{"id":2941,"date":"2024-07-16T18:32:17","date_gmt":"2024-07-16T21:32:17","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2941"},"modified":"2024-07-16T18:32:17","modified_gmt":"2024-07-16T21:32:17","slug":"psicoses-epileptoides-de-kleist","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/psicoses-epileptoides-de-kleist\/","title":{"rendered":"PSICOSES EPILEPT\u00d3IDES DE KLEIST"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>PSICOSES EPILEPT\u00d3IDES DE KLEIST<\/strong><sup data-fn=\"ec5188dd-98d6-4f48-9e7e-f169badf160f\" class=\"fn\"><a href=\"#ec5188dd-98d6-4f48-9e7e-f169badf160f\" id=\"ec5188dd-98d6-4f48-9e7e-f169badf160f-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos ver hoje o grupo das psicoses epileptoides de Kleist.\u00a0 Em sua acep\u00e7\u00e3o, psicose epileptoide tem um sentido diverso do que psicose epil\u00e9ptica. Os autores em geral dizem psicose epil\u00e9ptica quando o paciente tem convuls\u00e3o e apresenta o quadro convulsivo associado com dist\u00farbios mentais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outros autores, como Gastaut e, especialmente, Landolt, encontraram altera\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica em pacientes que estavam em tratamento com anticonvulsivantes e apresentavam dist\u00farbios mentais, da\u00ed atribu\u00edram o dist\u00farbio mental \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o do EEG, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. J\u00e1 salientamos que na epilepsia, mesmo na epilepsia cl\u00e1ssica com convuls\u00e3o, com aus\u00eancia, pode o EEG ser normal, porque s\u00e3o dois crit\u00e9rios diversos de aprecia\u00e7\u00e3o: um que aponta para a an\u00e1lise do fator gen\u00e9tico, isto \u00e9, para uma condi\u00e7\u00e3o que \u00e9 permanente, que acompanha o indiv\u00edduo por toda a vida, como uma tend\u00eancia para a convuls\u00e3o ou para outras formas de rea\u00e7\u00e3o anormal, como estado crepuscular ou como estado segundo, algumas vezes, ou simplesmente como irritabilidade exagerada; outra quest\u00e3o \u00e9 o dinamismo cerebral anormal que se aprecia atrav\u00e9s do EEG.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o duas coisas distintas, mas como os autores em geral t\u00eam essa tend\u00eancia para considerar a altera\u00e7\u00e3o do ritmo eletroencefalogr\u00e1fico como sin\u00f4nimo de Epilepsia, isso cria essa confus\u00e3o. Sabemos que uma das caracter\u00edsticas da Epilepsia \u00e9 a convuls\u00e3o cl\u00e1ssica, o denominado mal maior, \u00e0s vezes associada com estado crepuscular que sucede a uma convuls\u00e3o, geralmente transit\u00f3rio que dura momentos, mais raramente algumas horas: n\u00e3o constitui, portanto, uma psicose, \u00e9 uma decorr\u00eancia da altera\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do c\u00e9rebro que deu resultado a convuls\u00e3o e que ao retornar ao estado normal apresenta esse per\u00edodo de anormalidade que consiste na a\u00e7\u00e3o, na atividade sem a reg\u00eancia de consci\u00eancia clara precisa, da\u00ed o nome de Estado Crepuscular.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para Kleist as psicoses epileptoides n\u00e3o s\u00e3o consequentes a um estado confusional qualquer, de natureza ex\u00f3gena, de car\u00e1ter infeccioso, nem consequente a uma convuls\u00e3o de car\u00e1ter end\u00f3geno da Epilepsia. Mas h\u00e1 uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas ligadas com a tend\u00eancia gen\u00e9tica para a epilepsia e que se expressam atrav\u00e9s de quadros cl\u00ednicos mistos comuns na Psiquiatria ou ent\u00e3o como quadro independente. Para dar uma ideia geral, para fazermos um diagn\u00f3stico diferencial, vamos analisar o quadro abaixo:\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"686\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/01-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2942\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/01-2.png 985w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/01-2-300x209.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/01-2-768x535.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/01-2-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"982\" height=\"644\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/02-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2943\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/02-2.png 982w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/02-2-300x197.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/02-2-768x504.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/02-2-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 982px) 100vw, 982px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Aqui observamos uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es end\u00f3genas que est\u00e3o ligadas a uma tend\u00eancia gen\u00e9tica mais ou menos acentuada, passando pelas psicoses diat\u00e9ticas e outros graus de dilui\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica epil\u00e9ptica: a personalidade psicop\u00e1tica, os tra\u00e7os anormais de car\u00e1ter, condi\u00e7\u00f5es neur\u00f3ticas e, finalmente, a participa\u00e7\u00e3o da carga epil\u00e9tica na patog\u00eanese dos quadros ocasionais, principalmente, aqueles que decorrem do dinamismo conativo, que \u00e9 essencial na din\u00e2mica patol\u00f3gica epileptoide. Mas tais formas, portanto, n\u00e3o tem liga\u00e7\u00e3o direta com as formas epileptoides de Kleist.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, no grupo da Catatonia, a Catatonia acin\u00e9tica e a estereot\u00edpica s\u00e3o as duas formas mais caracter\u00edsticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da cona\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o da cona\u00e7\u00e3o nas formas negativista e procin\u00e9tica. A Catatonia acin\u00e9tica, estereot\u00edpica e a paracin\u00e9tica s\u00e3o tr\u00eas formas progressivas de Kleist que se manifestam por dist\u00farbios motores, principalmente, na estereot\u00edpica e na paracin\u00e9tica ou pelo comportamento expl\u00edcito, isto \u00e9, por um bloqueio geral ou por uma libera\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes moment\u00e2nea, impulsiva da motilidade, dos gestos e dos atos. Mesmo nas formas mutista e prol\u00e1lica temos tamb\u00e9m uma participa\u00e7\u00e3o menor da cona\u00e7\u00e3o que se traduz no comportamento intelectual. No grupo da Hebefrenia, a forma ap\u00e1tica tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com a cona\u00e7\u00e3o embora o ponto de partida patogen\u00e9tico seja o dist\u00farbio da esfera afetiva. Finalmente, nas formas paranoides temos a participa\u00e7\u00e3o direta da cona\u00e7\u00e3o por consequ\u00eancia da carga gen\u00e9tica epileptoide. Na forma de Influ\u00eancia o indiv\u00edduo tem como aspecto central na patog\u00eanese do quadro a atividade delirante, por\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o do que se passa no meio exterior, da\u00ed inferir uma influ\u00eancia do meio exterior. Na forma de Inspira\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 o elemento conativo que d\u00e1 a libera\u00e7\u00e3o da atividade do indiv\u00edduo, ele \u00e9 expansivo porque a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 afetiva e a a\u00e7\u00e3o ou interpreta\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos delirantes parte do indiv\u00edduo para o meio exterior. Na forma progressiva assistem\u00e1tica temos a catatonia iterativa que est\u00e1 ligada com a progressividade porque \u00e9 uma forma catat\u00f4nica, mas tem um elemento ligado com a periodicidade que d\u00e1 a reitera\u00e7\u00e3o dos atos, dos gestos e um componente que est\u00e1 mais ligado com a incid\u00eancia da epilepsia que \u00e9 o per\u00edodo de lucidez, per\u00edodos de remiss\u00e3o parcial (parcial, mas h\u00e1 uma remiss\u00e3o).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nas formas progressivas combinadas temos a forma de catatonia acin\u00e9tica mutista e a acin\u00e9tica negativista em que h\u00e1 um elemento motor predominando e um elemento afetivo, secundariamente, apresentado, atrav\u00e9s do negativismo. A forma procin\u00e9tica e a prol\u00e1lica tem os dois aspectos tamb\u00e9m de libera\u00e7\u00e3o motora, assim como a paracin\u00e9tica. Na forma prol\u00e1lica h\u00e1 libera\u00e7\u00e3o intelectual, de rea\u00e7\u00e3o imediata com palavras ao lado, com respostas ao lado. Na forma procin\u00e9tica e prol\u00e1lica as duas tend\u00eancias tanto no trabalho mental (comunica\u00e7\u00e3o) quanto na a\u00e7\u00e3o (atividade) dependem do est\u00edmulo conativo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, s\u00e3o formas que podem ser confundidas com as psicoses epilept\u00f3ides. O paciente est\u00e1 num quadro psic\u00f3tico, apresenta uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es no campo da motilidade, no comportamento expl\u00edcito, que se confundem com a rea\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica da epilepsia. Se fizermos o EEG nesses pacientes \u00e9 muito prov\u00e1vel que encontremos disritmia, vari\u00e1vel conforme a regi\u00e3o atingida e da\u00ed os autores interpretarem, nesses casos que n\u00e3o s\u00e3o epil\u00e9pticos, como decorr\u00eancia da normaliza\u00e7\u00e3o do EEG: o indiv\u00edduo apresentou na fase aguda um EEG negativo, que \u00e9 comum. Quando se repete o EEG h\u00e1 possibilidade de ser a disritmia positiva: da\u00ed se atribuir o per\u00edodo psic\u00f3tico \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o do quadro eletroencefalogr\u00e1fico cerebral.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas revers\u00edveis simples temos a epilepsia do tipo Mal Maior, forma constitucional ligada com a tend\u00eancia gen\u00e9tica para a epilepsia. E h\u00e1 formas que se apresentam de um modo vari\u00e1vel porque dependem de uma conflu\u00eancia de genes, de outras tend\u00eancias gen\u00e9ticas, como acontece na epilepsia afetiva e na do tipo Mal Menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Epilepsia afetiva ocorrem aquelas rea\u00e7\u00f5es intempestivas que aparecem nos pacientes que n\u00e3o tem convuls\u00e3o, mas que tem um equivalente dessa ordem; come\u00e7am a rir, por exemplo, n\u00e3o podem parar de rir, h\u00e1 uma aparente expansividade que n\u00e3o \u00e9 agressividade, \u00e9 uma libera\u00e7\u00e3o simplesmente, com caracter\u00edstica afetiva e o indiv\u00edduo, enfim, entra em estado de convuls\u00e3o e \u00e0s vezes, cessa s\u00f3 com a rea\u00e7\u00e3o afetiva, sem chegar \u00e0 convuls\u00e3o. Na variante psicomotora do tipo Mal Menor, temos um aspecto apenas intelectual que \u00e9 a aus\u00eancia, isto \u00e9, falta de est\u00edmulo conativo donde o bloqueio do trabalho mental sem convuls\u00e3o, ou uma rea\u00e7\u00e3o psicomotora intempestiva, a forma chamada impulsiva ou propulsiva na crian\u00e7a pequena, que est\u00e1 ligada com a mesma tend\u00eancia gen\u00e9tica e que \u00e9 acompanhada tamb\u00e9m de um estado de inconsci\u00eancia. Mas s\u00e3o incidentes que aparecem rapidamente, duram segundos, raramente duram alguns minutos, portanto, n\u00e3o chegam a constituir um quadro psic\u00f3tico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nas formas de psicoses mistas temos a liga\u00e7\u00e3o da epilepsia com as psicoses circulares e com a esquizofrenia. Mas quando prevalece o elemento da epilepsia \u00e9 f\u00e1cil reconhecermos a liga\u00e7\u00e3o com a carga gen\u00e9tica. Por outro lado, quando prevalece o componente afetivo, nas formas circulares ou nas formas de esquizofrenia, fica mascarada a participa\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica epilept\u00f3ide.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas vezes se confundem esses quadros com as formas diat\u00e9ticas de Kleist<sup data-fn=\"1054ed30-babc-4a8b-ad7e-833d7a0cbcc5\" class=\"fn\"><a href=\"#1054ed30-babc-4a8b-ad7e-833d7a0cbcc5\" id=\"1054ed30-babc-4a8b-ad7e-833d7a0cbcc5-link\">2<\/a><\/sup>. Temos dois tipos: a forma simples epis\u00f3dica e as formas multif\u00e1sicas que apresentam um componente intelectual ou afetivo. As formas simples constituem os impulsos m\u00f3rbidos peri\u00f3dicos, a dipsomania, a poriomania como express\u00e3o desses impulsos e o Estado Crepuscular Epis\u00f3dico. Outra modalidade de psicose epileptoide, que \u00e9 mais ligada com a rea\u00e7\u00e3o afetiva, \u00e9 o Estado H\u00edpnico epis\u00f3dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como participa\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia gen\u00e9tica para epilepsia nas formas benignas paranoides de Kleist, temos a Confabulose Expansiva, com libera\u00e7\u00e3o conativa do trabalho mental sob a forma de fabula\u00e7\u00e3o, a Psicose Aguda de Extranheza que tem um elemento de perplexidade, um estranhamento porque o indiv\u00edduo n\u00e3o relaciona o est\u00edmulo do mundo exterior com a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o que ele tem do ambiente, da\u00ed a extranheza. A forma de Psicose Aguda de Inspira\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 o \u00eaxtase, que se traduz pelo bloqueio do trabalho mental produtivo, o indiv\u00edduo fica quase como incapaz de contacto com o mundo exterior, quase em estado de aus\u00eancia, mas \u00e9 distinto da aus\u00eancia. Vale ressaltar que o \u00eaxtase, inclusive, pode ocorrer normalmente num indiv\u00edduo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda a Cataplexia onde o elemento motor predomina e a Narcolepsia que apresenta um dist\u00farbio no componente vegetativo, no sono.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nas formas ligadas com tend\u00eancias m\u00faltiplas, temos a Alucinose Ansiosa Ext\u00e1tica, de base afetiva e conativa; a Psicose Ansiosa que pode ser estuporosa ou agitada: h\u00e1 agita\u00e7\u00e3o com um elemento de libera\u00e7\u00e3o quase crepuscular e o bloqueio estuporoso, com o comprometimento da rela\u00e7\u00e3o intelectual com o meio, afetando a elabora\u00e7\u00e3o mais diferenciada.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na Psicose da motilidade a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente no aspecto conativo e na carga gen\u00e9tica e ela apresenta duas formas como Kleist descreveu:\u00a0 a forma hipercin\u00e9tica e a forma acin\u00e9tica. A psicose da motilidade \u00e9 uma forma ligada com a carga gen\u00e9tica cicloide, mas que tem um componente gen\u00e9tico muito concentrado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga epil\u00e9ptica. A diferen\u00e7a \u00e9 que num caso temos a participa\u00e7\u00e3o direta da cona\u00e7\u00e3o como elemento da forma epileptoide e no outro, indireta, atrav\u00e9s dos aspectos da motilidade manifestando-se como uma psicose c\u00edclica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o com essas tend\u00eancias gen\u00e9ticas temos as Personalidades Psicop\u00e1ticas do tipo inst\u00e1vel e do tipo ast\u00eanico. A forma ast\u00eanica tem caracter\u00edsticas que muitas vezes se confundem com a epilepsia, \u00e0s vezes com a Neurose e que decorrem da tend\u00eancia anormal psicop\u00e1tica da estrutura patol\u00f3gica para esse tipo de rea\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tra\u00e7os de personalidade como a obstina\u00e7\u00e3o, a volubilidade e a agressividade s\u00e3o elementos que mostram tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o direta do elemento conativo, portanto, do prevalecimento da carga gen\u00e9tica epil\u00e9ptica, com a persevera\u00e7\u00e3o que \u00e9 caracter\u00edstica, ou com a instabilidade motora de prop\u00f3sitos, de atividade, de volubilidade ou agressividade no sentido de descarga da rea\u00e7\u00e3o transferida para o meio exterior sob forma impulsiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas condi\u00e7\u00f5es neur\u00f3ticas temos a Histeria de convers\u00e3o, a Neurose compulsiva que tem um elemento ligado \u00e0s tend\u00eancias gen\u00e9ticas epileptoides, de certa maneira, a chamada Neurastenia. A Compuls\u00e3o reativa se confunde com a Neurose compulsiva, mas \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea, com estereotipias transit\u00f3rias ou pitiatismo, principalmente, na adolesc\u00eancia. O pitiatismo se confunde com a histeria. Na realidade \u00e9 um elemento ligado com a cona\u00e7\u00e3o no aspecto de subordina\u00e7\u00e3o excessiva ao meio exterior: o piti\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 um simulador, ele c\u00f3pia simplesmente um modelo que \u00e9 patol\u00f3gico e isso se deve principalmente \u00e0 sua sugestionabilidade. Por sua vez, a sugestionabilidade subentende uma subordina\u00e7\u00e3o afetiva e uma subordina\u00e7\u00e3o conativa tamb\u00e9m, quer dizer, o indiv\u00edduo imita indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas psicoses ocasionais tamb\u00e9m temos uma participa\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica epileptoide atrav\u00e9s dos quadros de car\u00eancia de iniciativa, na Psicose infecciosa, por exemplo; a forma acin\u00e9tica e a forma hipercin\u00e9tica quando h\u00e1 les\u00e3o cerebral; as convuls\u00f5es sintom\u00e1ticas que tamb\u00e9m traduzem a participa\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica e, finalmente, a car\u00eancia de iniciativa, quer seja psic\u00f3gena, como no caso do estupor ou dos quadros estuporosos reativos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma s\u00e9rie de quadros que n\u00e3o s\u00e3o ligados diretamente com o grupo das psicoses benignas epileptoides de Kleist, mas que s\u00e3o correlatos porque apresentam uma participa\u00e7\u00e3o muito direta da carga gen\u00e9tica no quadro cl\u00ednico e isso pode trazer uma certa confus\u00e3o no diagn\u00f3stico diferencial.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"983\" height=\"696\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/03-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2944\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/03-2.png 983w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/03-2-300x212.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/03-2-768x544.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/03-2-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 983px) 100vw, 983px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"986\" height=\"414\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/04-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2945\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/04-1.png 986w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/04-1-300x126.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/04-1-768x322.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/04-1-18x8.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 986px) 100vw, 986px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Esse quadro apresenta uma distribui\u00e7\u00e3o onde associamos algumas das formas cl\u00e1ssicas constitucionais de Kleist, as formas que s\u00e3o caracter\u00edsticas do grupo das formas revers\u00edveis e outras que s\u00e3o marginais ou at\u00edpicas no sentido de Kleist, em que h\u00e1 o aspecto de participa\u00e7\u00e3o de mais de uma esfera da personalidade na patog\u00eanese do quadro cl\u00ednico, n\u00e3o apenas da esfera afetiva.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as psicoses diat\u00e9ticas temos tr\u00eas grupos consoante a patog\u00eanese: grupo cicloide com patog\u00eanese afetiva; o grupo epileptoide com patog\u00eanese conativa e o grupo paranoide, com patog\u00eanese intelectual. Isto \u00e9, a patog\u00eanese refere-se \u00e0 Esfera da Personalidade predominantemente atingida em cada grupo: a Afetiva para o grupo cicloide, a conativa para o grupo Epileptoide e a intelectual para o grupo Paranoide. Mas em todas ocorre a participa\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica epileptoide e temos tamb\u00e9m que classific\u00e1-las conforme os sistemas envolvidos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, temos as psicoses com evolu\u00e7\u00e3o por surtos e aquelas com evolu\u00e7\u00e3o por fases, nas quais entram elementos cicloides e paranoides.<\/p>\n\n\n\n<p>Por surtos temos os Estados H\u00edpnicos epis\u00f3dicos, cuja patog\u00eanese \u00e9 afetiva, mas que se manifestam no aspecto motor, no comportamento; os Impulsos M\u00f3rbidos peri\u00f3dicos onde h\u00e1 elementos conativos e os Estados Crepusculares epis\u00f3dicos, onde o sistema intelectual \u00e9 o predominantemente comprometido. H\u00e1, portanto uma correla\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es normais afetivas, conativas e intelectuais e os estados patol\u00f3gicos que aparecem por uma tend\u00eancia gen\u00e9tica multif\u00e1ria acentuada, dando um quadro correspondente aos v\u00e1rios setores da afetividade, da cona\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia. As psicoses que apresentamos aqui, as psicoses epileptoides, correspondem \u00e0queles tr\u00eas n\u00edveis de manifesta\u00e7\u00e3o evidenciada pela patog\u00eanese: as formas afetivas, isto \u00e9, em que a esfera afetiva \u00e9 atingida de prefer\u00eancia como elemento patogen\u00e9tico, que s\u00e3o os estados h\u00edpnicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as psicoses epileptoides temos: os Estados H\u00edpnicos que podem aparecer de forma epis\u00f3dica (Narcolepsia) ou peri\u00f3dica (Estados H\u00edpnicos Peri\u00f3dicos, propriamente), onde o comprometimento \u00e9 do sistema afetivo; os Impulsos m\u00f3rbidos Peri\u00f3dicos (Dipsomania e a Poriomania), que s\u00e3o a forma conativa por excel\u00eancia, da\u00ed ser denominados como Impulsos M\u00f3rbidos; e o Estado Crepuscular Epis\u00f3dico no qual o sistema atingido \u00e9 o Intelectual.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que h\u00e1 uma caracter\u00edstica geral nestas psicoses que \u00e9 essa de elas aparecerem esporadicamente ou por per\u00edodos n\u00e3o previs\u00edveis. Quando h\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o f\u00e1sica, os aspectos heredol\u00f3gicos predominantes s\u00e3o afetivos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia epileptoide pois nas psicoses diat\u00e9ticas as tend\u00eancias gen\u00e9ticas s\u00e3o multif\u00e1rias. Temos tamb\u00e9m que diferenciar, embora estas condi\u00e7\u00f5es possam aparecer concomitantemente nestes quadros, as manifesta\u00e7\u00f5es propriamente epil\u00e9pticas que ocorrem em crises parox\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplificando esta multifariedade das tend\u00eancias gen\u00e9ticas temos, por exemplo, que no Estado H\u00edpnico, classificado entre as psicoses epileptoides (devido \u00e0 predomin\u00e2ncia desta tend\u00eancia), ele pode surgir episodicamente. Isto indica a participa\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias afetivas. Tamb\u00e9m \u00e9 comum nesta forma que ap\u00f3s o per\u00edodo de sonol\u00eancia intensa que caracteriza este quadro, possa surgir um Estado Segundo, aqui j\u00e1 uma manifesta\u00e7\u00e3o epil\u00e9ptica. Vimos que o Estado Segundo corresponde a uma perda da rela\u00e7\u00e3o entre o que se passa no ambiente e o pr\u00f3prio indiv\u00edduo. Nesse Estado, o indiv\u00edduo age como se estivesse normal, as pessoas, \u00e0s vezes, n\u00e3o percebem que ele est\u00e1 em Estado Segundo, mas, para quem o conhece, conseguir\u00e1 perceber que seu comportamento destoa daquilo que lhe \u00e9 habitual. Portanto, a atividade expl\u00edcita por ele apresentada \u00e9 concordante em si, no momento, mas quem o conhece, perceber\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 em seu estado normal. Isso decorre da liga\u00e7\u00e3o afetiva entre o que se passa no est\u00edmulo do momento e a vida subjetiva do indiv\u00edduo (h\u00e1 comprometimento do dinamismo da mem\u00f3ria \u2013 os est\u00edmulos atuais n\u00e3o s\u00e3o integrados \u00e0 experi\u00eancia pregressa do sujeito).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"988\" height=\"591\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/05-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2946\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/05-1.png 988w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/05-1-300x179.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/05-1-768x459.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/05-1-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 988px) 100vw, 988px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Pois bem, esses quadros, de natureza epil\u00e9ptica, podem aparecer tamb\u00e9m em liga\u00e7\u00e3o com a forma afetiva por excel\u00eancia das Psicoses Epileptoides, que \u00e9 o Estado H\u00edpnico.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos um paciente que era militar e comandava um destacamento numa cidade do interior. Na \u00e9poca havia pris\u00f5es pol\u00edticas, durante a segunda revolu\u00e7\u00e3o que houve em S\u00e3o Paulo. \u00c0 \u00e9poca, havia v\u00e1rios presos pol\u00edticos na cadeia sob o destacamento dele.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, quando voltou \u00e0 cadeia, notou que n\u00e3o havia mais nenhum preso. Ele chamou o cabo e o prendeu por consider\u00e1-lo respons\u00e1vel por tudo. O cabo insistia que tinha sido ele mesmo que dera ordens para se soltar todos os presos. Mas ele teimou, insistiu com sua posi\u00e7\u00e3o e realmente levou o cabo preso at\u00e9 a cidade de S\u00e3o Paulo. Na realidade, ele mesmo dera a ordem para a soltura dos presos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua hist\u00f3ria cl\u00ednica constatamos que ele j\u00e1 tinha feito coisas desta ordem. Numa ocasi\u00e3o tinha ido para outra cidade quando perdeu a consci\u00eancia das coisas e quando recuperou a consci\u00eancia, percebeu que j\u00e1 estava h\u00e1 tr\u00eas dias num hotel numa outra cidade. Referiu que o hoteleiro foi t\u00e3o bom, que a princ\u00edpio n\u00e3o percebeu que ele estava num estado anormal e, ent\u00e3o, n\u00e3o cobrou a estadia. Numa outra vez, quando ele estava na cidade de S\u00e3o Paulo, passou por um superior dele e n\u00e3o fez contin\u00eancia. Foi preso imediatamente e quando estava l\u00e1, na pris\u00e3o, n\u00e3o sabia o que havia passado com ele. N\u00e3o se recordava de nada. Foi encaminhado, ent\u00e3o, ao Hospital do Juqueri para verifica\u00e7\u00e3o, pelo Servi\u00e7o do Hospital da For\u00e7a P\u00fablica. Realmente ficou constatado que ele tinha Estado Segundo que era precedido, em geral, por um Estado H\u00edpnico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ele trabalhava na parte da Intend\u00eancia e, \u00e0s vezes, quando estava fazendo algum c\u00e1lculo, come\u00e7ava a confundir e se atrapalhar nos c\u00e1lculos. Ele precisava refaz\u00ea-los v\u00e1rias vezes e n\u00e3o conseguia acertar. Depois, perdia a consci\u00eancia e entrava em estado de sono. Isso foi realmente verificado durante a sua interna\u00e7\u00e3o no Hospital do Juquery, onde fazia o servi\u00e7o de estafeta, trabalhava bem, n\u00e3o tinha nenhuma perturba\u00e7\u00e3o mental permanente. No entanto, numa ocasi\u00e3o em que passava debaixo de uma \u00e1rvore, sentou-se e come\u00e7ou a cometer erros, v\u00e1rios erros, n\u00e3o conseguia mais fazer suas coisas direito (anteriormente havia ajudado a fazer a escritura\u00e7\u00e3o do pessoal no pavilh\u00e3o e o fizera perfeitamente). Tivemos a ocasi\u00e3o de examin\u00e1-lo nesta ocasi\u00e3o e constatamos que ele apresentava uma s\u00e9rie de incoer\u00eancias de racioc\u00ednio. Nessa ocasi\u00e3o em que passava debaixo das \u00e1rvores, primeiramente sentou-se e come\u00e7ou a dormir. Os funcion\u00e1rios do hospital achavam que ele estivesse embriagado, mas o enfermeiro foi chamado e reconhecendo o paciente, o levou para o pavilh\u00e3o. Ele estava dormindo e n\u00e3o tinha h\u00e1lito alco\u00f3lico. No dia seguinte, ele despertou num estado completamente diferente do que estava antes, n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m, agia como se estivesse perfeitamente normal no Pavilh\u00e3o, por\u00e9m sem nenhuma liga\u00e7\u00e3o com o que ele era realmente. Verificamos que ele se encontrava num Estado Segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, este estado passou e ele contou muito bem sobre sua experi\u00eancia. O que ele dizia era perfeitamente aceit\u00e1vel, merecia f\u00e9 porque no pr\u00f3prio hospital ele manifestou este tipo de comportamento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o indiv\u00edduo no Estado H\u00edpnico, apresenta uma sonol\u00eancia invenc\u00edvel. Ele precisa mesmo deitar-se, n\u00e3o consegue mais manter seu trabalho. Este estado \u00e9 precedido por dificuldades na escrita e no c\u00e1lculo, enfim, em qualquer trabalho mental que exija um pouco de concentra\u00e7\u00e3o. O trabalho mental vai gradualmente piorando e cada vez fica mais dif\u00edcil para o sujeito lutar contra o sono, at\u00e9 o momento em que n\u00e3o consegue mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o Estado H\u00edpnico. Neste quadro, a hip\u00f3tese \u00e9 de que se trata de um processo que acomete n\u00facleos pr\u00f3ximos ao IV ventr\u00edculo. O exame neurol\u00f3gico \u00e9 totalmente normal, o exame neuro-oftalmol\u00f3gico, o de l\u00edquor, \u00e9 completamente normal. Ou seja, neste paciente n\u00e3o havia nenhuma anormalidade org\u00e2nica ou neurol\u00f3gica, mas, clinicamente, ele tinha esses per\u00edodos em que ca\u00eda num estado completo de sonol\u00eancia irresist\u00edvel.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, esta \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o que aparece como um surto psic\u00f3tico. Este quadro se confunde frequentemente com a Histeria, por aquilo que muitos denominam Estado Segundo Hist\u00e9rico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pela descri\u00e7\u00e3o que tenho visto algumas vezes, este quadro est\u00e1 enquadrado nesse grupo de Kleist porque aparece o Estado Segundo precedido por sono, e isso dura um per\u00edodo muito pequeno e vari\u00e1vel. \u00c0s vezes dura um ou dois dias, mas nunca \u00e9 um estado prolongado. O Estado prolongado que seria esse Estado Segundo, est\u00e1 ligado com a Epilepsia mesmo. S\u00e3o os chamados desmemoriados, que \u00e9 um outro quadro que pode se confundir com esse Estado Segundo, mas n\u00e3o \u00e9 raro que o Estado segundo seja uma decorr\u00eancia, uma sequ\u00eancia, do Estado H\u00edpnico Epis\u00f3dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Impulsos M\u00f3rbidos s\u00e3o conhecidos desde o s\u00e9culo XIX. Todos os autores j\u00e1 conhecem a Dipsomania, porque ela se caracteriza por esta incapacidade do indiv\u00edduo em resistir ao impulso de beber \u00e1lcool. O indiv\u00edduo toma bebida alco\u00f3lica frequentemente e ininterruptamente e o que \u00e9 caracter\u00edstico deste quadro, \u00e9 o fato de o indiv\u00edduo n\u00e3o sentir prazer com a bebida que ingere. Ele a toma automaticamente, n\u00e3o consegue reter e vai tomando sempre. No entanto, repentinamente deixa de beber sem nenhuma dificuldade. Este quadro aparece sistematicamente como peri\u00f3dico, o indiv\u00edduo passa 2 a 3 meses bebendo sem se deter e depois, deixa completamente o \u00e1lcool. Mais tarde, torna a aparecer, ap\u00f3s alguns meses, outro surto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o consideramos estes pacientes como alcoolistas cr\u00f4nicos pois n\u00e3o h\u00e1 a caracter\u00edstica de ter prazer no ato de beber e nem que haja uma subordina\u00e7\u00e3o, uma depend\u00eancia instintiva, afetiva com o \u00e1lcool.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O abuso do \u00e1lcool aparece aqui como Impulso Peri\u00f3dico. H\u00e1 pacientes que t\u00eam este Impulso M\u00f3rbido, n\u00e3o pelo \u00e1lcool simplesmente, mas, muitas vezes, pela sexualidade. Tivemos alguns pacientes que tinham um per\u00edodo de Impulso muito intenso, pareciam exibicionistas, por vezes, quando estavam no cinema, atiravam beijos para os atores do filme, na tela. Essa paciente tinha consci\u00eancia de que aquilo n\u00e3o era normal pois n\u00e3o agia assim no Teatro, justificando que l\u00e1 eram pessoas de verdade. Ou seja, ela tinha consci\u00eancia de que aquilo era anormal, mas n\u00e3o podia impedir isso. Essa paciente tamb\u00e9m tinha, se n\u00e3o me engano, um outro epis\u00f3dio no qual havia deambula\u00e7\u00e3o (Poriomania).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m alguns pacientes que apresentam hiperbulia. Eles come\u00e7am a comer demasiadamente, se tornam obesos anormais por per\u00edodos, por comer desmedidamente. Como j\u00e1 dissemos acima, h\u00e1 tamb\u00e9m impulsos que se manifestam como deambula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o indiv\u00edduos que saem por a\u00ed afora, caminham por longos per\u00edodos sem nenhum motivo e depois periodicamente voltam para seus lares.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pouco tempo vi um trabalho sobre nomadismo de ciganos que mostrava um grupo de ciganos que era n\u00f4made por excel\u00eancia, mas alguns deles se tornavam errantes, eram diferentes dos outros e tinham a tend\u00eancia a vagar como se fosse por um Impulso.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que esta \u00e9 uma tend\u00eancia na qual predomina a cona\u00e7\u00e3o. Sabemos tamb\u00e9m que os nossos ind\u00edgenas t\u00eam tend\u00eancia a serem n\u00f4mades. Predomina o fator conativo e como caracter\u00edstica de grupo antropol\u00f3gico, temos esse fator de nomadismo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando aparece como fen\u00f4meno m\u00f3rbido por per\u00edodos, j\u00e1 n\u00e3o se trata de nomadismo, mas sim de um Impulso Peri\u00f3dico para a deambula\u00e7\u00e3o. A caracter\u00edstica fundamental desses impulsos de deambula\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o inconscientes. N\u00e3o se trata de Estado Crepuscular, n\u00e3o \u00e9 a deambula\u00e7\u00e3o que aparece como equivalente epil\u00e9ptico na qual o indiv\u00edduo sai andando, perde a no\u00e7\u00e3o e quando se d\u00e1 conta j\u00e1 est\u00e1 muito longe do lugar aonde ia. Nesse caso temos uma deambula\u00e7\u00e3o n\u00e3o consciente.<\/p>\n\n\n\n<p>No Impulso m\u00f3rbido peri\u00f3dico para deambula\u00e7\u00e3o, a chamada Poriomania, o indiv\u00edduo tem consci\u00eancia do que est\u00e1 fazendo, n\u00e3o tem motivo para fazer isso, mas segue o impulso e vai longe, \u00e0s vezes para outras cidades. Frequentemente anda a p\u00e9, mas n\u00e3o \u00e9 um Estado Segundo. No Estado Segundo o indiv\u00edduo tamb\u00e9m deambula, \u00e0s vezes dirigindo carros, sem ter consci\u00eancia do que est\u00e1 fazendo. Repentinamente se d\u00e1 conta de que est\u00e1 noutra cidade ou num acostamento sem ter tido nenhum acidente.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto ligado \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica com patogen\u00e9tica epileptoide s\u00e3o os Estados Crepusculares. Trata-se de um quadro que aparece autonomamente, independentemente de qualquer convuls\u00e3o. Geralmente o indiv\u00edduo n\u00e3o \u00e9 convulsivo ou apenas apresentara convuls\u00e3o na primeira inf\u00e2ncia. A fam\u00edlia, muitas vezes, n\u00e3o sabe que teve convuls\u00e3o e, quase sempre esse Estado Crepuscular aut\u00f4nomo aparece como rea\u00e7\u00e3o agressiva. Assim, h\u00e1 libera\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da atividade motora, sem muita consci\u00eancia, mas a rea\u00e7\u00e3o conativa est\u00e1 polarizada para a a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 trabalho mental, donde resulta a amn\u00e9sia posterior, mas n\u00e3o \u00e9 somente isto, a libera\u00e7\u00e3o motora tamb\u00e9m \u00e9 agressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito frequente em Estados Crepusculares que se seguem a uma convuls\u00e3o, que o indiv\u00edduo se torne agressivo e pode ser muito perigoso. De maneira que, uma das orienta\u00e7\u00f5es preventivas que se deve dar aos circunstantes \u00e9 de que quando um indiv\u00edduo tem convuls\u00e3o, deve-se cont\u00ea-lo, mas sem for\u00e7ar. Pois quase sempre ap\u00f3s passada a fase convulsiva, quando o indiv\u00edduo retoma a consci\u00eancia, ele passa por um per\u00edodo no qual sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 meio desconexa. \u00c9 comum as pessoas quererem segur\u00e1-lo, querer cont\u00ea-lo e isto, ent\u00e3o, agrava a rea\u00e7\u00e3o crepuscular, levando o indiv\u00edduo a um comportamento agressivo. \u00c9 preciso, deste modo, ter cuidado, manter uma certa vigil\u00e2ncia, mas, n\u00e3o for\u00e7ar a rea\u00e7\u00e3o motora do sujeito para que n\u00e3o se desencadeie uma rea\u00e7\u00e3o agressiva. Isto \u00e9 o que ocorre no Estado Crepuscular Epil\u00e9tico, como equivalente epil\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>No Estado Crepuscular Epis\u00f3dico, forma aut\u00f3ctone como quadro cl\u00ednico epileptoide, descrito por Kleist, esse conte\u00fado n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o agressivo, apenas h\u00e1 um aspecto de confus\u00e3o e a\u00e7\u00f5es incoordenadas. Isso n\u00e3o dura somente alguns momentos, mas dias, semanas nas quais o indiv\u00edduo n\u00e3o pode realizar os atos corretamente. Portanto, isto demonstra que est\u00e1 fora da consci\u00eancia, aparecendo com menos frequ\u00eancia do que nos quadros confusionais que s\u00e3o formas cicloides ligadas com a tend\u00eancia gen\u00e9tica para a PMD (Psicoses Cicloides do tipo Confus\u00e3o Mental agitado-estuporosa, que evolui por fases). Essa forma de psicose cicloide (Confus\u00e3o Mental Agitado-Estuporosa) \u00e9 mais comum que o Estado Crepuscular Epis\u00f3dico. No Estado Crepuscular Epis\u00f3dico encontramos que essa atividade confusa por vezes assume car\u00e1ter agressivo, mas mais frequentemente o que se encontra \u00e9 a incapacidade de coordenar as ideias, de fazer a\u00e7\u00f5es adequadas como o indiv\u00edduo faz rotineiramente. A confus\u00e3o se nota porque o indiv\u00edduo n\u00e3o d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o aos circunstantes, n\u00e3o se interessa pelo que est\u00e1 fazendo, comete erros grosseiros, em suas a\u00e7\u00f5es, por exemplo: ao vestir-se, veste-se de qualquer maneira, coloca as vestes ao contr\u00e1rio, o que acontece tamb\u00e9m em algumas formas de epilepsia larvada, o assim chamado equivalente motor ou mal propulsivo. O impulsivo, \u00e0s vezes se caracteriza por gestos, por atos que a pessoa faz, o tirar ou por a roupa sem se dar conta de como o est\u00e1 fazendo; mas como equivalente de uma convuls\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O caracter\u00edstico no Estado Crepuscular Epis\u00f3dico \u00e9 o fato de agir sem consci\u00eancia, de ter uma dura\u00e7\u00e3o maior, \u00e0s vezes de semanas nesse estado. Esse quadro cl\u00ednico \u00e9 pouco conhecido pois muitas vezes os psiquiatras n\u00e3o procuram investigar nos pacientes se est\u00e3o confusos ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito comum nos hospitais psiqui\u00e1tricos quase sempre se atribuir uma confus\u00e3o mental a um quadro de intoxica\u00e7\u00e3o ou infec\u00e7\u00e3o (quadros de psicoses infecciosas sintom\u00e1ticas com confus\u00e3o), quando, na realidade, pode se tratar de um quadro aut\u00f3ctone, que aparece sem nenhum desencadeante moment\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>O fundamental no Estado Crepuscular Epis\u00f3dico \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que o indiv\u00edduo esteja agindo de modo desconexo, sem dar aten\u00e7\u00e3o, sem reagir aos est\u00edmulos do ambiente e que, ap\u00f3s a remiss\u00e3o siga-se uma completa amn\u00e9sia daquilo que foi feito.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 casos nos quais o Estado Crepuscular \u00e9 perigoso para os demais. H\u00e1 pouco tempo vi um paciente de Crato, campon\u00eas, que eliminou quase toda a fam\u00edlia. Era um rapaz de 22 anos. Os jornais diziam que ele eliminou filhos pequenos, feriu a mulher, feriu o seu pai gravemente. Ele fez uma s\u00e9rie de atos desse tipo, matou 4 ou 5 pessoas da fam\u00edlia e foi necess\u00e1rio segur\u00e1-lo para n\u00e3o ser ferido tamb\u00e9m. Na cadeia, ele n\u00e3o sabia mais o que tinha acontecido. Este \u00e9 o caso de um paciente que teve um Estado Crepuscular caracter\u00edstico. N\u00e3o sabemos se tinha ou n\u00e3o convuls\u00f5es, mas o que parece \u00e9 que n\u00e3o tinha, pois nunca fora medicado anteriormente e n\u00e3o constava nada no jornal que tivesse algo antes desse crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 um epis\u00f3dio que aparece periodicamente ou isoladamente. Deste modo, \u00e9 Estado Crepuscular porque aparece periodicamente ou pode aparecer episodicamente, sem nenhuma periodicidade previs\u00edvel. Da\u00ed, provavelmente tratar-se de Estado Crepuscular Epis\u00f3dico. Mas o colorido fundamental \u00e9 de um quadro confusional comum, com libera\u00e7\u00e3o motora.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"ec5188dd-98d6-4f48-9e7e-f169badf160f\">Texto organizado por Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira proferida em 27\/08\/71, em Campinas, sem refer\u00eancia de quem a compilou, sendo revista, em 23\/01\/23, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto. <a href=\"#ec5188dd-98d6-4f48-9e7e-f169badf160f-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1054ed30-babc-4a8b-ad7e-833d7a0cbcc5\">\u00a0O termo psicose diat\u00e9tica foi cunhado por An\u00edbal Silveira para substituir o termo kleistiano \u201cPsicoses degenerativas\u201d. A proposta foi aceita pelo pr\u00f3prio Karl Kleist. <a href=\"#1054ed30-babc-4a8b-ad7e-833d7a0cbcc5-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PSICOSES EPILEPT\u00d3IDES DE KLEIST Vamos ver hoje o grupo das psicoses epileptoides de Kleist.\u00a0 Em sua acep\u00e7\u00e3o, psicose epileptoide tem um sentido diverso do que psicose epil\u00e9ptica. Os autores em geral dizem psicose epil\u00e9ptica quando o paciente tem convuls\u00e3o e apresenta o quadro convulsivo associado com dist\u00farbios mentais.\u00a0 Outros autores, como Gastaut e, especialmente, Landolt, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Texto organizado por Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira proferida em 27\/08\/71, em Campinas, sem refer\u00eancia de quem a compilou, sendo revista, em 23\/01\/23, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto.\",\"id\":\"ec5188dd-98d6-4f48-9e7e-f169badf160f\"},{\"content\":\"\u00a0O termo psicose diat\u00e9tica foi cunhado por An\u00edbal Silveira para substituir o termo kleistiano \u201cPsicoses degenerativas\u201d. 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