{"id":3278,"date":"2024-09-11T19:40:35","date_gmt":"2024-09-11T22:40:35","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3278"},"modified":"2024-09-11T19:40:35","modified_gmt":"2024-09-11T22:40:35","slug":"formas-confusionais-de-kleist","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/formas-confusionais-de-kleist\/","title":{"rendered":"Formas confusionais de Kleist"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>FORMAS CONFUSIONAIS DE KLEIST<\/strong><sup data-fn=\"87003d6c-da79-4144-ab0c-583dcecaf748\" class=\"fn\"><a href=\"#87003d6c-da79-4144-ab0c-583dcecaf748\" id=\"87003d6c-da79-4144-ab0c-583dcecaf748-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Kleist quando iniciou o estudo dos pacientes em Frankfurt am Mein, onde fez uma revis\u00e3o catamn\u00e9stica, deu raz\u00e3o a Kraepelin por estabelecer a esquizofasia como uma forma independente da esquizofrenia ou da dem\u00eancia precoce.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, observou que a esquizofasia \u00e9 apenas um aspecto do desmantelo intelectual do paciente, que se manifestava especialmente ao n\u00edvel da express\u00e3o, mas que tinha tamb\u00e9m um componente de elabora\u00e7\u00e3o ligado com esse dinamismo. Havia, portanto, necessidade de desdobrar esse quadro e isto levou Kleist a avan\u00e7ar na formula\u00e7\u00e3o de um novo grupo de psicoses progressivas, o grupo das psicoses confusionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse grupo havia uma incoer\u00eancia acentuada no quadro cl\u00ednico, havia uma discord\u00e2ncia entre o que o paciente elaborava e exteriorizava, mas de tr\u00eas modos diversos: um deles seria o que ele chamou de Esquizofrenia Incoerente Paral\u00f3gica, o fator fundamental aqui \u00e9 a paralogia, isto \u00e9, uma incapacidade de estabelecer um racioc\u00ednio l\u00f3gico. A incoer\u00eancia, por conseguinte, est\u00e1 no campo da explica\u00e7\u00e3o, do racioc\u00ednio, da din\u00e2mica do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma \u00e9 a Esquizofrenia Incoerente, uma altera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no comportamento intelectual, correspondendo a um dist\u00farbio intr\u00ednseco da elabora\u00e7\u00e3o, do ju\u00edzo cr\u00edtico do paciente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>E, por fim, uma forma que chamou de Esquizofasia, no sentido de Kraepelin, em que h\u00e1 um dist\u00farbio na express\u00e3o, fundamentalmente, no \u00e2mbito da esfera intelectual da personalidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre ressaltar, que o grupo confusional foi desdobrado, inicialmente, das formas paranoides. Kleist j\u00e1 tinha percebido os dist\u00farbios paral\u00f3gicos onde havia o embotamento incoerente, que \u00e9 um aspecto fundamental. Por outro lado, verificou tamb\u00e9m que a confus\u00e3o decorria de v\u00e1rios fatores: a incoer\u00eancia intr\u00ednseca, que deriva do racioc\u00ednio paral\u00f3gico, portanto, de ordem conativa e uma outra relacionada apenas com a express\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Importante salientar que h\u00e1 outros aspectos caracter\u00edsticos que revelam que o paciente, durante todo o processo de evolu\u00e7\u00e3o do seu quadro cl\u00ednico, manifesta uma progress\u00e3o dos dist\u00farbios, isto \u00e9, cada vez mais vai apagando o dinamismo intelectual do paciente, o contato se torna cada vez mais dif\u00edcil. Por outro lado, em duas formas esse contato \u00e9 menos dif\u00edcil, pelo menos na apar\u00eancia, \u00e9 menos desorganizado: na esquizofasia e na forma de evolu\u00e7\u00e3o por surtos. Nessa forma de evolu\u00e7\u00e3o por surtos, o paciente tem per\u00edodos, em que \u00e9 menos caracter\u00edstico, menos claro o desmantelo intelectual. E isto levou Kleist a ver nesta forma, uma forma at\u00edpica, em que temos uma participa\u00e7\u00e3o da esfera afetiva, mais ou menos na dire\u00e7\u00e3o do que se passa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a man\u00edaco-depressiva, isto \u00e9, uma tend\u00eancia para aparecer por ciclos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental entre essa e as formas benignas. Nessa forma de psicose progressiva de evolu\u00e7\u00e3o por surtos h\u00e1, sempre, um res\u00edduo do dist\u00farbio, isto \u00e9, n\u00e3o \u00e9 um surto que se resolva completamente, h\u00e1 sempre um d\u00e9ficit que avan\u00e7a, cada vez mais, em cada novo surto. Portanto, o paciente chega at\u00e9 o estado demencial, com evolu\u00e7\u00e3o entrecortada, frequentemente, com remiss\u00f5es parciais. N\u00e3o chega a retomar o n\u00edvel anterior do trabalho mental, da fase pr\u00e9-psic\u00f3tica, mas h\u00e1 uma atenua\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico. Na Esquizofasia tamb\u00e9m. Dessa forma, temos dois elementos para firmar o diagn\u00f3stico: o primeiro \u00e9 o fato de haver remiss\u00f5es parciais e o segundo \u00e9 que o quadro n\u00e3o \u00e9 sombrio de in\u00edcio, como acontece na hebefrenia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que chama a aten\u00e7\u00e3o, no caso da Esquizofasia, \u00e9 que o comportamento do indiv\u00edduo parece normal, \u00e0 primeira vista, olhando a dist\u00e2ncia, o indiv\u00edduo parece que se comporta normalmente, tem contato bom com os demais, parece que est\u00e1 explicando alguma coisa. No entanto, o que diz \u00e9 completamente incompreens\u00edvel, porque usa termos que n\u00e3o se entendem realmente, embora estes sejam compreens\u00edveis em si pr\u00f3prios. Aqui h\u00e1 um dist\u00farbio na fase da elabora\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 tamb\u00e9m um dist\u00farbio na parte intr\u00ednseca da elabora\u00e7\u00e3o intelectual. Vemos que o paciente, de modo geral, embora aparentemente estabele\u00e7a bom contato com os demais, n\u00e3o produz nada em rela\u00e7\u00e3o ao que era anteriormente: h\u00e1 uma decad\u00eancia, uma queda evidente no rendimento. Mas ele pode ser mais facilmente manejado, pode ser estimulado, talvez possa corrigir muitos aspectos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das quest\u00f5es que levaram Leonhard a discordar de Kleist, \u00e9 que ele via nesse aspecto da esquizofasia tamb\u00e9m uma altera\u00e7\u00e3o intelectual, mas considerava relevante o fato de o indiv\u00edduo ter remiss\u00f5es, mas a remiss\u00e3o, cumpre salientar, \u00e9 muito menos acentuada do que a da forma Confusional por Surtos. O que h\u00e1 \u00e9 uma atenua\u00e7\u00e3o parcial, moment\u00e2nea, dos dist\u00farbios da express\u00e3o verbal. H\u00e1 uma atenua\u00e7\u00e3o do quadro, ele conserva muito tempo esse aspecto que ainda est\u00e1 distante do estado demencial. Com o decorrer do quadro cl\u00ednico, a Esquizofasia se mant\u00e9m, ela pode agravar-se, mas durante muitos anos se mant\u00e9m limitada, apenas como Esquizofasia, embora o comportamento \u00e0s vezes comece a se mostrar anormal, o paciente fica com colecionismo, por exemplo, uma certa excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, a tend\u00eancia para apanhar tudo que est\u00e1 ao alcance, ele vai guardando, vai mantendo aquilo consigo, e tem \u00e0s vezes rea\u00e7\u00f5es inteiramente esquisitas, extravagantes, mas em alguma coisa conserva o senso da realidade. Conheci um paciente muito interessante, porque ele tinha uma Esquizofasia muito acentuada e \u00e0s vezes conversava sobre alguns t\u00f3picos de modo muito claro, muito preciso, sem nenhuma confus\u00e3o, sem nenhum dist\u00farbio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na Esquizofrenia Paral\u00f3gica temos a incoer\u00eancia e uma confus\u00e3o decorrente do dist\u00farbio do racioc\u00ednio. O indiv\u00edduo parte de um racioc\u00ednio e chega a outro completamente diferente e como n\u00e3o percebemos qual o fio condutor do racioc\u00ednio dele, ficamos incapazes de compreender o que ele est\u00e1 dizendo. Mas aqui n\u00e3o \u00e9 pelo dist\u00farbio da linguagem e sim pelo dist\u00farbio intr\u00ednseco do racioc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma Confusional Incoerente temos uma incapacidade l\u00f3gica, acarretando desordens al\u00f3gicas. N\u00e3o podemos acompanhar o racioc\u00ednio do paciente na forma incoerente, porque \u00e9 totalmente discordante da realidade, e a linguagem tem tamb\u00e9m neologismos, como na esquizofasia, mas tem mais neologismos e, especialmente, aquilo que os autores alem\u00e3es chamavam \u201csalada de palavras\u201d (Wortsalaten), uma salada porque as palavras s\u00e3o justapostas, sem nenhum sentido l\u00f3gico, nenhuma conex\u00e3o compreens\u00edvel: na Esquizofasia n\u00e3o, as frases s\u00e3o compreens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A Esquizofasia corresponde, mais ou menos, ao que nas doen\u00e7as cerebrais org\u00e2nicas corresponde \u00e0 parafasia como sintoma, isto \u00e9, um dist\u00farbio conativo na produ\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o dos fatos entre si.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma incoerente traduz um dist\u00farbio intr\u00ednseco da elabora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o extr\u00ednseco como na Esquizofasia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma paral\u00f3gica \u00e9 mais compreens\u00edvel, mas o racioc\u00ednio n\u00e3o se pode acompanhar, porque o indiv\u00edduo encaixa coisas, parte de um princ\u00edpio e chega a outro totalmente diferente do que podemos compreender, pela l\u00f3gica do senso comum. Em todas essas h\u00e1 uma certa apar\u00eancia de contato com a realidade, embora o paciente esteja muito desagregado da realidade do que parece estar no in\u00edcio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma Confusional por Surtos se distingue, porque h\u00e1 remiss\u00f5es parciais bem evidentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre relembrar que, do ponto de vista da patog\u00eanese, esse aspecto da remiss\u00e3o tem uma raiz afetiva, geneticamente ligada com a tend\u00eancia para a psicose man\u00edaco-depressiva. Via de regra, encontramos na carga gen\u00e9tica familiar dos pacientes uma preval\u00eancia da forma man\u00edaco-depressiva. No entanto, h\u00e1 o caracter\u00edstico de uma desagrega\u00e7\u00e3o acentuada da personalidade e essa desagrega\u00e7\u00e3o se faz, periodicamente, por fases cada vez mais acentuadas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma reavalia\u00e7\u00e3o catamn\u00e9stica, Kleist verificou, no primeiro grupo reavaliado, que havia 13 pacientes da forma confusional incoerente simples e 5 formas combinadas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas paral\u00f3gicas, havia no primeiro grupo, um de cada tipo. Na segunda revis\u00e3o catamn\u00e9stica, realizada em 1920 e 1935, apareceram mais 4 pacientes incoerentes na forma simples, e 4 na forma combinada, depois apareceram mais 5 na forma paral\u00f3gica simples e 3 na forma paral\u00f3gica combinada. Assim, h\u00e1 um total em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma at\u00edpica por surtos de 5 pacientes, os quadros t\u00edpicos eram 16 pacientes, na segunda revis\u00e3o e 13 na primeira revis\u00e3o. Quanto \u00e0 m\u00e9dia de idade h\u00e1 uma certa diferen\u00e7a, mas como \u00e9 pequeno o n\u00famero de casos de cada tipo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel utilizarmos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma por surtos, extensiva, n\u00e3o havia nenhum paciente com decurso progressivo. Havia dois apenas, como veem aqui, dois em cada grupo, dois com carga gen\u00e9tica acentuada, dois com carga m\u00e9dia, um com carga gen\u00e9tica leve e nenhum sem carga gen\u00e9tica, mas era um n\u00famero pequeno de casos tamb\u00e9m. Reunindo as formas at\u00edpicas, no sentido de Kleist, quer dizer combinadas e extensivas, havia 18 nesta categoria; destas 33% tinham uma carga gen\u00e9tica acentuada, 22% carga m\u00e9dia, e 22% tamb\u00e9m carga gen\u00e9tica leve e mais 22% n\u00e3o se encontrou nenhuma carga gen\u00e9tica definida. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas sistem\u00e1ticas, simples e combinadas, havia 29 pacientes, 31% com carga acentuada, pouco menos que nas formas extensivas, 24% em rela\u00e7\u00e3o a carga m\u00e9dia, portanto mais que nas formas extensivas, 17% bem menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas extensivas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga leve e 27% sem carga apreci\u00e1vel. Notem que quanto mais preciso o quadro, tanto maior e mais concentrada \u00e9 a carga gen\u00e9tica. Em rela\u00e7\u00e3o ao tipo de carga gen\u00e9tica, apenas se encontrou a carga gen\u00e9tica esquizofr\u00eanica, num n\u00famero pequeno de pacientes, apenas em 11 havia carga gen\u00e9tica esquizofr\u00eanica bem precisa.\u00a0<br><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"87003d6c-da79-4144-ab0c-583dcecaf748\">Texto organizado por Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira, sem refer\u00eancia de data e local ou de quem a compilou, sendo revista, em 29\/11\/22, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto. <a href=\"#87003d6c-da79-4144-ab0c-583dcecaf748-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FORMAS CONFUSIONAIS DE KLEIST Kleist quando iniciou o estudo dos pacientes em Frankfurt am Mein, onde fez uma revis\u00e3o catamn\u00e9stica, deu raz\u00e3o a Kraepelin por estabelecer a esquizofasia como uma forma independente da esquizofrenia ou da dem\u00eancia precoce.\u00a0 Em seguida, observou que a esquizofasia \u00e9 apenas um aspecto do desmantelo intelectual do paciente, que se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Texto organizado por Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira, sem refer\u00eancia de data e local ou de quem a compilou, sendo revista, em 29\/11\/22, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto.\",\"id\":\"87003d6c-da79-4144-ab0c-583dcecaf748\"}]"},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3278","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3278"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3278\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3281,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3278\/revisions\/3281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}