{"id":948,"date":"2024-02-19T10:21:44","date_gmt":"2024-02-19T13:21:44","guid":{"rendered":"https:\/\/anibalsilveira.org\/?page_id=948"},"modified":"2024-04-28T17:28:29","modified_gmt":"2024-04-28T20:28:29","slug":"atividade-funcoes-conativas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/atividade-funcoes-conativas\/","title":{"rendered":"ATIVIDADE \u2013 FUN\u00c7\u00d5ES CONATIVAS"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>ATIVIDADE \u2013 FUN\u00c7\u00d5ES CONATIVAS<\/strong>\u00b9<\/h4>\n\n\n\n<p>Um dos setores que mais pol\u00eamica tem despertado nos diferentes autores \u00e9 o que se refere ao da cona\u00e7\u00e3o. Em geral, quando se fala em cona\u00e7\u00e3o, se usa a terminologia de MacDougall, o qual tratou de exprimir com esse termo a atividade que o indiv\u00edduo exerce no mundo exterior, vista pelo lado subjetivo e n\u00e3o pelo resultado objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cona\u00e7\u00e3o (do latim, connatus) quer dizer aquilo que \u00e9 efetuado ou realizado a partir de uma finalidade do indiv\u00edduo e que produz uma a\u00e7\u00e3o. Algo realizado com inten\u00e7\u00e3o, chamando, portanto, cona\u00e7\u00e3o a esse aspecto da personalidade que o origina e correspondendo \u00e0 parte subjetiva do indiv\u00edduo que o leva a realiz\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o de McDougall, tudo decorre de uma inten\u00e7\u00e3o, discordando assim de outros autores que seguem a escola de Watson, o qual s\u00f3 levava em conta o comportamento, como se o indiv\u00edduo fosse um aut\u00f4mato. Depois, Skinner apresentou uma interpreta\u00e7\u00e3o que \u00e9 intermedi\u00e1ria entre a anterior, um meio termo entre os dois aspectos. Diz: \u201c\u00e9 preciso que o indiv\u00edduo realize uma coisa para que o ato se processe, mas s\u00f3 podemos estudar o indiv\u00edduo pelos atos e n\u00e3o pela inten\u00e7\u00e3o, que \u00e9 subjetiva e dif\u00edcil de compreender\u201d. Uma maneira consiste em harmonizar a teoria comportamental com esta que \u00e9 a da intencionalidade de McDougall, chamada por esse motivo de H\u00f3rmica (que leva o indiv\u00edduo a fazer uma coisa).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sistem\u00e1tica de McDougall, todos os elementos que comp\u00f5em a a\u00e7\u00e3o, decorrem da intencionalidade de fazer uma coisa. Os instintos s\u00e3o os que levam a essa inten\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o e a cona\u00e7\u00e3o \u00e9 que permite transformar a inten\u00e7\u00e3o em atos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental frisar que cona\u00e7\u00e3o subentende o aspecto subjetivo da personalidade: a a\u00e7\u00e3o e o trabalho intelectual constituem, portanto, o resultado do funcionamento do conjunto de fun\u00e7\u00f5es subjetivas conativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, a intelig\u00eancia e a afetividade (aspectos subjetivos), em diferentes inst\u00e2ncias, decorrem todas elas de fun\u00e7\u00f5es subjetivas que se distinguem do comportamento exterior e cujos entrosamentos s\u00e3o indispens\u00e1veis para que se realize o trabalho mental ou ent\u00e3o a a\u00e7\u00e3o. A afetividade se traduz somente indiretamente nas diversas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, temos que entre a afetividade e a atividade existem correla\u00e7\u00f5es muito \u00edntimas, traduzindo-se a segunda, s\u00f3 quando h\u00e1 um impulso da primeira (todo ato, portanto, segundo MacDougall, traduz inten\u00e7\u00e3o).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MacDougall n\u00e3o distinguiu essa por\u00e7\u00e3o subjetiva da atividade da outra que \u00e9 a afetividade, o que permitiria diferenciar claramente instinto e cona\u00e7\u00e3o. Segundo MacDougall, a cona\u00e7\u00e3o \u00e9 igual a energia liberada, investida na pr\u00f3pria tend\u00eancia para atuar. Por outro lado, segundo Comte, afetividade \u00e9 um conjunto de fun\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade e essa por sua vez \u00e9 constitu\u00edda por um conjunto de fun\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Comte h\u00e1 tr\u00eas aspectos que correspondem \u00e0 atividade, fun\u00e7\u00f5es bem precisas \u00e0s quais chamou: uma b\u00e1sica que \u00e9 a firmeza, ou perseveran\u00e7a, cujo tra\u00e7o mais caracter\u00edstico \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o ou do trabalho mental e duas outras que correspondem \u00e0 atividade propriamente. Temos o est\u00edmulo que desencadeia a a\u00e7\u00e3o ou que permite o trabalho mental que \u00e9 a coragem e o que a inibe ou ret\u00e9m que \u00e9 a prud\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es, firmeza, coragem e prud\u00eancia, constituem a atividade que tamb\u00e9m Comte denominava de car\u00e1ter. Assim, car\u00e1ter \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o que envolve a esfera afetiva e conativa da personalidade. Portanto, tra\u00e7os de car\u00e1ter correspondem a tra\u00e7os de manifesta\u00e7\u00f5es conativas e afetivas. Caracterizam no indiv\u00edduo os atos que realiza e que traduzem sua maneira de reagir seja ego\u00edstica ou altruisticamente e como isso condiciona a forma de agir. Essa correla\u00e7\u00e3o \u00edntima traduz a parte b\u00e1sica do comportamento, que para MacDougall \u00e9 interpretado como cona\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas a\u00e7\u00f5es temos que considerar o aspecto subjetivo da personalidade intr\u00ednseca que corresponde \u00e0s fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, ou seja, a estrutura da personalidade. Do ponto de vista de Comte entendemos a estrutura da personalidade (afetividade, atividade e intelig\u00eancia) constitu\u00edda por uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es individuais, configurando sistemas ps\u00edquicos que atuam em conjunto, formando um todo harm\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos distinguir duas modalidades de fun\u00e7\u00f5es, as subjetivas e as de liga\u00e7\u00e3o, objetivas. As fun\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas, subjetivas (os v\u00e1rios instintos, sentimentos, coragem etc.) e as fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o objetivas que medeiam entre o aspecto subjetivo das fun\u00e7\u00f5es e a exterioriza\u00e7\u00e3o delas (exemplo: a motilidade, a sensibilidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas fun\u00e7\u00f5es se caracterizam como tra\u00e7os que por sua vez caracterizam o tipo de personalidade (Eysenck definiu personalidade como uma s\u00e9rie de tra\u00e7os). N\u00e3o se deve confundir tra\u00e7os com fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o. Exemplo de tra\u00e7o: volubilidade etc. O conjunto de tra\u00e7os nos d\u00e1 como resultado um comportamento, logo comportamento n\u00e3o deve ser confundido com tra\u00e7os. H\u00e1 que se diferenciar tamb\u00e9m o comportamento subjetivo do comportamento expl\u00edcito, sendo que este \u00faltimo reflete os tra\u00e7os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento expl\u00edcito traduz de alguma maneira as rela\u00e7\u00f5es entre o indiv\u00edduo e o mundo exterior; o comportamento subjetivo, n\u00e3o expl\u00edcito diretamente, pode se traduzir, conforme o caso, pela maneira de reagir intelectualmente. Por exemplo: um indiv\u00edduo perseverante reage conforme este tra\u00e7o de um modo irregular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que os autores chamam de car\u00e1ter, s\u00e3o aspectos que envolvem as esferas, as fun\u00e7\u00f5es subjetivas entre si, a maneira como se traduzem ao exterior e, por conseguinte, os tra\u00e7os da personalidade e o car\u00e1ter.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, na a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita (ato exteriorizado) h\u00e1 uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es que se revelam como um comportamento exteriorizado, portanto identificado por todos. Sempre temos que considerar dois aspectos, um extr\u00ednseco que \u00e9 a execu\u00e7\u00e3o e o outro intr\u00ednseco que \u00e9 o aspecto da disposi\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o decorre das fun\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o, temos ent\u00e3o que: o indiv\u00edduo recebe um est\u00edmulo, o elabora e reage em fun\u00e7\u00e3o da sua estrutura de personalidade. Temos ent\u00e3o dois aspectos que resumem nossa atitude que s\u00e3o: a locomo\u00e7\u00e3o e a apreens\u00e3o da realidade (a coordena\u00e7\u00e3o dos atos ser\u00e1 tanto melhor quanto melhor for a capacidade de apreens\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Na disposi\u00e7\u00e3o subjetiva temos dois aspectos a considerar: os m\u00f3veis ou motiva\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es (o sentido de fatores afetivos que levam \u00e0 a\u00e7\u00e3o) e a atividade, na acep\u00e7\u00e3o de Comte (com tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es, perseveran\u00e7a, coragem e prud\u00eancia) que permitem a manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o, o est\u00edmulo para realiz\u00e1-los e o refreamento (sele\u00e7\u00e3o) para os elementos que n\u00e3o sejam de interesse para formar um ju\u00edzo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No car\u00e1ter devemos, pois, considerar esses tr\u00eas aspectos, sendo a firmeza fundamental e que sem ela n\u00e3o se exterioriza nem a a\u00e7\u00e3o e nem o trabalho mental. A atividade, segundo Comte, representa esses dois n\u00edveis, o da coragem que corresponde ao empreendimento e est\u00edmulo e o da prud\u00eancia que corresponde ao refreamento ou inibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses n\u00edveis podem ser relacionados com distintas partes do sistema nervoso central e podem ser acompanhados de dinamismos neurofisiol\u00f3gicos, tal como foram demonstrados atrav\u00e9s de diversos experimentos em ratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos atos devemos considerar v\u00e1rios aspectos, um deles est\u00e1 relacionado com a parte de execu\u00e7\u00e3o, subordinada no plano subjetivo, \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da atividade. Se tivermos uma configura\u00e7\u00e3o individual, de tal forma que predomine outro n\u00edvel da personalidade, o comportamento pode se tornar antissocial porque predomina esse aspecto de incapacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s normas peculiares ao grupo a que pertence: esse comportamento expl\u00edcito, portanto, decorre mais dos aspectos afetivos do que da atividade. Se temos um indiv\u00edduo que tenha a mesma capacidade subjetiva, e influirmos sobre esse aspecto da atividade, podemos bloquear e tornar imposs\u00edvel essa exterioriza\u00e7\u00e3o das inten\u00e7\u00f5es. Por exemplo, no caso patol\u00f3gico, com bloqueio da atividade (pacientes acin\u00e9ticos), o sujeito traduz no comportamento a inten\u00e7\u00e3o de reagir, estando motivado, t\u00eam o interesse de reagir, mas n\u00e3o executa esta capacidade que tem de reagir devido ao seu estado patol\u00f3gico que inibe a partir dessa zona da personalidade e n\u00e3o da zona subjetiva mais profunda (afetividade). O mesmo ocorre experimentalmente em ratos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m se fizeram experimentos em indiv\u00edduo, estimulando uma zona motora (por exemplo, do bra\u00e7o), obtendo-se resposta sem que interviesse a vontade, atrav\u00e9s de mecanismo neurofisiol\u00f3gico. O que demonstra que \u00e9 uma resposta de um processo fisiol\u00f3gico de inibi\u00e7\u00e3o ou estimula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o corresponde a um motivo real, esse mesmo resultado podemos obter atrav\u00e9s da hipnose, no qual um indiv\u00edduo pode realizar um ato sugerido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 experimento que demonstrou que a estimula\u00e7\u00e3o da zona inibit\u00f3ria num macaco revelou uma ativa\u00e7\u00e3o no n\u00facleo caudado e no t\u00e1lamo estriado a inibi\u00e7\u00e3o. Se cortarmos uma liga\u00e7\u00e3o entre a 4 e 4s, n\u00e3o produz nenhum efeito, se realizarmos um corte paralelo \u00e0 corticalidade, que impede a chegada dos est\u00edmulos tal\u00e2micos \u00e0 corticalidade, ent\u00e3o, desaparece o est\u00edmulo, o que demonstra que o est\u00edmulo n\u00e3o \u00e9 c\u00f3rtico-cortical direto, mas c\u00f3rtico-subc\u00f3rtico-cortical.<\/p>\n\n\n\n<p>Experimentos realizados, em chimpanz\u00e9, demonstram como o est\u00edmulo parte do cerebelo, chega \u00e0 zona hipotal\u00e2mica e da\u00ed se difunde para a zona orbit\u00e1ria, apanha o c\u00edngulo e passa para a corticalidade (toda esta zona se projeta na zona paracentral).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m fizeram experimentos no gato, estimulando a zona s\u00edlvica auditiva, com estricnina, obtendo igual resultado, registrado em EEG. Tudo isto demonstrou que pelo menos as vias neurofisiol\u00f3gicas s\u00e3o as mesmas que traduzem a rea\u00e7\u00e3o ps\u00edquica. Quando se fala em n\u00facleos tal\u00e2micos que regem a nutri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o aut\u00f4nomos, mas constituem um grupo ligado a via paleocerebelar que vai \u00e0 zona paleocortical, portanto, \u00e0 zona orbit\u00e1ria do c\u00e9rebro e da\u00ed se difundem \u00e0 corticalidade. Isto o verificamos por exemplo num estado de coma ou perda de consci\u00eancia. Essas zonas correspondem a n\u00facleos com fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas diversas.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/PZlA9j5eTO9euZZc4QFZjcuwzE7ImxZpQaPkgaJ7-wdb-unyOnQkTKfiK9Cw3KNzvWC20y1Y0R9k9ubHOXb-L1RxwQBqopq_wi8_XB99KfWQ6UJNatruDS7m9OaleEO-0FlUN9i90mFI\" alt=\"TextoDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>ADENDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FUN\u00c7\u00d5ES DA ATIVIDADE; CAR\u00c1TER; DIST\u00daRBIOS CONATIVOS<\/strong>\u00b2<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Concep\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es conativas \u2013 Decorre das fun\u00e7\u00f5es que presidem o comportamento expl\u00edcito e ao mesmo tempo estabilizam a aten\u00e7\u00e3o permitindo o trabalho mental; conjunto de fun\u00e7\u00f5es que abrange os dinamismos subjetivos que antecedem e possibilitam a transposi\u00e7\u00e3o de nossas disposi\u00e7\u00f5es afetivas e das elabora\u00e7\u00f5es intelectuais para o ambiente externo; assim, o setor conativo \u00e9 intermedi\u00e1rio entre a afetividade que estimula a a\u00e7\u00e3o (motiva\u00e7\u00e3o) e o trabalho intelectual que a orienta.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><em>Andras Angyal<\/em> \u2013 \u201cO processo conativo n\u00e3o corresponde \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o de estados psicofisiologicamente neutros (inconscientes) a processos psicol\u00f3gicos elaborados (conscientes), mas tais processos tamb\u00e9m se caracterizam pela tend\u00eancia em exteriorizar estes impulsos subjetivos em atividades corporais. Corresponde ao aspecto subjetivo da a\u00e7\u00e3o motora e intelectual, e n\u00e3o ao comportamento expl\u00edcito\u201d; n\u00e3o s\u00e3o os atos nem os gestos que representam a cona\u00e7\u00e3o, mas a fun\u00e7\u00e3o subjetiva que permite a transposi\u00e7\u00e3o no mundo externo de nossas tend\u00eancias, e, ao mesmo tempo, que nos permite captar os dados ambientais, auxiliando a fun\u00e7\u00e3o intelectual da observa\u00e7\u00e3o (aten\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u201cCona\u00e7\u00e3o\u201d utilizado por McDougall vem de \u201cconatus\u201d, isto \u00e9, \u201cexecuto\u201d; fator subjetivo que leva a atingir algum prop\u00f3sito; McDougall distingue a exterioriza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o no meio externo dos motivos que o levam a agir (energia liberada), por\u00e9m n\u00e3o considera a participa\u00e7\u00e3o da cona\u00e7\u00e3o no trabalho mental, como o faz Comte.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\"><li>Dire\u00e7\u00f5es das fun\u00e7\u00f5es conativas \u2013 media\u00e7\u00e3o da atividade no dinamismo ps\u00edquico \u00e9 feita segundo as seguintes dire\u00e7\u00f5es:<\/li><\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Transforma\u00e7\u00e3o dos impulsos afetivos em atos.<\/li><li>Efetua\u00e7\u00e3o do trabalho intelectual.<\/li><li>Deriva\u00e7\u00e3o da atividade expl\u00edcita para o plano intelectual: seja na vig\u00edlia (fantasia, contempla\u00e7\u00e3o), seja no sono (sonhos).<\/li><li>Fun\u00e7\u00f5es conativas \u2013 toda atividade deve ser dotada de coragem para realizar-se, de prud\u00eancia para executar e de firmeza para manter-se; todos nossos movimentos podem ser considerados em termos de excita\u00e7\u00e3o, de reten\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o; a fun\u00e7\u00e3o conativa \u00e9 cega, tanto serve \u00e0s finalidades mais elevadas, quanto aos impulsos mais grosseiros da individualidade.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Coragem \u2013 estimula toda a\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e todo trabalho mental; mais ligada ao sistema vegetativo e depende de fatores extr\u00ednsecos, tais como a fase de amadurecimento cerebral e de desenvolvimento interpessoal e das condi\u00e7\u00f5es do ambiente.<\/li><li>Perseveran\u00e7a \u2013 fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre as duas fun\u00e7\u00f5es propriamente ativas; sua a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que as demais e atua sobre todos os \u00f3rg\u00e3os cerebrais. Para que uma a\u00e7\u00e3o seja suficiente, n\u00e3o basta que um movimento seja produzido, mas \u00e9 preciso que ele seja mantido. Ela estimula n\u00e3o apenas as fun\u00e7\u00f5es conativas, mas tamb\u00e9m ela mant\u00e9m os m\u00f3veis afetivos.<\/li><li>Prud\u00eancia \u2013 modera, refreia e mesmo inibe a a\u00e7\u00e3o; est\u00e1 mais ligada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o indutiva ao meio externo.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Todas as fun\u00e7\u00f5es conativas acham-se associadas \u00e0 uma contra\u00e7\u00e3o muscular; quando ela estimula, quando ela ret\u00e9m ou quando ela mant\u00e9m. Gra\u00e7as a esta contra\u00e7\u00e3o, o homem produz ou controla seus movimentos (Laffitte); existe liga\u00e7\u00e3o entre a sensibilidade da muscula\u00e7\u00e3o e o processo da mem\u00f3ria e participa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es conativas neste processo.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"4\"><li>Harmonia conativa \u2013 para que haja continuidade de a\u00e7\u00e3o, e a atividade n\u00e3o se transforme em agita\u00e7\u00e3o incoerente, \u00e9 indispens\u00e1vel que as duas fun\u00e7\u00f5es \u2013 coragem e prud\u00eancia, estimuladora e inibidora, se desenvolvam sob o ascendente da perseveran\u00e7a; e, como toda a\u00e7\u00e3o implica em uma motiva\u00e7\u00e3o, estas fun\u00e7\u00f5es seriam desordenadas se um sentimento preponderante (geralmente fundamentado no instinto de conserva\u00e7\u00e3o) n\u00e3o interviesse para estimular a atividade; al\u00e9m disso, interv\u00e9m o ato da \u201cvontade\u201d \u2013 que representa para Comte o \u00faltimo est\u00e1gio do desejo, isto \u00e9, ap\u00f3s a reflex\u00e3o mental que informa sobre a conveni\u00eancia ou n\u00e3o da exterioriza\u00e7\u00e3o de um desejo.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Car\u00e1ter \u2013 o concurso das tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es \u00e9 indispens\u00e1vel a todo comportamento; por\u00e9m, durante o processo de desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es interpessoais (social) e de amadurecimento mental (biol\u00f3gico e constitucional) uma destas fun\u00e7\u00f5es torna-se preponderante sobre as outras, definindo o car\u00e1ter de cada indiv\u00edduo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo: o car\u00e1ter expansivo, empreendedor, com disposi\u00e7\u00e3o para agir, e \u00e0s vezes precipitado e impulsivo em suas rea\u00e7\u00f5es. Geralmente s\u00e3o indiv\u00edduos alegres e soci\u00e1veis (rea\u00e7\u00f5es afetivas) poder\u00e3o desenvolver um car\u00e1ter expansivo, fazendo predominar a coragem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo: o car\u00e1ter retra\u00eddo, evitam intervir nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, por excesso de venera\u00e7\u00e3o e podem tornar-se t\u00edmidos, ap\u00e1ticos ou mesmo tristes; como no exemplo anterior, pode ocorrer a dire\u00e7\u00e3o inversa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A perseveran\u00e7a pode associar-se tanto \u00e0 coragem, resultando nos tra\u00e7os de personalidade: teimosia, tenacidade, agressividade, paix\u00e3o, como pode associar-se \u00e0 prud\u00eancia: astenia, indecis\u00e3o, fuga de responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"5\"><li>Sistemas ps\u00edquicos: correla\u00e7\u00e3o entre Afetividade-Cona\u00e7\u00e3o<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Abaixo reproduzimos esquemas representativos de sistemas ps\u00edquicos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/v_xtZRZ8BpcRHD2F5rOoJYBcrIoDq8DEHYaqyqlhhxmHsF7xiZZHG419RfmPU5Ou0rBMgk1ynoIO1Fkfi2dIfRnkl2mG2JZrWn7GDKjAryn3IWNugYC4W2B2IsznByj5lcwQ9Vd6mftE\" alt=\"DiagramaDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Nota: a prud\u00eancia poder\u00e1 tamb\u00e9m prevalecer em casos de indiv\u00edduos onde esta fun\u00e7\u00e3o conativa predomina, em situa\u00e7\u00f5es que envolvam o instinto de conserva\u00e7\u00e3o (cautela, paralisa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"6\"><li>Sistemas ps\u00edquicos: correla\u00e7\u00e3o cona\u00e7\u00e3o-intelig\u00eancia<\/li><\/ol>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/kGf_uAozfVd2DgEbAwqcVh0lidoWF87lQ1Ulg56qPvoXrbmFepUIeOZPKnb01OymZXxTgcHhwmG-y1ClJ07F5fS6LwRjUJ1zyzzP97VkChz-Nd_ZH2ycO_X5Pm1-7RI7dkPJb_LAMDZ7\" alt=\"DiagramaDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Exemplos de dificuldades intelectuais decorrentes de problema conativo: instabilidade da aten\u00e7\u00e3o ou dificuldades de coordena\u00e7\u00e3o motora ou, falta de interesse (afetividade) suficiente para mobilizar as fun\u00e7\u00f5es conativas.<\/li><li>N\u00edvel da elabora\u00e7\u00e3o: prud\u00eancia inibe os fatos inadequados ao racioc\u00ednio; coragem desenvolve o trabalho dedutivo; perseveran\u00e7a permite a continuidade do racioc\u00ednio.<\/li><li>N\u00edvel de observa\u00e7\u00e3o: concentra\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o \u2013 liga\u00e7\u00e3o direta com a motilidade; rea\u00e7\u00e3o subjetiva: sele\u00e7\u00e3o e contra\u00e7\u00e3o da imagem (aten\u00e7\u00e3o dirigida e mantida em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00f3veis afetivos).<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Cona\u00e7\u00e3o \u2013 estimulando o trabalho intelectual que permite a forma\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o sobre a realidade exterior; a\u00e7\u00e3o inversa: cona\u00e7\u00e3o sendo esclarecida pela intelig\u00eancia, resultando na harmonia conativa; quanto mais complexa for a a\u00e7\u00e3o pretendida, ou a a\u00e7\u00e3o considerada, maior ser\u00e1 a interven\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia na cona\u00e7\u00e3o; exemplo: processo da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"7\"><li>Exemplos de rea\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel, em indiv\u00edduos normais, dada a interven\u00e7\u00e3o predominante de uma fun\u00e7\u00e3o conativa.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Ex. 1 \u2013 indiv\u00edduo estoico em sua vida cotidiana. Coragem e perseveran\u00e7a (car\u00e1ter) diante de um perigo imediato e imprevis\u00edvel. Prud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ex. 2 \u2013 Indiv\u00edduo t\u00edmido, hipersens\u00edvel \u00e0 dor. Prud\u00eancia e Perseveran\u00e7a (car\u00e1ter) diante de uma amea\u00e7a eminente. Coragem<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b9Aula de An\u00edbal Silveira proferida em 22 de maio de 1969, compilada pela Dr.\u00aa Dora Martinic Morales e traduzida do espanhol por Roberto Fasano, sem refer\u00eancia a local da aula (provavelmente Campinas). Revisto em 12\/04\/22 por integrantes da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o do CEPAS: Flavio Vivacqua, Francisco Drumond de Moura, Paulo Palladini e Roberto Fasano.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong><sub><sup>\u00b2Texto de L\u00facia Coelho, baseado em An\u00edbal Silveira, utilizado no Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Psicodiagn\u00f3stico de Rorschach, da Sociedade Rorschach S\u00e3o Paulo- SRSP.<\/sup><\/sub><\/strong><\/h6>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ATIVIDADE \u2013 FUN\u00c7\u00d5ES CONATIVAS\u00b9 Um dos setores que mais pol\u00eamica tem despertado nos diferentes autores \u00e9 o que se refere ao da cona\u00e7\u00e3o. Em geral, quando se fala em cona\u00e7\u00e3o, se usa a terminologia de MacDougall, o qual tratou de exprimir com esse termo a atividade que o indiv\u00edduo exerce no mundo exterior, vista pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-948","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=948"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/948\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2044,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/948\/revisions\/2044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anibalsilveira.org\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}