{"id":3273,"date":"2024-09-11T19:39:04","date_gmt":"2024-09-11T22:39:04","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3273"},"modified":"2024-09-11T19:39:04","modified_gmt":"2024-09-11T22:39:04","slug":"formas-bipolares-e-monopolares-de-leonhard-e-a-pmd","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/formas-bipolares-e-monopolares-de-leonhard-e-a-pmd\/","title":{"rendered":"Formas bipolares e monopolares de Leonhard e a PMD"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>FORMAS BIPOLARES E MONOPOLARES DE LEONHARD, COMPARA\u00c7\u00c3O COM AS FORMAS DA PMD<\/strong><sup data-fn=\"3b9cc9c7-b725-4efa-8f01-8687a7a147e2\" class=\"fn\"><a href=\"#3b9cc9c7-b725-4efa-8f01-8687a7a147e2\" id=\"3b9cc9c7-b725-4efa-8f01-8687a7a147e2-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A forma circular cl\u00e1ssica da P.M.D. corresponde \u00e0quela onde ocorre depress\u00e3o completa e uma fase de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica ou mania e depois uma fase de depress\u00e3o, passando de um aspecto para outro, praticamente, sem transi\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 casos que se repetem, que se sucedem, com intervalos totalmente livres entre si. Assim, ocorre uma forma em que h\u00e1 uma discreta, quase impercept\u00edvel euforia, com trabalho mental excessivo, com uma excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, com uma excita\u00e7\u00e3o motora e depois uma depress\u00e3o ps\u00edquica e motora, sem o componente afetivo intenso como \u00e9 o caso da forma cl\u00e1ssica da mania e da melancolia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, se trata de um dist\u00farbio parcial, que rege dois polos. Isto foi o que Leonhard estudou: h\u00e1 uma depress\u00e3o ou uma produ\u00e7\u00e3o mental exagerada que, \u00e0s vezes, podem se alterar, mas sem o componente afetivo intenso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra forma se sucedem v\u00e1rias fases, com altern\u00e2ncia, depress\u00e3o e euforia em per\u00edodos diferentes: as fases s\u00e3o maiores ou menores conforme o tipo em que predomina a depress\u00e3o ou a expansividade ou a mania.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pode ocorrer tamb\u00e9m altern\u00e2ncia de fases com pequenos intervalos entre si, isto \u00e9, h\u00e1 uma altern\u00e2ncia de um aspecto que se repete.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente essas formas &#8211; em que h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o pequena da esfera afetiva e de um componente global de dist\u00farbio da melancolia e da mania -, justamente esses quadros, foi que Leonhard caracterizou como formas monopolares e formas bipolares.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, h\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental entre os quadros de Leonhard e de Kleist, tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas cl\u00e1ssicas, porque n\u00e3o \u00e9 a personalidade toda que participa do processo e n\u00e3o h\u00e1 uma concord\u00e2ncia, h\u00e1 uma dissocia\u00e7\u00e3o parcial com o est\u00edmulo, de um aspecto e depress\u00e3o em outro aspecto. Em outra forma h\u00e1 ideias delirantes e, nesse caso, a expansividade torna-se delirante; a depress\u00e3o tamb\u00e9m adquire uma express\u00e3o delirante.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais quadros, Kleist mostrou como sendo formas at\u00edpicas, cicloides ou paranoides, conforme a predomin\u00e2ncia do dist\u00farbio afetivo ou o dist\u00farbio intelectual. \u00c9 importante assinalar que Leonhard tomou uma orienta\u00e7\u00e3o divergente de Kleist: considerou como bipolares somente as formas cicloides. Aqui \u00e9 importante assinalar que, em 1949, compartilhei com Leonhard, pessoalmente, que t\u00ednhamos no Juqueri, todos os tipos de psicoses do grupo benigno de Kleist.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista gen\u00e9tico, cumpre ressaltar o esquema de Luxemburguer, publicado por Beringer: a epilepsia tem uma frequ\u00eancia muito maior do que a P.M.D. e do que a dem\u00eancia precoce, porque esse quadro \u00e9 muito mais difuso na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia; aparece com muito mais frequ\u00eancia, apesar de se levar em conta apenas a manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, t\u00edpica, as formas convulsivas (as formas atenuadas n\u00e3o foram levadas em conta). H\u00e1 uma porcentagem na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 0,4 da P.M.D., no entanto, vemos que entre os pais e os irm\u00e3os a frequ\u00eancia \u00e9 10 vezes maior.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro estudo que vamos analisar \u00e9 o de <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/bumke\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3089\"><strong>Bumke<\/strong><\/a>, realizado em 1935, referente \u00e0 idade de in\u00edcio da P.M.D. H\u00e1 uma diferen\u00e7a not\u00e1vel de aparecimento em todas as idades, para a mulher e para o homem. Nos dois extremos da faixa et\u00e1ria ocorrem muito poucos casos: 4 pacientes (1-15 anos), 1 paciente (45-75 anos). A maioria dos casos ocorre entre os 16 e 45 anos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o entre 900 pacientes de Kraepelin, segundo J. Lange (em 1942), aqui apresentada em n\u00fameros absolutos, revela uma concord\u00e2ncia muito grande com os dados de <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/bumke\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3089\"><strong>Bumke<\/strong><\/a>: at\u00e9 10 anos (4 pacientes), at\u00e9 15 anos (22), at\u00e9 20 anos (147), at\u00e9 25 (138), at\u00e9 30 (139), at\u00e9 35 (114), at\u00e9 40 (84), at\u00e9 50 anos ou mais (70 pacientes).<\/p>\n\n\n\n<p>Se confrontarmos esse quadro com o de Esquirol, no s\u00e9culo retrasado, vemos que n\u00e3o h\u00e1 muita diferen\u00e7a, quase se superp\u00f5e a estat\u00edstica de Esquirol com a de Kraepelin e com a de <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/bumke\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3089\"><strong>Bumke <\/strong><\/a>e com os demais; Lange inclusive, porque a causa de erros \u00e9 a mesma. Isto revela o quanto a psiquiatria atual n\u00e3o est\u00e1 muito adiante de Esquirol, porque as causas de erro continuam as mesmas, como veremos mais adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, a psicose ocasional que acometeu 4 pacientes com 10 anos: n\u00e3o d\u00e1 para falar em psicose man\u00edaco-depressiva; \u00e9 uma excita\u00e7\u00e3o, uma rea\u00e7\u00e3o infantil qualquer que vemos frequentemente na cl\u00ednica geral. A mesma coisa se passa com os 4 pacientes de <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/bumke\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3089\"><strong>Bumke<\/strong><\/a>, com at\u00e9 15 anos. Se levarmos em conta o tipo som\u00e1tico e a descri\u00e7\u00e3o do quadro, isto \u00e9, uma forma onde o paciente apresenta uma expansividade ou uma depress\u00e3o, o mesmo ser\u00e1 inclu\u00eddo no grupo da PMD. \u00c9 necess\u00e1rio usarmos o crit\u00e9rio gen\u00e9tico que \u00e9 muito mais importante para distinguir os quadros.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quando comparamos a classifica\u00e7\u00e3o de Leonhard (descritiva) com a de Kleist (patogen\u00e9tica), fica clara essa discrep\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito das depress\u00f5es puras, na classifica\u00e7\u00e3o de Leonhard, temos a forma inquieta, que corresponde \u00e0 forma ansioso-agitada de Kleist, nesta h\u00e1 o fator do indiv\u00edduo se sentir angustiado, agitado, perseguido, ca\u00e7ado, n\u00e3o pode passar em lugar nenhum; isso acarreta uma agita\u00e7\u00e3o que corresponde a forma em que h\u00e1 uma certa depress\u00e3o, mas h\u00e1 sobretudo uma atividade delirante, a ideia de refer\u00eancia que \u00e9 fundamental e, nem tanto, o \u00e2nimo depressivo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma hipocondr\u00edaca de Leonhard corresponde exatamente \u00e0 forma da depress\u00e3o hipocondr\u00edaca de Kleist.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma auto acusat\u00f3ria em que o indiv\u00edduo se lamenta de si mesmo, o indiv\u00edduo acha que ele \u00e9 o centro de tudo: corresponde \u00e0 melancolia ansiosa de Wernicke e de Kleist. H\u00e1, portanto, um fator diferencial no qual se baseou Kleist, pelo prisma da patog\u00eanese, denominando de melancolia ansiosa porque \u00e9 o elemento cl\u00e1ssico conhecido, e Leonhard se baseou mais na descri\u00e7\u00e3o da\u00ed ter denominado de depress\u00e3o: nesse caso, em que o indiv\u00edduo se sente angustiado e \u00e9 concordante com o quadro cl\u00ednico, ent\u00e3o, ele se isola do mundo exterior e fica aquela sensa\u00e7\u00e3o interna de incapacidade, de culpa uma s\u00e9rie de fatores desse tipo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma chamada suspicaz em que o indiv\u00edduo se acha suspeito, ent\u00e3o \u00e9 uma ideia de refer\u00eancia, corresponde a uma forma de Kleist da psicose ansiosa de refer\u00eancia: \u00e9 uma forma delirante tamb\u00e9m.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma ap\u00e1tica \u00e9 a psicose em que h\u00e1 estranheza de Kleist e acarreta a perplexidade; a apatia resulta de uma no\u00e7\u00e3o de incompreens\u00e3o do que se passa em torno dele, o indiv\u00edduo fica perplexo e da\u00ed vem a chamada apatia. Quer dizer a apatia que reflete como incapacidade de assimilar a si mesmo, o que se passa em torno do pr\u00f3prio indiv\u00edduo e de julgar devidamente. \u00c9 uma psicose, portanto, bem clara de Kleist: o fator fundamental, a estranheza e a perplexidade resultam dessa incapacidade de associar os fatos entre si, de modo que d\u00e1, digamos o colorido de apatia; o indiv\u00edduo se isola do mundo exterior. Na realidade, n\u00e3o h\u00e1 essa apatia, \u00e9 mais perplexidade do que apatia, porque o indiv\u00edduo n\u00e3o est\u00e1 indiferente no mundo exterior, ele n\u00e3o consegue assimilar o que se passa em torno dele.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas euf\u00f3ricas, a forma improdutiva corresponde \u00e0 psicose man\u00edaco-ansioso-estuporosa com agita\u00e7\u00e3o, de Kleist. A forma hipocondr\u00edaca \u00e9 a agita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca, a forma entusi\u00e1stica, quer dizer, o indiv\u00edduo chega a ser fan\u00e1tico, tem ideias delirantes, ou subordinado a ideias delirantes: \u00e9 a psicose ext\u00e1tica de inspira\u00e7\u00e3o. Aqui h\u00e1 o fator de fanatismo, fator delirante que \u00e0s vezes chega ao ponto de tornar o indiv\u00edduo completamente incapaz de compreender a situa\u00e7\u00e3o podendo, inclusive, chegar ao \u00eaxtase.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma fabulat\u00f3ria corresponde \u00e0 confabulose expansiva de Kleist, portanto, uma forma paranoide de Kleist: Leonhard a inclui como aspecto da mania.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s psicoses cicloides, Leonhard chamou como psicose cicloide a forma afetiva ansioso-beat\u00edfica, porque h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de beatitude. \u00c9 um pouco estranha essa denomina\u00e7\u00e3o porque o que o indiv\u00edduo sente n\u00e3o \u00e9 felicidade (em espanhol traduziram felicidade), ele fica com uma sensa\u00e7\u00e3o de exalta\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio e isso levando ao \u00eaxtase, como uma ideia beat\u00edfica, n\u00e3o tanto de felicidade. A situa\u00e7\u00e3o real afetiva \u00e9 mais delirante e corresponde a forma delirante ansioso-ext\u00e1tica de Kleist. Dessa forma, o \u00eaxtase corresponde a essa forma de entusiasmo que o indiv\u00edduo tem, que chega ao ponto de isolar-se dos demais e estar completamente interiorizado.<\/p>\n\n\n\n<p>A confus\u00e3o inibido-agitada \u00e9 a psicose confusional estuporoso-agitada. \u00c9 outro grupo, temos a forma afetiva que \u00e9 a psicose ansioso-beat\u00edfica, que Kleist aceitou de certa maneira, mas depois voltou atr\u00e1s; a confus\u00e3o intelectual e a psicose da motilidade que corresponde \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o da motilidade, que \u00e9 a forma hipercin\u00e9tica-acin\u00e9tica de Kleist. Como se pode verificar, h\u00e1 uma certa correspond\u00eancia entre o grupo de Kleist e o grupo de Leonhard.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que \u00e9 necess\u00e1rio distinguirmos, portanto, as formas bipolares que se confundem, para Leonhard, com as formas cicloides, epileptoides e paranoides de Kleist. Ele considera apenas o grupo afetivo de Kleist \u2013 que se distingue das formas man\u00edaco-depressivas tendo semelhan\u00e7a no colorido. N\u00e3o \u00e9 o quadro cl\u00ednico em si mesmo, como entidade cl\u00ednica que se distingue um do outro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, vemos que a \u00e9poca em que aparecem os dist\u00farbios \u00e9 vari\u00e1vel \u2013 essas formas de Kleist aparecem mais tardiamente -, h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o com as formas cl\u00e1ssicas da mania e da melancolia, \u00e9 o caracter\u00edstico fundamental. Uma distin\u00e7\u00e3o fundamental, nessas formas delirantes, essas formas de euforia descritas por Leonhard, para com a mania, em que h\u00e1 excita\u00e7\u00e3o, \u00e9 que aqui h\u00e1 del\u00edrio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Um paciente com expansividade intensa, com agita\u00e7\u00e3o psicomotora ou ps\u00edquica, com exalta\u00e7\u00e3o intelectual e afetiva inclusive, mas apresentando dist\u00farbio sensoperceptivo, n\u00e3o podemos consider\u00e1-lo como man\u00edaco: se trata de uma forma paran\u00f3ide de Kleist que se caracteriza, exatamente, pela forma delirante ou presen\u00e7a de dist\u00farbio senso-perceptivo e com agita\u00e7\u00e3o correspondente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se quisermos fazer um estudo estat\u00edstico, no sentido da epidemiologia, temos que distinguir, separar todos esses casos que aparentemente s\u00e3o mania, mas que na realidade n\u00e3o s\u00e3o mania, mas sim formas cicloides.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores, em geral, estabeleceram aqueles dois tipos de manifesta\u00e7\u00e3o: a forma cl\u00e1ssica comum, a forma end\u00f3gena, e a n\u00e3o comum, n\u00e3o concordante. Se o indiv\u00edduo tem uma psicose afetiva se trata de um quadro concordante com a P.M.D. Se ele tem uma forma que corresponde a dem\u00eancia precoce ou esquizofrenia, ou a epilepsia, se trata de um quadro discordante: ele apresenta a psicose man\u00edaco-depressiva, mas na fam\u00edlia o que prevalece ou o que aparece \u00e9 a esquizofrenia ou a epilepsia. Esse quadro seria apenas um quadro concordante, mas discordante, geneticamente falando. Aqui \u00e9 importante ressaltar que um aspecto n\u00e3o exclui o outro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mas al\u00e9m de levarmos em conta as formas cl\u00e1ssicas, os autores em geral levam em conta a psicopatia. A psicopatia \u00e9 um dist\u00farbio da personalidade, n\u00e3o corresponde a uma psicose, mas traduz um desvio global da personalidade, fundamentalmente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fun\u00e7\u00f5es conativas e afetivas da personalidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o paciente apresenta P.M.D, mas tem um componente epileptoide na fam\u00edlia, a psicopatia epileptoide \u00e9 um fator de discord\u00e2ncia com a P.M.D., mas apenas no plano da psicopatia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pode apresentar um quadro cicloide ou ciclot\u00edmico, na acep\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/bumke\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3089\"><strong>Bumke<\/strong><\/a>, ou timop\u00e1tica que \u00e9 uma psicopatia, mas que concorda, no caso, com o quadro fundamental que \u00e9 a P.M.D.: concordante quanto \u00e0 psicopatia manifesta no quadro, mas n\u00e3o leva em conta outros n\u00edveis de atenua\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica, de modo que \u00e9 muito rudimentar a aprecia\u00e7\u00e3o que se faz e \u00e9 nessa aprecia\u00e7\u00e3o que se vai basear a estat\u00edstica epidemiol\u00f3gica na psiquiatria.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos considerar pelo menos 6 n\u00edveis de atenua\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica, quando falamos no ciclo heredol\u00f3gico: temos a manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica cl\u00e1ssica, temos a forma vari\u00e1vel de Kleist (inclu\u00edda nas cl\u00e1ssicas porque os autores em geral n\u00e3o levam em conta as formas de Kleist), que expressam uma atenua\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica, temos ainda os outros n\u00edveis, como a psicopatia, as neuroses, as rea\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas, os tra\u00e7os anormais de car\u00e1ter, uma s\u00e9rie de fatores que s\u00e3o atenua\u00e7\u00f5es da carga gen\u00e9tica e que passam desapercebidas na investiga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que se faz desses quadros cl\u00ednicos porque s\u00f3 se leva em conta o caracter\u00edstico fundamental.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, n\u00e3o podemos falar, muito precisamente, na concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia da carga gen\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o aos pacientes. Temos que pesquisar os tra\u00e7os caracter\u00edsticos fundamentais para depois fazermos uma reavalia\u00e7\u00e3o desses aspectos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pode ocorrer que um indiv\u00edduo tenha uma s\u00e9rie de tend\u00eancias gen\u00e9ticas, um fato que impressiona quando se procede \u00e0 anamnese heredol\u00f3gica. Nessas circunst\u00e2ncias o psiquiatra fica preocupado porque acha o caso grave. No entanto, particularmente nesses casos, a tend\u00eancia gen\u00e9tica leva o indiv\u00edduo a ter uma forma benigna. Isso, ali\u00e1s \u00e9 reconhecido por todos os autores: quanto mais complicada \u00e9 a carga gen\u00e9tica, tanto melhor o processo de evolu\u00e7\u00e3o do quadro. N\u00e3o h\u00e1, portanto, uma condi\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia entre carga gen\u00e9tica e gravidade do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, e na epilepsia verificamos melhor esse aspecto. O indiv\u00edduo tem convuls\u00f5es porque tem na fam\u00edlia uma carga gen\u00e9tica aumentada para a epilepsia, mas ele tem tamb\u00e9m a possibilidade de n\u00e3o s\u00f3 ter a carga gen\u00e9tica epil\u00e9ptica, mas de outras cargas tamb\u00e9m: nesse caso, ele ter\u00e1 uma forma atenuada, que pode, inclusive, desaparecer espontaneamente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico quando investiga, pesquisa sempre o lado da convuls\u00e3o, isto d\u00e1 a impress\u00e3o de que est\u00e1 marcado, est\u00e1 estigmatizado. Isso pode levar o paciente a sentir ang\u00fastia, mas o pior n\u00e3o \u00e9 ficar angustiado, \u00e9 ele n\u00e3o ter a corre\u00e7\u00e3o terap\u00eautica que seria indicada no caso. Quando investigamos um paciente n\u00e3o \u00e9 somente para produzir um diagn\u00f3stico, \u00e9 para estabelecer uma orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Usamos o crit\u00e9rio patogen\u00e9tico de Kleist no sentido de, primeiramente, fazermos um progn\u00f3stico, tanto quanto poss\u00edvel, e em segundo lugar apontar para a corre\u00e7\u00e3o terap\u00eautica mais adequada para o caso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em uma forma qualquer que seja &#8211; na acep\u00e7\u00e3o de Leonhard comparada com a de Kleist -, se prevalece o elemento conativo, como distin\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico, temos que procurar uma terap\u00eautica que corrija esse aspecto. Se dermos um neurol\u00e9ptico ou outra medica\u00e7\u00e3o que vai diminuir o dist\u00farbio senso perceptivo, mas n\u00e3o distinguirmos a causa fundamental (que seria o dist\u00farbio afetivo e o dist\u00farbio conativo), n\u00e3o estamos atendendo corretamente o paciente e vai-se julgar a terap\u00eautica como ineficiente porque n\u00e3o foi adequada ao caso cl\u00ednico que estamos estudando. Insistimos neste aspecto porque temos sempre que basear o nosso diagn\u00f3stico e o nosso progn\u00f3stico na patog\u00eanese do quadro cl\u00ednico.<\/p>\n\n\n\n<p>O aspecto gen\u00e9tico \u00e9 um aspecto correlato que \u00e9 fundamental para o estudo da patog\u00eanese, para estabelecer qual a esfera da personalidade que \u00e9 atingida de prefer\u00eancia: a tend\u00eancia gen\u00e9tica para esse ou para aquele quadro \u00e9 que vai dar o colorido fundamental do quadro que estamos estudando.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Pergunta<\/em><\/strong>: nos quadros concordantes, h\u00e1 uma concord\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 da forma da doen\u00e7a como tamb\u00e9m da personalidade pr\u00e9-m\u00f3rbida?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Resposta<\/em><\/strong>: a personalidade pr\u00e9-m\u00f3rbida \u00e9 um aspecto, nos casos constitucionais, que se pode prever quanto \u00e0 dire\u00e7\u00e3o que vai tomar a psicose. \u00c9 importante assinalar que a esquizoidia, que significa um isolamento do mundo exterior, n\u00e3o traduz uma tend\u00eancia para a esquizofrenia. Porque h\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o de fatores que levam o indiv\u00edduo a isolar-se do mundo exterior. N\u00e3o se pode julgar assim, dessa maneira.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a frequ\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia faz com que alguns quadros apare\u00e7am mais, com mais frequ\u00eancia. A epilepsia, dentre as formas end\u00f3genas \u00e9 a que mais se difunde na popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia. De modo que acontece uma gama muito maior de sintomas, de manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em rela\u00e7\u00e3o ao epil\u00e9tico, do que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 P.M.D. ou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esquizofrenia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Pergunta:<\/em><\/strong> Por que n\u00e3o existem dist\u00farbios senso-perceptivos na P.M.D.?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Resposta:<\/em><\/strong> Se n\u00f3s considerarmos a P.M.D. em conjunto, pode haver nas formas depressivas, na melancolia sim, h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es sensoriais e h\u00e1 formas delirantes tamb\u00e9m. A P.M.D. seria mania e melancolia. Na fase melanc\u00f3lica pode haver, mas na fase de mania, n\u00e3o.\u00a0 \u00c9 o dinamismo que explica isso, porque na mania temos um est\u00edmulo geral de todas as fun\u00e7\u00f5es subjetivas. Dessa forma, o indiv\u00edduo se torna expansivo porque realmente o fator fundamental \u00e9 a afetividade e, concordantemente, com isso h\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o do contato com o mundo exterior. Esse exagero do contacto com mundo exterior leva o indiv\u00edduo a dar aten\u00e7\u00e3o a tudo o que se passa ao redor dele. Assim, o indiv\u00edduo ao mesmo tempo que est\u00e1 dando a aten\u00e7\u00e3o ao interlocutor, ele fala outra coisa, comenta outra coisa que aparece, comenta \u00e0s vezes uma ideia que falou, inclui tudo isso como est\u00edmulo. Portanto, \u00e9 um est\u00edmulo no sentido da produ\u00e7\u00e3o excessiva, exagerada e de forma saltu\u00e1ria porque o elemento conativo que permite ligar as coisas entre si, n\u00e3o est\u00e1 funcionando bem. Mas isso n\u00e3o produz uma altera\u00e7\u00e3o perceptiva porque o fator intelectual n\u00e3o \u00e9 comprometido no caso: h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o excessiva que se traduz na comunica\u00e7\u00e3o do paciente, mas n\u00e3o produ\u00e7\u00e3o delirante.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o no mesmo tempo afetiva e conativa podemos ter os dist\u00farbios perceptivos tamb\u00e9m, ou o automatismo mental, que \u00e9 a mais frequente ou a alucina\u00e7\u00e3o, geralmente auditiva. Quando temos o contato com o mundo exterior, em qualquer manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, quer seja uma psicose sintom\u00e1tica, uma psicose confusional, uma confus\u00e3o mental, ou uma agita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 o fator de alucina\u00e7\u00e3o ou de automatismo mental.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o fator delirante existe na mania, porque o est\u00edmulo afetivo excessivo leva o indiv\u00edduo a interpretar as coisas de modo que ele se torna egoc\u00eantrico, em rela\u00e7\u00e3o a ele pr\u00f3prio, caracteriza as v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas da euforia como ideias delirantes de grandeza ou del\u00edrio de bem-estar, que est\u00e3o ligados com o est\u00edmulo global da personalidade e n\u00e3o espec\u00edfico em certas \u00e1reas do c\u00e9rebro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na depress\u00e3o h\u00e1 um isolamento do mundo exterior, o indiv\u00edduo fica mais voltado para si pr\u00f3prio, nesse caso ele pode ter como consequ\u00eancia alucina\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o ligadas com o fen\u00f4meno afetivo de um lado, e de serem visuais quando for muito intenso e ideias delirantes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 personalidade, no sentido depressivo tamb\u00e9m. \u00c9, portanto, uma forma concordante com o estado de \u00e2nimo. Quando h\u00e1 discord\u00e2ncia temos que pensar nessa forma de Kleist, ent\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 a psicose man\u00edaco-depressiva, ou a mania e melancolia, mas essas formas que tenham depress\u00e3o e que tenham altera\u00e7\u00e3o delirante tamb\u00e9m.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Pergunta:<\/em><\/strong> (sobre a s\u00edndrome de Cottard)<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Resposta:<\/em><\/strong> s\u00e3o est\u00edmulos inicialmente viscerais e a interpreta\u00e7\u00e3o est\u00e1 de acordo com isso, isto \u00e9, o colorido da depress\u00e3o, mas sempre \u00e9 visceral tamb\u00e9m. Tamb\u00e9m podemos ter altera\u00e7\u00f5es desse tipo em pacientes que n\u00e3o est\u00e3o deprimidos: na forma progressiva de Kleist, por exemplo, a Somatopsicose Progressiva. Nesse caso, o paciente tem no\u00e7\u00e3o de que seu corpo est\u00e1 modificado. O transtorno tamb\u00e9m \u00e9 ligado \u00e0 interocep\u00e7\u00e3o, sem ser por depress\u00e3o. \u00c9 inicialmente sensorial, portanto, \u00e9 a interocep\u00e7\u00e3o que est\u00e1 alterada no caso, e como o transtorno senso-perceptivo \u00e9 vegetativo torna-se dif\u00edcil distinguirmos se \u00e9 ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando h\u00e1 alucina\u00e7\u00f5es viscerais, a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, quer dizer, s\u00e3o alucina\u00e7\u00f5es ou automatismo mental que \u00e9 mais frequente com localiza\u00e7\u00e3o visceral. De modo que fica bem claro que o problema \u00e9 visceral e senso perceptivo em primeiro lugar.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O hipocondr\u00edaco, o indiv\u00edduo que est\u00e1 sempre se examinando, tem essa manifesta\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca, sem manifesta\u00e7\u00e3o delirante e, \u00e0s vezes, como um equivalente epil\u00e9ptico.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"3b9cc9c7-b725-4efa-8f01-8687a7a147e2\">Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, sem refer\u00eancia a data, local ou a quem o compilou. Revisto em 18\/10\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano. As refer\u00eancias adicionais em azul ser\u00e3o vinculadas a um texto relacionado com um determinado autor ou um determinado assunto. <a href=\"#3b9cc9c7-b725-4efa-8f01-8687a7a147e2-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FORMAS BIPOLARES E MONOPOLARES DE LEONHARD, COMPARA\u00c7\u00c3O COM AS FORMAS DA PMD A forma circular cl\u00e1ssica da P.M.D. corresponde \u00e0quela onde ocorre depress\u00e3o completa e uma fase de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica ou mania e depois uma fase de depress\u00e3o, passando de um aspecto para outro, praticamente, sem transi\u00e7\u00e3o. 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