{"id":906,"date":"2024-02-10T20:28:46","date_gmt":"2024-02-10T23:28:46","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=906"},"modified":"2024-04-28T17:25:56","modified_gmt":"2024-04-28T20:25:56","slug":"estrutura-subjetiva-e-comportamento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/estrutura-subjetiva-e-comportamento\/","title":{"rendered":"Estrutura subjetiva e comportamento"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><br><strong>ESTRUTURA SUBJETIVA E COMPORTAMENTO<\/strong>\u00b9<\/h4>\n\n\n\n<p>Na aula de hoje vamos fazer a compara\u00e7\u00e3o entre a estrutura da personalidade, segundo Comte e o comportamento correspondente. Sem fazer a distin\u00e7\u00e3o entre a estrutura ps\u00edquica e comportamento n\u00e3o se pode compreender as discord\u00e2ncias, que h\u00e1, entre as v\u00e1rias escolas psicol\u00f3gicas. Diversos autores consideram a personalidade como sendo o comportamento ps\u00edquico expl\u00edcito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No comportamento h\u00e1 elementos biol\u00f3gicos, elementos ligados \u00e0 personalidade, elementos circunstanciais e culturais. Outros autores reconhecem que essa maneira de compreender a personalidade \u00e9 inadequada.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falamos em personalidade, temos que levar em conta o conjunto de fun\u00e7\u00f5es afetivas, conativas e intelectivas. No comportamento \u00e9 preciso distinguir dois aspectos: o subjetivo, que corresponde a tra\u00e7os da personalidade e aos elementos do funcionamento din\u00e2mico, e a estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta diferencia\u00e7\u00e3o, s\u00f3 \u00e9 articulada na teoria de Comte. Os autores que reduzem os elementos subjetivos a mensura\u00e7\u00f5es est\u00e3o apreendendo s\u00f3 um aspecto: o aspecto do comportamento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura da personalidade n\u00e3o varia conforme as circunst\u00e2ncias, grau de cultura, grupo ou \u00e9poca do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os comportamentalistas, em geral, t\u00eam por objeto de estudo o modo como se comporta o indiv\u00edduo nas diferentes circunst\u00e2ncias ou situa\u00e7\u00f5es. Mas sua abordagem \u00e9 parcial. N\u00e3o se pode confundir personalidade com comportamento. Quando se diz que personalidade \u00e9 o conjunto de maneiras de reagir do indiv\u00edduo, adaptando-se \u00e0 realidade e modificando-a, consideram um s\u00f3 aspecto. Na personalidade entram fatores gen\u00e9ticos, estruturais, fatores ambientais e fatores resultantes do aprendizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos ent\u00e3o: indiv\u00edduo, personalidade, constitui\u00e7\u00e3o, temperamento e comportamento objetivo como coisas distintas entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso distinguir a estrutura subjetiva que \u00e9 a personalidade e os fen\u00f4menos ps\u00edquicos de liga\u00e7\u00e3o como o exterior ou interior que n\u00e3o s\u00e3o a estrutura, mas sim, fen\u00f4menos objetivos ligados com o aspecto subjetivo da personalidade. Assim, no aspecto subjetivo, temos os v\u00e1rios setores da personalidade: afetividade, cona\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia. A cada setor correspondem diversas fun\u00e7\u00f5es. Assim, na Afetividade temos as fun\u00e7\u00f5es da sociabilidade e as fun\u00e7\u00f5es instintivas, na Cona\u00e7\u00e3o temos as fun\u00e7\u00f5es da atividade e a firmeza e na Intelig\u00eancia temos as fun\u00e7\u00f5es envolvidas com a observa\u00e7\u00e3o, com a elabora\u00e7\u00e3o e a express\u00e3o como fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas fun\u00e7\u00f5es correspondem a fen\u00f4menos ps\u00edquicos internos, mas ao mesmo tempo s\u00e3o elementos de liga\u00e7\u00e3o com o meio exterior e o mundo interior vegetativo. O contato intelectual com o mundo exterior se realiza atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o e outros aspectos.<\/p>\n\n\n\n<p>No dom\u00ednio da cona\u00e7\u00e3o temos modalidades das quais resulta a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, mas essas modalidades n\u00e3o constituem a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, s\u00e3o apenas os elementos de liga\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o mundo exterior. A vida visceral se vincula aos instintos principalmente o de nutri\u00e7\u00e3o e ao sexual, mas n\u00e3o se vincula diretamente ao de sociabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se chama car\u00e1ter externo \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o global: um indiv\u00edduo pusil\u00e2nime pode numa tens\u00e3o emocional, ter uma descarga vegetativa muito grande e desfalecer, com aus\u00eancia completa de est\u00edmulo cortical cerebral. Em outro caso o indiv\u00edduo age agredindo o mundo exterior, tornando expl\u00edcita sua maneira de ser e sentir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Num escalonamento dos v\u00e1rios setores da personalidade, uns s\u00e3o mais importantes, enquanto outros s\u00e3o de menor interesse (vistos em conjunto) para o indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>A afetividade estimula a cona\u00e7\u00e3o e atrav\u00e9s dela a intelig\u00eancia. A cona\u00e7\u00e3o, por sua vez, estimula s\u00f3 a intelig\u00eancia. N\u00e3o pode haver nenhuma elabora\u00e7\u00e3o intelectual a n\u00e3o ser por interm\u00e9dio da cona\u00e7\u00e3o. Por sua vez a afetividade estimula a intelig\u00eancia quando h\u00e1 interesse. A intelig\u00eancia atua sobre a afetividade gerando a emo\u00e7\u00e3o, em consequ\u00eancia disso temos tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia sobre a cona\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muito complexos estes elementos ligados \u00e0 personalidade, portanto.<\/p>\n\n\n\n<p>O fator biol\u00f3gico, no sentido de tend\u00eancia herdada, faz com que as v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es subjetivas tenham uma import\u00e2ncia vari\u00e1vel no comportamento do indiv\u00edduo. Essas tend\u00eancias gen\u00e9ticas determinam o arranjo das fun\u00e7\u00f5es subjetivas, mas n\u00e3o as pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es. As tend\u00eancias herdadas s\u00e3o caracter\u00edsticas da esp\u00e9cie, invari\u00e1veis de individuo para indiv\u00edduo. Cada esp\u00e9cie tem seu comportamento, sua composi\u00e7\u00e3o subjetiva definida pelo fator evolutivo, que \u00e9 tamb\u00e9m gen\u00e9tico em \u00faltima inst\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falamos de indiv\u00edduo temos que considerar as caracter\u00edsticas \u00e9tnicas, gerais, as gen\u00e9ticas, isto \u00e9: ligadas \u00e0 personalidade e as constitucionais. Isto s\u00f3 pode ser feito quando nos limitamos aos elementos mais est\u00e1veis, como uma coletividade. \u00c9 por isso que as defini\u00e7\u00f5es da personalidade s\u00e3o erradas, n\u00e3o consideram todos esses elementos citados, em conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>As fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas distinguem-se em internas ou subjetivas e de liga\u00e7\u00e3o. Tomando em conta a percep\u00e7\u00e3o, encontramos um aspecto intr\u00ednseco: a observa\u00e7\u00e3o, que necessita de trabalho sensorial para se ligar ao meio externo. Ex. o cego n\u00e3o recebe o est\u00edmulo visual, mas isto n\u00e3o quer dizer que tenha uma personalidade diferente do que tem a vis\u00e3o normal, o que falta \u00e9 o elemento de contato visual com o meio exterior, mas seu contato pode ser compensado por outras vias sensoriais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a capacidade de percep\u00e7\u00e3o varia tamb\u00e9m com o estado emocional do indiv\u00edduo, sendo por isso um fator meramente circunstancial que interfere no contato com o mundo exterior, mas nada tem a ver com a estrutura da personalidade. Os tra\u00e7os de personalidade constituem a capacidade do indiv\u00edduo. Em rela\u00e7\u00e3o ao setor intelectual, vemos que ele influi na realidade e a realidade influi nele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos distinguir entre: cona\u00e7\u00e3o, motilidade e muscula\u00e7\u00e3o. A cona\u00e7\u00e3o \u00e9 um setor subjetivo, que forma parte da estrutura da personalidade, a motilidade \u00e9 a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e a muscula\u00e7\u00e3o \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o muscular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto a considerar \u00e9 a modalidade de car\u00e1ter. O car\u00e1ter expressa, de modo geral, a disposi\u00e7\u00e3o subjetiva do indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m traduz a a\u00e7\u00e3o do metabolismo. Temos nesse caso dois aspectos: o vegetativo e o subjetivo ligado com a estrutura subjetiva mais b\u00e1sica do indiv\u00edduo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto s\u00e3o os tra\u00e7os de personalidade. Existem tra\u00e7os que est\u00e3o ligados \u00e0 capacidade mental, outros \u00e0 capacidade de a\u00e7\u00e3o e outros \u00e0s modalidades de car\u00e1ter. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade mental temos como resultado a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de a\u00e7\u00e3o temos a a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. Esta se pode alterar sem que se altere a capacidade de a\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s modalidades de car\u00e1ter temos, como resultado, as rela\u00e7\u00f5es interpessoais e as rela\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo aos est\u00edmulos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao conjunto das fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o, tra\u00e7os de personalidade e o resultado expl\u00edcito chamamos comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos elementos de car\u00e1ter temos o biotipo que est\u00e1 ligado ao funcionamento vegetativo que, por sua vez, faz parte do que chamamos constitui\u00e7\u00e3o. Os autores chamam constitui\u00e7\u00e3o ao conjunto das fun\u00e7\u00f5es internas, fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o e aos tra\u00e7os de personalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso modo de ver, constitui\u00e7\u00e3o, personalidade, comportamento e indiv\u00edduo s\u00e3o conceitos totalmente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O temperamento \u00e9 o aspecto din\u00e2mico que corresponde \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o sem confundir-se com ela. Na estrutura da personalidade do indiv\u00edduo, h\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores est\u00e1veis, invari\u00e1veis e outros que sofrem varia\u00e7\u00e3o. Assim, em uma manifesta\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea influem os fatores de estrutura, o \u201carranjo\u201d das v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es subjetivas, o est\u00edmulo do ambiente e a maneira como reage a esses est\u00edmulos. O indiv\u00edduo leptoss\u00f4mico reage aos v\u00e1rios est\u00edmulos de modo diferente ao do p\u00edcnico e do atl\u00e9tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isto varia tamb\u00e9m com o momento da rea\u00e7\u00e3o, pois a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de alterar a capacidade de a\u00e7\u00e3o, portanto, a capacidade de a\u00e7\u00e3o \u00e9 influenciada por fatores emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando-se o indiv\u00edduo, de modo a corrigir as disposi\u00e7\u00f5es emocionais, somos capazes de modificar o modo de a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o porque se modificou a personalidade, mas porque se suprimiram os fatores emocionais que estavam bloqueando a capacidade de a\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo realmente tinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas setores da personalidade afetivo, conativo e intelectual, se disp\u00f5em de tal maneira que a afetividade \u00e9 fundamental para que o intelectual e o conativo se processem, e a cona\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel ao trabalho intelectual. Eles atuam em conjunto, mas a afetividade \u00e9 o n\u00facleo da personalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A crian\u00e7a, a princ\u00edpio, atua mais com a afetividade, depois mais com a cona\u00e7\u00e3o e, finalmente, no contato com o meio exterior, utiliza mais a esfera intelectual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Personalidade, setores, fun\u00e7\u00f5es, temperamento, constitui\u00e7\u00e3o e comportamento (Esquema 1)<\/h4>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"983\" height=\"749\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-911\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10.png 983w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-300x229.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-768x585.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-16x12.png 16w\" sizes=\"auto, (max-width: 983px) 100vw, 983px\" \/><figcaption>(Revis\u00e3o em 29\/3\/1968, posteriormente \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o da esquematiza\u00e7\u00e3o em 17\/03\/1968, publicado no livro de Lucia Coelho \u2013 Epilepsia e Personalidade \u2013 S\u00e3o Paulo, Editora \u00c1tica, 1980)<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Crit\u00e9rios para a classifica\u00e7\u00e3o biotipol\u00f3gica (Esquema 2)<\/h4>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"316\" src=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-3-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-918\" srcset=\"https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-3-1.png 984w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-3-1-300x96.png 300w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-3-1-768x247.png 768w, https:\/\/anibalsilveira.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-10-3-1-18x6.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><sub><sup>\u00b9Texto organizado por Roberto Fasano, em 2003, que tamb\u00e9m traduziu o texto ao portugu\u00eas, a partir de aula proferida por An\u00edbal Silveira, em 10 de mar\u00e7o de 1969 sem refer\u00eancia a local da aula, compilada por Dora Martinic de Morales. Revisto em 24\/01\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ESTRUTURA SUBJETIVA E COMPORTAMENTO\u00b9 Na aula de hoje vamos fazer a compara\u00e7\u00e3o entre a estrutura da personalidade, segundo Comte e o comportamento correspondente. Sem fazer a distin\u00e7\u00e3o entre a estrutura ps\u00edquica e comportamento n\u00e3o se pode compreender as discord\u00e2ncias, que h\u00e1, entre as v\u00e1rias escolas psicol\u00f3gicas. 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