{"id":3283,"date":"2024-09-11T19:44:13","date_gmt":"2024-09-11T22:44:13","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3283"},"modified":"2024-09-11T19:44:13","modified_gmt":"2024-09-11T22:44:13","slug":"grupo-com-predominio-da-depressao-nos-quadros-de-leonhard","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/grupo-com-predominio-da-depressao-nos-quadros-de-leonhard\/","title":{"rendered":"Grupo com predom\u00ednio da depress\u00e3o nos quadros de Leonhard"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>GRUPO COM PREDOM\u00cdNIO DA DEPRESS\u00c3O NOS QUADROS DE LEONHARD<\/strong><sup data-fn=\"4a9bd603-ccd7-47c8-821c-462892d4b7e5\" class=\"fn\"><a href=\"#4a9bd603-ccd7-47c8-821c-462892d4b7e5\" id=\"4a9bd603-ccd7-47c8-821c-462892d4b7e5-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje vamos ver os quadros de Leonhard relacionados com as formas do grupo da depress\u00e3o. Leonhard estabeleceu uma s\u00e9rie de quadros que s\u00e3o aparentados com a PMD, mas que tem uma evolu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e caracter\u00edsticas especiais. Ao mesmo tempo, Leonhard se baseou, em parte, nas concep\u00e7\u00f5es de Kleist, que originalmente foram estabelecidas pela psicopatogenia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist estabeleceu a patog\u00eanese dos v\u00e1rios quadros cl\u00ednicos e usou esse crit\u00e9rio para a an\u00e1lise de casos relacionados com les\u00f5es cerebrais (feridos de guerra), quadros vasculares, como tamb\u00e9m para os quadros end\u00f3genos. Mostrou, inclusive, que esse crit\u00e9rio \u00e9 muito mais importante no estudo das psicoses end\u00f3genas do que nas psicoses por les\u00e3o cerebral, ou dos quadros neurol\u00f3gicos por les\u00e3o cerebral. Isto \u00e9 compreens\u00edvel porque, no \u00e2mbito das psicoses end\u00f3genas \u00e9 o dinamismo cerebral que d\u00e1 como resultado a configura\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios quadros ps\u00edquicos. A primeira distin\u00e7\u00e3o que Kleist fez foi das altera\u00e7\u00f5es globais da personalidade que ele filiou a est\u00edmulos do tronco cerebral, isto \u00e9, em vez de haver altera\u00e7\u00f5es isoladas, parciais, h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es de conjunto. \u00c9 o caso, por exemplo, da ins\u00f4nia ou da hipersonia, a expans\u00e3o, a depress\u00e3o: sintomas que atingem toda a personalidade e n\u00e3o apenas o n\u00edvel intelectual, afetivo ou conativo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist mostrou que essas altera\u00e7\u00f5es de conjunto, podem ser vistas em pacientes com altera\u00e7\u00f5es cerebrais org\u00e2nicas, mas elas aparecem tamb\u00e9m muito mais diferenciadas nos quadros end\u00f3genos. O problema \u00e9 n\u00e3o tomar o sintoma, no sentido psicol\u00f3gico, com a zona cerebral que est\u00e1 envolvida no processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a psicopatologia de Kleist \u00e9 uma psicopatologia essencialmente din\u00e2mica, mas alguns autores confundem isso, atribuindo a ele a localiza\u00e7\u00e3o cerebral envolvida com o colorido psicol\u00f3gico dos v\u00e1rios sintomas. Kleist n\u00e3o fez isso, ele mostra que os sintomas s\u00e3o um reflexo da desorganiza\u00e7\u00e3o da personalidade e essa decorre do comprometimento de variados n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o: n\u00edveis mais profundos, que envolvem toda a personalidade ou um nivel mais superficial, mais espec\u00edfico, dando altera\u00e7\u00f5es de sintomas isolados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se baseou no n\u00edvel do dist\u00farbio funcional das psicoses em geral, tanto as end\u00f3genas, como as psicoses resultantes de altera\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas, quanto as que decorrem de les\u00e3o cerebral direta, classificando-as em v\u00e1rios grupos que podemos compreender ao n\u00edvel da psicopatologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o, a mania, a melancolia cl\u00e1ssica e a chamada PMD s\u00e3o formas que traduzem uma altera\u00e7\u00e3o geral da personalidade, n\u00e3o h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica particular. A Psicose afetiva de Kleist tem como comparativo a mania, a melancolia e a PMD: \u00e9 o quadro t\u00edpico que todos os autores reconhecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist mostrou que nesse tipo de psicose temos tend\u00eancias gen\u00e9ticas diversas, s\u00e3o v\u00e1rias maneiras de manifestar-se o quadro cl\u00ednico, por isso n\u00e3o aceitou a P.M.D. como sendo uma psicose, uma entidade \u00fanica. Kraepelin estabeleceu que a PMD era uma entidade \u00fanica e Kleist mostrou que a PMD comp\u00f5e um grupo de psicoses, mas h\u00e1 aquelas que apenas se manifestam como mania ou melancolia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessa distin\u00e7\u00e3o fundamental, Kleist mostrou que muitas outras altera\u00e7\u00f5es globais da personalidade, que tamb\u00e9m apresentam depress\u00e3o, expans\u00e3o ou euforia podem n\u00e3o ser do grupo da PMD, porque tem uma conota\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica diversa, distinta. Partindo da\u00ed estabeleceu as psicoses que denominou de cicloides. Dessa forma, h\u00e1 a doen\u00e7a ou loucura circular, conhecida desde Kraepelin e, mesmo anteriormente, desde Esquirol, todos os autores reconheciam as psicoses chamadas circulares.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist mostrou que h\u00e1 psicoses circulares caracter\u00edsticas, mas h\u00e1 tamb\u00e9m psicoses cicloides, isto \u00e9, tem analogia com a psicose circular, mas n\u00e3o s\u00e3o psicoses circulares.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os variados quadros constitucionais h\u00e1 o grupo da esquizofrenia, cuja caracter\u00edstica fundamental \u00e9 a forma paranoide. Aqui \u00e9 importante assinalar, que h\u00e1 tamb\u00e9m psicoses paranoides diat\u00e9ticas, porque alguns sintomas s\u00e3o comuns, quando tomados descritivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A epilepsia n\u00e3o \u00e9 uma psicose, mas uma condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida constitucional permanente que tem, como condi\u00e7\u00f5es associadas a ela geneticamente, as psicoses epileptoides.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist estabeleceu o grupo das psicoses cicloides a partir de uma diferencia\u00e7\u00e3o de formas de psicoses que os autores em geral incluiam na esquizofrenia ou na mania.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Leonhard se dedicou mais ao estudo das psicoses circulares e estabeleceu uma divis\u00e3o que foi baseada inicialmente em Kleist, mas logo depois come\u00e7ou a orientar-se pela descri\u00e7\u00e3o cl\u00ednica dos quadros, seguindo as normas cl\u00e1ssicas dos autores, que \u00e9 agrupar pacientes que tinham uma s\u00e9rie de tra\u00e7os em comum, procedendo \u00e0 descri\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico. A distin\u00e7\u00e3o fundamental entre Leonhard e Kleist se constitui nisso, mas foi Kleist quem o ensinou, quem o orientou. E nesse sentido, Leonhard foi quem melhor o acompanhou, mas mesmo assim ele ficou um pouco na descri\u00e7\u00e3o. Isso acarreta uma perda de coer\u00eancia nos quadros cl\u00ednicos que ele descreveu e alguns autores, atualmente, tem notado isso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Tem um trabalho do grupo de Kleist (Escola de Frankfurt)\u00a0 em que alguns autores mostraram que h\u00e1 discord\u00e2ncias entre essas psicoses com o grupo das psicoses end\u00f3genas. Em outros trabalhos mostraram que a discord\u00e2ncia estava relacionada com elementos epileptoides, que n\u00e3o foram levados em conta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Leonhard falou em alguns quadros confusionais que aparecem e depois de 4 a 5 dias desaparecem. Mas isto vimos, com muita frequ\u00eancia, como equivalente epil\u00e9ptico (pode-se considerar como um equivalente).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tomando em conta esse aspecto da gen\u00e9tica e da configura\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico, fica dif\u00edcil compreendermos como distinguir um quadro do outro. A orienta\u00e7\u00e3o de Leonhard tem a vantagem de ser mais acess\u00edvel: aplicar o crit\u00e9rio descritivo \u00e9 muito simples, acompanharmos a desagrega\u00e7\u00e3o do paciente, mas tem este inconveniente de agregar no mesmo grupo, psicoses que tem uma etiologia diversa, quanto ao aspecto gen\u00e9tico, e n\u00e3o quanto \u00e0 etiologia geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Realmente, h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre os v\u00e1rios grupos de psicoses end\u00f3genas e Leonhard estudou esses quadros muito bem. Juntamente com Schultz<sup data-fn=\"db7489f8-6f1e-4aaf-addb-d955ab4da02f\" class=\"fn\"><a href=\"#db7489f8-6f1e-4aaf-addb-d955ab4da02f\" id=\"db7489f8-6f1e-4aaf-addb-d955ab4da02f-link\">2<\/a><\/sup>, fez um estudo sobre as psicoses end\u00f3genas, pelo aspecto gen\u00e9tico, e chegou ent\u00e3o a conclus\u00f5es muito mais precisas, muito mais exatas do que se conhecia, pelo estudo geral da psiquiatria cl\u00e1ssica, quanto \u00e0 gen\u00e9tica. Mas n\u00e3o modificou esta causa de erro que \u00e9 o aspecto descritivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso dificulta a distin\u00e7\u00e3o entre a concep\u00e7\u00e3o das psicoses gen\u00e9ticas, segundo Kleist, e as psicoses gen\u00e9ticas comuns, que se conhece habitualmente, porque h\u00e1 uma influ\u00eancia relacionada com a interpreta\u00e7\u00e3o pessoal, quanto \u00e0 descri\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No grupo das psicoses f\u00e1sicas, estudado por Leonhard, temos dois tipos diversos. Primeiramente, quanto \u00e0s formas end\u00f3genas que se manifestam por fases. Em algumas delas h\u00e1 um colorido \u00fanico, mania ou melancolia, na forma cl\u00e1ssica. Outras tem as duas fases associadas, a mania e a melancolia, a PMD. Esta ele chamou multif\u00e1ria porque tem mais de uma manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<p>Leonhard realizou um estudo gen\u00e9tico envolvendo pais e irm\u00e3os de pacientes portadores de quadros psic\u00f3ticos end\u00f3genos. O estudo envolveu 304 casos e um total de 574 irm\u00e3os, dos quais 74 tinham adoecido de doen\u00e7a mental, ent\u00e3o, 12,9%. Entre os pais, 604 ao todo, havia 45 enfermos, com 7,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas formas puras era menor o n\u00famero de casos, apenas 222 dentre 436. Um aspecto importante \u00e9 corrigir pela faixa et\u00e1ria, isto \u00e9 indispens\u00e1vel para a gen\u00e9tica. Se estamos estudando pacientes com dem\u00eancia senil, todos os irm\u00e3os que morreram antes dos 50 anos ficam exclu\u00eddos do tratamento estat\u00edstico. Neste caso, ele verificou 436 irm\u00e3os, onde encontrou 20 na forma simples, perfazendo 4,5%. Notem a diferen\u00e7a entre as formas simples e m\u00faltiplas: 12,9% para 4,6%. Entre os pais havia a mesma diferen\u00e7a, menor um pouco, de 7,5 para 4,1%, nas formas isoladas ou simples.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois temos pelo aspecto do in\u00edcio do quadro cl\u00ednico, bipolares e monopolares, porque aparece sempre numa mesma dire\u00e7\u00e3o, e no caso bipolar podem aparecer dois quadros: depress\u00e3o ou expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi observado, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas bipolares e monopolares, existir alguma rela\u00e7\u00e3o com a carga gen\u00e9tica, muito mais acentuada entre os irm\u00e3os do que entre os pais. Essa \u00e9 uma verifica\u00e7\u00e3o da escola de Kleist, mas todos os autores praticamente reconhecem isso hoje em dia, n\u00e3o explicitamente, mas no material cl\u00ednico notam isto: &#8211; quanto mais concentrada \u00e9 a carga gen\u00e9tica tanto mais concordante \u00e9 o quadro cl\u00ednico, mais progressivo, mais arrastado tamb\u00e9m. Quanto mais diversificada \u00e9 a carga gen\u00e9tica, tanto mais benigno \u00e9 o quadro e tanto mais frequente na popula\u00e7\u00e3o media.<\/p>\n\n\n\n<p>Notem, portanto, que h\u00e1 uma raz\u00e3o de ser para essas formas cl\u00ednicas diversas, mas vemos que Leonhard dividiu os grupos dessas formas cl\u00e1ssicas, que Kleist n\u00e3o estudou mais minuciosamente, em dois polos: polo da depress\u00e3o, aqui manteve o nome de depress\u00e3o em vez de dizer melancolia e, ao mesmo tempo, estabeleceu um grupo que h\u00e1 expans\u00e3o e euforia, que corresponde \u00e0 mania dos demais autores.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, euforia e depress\u00e3o formam os dois grandes grupos das formas de Leonhard, da chamada PMD. As formas simples que apresentam um polo \u00fanico s\u00e3o as do grupo da euforia ou do grupo da depress\u00e3o. As formas m\u00faltiplas s\u00e3o as formas cicloides, n\u00e3o s\u00e3o diversas das formas de Kleist, s\u00f3 que s\u00e3o mais limitadas do que as formas de Kleist, em parte, porque ele incluiu nos outros grupos, como formas simples, sendo inclu\u00eddas nas formas benignas de Kleist.<\/p>\n\n\n\n<p>O que Leonhard procurou mostrar \u00e9 que essas formas de depress\u00e3o e euforia se apresentam de modo uniforme no quadro cl\u00ednico, de modo que corresponde, de certa maneira, \u00e0quilo que os autores, desde Kraepelin, descreveram como formas mistas (incluindo Bleuler, outros autores e os franceses tamb\u00e9m).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas depress\u00f5es, Leonhard descreveu cinco tipos diferentes: s\u00e3o aquelas em que h\u00e1 uma certa analogia com as formas patogen\u00e9ticas de Kleist. Se estudarmos os indiv\u00edduos pelo aspecto patog\u00eanico temos muito mais dados para estabelecermos qual \u00e9 o diagn\u00f3stico correto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer maneira, uma quest\u00e3o que quero chamar a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que essas formas s\u00e3o frequentes em qualquer experi\u00eancia psiqui\u00e1trica, mas como Leonhard d\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o muito minuciosa, muito precisa, ent\u00e3o se torna relativamente rara. Assim, vamos ver que para alguns pacientes dessas formas ele teve apenas um, dois ou tr\u00eas casos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos o crit\u00e9rio patogen\u00e9tico vemos que \u00e9 muito mais f\u00e1cil encontrarmos pacientes nessa categoria, parece um paradoxo, mas \u00e9 na realidade f\u00e1cil, porque temos um elemento divis\u00f3rio muito preciso, exato. \u00c9, por exemplo, nos quadros multif\u00e1rios porque predominam outros setores da personalidade da\u00ed, se s\u00f3 descrevermos o paciente n\u00e3o sabemos qual \u00e9 o diagn\u00f3stico, fica um pouco impreciso. Aqui, o que est\u00e1 em jogo, \u00e9 a possibilidade maior ou menor de distinguir os quadros cl\u00ednicos entre si. Por outro lado, h\u00e1 realmente uma diferen\u00e7a quanto \u00e0 carga gen\u00e9tica e quanto \u00e0 idade do inicio da doen\u00e7a.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela<\/strong>: Dados estat\u00edsticos nas psicoses f\u00e1sicas e cicloides (Leonhard). Distribui\u00e7\u00e3o por sexo e m\u00e9dia de idade de in\u00edcio (adaptado em 11\/5\/71)<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa tabela consolidada agrupamos dados de v\u00e1rias tabelas de Leonhard. Trata-se de uma amostragem bem grande, quase 300 pacientes. H\u00e1 primeiramente a forma man\u00edaco-depressiva, com 117 pacientes, na melancolia simples havia 62 e na mania simples 20 pacientes. Na forma improdutiva 3 pacientes, nas formas hipocondr\u00edacas 38, entusi\u00e1stica 3, fabulat\u00f3ria 3 e na ap\u00e1tica 1 paciente. Notem que \u00e9 muito menor a frequ\u00eancia que as outras formas cl\u00e1ssicas de psicoses.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o por g\u00eanero e faixa et\u00e1ria temos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 depress\u00e3o hipocondr\u00edaca: propor\u00e7\u00e3o de 11 homens para 16 mulheres e a idade m\u00e9dia de 38,4 e 38,8 (come\u00e7a mais tarde do que na forma cl\u00e1ssica, na forma man\u00edaco depressiva constitucional).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Notem que h\u00e1, de certa maneira, uma diferen\u00e7a nesses dados, mas as euforias, que Leonhard chamou, hipocondr\u00edaca, improdutiva, entusi\u00e1stica, fabulat\u00f3ria e ap\u00e1tica, que apresenta como caracter\u00edstica um aspecto fundamental que \u00e9 o ficar siderado na a\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A forma improdutiva que leva a agita\u00e7\u00e3o, a euforia (n\u00e3o \u00e9 expans\u00e3o \u00e9 euforia); ou tem uma queixa que se volta para si pr\u00f3prio, continuamente, na forma hipocondr\u00edaca. A forma entusi\u00e1stica, que \u00e9 mais no sentido delirante. A forma fabulat\u00f3ria em que h\u00e1 o elemento de produ\u00e7\u00e3o exagerada, sem ser num n\u00edvel de elabora\u00e7\u00e3o, \u00e9 fabula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o del\u00edrio.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 depress\u00e3o h\u00e1 5 n\u00edveis que correspondem aos 5 n\u00edveis da manifesta\u00e7\u00e3o euf\u00f3rica, da euforia em geral. A depress\u00e3o hipocondr\u00edaca corresponde \u00e0 euforia hipocondr\u00edaca, a que ele chamou de inquieta, a depress\u00e3o auto-acusat\u00f3ria, aqui chamamos de suspicaz, porque n\u00e3o havia outro termo e a forma ap\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, notem que da hipocondria para a forma ap\u00e1tica temos v\u00e1rios sistemas: na forma chamada inquieta temos certa agita\u00e7\u00e3o, na forma auto-acusat\u00f3ria em que o indiv\u00edduo se queixa mais de si pr\u00f3prio; a outra pelo contr\u00e1rio, ele se sente vigiado, olhado, num tipo persecut\u00f3rio, correspondendo \u00e0 forma suspicaz porque a suspeita \u00e9 o caracter\u00edstico do quadro cl\u00ednico; n\u00e3o \u00e9 bem se sentir perseguido, ele se acha suspeito, que est\u00e1 suspeito. Finalmente, a forma ap\u00e1tica em que h\u00e1 uma perda da atividade, da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As formas hipocondr\u00edaca e a inquieta s\u00e3o, pela descri\u00e7\u00e3o, muito semelhantes entre si, mas patogenicamente n\u00e3o. Na forma hipocondr\u00edaca h\u00e1 depress\u00e3o, que \u00e9 fundamental no quadro cl\u00ednico, que se confunde com a melancolia, mas existe o elemento do indiv\u00edduo sentir o pr\u00f3prio corpo alterado. \u00c9 o caso daqueles indiv\u00edduos que acham que n\u00e3o t\u00eam v\u00edsceras, que foi retirado o est\u00f4mago. O que caracteriza a hipocondria \u00e9 esse aspecto do indiv\u00edduo se voltar para o pr\u00f3prio corpo, para as pr\u00f3prias v\u00edsceras, raramente \u00e9 pelo sistema proprioceptivo, o sistema muscular, onde refere n\u00e3o ter tato, estar adormecido em parte do corpo, o indiv\u00edduo n\u00e3o sentir mais nada, isto \u00e9, mais do sistema pr\u00f3prioceptivo, o sentir a sensa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo.\u00a0 Aqui n\u00e3o, aqui figura em primeiro lugar queixas quanto \u00e0s pr\u00f3prias v\u00edsceras, isto \u00e9, o elemento visceral, o sistema interoceptivo e n\u00e3o o proprioceptivo: o indiv\u00edduo fica, continuamente, manifestando esse aspecto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma inquieta temos, n\u00e3o somente a melancolia do paciente, mas principalmente a incapacidade do indiv\u00edduo de manter-se no lugar, ele fica inst\u00e1vel, fica angustiado, se movimenta continuamente, nunca pode estar no mesmo lugar, quieto. Embora o elemento depressivo seja fundamental, tem queixas muito uniformes, mon\u00f3tonas que se repetem constantemente e ao mesmo tempo tem uma incapacidade de se manter no lugar, \u00e9 uma atividade t\u00e3o grande que ele perambula, ele anda e quando ele se mant\u00e9m no lugar, fica gesticulando, esfregando as m\u00e3os, chegando at\u00e9 \u00e0s voltas do desespero.<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma auto-acusat\u00f3ria e na forma suspicaz temos tamb\u00e9m duas possibilidades de compreendermos patogenicamente: a forma auto-acusat\u00f3ria que \u00e9 o cl\u00e1ssico da melancolia, o indiv\u00edduo se acha respons\u00e1vel pelo que fez, est\u00e1 arruinado, arruinou a fam\u00edlia, ele dissemina o mal. H\u00e1 tamb\u00e9m o fator da queixa cont\u00ednua, de qualquer maneira mon\u00f3tona, mas voltado para si pr\u00f3prio, n\u00e3o no plano das v\u00edsceras, mas sim no plano da pr\u00f3pria personalidade. De modo que ele irradia o mal para todos. \u00c9 a psicose que mais leva ao suic\u00eddio: nessa forma temos que pensar na possibilidade de suic\u00eddio, que \u00e9 muito caracter\u00edstico. Aqui o indiv\u00edduo se v\u00ea deprimido, ele se lamenta da situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e1, \u00e9 uma coisa mon\u00f3tona, ele perde o contato com o mundo exterior, se desliga completamente do mundo exterior, mas se desliga pelo fato de voltar-se para si pr\u00f3prio, como remorso.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa outra forma, a suspicaz, o indiv\u00edduo tamb\u00e9m tem a mesma d\u00favida, n\u00e3o pode estar num lugar que acha que est\u00e1 demais, quando ele \u00e9 o centro da aten\u00e7\u00e3o de todos, o centro de tudo o que acontece no ambiente, mas ele acha que se referem a ele, isto \u00e9, n\u00e3o \u00e9 ele que julga, como no caso da auto-acusat\u00f3ria (dele estar nessa situa\u00e7\u00e3o): s\u00e3o os outros que julgam isso dele. Assim, o indiv\u00edduo fica sempre lamentando quieto no lugar, n\u00e3o fica bem, est\u00e1 incomodando, est\u00e1 perturbando e por esse motivo ele \u00e9 suspeito, inclusive, porque falam dele. O elemento fundamental nesse quadro suspicaz \u00e9 a ideia de refer\u00eancia. A\u00ed temos uma ideia que parte do indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o ao mundo exterior, de modo que h\u00e1 muita analogia com aquelas formas da esquizofrenia e as formas tamb\u00e9m da euforia, no sentido comum, em que as a\u00e7\u00f5es partem do indiv\u00edduo para o mundo exterior. Na forma suspicaz s\u00e3o os outros que s\u00e3o envolvidos pelo indiv\u00edduo: os outros que dizem isto; eu n\u00e3o posso ficar porque o que v\u00e3o pensar de mim, est\u00e3o dizendo que eu vou fazer mal, que eu sou um indiv\u00edduo que devia morrer: aqui, portanto, o elemento fundamental \u00e9 a ideia delirante de refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ap\u00e1tica temos uma sidera\u00e7\u00e3o de todos os setores, o indiv\u00edduo se desliga do mundo exterior, o indiv\u00edduo est\u00e1 isolado; ele fica voltado para si mesmo e se desinteressa pelo que se passa no mundo exterior. \u00c9 uma forma muito caracter\u00edstica porque n\u00e3o h\u00e1 quase produ\u00e7\u00e3o nenhuma; o indiv\u00edduo mant\u00e9m uma certa sitiofobia, n\u00e3o se interessa pela alimenta\u00e7\u00e3o. Notem que na hipocondria o indiv\u00edduo n\u00e3o tem as v\u00edsceras, ele n\u00e3o pode se alimentar porque n\u00e3o tem mais, no sentido do del\u00edrio. Na ap\u00e1tica ele n\u00e3o delira, n\u00e3o fabula, n\u00e3o elabora, apenas se isola afetivamente do mundo exterior: h\u00e1 uma depress\u00e3o e al\u00e9m disso um isolamento completo do mundo exterior. No polo oposto, na hipocondria, h\u00e1 tamb\u00e9m um isolamento, mas devido ao indiv\u00edduo voltar para si pr\u00f3prio continuamente, reexaminando continuamente, \u00e9 um auto-exame incessante. Aqui n\u00e3o, o indiv\u00edduo n\u00e3o tem esse trabalho de saber o que se passa com ele, apenas est\u00e1 desligado do mundo exterior.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, patogenicamente, podemos compreender as v\u00e1rias formas, e mesmo que em Leonhard os t\u00edtulos de cada quadro sejam mais descritivos, vemos que tem uma certa raz\u00e3o de ser.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma auto-acusat\u00f3ria, h\u00e1 a idea\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia, que parte do indiv\u00edduo para o mundo exterior. Na forma inquieta o indiv\u00edduo est\u00e1 agitando continuamente, est\u00e1 se lamentando e essas queixas s\u00e3o mon\u00f3tonas, as suas frases revelam uma falta de resson\u00e2ncia afetiva. Observamos uma paciente que correspondia a esse quadro: ela n\u00e3o podia estar quieta num lugar, tinha que estar continuamente se movimentando, movimentava os l\u00e1bios, a boca, o pr\u00f3prio aparelho dent\u00e1rio, continuamente, mas o contato com ela era assim mon\u00f3tono, sempre dizia: eu vou ficar boa&#8230;eu vou ficar boa. Esses quadros tem uma analogia muito grande com a epilepsia, com as psicoses epilept\u00f3ides, em que h\u00e1 o mesmo fator, uma lamenta\u00e7\u00e3o continua, a lam\u00faria \u00e9 muito mon\u00f3tona, muito cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas v\u00e1rias formas tem uma raz\u00e3o de ser e correspondem, de certa maneira, \u00e0s formas de Kleist. O principal fator aqui seria n\u00e3o a configura\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico, mas sim os dinamismos que est\u00e3o em jogo para produzir esse quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na classifica\u00e7\u00e3o geral dos quadros psiqui\u00e1tricos, das condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas em geral, inclu\u00edmos essas formas de Leonhard que s\u00e3o mais f\u00e1ceis de apreender, embora descritivamente, elas tem uma certa raz\u00e3o de ser. H\u00e1 uma certa varia\u00e7\u00e3o quanto a distribui\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o geral e al\u00e9m disso, como caracter\u00edstica principal, \u00e9 que elas t\u00eam uma evolu\u00e7\u00e3o at\u00edpica: \u00e9 o que acontece com algumas delas que s\u00e3o mais lentas e se mant\u00e9m por mais tempo, mas s\u00e3o revers\u00edveis em geral. Nas formas da psicose man\u00edaco-depressiva, ou da mania, ou da melancolia, temos uma tend\u00eancia para se repetirem em fases. \u00c9 um sintoma importante, que devemos saber do ponto de vista cl\u00ednico e do progn\u00f3stico, que permite verificar se o paciente vai manter esse quadro ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os autores falam em mania e melancolia tem quase sempre em conta a forma hipocondr\u00edaca, a forma inquieta de Leonhard e a forma auto-acusat\u00f3ria &#8211; s\u00e3o mais frequentes na popula\u00e7\u00e3o media.\u00a0 No grupo das psicoses com depress\u00e3o s\u00e3o mais frequentes os dois tipos mais cl\u00e1ssicos da chamada melancolia: a melancolia ansiosa, que \u00e9 essa forma inquieta e a forma hipocondr\u00edaca que, atingindo um certo grau, constitui a chamada Sindrome de Cottard. Cottard descreveu esse quadro, mas notem que \u00e9 apenas um sintoma, \u00e9 apenas um aspecto do elemento visceral.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"792\" height=\"328\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-11-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3284\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-11-3.png 792w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-11-3-300x124.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-11-3-768x318.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-11-3-18x7.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"4a9bd603-ccd7-47c8-821c-462892d4b7e5\">Texto organizado pelo Dr. Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de apostila baseada em aula de An\u00edbal Silveira, sem refer\u00eancia de data ou local, sendo revisto, em 25\/10\/22, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto. <a href=\"#4a9bd603-ccd7-47c8-821c-462892d4b7e5-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"db7489f8-6f1e-4aaf-addb-d955ab4da02f\">Geneticista de Munique, vinculado \u00e0 Escola de Kraepelin. <a href=\"#db7489f8-6f1e-4aaf-addb-d955ab4da02f-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GRUPO COM PREDOM\u00cdNIO DA DEPRESS\u00c3O NOS QUADROS DE LEONHARD Hoje vamos ver os quadros de Leonhard relacionados com as formas do grupo da depress\u00e3o. Leonhard estabeleceu uma s\u00e9rie de quadros que s\u00e3o aparentados com a PMD, mas que tem uma evolu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e caracter\u00edsticas especiais. 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