{"id":3009,"date":"2024-07-18T18:14:47","date_gmt":"2024-07-18T21:14:47","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3009"},"modified":"2024-07-18T18:14:47","modified_gmt":"2024-07-18T21:14:47","slug":"avaliacao-das-reacoes-afetivas-e-conativas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/avaliacao-das-reacoes-afetivas-e-conativas\/","title":{"rendered":"Avalia\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es afetivas e conativas"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>AVALIA\u00c7\u00c3O DAS REA\u00c7\u00d5ES AFETIVAS E CONATIVAS<\/strong><sup data-fn=\"c9119781-8cf8-4a03-a5c7-cf35a0fea840\" class=\"fn\"><a href=\"#c9119781-8cf8-4a03-a5c7-cf35a0fea840\" id=\"c9119781-8cf8-4a03-a5c7-cf35a0fea840-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse passo do exame ps\u00edquico ou do estudo do paciente pelo aspecto psicol\u00f3gico devemos analisar o comportamento expl\u00edcito e as rea\u00e7\u00f5es afetivo-emocionais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira condi\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0s fun\u00e7\u00f5es conativas no plano de exterioriza\u00e7\u00e3o dos atos, que apresentam particularidades decorrentes do rearranjo dessas fun\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com as fun\u00e7\u00f5es afetivas e intelectuais. Todo ato requer, necessariamente, o concurso de v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, sobre as quais tem repercuss\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A cona\u00e7\u00e3o ou atividade, na acep\u00e7\u00e3o de Comte, compreende tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es subjetivas: a atividade propriamente dita, no sentido de est\u00edmulo ou coragem, a inibi\u00e7\u00e3o ou prud\u00eancia e a perseveran\u00e7a, que mant\u00e9m o trabalho mental ou o ato expl\u00edcito.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais essas fun\u00e7\u00f5es trabalham harmonicamente, sendo indispens\u00e1veis \u00e0 harmonia do trabalho mental e da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de fun\u00e7\u00f5es subjetivas subjacentes \u00e0 a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e a participa\u00e7\u00e3o dessas no trabalho mental foi estabelecida por Comte ao determinar o conjunto das fun\u00e7\u00f5es, que comporiam a Teoria Sociol\u00f3gica da Personalidade Humana. Isso permite compreender as caracter\u00edsticas individuais exteriorizadas no comportamento expl\u00edcito e no trabalho mental em condi\u00e7\u00f5es normais, e avaliar o conjunto de condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas, quer intr\u00ednsecas, quer extr\u00ednsecas \u00e0 atividade propriamente. Analisamos anteriormente as altera\u00e7\u00f5es intelectuais extr\u00ednsecas decorrentes de altera\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel das fun\u00e7\u00f5es conativas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista pr\u00e1tico, o exame das fun\u00e7\u00f5es conativas pode ser avaliado atrav\u00e9s da capacidade de empreendimento: aqui devemos considerar o empreendimento no meio social e no ambiente local, atrav\u00e9s dos informes de anamnese objetiva e subjetiva, dos informes do Servi\u00e7o Social e, no caso de pacientes hospitalizados, tamb\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es da Enfermagem.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Importa ver se o paciente coopera e auxilia em seu tratamento e no dos demais pacientes ou se, pelo contr\u00e1rio, mostra-se arredio e desinteressado pela sua situa\u00e7\u00e3o e pelos demais; se se vale por si pr\u00f3prio quando tem condi\u00e7\u00f5es, na procura das coisas que necessita, ou se nada faz; se se agita ou deambula sem motivo ou finalidade aparente, se apresenta sono agitado, sonambulismo, terror noturno ou sonil\u00f3quios. A atividade expl\u00edcita pode ser avaliada atrav\u00e9s da ocupa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, se for o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao empreendimento no meio social, podemos avaliar uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es como a instabilidade, a desorganiza\u00e7\u00e3o, a rigidez excessiva ou o desmazelo nos afazeres, dados estes que analisados em conjunto com as demais caracter\u00edsticas de personalidade nos orientam de modo preciso no estudo do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano afetivo o estudo do caso pode ser analisado pelo exame direto do paciente durante a feitura do exame ps\u00edquico ou da tomada dos dados de anamnese. Assim, estudamos o seu estado do humor que pode apresentar-se normal ou, pelo contr\u00e1rio, variar entre o polo depressivo e euf\u00f3rico, ou pode mudar bruscamente e sem motivo aparente de um polo a outro. Lembrar que algumas doen\u00e7as cl\u00ednicas s\u00e3o acompanhadas de altera\u00e7\u00f5es do humor.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto, ainda dentro do exame ps\u00edquico, seria o da avalia\u00e7\u00e3o da atitude subjetiva. Apresenta timidez, inseguran\u00e7a, depend\u00eancia, resigna\u00e7\u00e3o, alheamento, viscosidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Essas caracter\u00edsticas devem ser apreendidas pelo examinador e descritas de modo claro.<\/p>\n\n\n\n<p>O exame tem sequ\u00eancia no estudo da afetividade exteriorizado nas rea\u00e7\u00f5es afetivo-emocionais em diferentes n\u00edveis e nas diferentes condi\u00e7\u00f5es. Esses dados devem ser obtidos dos informes de Enfermagem e do Servi\u00e7o Social:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>Atitude afetivo-emocional nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais com rela\u00e7\u00e3o ao pessoal de servi\u00e7o, com os demais pacientes, com os familiares <\/em><\/strong>durante as visitas. Esses dados ser\u00e3o registrados no relat\u00f3rio da Enfermagem e do Servi\u00e7o Social e devem ser suficientemente completos e claros para que se possa avali\u00e1-los corretamente.<\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>Atitude afetivo-emocional nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais no meio social<\/em><\/strong> analisada dos informes objetivos e dos dados sociais, principalmente aqueles relacionados ao ambiente dom\u00e9stico. Devemos levar em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas as rea\u00e7\u00f5es do paciente no meio social e familiar, mas tamb\u00e9m a repercuss\u00e3o de sua doen\u00e7a no ambiente social e dom\u00e9stico.\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li><strong><em>Atitude afetivo-emocional ante a pr\u00f3pria doen\u00e7a.<\/em><\/strong> Aqui verificamos se as queixas subjetivas do paciente est\u00e3o em concord\u00e2ncia ou n\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas. Essas podem variar no sentido de exagero decorrente de uma hiperemotividade ou de inseguran\u00e7a, ou apresentar, pelo contr\u00e1rio, indiferen\u00e7a, que pode ser consequente ao desconhecimento da gravidade das condi\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas. Esses aspectos devem ser avaliados corretamente junto ao paciente: se aceita ou n\u00e3o sua situa\u00e7\u00e3o; se apresenta queixas constantes; se se mostra interessado por sua recupera\u00e7\u00e3o ou \u00e9 indiferente \u00e0 mesma.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Na obten\u00e7\u00e3o desses dados \u00e9 indispens\u00e1vel que a Enfermagem, a Assistente Social e o M\u00e9dico trabalhem em conjunto e que todos tenham a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia e da utilidade dos elementos estudados para a avalia\u00e7\u00e3o correta do doente. Esses transcendem ao pr\u00f3prio doente, pois muitas vezes implica orientar a integra\u00e7\u00e3o deste no ambiente social e dom\u00e9stico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos ressaltar a import\u00e2ncia das informa\u00e7\u00f5es da Enfermagem no sentido de que muitos pormenores do exame conativo e das rea\u00e7\u00f5es afetivas escapam aos m\u00e9dicos, pelo menor tempo que dedicam a cada um. Isso far\u00e1 com que o registro sobre o comportamento e sobre as rea\u00e7\u00f5es afetivas do paciente n\u00e3o seja tomado de modo autom\u00e1tico e impreciso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, muitas particularidades relacionadas \u00e0 atitude e \u00e0s rea\u00e7\u00f5es afetivo-emocionais escapam ao exame ps\u00edquico, que fazemos, porque esse constitui uma condi\u00e7\u00e3o particularizada e at\u00e9 certo ponto formal no relacionamento interpessoal.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A descri\u00e7\u00e3o do comportamento no meio hospitalar e o relacionamento para com os demais pacientes e o pessoal de servi\u00e7o revela assim elementos que fogem ao exame m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>De posse desses dados devemos analisar o porqu\u00ea das altera\u00e7\u00f5es a esses n\u00edveis e corrigir o paciente ou o ambiente. Esse trabalho externo ao ambiente hospitalar deve ser feito pelo assistente social, pela educadora sanit\u00e1ria, pela enfermagem e pelo m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"c9119781-8cf8-4a03-a5c7-cf35a0fea840\">Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, no Curso de Psicopatologia da Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed, no ano de 1977, em Jundia\u00ed, sem refer\u00eancia de quem a compilou. Revisto em 15\/02\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano. <a href=\"#c9119781-8cf8-4a03-a5c7-cf35a0fea840-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AVALIA\u00c7\u00c3O DAS REA\u00c7\u00d5ES AFETIVAS E CONATIVAS Nesse passo do exame ps\u00edquico ou do estudo do paciente pelo aspecto psicol\u00f3gico devemos analisar o comportamento expl\u00edcito e as rea\u00e7\u00f5es afetivo-emocionais.\u00a0 A primeira condi\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0s fun\u00e7\u00f5es conativas no plano de exterioriza\u00e7\u00e3o dos atos, que apresentam particularidades decorrentes do rearranjo dessas fun\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, no Curso de Psicopatologia da Faculdade de Medicina de Jundia\u00ed, no ano de 1977, em Jundia\u00ed, sem refer\u00eancia de quem a compilou. 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