{"id":2598,"date":"2024-06-24T20:28:31","date_gmt":"2024-06-24T23:28:31","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2598"},"modified":"2025-05-05T20:41:52","modified_gmt":"2025-05-05T23:41:52","slug":"introducao-a-teoria-sociologica-da-personalidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/introducao-a-teoria-sociologica-da-personalidade\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade<\/strong><sup data-fn=\"8915e910-33b9-4a2d-ac38-5935cd98375a\" class=\"fn\"><a href=\"#8915e910-33b9-4a2d-ac38-5935cd98375a\" id=\"8915e910-33b9-4a2d-ac38-5935cd98375a-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><sub>Flavio Vivaqcua<br>Francisco Drumond Marcondes de Moura<br>Paulo Palladini<br>Roberto Fasano Neto<\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Vers\u00e3o 1 (24\/06\/24): vers\u00e3o preliminar que na medida que for ampliada ser\u00e1 substitu\u00edda<\/pre>\n\n\n\n<p>\u00c9 surpreendente reconhecer que, no \u00e2mbito da pr\u00e1tica psiqui\u00e1trica, n\u00e3o se utilize uma teoria da personalidade como ferramenta indispens\u00e1vel para nortear a an\u00e1lise cl\u00ednica visando o diagn\u00f3stico do que se passa com uma determinada pessoa em sofrimento ps\u00edquico. An\u00edbal Silveira sempre chamou a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o, pelos psiquiatras, de uma teoria da personalidade para nortear e qualificar a sua pr\u00e1tica cl\u00ednica<sup data-fn=\"5b2d4de3-c28a-4c7b-b032-6898633e6dfb\" class=\"fn\"><a href=\"#5b2d4de3-c28a-4c7b-b032-6898633e6dfb\" id=\"5b2d4de3-c28a-4c7b-b032-6898633e6dfb-link\">2<\/a><\/sup><br>Ao longo de sua vida profissional e acad\u00eamica, que transcorreu no per\u00edodo de 1931 a 1979, aperfei\u00e7oou uma teoria da personalidade que aplicou na sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, na sua atividade docente e de pesquisa. Essa teoria foi denominada por ele, em 1977, como Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade<sup data-fn=\"f3d110f8-8816-4de6-bf91-03de465af599\" class=\"fn\"><a href=\"#f3d110f8-8816-4de6-bf91-03de465af599\" id=\"f3d110f8-8816-4de6-bf91-03de465af599-link\">3<\/a><\/sup>.<br>Segundo ele essa teoria pode ser aplicada para \u201ctodos os processos da mente humana, tanto gen\u00e9tico-psicol\u00f3gicos quanto din\u00e2micos, sejam eles normais ou patol\u00f3gicos. De acordo com essa teoria, a estrutura da personalidade n\u00e3o varia de pessoa para pessoa, mas \u00e9 peculiar \u00e0 esp\u00e9cie: ao todo s\u00e3o 18 fun\u00e7\u00f5es subjetivas \u00fanicas do c\u00e9rebro, que podem ser correlacionadas aos dinamismos cerebrais, mesmo que n\u00e3o sejam redut\u00edveis a ele\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Tais fun\u00e7\u00f5es integram sistemas ps\u00edquicos que conectam tr\u00eas esferas ps\u00edquicas: a afetividade, a atividade e a intelig\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>O que varia de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo \u00e9 o arranjo entre esses sistemas ps\u00edquicos, e ainda as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o que mediam a dinamica psiquica com a a\u00e7\u00e3o explicita ou comportamento manifesto, a partir da intera\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica com o ambiente f\u00edsico e social. Todas essas fun\u00e7\u00f5es subjetivas s\u00e3o inatas.<br>A no\u00e7\u00e3o de sistemas ps\u00edquicos como correlatos de sistemas cerebrais foi desenvolvida por Georges Audiffrent com base na teoria das fun\u00e7\u00f5es cerebrais de Comte<sup data-fn=\"96230285-630d-48f4-82fa-0756b0772451\" class=\"fn\"><a href=\"#96230285-630d-48f4-82fa-0756b0772451\" id=\"96230285-630d-48f4-82fa-0756b0772451-link\">4<\/a><\/sup>. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesta acha-se \u201cevidenciada a inter-rela\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es subjetivas, segundo princ\u00edpios bem definidos, estabelecidos pela hierarquia entre as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas de modo a caracterizar a din\u00e2mica do trabalho mental. Na esfera da Afetividade descreveu dez fun\u00e7\u00f5es, na esfera da Atividade, tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es e na esfera Intelectual estabeleceu cinco fun\u00e7\u00f5es. As fun\u00e7\u00f5es afetivas s\u00e3o as mais b\u00e1sicas e as fun\u00e7\u00f5es intelectuais s\u00e3o as mais dependentes\u201d.<br>Para a formula\u00e7\u00e3o da Teoria da Personalidade, que veio \u00e0 luz em janeiro de 1850, Comte se \u201corientou pelos princ\u00edpios da sociologia, ci\u00eancia por ele fundada, em seus elementos din\u00e2micos em 1822 (\u2026) Essa vis\u00e3o social do Homem, portanto, considerado em abstrato, independente das caracter\u00edsticas individuais, como tamb\u00e9m das caracter\u00edsticas pr\u00f3prias a uma determinada \u00e9poca e a um determinado contexto social, \u00e9 que possibilitou a formula\u00e7\u00e3o de uma teoria da personalidade mais precisa\u201d. A correla\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas com a estrutura cerebral foi baseada por Comte, tendo como ponto de partida, os estudos pioneiros de Gall: para esse autor o c\u00e9rebro n\u00e3o era a sede apenas das fun\u00e7\u00f5es intelectuais, mas tamb\u00e9m das fun\u00e7\u00f5es relacionadas com as habilidades e com os afetos. Assim, \u201ccompreendeu as \u201cfun\u00e7\u00f5es da alma\u201d como express\u00e3o da atividade de \u00f3rg\u00e3os cerebrais, o que se opunha aos postulados francamente impregnados pelos princ\u00edpios teol\u00f3gicos. Isto o colocou em confronto com as concep\u00e7\u00f5es de sua \u00e9poca, o que desencadeou uma campanha contra a sua concep\u00e7\u00e3o. Assim o preconceito e a intoler\u00e2ncia religiosa, condicionando a abordagem cient\u00edfica, fizeram com que suas concep\u00e7\u00f5es fossem proscritas e relegadas ao esquecimento\u201d.<br>Depuradas as imprecis\u00f5es desses passos iniciais, tornou-se poss\u00edvel o estabelecimento das bases biol\u00f3gicas, embora ainda rudimentares, para o desenvolvimento da teoria sociol\u00f3gica da personalidade humana sistematizada em 1850, como um conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas que definem o homem em fun\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<br>Comte \u201cconsidera ilus\u00f3ria a tentativa de definir a esp\u00e9cie humana a partir da an\u00e1lise do homem isolado, especialmente, porque nesse caso seriam utilizados m\u00e9todos totalmente inadequados \u00e0 complexidade dos fen\u00f4menos examinados\u201d.<br>O \u201cconjunto das dezoito fun\u00e7\u00f5es subjetivas est\u00e1 estruturado em tr\u00eas esferas da personalidade, intimamente relacionadas entre si. As fun\u00e7\u00f5es da afetividade constituem as mais b\u00e1sicas e as mais fundamentais, n\u00e3o apenas para que o trabalho mental se processe, mas tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da esp\u00e9cie. Essa atividade mais b\u00e1sica, que promove a preserva\u00e7\u00e3o individual e da esp\u00e9cie, exige o concurso do instinto nutritivo, do instinto sexual e de uma fun\u00e7\u00e3o instintiva que rege o cuidado da prole como meio de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, que vai se traduzir tamb\u00e9m nas diferentes fases de evolu\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo\u201d.<br>Esses instintos j\u00e1 haviam sido descritos por Gall. Entretanto, al\u00e9m de dar maior precis\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o dessas fun\u00e7\u00f5es, Comte formula hip\u00f3teses sobre as localiza\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os<sup data-fn=\"e4e01a16-418f-488f-81a3-b009af5254e3\" class=\"fn\"><a href=\"#e4e01a16-418f-488f-81a3-b009af5254e3\" id=\"e4e01a16-418f-488f-81a3-b009af5254e3-link\">5<\/a><\/sup> que desempenham as referidas fun\u00e7\u00f5es: o \u00f3rg\u00e3o que desempenha a fun\u00e7\u00e3o do instinto nutritivo estaria localizado no vermis cerebelar, estrutura filogeneticamente mais primitiva, enquanto a do instinto sexual teria como sede os hemisf\u00e9rios cerebelares, estrutura mais recente na escala animal. Gall havia localizado, indistintamente, em todo o cerebelo a fun\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o verificando que, na realidade, o cerebelo apresenta duas estruturas filogeneticamente distintas: o vermis cerebelar ou paleocerebelo e os hemisf\u00e9rios cerebelares ou neocerebelo. De fato, os estudos da filog\u00eanese demonstraram que o aparecimento do vermis cerebelar antecede \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos hemisf\u00e9rios cerebelares\u201d.<br>A fun\u00e7\u00e3o do instinto nutritivo \u201cpreside a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, atuando ao n\u00edvel b\u00e1sico da fase de forma\u00e7\u00e3o do \u00f3vulo e do espermatozoide, interferindo na fus\u00e3o dos gametas e, posteriormente, na forma\u00e7\u00e3o e na evolu\u00e7\u00e3o do ovo at\u00e9 a fase embrion\u00e1ria, quando se verifica a forma\u00e7\u00e3o do feto. Uma vez formado o sistema nervoso, a fun\u00e7\u00e3o do instinto nutritivo passa a ser controlada e regida pelo vermis cerebelar\u201d.<br>Em um \u201cn\u00edvel mais diferenciado, distinguem-se as fun\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o, relacionadas ao aperfei\u00e7oamento do indiv\u00edduo. O termo instinto \u00e9 utilizado apenas em rela\u00e7\u00e3o a essas cincos fun\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas e que se traduzem na individualidade\u201d.<br>Ainda no \u00e2mbito da individualidade, se \u201cdenomina ambi\u00e7\u00e3o ao concurso de duas fun\u00e7\u00f5es: a necessidade de dom\u00ednio e a necessidade de aprova\u00e7\u00e3o. Essas duas fun\u00e7\u00f5es j\u00e1 exigem a participa\u00e7\u00e3o do meio exterior e do conv\u00edvio interpessoal: constituem fun\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias entre os instintos e a sociabilidade mais diferenciada\u201d.<br>Esse conjunto compreende sete fun\u00e7\u00f5es da individualidade reservando para as mais b\u00e1sicas a terminologia instinto. N\u00e3o se conhece precisamente a delimita\u00e7\u00e3o quanto aos \u00f3rg\u00e3os cerebrais correspondentes. Estes estariam localizados na parte posterior do c\u00e9rebro: lobo occipital e parieto-occipital.<br>A sociabilidade, na acep\u00e7\u00e3o da teoria sociol\u00f3gica da personalidade, compreende tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es, que correspondem a n\u00edveis cada vez mais complexos e mais dependentes, no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es interpessoais: o apego, a venera\u00e7\u00e3o e a bondade, sendo que esta \u00faltima expressa uma aquisi\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica \u00e0 esp\u00e9cie humana, al\u00e9m daquela correspondente \u00e0 linguagem.<br>Assim, a bondade, necessariamente, ocuparia um \u00f3rg\u00e3o localizado no c\u00f3rtex cerebral mais recente na escala animal, mais precisamente na parte alta frontal (na frontal ascendente, \u00e1rea 6 de Brodmann), na proximidade e assistindo aos \u00f3rg\u00e3os da elabora\u00e7\u00e3o. As outras duas fun\u00e7\u00f5es da sociabilidade estariam localizadas na parte posterior do c\u00f3rtex cerebral.<br>Notamos assim a ocorr\u00eancia de uma hierarquia entre as fun\u00e7\u00f5es dentro de uma mesma esfera e que se estabelece segundo o grau de especificidade crescente e de import\u00e2ncia decrescente. Assim, na esfera da afetividade as fun\u00e7\u00f5es da individualidade s\u00e3o b\u00e1sicas para preserva\u00e7\u00e3o individual e da esp\u00e9cie, b\u00e1sicas para o trabalho de destrui\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o, quer ao n\u00edvel do metabolismo vegetativo quer ao n\u00edvel de atua\u00e7\u00e3o no plano exterior. Al\u00e9m disso, as fun\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades individuais no relacionamento interpessoal e definidas como necessidade de dom\u00ednio e de aprova\u00e7\u00e3o promovem o processo de socializa\u00e7\u00e3o individual.<br>A atividade corresponde ao conjunto de tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es subjetivas: o est\u00edmulo que desencadeia a a\u00e7\u00e3o e o ato mental, o refreamento ou inibi\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo e a manuten\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo que mant\u00e9m a a\u00e7\u00e3o e o ato mental. Essas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o dependentes do est\u00edmulo direto, que parte atrav\u00e9s das fun\u00e7\u00f5es afetivas, caracterizadas pelo interesse ou pelo m\u00f3vel afetivo, isto \u00e9, o agir por afei\u00e7\u00e3o deixando expl\u00edcito que na realidade, sem o concurso do interesse, n\u00e3o seria poss\u00edvel o desencadeamento da a\u00e7\u00e3o, nem a inibi\u00e7\u00e3o seletiva e nem a manuten\u00e7\u00e3o da atividade, quer no plano do comportamento expl\u00edcito, quer na express\u00e3o do trabalho intelectual. Essa dupla atua\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es da atividade \u00e9 outra particularidade que distingue a teoria sociol\u00f3gica das demais, mais precisamente com as teorias de Freud e de von Monakow.<br>Todo o trabalho mental acha-se na depend\u00eancia n\u00e3o apenas do interesse afetivo, mas das disposi\u00e7\u00f5es conativas que mant\u00e9m, estimulam ou inibem todo o processo de elabora\u00e7\u00e3o em seus diferentes n\u00edveis. A atividade expl\u00edcita, por sua vez, sofre o controle necess\u00e1rio da elabora\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da no\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia, traduzida no \u201cagir por afei\u00e7\u00e3o, pensar para agir\u201d4 .<br>Essa dupla participa\u00e7\u00e3o da atividade permite explicar uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es que repercutem no plano intelectual atrav\u00e9s de dinamismos anormais que tem origem nas fun\u00e7\u00f5es da atividade.<br>As fun\u00e7\u00f5es da atividade estariam necessariamente localizadas em posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre as da afetividade e as da intelig\u00eancia correspondendo, por conseguinte, a estruturas cerebrais tamb\u00e9m intermedi\u00e1rias, isto \u00e9, localizadas no lobo parietal e parieto-temporal.<br>A intelig\u00eancia aparece na teoria sociol\u00f3gica da personalidade como um conjunto de cinco fun\u00e7\u00f5es, necessariamente, dependentes da afetividade e da atividade, das quais recebe est\u00edmulo direto. Corresponde a dois grupos de fun\u00e7\u00f5es: para a concep\u00e7\u00e3o e para a express\u00e3o. Num plano ter\u00edamos a capta\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos do meio exterior atrav\u00e9s de dois \u00f3rg\u00e3os: a observa\u00e7\u00e3o concreta e a abstrata correspondendo, respectivamente, \u00e0 s\u00edntese e \u00e0 an\u00e1lise. J\u00e1 em n\u00edvel mais diferenciado, distingue-se o trabalho de elabora\u00e7\u00e3o propriamente dito, realizado atrav\u00e9s da indu\u00e7\u00e3o e da dedu\u00e7\u00e3o. Estas duas fun\u00e7\u00f5es da elabora\u00e7\u00e3o s\u00e3o, respectivamente, necess\u00e1rias \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 sistematiza\u00e7\u00e3o do trabalho mental baseado nos materiais captados pelos \u00f3rg\u00e3os da observa\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o corresponde ao sentido eferente da atua\u00e7\u00e3o intelectual no meio atrav\u00e9s da linguagem, em seus diferentes n\u00edveis: m\u00edmica, oral e gr\u00e1fica. A linguagem corresponderia ao n\u00edvel mais dependente do trabalho mental como um todo e aliado ao dinamismo da vontade, definindo as caracter\u00edsticas mais marcantes do ser humano.<br>As fun\u00e7\u00f5es intelectuais, pelas caracter\u00edsticas de depend\u00eancia e de especificidade maiores, teriam os \u00f3rg\u00e3os corticais correspondentes no lobo frontal, na parte anterior do c\u00e9rebro.<br>A rigor, apenas a atividade e a intelig\u00eancia estabelecem contato natural com o meio exterior, permanecendo a afetividade apenas ligada indiretamente ao meio exterior atrav\u00e9s daquelas fun\u00e7\u00f5es. A liga\u00e7\u00e3o direta da afetividade, no plano da individualidade, se processa atrav\u00e9s do instinto nutritivo com toda a rede visceral interna (meio interno objetivo).<br>Outro aspecto importante a analisar consiste no fato de que para estabelecer as liga\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias com o mundo exterior e com o mundo interno, existe um outro grupo de fun\u00e7\u00f5es \u2013 as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o, que se relacionam diretamente com as fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas espec\u00edficas que presidem a liga\u00e7\u00e3o. A intelig\u00eancia, em sentido aferente, apreende os est\u00edmulos do meio exterior atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, dos nervos sensoriais e das estruturas subcorticais (n\u00facleos sensoriais).<br>A atividade atuaria em sentido eferente no mundo externo atrav\u00e9s dos n\u00facleos motores e dos nervos motores que regem a motilidade. As estruturas nervosas e os n\u00facleos subcorticais j\u00e1 haviam sido identificados, com exce\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos subcorticais e dos nervos denominados tr\u00f3ficos, atrav\u00e9s dos quais o instinto nutritivo estabeleceria a reg\u00eancia. Posteriormente foram evidenciados os sistemas simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico, com liga\u00e7\u00e3o direta com os n\u00facleos tal\u00e2micos e, atrav\u00e9s destes, com o vermis cerebelar.<br>O c\u00e9rebro apresenta-se assim como um conjunto de \u00f3rg\u00e3os cerebrais bem mais limitado do que havia descrito Gall, como o correlato de fun\u00e7\u00f5es simples. O que se localiza s\u00e3o sistemas complexos de inter-rela\u00e7\u00e3o entre eles como correlatos dos sistemas ps\u00edquicos. Isso \u00e9 a base da psicofisiologia e nela podemos considerar como um continuum que vai desde a rede visceral at\u00e9 as fun\u00e7\u00f5es mais diferenciadas.<br>Isso \u00e9 a base da interrela\u00e7\u00e3o somato-ps\u00edquica e psicossom\u00e1tica uma vez que essas diferentes estruturas se acham ligadas por interm\u00e9dio da rede nervosa, visceral, motora e sensorial. Tal aspecto explica, por exemplo, a repercuss\u00e3o que as emo\u00e7\u00f5es exercem no plano vegetativo e vice-versa; explica tamb\u00e9m no plano normal as condi\u00e7\u00f5es especiais que caracterizam a hipnose: a partir de uma ordem dada &#8211; que envolve, necessariamente, o plano subjetivo &#8211; ocorre uma repercuss\u00e3o no plano vegetativo.<br>O conceito de sistemas ps\u00edquicos implica assim na evidencia\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es preferenciais entre as fun\u00e7\u00f5es, quer no plano normal quer no patol\u00f3gico. Implica tamb\u00e9m na intera\u00e7\u00e3o funcional que envolve estruturas diversas do manto cortical, sendo muitas delas distantes entre si. Assim a integra\u00e7\u00e3o funcional deve prevalecer sobre a espacial. Esse conhecimento foi sistematizado na Psicologia Fisiol\u00f3gica<sup data-fn=\"7fc33a2d-e3b2-49bb-afd4-0d2a2ee7a23c\" class=\"fn\"><a href=\"#7fc33a2d-e3b2-49bb-afd4-0d2a2ee7a23c\" id=\"7fc33a2d-e3b2-49bb-afd4-0d2a2ee7a23c-link\">6<\/a><\/sup>.<br>No plano estrutural anat\u00f4mico os estudos mostraram que o c\u00e9rebro se constitui de \u00e1reas distintas quanto \u00e0 forma, disposi\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas e das fibras nervosas. Isso permitiu a Brodmann a constru\u00e7\u00e3o da citoarquitetonia baseada na distribui\u00e7\u00e3o distinta das camadas celulares no manto cortical. Outros autores tamb\u00e9m constru\u00edram os mapas cerebrais pelo aspecto anat\u00f4mico, como Campbell, von Economo e Koskinas.<br>Esses estudos mostraram dois aspectos importantes:<br>1.\u00b0 &#8211; que as presen\u00e7as de \u00e1reas corticais distintas no c\u00e9rebro fariam supor e corroboravam os estudos fisiol\u00f3gicos efetuados pela estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, pela abla\u00e7\u00e3o de \u00e1reas cerebrais e pelos achados an\u00e1tomo-cl\u00ednicos;<br>2.\u00b0 &#8211; a presen\u00e7a de \u00e1reas cerebrais id\u00eanticas quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o celular n\u00e3o cont\u00edguas indicavam a integra\u00e7\u00e3o das mesmas no plano funcional, dando a base anat\u00f4mica para as concep\u00e7\u00f5es de sistemas cerebrais no plano funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>Bibliografia:<\/p>\n\n\n\n<p>Aulas: (acessar www.anibalsilveira.org &#8211; Se\u00e7\u00e3o Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade\/Apontamentos)<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Conceito de Personalidade segundo Monakow, Freud e Comte<\/li>\n\n\n\n<li>Teoria da Personalidade de Comte<\/li>\n\n\n\n<li>Compara\u00e7\u00e3o das Teorias da Personalidade<\/li>\n\n\n\n<li>Estrutura subjetiva e comportamento<\/li>\n\n\n\n<li>Integra\u00e7\u00e3o do comportamento e interdepend\u00eancia subjetiva<\/li>\n\n\n\n<li>Aprecia\u00e7\u00e3o conjunta dos setores da personalidade<\/li>\n\n\n\n<li>Afetividade e emo\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Distin\u00e7\u00e3o entre sentimento, afeto e emo\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Fun\u00e7\u00f5es afetivas em n\u00edveis instintivos: Reg\u00eancia do metabolismo<\/li>\n\n\n\n<li>Atividade. Fun\u00e7\u00f5es Conativas<\/li>\n\n\n\n<li>Fun\u00e7\u00f5es da Cona\u00e7\u00e3o. Reg\u00eancia da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita<\/li>\n\n\n\n<li>Sistemas Ps\u00edquicos. Correla\u00e7\u00f5es neurofisiol\u00f3gicas.<\/li>\n\n\n\n<li>Sistemas cerebrais e Sistemas ps\u00edquicos.<\/li>\n\n\n\n<li>Sensa\u00e7\u00e3o e Percep\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Evolu\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o \u2013 Teoria das imagens.<\/li>\n\n\n\n<li>Elabora\u00e7\u00e3o e linguagem.<\/li>\n\n\n\n<li>Comunica\u00e7\u00e3o. Teoria dos sinais.<\/li>\n\n\n\n<li>Teoria da abstra\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Psicologia do Desenvolvimento<\/li>\n\n\n\n<li>Psicologia Fisiol\u00f3gica<\/li>\n\n\n\n<li>Personalidade. Teoria de Freud<\/li>\n\n\n\n<li>Teoria psicodin\u00e2mica de Freud: introdu\u00e7\u00e3o do elemento interpessoal<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00edveis de elabora\u00e7\u00e3o intelectual, participa\u00e7\u00e3o dos fatores afetivo e conativo<\/li>\n\n\n\n<li>Acep\u00e7\u00e3o do ambiente e do mundo interno. Aspecto familiar.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Artigos: (acessar www.anibalsilveira.org &#8211; Se\u00e7\u00e3o Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade\/Artigos)<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Syndromo do lobo frontal (1935)<\/li>\n\n\n\n<li>As fun\u00e7\u00f5es do lobo frontal (1935)<\/li>\n\n\n\n<li>Les\u00f5es casuais e les\u00f5es sistem\u00e1ticas do c\u00e9rebro (1937)<\/li>\n\n\n\n<li>Das leis est\u00e1ticas e din\u00e2micas da intelig\u00eancia (1937)<\/li>\n\n\n\n<li>Acep\u00e7\u00e3o de Semiologia no Dom\u00ednio das Doen\u00e7as Mentais (1950)<\/li>\n\n\n\n<li>Sistemas cerebrais na patog\u00eanese das psicoses end\u00f3genas (1962)<\/li>\n\n\n\n<li>Psicologia fisiol\u00f3gica (1966)<\/li>\n\n\n\n<li>Dist\u00farbios locais e de repercuss\u00e3o de \u00e1reas occipitais (1970)<\/li>\n\n\n\n<li>Parieto-temporal regulation of frontal lobe functions (1977)<\/li>\n\n\n\n<li>Psychoneurological dynamisms of counscioussness (1978)<\/li>\n\n\n\n<li>A sociological theory of personality: Comte\u2019s, 1850 (1978)<\/li>\n\n\n\n<li>Dynamics of mental developments as attended by brain structures maturation (1978)<\/li>\n\n\n\n<li>Symbolization, as end result of cognitive-emotionl integration (1978)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"8915e910-33b9-4a2d-ac38-5935cd98375a\">Texto baseado em aulas e artigos de An\u00edbal Silveira. Adapta\u00e7\u00e3o de Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto. <a href=\"#8915e910-33b9-4a2d-ac38-5935cd98375a-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5b2d4de3-c28a-4c7b-b032-6898633e6dfb\">\u201cSistemas cerebrais na patog\u00eanese das psicoses end\u00f3genas\u201d, 1961. Ver a Se\u00e7\u00e3o Psiquiatria Sociol\u00f3gica\/Artigos no site <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/another-psychiatry-is-possible\/\">www.anibalsilveira.org<\/a>. <a href=\"#5b2d4de3-c28a-4c7b-b032-6898633e6dfb-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f3d110f8-8816-4de6-bf91-03de465af599\">A sociological theory of personality: Comte\u2019s, 1850\u201d, 1977. Ver a Se\u00e7\u00e3o Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade\/Artigos no site <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/apontamentos-sobre-a-teoria-da-personalidade-de-anibal-silveira\/\" data-type=\"page\" data-id=\"683\">Apontamentos sobre a Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade<\/a>. <a href=\"#f3d110f8-8816-4de6-bf91-03de465af599-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"96230285-630d-48f4-82fa-0756b0772451\">\u201cSyst\u00e8me de Politique Positive\u201d, Volume I, 1852 <a href=\"#96230285-630d-48f4-82fa-0756b0772451-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e4e01a16-418f-488f-81a3-b009af5254e3\">Na acep\u00e7\u00e3o de An\u00edbal Silveira o c\u00e9rebro \u00e9 constitu\u00eddo por um conjunto de \u00f3rg\u00e3os que desempenham fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, neurol\u00f3gicas e ps\u00edquicas, integrados harmonicamente por sistemas cerebrais. <a href=\"#e4e01a16-418f-488f-81a3-b009af5254e3-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"7fc33a2d-e3b2-49bb-afd4-0d2a2ee7a23c\">Psicologia Fisiol\u00f3gica, 1966. Ver a Se\u00e7\u00e3o Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade\/Artigos no site <a href=\"http:\/\/www.anibalsilveira.org\">www.anibalsilveira.org<\/a>. <a href=\"#7fc33a2d-e3b2-49bb-afd4-0d2a2ee7a23c-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade Flavio VivaqcuaFrancisco Drumond Marcondes de MouraPaulo PalladiniRoberto Fasano Neto Vers\u00e3o 1 (24\/06\/24): vers\u00e3o preliminar que na medida que for ampliada ser\u00e1 substitu\u00edda \u00c9 surpreendente reconhecer que, no \u00e2mbito da pr\u00e1tica psiqui\u00e1trica, n\u00e3o se utilize uma teoria da personalidade como ferramenta indispens\u00e1vel para nortear a an\u00e1lise cl\u00ednica visando o diagn\u00f3stico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Texto baseado em aulas e artigos de An\u00edbal Silveira. 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