{"id":3300,"date":"2024-09-11T20:09:03","date_gmt":"2024-09-11T23:09:03","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3300"},"modified":"2024-09-11T20:09:03","modified_gmt":"2024-09-11T23:09:03","slug":"patogenese-nos-grupos-hebefrenicos-e-nas-formas-catatonica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/patogenese-nos-grupos-hebefrenicos-e-nas-formas-catatonica\/","title":{"rendered":"Patog\u00eanese nos grupos hebefr\u00eanicos e nas formas catat\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p><strong>PATOG\u00caNESE NOS GRUPOS HEBEFR\u00caNICO E CATAT\u00d4NICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como sabemos, Kleist descreveu v\u00e1rias formas de doen\u00e7as progressivas sendo a mais caracter\u00edstica o Embotamento Incoerente. Esse corresponde a um apagamento cont\u00ednuo da capacidade mental e representava o n\u00facleo fundamental das dem\u00eancias progressivas que depois ele denominou de psicoses progressivas ou esquizofrenias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Quadro abaixo podemos comparar as v\u00e1rias formas de esquizofrenia delimitadas por Kleist, utilizando o crit\u00e9rio patogen\u00e9tico, com as v\u00e1rias formas descritas por Leonhard, a partir de um crit\u00e9rio descritivo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"414\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3302\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-2.png 790w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-2-300x157.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-2-768x402.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-2-18x9.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No \u00e2mbito do grupo das esquizofrenias paranoides, a Fantasiofrenia foi descrita por ambos, apesar da diferen\u00e7a do crit\u00e9rio diagn\u00f3stico, pois se trata de uma forma que mantem o mesmo padr\u00e3o de dist\u00farbio, o paciente est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com as coisas que se passam no mundo exterior, que s\u00e3o profundamente transformadas pelo processo delirante, que alguns autores chamam de transforma\u00e7\u00e3o c\u00f3smica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 forma de Alucinose Progressiva, Leonhard a denominou de Alucinose Verbal Residual. Posteriormente, Kleist a chamou tamb\u00e9m de Alucinose Verbal Progressiva, para distingui-la da Alucinose Aguda, com quadro muito semelhante, mas na qual o quadro psic\u00f3tico remite sem deixar sequela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a Psicose Progressiva de Refer\u00eancia de Kleist, Leonhard n\u00e3o encontrou nenhum caso. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Somatopsicose Progressiva de Kleist, Leonhard a chamou de Alucinose Hipocondr\u00edaca Residual, em decorr\u00eancia da presen\u00e7a do elemento alucinat\u00f3rio, que envolve o sistema visceral: por essa raz\u00e3o incorporou tamb\u00e9m na sua denomina\u00e7\u00e3o o aspecto da hipocondria. No caso da Autopsicose Progressiva de Kleist, em que h\u00e1 perda da no\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade, essa forma corresponde \u00e0 Esquizofrenia Residual Expansiva Paranoide de Leonhard, expansiva porque vemos que h\u00e1 uma significativa rea\u00e7\u00e3o afetiva do paciente, que se mant\u00e9m depois na fase residual, acarretando um tipo um pouco diverso que corresponde mais \u00e0 Alucinose e n\u00e3o propriamente \u00e0 Autopsicose. A forma de Esquizofrenia Residual Aut\u00edstica de Leonhard n\u00e3o encontrou nenhuma correspondente com as de Kleist. Quanto \u00e0 forma de Esquizofasia h\u00e1 uma similaridade entre os dois autores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Catatonia Hipocin\u00e9tica de Kleist, Leonhard encontrou tr\u00eas tipos: a Mutista, uma com predomin\u00e2ncia da rigidez e da imobilidade (Acin\u00e9tica) e outra denominada, inicialmente, de Loquaz, que depois modificamos para Prol\u00e1lica. O indiv\u00edduo fala facilmente, n\u00e3o \u00e9 que seja loquaz nos termos de loquacidade, mas tem facilidade de reagir verbalmente, por isso que a mudamos mais tarde para Prol\u00e1lica (mais ou menos em 1958). A forma Negativista apresenta uma correspond\u00eancia entre Leonhard e Kleist. A forma Paracin\u00e9tica de Kleist corresponde \u00e0 que Leonhard denominou de Afetada ou Meneir\u00edstica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A forma de Catatonia Residual Pros\u00e9tica de Leonhard, com a aten\u00e7\u00e3o voltada para o mundo exterior, n\u00e3o tem correspondente em Kleist: mais tarde verificamos que \u00e9 uma forma t\u00edpica, onde h\u00e1 tamb\u00e9m mais de uma esfera da personalidade participando do processo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 Catatonia Estereot\u00edpica Iterativa de Kleist, Leonhard encontrou uma forma residual que designou como Taciturna.<\/p>\n\n\n\n<p>A Hebefrenia Pueril se manteve com igual denomina\u00e7\u00e3o para ambos. Quanto \u00e0s demais formas n\u00e3o houve correspond\u00eancia, a forma de Hebefrenia Depressiva de Kleist foi designada como Taciturna por Leonhard, e a Hebefrenia Improdutiva de Kleist n\u00e3o encontrou correspond\u00eancia em Leonhard.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo dessa classifica\u00e7\u00e3o inicial, Kleist distinguiu os quadros em t\u00edpicos e at\u00edpicos, aceitando a terminologia de Leonhard de sistem\u00e1tica e assistem\u00e1tica. Ainda que n\u00e3o correspondam exatamente os grupos sistem\u00e1ticos de Kleist com os de Leonhard. Por exemplo, a Esquizofasia de Leonhard era assistem\u00e1tica e at\u00edpica e para Kleist, sistem\u00e1tica e t\u00edpica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda uma outra forma de catatonia que Kleist (Iterativa, evolu\u00e7\u00e3o por surtos) descreveu mais tarde, em que o processo evolui por surtos: pode haver remiss\u00e3o parcial e mais tarde manifesta uma decad\u00eancia maior da personalidade, mas \u00e9 at\u00edpica porque entram em jogo fatores temporais: periodicamente irrompe o quadro cl\u00ednico, que depois se retrai, n\u00e3o produz uma exterioriza\u00e7\u00e3o ruidosa, como na forma aguda, mas conserva sempre um certo d\u00e9ficit mental.<\/p>\n\n\n\n<p>O aspecto fundamental que acentuamos \u00e9 que a terminologia de Kleist se baseou na patog\u00eanese, isto \u00e9, a maneira como se produz o sintoma cl\u00ednico. Leonhard come\u00e7ou a partir desse aspecto e depois passou a considerar mais a apresenta\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico: mais a descri\u00e7\u00e3o do que a patogenia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa maneira de encarar de Leonhard perde, em nosso modo de ver, o aspecto fundamental que \u00e9 a possibilidade de orientar tanto o progn\u00f3stico, quanto a terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos a patogenia como fundamental podemos dar uma terap\u00eautica adequada para o caso. Se quisermos basear-nos na descri\u00e7\u00e3o como o fazem os autores em geral, ent\u00e3o perdemos o nexo fundamental entre a patologia cerebral com a descri\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Nesse sentido, temos que analisar a participa\u00e7\u00e3o das esferas da personalidade e os sistemas ps\u00edquicos que estabelecem a conex\u00e3o funcional entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o dinamismo patol\u00f3gico e psicopatol\u00f3gico, baseamos na compreens\u00e3o dos sistemas ps\u00edquicos, ainda que de um crit\u00e9rio um pouco diferente do de Kleist.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, temos as tr\u00eas esferas da personalidade &#8211; afetividade, cona\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia -, constitu\u00eddas, por sua vez, por um conjunto de fun\u00e7\u00f5es que atuam de forma harm\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esfera afetiva, no aspecto da individualidade, temos tr\u00eas n\u00edveis diversos, o da conserva\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da esp\u00e9cie; o aperfei\u00e7oamento atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o; e a ambi\u00e7\u00e3o constitu\u00edda pela necessidade de dom\u00ednio que \u00e9 o orgulho ou necessidade de aprova\u00e7\u00e3o que \u00e9 a <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/vaidade\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3215\"><strong>vaidade<\/strong><\/a>. Aqui h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de comunicar \u00e0s pessoas, especialistas ou n\u00e3o ou ao p\u00fablico em geral, isto \u00e9, o que pensamos, temos que usar uma linguagem acess\u00edvel a todos, se usamos, por exemplo, uma linguagem esot\u00e9rica s\u00f3 os esot\u00e9ricos compreender\u00e3o: a comunica\u00e7\u00e3o deve ser a mais generalizada poss\u00edvel.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No setor mais diferenciado da esfera afetiva da personalidade &#8211; a sociabilidade, temos o apego, a venera\u00e7\u00e3o e a bondade, como manifesta\u00e7\u00f5es diversas das fun\u00e7\u00f5es subjetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esfera conativa da personalidade temos a perseveran\u00e7a, a prud\u00eancia e a coragem, essa estimula a a\u00e7\u00e3o, a prud\u00eancia inibe a a\u00e7\u00e3o e a perseveran\u00e7a mantem a a\u00e7\u00e3o e o trabalho mental tamb\u00e9m. Notem que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para manter a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, o comportamento, mas a pr\u00f3pria din\u00e2mica subjetiva ps\u00edquica ou intraps\u00edquica, como chamam outros autores. Temos na cona\u00e7\u00e3o dois aspectos, o da firmeza que corresponde \u00e0 perseveran\u00e7a, que mant\u00e9m a a\u00e7\u00e3o, o estado mental e a atividade e os dois polos de est\u00edmulo ou coragem e inibi\u00e7\u00e3o ou prud\u00eancia. Notem que todos v\u00e3o se traduzir no trabalho mental. Assim, por exemplo, um dos sistemas ps\u00edquicos, vinculados ao est\u00edmulo afetivo, tendo como ponto de partida o instinto nutritivo que estimula certas zonas da personalidade correspondentes \u00e0 parte da vaidade, o orgulho, a coragem no sentido da atividade, a dedu\u00e7\u00e3o, abstra\u00e7\u00e3o e a linguagem em consequ\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro sistema ps\u00edquico envolveria o instinto materno que vai atuar sobre a vaidade, a bondade, sobre a prud\u00eancia, estimulando diretamente a indu\u00e7\u00e3o, o trabalho de observa\u00e7\u00e3o concreta e a linguagem tamb\u00e9m. H\u00e1, portanto, intera\u00e7\u00e3o total entre todas as fun\u00e7\u00f5es subjetivas. Normalmente, n\u00e3o se pode dizer que s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es distintas que est\u00e3o em jogo. Apenas quando interfere um fator patol\u00f3gico ou um fator experimental \u00e9 que podemos ver que s\u00e3o realmente fun\u00e7\u00f5es distintas, mas todas elas cooperam necessariamente no trabalho, seja mental ou na a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamamos sistema ps\u00edquico a esse entrela\u00e7amento preferencial de v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es subjetivas que integram as tr\u00eas esferas da personalidade: afetiva, conativa e intelectual.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"785\" height=\"468\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3303\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-2.png 785w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-2-300x179.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-2-768x458.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-2-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 785px) 100vw, 785px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Um dist\u00farbio, por exemplo, fundamentalmente afetivo, mobiliza por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias toda a esfera conativa e vai refletir-se tamb\u00e9m no trabalho mental intelectual. Vemos que essa correla\u00e7\u00e3o de sistemas mostra liga\u00e7\u00f5es preferenciais, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum trabalho mental se n\u00e3o houver a participa\u00e7\u00e3o de todas as fun\u00e7\u00f5es da afetividade: todas participam necessariamente, mas cada uma delas d\u00e1 um colorido um pouco diferente no trabalho mental e na a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita conforme a liga\u00e7\u00e3o preferencial com as outras fun\u00e7\u00f5es subjetivas. Isto por sua vez tamb\u00e9m tem um correlato neurol\u00f3gico e neurofisiol\u00f3gico e, portanto, tamb\u00e9m neuropatol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, essa sistem\u00e1tica de Comte pode ser aplicada \u00e0 patologia cerebral baseada na fisiologia, neurofisiologia, na estrutura, na fun\u00e7\u00e3o, como, tamb\u00e9m, no campo da psicopatologia ou nos dist\u00farbios funcionais somente, no trabalho mental e na a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, portanto, uma esfera geral que atinge a todos os grupos que \u00e9 a esfera afetiva, que acarreta, em todo esquizofr\u00eanico, o colorido cl\u00ednico fundamental. A esfera conativa d\u00e1 um colorido particular a certos grupos da esquizofrenia e a esfera intelectual acarreta outras caracter\u00edsticas no grupo da esquizofrenia, dando um colorido do trabalho mental, patol\u00f3gico no caso, que resulta num del\u00edrio ou numa percep\u00e7\u00e3o anormal ou num comportamento que \u00e9 mais geral ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, consideramos aqui esse aspecto que \u00e9 diferente de Kleist, observando que as esferas da personalidade envolvidas no quadro cl\u00ednico da catatonia n\u00e3o s\u00e3o as mesmas esferas que prevalecem no grupo da hebefrenia. H\u00e1 preval\u00eancia do trabalho afetivo nas formas hebefr\u00eanicas. No grupo catat\u00f4nico o que prevalece \u00e9 o dist\u00farbio conativo. Nas formas paranoides \u00e9 o elemento intelectual que prevalece no campo da esquizofrenia. De qualquer forma, em qualquer outra enfermidade mental encontramos a mesma modifica\u00e7\u00e3o do comportamento conforme a esfera que prevale\u00e7a na patog\u00eanese do quadro cl\u00ednico.<\/p>\n\n\n\n<p>Se analisarmos, n\u00e3o somente o quadro mental, mas o sintoma, tamb\u00e9m notamos a preval\u00eancia de uma esfera sobre a outra: mas, no caso, j\u00e1 de um sistema dentro de cada esfera. Assim, dentro da esfera, temos o dist\u00farbio a partir da afetividade, dist\u00farbios que s\u00e3o not\u00e1veis a partir da cona\u00e7\u00e3o (car\u00e1ter) e aqueles que se manifestam a partir da esfera intelectual. E no sistema correspondente tamb\u00e9m a cada uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos assim a indu\u00e7\u00e3o, a observa\u00e7\u00e3o concreta, a linguagem, formando um sistema ps\u00edquico. A dedu\u00e7\u00e3o, a abstra\u00e7\u00e3o e a linguagem, outro sistema e, ao mesmo tempo, vemos que a prud\u00eancia e a coragem estabelecem por si um sistema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que esses sistemas estejam funcionalmente patol\u00f3gicos, isto vai se refletir na esfera intelectual tamb\u00e9m. Temos, ent\u00e3o, uma repercuss\u00e3o afetiva e conativa, mas o que est\u00e1 dando o colorido ao quadro \u00e9 o elemento intelectual: da\u00ed a forma se chama paranoide por isto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Notem que h\u00e1 uma necessidade de distinguir as esferas para compreender o quadro cl\u00ednico por um lado, para explicar a semiologia de cada caso em particular e para estabelecer a dedu\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 patogenia e, portanto, quanto \u00e0 terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que essas formas catat\u00f4nicas t\u00eam analogia com os dist\u00farbios da esfera conativa e outros quadros cl\u00ednicos:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"791\" height=\"312\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3304\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03.png 791w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03-300x118.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03-768x303.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03-18x7.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 791px) 100vw, 791px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Como j\u00e1 salientamos, temos na Afetividade v\u00e1rios n\u00edveis: fundamentalmente, o grupo da individualidade e o da sociabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A sociabilidade subentende as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, a liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior, o cosmos, o mundo f\u00edsico, portanto, n\u00e3o s\u00f3 com o ambiente social.<\/p>\n\n\n\n<p>A individualidade \u00e9 constitu\u00edda por fun\u00e7\u00f5es que se referem mais ao pr\u00f3prio indiv\u00edduo, que se referem a este como indiv\u00edduo aut\u00f4nomo, mais do que na liga\u00e7\u00e3o interpessoal. Assim, a individualidade est\u00e1 mais ligada com o pr\u00f3prio corpo, que no processo de evolu\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, geneticamente falando, prevalece primeiramente os est\u00edmulos viscerais que logo depois passam a ser subordinados aos est\u00edmulos proprioceptivos, isto \u00e9, pela no\u00e7\u00e3o de si mesmo e depois passam para os est\u00edmulos exteroceptivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa grada\u00e7\u00e3o do desenvolvimento se manifesta tamb\u00e9m nos dist\u00farbios esquizofr\u00eanicos, que estamos considerando hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, temos que as altera\u00e7\u00f5es mais profundas s\u00e3o aquelas que se referem ao mundo visceral. Da\u00ed a import\u00e2ncia e o papel fundamental do instinto nutritivo na reg\u00eancia visceral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, ent\u00e3o, uma forma geral de altera\u00e7\u00e3o da afetividade global que d\u00e1 o colorido da hebefrenia e dentro da hebefrenia temos um grupo que se refere mais a essa parte proprioceptiva e visceroceptiva (interoceptiva) e outra que se refere mais \u00e0 parte das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Temos, ent\u00e3o, a reg\u00eancia visceral como fator fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, a no\u00e7\u00e3o de si mesmo, \u00e9 afetiva tamb\u00e9m. N\u00e3o s\u00f3, como sensa\u00e7\u00f5es de conjunto, sensa\u00e7\u00f5es viscerais que d\u00e3o a unidade f\u00edsica e som\u00e1tica do indiv\u00edduo, mas a interpreta\u00e7\u00e3o disto como sendo o pr\u00f3prio indiv\u00edduo aut\u00f4nomo, isto \u00e9, uma no\u00e7\u00e3o de si mesmo que decorre da integra\u00e7\u00e3o de todos os est\u00edmulos viscerais e proprioceptivos durante o seu processo de evolu\u00e7\u00e3o: entende-se, uma no\u00e7\u00e3o que leva a um indiv\u00edduo \u00fanico, a uma unidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A isto, Kleist denominou autopsique, quer dizer, a identidade do indiv\u00edduo decorre dele sentir sempre as mesmas sensa\u00e7\u00f5es que se referem \u00e0 sua pr\u00f3pria experi\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois n\u00edveis, portanto, que se manifestam dentro do grupo da hebefrenia, um ligado com o aspecto da rea\u00e7\u00e3o afetiva mais profunda, dando a no\u00e7\u00e3o de corpo e outro mais diferenciado dando a no\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, temos tamb\u00e9m a sociabilidade, que rege o sistema de rela\u00e7\u00e3o e um aspecto mais diferenciado que \u00e9 a subordina\u00e7\u00e3o aos demais. Temos dois aspectos nesse sistema de rela\u00e7\u00e3o: a integra\u00e7\u00e3o sensorial e a rela\u00e7\u00e3o no sentido da subordina\u00e7\u00e3o, que subentende um elemento interpessoal. Esse n\u00edvel de relacionamento est\u00e1 subordinado ao aparato sensorial, al\u00e9m do contato com os demais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 no\u00e7\u00e3o de si mesmo e \u00e0 identidade de si mesmo, enquanto identidade som\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que esses elementos, na condi\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica, obedecem a essas patog\u00eaneses diversas que d\u00e3o o colorido diverso ao quadro da hebefrenia. Logo, o grande m\u00e9rito de Kleist foi precisamente desmembrar um grupo parcial, \u00fanico, em uma s\u00e9rie de quadros cl\u00ednicos, de certa maneira independentes entre si, ainda que ligados todos por um processo comum que \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o da esfera afetiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores, como sabem, tomam a hebefrenia e a catatonia como unidade cl\u00ednica. Os trabalhos de Heckel sobre a hebefrenia e de Kahlbaum sobre a catatonia, foram publicados quase simultaneamente (1871\/74). Ambos observaram que dentro de cada grupo havia quadros diversos, com uma evolu\u00e7\u00e3o diversa tamb\u00e9m: em vez de simplificar, complicou, mas complicou de acordo com a realidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 catatonia, vemos que nela predomina participa\u00e7\u00e3o da esfera conativa da personalidade, a atividade segundo Comte. Temos na cona\u00e7\u00e3o v\u00e1rios sistemas ps\u00edquicos implicados na patog\u00eanese da catatonia. Temos sistemas estimulados pela sociabilidade e aqueles intr\u00ednsecos \u00e0 diversas fun\u00e7\u00f5es conativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"792\" height=\"175\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3305\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04.png 792w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-300x66.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-768x170.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-18x4.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na catatonia, temos a altera\u00e7\u00e3o da cona\u00e7\u00e3o como esfera e o envolvimento de sistemas afetivo-conativo ou conativos intr\u00ednsecos. S\u00e3o coisas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da hebefrenia temos dois aspectos que s\u00e3o ligados intrinsecamente com a afetividade, na catatonia temos fatores que est\u00e3o ligados com a afetividade e outros que s\u00e3o pr\u00f3prios da cona\u00e7\u00e3o. Assim, temos na hebefrenia uma maior coer\u00eancia entre os quadros cl\u00ednicos, enquanto na catatonia temos a participa\u00e7\u00e3o de fatores que decorrem de outra esfera. Por essa raz\u00e3o, os quadros cl\u00ednicos no grupo da catatonia s\u00e3o menos coerentes do que os do grupo da hebefrenia.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante salientar que no grupo da catatonia o est\u00edmulo, que decorre da esfera afetiva, envolve tamb\u00e9m o aspecto da reg\u00eancia visceral e da no\u00e7\u00e3o de si mesmo: s\u00e3o duas interfer\u00eancias, relacionadas com dois sistemas diversos na catatonia em rela\u00e7\u00e3o ao est\u00edmulo afetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>No contr\u00e1rio temos tamb\u00e9m, necessariamente, a rela\u00e7\u00e3o com o mundo exterior, temos a participa\u00e7\u00e3o de outros sistemas, que partem da rela\u00e7\u00e3o sensorial do mundo exterior para os atos e o que parte da subordina\u00e7\u00e3o interpessoal. Vejam que \u00e9 mais complexo porque se considerarmos s\u00f3 o sistema afetivo, temos a interfer\u00eancia de duas inst\u00e2ncias da esfera afetiva. No caso da catatonia temos tamb\u00e9m dois aspectos ligados com a esfera afetiva indiretamente, que s\u00e3o a da liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior, mas, aqui a rela\u00e7\u00e3o com o mundo exterior \u00e9 mais acentuada que a rela\u00e7\u00e3o consigo mesmo: dessa forma prevalece a a\u00e7\u00e3o, quer dizer, prevalece o dist\u00farbio que se caracteriza no \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, principalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o \u00e9 subordinada necessariamente \u00e0 afetividade. Assim, conforme o sistema de liga\u00e7\u00e3o preferencial entre a esfera conativa e a afetiva temos manifesta\u00e7\u00f5es diversas no quadro cl\u00ednico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, temos uma unidade menor, uma maior difus\u00e3o nesse processo patogen\u00e9tico e, portanto, um maior n\u00famero de quadros cl\u00ednicos. Tamb\u00e9m podemos ter dentro de cada quadro cl\u00ednico uma maior variedade de sintomas. Enfim, patogenicamente, \u00e9 mais complexa a catatonia do que a hebefrenia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos, portanto, que as manifesta\u00e7\u00f5es dos quadros cl\u00ednicos se referem aos sistemas ps\u00edquicos atingidos, enquanto o grupo geral se refere \u00e0 esfera da personalidade atingida. Se passa para outra esfera temos, segundo Kleist, a forma n\u00e3o sistem\u00e1tica, portanto, nas formas assistem\u00e1ticas mais de um sistema \u00e9 atingido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas formas sistem\u00e1ticas os quadros cl\u00ednicos apenas se reportam ao n\u00edvel fundamental do dist\u00farbio intr\u00ednseco. \u00c9 o caso da forma acin\u00e9tica, mais simples, que tem uma express\u00e3o \u00fanica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera e ao sistema. Mas quando mais de um sistema est\u00e1 envolvido no quadro cl\u00ednico temos uma forma que \u00e9 assistem\u00e1tica, que n\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstica como essas outras formas puras, porque aqui temos o fator de combina\u00e7\u00e3o de quadros, isto \u00e9, um indiv\u00edduo tem um sistema alterado e depois envolve outro sistema dentro da mesma esfera, nesse caso, teremos uma forma que \u00e9 sistem\u00e1tica ainda, mas que \u00e9 at\u00edpica.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"327\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3306\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05.png 985w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05-300x100.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05-768x255.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05-18x6.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No caso das formas assistem\u00e1ticas, quando o processo patog\u00eanico passa de uma esfera para outra, temos que a fus\u00e3o de duas esferas no decorrer do processo produz um colorido at\u00edpico no quadro, porque foge do sistema completamente: Kleist as denominou de formas extensivas. Assim, as formas assistem\u00e1ticas apresentam dois aspectos: um que \u00e9 combinado, porque funde mais de um sistema e outra que \u00e9 extensiva (no sentido de Kleist), porque o dist\u00farbio se extende de uma esfera para outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos ver, de acordo com a descri\u00e7\u00e3o de Kleist, que na hebefrenia temos formas combinadas e extensivas, isto \u00e9, o dist\u00farbio \u00e9 t\u00e3o profundo que se manifesta em qualquer n\u00edvel do comportamento do indiv\u00edduo, como caracteristicamente afetivo. No Quadro abaixo se mostra a din\u00e2mica da participa\u00e7\u00e3o dos sistemas ps\u00edquicos na configura\u00e7\u00e3o das diversas modalidades de formas cl\u00ednicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento da hebefrenia, portanto, n\u00e3o clinicamente, mas patogenicamente decorre dos v\u00e1rios n\u00edveis de funcionamento dos sistemas sensoriais. Esse \u00e9 o sistema de Leonhard mas corresponde ao de Kleist tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"990\" height=\"280\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3307\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06.png 990w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-300x85.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-768x217.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-18x5.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 990px) 100vw, 990px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Leonhard delimitou v\u00e1rias formas de hebefrenia: a autista, a mon\u00f3tona e a pueril ou embotada. A hebefrenia pueril \u00e9 igual \u00e0 pueril de Kleist, a embotada corresponde \u00e0 forma depressiva. Vemos que a forma pueril e a embotada, s\u00e3o os dois polos de manifesta\u00e7\u00e3o do dist\u00farbio esquizofr\u00eanico hebefr\u00eanico, respectivamente, no sentido da expans\u00e3o e no sentido do embotamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma autista h\u00e1 um retraimento com o mundo exterior, n\u00e3o fala, n\u00e3o se manifesta. Por essa raz\u00e3o Kleist a chamou de autista. Na forma ap\u00e1tica ou mon\u00f3tona, o indiv\u00edduo n\u00e3o se manifesta, n\u00e3o est\u00e1 atento ao mundo exterior, n\u00e3o recebe nenhum est\u00edmulo e se mant\u00e9m isolado, por isso ele a chamou de mon\u00f3tona, porque h\u00e1 uma uniformidade constante todo o tempo no quadro cl\u00ednico. Vemos que na forma pueril o dinamismo patog\u00eanico \u00e9 fundamentalmente afetivo. Na forma ap\u00e1tica h\u00e1 uma incapacidade de mobilizar a liga\u00e7\u00e3o conativa com o mundo exterior, da\u00ed a apatia, a incapacidade de contactuar com os demais. Na forma autista temos o dinamismo intelectual de prefer\u00eancia. Na forma depressiva h\u00e1 o aspecto mais ligado com a reg\u00eancia visceral, isto \u00e9, com elementos que est\u00e3o ligados mais profundamente com o pr\u00f3prio indiv\u00edduo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A forma pueril, corresponde ao polo oposto. Mas tanto a depressiva quanto a pueril est\u00e3o ligadas ao processo mais profundo da no\u00e7\u00e3o de si mesmo e com o mundo visceral.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"346\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3308\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07.png 984w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-300x105.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-768x270.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-18x6.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Vemos frequentemente o hebefr\u00eanico depressivo com queixas de tipo hipocondr\u00edaco, sente que n\u00e3o tem v\u00edsceras, est\u00e1 destru\u00eddo completamente, mas isto corresponde a uma rela\u00e7\u00e3o muito indireta com a situa\u00e7\u00e3o real. N\u00e3o \u00e9 como o paciente deprimido, como na depress\u00e3o da PMD, onde o indiv\u00edduo est\u00e1 sempre deprimido no contato com o mundo exterior. No quadro hebefr\u00eanico \u00e9 distinto: se trata de uma dissocia\u00e7\u00e3o entre a queixa que apresenta e o que sente, como se comporta, h\u00e1 uma indiferen\u00e7a nessa rea\u00e7\u00e3o. Importante ressaltar que \u00e9 o elemento visceral que est\u00e1, preferencialmente, atingido na hebefrenia depressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma pueril temos o aspecto da expansividade, mas tamb\u00e9m em desacordo com a rea\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo ao mundo exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o aos demais e ao aspecto da rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio indiv\u00edduo temos dois aspectos: um que se refere com uma falta de contato, uma incapacidade de a\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, envolvimento do elemento conativo, que corresponde \u00e0 patog\u00eanese da forma ap\u00e1tica e a forma autista onde o indiv\u00edduo se isola dos demais, isto \u00e9, com participa\u00e7\u00e3o de sistema ps\u00edquico afetivo-intelectual na patog\u00eanese do quadro cl\u00ednico. H\u00e1 tamb\u00e9m uma subordina\u00e7\u00e3o insuficiente ao mundo exterior, mas na capacidade de sentir o mundo exterior, de atuar no mundo exterior, no sentido da subordina\u00e7\u00e3o (interpessoal) aos demais, h\u00e1 um isolamento e da\u00ed necessitarmos de um est\u00edmulo muito grande para conseguir estabelecer contato.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Envolvendo a participa\u00e7\u00e3o da esfera conativa temos v\u00e1rias formas de catatonia, que se traduzem ou pela aus\u00eancia completa de est\u00edmulo, mudan\u00e7a de situa\u00e7\u00e3o, de rea\u00e7\u00e3o motora ou com exterioriza\u00e7\u00e3o ruidosa, como acontece na Catatonia Hipercin\u00e9tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist descreveu v\u00e1rias formas de catatonia, primeiramente uma que est\u00e1 ligada ao elemento da a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita (a\u00e7\u00e3o sobre o mundo exterior) e outra que est\u00e1 ligada com as rela\u00e7\u00f5es (de car\u00e1ter afetivo) com o mundo exterior. Assim, delimitou a forma Mutista, uma forma onde o indiv\u00edduo n\u00e3o mobiliza a rea\u00e7\u00e3o afetiva, acarretando uma inibi\u00e7\u00e3o completa em sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>No polo oposto, h\u00e1 um outro aspecto ligado com esse que \u00e9 o elemento que chamamos Prol\u00e1lico. Na forma Mutista o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue falar, tem uma dificuldade de ter uma resposta exteriorizada, Kleist chamou isto de Sprachtr\u00e4ge (palavra lenta). Na forma Prol\u00e1lica, h\u00e1 o contr\u00e1rio, uma facilidade de reagir, n\u00e3o \u00e9 loquaz, mas apresenta esse aspecto de rea\u00e7\u00e3o facilitada quanto \u00e0 linguagem verbal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um conjunto de formas que est\u00e3o mais ligadas com os dois elementos fundamentais da atividade, em rela\u00e7\u00e3o ao sistema de liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior: as v\u00e1rias formas da acinesia.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma Acin\u00e9tica, muito caracter\u00edstica, na qual o indiv\u00edduo n\u00e3o se move, ficando quieto, catat\u00f4nico. Em outra forma, h\u00e1 uma patog\u00eanese com predom\u00ednio da libera\u00e7\u00e3o, \u00e9 a chamada Paracin\u00e9tica. Outra forma, com a\u00e7\u00e3o excessiva, exagerada, com instabilidade motora, quase como uma coreia, que \u00e9 a forma Hipercin\u00e9tica. H\u00e1 ainda outra forma em que h\u00e1 uma repeti\u00e7\u00e3o, uma combina\u00e7\u00e3o entre a acin\u00e9tica e a paracin\u00e9tica que Kleist chamou Estereot\u00edpica.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir temos outro tipo de a\u00e7\u00e3o, chamada Procin\u00e9tica: o indiv\u00edduo n\u00e3o apenas reage com rela\u00e7\u00e3o ao mundo exterior, mas reage imitando, com a caracter\u00edstica da ecopraxia, \u00e0s vezes t\u00e3o acentuada que o indiv\u00edduo deixa de se alimentar, sendo necess\u00e1rio que se ponha algu\u00e9m em frente dele para que se alimente, ele passa a imitar imediatamente. Repete no campo da atividade pr\u00e1tica quase como no caso da Prol\u00e1lica na liga\u00e7\u00e3o verbal. Uma forma oposta a essa \u00e9 a Negativista. Aqui h\u00e1 uma recusa \u00e0 situa\u00e7\u00e3o e o indiv\u00edduo faz o contr\u00e1rio do que se manda que fa\u00e7a, que \u00e9 um elemento tamb\u00e9m frequente na catatonia (atitude de oposi\u00e7\u00e3o ao meio).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, um aspecto ligado com a subordina\u00e7\u00e3o intelectual e quatro formas ligadas com o aspecto da produ\u00e7\u00e3o eminentemente conativa e dois aspectos ligados com rea\u00e7\u00e3o afetiva, quer dizer, com subordina\u00e7\u00e3o excessiva, com susceptibilidade, com rea\u00e7\u00e3o de imita\u00e7\u00e3o ou de recusa a qualquer est\u00edmulo exterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessas v\u00e1rias formas Kleist demonstrou que a chamada Estereot\u00edpica \u00e9 pass\u00edvel de surtos, de remiss\u00e3o parcial, isto \u00e9, em cada surto o indiv\u00edduo se torna mais degradado, mais embrutecido, mas tem per\u00edodos em que passa bem e pode voltar ao ambiente familiar e, inclusive, atuar no meio social, ainda que com certo d\u00e9ficit. Essa forma que cursa por surtos, Kleist chamou at\u00edpica e extensiva tamb\u00e9m. Aqui h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o predominante da esfera afetiva na patog\u00eanese do quadro cl\u00ednico, para al\u00e9m do est\u00edmulo da cona\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Geneticamente, a forma catat\u00f4nica Esterot\u00edpica \u00e9 diferente, patogenicamente, das outras formas que s\u00e3o t\u00edpicas, bem caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, nas catatonias temos a forma Mutista e a Prol\u00e1lica, como uma rea\u00e7\u00e3o afetiva ou conativa, respectivamente, no plano intelectual. Tamb\u00e9m as formas Negativista e Procin\u00e9tica est\u00e3o ligadas com o fator afetivo. Outra forma, considerada por Kleist, \u00e9 a Hipercin\u00e9tica, que Leonhard n\u00e3o considerava uma forma de catatonia.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"484\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3309\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08.png 985w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-300x147.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-768x377.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-18x9.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Finalmente, a forma mais ligada com a esfera afetiva, com a rea\u00e7\u00e3o afetiva, \u00e9 a catatonia iterativa, onde o elemento afetivo, participa diretamente no quadro cl\u00ednico, por isso \u00e9 assistem\u00e1tica e at\u00edpica por extens\u00e3o, correspondendo a uma forma extensiva de Kleist. Cumpre salientar que h\u00e1 o elemento conativo, que \u00e9 fundamental, caracter\u00edstico da catatonia. A participa\u00e7\u00e3o afetiva est\u00e1 ligada com a evolu\u00e7\u00e3o por surtos dessa forma, al\u00e9m da tend\u00eancia \u00e0 remiss\u00e3o: h\u00e1 uma certa analogia com a PMD, em que h\u00e1 per\u00edodos de excita\u00e7\u00e3o ou de embotamento acentuado. Nesse caso, a evolu\u00e7\u00e3o por surtos exp\u00f5e a dissocia\u00e7\u00e3o entre o comportamento do paciente e o est\u00edmulo da situa\u00e7\u00e3o real que est\u00e1: h\u00e1 uma discord\u00e2ncia nesse aspecto, o aspecto que caracteriza a esquizofrenia. No entanto, h\u00e1 sempre uma redu\u00e7\u00e3o da capacidade mental depois de cada surto. N\u00e3o h\u00e1 remiss\u00e3o integral como nas formas benignas de Kleist, que t\u00eam o mesmo colorido cl\u00ednico dessas formas catat\u00f4nicas, mas que regridem totalmente sem deixar sequela.<\/p>\n\n\n\n<p>Notem, portanto, que \u00e9 muito diferente a delimita\u00e7\u00e3o das formas de Leonhard e de Kleist, sob o ponto de vista da patog\u00eanese.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, vemos que todos esses quadros cl\u00ednicos podem ser compreendidos \u00e0 luz da patog\u00eanese. Essa distin\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica \u00e9 importante quanto \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. Por exemplo, se para orientar a terap\u00eautica adequada para um paciente com um quadro fundamentalmente delirante, pesquisarmos a patog\u00eanese do del\u00edrio e se tratar de uma patog\u00eanese afetiva, seria in\u00fatil indicar um tratamento que estimulasse a cona\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PATOG\u00caNESE NOS GRUPOS HEBEFR\u00caNICO E CATAT\u00d4NICO Como sabemos, Kleist descreveu v\u00e1rias formas de doen\u00e7as progressivas sendo a mais caracter\u00edstica o Embotamento Incoerente. Esse corresponde a um apagamento cont\u00ednuo da capacidade mental e representava o n\u00facleo fundamental das dem\u00eancias progressivas que depois ele denominou de psicoses progressivas ou esquizofrenias.&nbsp; No Quadro abaixo podemos comparar as v\u00e1rias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3300","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3300"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3300\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3312,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3300\/revisions\/3312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}