{"id":2800,"date":"2024-07-02T18:55:26","date_gmt":"2024-07-02T21:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2800"},"modified":"2024-07-02T18:55:26","modified_gmt":"2024-07-02T21:55:26","slug":"a-construcao-do-mote-na-terapia-comunitaria","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/a-construcao-do-mote-na-terapia-comunitaria\/","title":{"rendered":"A CONSTRU\u00c7\u00c3O DO MOTE NA TERAPIA COMUNIT\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A CONSTRU\u00c7\u00c3O DO MOTE NA TERAPIA COMUNIT\u00c1RIA<\/strong><strong><br><\/strong><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><span><b><br><sup>Baseado no texto de Liliana Beccaro Marchetti<br>Francisco Drumond Marcondes de Moura, maio\/2018<\/sup><\/b><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>O mote \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da terapia comunit\u00e1ria integrativa (TCI), nas palavras de Adalberto Barreto (2005). Mas o que \u00e9 um mote? Como fazer um mote? Quais os objetivos do mote? Que estrat\u00e9gias ou recursos usar? O que \u00e9 importante? Qual o melhor mote?<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>mote <\/strong>\u00e9 uma pergunta-chave que identifica e define a situa\u00e7\u00e3o problema, permitindo a re\ufb02ex\u00e3o sobre o comportamento do protagonista com determinado problema em determinado momento e que seja capaz de trazer \u00e0 tona elementos para resignificar a realidade vivida numa s\u00edntese que promova mudan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O mote na TCI \u00e9 como uma frase ou palavra, metaf\u00f3rica ou n\u00e3o, formulada pelo coordenador como uma pergunta, cujo objetivo \u00e9 situa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria vivida pelo protagonista do grupo (MARCHETTI; FUKUI, 2007, p. 48-51).<\/p>\n\n\n\n<p>O mote promove a possibilidade de desvendar e conhecer por v\u00e1rios \u00e2ngulos os diferentes saberes da comunidade rompendo com a solid\u00e3o<br>e com a exclus\u00e3o. Portanto, em muitos momentos usamos a frase \u201cVoc\u00ea n\u00e3o<br>est\u00e1 s\u00f3!\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, o mote <span style=\"text-decoration: underline;\">promove experimentar o pertencimento<\/span> quando o<br>protagonista e o grupo percebem que fazem parte de um grupo e<br>de algo maior: uma comunidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O mote pode indicar o caminho do percurso do individual para o coletivo, atrav\u00e9s das pessoas, suas fam\u00edlias, da comunidade a que pertencem e da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, busca desvelar a dor vivida pelo protagonista de forma<br>que o grupo possa trazer as est\u00f3rias que mostram o seu instrumental para lidar com problemas. Cada integrante do grupo mostra o seu melhor para contribuir com o alivio da dor do outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o mote promove uma rede solid\u00e1ria de apoio fraterno que congrega a possibilidade de dar e receber o seu melhor e muitas vezes conhecer o seu<br>melhor e, quando \u00e9 poss\u00edvel, contribuir para aliviar a dor do outro e descobrir que ajudando o outro, ajudo a mim mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O processo de constru\u00e7\u00e3o do mote<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante conhecer as etapas da TCI, pois, cada uma delas \u00e9<br>importante na prepara\u00e7\u00e3o do grupo para a formula\u00e7\u00e3o do mote. Para a constru\u00e7\u00e3o do mote vamos privilegiar sempre a informa\u00e7\u00e3o do protagonista e para que isto seja poss\u00edvel o coordenador precisa estar atento aos seus pr\u00f3prios fantasmas para n\u00e3o incluir coisas pessoais \u00e0 situa\u00e7\u00e3o-problema. Inclusive, por causa disso, no processo de forma\u00e7\u00e3o do coordenador \u00e9 necess\u00e1rio ter o cuidado de cuidar do cuidador, visando trabalhar suas angustias e dificuldades.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 na contextualiza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o problema do protagonista que esta tarefa se faz necess\u00e1ria, permitindo ao coordenador conduzir o processo de constru\u00e7\u00e3o do mote. Uma forma \u00e9 identificar as palavras-chave com as quais o protagonista identifica as ra\u00edzes do seu sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O mote \u00e9 feito da palavra-chave de maneira mais pr\u00f3xima poss\u00edvel do sofrimento do protagonista. Ent\u00e3o, lan\u00e7ando m\u00e3o de perguntas e estimulando<br>o grupo a ajud\u00e1-lo na tarefa de perguntar, \u00e9 que ser\u00e1 poss\u00edvel ao terapeuta<br>compreender a dor, o sofrimento da pessoa e construir o mote.<\/p>\n\n\n\n<p>A arte de perguntar permite reconhecer os temas importantes da pessoa<br>e a ajud\u00e1-la a questionar objetivamente pontos de vista, opini\u00f5es e cren-<br>\u00e7as pertinentes que auxiliem a esclarecer a sua dor e o seu sofrimento. Frequentemente orientamos o grupo que quando vier\u00e0 mente um conselho, sugerimos transform\u00e1-lo numa pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra propriedade das perguntas \u00e9 que elas auxiliam na organiza\u00e7\u00e3o<br>das informa\u00e7\u00f5es e a lidar com a inseguran\u00e7a do terapeuta, pois, permitem<br>a este certificar-se de que o que ele est\u00e1 pensando \u00e9 mesmo do protagonista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O uso da restitui\u00e7\u00e3o neste momento \u00e9 relevante. Exemplo: \u201cDeixe-me<br>ver se eu entendi, se n\u00e3o, por favor, me corrija! A sua dor \u00e9 &#8230;\u201d. Desta<br>forma, o terapeuta certifica-se da sua apreens\u00e3o da palavra-chave e valida<br>o mote que pretende colocar para o grupo, na maioria das vezes, com a<br>confirma\u00e7\u00e3o do protagonista, o mote est\u00e1 pronto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas atentemos ao fato de que o mote \u00e9 constitu\u00eddo por dois questionamentos que contemplam a tarefa do terapeuta: um que explora o saber,<br>a experi\u00eancia individual, pessoal, e o outro, que busca solu\u00e7\u00f5es conhecidas, maneiras poss\u00edveis de resolu\u00e7\u00e3o, presentes no grupo, na experi\u00eancia<br>do outro que participa da roda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por esse motivo questionamos, usando o mote gen\u00e9rico:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1) Quem j\u00e1 viveu uma situa\u00e7\u00e3o semelhante a essa contada pelo colega?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>2) E o que fez para resolver?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tipos de mote&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um tipo \u00e9 o <strong>mote gen\u00e9rico <\/strong>ou <strong>curinga<\/strong>. Este \u00e9 um mote polivalente que amplifica sua atua\u00e7\u00e3o. Pode ser usado em qualquer situa\u00e7\u00e3o,<br>especialmente quando o terapeuta n\u00e3o tem clareza da dor do protagonista<br>na situa\u00e7\u00e3o ou quando o terapeuta verifica que um mote gen\u00e9rico pode<br>ser mais \u00fatil, abrangente e beneficia de maneira significativa o grupo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo: \u201cQuem j\u00e1 viveu uma situa\u00e7\u00e3o semelhante ao fulano e o que fez<br>para resolver?\u201d O mote gen\u00e9rico \u00e9 poderoso, pois pode desdobrar possibilidades que n\u00e3o foram pensadas at\u00e9 aquele momento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O outro tipo \u00e9 o <strong>mote simb\u00f3lico <\/strong>ou <strong>espec\u00edfico<\/strong>. Este mote \u00e9 espec\u00edfico, usado para ir direto ao ponto da dor do protagonista, busca um sofrimento ou dor espec\u00edfica. Pode ser usado quando o terapeuta tem clareza do sofrimento colocado, confirmado pela restitui\u00e7\u00e3o. Neste caso, muitas vezes, a palavra-chave faz parte do mote e tamb\u00e9m podemos lan\u00e7ar m\u00e3o dos prov\u00e9rbios, met\u00e1foras que ser\u00e3o o mote, por exemplo: \u201cQuem j\u00e1 se sentiu um patinho feio e o que fez para resolver?\u201d Como o nome diz, este mote refere-se sempre a um s\u00edmbolo, mito, que se refere a situa\u00e7\u00e3o problema do protagonista. Sua vantagem est\u00e1 no fato de que todos entendem cada um a sua maneira o s\u00edmbolo e ter\u00e3o uma est\u00f3ria para contar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00edveis de mote<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O terapeuta tem a possibilidade de fazer motes diferenciados: individuais, familiares, comunit\u00e1rios e sociais pr\u00f3ximos ou mais amplos. Com o tempo de roda e experi\u00eancia, estas possibilidades v\u00e3o se colocando. Os individuais se referem \u00e0 dor de uma pessoa, a um problema individual que pode ser aproveitado pelo grupo. S\u00e3o os mais comuns.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os motes familiares se referem a quest\u00f5es de fam\u00edlia, a um pequeno grupo dentro<br>do grupo, e dizem respeito \u00e0s dificuldades familiares propriamente ditas,<br>por exemplo, as rela\u00e7\u00f5es familiares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel comunit\u00e1rio, o mote comunit\u00e1rio vai tratar de alguma quest\u00e3o da comunidade, por exemplo, drogas ou brigas na comunidade. E, por fim, pode tratar at\u00e9 de uma quest\u00e3o social mais ampla, que possa conter uma reivindica\u00e7\u00e3o social do grupo para uma mobiliza\u00e7\u00e3o social, como cuidar de uma pra\u00e7a do bairro, por exemplo, ou reivindicar algum trabalho de algum \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, seja municipal, estadual ou federal, e<br>viabilizar o seu encaminhamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, percebemos que, conforme o treino do terapeuta vai acontecendo, ele vai ficando mais experiente e mais habilidoso em fazer os motes, o grupo vai aprendendo a lidar com as quest\u00f5es grupais e a participar do grupo, seus integrantes v\u00e3o ficando mais ativos e come\u00e7am a se empoderar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do mesmo modo, as quest\u00f5es v\u00e3o tamb\u00e9m ficando mais espec\u00edficas, complexas, reivindicat\u00f3rias e humanas. O grupo come\u00e7a a querer<br>discutir outros n\u00edveis. Como exemplo, podemos citar um caso de uma<br>comunidade de Bras\u00edlia que na sua maioria mulheres atrav\u00e9s das terapias<br>comunit\u00e1rias montaram uma cooperativa que virou refer\u00eancia no mundo<br>da moda, o Paranoarte1.<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos finalizar aqui com a frase de Martin Buber que nos acompanha e contempla: \u201cO maior sofrimento de um indiv\u00edduo \u00e9 n\u00e3o ser reconhecido como um ser diferente, \u00e9 viver sem ser percebido como algu\u00e9m original, \u00e9 ter que se violentar<br>para poder ser notado.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><br><\/strong>BARRETO, A. <strong>Terapia comunit\u00e1ria passo a passo<\/strong><em>. <\/em>Fortaleza: Gr\u00e1fica LCR, 2005.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MARCHETTI, L.B. Compreendendo o grupo na terapia comunit\u00e1ria integrativa. In: CAMAROTTI, M.H.; FREIRE,T.C.G.P.;BARRETO, A. (Org.). <strong>Terapia comunit\u00e1ria integrativa sem fronteiras<\/strong>: compreendendo suas interfaces e aplica\u00e7\u00f5es. Bras\u00edlia: [s.n.], 2011.p.177-195.<br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CONSTRU\u00c7\u00c3O DO MOTE NA TERAPIA COMUNIT\u00c1RIA&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Baseado no texto de Liliana Beccaro MarchettiFrancisco Drumond Marcondes de Moura, maio\/2018 O mote \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da terapia comunit\u00e1ria integrativa (TCI), nas palavras de Adalberto Barreto (2005). Mas o que \u00e9 um mote? Como fazer um mote? Quais os objetivos do mote? Que estrat\u00e9gias ou recursos usar? 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