{"id":3332,"date":"2024-09-14T09:23:02","date_gmt":"2024-09-14T12:23:02","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=3332"},"modified":"2024-09-14T09:23:02","modified_gmt":"2024-09-14T12:23:02","slug":"psicoses-do-grupo-paranoide-de-kleist","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/psicoses-do-grupo-paranoide-de-kleist\/","title":{"rendered":"Psicoses do grupo paranoide de Kleist"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>PSICOSES DO GRUPO PARANOIDE DE KLEIST<\/strong><sup data-fn=\"1eb58087-28a4-458f-8736-c73587926f83\" class=\"fn\"><a href=\"#1eb58087-28a4-458f-8736-c73587926f83\" id=\"1eb58087-28a4-458f-8736-c73587926f83-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O termo paranoide na acep\u00e7\u00e3o de Kleist tem um sentido diferente do termo paranoide na psiquiatria em geral. Os autores falam em paranoide quando se trata de uma psicose esquizofr\u00eanica do tipo delirante, ou de uma rea\u00e7\u00e3o delirante, porque n\u00e3o h\u00e1 uma diferencia\u00e7\u00e3o n\u00edtida entre o desenvolvimento alucinat\u00f3rio delirante e o processo delirante na acep\u00e7\u00e3o comum dos psiquiatras.<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist chamou Paranoide um grupo marginal ou at\u00edpico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Paranoia, descrita desde Kraepelin como um dist\u00farbio em que h\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o geral da personalidade, h\u00e1 um est\u00edmulo afetivo excessivo, uma auto-aprecia\u00e7\u00e3o muito grande, caracter\u00edstica do paciente, e principalmente, porque n\u00e3o h\u00e1 dist\u00farbios alucinat\u00f3rios e como n\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m decad\u00eancia mental, o indiv\u00edduo se conserva at\u00e9 o final da vida plenamente \u00edntegro, sem ter nenhum dist\u00farbio demencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist abordou, em 1911, a chamada paranoia aguda de Thompson. Ele mostrou que a paranoia aguda n\u00e3o \u00e9 realmente uma paranoia, \u00e9 um quadro delirante agudo, marginal \u00e0s formas progressivas, de maneira que tem um decurso benigno, resolve-se habitualmente bem em pouco tempo ao passo que as outras formas s\u00e3o permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Paranoia, no sentido cl\u00e1ssico de Kraepelin, h\u00e1 duas modalidades fundamentais de del\u00edrio: aquele que tem um sentido persecut\u00f3rio e outro em que h\u00e1 expans\u00e3o como caracter\u00edstica, a forma expansiva. Kleist mostrou que tanto a forma persecut\u00f3ria como a forma expansiva aparecem como caracter\u00edstica fundamental em certos quadros m\u00f3rbidos que regridem totalmente, que s\u00e3o as formas benignas que ele come\u00e7ou a distinguir desde 1908, quando ele isolou o grupo das psicoses benignas da motilidade que tinham sido descritas por Wernicke.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed desenvolveu uma s\u00e9rie de grupos cl\u00ednicos, entidades bem definidas que tem todos em comum o fato de terem uma origem gen\u00e9tica. Isto \u00e9, aparecem como formas end\u00f3genas, portanto aut\u00f3ctones (como ele chamou), n\u00e3o dependem de nenhum est\u00edmulo patol\u00f3gico, nem dependem de circunstancias quaisquer, lesionais ou outras. Esses grupos todos t\u00eam em comum o fato de serem revers\u00edveis, de n\u00e3o deixarem nenhum tra\u00e7o depois da incid\u00eancia da fase aguda embora tenham uma possibilidade de repetir-se, como na chamada Psicose Man\u00edaco-Depressiva\u201d, por fases que podem ser similares \u00e0 anteriores ou fases distintas entre si e, \u00e0s vezes, com polos opostos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira classifica\u00e7\u00e3o que Kleist fez dessas formas psic\u00f3ticas do grupo benigno, publicada em 1928, foi uma em que ele fez uma compara\u00e7\u00e3o com as formas cl\u00e1ssicas, conforme se mostra no Quadro I.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"988\" height=\"470\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3333\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-3.png 988w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-3-300x143.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-3-768x365.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/01-3-18x9.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 988px) 100vw, 988px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Confronto com as end\u00f3genas constitucionais, publicado em 1928. Adaptado em 1943 \u2013 Revis\u00e3o em 1971.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Notem as v\u00e1rias formas cl\u00e1ssicas conhecidas: havia a paranoia, como um elemento mais progressivo, e a forma benigna por excel\u00eancia, conhecida como psicose circular, em que aparecem per\u00edodos de agita\u00e7\u00e3o (n\u00e3o s\u00f3 agita\u00e7\u00e3o, mas expans\u00e3o) e per\u00edodos de depress\u00e3o, \u00e9 o caracter\u00edstico da mania e da melancolia, chamadas \u201cdoen\u00e7as do humor\u201d pelos alem\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist mostrou que h\u00e1 um grande grupo de psicoses que se filiam a essa tend\u00eancia gen\u00e9tica para psicose circular, mas que n\u00e3o s\u00e3o PMD, n\u00e3o s\u00e3o nem mania e nem melancolia: ele as denominou de Psicoses Cicloides porque \u00e9 o adjetivo que se presta mais para deriva\u00e7\u00e3o de \u201ccircular\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro apanhado que ele fez, inclu\u00eda como psicoses confusionais, a Confus\u00e3o Agitada e o Estupor, depois ele descreveu fases distintas de agita\u00e7\u00e3o confusional e de confus\u00e3o estuporosa. Quanto \u00e0s Psicoses da Motilidade ele conservou at\u00e9 o final como dois tipos, duas fases distintas \u2013 a forma hipercin\u00e9tica e a forma acin\u00e9tica. Finalmente, o que ele chamou de Psicoses da Individualidade que s\u00e3o formas que correspondem \u00e0 Confabulose Expansiva, que ele manteve at\u00e9 o final, e a Hipocondria, que depois ele desdobrou em Agita\u00e7\u00e3o Hipocondr\u00edaca e Depress\u00e3o Hipocondr\u00edaca. A segunda classifica\u00e7\u00e3o que ele fez, apareceu mais tarde, em 1947.<\/p>\n\n\n\n<p>As Psicoses Paranoides t\u00eam as duas modalidades: expansiva e persecut\u00f3ria tamb\u00e9m, mas a expansiva \u00e9 caracterizada por um aspecto fundamental que \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o, quer dizer o est\u00edmulo afetivo, a tend\u00eancia para a expansividade e ao mesmo tempo concep\u00e7\u00f5es delirantes que s\u00e3o um pouco distintas da forma da paranoia propriamente. Aparecem como um quadro agudo e com essa caracter\u00edstica fundamental.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A psicose que ele chamou depois de Alucinose Aguda que se distingue da forma progressiva de alucinose que \u00e9 a esquizofrenia, tem como caracter\u00edstico o aspecto de ser persecut\u00f3rio. H\u00e1, portanto, uma analogia entre a Paranoia Expansiva e a Psicose Paranoide de Inspira\u00e7\u00e3o Aguda e entre a forma persecut\u00f3ria da paranoia, del\u00edrio persecut\u00f3rio, e a forma de Alucinose Aguda que tamb\u00e9m \u00e9 persecut\u00f3ria, persecut\u00f3ria porque o indiv\u00edduo se sente alvo de atividade dos demais, geralmente com fim persecut\u00f3rio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Depois ele isolou a Psicose de Refer\u00eancia, que tamb\u00e9m \u00e9 aguda e a Psicose de Estranheza: o indiv\u00edduo n\u00e3o reconhece o lugar onde est\u00e1 e \u00e9 um quadro que aparece como uma crise no curso normal da sua vida. Isto \u00e9 distinto de certa sensa\u00e7\u00e3o de estranheza que alguns epil\u00e9pticos t\u00eam \u2013 e epil\u00e9ptico, \u00e0s vezes, tem uma sensa\u00e7\u00e3o de estranheza, numa situa\u00e7\u00e3o qualquer, mas \u00e9 uma coisa passageira, n\u00e3o constitui um quadro cl\u00ednico como no caso da Psicose de Estranheza. Posteriormente, foram acrescentadas outras formas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Psicoses Epileptoides temos os Estados Crepusculares Epis\u00f3dicos, com duas modalidades de sensa\u00e7\u00e3o, o j\u00e1 vivido (que \u00e9 o oposto da estranheza) e a perplexidade como elemento caracter\u00edstico, mais pr\u00f3ximo da estranheza, mas distintas, ligadas com a carga gen\u00e9tica para a epilepsia (nas formas paranoides \u00e9 menos caracter\u00edstica esta liga\u00e7\u00e3o com a g\u00eanese epil\u00e9ptica). Os Estados Hipnicos Epis\u00f3dicos e os Impulsos M\u00f3rbidos Peri\u00f3dicos, o impulso deambulat\u00f3rio, chamado de poriomania, ou o impulso de beber, ou dipsomania, al\u00e9m de outros impulsos peri\u00f3dicos, que s\u00e3o formas marginais da epilepsia porque t\u00eam em comum, a tend\u00eancia gen\u00e9tica para a epilepsia, mas clinicamente aparecem distintos do quadro da epilepsia, mesmo porque n\u00e3o h\u00e1 convuls\u00f5es a n\u00e3o ser que apare\u00e7am tardiamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde ele reformulou esta classifica\u00e7\u00e3o e ampliou o grupo das paranoides como se mostra no Quadro II.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"987\" height=\"435\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3334\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-3.png 987w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-3-300x132.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-3-768x338.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/02-3-18x8.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 987px) 100vw, 987px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Observa\u00e7\u00e3o<\/strong><strong> \u2013 ordem modificada na presente tradu\u00e7\u00e3o. Compara\u00e7\u00e3o entre as sucessivas classifica\u00e7\u00f5es (adapta\u00e7\u00e3o de 1970)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>\u00a0Na primeira coluna \u00e0 esquerda, est\u00e1 a segunda classifica\u00e7\u00e3o que Kleist fez em 1947. Ele fez uma modifica\u00e7\u00e3o incluindo todos os grupos das psicoses afetivas, todas elas, quer as que tinham evolu\u00e7\u00e3o por fases e as que tinham evolu\u00e7\u00e3o por surtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, temos a doen\u00e7a man\u00edaco-depressiva do humor, que n\u00e3o foi ele que descreveu; as Psicoses da Motilidade hipercin\u00e9tico-acin\u00e9tica (como se fosse uma psicose de duas fases distintas, dois polos), a Confus\u00e3o Estuporoso-Agitada, a psicose delirante ansioso-ext\u00e1tica. Essa forma delirante \u00e9 a que tem um aspecto de ansiedade, e outro de \u00eaxtase, portanto, com duas fases e uma outra que tem uma fase \u00fanica, ou monof\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p>A Psicose Ansiosa se confunde muito com a Melancolia Ansiosa, mas se distingue por v\u00e1rios caracter\u00edsticos que s\u00e3o importantes na descri\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, pode haver tambem uma confus\u00e3o com a Psicose de Refer\u00eancia, que tamb\u00e9m \u00e9 ansiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>A Depress\u00e3o Hipocondr\u00edaca ele isolou da Agita\u00e7\u00e3o Hipocondr\u00edaca, que descreveu como sendo unipolar, ao passo que as outras duas psicoses anteriores &#8211; Psicose da Motilidade e a Confus\u00e3o Mental -, t\u00eam os dois polos que podem manifestar-se em \u00e9pocas distintas da doen\u00e7a \u2013 aqui s\u00e3o dois polos distintos, n\u00e3o h\u00e1 uma hipocondria agitada estuporosa, h\u00e1 formas distintas entre si. A melancolia ansiosa tem esta caracter\u00edstica, a depress\u00e3o hipocondr\u00edaca \u00e9 uma forma distinta, s\u00e3o monof\u00e1sicas todas elas. A psicose de estranheza que ele tinha estabelecido e depois suprimiu, a psicose de interpreta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 perplexa e distinta da psicose delirante, a psicose de beatitude que acredito como sendo uma concess\u00e3o ao trabalho de Leonhard que tinha criado a psicose de beatitude ansiosa e beat\u00edfica. Kleist admitiu isto, mas depois suprimiu a psicose de inspira\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 estava desde o in\u00edcio, que \u00e9 ext\u00e1tica, com \u00eaxtase, a confabulose expansiva e a agita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca. Ele acrescentou, ent\u00e3o, a confabulose que n\u00e3o estava no in\u00edcio, e as outras formas todas que constituem um total de 13 formas f\u00e1sicas sem contar aquelas tr\u00eas epileptoides \u2013 as f\u00e1sicas s\u00e3o 13 formas caracter\u00edsticas, de Kleist.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1953, quando ele publicou uma classifica\u00e7\u00e3o que abrangia todas as condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, ps\u00edquicas, psiqui\u00e1tricas, psicop\u00e1ticas, todas as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, num cont\u00ednuo, ele isolou no grupo das psicoses bipolares ou multif\u00e1rias as doen\u00e7as anteriores, conservou todas elas, a P.M.D., a psicose da motilidade com as duas fases, a psicose confusional com as duas fases, e a delirantes ansioso-ext\u00e1tica, ele n\u00e3o apresentou como bif\u00e1sica ou bipolar, mas incluiu a psicose de interpreta\u00e7\u00e3o com dois aspectos, ansiedade e \u00eaxtase, criando a psicose de interpreta\u00e7\u00e3o ansioso-ext\u00e1tica (ele reformulou depois isso, como n\u00f3s veremos, dividindo em dois grupos distintos). As formas monopolares, unipolares ou simples, inclui a melancolia que j\u00e1 era forma cl\u00e1ssica conhecida, a psicose ansiosa se manteve, a melancolia ansiosa, ele deixou de mencionar mas depois restabeleceu em 1960, que geralmente \u00e9 um quadro cl\u00ednico bem definido, a psicose de refer\u00eancia ansiosa, que foi mantida \u2013 mais tarde ele restabeleceu como independentes, a melancolia ansiosa e a psicose de refer\u00eancia ansiosa, a depress\u00e3o hipocondr\u00edaca ele manteve; o estupor depressivo ele manteve ainda e mais tarde o desdobrou como vamos ver a seguir; suprimiu a psicose de estranheza e a psicose de interpreta\u00e7\u00e3o \u2013 mais tarde reformulou, mantendo estas duas entidades cl\u00ednicas; a mania j\u00e1 anteriormente conhecida, foi mantida, suprimiu a psicose de beatitude e mais tarde incluiu a alucinose ansiosa que n\u00e3o estava inclu\u00edda neste grupo; a psicose de inspira\u00e7\u00e3o ext\u00e1tica ele manteve e a agita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas estas formas t\u00eam uma exist\u00eancia real, n\u00f3s as encontramos frequentemente na cl\u00ednica, basta estarmos prevenidos para este tipo de patog\u00eanese, e analisarmos o quadro patogenicamente e n\u00e3o s\u00f3 pela descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1960 ele reformulou, este quadro que foi publicado postumamente, ele fez, tinha feito um estudo com Saige e Saige verificou em dois hospitais, um de mulheres apenas, de cr\u00f4nicos, e um para homens, procurou verificar a ocorr\u00eancia das formas de Kleist; publicou um trabalho volumoso de mais de 50 p\u00e1ginas e, ent\u00e3o, apresentou (seige0 a classifica\u00e7\u00e3o que Kleist tinha refeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos, ent\u00e3o, esta classifica\u00e7\u00e3o (1960) \u2013 em vez de chamar a estes grupos de monof\u00e1sicos e bif\u00e1sicos, ele deu outra classifica\u00e7\u00e3o que n\u00f3s vemos agora, dividindo as formas amenciais, formas afetivas, formas delirantes e formas da motilidade, grupo I, II, III, IV. Como ele tinha posto a classifica\u00e7\u00e3o anterior, de 1953, para confronto, eu modifiquei tamb\u00e9m, a disposi\u00e7\u00e3o das psicoses apenas para mostrar a correla\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o todas elas as mesmas que j\u00e1 tinham sido publicadas anteriormente. Vemos, que todas elas j\u00e1 foram vistas, antes, as cicloides, as paranoides n\u00f3s vamos ver hoje, temos a psicose ansioso-agitada (notem que h\u00e1 a psicose ansiosa e a psicose ansioso-agitada) que \u00e9 distinta da psicose de refer\u00eancia, que \u00e9 ansiosa tamb\u00e9m e da melancolia ansiosa. (Vamos ver depois porque \u00e9 diferente), a depress\u00e3o hipocondr\u00edaca, ele manteve ainda; e o estupor depressivo que ele desdobrou em depress\u00e3o ansiosa com estupor e a depress\u00e3o ansioso-estuporoso-agitada \u2013 numa delas tem a possibilidade de apresentar-se como estupor ou como agita\u00e7\u00e3o e, \u00e0s vezes, no mesmo paciente aparecem o estupor e a agita\u00e7\u00e3o \u2013 esta forma corresponde \u00e0quilo que os antigos chamavam de mania estuporosa ou melancolia agitada \u2013 s\u00e3o formas que foram definidas apenas pela apar\u00eancia geral, mas que, patogenicamente, s\u00e3o distintas entre si (depois vamos ver por que motivo).<\/p>\n\n\n\n<p>A psicose de estranheza, que ele reconstituiu, a psicose de interpreta\u00e7\u00e3o perplexa, que ele tamb\u00e9m reconstituiu, a psicose de beatitude ele n\u00e3o manteve mais, tinha suprimido j\u00e1 em 1953, a alucinose ansiosa ele acrescentou no grupo das paranoides, a psicose de inspira\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava conhecida anteriormente, tamb\u00e9m assim a confabulose expansiva e a agita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca. As formas, portanto, paranoides, seriam estas, que n\u00f3s vamos ver rapidamente hoje, &#8211; algumas delas s\u00e3o conhecidas, n\u00f3s vamos mencionar um pouco antes. S\u00e3o formas at\u00edpicas, n\u00f3s as reunimos em outro quadro mostrando porque a atipia.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de descrever as formas cl\u00ednicas, vemos que patogenicamente, h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o entre elas.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"710\" height=\"682\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3335\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03-1.png 710w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03-1-300x288.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/03-1-12x12.png 12w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Esbo\u00e7o de esquematiza\u00e7\u00e3o quanto ao dinamismo c\u00e9rebro-patog\u00eanico, 1958 (revis\u00e3o em 25\/07\/1969) \u2013 A. Silveira<\/p>\n\n\n\n<p>Notem quanto \u00e0 patog\u00eanese \u2013 aqui s\u00e3o todas as formas diat\u00e9ticas, inclusive as formas cicloides e as formas epileptoides. O que interessa hoje para este grupo de psicoses em que h\u00e1 concep\u00e7\u00f5es delirantes, porque participa delas a esfera intelectual. Naquelas cicloides predominam a esfera afetiva de prefer\u00eancia. Muitas n\u00f3s j\u00e1 mencionamos anteriormente e n\u00e3o vamos voltar hoje \u2013 s\u00e3o aquelas da afetividade predominando no quadro cl\u00ednico dando a agita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca e depress\u00e3o hipocondr\u00edaca, as confusionais em que h\u00e1 a forma agitada e a forma estuporosa, as formas da motilidade com a fase hipercin\u00e9tica e com a outra acin\u00e9tica. N\u00f3s j\u00e1 mencionamos antes e n\u00e3o vamos voltar a falar delas hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste grupo que corresponde a formas delirantes f\u00e1sicas, abrange um grupo em que h\u00e1 o elemento fundamental, por ser delirante e paranoide, em intelectual \u2013 a patog\u00eanese \u00e9 intelectual. Mas esta patog\u00eanese intelectual se traduz no quadro cl\u00ednico atrav\u00e9s de sistemas diferentes, ent\u00e3o, temos as formas em que prevalece a afetividade, \u00e9 o caso da psicose de estranheza que \u00e9 perplexa (aqui h\u00e1 o elemento de estranheza, que \u00e9 a falta de relacionamento com o mundo exterior, que d\u00e1 a impossibilidade do indiv\u00edduo de se situar no momento e da\u00ed vem esta sensa\u00e7\u00e3o angustiante de estranheza com perplexidade devido a este mesmo fator \u2013 o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue corresponder o que se passa no mundo exterior) \u2013 ent\u00e3o o colorido fundamental \u00e9 intelectual, mas a esfera que d\u00e1 o colorido cl\u00ednico \u00e9 a afetividade e participa tamb\u00e9m diretamente a cona\u00e7\u00e3o neste processo de relacionar os aspectos entre si. Logo, os tr\u00eas dinamismos s\u00e3o insepar\u00e1veis em qualquer contato com a realidade exterior, mas clinicamente prevalece um determinado setor ou uma esfera da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta (n\u00e3o transcrita). Resposta: \u00e9, geralmente aqui h\u00e1 fator conativo \u2013 liga\u00e7\u00e3o com a epilepsia que \u00e9 o elemento conativo, mas o quadro cl\u00ednico decorre da interfer\u00eancia direta da cona\u00e7\u00e3o neste processo de contacto com a realidade, da\u00ed, ent\u00e3o, a perplexidade, n\u00f3s vemos pacientes, mesmo em Souzas, que t\u00eam dificuldade em compreender o que se passa com eles \u2013 um paciente no primeiro momento disse que o que ele queria dizer n\u00e3o acompanhava o pensamento, depois quando estava melhor, disse que custava compreender, n\u00e3o conseguia compreender \u2013 ent\u00e3o, n\u00e3o sabemos o que estava em jogo, a perplexidade ou de fato esse processo de dissincroniza\u00e7\u00e3o entre a express\u00e3o verbal e o pensamento. A estranheza perplexa \u00e9 um pouco diferente da refer\u00eancia, em que h\u00e1 tamb\u00e9m ansiedade, em vez de perplexidade \u00e9 a ansiedade que predomina no quadro, e o aspecto de refer\u00eancia \u00e9 fundamental, quer dizer, \u00e9 a intelig\u00eancia que d\u00e1 o colorido mais t\u00edpico a esta psicose.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre refer\u00eancia e perplexidade n\u00e3o s\u00f3 porque as duas coisas se referem ao mundo exterior, mas na refer\u00eancia o indiv\u00edduo relaciona as coisas consigo mesmo, e na estranheza ele n\u00e3o consegue relacionar consigo, ent\u00e3o, s\u00e3o dois polos distintos no contato com a realidade exterior (normalmente falseada).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As psicoses delirantes s\u00e3o as que a intelig\u00eancia d\u00e1 o caracter\u00edstico fundamental, ent\u00e3o, s\u00e3o mais concordantes porque a esfera que patogenicamente interfere, no caso, \u00e9 a intelectual, o sistema que apresenta o quadro cl\u00ednico como caracter\u00edstico \u00e9 tamb\u00e9m intelectual, mas num grupo entra a afetividade como sintoma patog\u00eanico, temos, ent\u00e3o, a forma delirante que \u00e9 ansioso e ext\u00e1tica no mesmo tempo \u2013 \u00e9 delirante, portanto, \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o intelectual que est\u00e1 em jogo no quadro cl\u00ednico mas h\u00e1 um colorido ansioso e, \u00e0s vezes, momentos de \u00eaxtase que revelam de certa maneira, uma incapacidade de relacionar com o mundo exterior \u2013 \u00e9 a afetividade que leva a esta dificuldade.<\/p>\n\n\n\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m delirante, mas parte do indiv\u00edduo para o mundo exterior e o colorido conativo d\u00e1 o colorido do \u00eaxtase, esta ruptura moment\u00e2nea com a sequ\u00eancia da elabora\u00e7\u00e3o mental e o indiv\u00edduo fica em dificuldade em resolver, fica em estado quase de dissocia\u00e7\u00e3o, de desagrega\u00e7\u00e3o como o mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s chamamos de constru\u00e7\u00e3o, porque aqui est\u00e1 em jogo a elabora\u00e7\u00e3o mental no plano mais diferenciado. Neste grupo n\u00f3s temos as tr\u00eas formas de Kleist que s\u00e3o a intepreta\u00e7\u00e3o perplexa \u2013 a perplexidade d\u00e1 o colorido intelectual do quadro, embora seja tamb\u00e9m intelectual, mas num n\u00edvel diferente destes, o da delirante, que \u00e9 apenas ligado com a percep\u00e7\u00e3o aqui com a elabora\u00e7\u00e3o mental, com a dedu\u00e7\u00e3o, com a indu\u00e7\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o dos dados se torna, ent\u00e3o, perplexa, \u00e0s vezes. Isto \u00e9 caracter\u00edstico de todas as formas delirantes no in\u00edcio do surto \u2013 os franceses chamaram a aten\u00e7\u00e3o para isto, aquela fase que chamavam de rumina\u00e7\u00e3o, em que o indiv\u00edduo fica perplexo, sem compreender o que se passa com ele \u2013 \u00e9 uma fase que precede a exterioriza\u00e7\u00e3o do del\u00edrio (nas formas progressivas) \u2013 aqui s\u00f3 aparece como um dinamismo agudo, benigno, que regride totalmente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As confabuloses tamb\u00e9m \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 o fator conativo que est\u00e1 em jogo e h\u00e1 um aspecto afetivo que \u00e9 a expans\u00e3o, expansividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na alucinose h\u00e1 o elemento ansiedade que traduz a participa\u00e7\u00e3o no quadro, ent\u00e3o, embora seja uma psicose geneticamente ligada com a esfera intelectual e no dinamismo tamb\u00e9m a esfera intelectual tamb\u00e9m participa diretamente, h\u00e1 uma gradua\u00e7\u00e3o nestas psicoses, se n\u00f3s quisermos analisar o quadro cl\u00ednico, uma gradua\u00e7\u00e3o no sentido que numa predomina a afetividade, noutra a cona\u00e7\u00e3o, e noutra a intelig\u00eancia como fundamental caracter\u00edstica no quadro cl\u00ednico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00f3s virmos, assim, apenas separados, parece apenas um arranjo esquem\u00e1tico, mas na realidade, n\u00f3s encontramos isto com muita frequ\u00eancia no quadro cl\u00ednico e se n\u00f3s tivermos a aten\u00e7\u00e3o voltada para este aspecto, n\u00f3s n\u00e3o deixamos passar muitos sintomas que, \u00e0s vezes, parecem secund\u00e1rios, mas s\u00e3o caracter\u00edsticos no quadro e que permitem a diagnose diferencial correta. A patog\u00eanese \u00e9 que \u00e9 a raz\u00e3o de ser.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui n\u00f3s temos as formas f\u00e1sicas, s\u00f3 as f\u00e1sicas, foi a \u00faltima formula\u00e7\u00e3o de Kleist, esta que apareceu postumamente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"986\" height=\"514\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3336\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-1.png 986w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-1-300x156.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-1-768x400.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/04-1-18x9.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 986px) 100vw, 986px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Observa\u00e7\u00f5es: deslocamos o grupo do 4.\u00b0 lugar para o 2.\u00b0. Esta n\u00e3o \u00e9 a ordem origin\u00e1ria das psicoses do grupo. Consideramos o quadro de psicose delirante ansioso-ext\u00e1tica como combina\u00e7\u00e3o das formas simples: alucinose ansiosa e psicose perplexa de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Notem, ent\u00e3o, que ele dividiu em psicoses do humor, psicoses hipocondr\u00edacas, que ele desdobrou destas do humor, as psicoses afetivas, distintas da hipocondria, e as afetivas delirantes que t\u00eam um caracter\u00edstico particular, finalmente as amenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele procurou mostrar esta rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre as esferas da personalidade, no sentido de Wernicke, que ele adotou, modificado por ele, em que h\u00e1 a esfera t\u00edmica (&#8230;a rea\u00e7\u00e3o afetiva em conjunto), a esfera autops\u00edquica, a esfera alops\u00edquica, a esfera cenops\u00edquica (com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade). Ele, ent\u00e3o, distinguiu os v\u00e1rios n\u00edveis, chamando o grupo das psicoses do humor que s\u00e3o aquelas em que aparece um dist\u00farbio global da personalidade, a psicose se caracteriza por uma modifica\u00e7\u00e3o total do psiquismo, a melancolia, a mania, e a melancolia ansiosa, e a forma mista, a PMD que ele chamou doen\u00e7a man\u00edaco depressiva do humor, \u00e9 o termo que os alem\u00e3es usam, em geral. N\u00f3s j\u00e1 mencionamos isto anteriormente, e n\u00e3o vamos voltar a isto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As psicoses hipocondr\u00edacas \u2013 n\u00f3s deslocamos no grupo \u2013 eram a quarta na ordem e passamos para o segundo lugar, porque est\u00e1 entre a forma global do humor e as formas afetivas \u2013 aqui \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o muito primitiva e \u00e9 ligada com o pr\u00f3prio corpo do indiv\u00edduo. N\u00f3s temos, ent\u00e3o, a depress\u00e3o hipocondr\u00edaca e a excita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca. O caracter\u00edstico \u00e9 que tanto uma quanto a outra tem como fundamental as sensa\u00e7\u00f5es viscerais \u2013 o indiv\u00edduo sente como n\u00e3o tendo v\u00edsceras como no caso da s\u00edndrome depressiva de Cotard.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta (n\u00e3o transcrita). Resposta \u2013 a depress\u00e3o e a agita\u00e7\u00e3o \u00e9 o comportamento do indiv\u00edduo na parte afetiva, mas o comum \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o visceral, o indiv\u00edduo sente que n\u00e3o tem v\u00edsceras, foram trocadas as v\u00edsceras e que de certa maneira aparece nas formas progressivas, nas chamadas somatopsicose, \u00e9 que a parte vegetativa \u00e9 o conjunto da concep\u00e7\u00e3o delirante, mas no mesmo tempo agita\u00e7\u00e3o ou depress\u00e3o de acordo com o tipo, com o impulso afetivo no sentido da expans\u00e3o ou no sentido da inibi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 aqui, ent\u00e3o, uma queixa hipocondr\u00edaca, como acontece na hebefrenia tamb\u00e9m, mas a grande distin\u00e7\u00e3o \u00e9 que na hebefrenia o elemento \u00e9 discordante, a forma expansiva e a forma depressiva da hebefrenia tamb\u00e9m apresenta queixas som\u00e1ticas, o indiv\u00edduo sente o corpo dividido, n\u00e3o \u00e9 mais o pr\u00f3prio corpo, foi modificado, mas n\u00e3o \u00e9 a superf\u00edcie externa do corpo, n\u00e3o \u00e9 o esquema do corpo que foi alterado, e sim a sensa\u00e7\u00e3o visceral \u2013 \u00e9 interoceptiva e n\u00e3o proprioceptiva (proprioceptiva \u00e9 ligado com o pr\u00f3prio corpo, sensa\u00e7\u00e3o muscular, e a interoceptiva que \u00e9 ligada com o mundo visceral) no caso a hipocondria se refere \u00e0s v\u00edsceras, inclusive o c\u00e9rebro, o indiv\u00edduo se queixa que o c\u00e9rebro n\u00e3o funciona mais, que est\u00e1 substitu\u00eddo, que est\u00e1 atrofiando, enfim, de acordo com a cultura que o indiv\u00edduo tem, pode apresentar uma explica\u00e7\u00e3o delirante (\u00e9 afetiva \u2013 Landini) \u00e9 afetiva, afetiva, mas como este caracter\u00edstico particular de ser a pr\u00f3pria vers\u00e3o vegetativa. Corresponde, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e0 timopsique, mas \u00e0 somatopsique, no caso de Kleist, das esferas de Kleist.<\/p>\n\n\n\n<p>As formas afetivas propriamente n\u00f3s temos um caracter\u00edstico com esta, porque h\u00e1 uma ansiedade muito grande, que tamb\u00e9m acontece na depress\u00e3o hipocondr\u00edaca, n\u00e3o s\u00f3 queixa de&#8230;&#8230; mas tamb\u00e9m uma ansiedade, o indiv\u00edduo sofre realmente esta situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma formula\u00e7\u00e3o abstrata como acontece nos casos da assim chamada histeria em que o indiv\u00edduo n\u00e3o liga muito a rela\u00e7\u00e3o das queixas que est\u00e1 com a situa\u00e7\u00e3o do humor; aqui n\u00e3o, na hipocondria o paciente sofre com isto e h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o para com a forma progressiva da esquizofrenia \u2013 a hebefrenia depressiva. Na psicose afetiva a ansiedade predomina no quadro cl\u00ednico, ent\u00e3o, h\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o delirante que \u00e9 mais acentuada do que nas formas hipocondr\u00edacas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas formas hipocondr\u00edacas simplesmente, um del\u00edrio mais estruturado, h\u00e1 uma agita\u00e7\u00e3o e no mesmo tempo uma ansiedade muito grande. O caracter\u00edstico fundamental, ent\u00e3o, \u00e9 que re\u00fane esses tr\u00eas aspectos, mas \u00e9 diferente da depress\u00e3o porque aqui, \u00e9 o elemento delirante que predomina no quadro. N\u00f3s vamos ver tamb\u00e9m que acontece esse aspecto na psicose ansiosa que tem um componente estuporoso ou agitado. Esta forma, a psicose ansiosa agitada que ele descreveu antes, h\u00e1 o colorido da ansiedade que \u00e9 muito grande, acentuado, e que \u00e9 a causa de o paciente ficar perambulando, ele n\u00e3o pode estar num lugar devido \u00e0 ansiedade, n\u00e3o \u00e9 como no caso dessa outra, a psicose ansiosa estuporoso-agitada, que a agita\u00e7\u00e3o faz parte do quadro cl\u00ednico sem ser por ansiedade simplesmente, quer dizer, a ansiedade \u00e9 secund\u00e1ria no estado de agita\u00e7\u00e3o e estupor. Na forma ansiosa (agitada) a agita\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 secund\u00e1ria. L\u00e1 em Souzas h\u00e1 um paciente que tem esse quadro de agita\u00e7\u00e3o ansiosa, agita\u00e7\u00e3o, ela se queixa, notem que a queixa dela \u00e9 constante, \u201ceu posso sair? Tou bom? Posso sair? \u00c9 quase um quadro epil\u00e9ptico a insist\u00eancia, persevera numa ordem de ideias s\u00f3, mas ela tem uma certa ansiedade que \u00e9 evidente, inclusive nos movimentos que ela faz continuamente e na agita\u00e7\u00e3o que decorre dessa ansiedade, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma pessoa agitada que tem um colorido ansioso secund\u00e1rio, como acontece na forma estuporoso-agitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na psicose ansioso-agitada o elemento delirante \u00e9 importante, na depress\u00e3o ansiosa prevalece o \u00e2nimo depressivo, e na psicose ansioso-estuporoso-agitada, h\u00e1 os dois aspectos, h\u00e1 ansiedade acentuada e h\u00e1 a ideias delirante tamb\u00e9m. N\u00f3s vimos um caso l\u00e1 em Souzas desse tipo; na forma aguda nos hospitais \u00e9 muito mais frequente, o indiv\u00edduo entra com um estado de ansiedade muito grande, \u00e0s vezes tem movimentos estuporosos, parece um hist\u00e9rico, na acep\u00e7\u00e3o comum, e \u00e0s vezes \u00e9 t\u00e3o acentuado isto que o indiv\u00edduo confunde com a psicose progressiva por que \u00e9 um quadro muito acentuado. N\u00f3s vimos um paciente nessas condi\u00e7\u00f5es, era um paciente (eu n\u00e3o sei se referi o caso ou n\u00e3o) que foi por sinal visto o diagn\u00f3stico por um psicoanalista, o Dr. Isaias Melsohn, a fam\u00edlia trouxe de Minas Gerais para S\u00e3o Paulo, j\u00e1 tinham consultados todos os luminares da psiquiatria l\u00e1 do Rio, em M.G. e em S.P. tamb\u00e9m vieram procurar o Dr. Isaias que por conhecimento direto, veio indicado para mim, mas como n\u00e3o estava naquela ocasi\u00e3o, estava fora, o Dr. Isaias tinha conhecimento direto com a fam\u00edlia e a fam\u00edlia, ent\u00e3o, levou o Dr. Isaias Melsohn para examinar a paciente e ele diagnosticou, ent\u00e3o, um quadro assim, um quadro benigno, n\u00e3o era uma forma progressiva como parecia, mas este paciente esteve internado num sanat\u00f3rio particular, tinha uma agita\u00e7\u00e3o tremenda, \u00e0s vezes parecia um hist\u00e9rico, alguns diziam que era histeria, era um homem comerci\u00e1rio de uns quarenta anos, ele tinha quadros de estupor, depois se agitava tremendamente, foi posto numa cela por este motivo, ele rasgou os colch\u00f5es, lambuzou de fezes toda a cela em que estava, depois depredou a torneira numa agita\u00e7\u00e3o tremenda e \u00e0s vezes, com momentos de estupor bem acentuados. Era uma ansiedade muito grande, e uma forma delirante, ele se sentia perseguido, estavam destruindo a fam\u00edlia dele, estavam destruindo os filhos. O Dr. Isaias Melsohn, embora analista, fez diagn\u00f3stico correto \u2013 psicose benigna de Kleist \u2013 deu progn\u00f3stico bom, de modo que isto foi contradi\u00e7\u00e3o a todos os psiquiatras que tinha examinado o paciente \u2013 os professores de S.P e do Rio, que acharam que o quadro n\u00e3o havia mais nada a fazer, fecharam o diagn\u00f3stico e cruzaram os bra\u00e7os \u2013 o que poderia fazer? Ele prop\u00f4s um tratamento de choque, inicialmente, depois cardiazol para diagnosticar o quadro cl\u00ednico, e creio que ele associou insulina, n\u00e3o me lembro bem. Quando voltei, tempo depois, me contaram o caso, a fam\u00edlia procurou por mim angustiada, pois o Dr. Isaias Melsohn tinha feito um diagn\u00f3stico benigno que ningu\u00e9m tinha feito, e eu disse que se ele tinha feito diagn\u00f3stico de psicose benigna, podia estar certo que o caso era este pois ele conhece bem os quadros cl\u00ednicos \u2013 e realmente o paciente levou 8 meses nesse estado e saiu completamente do surto. Vinte anos depois mandou o filho para se tratar com o Dr. Isaias Melsohn, pois reconheceu que o Dr. Isaias Melsohn tinha acertado com ele, resolveu o caso dele e ele ficou bom, voltou a trabalhar, era um comerciante de grande iniciativa, mas esta capacidade de iniciativa foi eliminada temporariamente pela psicose com grande quadro estuporoso e agita\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo, para os psiquiatras tamb\u00e9m foi uma surpresa no ver ficar bom um paciente que eles tinham diagnosticado erroneamente e s\u00f3 podiam cruzar os bra\u00e7os, o diagn\u00f3stico estava fechado completamente e o paciente retornou completamente \u00e0 normalidade e muitos anos depois, at\u00e9 20 anos depois n\u00e3o recaiu no quadro novamente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta: \u00c9 gen\u00e9tico?<\/p>\n\n\n\n<p>Resposta: Sim, \u00e9 gen\u00e9tico, do lado epileptoide, tamb\u00e9m no caso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta: Por que o cardiazol? (Landini)<\/p>\n\n\n\n<p>Resposta: No caso do estupor, ele ficava momentos em estado de estupor \u2013 associou insulina tamb\u00e9m, quer dizer o elemento afetivo, e depois, para estimular mais, o cardiazol. Sei que cedeu mas levou muito tempo, uns 8 meses talvez, ent\u00e3o, parecia ser progressivo o quadro, e era arrastado para este lado, em todo o caso \u00e9 uma forma que se encontra nos hospitais psiqui\u00e1tricos, em alguns de agudos. Conosco j\u00e1 seria mais dif\u00edcil de encontrar, talvez fosse poss\u00edvel que apare\u00e7a um quadro assim.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Descritivamente pode-se confundir uma psicose ansiosa e uma depress\u00e3o ansiosa, h\u00e1 o estupor moment\u00e2neo e a agita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, que confunde com a forma ansiosa, agitada, mas o quadro diverge em primeiro lugar, porque esta forma ansiosa agitada pode aparecer com fases alternadas, como acontece na man\u00edaco-depressiva, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que apare\u00e7a isso, mas pode aparecer, inclusive. A forma agitada e a forma estuporosa s\u00e3o formas simples. Descritivamente \u00e9 dif\u00edcil distinguir, mas se formos procurar como se constitui o quadro cl\u00ednico, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil n\u00f3s termos uma possibilidade de diagn\u00f3stico diferencial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As formas afetivas delirantes, quer dizer, afetivas porque s\u00e3o todas com a esfera da afetividade fundamentalmente envolvidas, s\u00e3o ligadas com a paranoia, por isso chamam paranoides, e s\u00e3o delirantes \u2013 o que as distingue das outras, \u00e9 que o del\u00edrio \u00e9 um elemento que constitui o quadro cl\u00ednico mas n\u00e3o \u00e9 fundamental do quadro, n\u00e3o \u00e9 o que distingue o quadro cl\u00ednico, Nessas formas temos, ent\u00e3o, a alucinose ansiosa em que h\u00e1, n\u00f3s j\u00e1 mencionamos, ou alucina\u00e7\u00f5es mesmo, ou automatismo mental \u2013 o paciente come\u00e7a a escutar vozes que o atormentam, n\u00f3s vimos v\u00e1rios casos em que havia eco do pensamento, automatismo mental, portanto, \u00e0s vezes, transmiss\u00e3o do pensamento ou recebimento do pensamento, que \u00e9 o elemento mais comum nas psicose em geral, o fen\u00f4meno de automatismo mental. Mas na alucinose ansiosa este elemento alucinat\u00f3rio \u00e9 o fundamental, quer dizer, \u00e9 isso que caracteriza o quadro cl\u00ednico. O paciente pode ter uma desta manifesta\u00e7\u00f5es senso-perceptivas alucinat\u00f3rias ou o automatismo mental, mas, \u00e9 o essencial do quadro, e o comportamento do paciente decorre apenas disso. \u00c0s vezes, parece que est\u00e1 fabulando, porque s\u00e3o muitas as interfer\u00eancias deste tipo autom\u00e1tico ou ele se baseia nestes, realidade para ele, para raciocinar, mas a t\u00e9cnica do racioc\u00ednio \u00e9 aceit\u00e1vel. Na confabulose n\u00e3o, h\u00e1 a expansividade como elemento caracter\u00edstico, no quadro cl\u00ednico, e a fabula\u00e7\u00e3o \u00e9 o que domina o quadro, ent\u00e3o, \u00e9 mais ligada ao aspecto delirante do que propriamente para o dist\u00farbio senso-perceptivo, h\u00e1 mais elabora\u00e7\u00e3o e mais produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. \u00c9 sempre o elemento conativo que estimula, vamos dizer assim, proporciona o aparecimento do quadro, quer a alucinose, quer na confabulose, mas aqui o elemento conativo da personalidade influi na produ\u00e7\u00e3o do contacto com o mundo exterior, falseando-o. Na confabulose \u00e9 na elabora\u00e7\u00e3o delirante.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na psicose ansiosa de refer\u00eancia e na psicose de estranheza, n\u00f3s temos dois aspectos tamb\u00e9m, como j\u00e1 mencionamos antes, do contato com a realidade exterior, interpretando a realidade. Ou o indiv\u00edduo atribui os fatos que se passam no exterior a algu\u00e9m que est\u00e1 se referindo ao pr\u00f3prio paciente, ent\u00e3o \u00e9 refer\u00eancia no paciente. Os autores, os espanh\u00f3is em geral, dizem auto-refer\u00eancia e n\u00e3o \u00e9 autorrefer\u00eancia, ele n\u00e3o se refere a si mesmo, a refer\u00eancia \u00e9 a ele pr\u00f3prio, ent\u00e3o refer\u00eancia \u00e9 a si, ou simplesmente refer\u00eancia \u2013 tudo o que se passa ele interpreta como relativo a ele \u2013 Kleist mostra que isso \u00e9 uma tend\u00eancia normal do indiv\u00edduo. Se um indiv\u00edduo passa na rua, e algu\u00e9m lhe chama \u201cDoutor\u201d, a tend\u00eancia \u00e9 olhar logo para ver se \u00e9 com ele pr\u00f3prio \u2013 isso \u00e9 comum \u2013 ou ent\u00e3o, se a pessoa chama, por exemplo, \u201cPsiu\u201d, a pessoa automaticamente se volta para ver se \u00e9 com ele que se fala. Esta tend\u00eancia de referir as coisas a si mesmo, que \u00e9 que d\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o mundo exterior pode anormalmente aparecer exagerada, dando esse quadro de refer\u00eancia e a ansiedade \u00e9 uma consequ\u00eancia desta refer\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a refer\u00eancia por si pr\u00f3pria, mas ela traz uma ansiedade ao paciente que \u00e9 um elemento secund\u00e1rio. H\u00e1 a concep\u00e7\u00e3o delirante n\u00e3o baseando necessariamente em alucina\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes n\u00f3s vimos que pode haver automatismo mental, ou mesmo alucina\u00e7\u00e3o, mas fazem refer\u00eancia ao paciente, n\u00e3o s\u00e3o ligadas diretamente com ele, n\u00e3o s\u00e3o vozes imperativas, por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o vozes que o injuriam, que depreciam ou dizem alguma coisa sobre ele, s\u00e3o vozes que fazem uma refer\u00eancia indireta a ele, ao paciente. H\u00e1, portanto, o elemento de elabora\u00e7\u00e3o que \u00e9 o fundamental no quadro cl\u00ednico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na psicose de estranheza n\u00f3s temos o inverso, o indiv\u00edduo n\u00e3o relaciona os aspectos do mundo exterior com a situa\u00e7\u00e3o dele pr\u00f3prio, e isso \u00e9 muito mais acentuado do que acontece na epilepsia e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 assim tempor\u00e1ria, constitui um quadro cl\u00ednico de meses, semanas ou meses, em que h\u00e1 estranheza da situa\u00e7\u00e3o e h\u00e1 perplexidade porque o indiv\u00edduo n\u00e3o compreende o que se passa \u2013 o elemento conativo e o afetivo ao mesmo tempo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na psicose de inspira\u00e7\u00e3o que h\u00e1 \u00eaxtase, \u00e9 a psicose em que h\u00e1 expans\u00e3o, o indiv\u00edduo se mostra como na confabulose, produtivo, relaciona tudo o que se passa com ele pr\u00f3prio, mas no sentido de que as a\u00e7\u00f5es partem dele para o mundo exterior, sente uma certa no\u00e7\u00e3o de grandeza, certa euforia que \u00e9 caracter\u00edstica deste quadro e n\u00e3o das formas delirantes em que n\u00e3o h\u00e1 esse aspecto de euforia, ou de expans\u00e3o e o \u00eaxtase aqui \u00e9 um \u00eaxtase n\u00e3o por incapacidade moment\u00e2nea, mas sim, pelo excesso de est\u00edmulo em que o indiv\u00edduo fica quase desligado como acontece na mania improdutiva \u2013 vai se estimulando o trabalho mental, chega a um ponto, em que ele chega quase ao \u00eaxtase, mas n\u00e3o por falta de contato com o mundo exterior, mas sim por excesso de contato, em que n\u00e3o acompanha com o pensamento o que se passa em torno dele, ou est\u00edmulos que v\u00eam de entorno dele.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na psicose perplexa de interpreta\u00e7\u00e3o h\u00e1 um dinamismo compar\u00e1vel, \u00e0 de refer\u00eancia, somente aqui n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancia, somente o indiv\u00edduo, \u00e9 em geral, interpretando os fatos como elemento simb\u00f3lico; o indiv\u00edduo fica perplexo e quer saber o que significa isso. \u00c9, portanto, no plano da simboliza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 o dist\u00farbio fundamental. Em alguns pacientes \u00e9 t\u00e3o caracter\u00edstico este quadro que chama a aten\u00e7\u00e3o de toda agente, quer dizer, \u00e9 um comportamento estranho e quando ele volta ao normal ele descreve isso de uma forma muito precisa. Tivemos em Souzas um paciente que via uma cruz e n\u00e3o sabia o que queria dizer aquilo, depois, ele ia \u00e0 cidade e parece que era \u00e0 tarde e se apagaram as luzes, ent\u00e3o, ficou perplexo, queria saber o que teria acontecido, que a presen\u00e7a dele fez apagar as luzes, estava t\u00e3o preocupado em interpretar as coisas \u2013 \u00e9 um caso muito caracter\u00edstico dessa psicose perplexa de interpreta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>E h\u00e1 uma outra forma, esta bipolar, m\u00faltipla, multif\u00e1ria de Kleist, a psicose delirante ansioso-ext\u00e1tica, nesta se distingue da estranheza porque aqui h\u00e1 um \u00eaxtase tamb\u00e9m do quadro cl\u00ednico, n\u00e3o s\u00f3 por ser delirante, o del\u00edrio n\u00e3o \u00e9 secund\u00e1rio a este quadro de ansiedade ou de dist\u00farbio senso-perceptivo, \u00e9 concomitante e \u00e0s vezes, \u00e9 um elemento ligado diretamente com a ansiedade e ext\u00e1tica. N\u00f3s vimos quadros que n\u00f3s achamos que correspondem a uma fase destas e fundamentalmente \u00e0 alucinose. Na alucinose n\u00f3s temos um fator senso-perceptivo, ou alucina\u00e7\u00e3o ou automatismo mental, ansiedade muito intensa que est\u00e1 ligada com este aspecto persecut\u00f3rio, e que, \u00e0s vezes, \u00e9 tamb\u00e9m interpretado de modo delirante. N\u00f3s achamos, ent\u00e3o, que este quadro delirante ansioso-ext\u00e1tico de Kleist corresponde a uma fus\u00e3o da alucinose ansiosa com esta psicose de interpreta\u00e7\u00e3o que \u00e9 a perplexa. Somam-se num paciente os dois aspectos dando, ent\u00e3o, este quadro que Kleist denominou psicose delirante ansioso-ext\u00e1tica. \u00c9 poss\u00edvel que seja uma mesma psicose, quer dizer, dois grupos que se fundem no mesmo indiv\u00edduo dando a confus\u00e3o estuporosa agitada em algumas vezes. A forma confusional estuporosa-agitada corresponde \u00e0 sucess\u00e3o de duas fases no mesmo paciente, da mesma forma que na psicose da motilidade hipercin\u00e9tico-acin\u00e9tica, pode suceder-se como fases \u2013 n\u00f3s achamos que o mesmo&#8230;. que \u00e9 delirante, quadro delirante de Kleist. De fato, Kleist primeiro descreveu a alucinose ansiosa que ele suprimiu e p\u00f4s no lugar a psicose de beatitude em que h\u00e1 ansiedade e \u00eaxtase, na terminologia de Leonhard, e depois ele tornou atr\u00e1s e tornou a suprimir. E acho que esta psicose, ent\u00e3o a psicose delirante ansioso-ext\u00e1tica \u00e9 uma fus\u00e3o de duas formas distintas, de alucinose e de interpreta\u00e7\u00e3o perplexa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Estas manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas d\u00e3o, \u00e0s vezes, uma exterioriza\u00e7\u00e3o que depende do paciente, na fase de inspira\u00e7\u00e3o, por exemplo, n\u00f3s vimos indiv\u00edduos, pacientes que come\u00e7avam a dirigir os carros na estrada, inclusive ele sentiu como se fosse capaz de dirigir todo o tr\u00e2nsito nas vias. Outro paciente, l\u00e1 do Hospital do Juqueri, eu trouxe um diapositivo hoje, fazia nessa fase, em que tinha um estado de inspira\u00e7\u00e3o, ele se exprimia mais por desenhos, fazia desenhos complexos, muito complicados que uma an\u00e1lise poderia tomar como grande ponto de partida para interpreta\u00e7\u00e3o \u2013 segue proje\u00e7\u00e3o do desenho feito pelo paciente referido<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, de fato, \u00e9 dif\u00edcil porque os animais est\u00e3o aqui invertidos, \u00e9 uma folha de anamnese, em que ele fez o desenho. Eu n\u00e3o trouxe hoje, mas ele produziu uma infinidade de desenhos, em cada fase que ele tinha produzia o mesmo desenho. O mesmo tipo, o fundamental, \u00e9 a mesma coisa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Este paciente, nesta fase, tinha inspira\u00e7\u00e3o, ele se dizia descendente dos condes de Bandino, Conte de Bandino, l\u00e1 na It\u00e1lia. Ele era italiano, e aqui est\u00e1 a m\u00e3e dele, tem um s\u00edmbolo da fam\u00edlia do lado materno e do lado paterno ele fazia uma coisa bem complicada. Notem aqui os animais que aparecem todos eles com o mesmo tipo, aqui h\u00e1 a serpente, h\u00e1 outros que n\u00f3s n\u00e3o sabemos o que s\u00e3o, h\u00e1 uma ema com estas duas orelhas que s\u00e3o um pouco estranhas, n\u00e3o \u00e9? E com um bico enorme. Notem que todos os animais t\u00eam o sexo bem evidente, os \u00f3rg\u00e3os sexuais bem evidentes, \u00e9 claro que a ema n\u00e3o tem, e este animal, que n\u00f3s n\u00e3o sabemos o que \u00e9, \u00e9 h\u00edbrido, parece um crocodilo, mas um crocodilo quadr\u00fapede e a cauda \u00e9 rugosa, e a curiosidade que estes dois animais ultrapassam a margem \u2013 isso \u00e9 artif\u00edcio do diapositivo. Em cada fase ele tinha estes desenhos, inclusive em quantidade. Ele foi para a col\u00f4nia, mas mesmo na col\u00f4nia ele fazia os desenhos e depois mandava para mim, em folhas de anamnese. H\u00e1 alguns que representam o pai tamb\u00e9m, com uma malha, como se fosse um guerreiro antigo e um grou na m\u00e3o. Era inspira\u00e7\u00e3o, e nessa fase de inspira\u00e7\u00e3o, ele achava que descendia dos condes Bandini, depois que passava dizia que tudo isso \u00e9 fantasia, mas para mim \u00e9 realidade, era uma realidade para ele, tinha bem no\u00e7\u00e3o disso, mas em cada fase que aparecia ele reproduzia o mesmo quadro cl\u00ednico; com uma expansividade muito grande. Um sujeito que se n\u00e3o me engano era oper\u00e1rio, n\u00e3o tinha nenhum n\u00edvel especial, mas desenhava, como est\u00e3o vendo, muito bem, e isso era feito a l\u00e1pis comum. Depois passou para outra fase com outro tipo de desenho, mas padronizado como sempre. Tinha remiss\u00e3o integral, mas ficou na col\u00f4nia para sempre \u2013 e tinha remiss\u00e3o integral. Ele dizia que vinha inspira\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s inspira\u00e7\u00e3o por causa do desenho, n\u00e3o inspira\u00e7\u00e3o psicose \u2013 avisava os enfermeiros e pedia papel para desenhar. Este foi considerado como esquizofr\u00eanico porque ali estava fazia anos, no hospital, mas de fato ele n\u00e3o tinha mais ningu\u00e9m em S\u00e3o Paulo e l\u00e1 estava bem, em bom contato com os demais, ent\u00e3o, quando tinha a fase aguda, tinha todas aquelas coisas, ficava brincando muito com um e outro, achava que era dono de tudo, dava ordens aos enfermeiros, etc. Passava aquela fase, estava bom, mas ia para S\u00e3o Paulo fazer o que? Ent\u00e3o preferia ficar l\u00e1 no hospital. Ele ajudava muito o pessoal, tinha um contato muito bom.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Este paciente n\u00f3s apresentamos na primeira vez que apresentamos as psicoses degenerativas, antes de 1940, pouco antes de fazer nossa tese de doc\u00eancia e representamos como elemento caracter\u00edstico deste quadro. Depois n\u00f3s vimos um estudo feito por Walter Risso, nos EUA, recentemente em rela\u00e7\u00e3o a van Gogh. Walter Risso \u00e9 alem\u00e3o, e ele fez o diagn\u00f3stico baseado em Kleist. Foi a \u00fanica vez que eu vi um psiquiatra fazer um diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico baseado em Kleist. Ele mostrou que van Gogh n\u00e3o era esquizofr\u00eanico como se pensava e n\u00e3o era P.M.D., era uma forma benigna de Kleist \u2013 naquelas fases tinha, ent\u00e3o, aquela expansividade e \u00e9 forma de inspira\u00e7\u00e3o exatamente o diagn\u00f3stico que ele fez. Ele publicou isso j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, acho que em cinquenta e pouco.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Van Gogh realmente devia ser um tamb\u00e9m um tipo destes; na inspira\u00e7\u00e3o, naqueles momentos ele tinha uma s\u00e9rie de elementos delirantes que traduzia nas configura\u00e7\u00f5es. O elemento epileptoide tamb\u00e9m est\u00e1 bem evidente, pois ele chegou a mutilar-se e coisas deste tipo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Este paciente tinha caracteristicamente per\u00edodos de inspira\u00e7\u00e3o que depois cediam por completo. N\u00e3o foi um van Gogh porque a\u00ed tamb\u00e9m depende da capacidade do indiv\u00edduo.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"581\" height=\"363\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3337\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05-1.png 581w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05-1-300x187.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/05-1-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Este quadro j\u00e1 apresentamos antes da patog\u00eanese, ent\u00e3o, as formas aqui n\u00f3s temos a delirante ansioso-ext\u00e1tica que predomina a g\u00eanese afetiva, n\u00f3s s\u00f3 mencionamos os quadros das paranoides.<\/p>\n\n\n\n<p>A agita\u00e7\u00e3o e a depress\u00e3o hipocondr\u00edaca no n\u00edvel afetivo tamb\u00e9m b\u00e1sico em rela\u00e7\u00e3o ao instinto nutritivo, no caso \u00e0 propriocep\u00e7\u00e3o visceral, a psicose de refer\u00eancia e estranheza s\u00e3o polos opostos, a rea\u00e7\u00e3o afetiva predominante, mas outros sistemas tamb\u00e9m, como sistemas cerebrais que d\u00e3o colorido ao quadro. Na patog\u00eanese conativa, al\u00e9m das psicoses da motilidade que s\u00e3o cicloides, temos a confabulose expansiva e a alucinose que s\u00e3o os elementos delirantes, portanto s\u00e3o as paranoides, a confus\u00e3o estuporoso-agitada, tamb\u00e9m \u00e9 do sistema intelectual, mas ligado com o elemento epileptoide, geneticamente falando, \u00e9, portanto, uma forma cicloide, em que \u00e9 o elemento da epilepsia e o elemento da P.M.D. ou f\u00e1sico afetivo em geral. As formas de inspira\u00e7\u00e3o e de interpreta\u00e7\u00e3o perplexa s\u00e3o dois aspectos em que h\u00e1 o elemento perplexidade ou \u00eaxtase com manifesta\u00e7\u00e3o conativa, mas elas t\u00eam g\u00eanese intelectual, fundamentalmente a patog\u00eanese. As formas da direita s\u00e3o apenas epis\u00f3dicas ou peri\u00f3dicas, s\u00e3o as formas epileptoides de Kleist.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta (Landini) \u2013 Esta hipocondr\u00edaca, ela \u00e9 monof\u00e1sica pela agita\u00e7\u00e3o e pela depress\u00e3o ou pela hipocondria?<\/p>\n\n\n\n<p>Resposta: &#8211; N\u00e3o, \u00e9 pela agita\u00e7\u00e3o, quer dizer o colorido \u00e9 permanente (tenho d\u00favida quanto \u00e0 \u00faltima frase, pois Landini e o Prof. falavam ao mesmo tempo) ent\u00e3o a agita\u00e7\u00e3o \u00e9 que mostra uma fase ou outra.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Kleist primeiramente descreveu como uma forma \u00fanica sem duas fases, depois separou as fases, mas que podem associar-se no mesmo paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s vimos, ent\u00e3o, que a confus\u00e3o principal destes grupos \u00e9 que h\u00e1 mecanismos delirantes, h\u00e1 alucina\u00e7\u00f5es e h\u00e1 o comportamento anormal, patol\u00f3gico, no comportamento expl\u00edcito, as confundem mais com a esquizofrenia, mas as formas das esquizofrenias que se confundem com estas n\u00e3o exatamente as correspondentes, a n\u00e3o ser na alucinose, por exemplo, na confabulose. Eu fiz um quadro que j\u00e1 apresentei aqui para esta correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>[QUADRO VI \u2013 CONFRONTO ENTRE AS PSICOSES DIAT\u00c9TICAS E A ESQUIZOFRENIA, SEGUNDO KLEIST (An\u00edbal Silveira) \u2013 quadro reproduzido no final do texto devido ao seu tamanho]<\/p>\n\n\n\n<p>O que d\u00e1 o colorido comum s\u00e3o as esferas da personalidade atingidas, num caso, nas formas benignas de Kleist, n\u00f3s temos o elemento de remiss\u00e3o integral, completa nas formas progressivas n\u00f3s temos a participa\u00e7\u00e3o permanente e progressiva, portanto. N\u00f3s vemos, ent\u00e3o, as formas da individualidade de Kleist, a depress\u00e3o hipocondr\u00edaca, e a agita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca, confundem-se com a forma depressiva e pueril da hebefrenia. O fundamental \u00e9 que no caso da hebefrenia h\u00e1 uma discord\u00e2ncia entre a rea\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, rea\u00e7\u00e3o ps\u00edquica subjetiva e aquelas queixas que ele apresenta no caso, ao passo que na depress\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o hipocondr\u00edaca h\u00e1 uma concord\u00e2ncia, entre o elemento depressivo e a queixa vegetativa que ele apresenta. Na forma acin\u00e9tica e hipercin\u00e9tica confundem-se n\u00e3o com a forma ap\u00e1tica, ou com a forma autista e sim com a catatonia em que h\u00e1 o elemento acin\u00e9tico caracter\u00edstico da catatonia ou a forma paracin\u00e9tica, que tem uma, como n\u00f3s dissemos antes, um componente hipercin\u00e9tico, mas fundamentalmente, o que caracteriza o quadro \u00e9 a distor\u00e7\u00e3o dos gestos, dos atos, ent\u00e3o \u00e9 paracin\u00e9tica por este motivo. A forma iterativa se confunde mais com as formas progressivas nas formas de impulsos peri\u00f3dicos e com as formas benignas tamb\u00e9m, da mania e da melancolia. Os estados h\u00edpnicos epis\u00f3dicos n\u00e3o tem nenhum equivalente na negativista nem na procin\u00e9tica, mas os impulsos t\u00eam liga\u00e7\u00e3o direta com a forma procin\u00e9tica em que o indiv\u00edduo age quase que subserviente, como espelho, ou ent\u00e3o com as formas catat\u00f4nicas propriamente, acin\u00e9tica e hipercin\u00e9tica&#8230; excessiva, peri\u00f3dica, mas nesses impulsos acontece que o indiv\u00edduo age de acordo com o impulso. Na catatonia acontece que o indiv\u00edduo age de acordo com o impulso, na catatonia h\u00e1 discord\u00e2ncia entre o impulso que ele apresenta e o fato dele manter-se no mesmo lugar, ent\u00e3o, h\u00e1 agita\u00e7\u00e3o no lugar sem se deslocar; na poriomania, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 agita\u00e7\u00e3o mas h\u00e1 uma deambula\u00e7\u00e3o intensa, e \u00e0s vezes de quil\u00f4metros \u2013 o indiv\u00edduo foge do lugar em que est\u00e1 sem saber porque, seguindo um impulso de fuga, simplesmente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nos estados crepusculares a confus\u00e3o \u00e9 mais com as formas progressivas intelectuais, e n\u00e3o diretamente com as formas mutista ou prol\u00e1lica das esquizofrenias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na alucinose aguda h\u00e1 confus\u00e3o com a correspondente alucinose \u2013 que \u00e9 progressiva \u2013 a distin\u00e7\u00e3o est\u00e1 em que na forma aguda temos uma compreens\u00e3o do quadro facilmente, quer dizer, a alucinose d\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o concordante com isso; na forma progressiva o indiv\u00edduo n\u00e3o reage de acordo com os est\u00edmulos patol\u00f3gicos da alucina\u00e7\u00e3o, de tudo que h\u00e1 uma discord\u00e2ncia entre o comportamento dele e o fen\u00f4meno daquelas vozes que s\u00e3o, \u00e0s vezes, imperativas, \u00e0s vezes agem no comportamento dele de maneira muito acentuada.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na alucinose h\u00e1 o elemento alucinat\u00f3rio ou o automatismo mental, mas o indiv\u00edduo n\u00e3o tem este colorido de sentir-se subjugado, digamos assim aos est\u00edmulos senso-perceptivos, ele reage e revela de uma maneira e d\u00e1 a entrevista, a sensa\u00e7\u00e3o exata que ele reconhece aquilo como uma coisa estranha \u00e0 personalidade dele, ao passo que na esquizofrenia, na alucinose progressiva, o indiv\u00edduo aceita aquilo naturalmente e n\u00e3o d\u00e1 muita import\u00e2ncia\u00a0 ao fen\u00f4meno alucinat\u00f3rio; o caracter\u00edstico mais marcante \u00e9 justamente este, o indiv\u00edduo j\u00e1 est\u00e1 habituado com aqueles fen\u00f4menos e n\u00e3o d\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o de revolta ou de mostrar que est\u00e1 subornado momentaneamente a uma for\u00e7a exterior.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na confabulose expansiva e progressiva tamb\u00e9m \u00e9 caracter\u00edstico \u00e1 a mesma. A expansividade aqui \u00e9 mais concordante ao passo que na progressiva h\u00e1 uma expansividade e no mesmo tempo uma intera\u00e7\u00e3o do estado anterior sem se modificar muito durante os per\u00edodos de entrevista.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na forma de inspira\u00e7\u00e3o aguda e a inspira\u00e7\u00e3o progressiva tamb\u00e9m o fator ext\u00e1tico, aqui, \u00e9 mais caracter\u00edstico, do que na forma progressiva da esquizofrenia. Demonstrando o quadro cl\u00ednico no paciente, \u00e9 f\u00e1cil, perceber-se isso. Se n\u00f3s basearmos apenas na descri\u00e7\u00e3o, vamos verificar um paciente da forma ext\u00e1tica, inspira\u00e7\u00e3o ext\u00e1tica aguda, com a forma progressiva, seguramente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, tamb\u00e9m, a interpreta\u00e7\u00e3o, o elemento perplexidade \u00e9 caracter\u00edstico desta forma de interpreta\u00e7\u00e3o; na esquizofrenia em que h\u00e1 tamb\u00e9m a forma de interpreta\u00e7\u00e3o, forma delirante, n\u00f3s temos um correspondente a esse aspecto, mas sem aquela caracter\u00edstica da perplexidade \u2013 \u00e9 mais uma falta de contato, uma interrup\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea, uma inibi\u00e7\u00e3o da atividade comum do paciente ligado com dist\u00farbios perceptivos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas progressivas, a fantasiofrenia se confunde com a confabulose expansiva e a confabula\u00e7\u00e3o se torna um aspecto mais colorido na fantasiofrenia e, \u00e0s vezes, \u00e9 dif\u00edcil distinguirmos de uma forma benigna de confabulose, que \u00e9 expansiva, ou se \u00e9 uma forma de fantasiofrenia. E a\u00ed entram v\u00e1rios fatores que \u00e0s vezes h\u00e1 componentes como podemos ver aqui, mistos, inclusive, de outro ciclo, como na epilepsia, que mant\u00e9m este estado, persevera o paciente, o paciente persevera nessa situa\u00e7\u00e3o e s\u00f3 mais tarde podemos ver a explica\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me agora daquele paciente que tem este quadro de fantasiofrenia e que teve, inclusive, convuls\u00f5es, e parece que \u00e9 este aspecto que d\u00e1 um colorido um pouco estranho, que podia confundir-se com uma forma at\u00edpica ou benigna de Kleist (a confabulose).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De modo que n\u00f3s vemos que h\u00e1 a possibilidade de confundir-se o quadro cl\u00ednico se n\u00e3o tivermos um crit\u00e9rio patog\u00eanico para distinguir o quadro. Se n\u00f3s ficarmos somente com o crit\u00e9rio descritivo, n\u00f3s vemos que \u00e9 dif\u00edcil n\u00f3s podermos situar um paciente, bem claramente, numa certa faixa de classifica\u00e7\u00e3o nosol\u00f3gica, e isto \u00e9 importante para o tratamento \u2013 inclusive Leonhard est\u00e1 voltado mais para o aspecto descritivo, de modo que, lendo os trabalhos de Leonhard, n\u00f3s temos, \u00e0s vezes, dificuldade para situar um paciente, se \u00e9 uma forma benigna ou se \u00e9 uma forma progressiva, porque ele est\u00e1 mais na descri\u00e7\u00e3o \u2013 admite remiss\u00e3o na esquizofrenia, tamb\u00e9m, o que n\u00e3o se admite na orienta\u00e7\u00e3o de Kleist. Vamos ficar por aqui.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta (Landini) \u2013 Parece que tem&#8230;destas descri\u00e7\u00f5es de autismo, como o senhor conceitua isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Resposta \u2013 Autismo? O autismo pode ser como um elemento que aparece como sintoma s\u00f3, como na crian\u00e7a se nota isso. O autismo, como autismo foi descrito por Bleuler, como caracter\u00edstico no adulto, quer dizer, o autismo seria uma falha de liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior, o indiv\u00edduo fica interiorizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta (Landini) \u2013 Seria afetiva, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>Resposta- Bom&#8230; o dinamismo pode ser afetivo, falta de impulso para contactuar com o mundo exterior, mas pode ser por elemento conativo, o indiv\u00edduo n\u00e3o est\u00e1 em autismo propriamente, mas est\u00e1 dando aten\u00e7\u00e3o a fen\u00f4menos alucinat\u00f3rios, automatismo mental que \u00e9 mais caracter\u00edstico. Ent\u00e3o, n\u00e3o seria autismo, s\u00f3 em apar\u00eancia que seria autismo. Pela descri\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo n\u00e3o fala com a gente, n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o, mas se nos prestarmos aten\u00e7\u00e3o para o comportamento dele, psicol\u00f3gico, vemos que est\u00e1 dando aten\u00e7\u00e3o a alguma coisa, &#8211; est\u00e1 desligado de n\u00f3s, simplesmente. Seria uma forma de falso autismo, n\u00e3o \u00e9 autismo no caso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O autismo mesmo, depende de fator afetivo, ent\u00e3o, n\u00f3s o pomos nesta faixa de afetividade, na esfera afetiva, mas o sistema que d\u00e1 o caracter\u00edstico \u00e9 o intelectual. Na forma ap\u00e1tica, n\u00f3s tamb\u00e9m temos um desinteresse, ent\u00e3o, a apatia leva tamb\u00e9m a um certo distanciamento com o mundo exterior \u2013 \u00e9 um autismo secund\u00e1rio \u2013 mas a apatia que \u00e9 fundamental, \u00e9 a falta de iniciativa para agir, \u00e9, ent\u00e3o, um elemento que \u00e9 afetivo, mas que se traduz clinicamente pelo sistema conativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta (n\u00e3o transcrita)<\/p>\n\n\n\n<p>Resposta \u2013 \u00c9, mas todos consideram apenas o aspecto de desligamento com o mundo exterior, n\u00e3o leva em conta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Seria uma preval\u00eancia do n\u00edvel subjetivo do indiv\u00edduo, quer dizer, preocupa\u00e7\u00e3o, ou voltar-se para si pr\u00f3prio, que seria o sentido t\u00e9cnico do autismo \u2013 uma carga afetiva muito intensa e ele se volta para si mesmo, mas quase sempre esse autismo \u00e9 decorr\u00eancia de uma sensa\u00e7\u00e3o afetiva muito intensa, ent\u00e3o, fica bloqueado completamente, uma inibi\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o, uma volta para outros fen\u00f4menos subjetivos que n\u00e3o s\u00e3o evidentes. N\u00e3o \u00e9 o caracter\u00edstico da esquizofrenia, como argumenta Bleuler, em todas as formas pode aparecer. \u00c9 que ele, embora querendo ver o dinamismo do quadro, ligou-se ao fator descritivo. Se n\u00f3s lermos a observa\u00e7\u00e3o, vemos que h\u00e1 muita participa\u00e7\u00e3o da parte intelectual, inclusive, s\u00f3 que est\u00e1 desligado do mundo exterior, realmente. Vamos, ent\u00e3o, ficar por aqui, vendo o paciente melhora este aspecto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">QUADRO VI<sup data-fn=\"1a23e31f-262c-4c0e-b72f-67f4aaa5adc1\" class=\"fn\"><a href=\"#1a23e31f-262c-4c0e-b72f-67f4aaa5adc1\" id=\"1a23e31f-262c-4c0e-b72f-67f4aaa5adc1-link\">2<\/a><\/sup><br>(An\u00edbal Silveira)<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"524\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-1-1024x524.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3338\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-1-1024x524.png 1024w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-1-300x153.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-1-768x393.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-1-18x9.png 18w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/06-1.png 1161w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"629\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-1-1024x629.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3339\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-1-1024x629.png 1024w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-1-300x184.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-1-768x472.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-1-18x12.png 18w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-1-1200x738.png 1200w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/07-1.png 1264w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Legenda e explica\u00e7\u00f5es relativos ao quadro anterior: S\u00e3o um total de 16 formas de Psicoses Diat\u00e9ticas (6 cicl\u00f3ides, 3 epilept\u00f3ides e 7 paranoides) e 26 formas esquizofr\u00eanicas (4 hebefrenias, 8 catatonias, 8 de forma paranoide, 4 confusionais e 3 parafrenias). Est\u00e3o representadas grifadas as formas esquizofr\u00eanicas mais t\u00edpicas do grupo \u2013 a forma paradigma daquele grupo que s\u00e3o: a Hebefrenia depressiva, a Catatonia acin\u00e9tica, a Fantasiofrenia e o Embotamento incoerente. As 3 parafrenias s\u00e3o: o Del\u00edrio circunscrito, a Psicose progressiva de refer\u00eancia e a Psicose Progressiva de Interpreta\u00e7\u00e3o. As formas que est\u00e3o entre par\u00eanteses s\u00e3o as formas at\u00edpicas extensivas, no caso, as 3 formas parafr\u00eanicas, a Catatonia iterativa de evolu\u00e7\u00e3o por surtos e a Esquizofrenia Confusional por surtos. Nesta nova representa\u00e7\u00e3o, o Prof. An\u00edbal Silveira reformulou a patog\u00eanese de algumas formas: A alucinose e confabulose, tanto aguda quanto progressiva s\u00e3o de sistema conativo. A psicose aguda de estranheza, a psicose aguda de inspira\u00e7\u00e3o e a psicose aguda de refer\u00eancia s\u00e3o de sistema afetivo. A psicose aguda de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de sistema intrinsecamente intelectual. Reformula\u00e7\u00e3o similar ocorre dentro do grupo das formas paranoides progressivas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"930\" height=\"546\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3340\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-1.png 930w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-1-300x176.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-1-768x451.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/08-1-18x12.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 930px) 100vw, 930px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quadro extra\u00eddo do trabalho: \u201cA classifica\u00e7\u00e3o nacional das doen\u00e7as mentias. Sugest\u00e3o para a revis\u00e3o\u201d (Arq. da Assist. aos Psicopatas do Estado de S\u00e3o Paulo: (73-101). An\u00edbal Silveira.<br><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"1eb58087-28a4-458f-8736-c73587926f83\">Texto organizado por Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira proferida em 31\/12\/71, em Campinas, sem refer\u00eancia de quem a compilou, sendo revista, em 30\/01\/23, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto. <a href=\"#1eb58087-28a4-458f-8736-c73587926f83-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1a23e31f-262c-4c0e-b72f-67f4aaa5adc1\">Este quadro, posteriormente, foi reformulado pelo Prof. An\u00edbal Silveira, quanto \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o de algumas das psicoses do grupo paranoide. Trancrevemos a seguir a nossa vers\u00e3o atualizada, com a devida legenda e esclarecimentos adicionais \u2013 Roberto Fazzani (2015) <a href=\"#1a23e31f-262c-4c0e-b72f-67f4aaa5adc1-link\" aria-label=\"Aller \u00e0 la note de bas de page 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PSICOSES DO GRUPO PARANOIDE DE KLEIST O termo paranoide na acep\u00e7\u00e3o de Kleist tem um sentido diferente do termo paranoide na psiquiatria em geral. Os autores falam em paranoide quando se trata de uma psicose esquizofr\u00eanica do tipo delirante, ou de uma rea\u00e7\u00e3o delirante, porque n\u00e3o h\u00e1 uma diferencia\u00e7\u00e3o n\u00edtida entre o desenvolvimento alucinat\u00f3rio delirante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Texto organizado por Roberto Fasano Neto, em 2003, a partir de aula de An\u00edbal Silveira proferida em 31\/12\/71, em Campinas, sem refer\u00eancia de quem a compilou, sendo revista, em 30\/01\/23, por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Fl\u00e1vio Vivacqua, Francisco Drumond de Marcondes de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano Neto.\",\"id\":\"1eb58087-28a4-458f-8736-c73587926f83\"},{\"content\":\"Este quadro, posteriormente, foi reformulado pelo Prof. An\u00edbal Silveira, quanto \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o de algumas das psicoses do grupo paranoide. 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