{"id":934,"date":"2024-02-19T09:29:05","date_gmt":"2024-02-19T12:29:05","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=934"},"modified":"2024-04-28T17:27:19","modified_gmt":"2024-04-28T20:27:19","slug":"afetividade-e-emocao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/afetividade-e-emocao\/","title":{"rendered":"AFETIVIDADE E EMO\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">AFETIVIDADE E EMO\u00c7\u00c3O\u00b9<\/h4>\n\n\n\n<p>A afetividade \u00e9 a parte b\u00e1sica fundamental da personalidade. Na teoria de Comte, a afetividade, a atividade e a intelig\u00eancia s\u00e3o setores da personalidade e s\u00e3o inatos. N\u00e3o h\u00e1, portanto, a interveni\u00eancia do tempo na forma\u00e7\u00e3o da estrutura da personalidade. Isto \u00e9 o que diferencia fundamentalmente a teoria da personalidade de Comte em rela\u00e7\u00e3o a outras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, em qualquer processo mental, no contato com o mundo exterior ocorre a participa\u00e7\u00e3o das tr\u00eas esferas. Os tr\u00eas setores coexistem, est\u00e3o em atividade desde o in\u00edcio da vida ps\u00edquica, mas o que amadurece mais precocemente \u00e9 a afetividade e mais tardiamente, a intelig\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existe, entretanto, uma hierarquia entre os tr\u00eas setores, de tal forma que a afetividade estimula a atividade e esta por sua vez \u00e9 indispens\u00e1vel para a fun\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia. A afetividade estimula tamb\u00e9m diretamente a intelig\u00eancia. A intelig\u00eancia, por sua vez, age sobre a atividade e sobre a afetividade. O que n\u00e3o existe \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o retroativa da atividade sobre a afetividade, sendo que esta a\u00e7\u00e3o se passa atrav\u00e9s da intelig\u00eancia. Essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental pois s\u00f3 assim podemos compreender que haja a possibilidade de o indiv\u00edduo ter experi\u00eancia (no caso de animais, a possibilidade de serem adestrados): porque ao mesmo tempo que ele recebe um est\u00edmulo do mundo exterior, portanto um contato intelectual, \u00e9 a afetividade que determina o interesse pelo que se passa. Se n\u00e3o houvesse essa coexist\u00eancia entre dois elementos, n\u00e3o poderia haver aprendizado real. Por exemplo, na teoria de Freud existe a coexist\u00eancia de elementos afetivos de tipo instintivo desde o in\u00edcio, mas s\u00f3 quando se forma o Ego \u00e9 que entra em fun\u00e7\u00e3o a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, de no\u00e7\u00e3o do mundo exterior, e de a\u00e7\u00e3o sobre ele. Ora, isto n\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que um indiv\u00edduo aja sobre o mundo exterior, que contactue com ele sem que haja o interesse e um fator afetivo que o estimule.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o pode haver associa\u00e7\u00e3o da qual resulta o aprendizado, ou no caso do animal, o adestramento ou condicionamento, sen\u00e3o houver uma conex\u00e3o entre a rea\u00e7\u00e3o afetiva instintiva ou afetiva consciente e o fen\u00f4meno intelectual. O condicionamento como todos sabem, consiste em associar o est\u00edmulo recebido, portanto condicionado, com o est\u00edmulo n\u00e3o condicionado, que \u00e9 inato. Essa correla\u00e7\u00e3o entre o fen\u00f4meno intelectual e o afetivo, em s\u00edntese, \u00e9 o que d\u00e1 origem \u00e0 emo\u00e7\u00e3o; portanto a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo e n\u00e3o uma fun\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa no\u00e7\u00e3o pode ser real ou uma idealiza\u00e7\u00e3o, e reage com uma conota\u00e7\u00e3o afetiva, pela simboliza\u00e7\u00e3o. Este dinamismo geral constitui o fundamento de toda a psicologia e nos d\u00e1 a possibilidade de apreciarmos os dinamismos patol\u00f3gicos. Quando Comte construiu a sua teoria, tomou como base os conhecimentos de todos os que o antecederam, especialmente Gall, e relacionou os aspectos subjetivos da personalidade com o sistema nervoso central, o enc\u00e9falo principalmente. Definiu os v\u00e1rios setores como um conjunto de fun\u00e7\u00f5es independentes, harm\u00f4nicas entre si e dessa harmonia resulta uma unidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na afetividade existe um n\u00edvel b\u00e1sico de manifesta\u00e7\u00e3o que chamamos individualidade e um outro n\u00edvel, a sociabilidade. Na atividade temos tamb\u00e9m dois n\u00edveis: firmeza ou perseveran\u00e7a e a atividade propriamente dita. Na intelig\u00eancia temos tr\u00eas n\u00edveis: observa\u00e7\u00e3o ou contempla\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o e express\u00e3o ou comunica\u00e7\u00e3o. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um aspecto fundamental da express\u00e3o, mas que na realidade \u00e9 um trabalho de constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. N\u00e3o se pode chegar a formular um pensamento exato sem a contribui\u00e7\u00e3o desta fun\u00e7\u00e3o da express\u00e3o, que corresponde \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de sinais, portanto, uma simboliza\u00e7\u00e3o da realidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando tratamos da observa\u00e7\u00e3o, temos um trabalho construtivo, porque nesta tamb\u00e9m temos a reconstitui\u00e7\u00e3o da realidade. Da observa\u00e7\u00e3o para a express\u00e3o passamos para n\u00edveis cada vez mais abstratos, mais desligados da afetividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso distinguir a afetividade de afetos. Afetividade \u00e9 um conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas; afeto \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o ou objetiva\u00e7\u00e3o da afetividade. A afetividade diz respeito a fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que correspondem de prefer\u00eancia \u00e0 liga\u00e7\u00e3o com o mundo exterior, com a sobreviv\u00eancia do indiv\u00edduo e de sua integra\u00e7\u00e3o no ambiente f\u00edsico e social. Da\u00ed vem a sociabilidade como um dos n\u00edveis da afetividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A individualidade corresponde a sete fun\u00e7\u00f5es, a sociabilidade, tr\u00eas. As tr\u00eas esferas compreendem ao todo dezoito fun\u00e7\u00f5es que funcionam em harmonia. Aparentemente \u00e9 uma unidade, mas na realidade podemos demarcar as fun\u00e7\u00f5es, em uma situa\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as fun\u00e7\u00f5es da individualidade s\u00e3o indispens\u00e1veis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. O instinto nutritivo \u00e9 peculiar a toda a escala zool\u00f3gica. No que se refere \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, temos dois instintos: sexual e materno ou de posse, indispens\u00e1vel para a manuten\u00e7\u00e3o da prole. N\u00e3o se deve confundir instinto materno com amor materno. Outro grupo b\u00e1sico na afetividade \u00e9 o que Comte chamou de aperfei\u00e7oamento, compreende a destrui\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o. O grupo que corresponde \u00e0 passagem da individualidade para a sociabilidade \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o, que compreende o orgulho (necessidade de dom\u00ednio) e a vaidade (necessidade de aprova\u00e7\u00e3o).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas psicopatias encontramos indiv\u00edduos com necessidade extrema de aprova\u00e7\u00e3o. Nenhuma dessas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o conscientes e isto \u00e9 um aspecto fundamental na teoria de Comte. Existem tr\u00eas n\u00edveis da sociabilidade: apego, venera\u00e7\u00e3o e bondade. Tanto no apego quanto na venera\u00e7\u00e3o existe um aspecto ligado com a satisfa\u00e7\u00e3o pessoal do indiv\u00edduo, sendo mais b\u00e1sicos que a bondade. A bondade tem apenas o sentido eferente, parte do indiv\u00edduo para os demais. O que estabelece de prefer\u00eancia o contato afetivo com o mundo exterior \u00e9 a bondade. Portanto, a bondade e a nutri\u00e7\u00e3o s\u00e3o os dois polos de interesse para o mundo exterior. Segundo Comte, a bondade est\u00e1 situada na regi\u00e3o frontal alta e o instinto sexual e nutritivo no cerebelo. Os demais instintos ele n\u00e3o localizou precisamente.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;<strong><sub><sup>\u00b9Aula de An\u00edbal Silveira, proferida em 6 de maio de 1969, sem refer\u00eancia a local da aula (provavelmente em Campinas) nem de quem a compilou. Revisto em 11\/04\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AFETIVIDADE E EMO\u00c7\u00c3O\u00b9 A afetividade \u00e9 a parte b\u00e1sica fundamental da personalidade. Na teoria de Comte, a afetividade, a atividade e a intelig\u00eancia s\u00e3o setores da personalidade e s\u00e3o inatos. N\u00e3o h\u00e1, portanto, a interveni\u00eancia do tempo na forma\u00e7\u00e3o da estrutura da personalidade. 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