{"id":3321,"date":"2024-09-14T08:52:05","date_gmt":"2024-09-14T11:52:05","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3321"},"modified":"2024-09-14T08:52:05","modified_gmt":"2024-09-14T11:52:05","slug":"psicoses-afetivas-pmd-em-particular","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/psicoses-afetivas-pmd-em-particular\/","title":{"rendered":"Psicoses afetivas. PMD em particular"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><strong>PSICOSES \u201cAFETIVAS\u201d E PSICOSE MAN\u00cdACO-DEPRESSIVA EM PARTICULAR<\/strong><sup data-fn=\"b41c782b-31af-49a6-a1ff-466fa68282c1\" class=\"fn\"><a href=\"#b41c782b-31af-49a6-a1ff-466fa68282c1\" id=\"b41c782b-31af-49a6-a1ff-466fa68282c1-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Colocamos afetivas entre aspas porque n\u00e3o se trata de psicoses com colorido afetivo, mas sim psicoses que se originam do dist\u00farbio da afetividade \u2013 esfera subjetiva da personalidade. \u00c9 necess\u00e1ria essa distin\u00e7\u00e3o porque Karl Leonhard descreve essas psicoses como \u201cparafrenia afetiva\u201d. Como sabem, a parafrenia foi descrita por Kraepelin como sendo um dist\u00farbio caracterizado por falta de relacionamento afetivo e que faz parte do grupo das esquizofrenias. Leonhard quis caracterizar a parafrenia afetiva como um quadro em que h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o esquizofr\u00eanica, mas o indiv\u00edduo conserva a afetividade. Portanto, o sentido de afetivo para Leonhard n\u00e3o \u00e9 o mesmo para n\u00f3s, nem para Kleist.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na patologia relacionada com o envolvimento da afetividade devemos considerar tr\u00eas aspectos. Um primeiro aspecto corresponde \u00e0 psicose cuja patog\u00eanese se situa na esfera afetiva da personalidade. Outro aspecto corresponde a um dist\u00farbio psicopatol\u00f3gico na afetividade, que quando se refere a rea\u00e7\u00f5es afetivas abrange dois polos: o da depress\u00e3o e o da exalta\u00e7\u00e3o ou excita\u00e7\u00e3o. Um terceiro aspecto implica a participa\u00e7\u00e3o da esfera afetiva acarretando sintomas que derivam da afetividade, em um quadro cl\u00ednico comum e qualquer.<\/p>\n\n\n\n<p>Patogenicamente consideramos, portanto, esses tr\u00eas aspectos de altera\u00e7\u00e3o da afetividade. Quando o dist\u00farbio for global ele abrange todas as esferas ps\u00edquicas, no sentido de expans\u00e3o ou de depress\u00e3o. Assim, a exalta\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, a exalta\u00e7\u00e3o no sentido de poderio, a euforia, facilidade de comunica\u00e7\u00e3o e de elabora\u00e7\u00e3o, caracterizam um tipo de altera\u00e7\u00e3o global, em que todos os sistemas ps\u00edquicos participam porque ocorre o est\u00edmulo global da afetividade. A afetividade \u00e9 a esfera fundamental que d\u00e1 o est\u00edmulo para a a\u00e7\u00e3o, para o trabalho intelectual, contato com o meio exterior, o interesse. Dessa forma, todas as esferas ps\u00edquicas est\u00e3o fundamentalmente ligadas com a afetividade. O interesse, no sentido de capta\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos, a elabora\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos em \u00faltima an\u00e1lise depende do est\u00edmulo afetivo. Assim, se h\u00e1 desinteresse pelo mundo exterior, o indiv\u00edduo n\u00e3o capta os est\u00edmulos, n\u00e3o age: h\u00e1 uma apatia, uma abulia, ou ainda, um completo desligamento para com o mundo exterior, chamado de \u201cautismo\u201d na terminologia de Bleuler. Mas pode n\u00e3o haver apenas o desligamento para com o mundo exterior ou apenas o est\u00edmulo excessivo para o contato com o meio externo, mas sim a oscila\u00e7\u00e3o entre est\u00edmulo e inibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto explica por que em muitos quadros cl\u00ednicos ocorre essa duplicidade de a\u00e7\u00e3o \u2013 de est\u00edmulo e de inibi\u00e7\u00e3o. E \u00e9 o que se passa em todos os n\u00edveis do organismo humano, desde o aspecto vegetativo at\u00e9 a parte intelectual do contacto com o meio exterior.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em toda a atividade, segundo uma das leis fundamentais da Biologia (Bichat, 1801), h\u00e1 a altern\u00e2ncia entre a atividade e o repouso. Portanto, a oscila\u00e7\u00e3o entre bloqueio e est\u00edmulo, corresponde a uma determina\u00e7\u00e3o que \u00e9 caracter\u00edstica da esp\u00e9cie humana e de todos os seres vivos. Essas oscila\u00e7\u00f5es se manifestam por per\u00edodos: h\u00e1 fases de excita\u00e7\u00e3o e de inibi\u00e7\u00e3o. Da\u00ed vem a no\u00e7\u00e3o de dois polos: de expans\u00e3o e de bloqueio ou de depress\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de sistemas da esfera afetiva dando quadros cl\u00ednicos diversos. Assim, por exemplo, a agita\u00e7\u00e3o, a agressividade, a impulsividade, em um quadro cl\u00ednico comum, ou ent\u00e3o, o des\u00e2nimo, o desinteresse, o retraimento em outros quadros cl\u00ednicos. Dessa forma, o colorido dos quadros cl\u00ednicos decorre da participa\u00e7\u00e3o da esfera afetiva. Digamos, nos dois polos: agressividade como o m\u00e1ximo de est\u00edmulo e bloqueio ou apatia no polo oposto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o dist\u00farbio \u00e9 global, caracterizando o envolvimento da esfera da afetividade em si pr\u00f3pria &#8211; n\u00e3o apenas a participa\u00e7\u00e3o afetiva como elemento biol\u00f3gico, nem como participa\u00e7\u00e3o apenas no quadro cl\u00ednico -, temos aquelas formas descritas por Esquirol em 1835, quando procurou retificar os conceitos da \u00e9poca, especialmente a partir de Pinel. A concep\u00e7\u00e3o de Melancolia descrita por Pinel, \u00e9 um remanescente da concep\u00e7\u00e3o da renascen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a essas doen\u00e7as. Assim, \u201cmelancolia\u201d significava \u201cb\u00edlis negra\u201d o que n\u00e3o correspondia \u00e0 realidade pois trata-se de uma desordem subjetiva, isto \u00e9, moral. Ele criou o termo \u201cLipemania\u201d para exprimir esse quadro cl\u00ednico que se caracterizava como falta de interesse, falta de entusiasmo, das\u00e2nimo, incapacidade de contatuar com o mundo exterior, com retra\u00e7\u00e3o afetiva e, \u00e0s vezes, com a ocorr\u00eancia de suic\u00eddio. Ao passo que em outros quadros em que havia, ao contr\u00e1rio, est\u00edmulo excessivo, maior atividade e contato desordenado com o mundo exterior, chamou simplesmente \u201cMania\u201d. E, para distinguir esses dois aspectos em que n\u00e3o h\u00e1 um quadro propriamente delirante, de um outro em que h\u00e1 uma s\u00e9rie de concep\u00e7\u00f5es delirantes, ele criou o termo Monomania. Portanto, os quadros que conhecemos hoje como psicoses afetivas, correspondem de certa maneira, n\u00e3o inteiramente, \u00e0 Lipemania e \u00e0 Mania de Esquirol. Publicou esse trabalho em 1835, e depois, em seu trabalho de 1838 ele fez um estudo completo, mostrando que a Lipemania ocorre quase sempre com concep\u00e7\u00f5es delirantes, com ideias de nega\u00e7\u00e3o, de aniquilamento de personalidade, com sensa\u00e7\u00e3o de mal-estar e com desinteresse progressivo que pode levar at\u00e9 \u00e0 falta de alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 sitiofobia, e \u00e0 morte. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a possibilidade de suic\u00eddio em consequ\u00eancia dessa depress\u00e3o, com perda completa de interesse pela vida. A \u201cMania\u201d, pelo contr\u00e1rio, manifesta sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar, euforia, exalta\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m com concep\u00e7\u00f5es delirantes e dist\u00farbios alucinat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist distinguiu as psicoses afetivas, que posteriormente denominou de psicoses f\u00e1sicas, a partir da utiliza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio patog\u00eanico. As psicoses f\u00e1sicas constituem um grupo importante e muito mais frequente que o da Mania ou da Melancolia, que foi conhecido a partir do trabalho de Kleist em 1908, quando estudou as chamadas \u201cPsicoses da Motilidade\u201d. Da\u00ed para c\u00e1 tem havido uma s\u00e9rie de trabalhos no sentido de delimitar o que vem a ser \u201cMania\u201d, \u201cMelancolia\u201d e \u201cPsicose Man\u00edaco-Depressiva\u201d, retirando do grupo inicial, estabelecido como quadro cl\u00ednico por Kraepelin, em 1896. Esse autor classificou todas as psicoses e reuniu em grandes grupos aqueles conhecimentos parciais de psicoses isoladas dos autores que o precederam.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist distinguiu no grupo das Psicoses Man\u00edaco-depressivas, descritas por Kraepelin, as psicoses que tamb\u00e9m s\u00e3o afetivas e que tamb\u00e9m s\u00e3o f\u00e1sicas, que n\u00e3o s\u00e3o Psicose Maniaco-depressiva. A concep\u00e7\u00e3o de Kraepelin decorre dos conhecimentos que vem mais de Jean Pierre Falret em 1845, que descreveu esse quadro psic\u00f3tico que aparece como mania ou como depress\u00e3o \u2013 como dois polos distintos \u2013 e que, \u00e0s vezes, aparecem em sucess\u00e3o no mesmo paciente: a fase de excita\u00e7\u00e3o e a fase de depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente mais tarde, em 1896, depois de ter feito duas ou tr\u00eas revis\u00f5es do Tratado de Psiquiatria, \u00e9 que Kraepelin fundiu esses dois grupos na Psicose Maniaco-depressiva. Tinha descrito antes as formas de mania e as formas de depress\u00e3o, mas apenas nesta ocasi\u00e3o verificou que correspondem a uma forma definida, que h\u00e1 oscila\u00e7\u00f5es de mania e depress\u00e3o, que podem surgir em seguida de uma fase a outra ou em que s\u00e3o interrompidas, com fases de normalidade completa. De qualquer maneira, coube a Kraepelin mostrar que esse grupo de psicoses em que h\u00e1 exalta\u00e7\u00e3o e depress\u00e3o, que ele chamou Psicose Maniaco depressiva, n\u00e3o deixa sequela alguma. Com isto distingue a Psicose Maniaco-depressiva das psicoses progressivas (na acep\u00e7\u00e3o de Kleist), isto \u00e9, aquelas formas de psicose que Kraepelin chamou de Dem\u00eancia Precoce, em que pode haver excita\u00e7\u00e3o, pode haver depress\u00e3o, pode alternar os dois aspectos, mas a evolu\u00e7\u00e3o leva o paciente ao estado demencial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala, portanto, em \u201cMania Cr\u00f4nica\u201d ou em \u201cDem\u00eancia Man\u00edaca\u201d ou em \u201cDem\u00eancia Depressiva\u201d, j\u00e1 n\u00e3o se trata de Psicose Maniaco-depressiva, pois nesse caso trata-se de um processo cerebral org\u00e2nico qualquer, gen\u00e9tico, end\u00f3geno ou n\u00e3o, que se apresenta com oscila\u00e7\u00f5es no sentido da depress\u00e3o ou da excita\u00e7\u00e3o, resultante de uma tend\u00eancia gen\u00e9tica, mas \u00e9 apenas um epifen\u00f4meno do quadro cl\u00ednico. O pr\u00f3prio Kraepelin mostrou que h\u00e1 uma particularidade na Psicose Man\u00edaco-depressiva: os acessos s\u00e3o intercalados por anos, mas com o tempo esses intervalos v\u00e3o se amiudando. Os autores, posteriormente, verificaram que h\u00e1 uma maior frequ\u00eancia entre os acessos quando o processo \u00e9 deixado a si pr\u00f3prio. At\u00e9 pouco tempo havia apenas recursos de tratamento quando das fases, mas n\u00e3o havia recursos para impedir o amiudamento entre as fases. Hoje j\u00e1 existe \u2013 o litium \u2013 que deve ser usado com crit\u00e9rio. J\u00e1 bem demonstrado os seus resultados, com o trabalho de <a href=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/mogens-schou\/\" data-type=\"page\" data-id=\"3147\"><strong>Mogens Schou<\/strong><\/a>, na Dinamarca.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Kleist estudou o grupo da Psicose Man\u00edaco-depressiva demonstrou, primeiramente, que \u00e9 muito frequente na cl\u00ednica aparecerem as psicoses com fases isoladas de mania ou melancolia. Mais frequente ainda era o grupo das psicoses f\u00e1sicas em que aparecem os dois polos de depress\u00e3o e de expans\u00e3o, mas que n\u00e3o s\u00e3o Psicose Man\u00edaco- depressiva. S\u00e3o formas f\u00e1sicas, benignas, cedem rapidamente em tr\u00eas ou quatro meses, n\u00e3o deixam sequela e remitem integralmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Kleist desmembrou esse grupo, demonstrou que h\u00e1 uma s\u00e9rie de quadros cl\u00ednicos que se traduzem como depress\u00e3o ou como expans\u00e3o e que apresentam, al\u00e9m disso, um colorido particular, o del\u00edrio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Na melancolia podemos ter a concep\u00e7\u00e3o delirante &#8211; quase sempre de nega\u00e7\u00e3o, de sentimento de inferioridade, de incapacidade de a\u00e7\u00e3o, de ser prejudicial ao ambiente, a sociedade, \u00e0s vezes de nega\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e, \u00e0s vezes acompanhada de alucina\u00e7\u00e3o ou de automatismo mental.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na Mania n\u00e3o h\u00e1 alucina\u00e7\u00e3o. Portanto, uma psicose que tenha um colorido geral semelhante \u00e0 mania, com alucina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 Mania. Se usarmos o crit\u00e9rio patogen\u00e9tico, verificaremos este aspecto. A ocorr\u00eancia de concep\u00e7\u00e3o delirante, de automatismo mental e de alucina\u00e7\u00e3o, exclui o diagn\u00f3stico de Mania, apesar dos autores, em geral, descreverem a excita\u00e7\u00e3o mental como mania. Ainda permanece uma tend\u00eancia em falar-se de \u201cs\u00edndrome man\u00edaca\u201d, que \u00e9 uma maneira do psiquiatra afirmar que n\u00e3o se trata propriamente de uma Mania, mas apenas uma s\u00edndrome. Assim, uma s\u00e9rie de pacientes delirantes, que apresentavam excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, foram considerados como \u201ccom Mania\u201d. Isso deturpa a estat\u00edstica e, portanto, a epidemiologia que se baseia nessa estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que segundo Kleist as psicoses afetivas s\u00e3o as que surgem como dist\u00farbio prim\u00e1rio da esfera afetiva. E essas psicoses afetivas constituem um quadro dentro das chamadas psicoses f\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist demonstrou que um grande n\u00famero de psicoses se caracteriza por fases de expans\u00e3o ou de depress\u00e3o, de est\u00edmulo ou de bloqueio, que n\u00e3o s\u00e3o afetivas. Por exemplo, as Psicoses da Motilidade, que apresentam uma fase hipercin\u00e9tica e uma fase acin\u00e9tica. Essas psicoses se confundem com a Mania porque tem fases de expans\u00e3o afetiva, de produ\u00e7\u00e3o excessiva da motilidade ou, se confundem com a depress\u00e3o por haver inibi\u00e7\u00e3o ou bloqueio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ocorre o que Kleist chamou de \u201cPsicose Hipocondr\u00edaca\u201d em que h\u00e1 a depress\u00e3o ligada ao elemento vegetativo e h\u00e1 a excita\u00e7\u00e3o ou o estupor.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nas psicoses f\u00e1sicas h\u00e1 tr\u00eas aspectos fundamentais, segundo Kleist.<\/p>\n\n\n\n<p>Levando em considera\u00e7\u00e3o a esfera da personalidade (na acep\u00e7\u00e3o da Teoria da Personalidade por n\u00f3s adotada) atingida: h\u00e1 um grupo de Psicoses Afetivas, um grupo que se refere \u00e0 atividade ou cona\u00e7\u00e3o, por exemplo, as Psicoses Epileptoides de Kleist; e um grupo que se refere a altera\u00e7\u00f5es intelectuais, as Psicoses Paranoides de Kleist.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essas condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas intermedi\u00e1rias, \u00e0s formas progressivas da esquizofrenia e \u00e0s formas end\u00f3genas cl\u00e1ssicas da melancolia e da mania, s\u00e3o as psicoses f\u00e1sicas afetivas de Kleist.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade entre elas est\u00e1, fundamentalmente, na heredologia, na parte gen\u00e9tica, na carga gen\u00e9tica que leva o indiv\u00edduo a esse tipo de rea\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A confus\u00e3o no diagn\u00f3stico deve-se \u00e0 falta de rigor no crit\u00e9rio diagn\u00f3stico adotado, uma vez que se utiliza apenas o aspecto descritivo, fenomenol\u00f3gico. E nesse aspecto encontramos elementos comuns entre os diferentes quadros, uma vez que h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o das mesmas esferas da personalidade e dos mesmos sistemas ps\u00edquicos nas psicoses. O que permite a distin\u00e7\u00e3o \u00e9 o crit\u00e9rio patog\u00eanico. E isto \u00e9 fundamental para a terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>A psiquiatria exige o diagn\u00f3stico diferencial para que se fa\u00e7a corretamente o tratamento e o estudo epidemiol\u00f3gico, essa \u00faltima envolvendo o aspecto social. Temos aqui um dos aspectos fundamentais da psiquiatria, que \u00e9 o aspecto da preven\u00e7\u00e3o social e a gen\u00e9tica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u00e9 importante qualificar a atua\u00e7\u00e3o do psiquiatra em eventual aconselhamento gen\u00e9tico: ele pode dar uma orienta\u00e7\u00e3o inadequada, se basear a sua avalia\u00e7\u00e3o apenas na descri\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, e n\u00e3o no aspecto do progn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o de Kleist na psiquiatria n\u00e3o tem equivalente, pois ele definiu um campo muito importante, relativo \u00e0 sua descri\u00e7\u00e3o das formas revers\u00edveis, que n\u00e3o deixam nenhum tra\u00e7o de patologia e que s\u00e3o distintas das formas progressivas. E mostrou a participa\u00e7\u00e3o da carga gen\u00e9tica dando um colorido distinto aos quadros cl\u00ednicos que Kraepelin havia fundido em um quadro \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dinamismos envolvidos nas psicoses f\u00e1sicas e especificamente na Psicose Maniaco-depressiva s\u00e3o os mesmos. A diferen\u00e7a \u00e9 que na Psicose Man\u00edaco-depressiva ocorre uma altern\u00e2ncia de fases, que nem sempre aparece no mesmo paciente. As psicoses f\u00e1sicas abrangem a Psicose Man\u00edaco-depressiva, as psicoses do humor ou do \u00e2nimo que s\u00e3o constitucionais e as psicoses benignas, diat\u00e9ticas, condi\u00e7\u00f5es latentes que n\u00e3o se traduzem na constitui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e que apenas se manifestam na fase psic\u00f3tica. Dentre as psicoses f\u00e1sicas temos as psicoses afetivas e dentre essas a Psicose Man\u00edaco-depressiva, como caso mais restrito ainda.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"b41c782b-31af-49a6-a1ff-466fa68282c1\">Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, sem refer\u00eancia a data, local ou a quem o compilou. Revisto em 11\/10\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano. As refer\u00eancias adicionais em azul ser\u00e3o vinculadas a um texto relacionado com um determinado autor ou um determinado assunto. <a href=\"#b41c782b-31af-49a6-a1ff-466fa68282c1-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PSICOSES \u201cAFETIVAS\u201d E PSICOSE MAN\u00cdACO-DEPRESSIVA EM PARTICULAR Colocamos afetivas entre aspas porque n\u00e3o se trata de psicoses com colorido afetivo, mas sim psicoses que se originam do dist\u00farbio da afetividade \u2013 esfera subjetiva da personalidade. \u00c9 necess\u00e1ria essa distin\u00e7\u00e3o porque Karl Leonhard descreve essas psicoses como \u201cparafrenia afetiva\u201d. Como sabem, a parafrenia foi descrita por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, sem refer\u00eancia a data, local ou a quem o compilou. Revisto em 11\/10\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano. As refer\u00eancias adicionais em azul ser\u00e3o vinculadas a um texto relacionado com um determinado autor ou um determinado assunto.\",\"id\":\"b41c782b-31af-49a6-a1ff-466fa68282c1\"}]"},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3321","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3321"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3324,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3321\/revisions\/3324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}