{"id":2962,"date":"2024-07-16T19:33:32","date_gmt":"2024-07-16T22:33:32","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=2962"},"modified":"2024-07-16T19:33:32","modified_gmt":"2024-07-16T22:33:32","slug":"psicoses-infecciosas-em-geral-neurossifilis-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/psicoses-infecciosas-em-geral-neurossifilis-2\/","title":{"rendered":"Psicoses infecciosas em geral. Neuross\u00edfilis"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>PSICOSES INFECCIOSAS EM GERAL. NEUROSS\u00cdFILIS<\/strong><sup data-fn=\"0caed679-aee7-43d7-b196-526e6fcf3ae0\" class=\"fn\"><a href=\"#0caed679-aee7-43d7-b196-526e6fcf3ae0\" id=\"0caed679-aee7-43d7-b196-526e6fcf3ae0-link\">1<\/a><\/sup><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio descritivo dificulta a distin\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios quadros psiqui\u00e1tricos. Porque, qualquer que seja o quadro cl\u00ednico, vamos encontrar muita coisa em comum e isso dificulta a divis\u00e3o dos quadros quanto \u00e0 etiologia, quanto ao desencadeamento, quanto \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, quanto \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o progn\u00f3stica e terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses crit\u00e9rios levariam o psiquiatra a classificar o mesmo quadro cl\u00ednico em rubricas diferentes ou, ent\u00e3o, v\u00e1rios quadros d\u00edspares entre si numa \u00fanica classifica\u00e7\u00e3o, por causa da etiologia ou por causa da configura\u00e7\u00e3o cl\u00ednica ou fatores que entram em jogo, sejam ex\u00f3genos ou end\u00f3genos. Isso, tem dificultado a compreens\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Importante salientar que a classifica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica n\u00e3o tem a finalidade, apenas, de estabelecer quadros estanques. O que se procura compreender \u00e9 um certo grupo de dinamismos m\u00f3rbidos que implicam uma certa configura\u00e7\u00e3o cl\u00ednica que, ao mesmo tempo, permita uma orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. Sem isto n\u00e3o adianta fazer uma classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que deve ser levado em conta s\u00e3o os dinamismos gerais dos quadros cl\u00ednicos: a sua patogenia. Se usarmos o crit\u00e9rio patog\u00eanico verificamos que \u00e9 fundamental, de qualquer \u00e2ngulo que se analise o problema, o fator gen\u00e9tico. Todas as configura\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas s\u00e3o compreens\u00edveis \u00e0 luz da gen\u00e9tica. Todas as etiologias que possam interferir num caso individual s\u00e3o tamb\u00e9m interpret\u00e1veis \u00e0 luz da gen\u00e9tica. Assim, o \u00fanico elemento que nos parece est\u00e1vel, permanente e indispens\u00e1vel, em qualquer quadro cl\u00ednico, \u00e9 o da patog\u00eanese, considerado sob o aspecto do genoma.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, procuramos fazer uma classifica\u00e7\u00e3o (Quadro I) levando em conta dois fatores, quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica no quadro cl\u00ednico, quer no seu desencadeamento, quer na sua configura\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do quadro decorrer de uma fator ex\u00f3geno consideramos mais indicado fazer uma classifica\u00e7\u00e3o relacion\u00e1vel aos v\u00e1rios m\u00e9todos de orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quadro I &#8211; <\/strong>CLASSIFICA\u00c7\u00c3O PSIQUI\u00c1TRICA BASEADA NA GEN\u00c9TICA HUMANA<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>PSICOSE DE ORIGEM INFECCIOSA PREDOMINANTE<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A origem infecciosa n\u00e3o exclui o componente gen\u00e9tico que d\u00e1 o colorido, a frequ\u00eancia do quadro cl\u00ednico e a susceptibilidade aos v\u00e1rios fatores patol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Meningo-encefalite difusa sifil\u00edtica (P.G.)<\/li>\n\n\n\n<li>Neuro-s\u00edfilis em geral.<\/li>\n\n\n\n<li>Neuroaxite epid\u00eamica ou encefalite epid\u00eamica<\/li>\n\n\n\n<li>Psicose por doen\u00e7a infecciosa em geral.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li>PSICOSE DE ORIGEM T\u00d3XICA PREDOMINANTE<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Que pode estar associada \u00e0 infec\u00e7\u00e3o, tendo uma participa\u00e7\u00e3o maior da carga gen\u00e9tica do que no grupo anterior.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"5\">\n<li>Psicose por hetero-intoxica\u00e7\u00e3o acidental (por exemplo, profissional)<\/li>\n\n\n\n<li>Psicose por auto-intoxica\u00e7\u00e3o end\u00f3crina ou metab\u00f3lica<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li>CONDI\u00c7\u00d5ES END\u00d3GENAS CONSTITUCIONAIS<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Grupo considerado, classicamente, como constitucionais e mais caracterizado quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"7\">\n<li>Epilepsia<\/li>\n\n\n\n<li>Psicose Maniaco Depressiva<\/li>\n\n\n\n<li>Esquizofrenia<\/li>\n\n\n\n<li>Parafrenia<\/li>\n\n\n\n<li>Paranoia<\/li>\n\n\n\n<li>Oligofrenia propriamente dita (end\u00f3gena)<\/li>\n\n\n\n<li>Psicose mista. Quadro associado ou enxertado.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"4\">\n<li>CONDI\u00c7\u00d5ES END\u00d3GENAS MARGINAIS (POR DISPOSI\u00c7\u00c3O GEN\u00c9TICA LATENTE)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Grupo com menor participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, embora seja evidente, constante e fundamental. O quadro cl\u00ednico pode ter um colorido vari\u00e1vel que se assemelha com as psicoses constitucionais e com o grupo infeccioso ou t\u00f3xico. Denominamos marginais porque n\u00e3o \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo que \u00e9 o fundamental &#8211; de modo que se pudesse prever na fase pr\u00e9-psic\u00f3tica o tipo de psicose que apresentaria -, mas sim uma disposi\u00e7\u00e3o latente que \u00e9 gen\u00e9tica e que confere o colorido, o desencadeamento e a evolu\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"14\">\n<li>Psicose diat\u00e9tica (Kleist)<\/li>\n\n\n\n<li>Personalidade Psicop\u00e1tica<\/li>\n\n\n\n<li>Toxicofilia<\/li>\n\n\n\n<li>Neurose<\/li>\n\n\n\n<li>Psicose reativa. Quadro \u201cpsic\u00f3geno\u201d em sentido estrito.<\/li>\n\n\n\n<li>Convuls\u00f5es sintom\u00e1ticas<\/li>\n\n\n\n<li>Del\u00edrio alucinat\u00f3rio cr\u00f4nico (Roxo)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"5\">\n<li>QUADROS DEFICIT\u00c1RIOS POR LES\u00d5ES FOCAIS OU ABIOTR\u00d3FICAS DO C\u00c9REBRO<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Nesse Grupo h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o menor da parte gen\u00e9tica, com um transtorno do comportamento habitual do indiv\u00edduo quando surge a psicose. Aqui ocorrem les\u00f5es cerebrais ou les\u00f5es abiotr\u00f3ficas do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"21\">\n<li>Doen\u00e7a de Alzheimer, de Pick, arterioesclerose cerebral.<\/li>\n\n\n\n<li>Dem\u00eancia senil propriamente dita (Presbiofrenia)<\/li>\n\n\n\n<li>Les\u00f5es focais do c\u00e9rebro, em geral.<\/li>\n\n\n\n<li>Defici\u00eancia mental por encefalopatia.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro ao \u00faltimo grupo, temos participa\u00e7\u00e3o do ambiente, mas ambiente aqui no caso, \u00e9 entendido como ambiente f\u00edsico em geral. O ambiente no Grupo V \u00e9 o ambiente citol\u00f3gico: no entanto, de qualquer maneira, \u00e9 ambiente em rela\u00e7\u00e3o ao genoma. O esquema de Luxemburger (Figura II) distingue os elementos da disposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e do ambiente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura I \u2013 <\/strong>\u00a0Esquema de interdepend\u00eancia entre fatores ambienciais e genot\u00edpicos da personalidade segundo Luxemburger em estado h\u00edgido e em quadros m\u00f3rbidos<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"799\" height=\"656\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-12.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2964\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-12.png 799w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-12-300x246.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-12-768x631.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-12-15x12.png 15w\" sizes=\"auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os da disposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica corresponde \u00e0 tend\u00eancia geral latente no indiv\u00edduo e o ambiente corresponde ou ao meio externo ou ao meio celular que, tamb\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o ao sistema nervoso, \u00e9 externo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura II<\/strong><sup data-fn=\"64324a8f-96f5-4ab6-9084-1106cb0b92c0\" class=\"fn\"><a href=\"#64324a8f-96f5-4ab6-9084-1106cb0b92c0\" id=\"64324a8f-96f5-4ab6-9084-1106cb0b92c0-link\">2<\/a><\/sup><strong> \u2013 Como os diferentes quadros psiqui\u00e1tricos referidos na Classifica\u00e7\u00e3o apresentada no Quadro I acima, se comportam com rela\u00e7\u00e3o aos fatores end\u00f3genos, aos componentes ex\u00f3genos (ambientais e\/ou somat\u00f3genos) e; quanto \u00e0 reversibilidade dos quadros (espont\u00e2nea ou terap\u00eautica):<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXftTz-5au2gZR8jdRWKl4KqpwxNe0vQRrL-hJcZhDi6wlf7FLgqmXIObi8Y9xFE8VexZQRLMxJyPkO_Vr-ZOX3cSRIedHr4qdqXAJ055gqpZfwFUv95uL7BECcPSDTXsgaCaoDf0Jx6MUPoKY4BSQmRxgeRwe7U8mTi4683T2-s5TQXc8FmWg?key=rsj1aJxVD3V5PTvY1__w9w\" alt=\"Gr\u00e1fico<br&gt;<br&gt;Descri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><em>Legenda: <\/em><\/strong>Linha de cor vermelha &#8211; Fatores end\u00f3genos: 3, abertamente constitucionais; 2, latente, como predisposi\u00e7\u00e3o; 1, demonstr\u00e1vel, mas n\u00e3o \u00f3bvios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Linha de cor azul &#8211; Componentes ex\u00f3genos, ambientais e\/ou somat\u00f3genos: 3, necess\u00e1rios e determinados pelo c\u00e9rebro, t\u00f3xicos ou estruturais; 2, indireto; 1, ocasional<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Linha de cor preta &#8211; Reversibilidade, espont\u00e2nea ou terap\u00eautica: 4, permanente, imediata; 3, permanente, mas lenta; 2, parcial ou tempor\u00e1ria; 1, duvidosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Curva (linha de cor vermelha) feita empiricamente, n\u00e3o com tratamento estat\u00edstico, embora baseada em mais de dois mil e cem casos. No grupo I (Psicoses de origem infecciosa predominante) h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o maior do ambiente e menor do genoma. No grupo III (Condi\u00e7\u00f5es end\u00f3genas constitucionais) a participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica atinge o m\u00e1ximo, especialmente, no grupo que corresponde \u00e0 esquizofrenia, \u00e0 parafrenia e \u00e0 psicose man\u00edaco depressiva. Depois h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia gen\u00e9tica, mas ainda encontramos no grupo IV (Condi\u00e7\u00f5es end\u00f3genas marginais), das psicoses latentes, uma participa\u00e7\u00e3o grande do fator gen\u00e9tico. E, finalmente, o componente gen\u00e9tico no grupo V (Quadros deficit\u00e1rios por les\u00f5es focais ou abiotr\u00f3ficas do c\u00e9rebro) \u00e9 muito reduzido, com maior participa\u00e7\u00e3o do ambiente citol\u00f3gico, com altera\u00e7\u00e3o celular, n\u00e3o necessariamente, abiotr\u00f3fica. Se quisermos levar em conta o fator de remiss\u00e3o terap\u00eautica (linha de cor preta), observamos que essa curva corre em sentido oposto da participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica nos grupos I e II. \u00c9, ainda, de certa maneira, oposta na parte principal do grupo constitucional (III). No grupo IV acontece o contr\u00e1rio, ela concorda, praticamente, com a curva da tend\u00eancia gen\u00e9tica, porque aqui o fator gen\u00e9tico se manifesta de forma diversa, isto \u00e9, com tend\u00eancia para a remiss\u00e3o (a carga gen\u00e9tica n\u00e3o leva para o estado progressivo de doen\u00e7a mental, mas, ao contr\u00e1rio, a tend\u00eancia \u00e9 benigna para a remiss\u00e3o). Denominamos o grupo IV de quadros end\u00f3genos marginais porque o quadro cl\u00ednico tem semelhan\u00e7a com os quadros constitucionais, porque a esfera da personalidade atingida \u00e9 a mesma. O \u00faltimo grupo, que trata de les\u00f5es cerebrais adquiridas ou de les\u00f5es abiotr\u00f3ficas, de base gen\u00e9tica, n\u00e3o se pode esperar uma remiss\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o do ambiente (outra curva, linha de cor azul) n\u00e3o vai, exatamente, em sentido contr\u00e1rio ao da tend\u00eancia gen\u00e9tica, mas ela apresenta um polo diverso, uma tend\u00eancia diversa daquela que se expressa pelo genoma. Temos a participa\u00e7\u00e3o grande do ambiente nas psicoses infecciosas e nas psicoses t\u00f3xicas, mas como ambiente celular.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Reiteramos a import\u00e2ncia da distin\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico, quanto a sua configura\u00e7\u00e3o, para uma classifica\u00e7\u00e3o adequada em fun\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica e, se poss\u00edvel, no sentido preventivo que \u00e9 o fundamental em Psiquiatria, embora, nem sempre, vi\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa distribui\u00e7\u00e3o mostra, primeiramente, os v\u00e1rios grupos de psicoses. Em primeiro lugar, temos aquelas mais caracter\u00edsticas quanto ao fator ambiencial. Na meningo-encefalite difusa sifil\u00edtica h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o grande do ambiente. Na neuross\u00edfilis, em geral, tamb\u00e9m h\u00e1 uma grande participa\u00e7\u00e3o do ambiente, no sentido de infec\u00e7\u00e3o lu\u00e9tica. No grupo II, nas psicoses heterotoxicas ou autotoxicas, h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o maior da carga gen\u00e9tica. O fator t\u00f3xico interfere de modo diverso, quer pela exposi\u00e7\u00e3o relacionada ao processo de trabalho ou ocasional, quer por uma intoxica\u00e7\u00e3o de ordem metab\u00f3lica, do pr\u00f3prio organismo. Por isso, distinguimos os casos que n\u00e3o s\u00e3o de intoxica\u00e7\u00e3o acidental, como \u00e9 o caso do alcoolismo que pode representar uma tend\u00eancia para superar dificuldades da personalidade. O alcoolista cr\u00f4nico n\u00e3o entra no grupo das psicoses heterot\u00f3xicas acidentais, vai entrar no grupo em que h\u00e1 uma tend\u00eancia da personalidade: psicopatia, toxicofilia ou ainda na neurose. Portanto, o alcoolismo deve estar em um desses tr\u00eas grupos fundamentais do Grupo IV, dependendo do dinamismo, psicog\u00eanico ou psicol\u00f3gico, que leva ao quadro de intoxica\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica cr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos distinguir os fatores acidentais dos previs\u00edveis, devido \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. O mesmo se passa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 epilepsia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A epilepsia \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida end\u00f3gena, n\u00e3o uma psicose, que pode ter um correlato neurofisiol\u00f3gico evidenci\u00e1vel &#8211; nem sempre tem -, mas que \u00e9, necessariamente, end\u00f3geno. Mas h\u00e1 convuls\u00f5es que s\u00e3o apenas sintom\u00e1ticas. Os autores, em geral, consideram as convuls\u00f5es sintom\u00e1ticas como epilepsia sintom\u00e1tica. Nesse caso, se perde o valor diagn\u00f3stico de epilepsia, se considerarmos que o indiv\u00edduo pode ter epilepsia adquirida. Os autores que estudam melhor a quest\u00e3o, j\u00e1 est\u00e3o chegando \u00e0 conclus\u00e3o de que a epilepsia \u00e9 sempre herdada. Mas, ainda, confundem convuls\u00e3o com epilepsia, porque aplicam um crit\u00e9rio descritivo considerando apenas uma parte do quadro cl\u00ednico, como express\u00e3o do todo, que \u00e9 muito mais complexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oligofrenia temos a oligofrenia que \u00e9 end\u00f3gena e uma defici\u00eancia mental que decorre de uma les\u00e3o, uma encefalopatia n\u00e3o end\u00f3gena. Nesse \u00faltimo caso, o indiv\u00edduo tem uma defici\u00eancia mental que \u00e9 adquirida, mas n\u00e3o podemos falar em oligofrenia adquirida. O que h\u00e1 \u00e9 uma defici\u00eancia mental. O resultado final pode ser o mesmo, mas a significa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e9 muito diferente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma maneira, temos o grupo das psicoses marginais de Kleist que chamamos de diat\u00e9ticas, que podem ter muita semelhan\u00e7a com o grupo da epilepsia, da esquizofrenia, da parafrenia, da psicose man\u00edaco depressiva, mas apresentam um decurso diferente e uma explica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica diferente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Sustentamos a opini\u00e3o que tomando, como crit\u00e9rio diagn\u00f3stico, a patog\u00eanese do quadro cl\u00ednico no sentido de esfera da personalidade atingida e quanto aos dinamismos c\u00e9rebro-patog\u00eanicos envolvidos, temos mais seguran\u00e7a para o diagn\u00f3stico e para o progn\u00f3stico. Isto possibilita ao psiquiatra estabelecer n\u00e3o apenas o diagn\u00f3stico, mas tamb\u00e9m o progn\u00f3stico, prevendo o decurso do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Alguns autores j\u00e1 fazem a distin\u00e7\u00e3o entre convuls\u00e3o sintom\u00e1tica e epilepsia, de oligofrenia com os v\u00e1rios quadros gen\u00e9ticos que d\u00e3o altera\u00e7\u00e3o constitucional do indiv\u00edduo e, em consequ\u00eancia, uma altera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, da capacidade mental. \u00c9 o caso da Sindrome de Turner, de Klinenfelter e de outras altera\u00e7\u00f5es hormonais gen\u00e9ticas que podem dar como consequ\u00eancia uma defici\u00eancia mental.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 importante acentuarmos que n\u00e3o \u00e9 o fator gen\u00e9tico que d\u00e1, como consequ\u00eancia, a defici\u00eancia mental, mas, tanto a altera\u00e7\u00e3o som\u00e1tica, autoss\u00f4mica ou gonadoss\u00f4mica como o quadro cl\u00ednico, s\u00e3o dois correlatos do mesmo fator gen\u00e9tico. N\u00e3o \u00e9 porque um indiv\u00edduo tem uma trissomia ou tem uma falta de disjun\u00e7\u00e3o dos cromossomos som\u00e1ticos ou gonadais que ele vai ter doen\u00e7a mental, s\u00e3o duas express\u00f5es distintas do mesmo fator gen\u00e9tico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tend\u00eancia atual, em gen\u00e9tica, de multiplicar os casos em que a altera\u00e7\u00e3o, autoss\u00f4mica ou som\u00e1tica dos cromossomos, vai dar um quadro mental \u00e9 uma tend\u00eancia que est\u00e1 agindo no sentido contr\u00e1rio da anterior, onde os quadros eram reunidos em si pr\u00f3prios, dando como resultado a distor\u00e7\u00e3o para a compreens\u00e3o do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No mongolismo, por exemplo, a altera\u00e7\u00e3o mongoloide \u00e9 um caso particular de altera\u00e7\u00e3o oligofr\u00eanica, onde os cromossomas 15, 23 ou 21 est\u00e3o alterados, n\u00e3o se dissociaram, da\u00ed \u00e9 atribu\u00eddo o quadro de mongolismo a este aspecto. Na realidade, se pesquisarmos com elementos mais aprofundados, n\u00e3o apenas o quadro cl\u00ednico, mas as tend\u00eancias gen\u00e9ticas e os tra\u00e7os de personalidade, vamos ver que esses tra\u00e7os s\u00e3o gen\u00e9ticos tamb\u00e9m. E vamos encontrar mais casos na fam\u00edlia que, portanto, t\u00eam a mesma configura\u00e7\u00e3o autoss\u00f4mica, t\u00eam a mesma configura\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que est\u00e1 impl\u00edcita nesse processo. N\u00e3o \u00e9, portanto, um acidente, n\u00e3o \u00e9 uma embriopatog\u00eanese: a embriopatog\u00eanese \u00e9 uma consequ\u00eancia da tend\u00eancia gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que devemos considerar \u00e9 que, \u00e0 primeira vista, parece haver um n\u00famero muito pequeno de quadros cl\u00ednicos, apenas vinte e quatro. Mas, esses quadros cl\u00ednicos incluem, tamb\u00e9m, condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o psic\u00f3ticas, como \u00e9 o caso das formas marginais ou como \u00e9 o caso de algumas formas constitucionais. Na verdade, incluem uma s\u00e9rie de quadros cl\u00ednicos que se p\u00f5e na mesma classifica\u00e7\u00e3o porque tem a mesma implica\u00e7\u00e3o. Assim, pela nossa orienta\u00e7\u00e3o consideramos que existem cinco tipos de Personalidade Psicop\u00e1tica. Os autores, em geral, admitem de dez a catorze. No grupo da esquizofrenia, temos 26 quadros cl\u00ednicos (Kleist). Na epilepsia, temos uma grande gama de manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que s\u00e3o todas epilepsia, em sentido geral. As psicoses autot\u00f3xicas e heterot\u00f3xicas tamb\u00e9m t\u00eam uma configura\u00e7\u00e3o diversa de paciente para paciente. Portanto, essa classifica\u00e7\u00e3o que propomos n\u00e3o significa que limitamos em vinte e quatro, os diversos quadros cl\u00ednicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Vemos, agora, os v\u00e1rios casos que constituem o grupo III em nossa classifica\u00e7\u00e3o e, depois, o grupo das marginais que s\u00e3o do grupo IV e as ocasionais que s\u00e3o dos grupos I e V.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Temos os quadros caracter\u00edsticos ou os outros que n\u00e3o s\u00e3o diat\u00e9ticos, mas tamb\u00e9m decorrem de uma tend\u00eancia gen\u00e9tica para a doen\u00e7a. Quanto aos quadros que s\u00e3o adquiridos, t\u00eam muita coisa em comum: isso decorre da esfera da personalidade atingida no processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela descri\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, um paciente que t\u00eam altera\u00e7\u00f5es do humor &#8211; que caracteriza as formas chamadas c\u00edclicas ou Psicose man\u00edaco-depressiva -, pode tamb\u00e9m corresponder a uma s\u00e9rie de quadros cl\u00ednicos marginais, ligados com essa tend\u00eancia gen\u00e9tica e, portanto, que tamb\u00e9m se exprimem pela depress\u00e3o, ang\u00fastia, com queixas cont\u00ednuas som\u00e1ticas: apenas pelo aspecto descritivo se confundem, mas n\u00e3o pela significa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ou uma psicose ocasional, uma paralisia geral agitada ou depressiva que se confunde com a mania, com a excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica ou com a depress\u00e3o, entretanto, \u00e9 um quadro muito diverso, que deve ser tratado de um modo muito espec\u00edfico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentamos, seguir, o <strong>Quadro II &#8211;<\/strong> Esbo\u00e7o de Classifica\u00e7\u00e3o patog\u00eanica em parte segundo Kleist.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"742\" height=\"709\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-15.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2967\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-15.png 742w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-15-300x287.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-15-13x12.png 13w\" sizes=\"auto, (max-width: 742px) 100vw, 742px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo A s\u00edfilis cerebral era muito frequente e dos anos 40 para c\u00e1 est\u00e1 desaparecendo, mas \u00e9 poss\u00edvel que, novamente, reapare\u00e7a porque j\u00e1 n\u00e3o se pensa mais nesse problema, n\u00e3o se pensa mais \u201csifiliticamente\u201d como dizia Miguel Couto, \u00e9 preciso que estejamos alerta para esse aspecto. Um paciente tem uma depress\u00e3o, trata-se com eletrochoque ou com qualquer outra coisa, da\u00ed seis meses \u00e9 um paral\u00edtico geral irrecuper\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Dividimos, consoante com alguns aspectos segundo Kleist,\u00a0 no \u00e2mbito dos quadros cl\u00ednicos ligados com a esfera afetiva: as formas relacionadas com dist\u00farbios do humor, com desordens da vida instintiva, com desordens da individualidade e as desordens da sociabilidade, que constituem altera\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas que d\u00e3o um colorido comum aos v\u00e1rios grupos de psicoses, sem levar em conta a participa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os quadros que correspondem \u00e0s desordens da cona\u00e7\u00e3o s\u00e3o de v\u00e1rios tipos: os constitucionais, representado pelo grupo das psicoses progressivas que \u00e9 o da esquizofrenia, bem como pelo grupo da epilepsia; os marginais, representado pelos quadros acidentais (convuls\u00f5es sintom\u00e1ticas, por exemplo), e os quadros relacionados com a perda da iniciativa, n\u00e3o por astenia, mas adquirida por doen\u00e7a.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, no caso de comprometimento da esfera da intelig\u00eancia, temos 3 grupos: aqueles em que a vig\u00edlia \u00e9 que est\u00e1 alterada, aqueles em que h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o da elabora\u00e7\u00e3o mental e aqueles em que a express\u00e3o \u00e9 que fica alterada, principalmente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, do ponto de vista da patogenese, temos em cada quadro constitucional uma configura\u00e7\u00e3o diferente, porque a esfera que d\u00e1 a express\u00e3o cl\u00ednica e o sistema cerebral envolvido, s\u00e3o diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, no caso do grupo das hebefrenias, h\u00e1 formas que correspondem a desordens da sociabilidade e outras que correspondem a desordens da vig\u00edlia. Todas apresentam altera\u00e7\u00f5es, fundamentalmente, afetivas, mas de um modo diferente em decorr\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o de sistemas ps\u00edquicos distintos na patog\u00eanese. Devemos considerar o aspecto gen\u00e9tico, quanto \u00e0 esfera e quanto ao sistema cerebral atingido.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>PSICOSES DE ORIGEM INFECCIOSA PREDOMINANTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Colocamos a paralisia geral, em primeiro lugar nesse grupo, porque \u00e9 a que est\u00e1 mais definida. Em segundo lugar, em uma escala descendente da participa\u00e7\u00e3o do ambiente e ascendente com rela\u00e7\u00e3o ao genoma, temos a neuross\u00edfilis que \u00e9 um pouco diferente da paralisia geral, que tem mais um colorido neurol\u00f3gico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em terceiro lugar pusemos a encefalite, que apresenta um colorido distinto na fase aguda e na fase cr\u00f4nica, ou quando consideramos a \u00e9poca que ela incide, se na idade adulta ou na crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro grupo \u00e9 o da psicose infecciosa em geral. Assim, quando o indiv\u00edduo tem uma psicose chamada psicose infecciosa, que \u00e0s vezes \u00e9 rotulada como psicose puerperal, por exemplo, e que s\u00e3o pass\u00edveis de remiss\u00e3o, vemos que, realmente, houve uma participa\u00e7\u00e3o infecciosa, mas esta desencadeou o componente gen\u00e9tico que estava em lat\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, nessa sequ\u00eancia uma participa\u00e7\u00e3o crescente do aspecto gen\u00e9tico e decrescente do fator ambiencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto nas psicoses infecciosas, em geral, como na paralisia geral, vemos uma grande participa\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os de personalidade, naquele sentido que chamamos de sexto grau de atenua\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica, \u00e9 o modo de ser do indiv\u00edduo, a configura\u00e7\u00e3o que ele apresenta na sua disposi\u00e7\u00e3o subjetiva, que d\u00e1 o colorido principal ao quadro. N\u00e3o s\u00f3 na irrup\u00e7\u00e3o, mas na pr\u00f3pria express\u00e3o do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nas psicoses infecciosas decorrentes, em grande parte, da intensidade da infec\u00e7\u00e3o, temos o chamado del\u00edrio on\u00edrico, mas o del\u00edrio on\u00edrico \u00e9 uma caracter\u00edstica, porque traz consigo um grande componente gen\u00e9tico e \u00e9 o que determina a fixa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-on\u00edrica tamb\u00e9m. O indiv\u00edduo pode ter uma psicose infecciosa com um onirismo muito grande, isso vai repercutir na forma de recupera\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, porque ele pode se lembrar de modo vago sobre o que aconteceu, mas pode ocorrer um aspecto muito definido, que \u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o daquele del\u00edrio on\u00edrico. Ele remite daquele quadro completamente, mas n\u00e3o remite dessas ideias on\u00edricas, que ele reconhece como delirante, mas se mant\u00e9m apesar disto: h\u00e1 uma cren\u00e7a nessa realidade, porque para ele foi t\u00e3o intensa que se fixou. Essa fixa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma les\u00e3o, mas uma intensifica\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia gen\u00e9tica do indiv\u00edduo para fixar as coisas. Ao que parece, para aqueles que apresentam maior carga da linhagem epileptoide, porque nem todo paciente que tem del\u00edrio on\u00edrico o fixa por ocasi\u00e3o do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por isto, \u00e0s vezes, fica dif\u00edcil verificar se o indiv\u00edduo est\u00e1 fabulando ou se, realmente, ele est\u00e1 mantendo aquilo que sente como real. Por exemplo, um paciente que afirma que sua perna foi cortada, e depois cresceu, n\u00e3o fica claro se realmente ele fixou que sua perna, realmente foi cortada ou se \u00e9 uma fabula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos esses casos \u00e9 importante realizar uma s\u00e9rie de exames complementares para assegurarmos se o quadro \u00e9 infeccioso. O fato de um quadro ter sido desencadeado por uma infec\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quer dizer que seja uma infec\u00e7\u00e3o que tenha atingido o sistema nervoso. Pode n\u00e3o haver nenhuma les\u00e3o cerebral, nem sequer uma disfun\u00e7\u00e3o celular duradoura. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que haja uma les\u00e3o no c\u00e9rebro para que se produza uma psicose infecciosa. Algumas vezes o quadro cl\u00ednico ultrapassa a fase do processo infeccioso, o indiv\u00edduo j\u00e1 est\u00e1 recuperado do mesmo, a an\u00e1lise bioqu\u00edmica j\u00e1 est\u00e1 normalizada e, no entanto, pode ter altera\u00e7\u00f5es graves na capacidade de orienta\u00e7\u00e3o e na sensopercep\u00e7\u00e3o. Passou o quadro cl\u00ednico som\u00e1tico, mas se mant\u00e9m a tend\u00eancia para reagir anormalmente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Casos de Psicoses Infecciosas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Paciente n.\u00b0 1705 \u2013 teve um quadro que, classicamente, se chama \u201cconfus\u00e3o mental ast\u00eanica\u201d. Ele teve uma gripe que desencadeou o quadro cl\u00ednico e foi levado a uma cl\u00ednica no departamento de imigra\u00e7\u00e3o e, depois, ao Juqueri onde remitiu rapidamente. Notem a fisionomia dele, um ar absorto, uma fisionomia um pouco apagada, n\u00e3o \u00e9 um indiv\u00edduo desligado da realidade; est\u00e1, apenas, absorto, n\u00e3o compreende o que se passa.<\/li>\n\n\n\n<li>Paciente n.\u00b0 2132 \u2013 tinha uma psicose tipo alucinat\u00f3ria, os dois tinham uma psicose infecciosa e os dois com quadros diferentes. No anterior, predominava a astenia, a imobilidade e, neste, a alucina\u00e7\u00e3o produtiva. Notem que estava, inclusive, ouvindo vozes, portanto, uma confus\u00e3o mental alucinat\u00f3ria. Esse paciente tinha gripe, ficou em casa acamado e, depois, de modo repentino, apareceu esse quadro cl\u00ednico. Depois, com a restaura\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio hidro-eletrol\u00edtico se recuperou rapidamente.\u00a0 A etiologia e o modo como apareceu, se antes da gripe, por exemplo, se durante a gripe ou se ap\u00f3s, \u00e9 indiferente, n\u00e3o serve de base. Esse quadro, os autores, em geral, a partir de Meynert chamam de \u201cam\u00eancia\u201d, termo criado por Meynert, am\u00eancia porque o indiv\u00edduo tem pouca no\u00e7\u00e3o das coisas, fica confuso, desorientado, com perda da capacidade mental. Kleist, tamb\u00e9m aceita, de certa maneira, esta denomina\u00e7\u00e3o de am\u00eancia porque \u00e9 um colorido geral do quadro cl\u00ednico. Temos a confus\u00e3o mental nesse caso e que, muitas vezes, se confunde com a confus\u00e3o mental que Kleist mostrou como decorrente de fatores end\u00f3genos. Nesse caso, a bioqu\u00edmica n\u00e3o revela nada para que se pense em quadro infeccioso, mas como aparece de repente e, depois, volta espontaneamente ao normal, os autores pensam: \u201cbom, \u00e9 uma psicose infecciosa\u201d. E, ainda, se aparece durante o ciclo puerperal, falam em psicose puerperal, mas, na realidade n\u00e3o tem nada a ver com isto. \u00c9 um quadro cl\u00ednico aut\u00f3ctone que aparece por disposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e que, apenas, por coincid\u00eancia apareceu nessa fase. Na \u00e9poca em que n\u00e3o havia assepsia suficiente, era poss\u00edvel que ocorresse por fator meningial e que levava \u00e0 infec\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, provocando uma meningo-encefalite adesiva: nesse caso o paciente teria uma permanente perturba\u00e7\u00e3o porque aqui est\u00e1 ligada com uma les\u00e3o cerebral e n\u00e3o apenas com fator moment\u00e2neo.\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Paciente n.\u00b0 2335 \u2013 com del\u00edrio on\u00edrico, com sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar, euforia, n\u00e3o se preocupa com a situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 a forma acin\u00e9tica euf\u00f3rica. Tamb\u00e9m, apareceu com uma gripe.<\/li>\n\n\n\n<li>Paciente n.\u00b0 1659 \u2013 del\u00edrio on\u00edrico hipercin\u00e9tico, com agita\u00e7\u00e3o muito grande, roupa desalinhada, atividade on\u00edrica e alucinat\u00f3ria inclusive. Esse foi um caso que apareceu depois de uma pneumonia \u2013 quadro metapneum\u00f4nico.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Na am\u00eancia, o que caracteriza o quadro \u00e9 a defici\u00eancia no contato intelectual com o ambiente. No estupor, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o contato intelectual, tamb\u00e9m o indiv\u00edduo fica desligado do ambiente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9 importante na evolu\u00e7\u00e3o para verificarmos que, no quadro de am\u00eancia, h\u00e1 sempre uma possibilidade de o indiv\u00edduo reconstituir, embora vagamente, aquilo que se passou com ele. No estupor, o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue reconstituir, h\u00e1 ruptura do contato com o meio ambiente, est\u00e1 quase que im\u00f3vel, fica voltado para o lado subjetivo, mas, sem nenhuma produ\u00e7\u00e3o intelectual, como no caso da am\u00eancia, em que ele procura dizer as coisas, mas se torna confuso. E, na regress\u00e3o da mol\u00e9stia deixa uma lacuna mnem\u00f4nica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, quando o paciente fala que teve um quadro cl\u00ednico, que sabe que esteve doente, mas n\u00e3o sabe o que fez nesse per\u00edodo, \u00e9 quase como se fosse um quadro crepuscular ou um estado segundo. Nesse caso, verificando que \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o que desencadeou o quadro cl\u00ednico, vemos que isto est\u00e1 ligado com a falta de contato com o meio ambiente e essa ruptura do contato \u00e9 que d\u00e1 essa amn\u00e9sia completa. Portanto, trata-se de estupor enquanto, na am\u00eancia, a amn\u00e9sia \u00e9 relativa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma que chama nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o chamado del\u00edrio on\u00edrico: o indiv\u00edduo tem uma produ\u00e7\u00e3o mental muito grande, mas \u00e9 como se estivesse sonhando, da\u00ed o nome. \u00c0s vezes, o paciente refere que tem um tipo de alucina\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, acompanha as coisas e, quase sempre, sente euforia. Assim, o del\u00edrio on\u00edrico tem o nome da configura\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico \u2013 \u00e9 s\u00f3 descritivo, portanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos o estupor com agita\u00e7\u00e3o ou com depress\u00e3o, com acinesia. S\u00e3o duas formas distintas, embora o indiv\u00edduo esteja em estado estuporoso, n\u00e3o consegue ligar-se com nada, mas, ou agita-se no pr\u00f3prio leito, rola, se bate ou, em outros casos, aparece como depress\u00e3o. Acontece, ent\u00e3o, mais ou menos como na forma da chamada am\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Temos na am\u00eancia, no estupor, no quadro on\u00edrico e no del\u00edrio agudo \u2013 assim chamado porque irrompe repentinamente \u2013 temos sempre dois aspectos: excita\u00e7\u00e3o e depress\u00e3o. E, al\u00e9m disso, sempre aparece a confus\u00e3o mental. Na am\u00eancia temos, ent\u00e3o, duas formas: 1. Alucinat\u00f3ria e 2. At\u00f4nita ou Ast\u00eanica. No primeiro caso, se refere ao aspecto motor e no segundo, \u00e0 incapacidade e perplexidade. Mas, \u00e9 quest\u00e3o, apenas de descri\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No del\u00edrio agudo de Marchand o fundamental \u00e9 uma hipercinesia; e outra forma, com astenia global, em que o indiv\u00edduo fica incapaz de se movimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, de qualquer maneira que se considere a confus\u00e3o mental, que se exprime pela incapacidade de contato com o mundo exterior, moment\u00e2neamente, quer dizer, um desligamento vari\u00e1vel e sempre com a participa\u00e7\u00e3o fundamental da afetividade, com elementos que traduzem, tamb\u00e9m, a participa\u00e7\u00e3o da cona\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa combina\u00e7\u00e3o de fatores, dos sistemas cerebrais envolvidos que d\u00e3o o colorido particular ao quadro cl\u00ednico. Todos t\u00eam como condi\u00e7\u00e3o comum, a remiss\u00e3o integral e, raramente, h\u00e1 uma sequela lesional ou um atingimento do c\u00e9rebro, pois, em geral o c\u00e9rebro n\u00e3o \u00e9 atingido diretamente: o que ocorre em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e9rebro \u00e9 um edema celular.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Isto permite ver como se origina o quadro cl\u00ednico e que elementos temos para o diagn\u00f3stico cl\u00ednico. Vemos que o que h\u00e1, primeiramente, \u00e9 uma inflama\u00e7\u00e3o do envolt\u00f3rio do c\u00e9rebro, devido \u00e0 intensidade de circula\u00e7\u00e3o, particularmente, na meningite, onde \u00e0s vezes pode ocorrer uma ruptura da chamada barreira hematoencef\u00e1lica. Nesse caso, h\u00e1 possibilidade de penetra\u00e7\u00e3o das toxinas no sistema nervoso. Quando ocorre realmente uma infec\u00e7\u00e3o, temos uma les\u00e3o cerebral e, nesse caso, uma sequela permanente. Na maioria dos casos, fica nessa fase de inibi\u00e7\u00e3o celular: o fator fundamental \u00e9 o equil\u00edbrio eletrol\u00edtico acarretando um del\u00edrio agudo. Esses quadros todos foram descritos por Meynert como am\u00eancia, mas, todos tiveram uma classifica\u00e7\u00e3o geral feita por Boenhoeffer, que chamou \u201crea\u00e7\u00e3o ex\u00f3gena\u201d (1911\/1923). O caracter\u00edstico de todos esses quadros \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o, um quadro exterior ao paciente e que desencadeia o quadro cl\u00ednico. Esse termo foi cunhado para se fazer uma distin\u00e7\u00e3o com a esquizofrenia, acentuando o seu car\u00e1ter como um quadro decorrente de uma rea\u00e7\u00e3o a um fator ex\u00f3geno, ambiencial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Muito anos depois, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 30, Marchand, Toulouse e Courtois estudaram uma s\u00e9rie de pacientes que tinham o quadro de del\u00edrio agudo. Estudando alguns casos que chegaram a \u00f3bito &#8211; porque esses casos podem levar \u00e0 morte, por colapso metab\u00f3lico -, verificaram que os indiv\u00edduos, com del\u00edrio agudo que morreram, tinham uma les\u00e3o cerebral caracter\u00edstica, que correspondia a invas\u00e3o da glia e neurorragia ou, clinicamente, apresentavam hiperazotemia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Denominaram isso de encefalite psic\u00f3tica aguda (porque ocorria um quadro psic\u00f3tico, ao contr\u00e1rio da encefalite epid\u00eamica), caracterizada por acentuada reten\u00e7\u00e3o de catab\u00f3litos azotados. Particularmente, Marchand a denominou de \u201cencefalite psic\u00f3tica azot\u00eamica\u201d. Inclusive, atribu\u00eda essa azotemia \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro nesse desarranjo metab\u00f3lico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, em conjunto com Dr. Jo\u00e3o Batista dos Reis verificamos que a quest\u00e3o \u00e9 muito mais complexa. De fato, havia participa\u00e7\u00e3o do ambiente, mas al\u00e9m das modifica\u00e7\u00f5es citol\u00f3gicas do liquor, havia varia\u00e7\u00e3o das fra\u00e7\u00f5es proteicas, bem como altera\u00e7\u00e3o celular. O fundamental nesses casos agudos \u00e9 reidratar os pacientes e monitorar os dados da an\u00e1lise bioqu\u00edmica, verificar as fra\u00e7\u00f5es prote\u00ednicas e a contagem espec\u00edfica de c\u00e9lulas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>ESQUEMA DE SCHALTEMBRAND<\/strong><sup data-fn=\"6c0075c8-37f0-4b85-8c48-e5476f69ca15\" class=\"fn\"><a href=\"#6c0075c8-37f0-4b85-8c48-e5476f69ca15\" id=\"6c0075c8-37f0-4b85-8c48-e5476f69ca15-link\">3<\/a><\/sup><strong> (1969)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerada o processo da embriog\u00eanese do sistema nervoso, com foco no processo metab\u00f3lico e nutricional e o carreamento dos seus respectivos catab\u00f3litos, \u00e9 reconhecido o papel fundamental do intricado sistema que torna poss\u00edvel a circula\u00e7\u00e3o liqu\u00f3rica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a alguns anos atr\u00e1s, se supunha que havia uma permeabilidade direta do sistema vascular at\u00e9 o sistema nervoso. Mas, no par\u00eanquima nervoso n\u00e3o h\u00e1 qualquer penetra\u00e7\u00e3o do l\u00edquor. Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel qualquer medica\u00e7\u00e3o atingir, diretamente, o sistema nervoso central: isto ocorre atrav\u00e9s da vasculariza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, h\u00e1 uma circula\u00e7\u00e3o, por osmolaridade, do endot\u00e9lio para o sistema celular.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No processo inflamat\u00f3rio ocorre uma modifica\u00e7\u00e3o nessa barreira hematoliqu\u00f3rica, dessa forma o sangue pode penetrar no sistema nervosa: este aspecto \u00e9 levado em conta pela terap\u00eautica. Se algumas sulfas, por exemplo, podem ser dissolvidas em \u00f3leo que apresentam uma tens\u00e3o osm\u00f3tica compar\u00e1vel \u00e0 das c\u00e9lulas, temos possibilidade desse agente terap\u00eautico entrar em contato com o sistema nervoso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 uma les\u00e3o parenquimatosa, temos que modificar a barreira ou, ent\u00e3o, introduzir o medicamento diretamente no sistema nervoso atrav\u00e9s do l\u00edquor. No caso da paralisia geral isso foi conseguido atrav\u00e9s da malaria, que produzia uma rea\u00e7\u00e3o geral na meninge, uma inflama\u00e7\u00e3o que alterava a barreira hemoliqu\u00f3rica. Dessa forma, os medicamentos podiam atingir o sistema nervoso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ressaltamos, no entanto, que proceder uma introdu\u00e7\u00e3o direta chamada intratecal, pode provocar uma necrose grave, mortal.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Esquema<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o, \u00e9 que se fizermos uma verifica\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o celular muito distante do c\u00e9rebro, como na pun\u00e7\u00e3o lombar, podemos n\u00e3o ter um resultado preciso. Portanto, no caso de altera\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica temos que fazer uma pun\u00e7\u00e3o occipital. Al\u00e9m disso, a dosagem proteica tem uma taxa muito maior quanto mais baixo for o n\u00edvel em que extrairmos o liquor: intraventricularmente, h\u00e1 uma pequena quantidade de prote\u00ednas, no occipital h\u00e1 uma quantidade maior, no lombar muito maior ainda.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">[apresenta outro esquema]<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo de pacientes, com quadros cl\u00ednicos de encefalite psic\u00f3tica de Marchand, realizada em 1938, em conjunto com Dr. Reis, avaliou a composi\u00e7\u00e3o das fra\u00e7\u00f5es proteicas e os v\u00e1rios elementos que revelam a participa\u00e7\u00e3o direta do espa\u00e7o intracelular e pericelular no processo, cujos resultados apresentamos no Quadro mais adiante.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 t\u00ednhamos verificado antes, em rela\u00e7\u00e3o aos quadros com altera\u00e7\u00e3o vascular do c\u00e9rebro e altera\u00e7\u00f5es infecciosas, \u00e9 que as fra\u00e7\u00f5es de prote\u00ednas aumentam, grandemente, nos processos vasculares. A globulina gama est\u00e1 ligada com o fator infeccioso no sistema nervoso, ao passo que a globulina alfa e a beta est\u00e3o ligadas com o problema vascular. Dessa forma, pela compara\u00e7\u00e3o do resultado no sangue do paciente com o seu l\u00edquor, j\u00e1 seria poss\u00edvel saber se o processo \u00e9 infeccioso, inflamat\u00f3rio do sistema nervoso, cr\u00f4nico ou agudo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto, \u00e9 a contagem globular para ver se h\u00e1 ou n\u00e3o a pleocitose. Isto d\u00e1, uma ideia sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o aumento de globulinas e o aumento de c\u00e9lulas, para a qual h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o positiva no caso da neuross\u00edfilis e dos tumores cerebrais. Nos processos inflamat\u00f3rios, ao contr\u00e1rio, h\u00e1 uma dissocia\u00e7\u00e3o, temos a possibilidade de n\u00e3o haver um aumento do n\u00famero de c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Verificamos que esse grupo de pacientes que estudamos (eram 36) n\u00f3s retiramos uma parte do quadro que \u00e9 a seguinte: trabalho apresentado em 1945, sobre Psicose Infecciosas.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">CASOS DE ENCEFALITE PSIC\u00d3TICA INFECCIOSA AGUDA<\/span> \u2013 19 DOENTES (1939)<\/p>\n\n\n\n<p>(N.\u00b0 do caso \u2013 idade \u2013 forma cl\u00ednica \u2013 dura\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u2013 aspecto psiqui\u00e1trico, evolu\u00e7\u00e3o, l\u00edquor)<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"795\" height=\"636\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2968\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-16.png 795w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-16-300x240.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-16-768x614.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-16-15x12.png 15w\" sizes=\"auto, (max-width: 795px) 100vw, 795px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">FORMAS DE PARALISIA GERAL UTILIZANDO O CRIT\u00c9RIO PATOGEN\u00c9TICO<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"791\" height=\"185\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-17.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2969\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-17.png 791w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-17-300x70.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-17-768x180.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2024-07-16-17-18x4.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 791px) 100vw, 791px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Verifica\u00e7\u00e3o, apenas emp\u00edrica, embora feita com mais de mil pacientes, mas sem tratamento estat\u00edstico<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><span style=\"text-decoration: underline;\">ESQUEMA DE SPIEGEL E SOMMER \u2013 1937 \u2013 CONDU\u00c7\u00c3O RETINIANA CORTIC\u00cdPETA E REFLEXO PUPILAR \u00c0 LUZ<\/span><br><span style=\"text-decoration: underline;\">[ este esquema n\u00e3o constava da apostila]<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto que explica o quadro cl\u00ednico na PG, um aspecto localizat\u00f3rio. Se um paciente tiver uma altera\u00e7\u00e3o que abrange, digamos um nervo \u00f3ptico ele vai ter uma cegueira completa do lado direito, mas se fizermos o reflexo pupilar do lado direito n\u00e3o conseguimos qualquer rea\u00e7\u00e3o, mas do lado esquerdo reage normalmente. \u2013 Temos, ent\u00e3o, a anisocoria \u2013 Porque a parte da retina da esquerda recebe est\u00edmulo do lado direito e as duas vias s\u00e3o duplas. Se houver uma interrup\u00e7\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o retiniana at\u00e9 o c\u00f3rtex, ent\u00e3o, h\u00e1 a aboli\u00e7\u00e3o reflexa deste est\u00edmulo, mas como a parte esquerda do nervo retiniano est\u00e1 conservada, ent\u00e3o, chega at\u00e9 a parte do n\u00facleo geniculado externo, as vias que ligam&#8230; (ver esquema)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><span style=\"text-decoration: underline;\">[h\u00e1 mais um esquema que n\u00e3o constava na apostila]<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Na parte cortical o que caracteriza a PF \u00e9 o elemento da express\u00e3o. Um paciente com PG tem facies inexpressiva, perda completa da express\u00e3o motora. Uma anartria ou disartria \u2013 que \u00e9 altera\u00e7\u00e3o da linguagem por altera\u00e7\u00e3o na liga\u00e7\u00e3o com a parte inferior correspondente \u00e0 parte motora. Temos a perda da abstra\u00e7\u00e3o \u2013 al\u00f3gica \u2013 porque n\u00e3o consegue relacionar o aspecto da express\u00e3o com o aspecto de liga\u00e7\u00e3o real com o ambiente, com a abstra\u00e7\u00e3o. A altera\u00e7\u00e3o da elabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 local, mas sim extr\u00ednseca, isto \u00e9, uma consequ\u00eancia da altera\u00e7\u00e3o posterior din\u00e2mica. Ent\u00e3o, o paciente que \u00e9 medicado em tempo tem ideia delirante de grandeza, euf\u00f3rica, mas quando remite retoma a normalidade completa e n\u00e3o h\u00e1 uma les\u00e3o local que determina a altera\u00e7\u00e3o delirante. Pode haver se o processo progride, ent\u00e3o, a les\u00e3o \u00e9 cerebral e o indiv\u00edduo \u00e9 levado \u00e0 demencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos como ponto de refer\u00eancia a descri\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico, vemos que em casos de P.G isso poder\u00e1 ser grave, porque depois de 6 meses n\u00e3o recupera\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.\u00a0<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"0caed679-aee7-43d7-b196-526e6fcf3ae0\">Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, sem refer\u00eancia a data, local ou a quem o compilou. Revisto em 03\/10\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano. <a href=\"#0caed679-aee7-43d7-b196-526e6fcf3ae0-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"64324a8f-96f5-4ab6-9084-1106cb0b92c0\">Figura adaptada e traduzida do ingl\u00eas por Roberto Fasano (apenas modificada quanto \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica) a partir de tabela retirada da comunica\u00e7\u00e3o: \u201cHuman Genetics as an approach to the classification of mental diseases\u201d, apresentada por An\u00edbal Silveira no Congresso Internacional de Psiquiatria, ocorrido em Paris, em 1950. <a href=\"#64324a8f-96f5-4ab6-9084-1106cb0b92c0-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"6c0075c8-37f0-4b85-8c48-e5476f69ca15\">Georges Schaltenbrand (26 de novembro de 1897 &#8211; 24 de outubro de 1979) foi um neurologista alem\u00e3o conhecido por seu trabalho na organiza\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico do sistema motor, na fisiologia e patologia do l\u00edquido cefalorraquidiano e na esclerose m\u00faltipla. Ele foi co-autor de um influente livro e atlas sobre estereotaxia e tamb\u00e9m publicou alguns experimentos anti\u00e9ticos realizados na Alemanha nazista. <a href=\"#6c0075c8-37f0-4b85-8c48-e5476f69ca15-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PSICOSES INFECCIOSAS EM GERAL. NEUROSS\u00cdFILIS. A utiliza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio descritivo dificulta a distin\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios quadros psiqui\u00e1tricos. Porque, qualquer que seja o quadro cl\u00ednico, vamos encontrar muita coisa em comum e isso dificulta a divis\u00e3o dos quadros quanto \u00e0 etiologia, quanto ao desencadeamento, quanto \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, quanto \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o progn\u00f3stica e terap\u00eautica. 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Revisto em 03\/10\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.\",\"id\":\"0caed679-aee7-43d7-b196-526e6fcf3ae0\"},{\"content\":\"Figura adaptada e traduzida do ingl\u00eas por Roberto Fasano (apenas modificada quanto \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica) a partir de tabela retirada da comunica\u00e7\u00e3o: \u201cHuman Genetics as an approach to the classification of mental diseases\u201d, apresentada por An\u00edbal Silveira no Congresso Internacional de Psiquiatria, ocorrido em Paris, em 1950.\",\"id\":\"64324a8f-96f5-4ab6-9084-1106cb0b92c0\"},{\"content\":\"Georges Schaltenbrand (26 de novembro de 1897 - 24 de outubro de 1979) foi um neurologista alem\u00e3o conhecido por seu trabalho na organiza\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico do sistema motor, na fisiologia e patologia do l\u00edquido cefalorraquidiano e na esclerose m\u00faltipla. Ele foi co-autor de um influente livro e atlas sobre estereotaxia e tamb\u00e9m publicou alguns experimentos anti\u00e9ticos realizados na Alemanha nazista.\",\"id\":\"6c0075c8-37f0-4b85-8c48-e5476f69ca15\"}]"},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2962","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2962"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2962\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2972,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2962\/revisions\/2972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}