{"id":2665,"date":"2024-06-25T20:44:07","date_gmt":"2024-06-25T23:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2665"},"modified":"2024-06-25T20:55:11","modified_gmt":"2024-06-25T23:55:11","slug":"teoria-do-instinto-segundo-comte-e-silveira","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/teoria-do-instinto-segundo-comte-e-silveira\/","title":{"rendered":"Teoria do Instinto segundo Comte e Silveira"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Teoria do Instinto segundo Comte e Silveira<\/span><\/strong><sup data-fn=\"61481568-98f1-4839-bd90-ab55bae4dfe8\" class=\"fn\"><a href=\"#61481568-98f1-4839-bd90-ab55bae4dfe8\" id=\"61481568-98f1-4839-bd90-ab55bae4dfe8-link\">1<\/a><\/sup><strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><br><\/span>(L\u00facia Maria Salvia Coelho)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Considera\u00e7\u00f5es fundamentais:<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica<\/span> que procura representar um fen\u00f4meno subjetivo preciso, decorrente do funcionamento cerebral ou de organiza\u00e7\u00e3o neural do animal.<\/li>\n\n\n\n<li>Instintos correspondem a <span style=\"text-decoration: underline;\">impulsos internos, subjetivos e peculiares<\/span> a uma determinada esp\u00e9cie. Ao n\u00edvel som\u00e1tico estes impulsos decorrem de <span style=\"text-decoration: underline;\">processos objetivos<\/span> neurofisiol\u00f3gicos e bioqu\u00edmicos, coordenados por \u00f3rg\u00e3os cerebrais espec\u00edficos. Os instintos s\u00e3o as<span style=\"text-decoration: underline;\"> express\u00f5es subjetivas<\/span> que apresentam a correla\u00e7\u00e3o de ordem mais direta do n\u00edvel <span style=\"text-decoration: underline;\">biol\u00f3gico<\/span> com o <span style=\"text-decoration: underline;\">psicol\u00f3gico<\/span>.<\/li>\n\n\n\n<li>As fun\u00e7\u00f5es instintivas ao lado das fun\u00e7\u00f5es da sociabilidade comp\u00f5em o setor da personalidade que denominamos <span style=\"text-decoration: underline;\">afetividade<\/span>. Este conjunto de fun\u00e7\u00f5es impele continuadamente o indiv\u00edduo humano a satisfazer as necessidades da pr\u00f3pria exist\u00eancia e a adaptar-se harmonicamente aos interesses greg\u00e1rios ou sociais.<\/li>\n\n\n\n<li>As fun\u00e7\u00f5es instintivas s\u00e3o as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas b\u00e1sicas e proveem a possiblidade do indiv\u00edduo viver e conservar-se. Estas fun\u00e7\u00f5es cuja a\u00e7\u00e3o pode se desenrolar no <span style=\"text-decoration: underline;\">pr\u00f3prio indiv\u00edduo<\/span> mantendo um contacto apenas indireto com o ambiente social, atrav\u00e9s da intelig\u00eancia e da cona\u00e7\u00e3o, difere das demais fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que subentendem necessariamente a participa\u00e7\u00e3o do ambiente f\u00edsico e social. A origem interna dos instintos, liga-se a fatores objetivos org\u00e2nicos, determina rea\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do indiv\u00edduo, impelindo-o a agir, a pensar e a integrar-se no ambiente social. Este <span style=\"text-decoration: underline;\">impulso em si mesmo n\u00e3o \u00e9 suficiente<\/span> embora <span style=\"text-decoration: underline;\">necess\u00e1rio<\/span>, para produzir o <span style=\"text-decoration: underline;\">comportamento<\/span>. Faz-se necess\u00e1ria a colabora\u00e7\u00e3o das demais fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e das condi\u00e7\u00f5es ambientais.<\/li>\n\n\n\n<li>As fun\u00e7\u00f5es instintivas s\u00e3o <span style=\"text-decoration: underline;\">inatas e aut\u00f4nomas<\/span> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 intelig\u00eancia, entretanto elas necessitam de um certo grau de participa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es intelectuais e das conativas para se expressarem como <span style=\"text-decoration: underline;\">\u201ccomportamento instintivo\u201d<\/span>, em decorr\u00eancia, o comportamento instintivo \u00e9 pass\u00edvel de sofrer a <span style=\"text-decoration: underline;\">influ\u00eancia do ambiente<\/span>, e admite uma certa gama de variedade em sua express\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Observamos que o indiv\u00edduo \u00e9 <span style=\"text-decoration: underline;\">impulsionado<\/span> por rea\u00e7\u00f5es subjetivas instintivas (<span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o conscientes<\/span> e n\u00e3o pass\u00edveis de elabora\u00e7\u00e3o l\u00f3gica) a agir no ambiente para satisfazer suas necessidades. Mas a <span style=\"text-decoration: underline;\">express\u00e3o<\/span> desta rea\u00e7\u00e3o depende em parte da <span style=\"text-decoration: underline;\">participa\u00e7\u00e3o intelectual<\/span> que permite a modifica\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais. A interven\u00e7\u00e3o intelectual ser\u00e1 tanto mais significativa quanto mais evolu\u00edda for a esp\u00e9cie considerada.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos, portanto, distinguir \u201cinstintos\u201d \u2013 enquanto fun\u00e7\u00f5es subjetivas ligadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es cerebrais \u2013 de \u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">comportamento instintivo<\/span>\u201d, express\u00e3o manifesta destes impulsos, mas que depende da contribui\u00e7\u00e3o das demais fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas. Assim, por exemplo, o comportamento instintivo descrito como \u201cfome\u201d ou \u201csede\u201d s\u00e3o necessidades que resultam da car\u00eancia do processo nutritivo, a qual por atingir uma certa intensidade \u00e9 reconhecida conscientemente como tal.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"6\">\n<li>Ao mesmo tempo que as fun\u00e7\u00f5es afetivo-instintivas s\u00e3o <span style=\"text-decoration: underline;\">influenciadas diretamente pelas no\u00e7\u00f5es intelectuais<\/span> (processo emocional b\u00e1sico) e indiretamente pelas fun\u00e7\u00f5es conativas (que promovem o desencadeamento coordenado do ato instintivo), os <span style=\"text-decoration: underline;\">instintos<\/span> estimulam todas as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Assim, eles estimulam diretamente o <span style=\"text-decoration: underline;\">trabalho mental<\/span>: determinado o <span style=\"text-decoration: underline;\">interesse elementar<\/span> pelo ambiente, e igualmente as fun\u00e7\u00f5es conativas: fornecendo a energia, isto \u00e9, as <span style=\"text-decoration: underline;\">motiva\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas<\/span> indispens\u00e1veis para o desencadeamento da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"7\">\n<li>A inter-rela\u00e7\u00e3o, que se estabelece desde cedo, entre as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas d\u00e3o uma aparente homogeneidade ao comportamento individual. Entretanto, em condi\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas, quer org\u00e2nicas, quer din\u00e2micas, esta harmonia se rompe evidenciando a natureza diversa de cada um dos componentes envolvidos no comportamento. Justifica-se assim a necessidade de codificarmos os fen\u00f4menos subjetivos de modo a permitir a realiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00f5es positivas sobre os processos correspondentes. Da\u00ed a <span style=\"text-decoration: underline;\">distin\u00e7\u00e3o<\/span> estabelecida entre instintos, cona\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia. Ela \u00e9 apenas poss\u00edvel de ser feita atrav\u00e9s de <span style=\"text-decoration: underline;\">resultado<\/span> do funcionamento de cada uma delas, isto \u00e9, do dinamismo objetivado no ambiente externo. O resultado das fun\u00e7\u00f5es instintivas e das fun\u00e7\u00f5es dos sentimentos \u2013 pertencentes ao setor afetivo \u2013 corresponde \u00e0 <span style=\"text-decoration: underline;\">integra\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<\/span>, necess\u00e1ria a <span style=\"text-decoration: underline;\">sobreviv\u00eancia<\/span> individual e da esp\u00e9cie (instintos) e ao estabelecimento progressivo do relacionamento interpessoal, em termos de subordina\u00e7\u00e3o e a seguir de relativa autonomia do meio social (sentimentos). O resultado das fun\u00e7\u00f5es intelectivas corresponde \u00e0 <span style=\"text-decoration: underline;\">adapta\u00e7\u00e3o sensorial<\/span>, \u00e0 <span style=\"text-decoration: underline;\">elabora\u00e7\u00e3o de dados<\/span> e a <span style=\"text-decoration: underline;\">express\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o<\/span> \u2013 permitindo o contato e a elabora\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o humana de realidade e ao mesmo tempo a adapta\u00e7\u00e3o correspondente. A atua\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es conativas permite a exterioriza\u00e7\u00e3o coordenada das inten\u00e7\u00f5es em atos e em gestos e promove a estabiliza\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o para o trabalho mental.<\/li>\n\n\n\n<li>Os impulsos instintivos atuam durante toda a exist\u00eancia individual, entretanto eles se exprimem de modo diverso conforme a fase de amadurecimento psicol\u00f3gico. Os instintos de conserva\u00e7\u00e3o prevalecem e caracterizam as primeiras rea\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a com os demais. \u00c0 medida que novas fun\u00e7\u00f5es se desenvolvem elas passam a dominar o relacionamento do indiv\u00edduo com o ambiente e consigo pr\u00f3prio, embora permane\u00e7a o influxo das fun\u00e7\u00f5es primordiais das fases anteriores.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Concep\u00e7\u00e3o de Instinto<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>\u201cConjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas que preside a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e a manuten\u00e7\u00e3o dos processos vitais indispens\u00e1veis \u00e0 sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e \u00e0 da esp\u00e9cie. Estas fun\u00e7\u00f5es estimulam todas as outras fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas no processo cont\u00ednuo de integra\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo ao ambiente f\u00edsico e social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Classifica\u00e7\u00e3o<\/span><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o dos diferentes instintos \u00e9 feita segundo dois crit\u00e9rios convergentes:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline;\">Quanto ao significado de sua express\u00e3o no ser humano<\/span>, permitindo a distin\u00e7\u00e3o de dois n\u00edveis: 1. \u00b0) n\u00edvel b\u00e1sico, ligado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia f\u00edsica individual e que corresponde ao <span style=\"text-decoration: underline;\">instinto nutritivo<\/span>. E, os instintos que permitem a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie: sexual e materno. Estes 3 instintos s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es quase originam no pr\u00f3prio indiv\u00edduo e permitem a satisfa\u00e7\u00e3o de impulsos pessoais.<\/li>\n\n\n\n<li>O n\u00edvel mais diferenciado que permite o aperfei\u00e7oamento do ser humano corresponde \u00e0s fun\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias entre a individualidade e a sociabilidade e que se expressam de modo diverso aos anteriores pois que ela se faz concomitantemente ao relativo amadurecimento da capacidade conativa e do trabalho intelectual. A esse n\u00edvel devemos distinguir os <span style=\"text-decoration: underline;\">instintos de constru\u00e7\u00e3o e de destrui\u00e7\u00e3o<\/span>, das outras fun\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m elementares, mas que, por suporem a participa\u00e7\u00e3o de relacionamento interpessoal, devem ser designadas como necessidades. Essas necessidades subjetivas foram designadas por Comte como <span style=\"text-decoration: underline;\">ambi\u00e7\u00e3o<\/span> e se traduzem sucessivamente como <span style=\"text-decoration: underline;\">necessidade de dom\u00ednio<\/span> e como <span style=\"text-decoration: underline;\">necessidade de aprova\u00e7\u00e3o<\/span> e s\u00e3o mais influenciadas que as anteriores, pelos sentimentos sociais. O 2. \u00b0 crit\u00e9rio \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o do substrato cerebral b\u00e1sico \u201c\u00f3rg\u00e3o\u201d e dos sistemas ps\u00edquicos respons\u00e1veis pelo processo definidor de cada instinto.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o dos instintos tal como ela \u00e9 feita na teoria positivista n\u00e3o aceita o crit\u00e9rio funcionalista que confunde a evid\u00eancia de uma finalidade imediata e evidente com a delimita\u00e7\u00e3o de um instinto e nem se limita a descrever uma s\u00e9rie de comportamentos instintivos que neste caso seriam interpretados erroneamente como fun\u00e7\u00f5es distintas. Tal crit\u00e9rio \u00e9 adotado por McDougall que enumera instintos de fome, de sede, de busca de ref\u00fagio etc. Tais rea\u00e7\u00f5es decorre do impulso nutritivo. Mas s\u00e3o comportamentos intencionais orientado por decis\u00f5es intelectuais.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"61481568-98f1-4839-bd90-ab55bae4dfe8\">\u00a0Apostila elaborada para servir aos m\u00e9dicos residentes em Psiquiatria do Hospital do Juqueri, durante o ano de 1980. Colaboraram na confec\u00e7\u00e3o Daisy L. Cenachi e Charles Oswald Sardemberg Evans Neto. Trata-se de uma apostila inclu\u00edda num grupo de apostilas sobre a Teoria de Personalidade, organizadas pela Dra. Lucia Coelho. Eu, Roberto Fazzani redigitalizei e formatei as mesmas. Muitas delas, no entanto, foram consideradas pela autora como ultrapassadas pois ela j\u00e1 reescreveu e elaborou o tema em outros artigos. <a href=\"#61481568-98f1-4839-bd90-ab55bae4dfe8-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teoria do Instinto segundo Comte e Silveira(L\u00facia Maria Salvia Coelho) Observamos que o indiv\u00edduo \u00e9 impulsionado por rea\u00e7\u00f5es subjetivas instintivas (n\u00e3o conscientes e n\u00e3o pass\u00edveis de elabora\u00e7\u00e3o l\u00f3gica) a agir no ambiente para satisfazer suas necessidades. 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