\u00f3dico toma o nome de Dipsomania, porque foi descrito na psiquiatria como um quadro cl\u00ednico \u00e0 parte, peri\u00f3dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas dizemos tamb\u00e9m que \u00e9 filiado ao grupo de depend\u00eancia fisiol\u00f3gica porque o indiv\u00edduo caracteristicamente n\u00e3o tem prazer na bebida, ele bebe continuamente, depois, de repente, ele deixa de beber, sem um motivo espec\u00edfico, sem nenhuma necessidade pessoal ou social, ele deixa o \u00e1lcool por completo. Se indagarmos esse aspecto, no indiv\u00edduo que nos procura por alcoolismo, podemos ver que ele bebe periodicamente e depois deixa de beber, ele bebe quantidades excessivas. O exame gen\u00e9tico vai mostrar que s\u00e3o pacientes ligados ao grupo da Epilepsia por um lado, e com as Psicoses F\u00e1sicas, por outro. Assim, os autores classificam geralmente esses casos como devidos \u00e0s psicoses man\u00edaco-depressivas. Bumke descreveu o temperamento que chamou \u201cp\u00edcnico timop\u00e1tico\u201d \u2013 quer dizer \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o afetiva que est\u00e1 ligada com a constitui\u00e7\u00e3o som\u00e1tica p\u00edcnica, com o h\u00e1bito p\u00edcnico, que leva o indiv\u00edduo a beber. \u00c9 uma fus\u00e3o de tend\u00eancias das psicoses afetivas, por um lado, e das psicoses epileptoides ou epil\u00e9ticos, por outro, &#8211; e d\u00e1 esse quadro, dos Impulsos M\u00f3rbidos Peri\u00f3dicos. Logo, o alcoolismo que est\u00e1 rotulado como um alcoolista por ser dips\u00f4mano \u2013 cabe mais na rubrica de depend\u00eancia fisiol\u00f3gica. Portanto uma primeira distin\u00e7\u00e3o a fazer \u00e9 que pode ser alcoolista de duas maneiras diversas:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>Por depend\u00eancia fisiol\u00f3gica<\/em><\/strong> \u2013 essa depend\u00eancia mant\u00e9m sempre o indiv\u00edduo no uso do \u00e1lcool e isto redunda numa perda das vilosidades da mucosa g\u00e1strica, o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue assimilar os nutrientes da alimenta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 avitaminose, e isso o obriga ao uso do \u00e1lcool, e se desencadeia um c\u00edrculo vicioso. Mas, na realidade, n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia anormal da personalidade que leva a essa situa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>Por depend\u00eancia psicol\u00f3gica <\/em><\/strong>&#8211; esta sim, corresponde ao alcoolismo cr\u00f4nico. Mas temos que distinguir o paciente que \u00e9 levado a essa depend\u00eancia psicol\u00f3gica por fatores neur\u00f3ticos ou por fatores de desvio da personalidade. S\u00e3o os tipos que cabem mais corretamente no campo da depend\u00eancia do alcoolismo cr\u00f4nico. Lembramos que o indiv\u00edduo neur\u00f3tico \u00e9 levado ao uso do \u00e1lcool por diversos motivos:\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>para se autovalorizar<\/em><\/strong>, por necessidade de apoio, necessidade de apre\u00e7o; compensa essa insufici\u00eancia que sente em si pr\u00f3prio. Portanto, n\u00e3o \u00e9 psicog\u00eanico, mas reativo \u2013 e o \u00e1lcool \u00e9 uma maneira de compensar essa insufici\u00eancia, essa inferioridade. Ali\u00e1s, isto criou um problema de ordem legal ou jur\u00eddica: pacientes que cometiam crimes alcoolizados. Eram indiv\u00edduos que queriam vingar-se e, frequentemente, por n\u00e3o terem disposi\u00e7\u00e3o para o homic\u00eddio, por receio, tomavam \u00e1lcool para adquirir a coragem e cometer o crime. Isso foi inicialmente considerado como atenuante, no c\u00f3digo criminal pois era atenuante estar alcoolizado. Mas depois se compreendeu que isto n\u00e3o era atenuante, porque o indiv\u00edduo se alcooliza para cometer um crime, para cometer um ato para o qual ele n\u00e3o tinha coragem de cometer normalmente. Assim, nesta circunst\u00e2ncia, o alcoolismo passou a ser agravante. Mas de qualquer maneira, o neur\u00f3tico usa esse mesmo meio. Mas h\u00e1 o lado oposto tamb\u00e9m.<\/li>\n\n\n\n<li>o neur\u00f3tico que se dedica ao uso do \u00e1lcool <strong><em>para se sentir depreciado<\/em><\/strong>: o indiv\u00edduo que tem essa necessidade j\u00e1 \u00e9 um caso psicog\u00eanico e n\u00e3o reativo. Tem necessidade de se sentir punido, de ser culpado, de ser menosprezado. Portanto, em vez de ser para obter apoio, como no caso anterior, ele faz isso para ser depreciado. Isso \u00e9 corrente, o indiv\u00edduo, cada vez que bebe comete uma s\u00e9rie de desatinos e tem certa consci\u00eancia disso. E, quando n\u00e3o tem consci\u00eancia, depois os outros contam o que se passou. Ele d\u00e1 esc\u00e2ndalo, espet\u00e1culo e, quando volta a si, sente-se mais depreciado e cada vez pior. Mas isso, por sua vez, o leva a tomar mais \u00e1lcool.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Portanto, h\u00e1 dois polos opostos na rea\u00e7\u00e3o neur\u00f3tica, que levam \u00e0 depend\u00eancia do \u00e1lcool. Aqui se trata realmente de um alcoolista cr\u00f4nico porque a depend\u00eancia \u00e9 psicol\u00f3gica. N\u00e3o basta dizer que \u00e9 alcoolista cr\u00f4nico. Temos que ver por que, qual o motivo que o levou a se tornar um alcoolista cr\u00f4nico. E, em caso de neurose, o tratamento adequado seria a psicoterapia.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos ainda o psicopata, indiv\u00edduo que tem uma personalidade psicop\u00e1tica, uma inferioridade que decorre de estrutura de personalidade e que leva tamb\u00e9m o indiv\u00edduo a tomar \u00e1lcool. Aqui temos tamb\u00e9m dois polos, n\u00e3o opostos, mas dois mecanismos distintos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>o psicopata perverso<\/em><\/strong>, antissocial, que se torna alcoolista como uma express\u00e3o de sua pervers\u00e3o da personalidade, n\u00e3o somente atrav\u00e9s do \u00e1lcool, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de atos antissociais diversos, de natureza socialmente grave.\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>o psicopata ast\u00eanico<\/em><\/strong> &#8211; enquanto no caso anterior de psicopata perverso \u00e9 a esfera afetiva que \u00e9 o ponto principal da altera\u00e7\u00e3o da personalidade -, no caso do ast\u00eanico \u00e9 uma consequ\u00eancia de uma defici\u00eancia conativa, a incapacidade de tomar uma iniciativa. S\u00e3o pacientes que come\u00e7am a tomar \u00e1lcool e mant\u00e9m anos a fio por n\u00e3o conseguirem mudar a situa\u00e7\u00e3o por falta de iniciativa. E acontece que, \u00e0s vezes, deixam momentaneamente ou, definitivamente, de tomar \u00e1lcool. Chegamos a conhecer muitos casos dessa ordem: o indiv\u00edduo que tomava \u00e1lcool por n\u00e3o conseguir desvencilhar-se dessa situa\u00e7\u00e3o. Alguns deles fizeram tratamento por hipnose \u2013 al\u00e9m de terem toda liberdade, inclusive, de beberem, ficaram curados completamente. Ali\u00e1s, esse foi um m\u00e9todo muito usado na fase \u00e1urea da hipnose, no s\u00e9culo passado. E hoje em dia, \u00e9 realmente a hipnose um grande recurso, mas antes deve-se estudar a personalidade. Conhecemos muitos pacientes que deixaram de tomar \u00e1lcool porque a sugest\u00e3o hipn\u00f3tica trouxe a eles aquele contingente que eles n\u00e3o tinham: a capacidade de reagir, de resistir ao \u00e1lcool. Conheci um deles que ficou vinte anos sem tomar \u00e1lcool nenhum. Depois foi para S\u00e3o Paulo em um meio social em que come\u00e7ou a beber. Mas nesse caso, o indiv\u00edduo precisa apenas de um est\u00edmulo para vencer essa astenia, para reagir \u00e0 situa\u00e7\u00e3o anterior. De qualquer maneira \u00e9 tamb\u00e9m um paciente que est\u00e1 dependente do \u00e1lcool por motivo psicol\u00f3gico.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Se considerarmos assim, veremos que, em primeiro lugar, alcoolismo n\u00e3o \u00e9 diagn\u00f3stico e seria um erro muito grave para o paciente se o rotularmos como alcoolista. Em segundo lugar, esse dado permite uma orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica diversa. N\u00f3s perdemos tempo tratando o alcoolismo sem tratarmos a causa do alcoolismo. Pode-se reprimir, desse modo, o indiv\u00edduo reprime o uso do \u00e1lcool conscientemente, mas n\u00e3o fez uma terap\u00eautica adequada no caso que \u00e9 desmontar esses problemas. O recurso, no caso, seria a psicoterapia, a hipnose e o psicodrama como mais superficial. Enfim, uma s\u00e9rie de fatores que podem levar o indiv\u00edduo a tomar consci\u00eancia do problema pelo qual se tornou alcoolista e resolver esse problema.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa condi\u00e7\u00e3o de ser uma depend\u00eancia psicol\u00f3gica, deve ser o elemento divis\u00f3rio na classifica\u00e7\u00e3o do alcoolismo: alcoolistas ocasionais que podem deixar de tomar \u00e1lcool e aqueles que s\u00e3o alcoolistas sistem\u00e1ticos (cr\u00f4nicos), por fatores de insufici\u00eancia de personalidade. De qualquer maneira, seja por um dinamismo ou por outro, que o indiv\u00edduo encontra o \u00e1lcool, ele apresenta uma fase de intoxica\u00e7\u00e3o s\u00e9ria em seu quadro cl\u00ednico: alguns s\u00e3o considerados como psicose, outros n\u00e3o. Ao mesmo tempo h\u00e1 uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es compreens\u00edveis que fazem parte da varia\u00e7\u00e3o normal do comportamento e que s\u00e3o ligadas ao alcoolismo: o indiv\u00edduo torna-se expansivo, torna-se comunicativo, tem facilidade de entrar em contato com todos. Fica at\u00e9 agrad\u00e1vel, come\u00e7a a fazer brincadeiras, piadas que normalmente n\u00e3o faz.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros, pelo contr\u00e1rio, se sentem depreciados, ficam tristes, hiperemotivos, deprimidos, choram com facilidade, comovem-se facilmente. Popularmente, fala-se em indiv\u00edduos do vinho triste e do vinho alegre. Porque o \u00e1lcool estimula a falta de dom\u00ednio da situa\u00e7\u00e3o, de autodom\u00ednio psicol\u00f3gico levando o indiv\u00edduo a exteriorizar facilmente a sua maneira de ser, do seu feitio de personalidade. A essa fase inicial n\u00e3o se pode chamar de psicose. Mas, na realidade, com o uso habitual do \u00e1lcool temos uma s\u00e9rie de fatores que n\u00e3o s\u00e3o exteriorizados facilmente e que decorrem do aspecto psicofisiol\u00f3gico ou patog\u00eanico, da a\u00e7\u00e3o patog\u00eanica do \u00e1lcool.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, em indiv\u00edduos que tomam habitualmente o \u00e1lcool temos uma sequ\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es devidas \u00e0 quantidade de \u00e1lcool ingerida que pode ser descrita em uma s\u00e9rie de fases:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>Fase de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica<\/em><\/strong> \u2013 O sujeito libera uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es que normalmente ele cont\u00e9m no contato interpessoal. Essa excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica leva, ent\u00e3o, a dois aspectos: \u00e9 uma excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica que decorre da facilita\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o cerebral, uma hiperemia cerebral. Essa excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, em alcoolistas, \u00e9 a mesma que aparece em quadros end\u00f3genos ou em quadros ocasionais. Assim, no s\u00e9culo passado ainda foi descrita com muita precis\u00e3o por Meynert, no que ele chamou de quadro de Mania e quadro de Depress\u00e3o. Dois quadros opostos provocados por fatores t\u00f3xicos ou infecciosos. E procurou interpretar estudando an\u00e1tomo-patologicamente esses casos como sendo decorrentes ou de anemia ou de hiperemia cerebral. Todos os psiquiatras do s\u00e9culo passado eram evidentemente psic\u00f3logos e anatomistas tamb\u00e9m. Meynert, por exemplo, \u00e9 c\u00e9lebre por ter estabelecido certas fibras e correla\u00e7\u00f5es corticais. Wernicke tamb\u00e9m foi grande anatomista e psiquiatra. Bianchi tamb\u00e9m era psiquiatra e anatomista. Flechsig al\u00e9m de psic\u00f3logo, psiquiatra era anatomista; von Economo tamb\u00e9m.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Meynert autopsiando pacientes que morreram em excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e aqueles que morreram em estado de depress\u00e3o, verificou que havia dois quadros opostos quanto \u00e0 circula\u00e7\u00e3o cerebral \u2013 a hiperemia produzia excita\u00e7\u00e3o. Procurou explicar, patogenicamente, os quadros de excita\u00e7\u00e3o que aparecem nos quadros cl\u00ednicos e os quadros de depress\u00e3o como ligados \u00e0 circula\u00e7\u00e3o cerebral. Na realidade, estudando o alcoolista neste aspecto podemos ver que realmente h\u00e1 raz\u00e3o para essa correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica resulta de uma hiperemia cerebral, mas essa fase de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica no sistema cortical do c\u00e9rebro j\u00e1 decorre de outros fatores.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><strong><em>Fase de libera\u00e7\u00e3o cerebral<\/em><\/strong> &#8211; a excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica facilita a libera\u00e7\u00e3o cerebral, embora pelo aspecto fisiol\u00f3gico essa libera\u00e7\u00e3o da atividade cerebral seja b\u00e1sica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cortical que se processa concomitantemente. Vemos que todo o sistema nervoso reage ao mesmo tempo. Mas enquanto o indiv\u00edduo n\u00e3o tem uma produ\u00e7\u00e3o intelectual liberada, ele n\u00e3o d\u00e1 vaz\u00e3o a esse aspecto de libera\u00e7\u00e3o cerebral, no sentido instintivo, da vaz\u00e3o s\u00f3 no sentido neurofisiol\u00f3gico. Temos dois aspectos: a ataxia cerebelar, que \u00e9 muito caracter\u00edstica do \u00e9brio, tanto que isso tem um valor semiol\u00f3gico para descrever a \u201cmarcha \u00e9bria\u201d em qualquer quadro cl\u00ednico cerebelar. \u00c9 caracter\u00edstico da ataxia cerebelar: o indiv\u00edduo tem dismetria, incapacidade de agir e al\u00e9m disso apraxia como caracter\u00edstica motora.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Assim, a fus\u00e3o dos dois aspectos: hiperemia cerebral cortical e a hiperemia cerebral com a ataxia que \u00e9 caracter\u00edstica e com apraxia motora, leva o quadro cl\u00ednico a outras manifesta\u00e7\u00f5es que n\u00e3o notamos no caso de intoxica\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica que s\u00e3o: disartria, libera\u00e7\u00e3o instintiva: o indiv\u00edduo tem comportamento anormal e, al\u00e9m disso, ainda no caso cerebral, tem a apraxia, que \u00e9 caracter\u00edstica. Com essa fus\u00e3o de dist\u00farbios motores na \u00e1rea da express\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o, ele fica com a voz pastosa, ele fala coisas inconsequentes, ele n\u00e3o articula corretamente. Tem uma s\u00e9rie de dist\u00farbios parecidos com o que ocorre na paralisia cerebral progressiva &#8211; nesta tamb\u00e9m h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o geral em todo o sistema nervosa, que d\u00e1 uma semelhan\u00e7a aparente fenomenol\u00f3gica entre o alcoolismo agudo nessa fase e o quadro de P.G.P -, a neuross\u00edfilis.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desses fen\u00f4menos temos outra fase que \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li><strong><em>Fase de libera\u00e7\u00e3o instintiva<\/em><\/strong> na qual o indiv\u00edduo se torna, conforme a rea\u00e7\u00e3o, pornogr\u00e1fico etc. Assim, \u00e9 um quadro que parece com a \u201cM\u00f3ria\u201d: excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica com tend\u00eancia \u00e0 libera\u00e7\u00e3o instintiva, fazer pequenas perversidades, pilh\u00e9rias maldosas, e mesmo libera\u00e7\u00e3o instintiva. A M\u00f3ria \u00e9 uma fus\u00e3o de sintomas em que h\u00e1 elementos da base do c\u00e9rebro, obrigat\u00f3rio, e da corticalidade tamb\u00e9m, o que d\u00e1 o colorido de libera\u00e7\u00e3o instintiva. Notem que a excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, por um lado, a libera\u00e7\u00e3o cerebelar, no plano motor e a libera\u00e7\u00e3o cerebelar de car\u00e1ter instintivo, provocam fen\u00f4menos que est\u00e3o fundidos habitualmente no sintoma cl\u00ednico, mas que patogenicamente se pode acompanhar atrav\u00e9s da progress\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o e de excita\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Em sequ\u00eancia, temos outra fase em que a excita\u00e7\u00e3o, a instabilidade e a incapacidade de selecionar os est\u00edmulos (o indiv\u00edduo d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o a todos os est\u00edmulos que aparecem) levam \u00e0:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"4\">\n<li><strong><em>Fase de confus\u00e3o<\/em><\/strong>, que decorre de v\u00e1rios fatores. H\u00e1 um est\u00edmulo subjetivo intenso, uma falta de subordina\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos internos, os indiv\u00edduos reagem indiferentemente, criam uma dificuldade em coordenar as ideias, do pensamento, levando a uma exterioriza\u00e7\u00e3o de um quadro consequente da fus\u00e3o patog\u00eanica dos v\u00e1rios modos de a\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool no sistema nervoso central.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desse aspecto, temos ainda outra fase:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"5\">\n<li><strong><em>\u00a0Fase de redu\u00e7\u00e3o do rendimento mental<\/em><\/strong>. Quer o indiv\u00edduo inicie com excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, euforia, agressividade, quer ele manifeste uma tend\u00eancia depressiva, o resultado \u00e9 sempre a lentid\u00e3o muito grande do trabalho mental. Essa redu\u00e7\u00e3o no rendimento mental \u00e9 independente da confus\u00e3o, pois s\u00e3o dois aspectos um pouco diversos. Na confus\u00e3o temos uma falta de subordina\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos, equival\u00eancia das rea\u00e7\u00f5es aos est\u00edmulos; enquanto nessa fase temos uma falta de rea\u00e7\u00e3o aos est\u00edmulos. O indiv\u00edduo n\u00e3o reage aos est\u00edmulos, n\u00e3o consegue coordenar e manifesta uma tend\u00eancia para isolar-se do mundo exterior porque n\u00e3o consegue reagir aos est\u00edmulos.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Finalmente, a fase final:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"6\">\n<li><strong><em>A fase do coma<\/em><\/strong>, vamos dizer, mais patogenicamente: de fal\u00eancia da atividade que d\u00e1 o coma como consequ\u00eancia.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Vimos que, primeiramente, h\u00e1 uma fase de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, uma fase de incoordena\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios est\u00edmulos cerebrais, em seguida, a incapacidade de subordina\u00e7\u00e3o de um sistema a outros, e, finalmente, uma queda dos est\u00edmulos exteriores. Pudemos, por abstra\u00e7\u00e3o, separar as v\u00e1rias fases, mas na realidade todas elas s\u00e3o quase simult\u00e2neas. Mas h\u00e1 um quadro que n\u00e3o segue toda essa seria\u00e7\u00e3o. \u00c9 o quadro chamado de <strong><em>Embriaguez Patol\u00f3gica<\/em><\/strong>. Na embriaguez patol\u00f3gica temos a passagem da primeira fase \u2013 de excita\u00e7\u00e3o, quase diretamente para o estado final de coma. O indiv\u00edduo toma \u00e1lcool em pequena quantidade e se desorganiza completamente e entra em estado de coma, isto \u00e9, ele passa por uma libera\u00e7\u00e3o motora em que funde o aspecto motor, confus\u00e3o (terceira e quarta fase), dando como consequ\u00eancia o \u201c<strong><em>Estado Crepuscular<\/em><\/strong>\u201d. Nessa fase crepuscular o indiv\u00edduo poder\u00e1 cometer atos antissociais, perigosos \u2013 porque nesse caso ele age como num estado crepuscular end\u00f3geno, quer dizer, \u00e9 uma mudan\u00e7a r\u00e1pida do comportamento, sem orienta\u00e7\u00e3o intelectual, com excita\u00e7\u00e3o e com desligamento, sem no\u00e7\u00e3o do mundo exterior. Portanto, libera\u00e7\u00e3o motora muitas vezes coordenada, sem a no\u00e7\u00e3o do que se passa no momento e que precede a fase de coma. Quer dizer, h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o individual muito grande, quanto a esse aspecto, mas h\u00e1 indiv\u00edduos que t\u00eam essa tend\u00eancia mesmo com certa facilidade, se desequilibram: se s\u00e3o submetidos habitualmente ao est\u00edmulo alco\u00f3lico, cometem atos antissociais, como se fosse parte do comportamento do indiv\u00edduo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Um autor, Nielsen, contou um fato interessante \u2013 que o fil\u00f3sofo J. Locke foi indicado pelo governo ingl\u00eas para ser embaixador na Su\u00e9cia, e ele se recusou dizendo que n\u00e3o suportaria a quantidade de \u00e1lcool que usualmente se consome nas rela\u00e7\u00f5es sociais nos pa\u00edses n\u00f3rdicos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Isto seria um aspecto do quadro cl\u00ednico da embriaguez habitual, enfim, da intoxica\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica habitual, que tem uma varia\u00e7\u00e3o muito grande de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo \u2013 conforme o temperamento, conforme a carga gen\u00e9tica \u2013 mas, ao mesmo tempo, tem esse aspecto de colocar em evid\u00eancia aqueles sistemas cerebrais que s\u00e3o respons\u00e1veis, quando articulados, pelo comportamento humano normal. Mas, como dissemos, n\u00e3o s\u00e3o por si pr\u00f3prios uma psicose, mas s\u00e3o quadros que revelam uma desorganiza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 quando entram em estado crepuscular, neste caso j\u00e1 seria uma psicose, ou melhor, um aspecto psic\u00f3tico, e quando em estado de coma j\u00e1 uma fal\u00eancia completa, e, portanto, n\u00e3o uma psicose.<\/p>\n\n\n\n<p>O uso habitual do \u00e1lcool frequentemente vem ligado a uma s\u00e9rie de dist\u00farbios que n\u00e3o s\u00e3o a embriaguez patol\u00f3gica por si mesmos. N\u00f3s temos, ent\u00e3o:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>Alucinose<\/em><\/strong> \u2013 altera\u00e7\u00e3o no recebimento do est\u00edmulo do mundo exterior de tal forma que o indiv\u00edduo apresenta um comportamento semelhante ao do paciente alucinado. N\u00e3o se chama habitualmente \u201calucina\u00e7\u00e3o\u201d porque h\u00e1 nesse colorido ainda uma certa rela\u00e7\u00e3o com a realidade. O indiv\u00edduo exterioriza o dist\u00farbio perceptivo sem muita consci\u00eancia de que aquilo \u00e9 um dist\u00farbio, mas com certa no\u00e7\u00e3o de que aquilo n\u00e3o deve ser real \u2013 da\u00ed o termo alucinose. Alucinose, no sentido de Kleist, seria um quadro cl\u00ednico em que h\u00e1 alucina\u00e7\u00e3o ou dist\u00farbios senso-perceptivos, digamos que s\u00e3o correlatos ao automatismo mental. Mas h\u00e1, aqui o sintoma da alucinose e n\u00e3o o quadro cl\u00ednico Alucinose. E o sintoma alucinose corresponde a uma percep\u00e7\u00e3o anormal, com certa no\u00e7\u00e3o da realidade, mas sem se desligar completamente do fen\u00f4meno real. Uma caracter\u00edstica da alucinose como sintoma \u00e9 que o indiv\u00edduo refere isso. Num ambulat\u00f3rio psiqui\u00e1trico o indiv\u00edduo refere isso, ele conta o que est\u00e1 sentindo, ao passo que o alucinado reage intensamente e n\u00e3o refere que est\u00e1 tendo alucina\u00e7\u00f5es. E o alucin\u00f3tico, quer dizer, o que tem alucinose como sintoma, revela, comenta, acha gra\u00e7a, \u00e9 quase como no automatismo mental, em que tem uma sensa\u00e7\u00e3o de que o que passa \u00e9 muito real, mas que n\u00e3o \u00e9 o est\u00edmulo habitual, que vem normalmente pelas vias perceptivas, sensoriais comuns. A alucinose quase sempre no alcoolismo funde os est\u00edmulos senso-perceptivos com os est\u00edmulos visuais \u2013 o indiv\u00edduo sente que s\u00e3o bichos que entram na pele, que est\u00e3o subindo por ele, s\u00e3o lagartixas, cobras ou aranhas e ele procura matar realmente, bate com o p\u00e9 no ch\u00e3o. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o real em que revela sem dificuldade, e comenta e, \u00e0s vezes, acha gra\u00e7a. Geralmente s\u00e3o alucina\u00e7\u00f5es m\u00f3veis \u2013 os animais est\u00e3o subindo, vem at\u00e9 ele ou partem dele. \u00c9 uma perturba\u00e7\u00e3o sensoperceptiva muito intensa e visualizada, mas que ele tem uma no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 muito real (zoopsia). \u00c9 um sintoma que corresponde \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o habitual do \u00e1lcool em doses moderadas.\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Quando h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o mais profunda quando temos o quadro chamado <strong><em>delirium tremens<\/em><\/strong>. Essa \u00e9 a \u00fanica inst\u00e2ncia que usamos esse termo \u201cdelirium\u201d pois utilizamos o termo del\u00edrio como concep\u00e7\u00e3o delirante. Os europeus usam delirium para distinguir os quadros de perturba\u00e7\u00e3o mental aguda \u2013 ligado com alucina\u00e7\u00f5es e com interpreta\u00e7\u00f5es delirantes. Dessa forma, n\u00e3o se trata s\u00f3 de alucina\u00e7\u00f5es, \u00e9 um passo a mais, \u00e9 um desmantelo mais acentuado, que envolve toda a no\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o Delirium Tremens, \u00e9 muito caracter\u00edstico. Trata-se de um quadro dram\u00e1tico, que muitas vezes surge repentinamente. O indiv\u00edduo est\u00e1 tomando \u00e1lcool h\u00e1 j\u00e1 muito tempo, e se porta bem, e quando passa de um certo limiar ele entra nesse quadro que j\u00e1 \u00e9 alucinat\u00f3rio e n\u00e3o mais alucin\u00f3tico, em geral de car\u00e1ter persecut\u00f3rio, o indiv\u00edduo exterioriza isso ruidosamente, ele reage de modo totalmente descoordenado e com uma atividade on\u00edrica muito intensa, que n\u00e3o se confunde com o estado crepuscular, porque ele reage com a agita\u00e7\u00e3o grande das situa\u00e7\u00f5es, mas como se estivesse elaborando corretamente os est\u00edmulos. A confus\u00e3o decorre do fato dele n\u00e3o poder associar os est\u00edmulos subjetivos com os externos \u2013 acarreta um quadro confusional, com tens\u00e3o emocional muito grande. Os autores descreviam dois tipos de delirium tremens: (a) por uso imoderado de \u00e1lcool \u2013 irrompe repentinamente no quadro cl\u00ednico e, (b) quando deixa de tomar o \u00e1lcool repentinamente \u2013 suspens\u00e3o abrupta do \u00e1lcool. Como muitas vezes vem associados com um processo infeccioso \u2013 uma pneumonia ou gripe, o recurso que havia na \u00e9poca era dar a <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/pocao-de-todd\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3186\"><strong>po\u00e7\u00e3o de Todd<\/strong><\/a> com \u00e1lcool como ve\u00edculo \u2013 quando associada \u00e0 suspens\u00e3o abrupta do \u00e1lcool. Assim, admintrava-se \u00e1lcool para compensar o delirium tremens. Outra maneira que se utilizava para cortar o delirium tremens era dar insulina. A insulina queima o \u00e1lcool tamb\u00e9m, \u00e0s vezes reduz o del\u00edrium tremens. No passado tamb\u00e9m podia ser administrado barbit\u00faricos. N\u00e3o como um fator de acalmia ou que fosse cortar a alucina\u00e7\u00e3o, mas porque vai agir na tend\u00eancia epileptoide que se traduz no delirium tremens. Os estudos feitos h\u00e1 mais de vinte anos, nos EUA principalmente, mostram que o paciente com delirium tremens ou teve um passado convulsivo ou tem na fam\u00edlia convulsivos. E, seria ainda maior a correla\u00e7\u00e3o se tomarmos anamnese do paciente, vendo outros aspectos al\u00e9m da presen\u00e7a ou n\u00e3o de convuls\u00e3o, e que est\u00e3o ligados \u00e0 tend\u00eancia epileptoide. Mas de qualquer maneira est\u00e1 bem claro hoje em dia que o delirium tremens, em grande parte, decorre da carga gen\u00e9tica epileptoide. Portanto, o delirium tremens corresponde a um processo agudo em que h\u00e1 o fator confusional e h\u00e1 agita\u00e7\u00e3o que n\u00e3o chega a tomar um colorido crepuscular, mas que \u00e9 uma libera\u00e7\u00e3o intensa motora.<\/li>\n\n\n\n<li>Outro tipo de dist\u00farbio da elabora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esse quadro agudo e que tamb\u00e9m acontece como consequ\u00eancia do uso habitual do \u00e1lcool, \u00e9 o <strong><em>Del\u00edrio<\/em><\/strong>, no sentido de concep\u00e7\u00e3o delirante. Del\u00edrio, nesse caso, n\u00e3o delirium, mas uma concep\u00e7\u00e3o delirante. O indiv\u00edduo come\u00e7a a interpretar de acordo com o quadro cl\u00ednico que apresenta, isto \u00e9, que decorre da estrutura ou din\u00e2mica da personalidade. Um indiv\u00edduo ou sente ci\u00fame, ou \u00e9 agressivo ou se sente perseguido, desconfiado, com ideias de refer\u00eancia. Enfim, uma s\u00e9rie de concep\u00e7\u00f5es delirantes que decorrem da estrutura da personalidade e que s\u00e3o postas \u00e0 tona pelo uso habitual do \u00e1lcool. Esse fator del\u00edrio, \u00e9 uma desorganiza\u00e7\u00e3o da personalidade mais restrita porque \u00e9 interpreta\u00e7\u00e3o da realidade segundo uma determinada tend\u00eancia da personalidade do indiv\u00edduo. Quanto ao conte\u00fado temos: o del\u00edrio de ci\u00fames, o persecut\u00f3rio e o de grandeza. Que decorrem das \u00e1reas do c\u00e9rebro que s\u00e3o atingidas de prefer\u00eancia no processo. Como n\u00f3s interpretamos \u2013 toda interpreta\u00e7\u00e3o delirante est\u00e1 ligada predominantemente com o problema afetivo e, geralmente parte alta do c\u00f3rtex parieto-occipital, em geral. Mas h\u00e1 autores que j\u00e1 comprovaram aproximadamente este problema. O del\u00edrio tem uma correla\u00e7\u00e3o com a estrutura de personalidade, mas tem outra correla\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es cerebrais, e que s\u00e3o localizadas de modo bem preciso. Um dos tipos de altera\u00e7\u00e3o que foram verificadas \u00e9 a chamada paquimeningite (espessamento das meninges duras) que \u00e9 muito caracter\u00edstica. Os autores notaram que a paquimeningite ocorre de dois modos: (a) quando primariamente h\u00e1 espessamento das meninges, portanto, primariamente paquimeningite, espessamento da dura mater e (b) quando h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o hemorr\u00e1gica, um hematoma, portanto. H\u00e1 uma fragilidade vascular que pode ser constitucional, mas que \u00e9 sempre motivada pela ingest\u00e3o habitual do \u00e1lcool. Dessa forma, h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o das paredes vasculares que leva \u00e0 hemorragia e, consequentemente, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de hematomas, com irrita\u00e7\u00e3o local e, geralmente, uma meningoencefalite e n\u00e3o s\u00f3 uma paquimeningite, compar\u00e1vel \u00e0quela que aparece na neurossifilis (P.G.P.). O espessamento da meninge aparece com essa fase pr\u00e9via de forma\u00e7\u00e3o de hematoma e, inicialmente, um espessamento e colamento das paredes. Ou, como foi verificado por Morel: uma atrofia cortical ao n\u00edvel das zonas occipital at\u00e9 parietal e para, como ele diz, em uma linha demarcat\u00f3ria bem precisa. H\u00e1, portanto, dois aspectos ligados \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o do processo: um que corresponde \u00e0 meninge, o envolt\u00f3rio (paquimeningite) e outro que corresponde \u00e0s c\u00e9lulas cerebrais, portanto, uma altera\u00e7\u00e3o direta, funcional, ligada com a estrutura do c\u00f3rtex cerebral (atrofia cortical). No primeiro caso h\u00e1 um espessamento da meninge, porteriormente ocorre o hematoma e depois uma ader\u00eancia \u00e0 superf\u00edcie cortical (indiretamente, ligado \u00e0 altera\u00e7\u00e3o cortical, isto \u00e9, extrinseca). Assim, se temos um quadro cl\u00ednico bem caracter\u00edstico e podemos filiar isso a um processo de altera\u00e7\u00e3o celular, podemos concluir que realmente o fen\u00f4meno manifesto como del\u00edrio \u00e9 realmente uma altera\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do c\u00e9rebro, embora n\u00e3o se possa atribuir diretamente as concep\u00e7\u00f5es delirantes \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, porque isso depende de fatores da personalidade e de uma s\u00e9rie de outros fatores. O conte\u00fado do del\u00edrio est\u00e1 ligado com as disposi\u00e7\u00f5es da personalidade e o dinamismo com a por\u00e7\u00e3o cerebral atingida. Podemos recorrer na parte cl\u00ednica ao pneumoencefalograma<sup data-fn=\"b5157be4-01c8-4332-aecb-20c1cce809c2\" class=\"fn\"><a href=\"#b5157be4-01c8-4332-aecb-20c1cce809c2\" id=\"b5157be4-01c8-4332-aecb-20c1cce809c2-link\">2<\/a><\/sup>\u00a0 que pode revelar altera\u00e7\u00f5es: falta de preenchimento do sistema cortical ou atrofia, mas que nem sempre \u00e9 atrofia, pode ser disgenesia e, para esclarecer isto, \u00e9 preciso ver a parte cl\u00ednica. Porque a atrofia cortical se revela no pneumoencefalograma, que \u00e9 muito grosseiro: o que h\u00e1 \u00e9 uma falta de resist\u00eancia dos giros cerebrais com alargamento dos sulcos intergirais. Dessa forma, quando se fala em atrofia trata-se de um conceito de ordem histol\u00f3gica, enquanto aqui h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida ou alargamento do sulco, que mostra que \u00e9 um processo local, sendo importante verificar se traduz um processo adquirido ou cong\u00eanito, portanto, uma disgenesia. Essa s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es que vimos, parte inicialmente de um agravamento sucessivo em rela\u00e7\u00e3o a um tipo \u00fanico, mas em cada paciente se apresenta de um modo diferente.\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Outro aspecto, al\u00e9m do del\u00edrio, \u00e9 a <strong><em>Confus\u00e3o cr\u00f4nica<\/em><\/strong> \u2013 que decorre da altera\u00e7\u00e3o cerebral ligada a altera\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas do c\u00e9rebro: n\u00e3o \u00e9 mais um fen\u00f4meno agudo que ocorre como consequ\u00eancia de uma intoxica\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea. Nesse caso j\u00e1 n\u00e3o se trata de uma incapacidade de elaborar o trabalho mental habitual, nesse caso se confunde muito com a esquizofrenia. Em um paciente, internado em um hospital como alcoolista, deve-se verificar se ele \u00e9 um esquizofr\u00eanico que tomava \u00e1lcool por ser esquizofr\u00eanico ou se apresenta uma altera\u00e7\u00e3o mental cr\u00f4nica, como chamava Regis. Esse autor, em vez de falar esquizofrenia, fala confus\u00e3o mental cr\u00f4nica. Mais isso \u00e9 um aspecto da esquizofrenia e encontramos tamb\u00e9m no alcoolismo esse aspecto. Pode ser uma altera\u00e7\u00e3o da capacidade de elabora\u00e7\u00e3o e de reagir aos est\u00edmulos externos de modo coordenado, por incapacidade mental consequente a les\u00e3o cerebral, que atinge realmente a zona frontal. Mas vimos que h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o entre os sintomas ps\u00edquicos, subjetivos e os sistemas cerebrais, vemos que n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o entre um aspecto e outro, quer dizer, um aspecto pode decorrer do outro. Assim, os sistemas cerebrais da zona parieto-occipital estimulam a parte frontal alta que corresponde a esse aspecto da elabora\u00e7\u00e3o. Portanto, se h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o dessa reg\u00eancia, pode haver secundariamente uma perturba\u00e7\u00e3o funcional da zona frontal por consequ\u00eancia de falta de est\u00edmulo e falta de trabalho, ou progresso do processo.\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Finalmente, o quadro mais grave \u00e9 o <strong><em>Quadro demencial<\/em><\/strong>, chamado <strong><em>Dem\u00eancia Alco\u00f3lica<\/em><\/strong>. Dem\u00eancia \u00e9 mais que confus\u00e3o, \u00e9 incapacidade total de reagir aos est\u00edmulos. O que \u00e9 dif\u00edcil estabelecer, e que exige um crit\u00e9rio diagn\u00f3stico rigoroso \u00e9 se esses casos demenciais de \u00e1lcool s\u00e3o porque, de in\u00edcio, o indiv\u00edduo tinha tend\u00eancia gen\u00e9tica com altera\u00e7\u00e3o dos sistemas cerebrais, como no caso das lipidoses<sup data-fn=\"484e348c-81fd-44c1-87ed-ab5e1396dda6\" class=\"fn\"><a href=\"#484e348c-81fd-44c1-87ed-ab5e1396dda6\" id=\"484e348c-81fd-44c1-87ed-ab5e1396dda6-link\">3<\/a><\/sup>, ou se \u00e9 uma dem\u00eancia consequente ao \u00e1lcool. Ou, se o \u00e1lcool apenas serviu como fator que colocou \u00e0 prova a resist\u00eancia desses sistemas cerebrais. Os autores n\u00e3o tiveram a oportunidade de fazer uma anamnese rigorosa no sentido de ver a carga gen\u00e9tica. Esses quadros demenciais foram observados desde o in\u00edcio da Psiquiatria como consequ\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es v\u00e1rias: uma dem\u00eancia paral\u00edtica, dem\u00eancia org\u00e2nica, dem\u00eancia resultante de uma perturba\u00e7\u00e3o aguda, de psicoses infecciosas, chamada dem\u00eancia secund\u00e1ria. Isto acarretou uma confus\u00e3o de v\u00e1rios quadros. Dessa forma, muitos dementes que s\u00e3o considerados como consequ\u00eancia do alcoolismo s\u00e3o pacientes que tinham a doen\u00e7a de Pick ou dem\u00eancia senil e come\u00e7aram a tomar \u00e1lcool que atuou apenas como fator desencadeante. O alcoolista pode chegar a essa fase demencial sem depender do alcoolismo em si mesmo, ou isso pode ser uma consequ\u00eancia progressiva da fal\u00eancia dos sistemas cerebrais, cada vez mais grave. Importa ver o que est\u00e1 por tr\u00e1s do fen\u00f4meno do alcoolismo cr\u00f4nico: portanto, precisamos fazer o estudo patog\u00eanico, pesquisar a causa e n\u00e3o o epifen\u00f4meno que seria o alcoolismo.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A S\u00edndrome de Korsakoff est\u00e1 inclu\u00edda nesse problema em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 confus\u00e3o por um lado, e o est\u00edmulo para explicar isto seria o elemento de fabula\u00e7\u00e3o e que, no alcoolismo, pode ser um fator meramente din\u00e2mico e com o tratamento do alcoolismo pode desaparecer. O quadro de Korsakoff que foi descrito mesmo \u00e9 o de avitaminose do complexo B, acarreta a polioencefalite superior hemorr\u00e1gica que Wernicke descreveu, que atinge o tronco cerebral, o t\u00e1lamo, enfim, as estruturas entre o dienc\u00e9falo e o mesenc\u00e9falo \u2013 altera\u00e7\u00f5es locais com pequenas hemorragias, e ocasiona o quadro de desligamento do mundo exterior, confus\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o delirante no sentido mais fabulat\u00f3rio \u2013 \u00e9 mais fabula\u00e7\u00e3o que del\u00edrio, \u00e9 para preencher lacunas de mem\u00f3ria \u2013 mas n\u00e3o s\u00e3o fabula\u00e7\u00f5es fixadas e sim moment\u00e2neas. Assim, a altera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria decorre do comprometimento da aten\u00e7\u00e3o ao mundo exterior. O indiv\u00edduo n\u00e3o registra nada, tem est\u00edmulos para produzir alguma coisa, uma certa euforia e apresentam altera\u00e7\u00f5es senso-perceptivas, que s\u00e3o fundamentais. Esse quadro aparece em v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas e n\u00e3o s\u00f3 no alcoolismo, nas avitaminoses do complexo B etc., portanto, n\u00e3o sabemos at\u00e9 que ponto est\u00e1 ligado com o alcoolismo ou com a sua consequ\u00eancia que seria a falta de metaboliza\u00e7\u00e3o das vitaminas do complexo B.<\/p>\n\n\n\n<p>Nielsen verificou v\u00e1rios casos de n\u00e3o alcoolistas, mas com avitaminose, pertencentes a zonas rurais, pouco alimentados \u2013 e que apresentaram esse tipo de altera\u00e7\u00e3o demonstrada patologicamente pela necropsia. No alcoolismo o quadro \u00e9 din\u00e2mico e n\u00e3o estrutural.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"5f327a11-df1f-445c-9e5b-141f9667c85b\">Texto organizado pelo Dr. Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira, proferida em 20\/04\/1971, em Campinas, sem refer\u00eancia de quem a compilou, sendo revisto, em 31\/10\/22, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano. <a href=\"#5f327a11-df1f-445c-9e5b-141f9667c85b-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b5157be4-01c8-4332-aecb-20c1cce809c2\">Atualmente n\u00e3o se utiliza mais a Pneumoencefalografia j\u00e1 que dispomos de outros exames de imagens muito mais eficientes e precisos, tais como a Tomografia Computadorizada do Cr\u00e2nio ou a Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica do Enc\u00e9falo. (Nota dos revisores) <a href=\"#b5157be4-01c8-4332-aecb-20c1cce809c2-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"484e348c-81fd-44c1-87ed-ab5e1396dda6\">As lipidoses s\u00e3o desordens org\u00e2nicas no metabolismo dos l\u00edpides (gorduras) que resultam em quadros nocivos \u00e0 sa\u00fade pois determinadas gorduras s\u00e3o acumuladas em certas partes do corpo. As pessoas com esses transtornos geralmente n\u00e3o conseguem sintetizar enzimas suficientes para metabolizar os lip\u00eddios ou estas enzimas que n\u00e3o funcionam corretamente. Ao longo do tempo, este ac\u00famulo excessivo de gordura pode causar danos permanentes a certos tecidos celulares, em especial ao c\u00e9rebro, sistema nervoso perif\u00e9rico, f\u00edgado, ba\u00e7o e medula \u00f3ssea. A incid\u00eancia destas doen\u00e7as \u00e9 rara bem como sua preval\u00eancia que \u00e9 estimada em 1 caso para cada 4.000 pacientes. O tratamento varia de acordo com a causa e o tipo de lipidose. <a href=\"#484e348c-81fd-44c1-87ed-ab5e1396dda6-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QUADROS CL\u00cdNICOS LIGADOS AO ALCOOLISMO O alcoolismo cr\u00f4nico implica, por um lado, em problemas de personalidade da qual decorre a depend\u00eancia psicol\u00f3gica com o \u00e1lcool e problemas de ordem fisiol\u00f3gica. Quando a depend\u00eancia n\u00e3o decorre, primariamente, de fatores psicol\u00f3gicos n\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico chamarmos esses casos de alcoolismo cr\u00f4nico.\u00a0 O alcoolismo cr\u00f4nico subentende, por um lado, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Texto organizado pelo Dr. Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira, proferida em 20\/04\/1971, em Campinas, sem refer\u00eancia de quem a compilou, sendo revisto, em 31\/10\/22, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.\",\"id\":\"5f327a11-df1f-445c-9e5b-141f9667c85b\"},{\"content\":\"Atualmente n\u00e3o se utiliza mais a Pneumoencefalografia j\u00e1 que dispomos de outros exames de imagens muito mais eficientes e precisos, tais como a Tomografia Computadorizada do Cr\u00e2nio ou a Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica do Enc\u00e9falo. (Nota dos revisores)\",\"id\":\"b5157be4-01c8-4332-aecb-20c1cce809c2\"},{\"content\":\"As lipidoses s\u00e3o desordens org\u00e2nicas no metabolismo dos l\u00edpides (gorduras) que resultam em quadros nocivos \u00e0 sa\u00fade pois determinadas gorduras s\u00e3o acumuladas em certas partes do corpo. As pessoas com esses transtornos geralmente n\u00e3o conseguem sintetizar enzimas suficientes para metabolizar os lip\u00eddios ou estas enzimas que n\u00e3o funcionam corretamente. Ao longo do tempo, este ac\u00famulo excessivo de gordura pode causar danos permanentes a certos tecidos celulares, em especial ao c\u00e9rebro, sistema nervoso perif\u00e9rico, f\u00edgado, ba\u00e7o e medula \u00f3ssea. A incid\u00eancia destas doen\u00e7as \u00e9 rara bem como sua preval\u00eancia que \u00e9 estimada em 1 caso para cada 4.000 pacientes. O tratamento varia de acordo com a causa e o tipo de lipidose.\",\"id\":\"484e348c-81fd-44c1-87ed-ab5e1396dda6\"}]"},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2494","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2494"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2494\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3351,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2494\/revisions\/3351"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}